Sou um viajante do tempo, em busca de meus sonhos; na minha caminhada costumo ser alegre... rio, choro, me emociono com o olhar de uma criança, com o brilho do sol, da lua; o cantar dos pássaros. Sou um simples mortal que acredita na imortalidade da essência do Ser, do espírito . . As coisas que eu gosto? ... são as mais simples que existem. Gosto de ver o sol nascer, se por... ver a lua bailar no infinito espaço, e as estrelas enfeitando o manto negro e majestoso da noite... (e só de pensar que viemos e iremos ainda para alguma delas, chega a dar saudade ... !) Ver o rio correr tranqüilo seguindo seu curso sem reclamar, ouvir o sussurro do vento, o som dos pardais ao entardecer, o sorriso de uma criança, a sensualidade feminina, e tantas outras coisas mais que nos rodeiam!Como eu vejo as pessoas? ... Vejo as todas companheiras de viagem, indo em busca de algo; são viajantes das mais diferentes origens, oriundas de algum lugar do Universo e na maioria das vezes perdidas sem saber para onde irão e o que buscam ! Isto é triste! Sonhos ? ... sou um eterno sonhador ! " Sei, que n'algum lugar, muito além dos horizontes... nossos sonhos realmente acontecem! " Vou-me embora para PASARGADA , sonho de todo poeta, ir se embora para Pasárgada,..... Sinto-me privilegiado possuidor das chaves deste lugar, entretanto, sei que nada vale a pena se não for fruto de nosso próprio esforço... Do que adianta ser amigo do rei, ter tudo que se imagina e não ser feliz ? Prefiro seguir meu caminho, colhendo todas as pedras que encontro na estrada e utiliza-las para meu caminhar. Quem quiser ... acompanhe-me e caminhemos juntos!
O natal de minha infância era repleto de sonhos e magia! Não havia "shopping Center e nem piscas coloridos como atualmente Apenas o espírito natalino e no céu da minha Imaginação corriam as renas Todas belas e imponentes brincando e saltitando na vasta Via Láctea ! Não havia brinquedos caros nem árvores repletas de bolas coloridas e piscas.
Mas havia árvores com cipós repletos de flores silvestres formando guirlandas Animais que saltitavam alegres pelos prados verdejantes e nas árvores O canto de pássaros numa doce sinfonia anunciavam um evento especial O nascimento do Menino Jesus prestes a acontecer lá em Belém numa choupana.
Enquanto mamãe contava as mais belas estórias do bom velhinho. Eu em meu mundo de criança mal podia esperar pelo grande dia. O céu cravado de estrelas enfeitando a passagem de Papai Noel. Parecia anunciar o grande evento e olhando o firmamento eu sonhava.
No calendário na parede olhava atentamente os dias passar lentamente Imaginando por onde andaria o Papai Noel com sua carruagem!? De que lado do horizonte viriam as renas todas enfeitadas? De noite sentado na varanda ficava observando a Via Láctea mais colorida.
Quando finalmente chegava a véspera do tão esperado dia era uma festa. Logo de manhã a mamãe recomendava ficar atento e obediente e alerta E não se esquecesse, de a noite, antes de dormir, colocar o sapato na janela Pois Papai Noel passaria de madrugada deixando ao menos uma bala ou um doce.
Não importava o que ia receber, queria mesmo era poder ver o bom velhinho. Enquanto o grande dia não chegava passava horas admirando as imagens Das páginas coloridas da Revista O CRUZEIRO que exibia lindas imagens natalinas Árvores de Natal enfeitadas, Papai Noel com seu enorme saco de presentes.
Na manhã de Natal acordava e dentro do sapato na janela havia um presente Geralmente um simples pacotinho de balas, um carrinho era motivo de gratidão. Passava o dia a imaginar a passagem de Papai Noel e porque não ouvira nada Com certeza a sua carruagem deslizava silenciosa e suas renas bem ornamentadas.
