Lista de Poemas

Viagem insólita

Inverno de 2016 (experiências extra corporal)

Madrugada de sexta feira recolhi me em minha cama e como estava frio coloquei dois cobertores e logo peguei no sono.
De repente senti me fora de casa, fora de meu corpo e num lugar distante, sombrio e pude logo enxergar duas meninas de pouco mais de 10 anos. Ambas estendiam os braços pedindo por ajuda.
Avancei me um pouco à frente tentado me aproximar mais das duas crianças mas um frio imenso tomava conta de meu corpo e nisso me vi de volta à minha cama, a minha casa.
Enrolei me novamente nos dois cobertores e logo me aqueci novamente e em pouco tempo me vi naquele lugar com as duas meninas me estendendo as mãos e pedindo por ajuda.
Senti me fragilizado ... mas tentava a todo custo descobrir o que queriam para poder ajudá-las, em vão!
O frio aumentava e sentia estar regressando ao meu quarto, ... antes porém uma senhora me estendeu as mãos oferecendo me uma xícara de chá para eu tomar.
Fui de imediato estendendo meu braço e tentei pegar a xícara mas minhas mãos ultrapassava por através dela e