No meu mundo pairava um ar de festa, mesmo sem o aglomerado de pessoas Sem as canções natalinas e nem o tilintar dos sinos que hoje se faz presente O grande acontecimento eu podia sentir e na minha solidão de criança Imaginava as crianças da cidade em festa eu buscava entre as nuvens o rastro da carruagem de papai Noel.
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Viagem insólita
Inverno de 2016 (experiências extra corporal)
Madrugada de sexta feira recolhi me em minha cama e como estava frio coloquei dois cobertores e logo peguei no sono. De repente senti me fora de casa, fora de meu corpo e num lugar distante, sombrio e pude logo enxergar duas meninas de pouco mais de 10 anos. Ambas estendiam os braços pedindo por ajuda. Avancei me um pouco à frente tentado me aproximar mais das duas crianças mas um frio imenso tomava conta de meu corpo e nisso me vi de volta à minha cama, a minha casa. Enrolei me novamente nos dois cobertores e logo me aqueci novamente e em pouco tempo me vi naquele lugar com as duas meninas me estendendo as mãos e pedindo por ajuda. Senti me fragilizado ... mas tentava a todo custo descobrir o que queriam para poder ajudá-las, em vão! O frio aumentava e sentia estar regressando ao meu quarto, ... antes porém uma senhora me estendeu as mãos oferecendo me uma xícara de chá para eu tomar. Fui de imediato estendendo meu braço e tentei pegar a xícara mas minhas mãos ultrapassava por através dela e por mais que tentava nada acontecia. Frustado deparei-me novamente detido em minha cama quando meus dedos tocaram na parede ao tentar pegar o chá. Assim, três idas a este lugar se sucederam e por duas vezes me foi oferecido o chá e em vão escapou-se de minhas mãos. Era como se minhas mãos atravessassem o pires e a xícara que me era oferecido por aquela senhora. Dela me recordo apenas que se apresentava sempre numa penumbra. Uma tênues silhueta me recordo enquanto as crianças se apresentavam naturalmente. De certa forma depois de tudo voltei, situei me em minha cama com uma bela sensação de ter de uma forma ou de outra ajudado aquelas crianças. ◦ Ficou aquela sensação de paz e cumprimento de meu dever apenas o chá ficou apenas na lembrança, não pude trazer o gosto e nem o aroma do mesmo.
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Danças comigo?
Estávamos eu e Andreza, minha esposa, num ambiente espaçoso, me pareceu um Sopping, admirando algumas vitrines com manequins e um chamou me atenção pela beleza do modelo e do vestido longo em tom vermelho. Qual não foi minha surpresa quando fui surpreendido com o pedido: "danças comigo" por uma senhora linda de vestido vermelho, longo enodados. Sem mesmo poder decidir...fui levado para o centro do salão e fui tomado nos braços numa dança suave e melódica. Aí percebi que eu estava nos braços de mamãe e fomos naqueles passos suaves por um logo tempo apenas sentindo a música é aquela sensação de amor e carinho mas sem ao menos consegui soltar uma palavra sequer até que ela disse as únicas palavras : ...."vai...agora chama a *dona" olhando fixa para Andreza. E sem esforço algum ela correu para atender o pedido de mamãe e continuaram a dançar da mesma forma em silêncio e por longo tempo. Já estava certo que tudo não passava de um sonho, de uma outra realidade, um outro plano é que logo estaria em nossa casa e em nossa cama continuando o sono da madrugada. Mas estava muito feliz é certo que quando acordasse no dia seguinte lembraria aqueles doces momentos e relataria e escreveria sobre o sucedido! Realmente ao acordar veio aquela sensação de paz, alegria ...mesmo sabendo que tudo tenha ocorrido noutro plano.... Demorei algumas horas para que ainda tomado pelo emoção contasse para Andreza o ocorrido e para que eu pudesse traduzir em palavras isso que aconteceu nesta madrugada de 28 de maio de 2018.
• dona: Port.: expressão fem. de tratamento, terceira pessoa singular. Forma carinhosa de tratamento, regionalismo, Minas, São Paulo. Maneira carinhosa de tiramento que mamãe se utilizava para referir se a pessoas de sua estima.
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QUANDO DEUS CRIOU AS AVES E OS PÁSSAROS.
(Fatos da Criação das aves)
No tempo da Criação Deus estava criando entre todas as Maravilhas os pássaros. Como eram uma quantidade enorme de pássaros e aves Ele queria dar um toque especial e único a cada espécie. Cuidadosamente colocou todos numa mesa e para assegurar que ficassem quietos à espera de sua pintura, enquanto passava com sua palheta e pincel dando Seu toque especial de cor a cada um amarrou suas pernas pedindo que aguardassem a pintura e a sua secagem. E assim com Sua Maestria Divina foi de um em um executando sua Obra de Arte. Mas no final percebeu que dentre todos faltava um a ser pintado. Onde estaria o Pardal? Era o único que não havia recebido a pintura e Ele sentiu sua falta pois Se lembrava de todos que criara. Procurou por toda a parte e o encontrou distante saltitando, ainda com as perninhas amarradas. Como castigo disse Deus: ⁃ você Pardal e todos da sua descendência serão castigados e condenados a não andar como os demais que paciente aguardaram a pintura e secagem conforme Eu ordenei. ⁃ Por isso andará saltitando como se estivesse com suas pernas amarradas devido sua desobediência. Observem todos os pássaros, cada qual com suas cores e matizes mais lindos! Apenas o Pardal, ou o conhecido Tico-tico ficaram com suas penas em preto e branco sem receber a pintura final e além disse com a sina de passar a vida toda a saltitar e não a andar com todos os demais. Assim se cumpriu a vontade de Deus.
Nota: Esta é uma das estórias que vó Anita me contava quando eu era pequeno. ◦
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RUIM MAIS VAI
RUIM MAIS VAI
Fumaças ao léu
Ruim Mais Vai
Maculando os céus
Ruim Mais Vai
Num passo de corcel
Ruim Mais Vai
Braseiro incandescente
Ruim Mais Vai
Fagulhas ardentes
Ruim Mais Vai
Como um corcel
Rede Mineira Viação
Levando nossa gente
Nossa gente Gente !
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MEUS ESCRITOS
Escrever é um fascínio que me atrai desde a tenra infância... sempre rabisquei meus escritos, mas nem sempre os guardava, achava que não eram bons e os jogava fora.Desde meus doze anos tinha vontade de escrever, escrevia minhas narrativas sobre minha infância, sobre coisas e lugares que eu gostava.Lembro-me que guardei um rascunho por décadas de uma estória que estava escrevendo sobre um cachorro chamado Norte, um velho amigo da infância que morreu mordido por uma cobra venenosa. Acabei um dia desinteressando-me pela narrativa e jogando todo rascunho no lixo.Vasculhando minhas mais tenras lembranças, encontro velho sonho de um dia ser escritor, escrever livros que pudesse encantar as pessoas assim como os muitos que me fizeram viajar além do tempo, além de minha cidade.Durante toda minha carreira no magistério, sempre incentivei meus alunos ao mundo mágico da escrita, promovia a escrita, a leitura aos meus alunos, desde as crianças aos mais maduros.O meu sonho de escrever foi ficando apenas na lembrança, ora escrevia alguns versos para alguém, ora alguns textos, mas não me apegava a eles e apenas alguns ficaram em rascunhos que guardei até publicar aqui no meu Site.Hoje, penso em dedicar mais tempo a escrever, principalmente as minhas lembranças, as minhas vivências, os meus sonhos...Escrever um livro, quiçá um dia! Mas enquanto não sai de um sonho meus escritos ao invés de ficar engavetados e depois ser jogados ao lixo editei-os na Morada dos Sonhos e daqui jamais saberei até onde irão.Para quem quiser aventurar-se a leitura de meus escritos.. que muitas vezes vão além deste nosso mundo de realidades... esteja a vontade e navegue pelo menu ou sub-menu na lateral direita. Críticas ou Sugestões serão sempre bem vindas.
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Meu Encontro com Mojica
Era início da década de sessenta. Meus pais acabavam de retornar para São Paulo depois de quase 10 anos em Minas Gerais. Era um garoto da roça, conhecia sim o mundo do campo, os rios, as florestas, os pássaros, enfim a natureza! A vida simples e maravilhosa do campo. Filho de família religiosa, católica, logo minha mãe procurou colocar-me no colégio das freiras, o Externato Nossa Senhora do Sagrado Coração e logo incentivou-me a ingressar no grupo de coroinhas do Santuário do Sagrado Coração, em Vila Formosa, São Paulo. Meus dias passaram a ser no Externato e na Igreja sobrando pouco tempo para ficar em casa! Participava ativamente de todas as celebrações de domingo a domingo. Logo conquistei a confiança e a proteção da Madre Superiora e do Vigário além da atenção especial do Irmão Afonso que era o responsável pelos coroinhas. Atuava nas apresentações religiosa tendo representado o menino Jesus aos doze anos e outras crianças bíblicas. Certo dia ao chegar, como de costume, antes da missa das sete, o irmão Afonso destacou-me a ajudar a missa de um visitante que estava hospedado na Casa Paroquial. Lá fui eu. Como a missa era em Latim mal percebi a origem do Padre. Apenas sabia que era de outra Ordem, pois usava hábito de monge e não dos Missionários do Sagrado Coração. Foi depois de ter me despedido daquele Monge, dias depois que o Irmão Afonso contou-me quem era o ilustre visitante. Contou-me que ele havia sido um cantor muito famoso na Espanha e que depois do auge de sua carreira ele resolveu abandonar a carreira artística e tornar-se um monge. E que uma de suas músicas mais conhecidas era o "Jura-me" ... mal pude conter meu espanto! Jura-me era uma canção que minha mãe falava sempre e quando chegamos em São Paulo ela pediu para o meu pai procurar um disco que tivesse essa música. Corri para casa e quase sem fôlego... contei para a minha mãe o ocorrido dias atrás. Mas o Monge já havia partido e até hoje só ficou a lembrança de que "eu conheci Frei Mojica" o autor de Jura-me ! :::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::
"JOSÉ MOJICA pode ser apontado como um dos grandes artistas latinos do século. Através dos discos, filmes e apresentações pessoais, sua arte de cantor e figura de galã foram levadas a todas as partes do mundo. Depois que se tornou sacerdote-cantor, acrescentaria a essa fama e admiração o respeito pelos seus predicados humanos. Nasceu José Mojica, em 14.9.1896, na cidade de San Miguel, Estado de Jalisco, no México, com um nome extenso: Cresenciano Abel Exaltación de la Santa Cruz de Jesus Mojica Montenegro y Chavarín. Só quando se fez adulto, sua mãe, D. Virgínia Montenegro, contou-lhe que seu pai tinha sido um médico que noivara com ela e a abandonara por já ser casado e com dois filhos. De um casamento posterior, D. Virgínia teria outro filho, que faleceria bem pequeno. Não seria feliz no casamento, pois o padrasto de José, de nome Francisco e dono de oficina em que fabricava sapatos, demonstrou ser um homem extremamente violento, por causa disso condenado a alguns anos de prisão, não mais voltando ao convívio da família depois de libertado. Mulher tenaz e muito religiosa, D. Virgínia incutia em José os ensinamentos e a fé católicos. Um dia, sentindo o desprezo da gente do local, decide deixar San Miguel para tentar melhor sorte na capital mexicana. Vende por pouco dinheiro as propriedades que ainda possuía e toma com José o trem para a Cidade do México. Era 1906. Na capital matricula-o no Colégio Santa Maria e a seguir numa escola pública. Vivem os dois uma existência bem modesta com alguns episódios desagradáveis, como aquele em que, em suas ausências, ladrões despojam de tudo a casinha em que habitavam. Para que possam sobreviver, trabalha como costureira e utiliza-se das reservas trazidas. José continuaria seus estudos na Escola Nacional de Agricultura, fechada durante os acontecimentos da revolução de 1910. Como estudante deixa-se envolver pela política, tendo corrido sério risco de morte no momento em que os revolucionários chegam à capital. Ao mesmo tempo em que cursa agricultura, estuda piano e pintura. Não lhe passa pela cabeça a idéia de cantar. Confessaria mais tarde que "nunca tive e nem tenho paixão pelo canto. Tinha sim, e tenho, paixão e vocação para a pintura. Fui cantor famoso, mas nunca pude encontrar tempo para pintar. O cultivo da arte é absorvente. Em quaisquer de suas manifestações, o homem é limitado e Deus o leva sempre para onde convém mais." De certa feita em que estudava solfejo no Conservatório, os alunos são convidados a participar dos corais de uma nova companhia de ópera que se estava formando no Teatro Ideal. Quando são perguntados se desejam fazer um teste de voz, levanta a mão apenas por levantar. Ao saber que tinha voz de tenor sente uma estranha sensação. Sua mãe fica contra essa ameaça de mudança na direção dos planos traçados para ele, mas José argumenta que era uma oportunidade de ganhar algum dinheiro. A conselho da mãe concorda em tomar lições de canto para ter a certeza de que de fato tinha talento. É o que faz durante certo tempo, até se apresentar na companhia, não mais como pretendente a um lugar no corpo coral, mas como solista de pequenos papéis. Suas qualidade potenciais são reconhecidas pelo célebre maestro mexicano Cuevas, que se oferece para ministrar-lhe aulas. O progresso de Mojica evidencia-se cada vez mais, tanto que passa a primeiro tenor. A escola de Agricultura, que reiniciara as aulas, perdia definitivamente um aluno. Em busca da fama e da fortuna, parte em 1916 para Nova Iorque, integrando um conjunto formado por Carmen Garcia Cornejo, soprano, Angel Esquivel, barítono, e Julio Peimbert, pianista, sendo empresariados por Maria Grever, notável compositora mexicana de futuro renome mundial. O resultado da aventura é desanimador, dada a falta de oportunidades. Mojica termina por lavar pratos durante meses num restaurante. Mesmo assim é ouvido a cantar no trabalho trechos de óperas, com isso vindo a receber aulas de uma senhora chamada Blackman. Quando sua triste e desalentadora situação parecia não ter nenhuma saída, afortunadamente é convidado a se juntar a uma grande companhia de óperas em vias de ser montada em sua pátria. Da noite para o dia vê-se ao lado de nomes célebres da cena lírica mundial. Daí em diante sua ascensão gradativa não teria percalços ou descontinuidade. Terminada a temporada, começa outra com a presença do maior astro do bel-canto mundial, Enrico Caruso, do qual se torna bom companheiro. No final de 1919, volta aos Estados Unidos numa situação bem diferente da primeira vez, pois contratado pela Chicago Opera Company. Além dos rendimentos cada vez maiores no palco, tem a oportunidade de gravar seus primeiros discos na Odeon. Conhece então pessoalmente Thomas Alva Edison, uma das maiores admirações de sua vida, a quem pede uma foto com dedicatória. Edison conta-lhe que todas as noites antes de dormir ouvia sua gravação de Golondrina Mensajera e o imaginara um cantor de meia-idade, não tão jovem. Mojica por sua vez não se refere ao fato de que, em sua primeira estada nos Estados Unidos, tinha sido recusado pela Odeon americana depois de teste de gravação examinado pelo próprio Edison. A partir desse contato, Mojica vai alternando concertos nos Estados Unidos e México. Enquanto sua carreira profissional ia cada vez melhor, dando-lhe condições de proporcionar toda a assistência e conforto à sua amada mãe, com qual sempre morou, sua alma continuava inquieta na busca da verdade. Vinha procurando explicações em novas filosofias e religiões e tinha períodos de agnosticismo. Por fim, volta à fé católica pelo caminho de uma devoção particular a São Francisco de Assis, o santo dos pobres. Tal decisão se dá quando estava com 27 anos, exatamente numa visita à escola franciscana de Quincy, cidade do Illionois. Em 1929 é convidado pela Fox para trabalhar em Hollywood em filmes falados e cantados em espanhol, pois, além de ter voz, encarnava o tipo ideal do galã latino exigido pelos roteiros melodramáticos. Assim é o astro de O Preço de Um Beijo, em duas versões, um extraordinário sucesso em diversos países de língua espanhola, inclusive a Espanha, embora mais uma vez a crítica de seu país tenha se mostrado contrária, como sempre fazia em relação aos artistas mexicanos que atuavam no cinema americano. No seu caso não aceitavam que, cantor consagrado de óperas, descesse para cantar simples canções populares. Outros filmes se seguiriam, como Príncipe, Rei dos Ciganos, A Cruz e a Espada, As fronteira do Amor, A Canção do Milagre e outros, neste último no papel de um sacerdote católico, numa antecipação do que faria mais tarde. Seus discos então se vendiam como nunca. Muito de seus êxitos são até hoje páginas clássicas. Cada uma de suas apresentações na América Latina, Europa e Norte da África consituia-se em consagração. Nada deste mundo lhe faltava, mas no seu espírito continuava um vazio, que só uma completa dedicação a Deus haveria de preencher. Em 1941 estava filmando na Argentina, em Buenos Aires, Melodias da América, quando recebe a notícia do falecimento de sua mãe. Decide então entrar para o convento franciscano de Recoleta, na cidade de Cuzco, no Peru, que já conhecia. Dá um último concerto e viaja para o México a fim de distribuir sua fortuna. Em 1942 recolhe-se à clausura e no ano seguinte recebe as ordens menores. Em 1946 ;é ordenado padre, adotando o nome de Frei José Francisco de Guadalupe. Sentindo que ainda poderia com sua arte e fama obter recursos para obras de caridade e divulgar a religião, consegue de seus superiores autorização para apresentar-se cantando músicas profanas. É o que passa a fazer em novas excursões pelo mundo e em filmes, sempre porém vestindo o hábito de frei franciscano. Já tinha visitado o Brasil em 1937 e cantado no Cassino da Urca. Volta em 1942 e 1950, quando participa da inauguração da primeira estação de televisão brasileira, a TV-Tupi de São Paulo. Retorna em 1955 - reza uma missa em intenção da alma de Carmen Miranda - 1964 e 1967. Por causa de problemas circulatórios que afetara sua perna direita, vem a falecer na idade de 78 anos, em 20.9.1974, na cidade de Lima, no Peru. Abel Cardoso Junior. O texto acima não representa a biografia completa do artista, mas sim, partes importantes de sua vida e carreira.
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TRAVESSIA A CAVALO NA BALSA
Era final da década de 50, a vida no Morro Grande era demasiadamente pacata, passávamos dias sem ver a presença de uma pessoa estranha a família. Na divisa de nosso sítio havia uma estrada, mas dificilmente se via alguém passar por ela. Algumas vezes se via algum caminhante que ia a direção do Porto dos Mendes. A estrada, mais adiante, do outro lado do morro que ligava a Cidade e o Porto passava a velha Jardineira pela manhã indo para a cidade e a tardezinha ouvia se o ronco do motor cansado voltando. Um dia ou outro ouvia se o ronco do motor de algum caminhão ou a caminhonete “pick up William” de um fazendeiro lá da beira do rio que ia ou voltava da cidade. A noite sim se via, com mais freqüência, a luz ao longe, no pé da serra os carros que vinham da Rodovia Fernão Dias em direção a cidade de Boa Esperança. Do mais não se ouvia nem o barulho de avião cortando os céus. Mas a natureza era pródiga em pássaros e grande variedade de outros animais que quebravam a monotonia do lugar com seus cantos e sons específicos. Raramente íamos ao povoado de Ribeirão ou Porto dos Mendes, a não ser quando meu pai precisava comprar alguma coisa na venda ou quando me mandava ir vender hortaliças no povoado - jiló, tomate, repolho ou outro produto de nosso sítio. Logo de manha papai preparava duas *caçambas cheias dos produtos a serem vendidos, colocava na sela do cavalo e não esquecia da medida, uma lata de óleo vazia, para medir o produto. Acontece que eu sempre queria agradar aos fregueses e colocava sempre um pouco mais que a unidade da medida padrão (o litro). Quando chegava a casa sempre era questionado pelo resultado da venda que era sempre menos do previsto. Explicava que eu sempre colocava um pouco mais da medida para cativar as pessoas para de outras vezes comprarem de mim e não de outros. Lembro que isso justificava um pouco, mas não agradava totalmente papai. O povoado era pequeno, muita gente possuía a sua própria horta, o que dificultava a venda, por isso às vezes ia até o povoado do Sapecado que ficava na outra margem do Rio Grande. Mas papai alertava sempre que eu deveria deixar o cavalo do lado de cá, no Porto para não ter que pagar duas passagens na Balsa. Mas certa vez resolvi ir ao Sapecado a cavalo, era mais cômodo, tomei a Balsa e embarquei o cavalo também pagando duas passagens, papai não precisaria saber, o dia parecia estar produtivo já havia vendido boa parte e sabia que lá no Sapecado venderia o restante. Não havia o que se preocupar. Mas papai não poderia saber, pois certamente haveria uma boa bronca. Atravessei o rio com o meu cavalo e lá fui eu pelas poucas ruas que havia todo imponente levando meus produtos e oferecendo de casa em casa. Qual não foi a minha surpresa ao passar pela praça, em frente à Capela vejo surpreso o tio Pedrinho lá aguardando a hora do horário da Balsa para o Porto dos Mendes. Não pude deixar de mostrar meu contentamento ao ver meu tio por lá, mas por outro lado subiu um arrepio de medo do que poderia acontecer se ele se encontrasse com meu pai e falasse que me encontrou no Sapecado e a cavalo! O que tivesse que acontecer aconteceria, nada mais poderia fazer e passei o resto do meu tempo ao lado do meu tio até a travessia do rio. Ao final da tarde, já a noitinha, cheguei a casa e encontrei papai e mamãe aflitos querendo saber como foi o dia e porque chegara tão tarde. Contei que havia vendido tudo e que havia encontrado o tio Pedrinho lá no Sapecado e que havíamos atravessado a Balsa juntos, depois passei para ver a tia e por isso a demora. Nem queria imaginar se o tio Pedrinho viesse a contar-lhe sobre o cavalo. Porém sabia que assim que meu pai estivesse com ele isso seria inevitável. A verdade é que comecei a sofrer antecipadamente. Certo dia meu pai esteve no Porto e quando voltou veio direto ralhar comigo. Ele não costuma bater em mim, nem nos meus irmãos, mas só o modo que falava ralhando era o suficiente para ficar muito triste e até chorar. Vez ou outra, em caso mais grave levava-se uma palmada ou um puxão de orelha. Não mais que isso. Mas atravessar a balsa com o cavalo nunca mais! Voltei mais vezes em busca da freguesia lá para os lados do Sapecado, mas sempre deixando o cavalo amarrado ao bambuzal que fica ao lado da base da Balsa. E jamais esqueci do encontro inesperado com meu tio. Depois de quase cincoenta anos, outro dia destes, falei com meu tio sobre essa passagem, ele sorriu e com sentimento de culpa disse-me: - Uai, você me desculpa então, eu não sabia que você teria problemas.
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Poeta
“O poeta é um fingidor, finge tão completamente, que chega a fingir que é dor, a dor que deveras sente.”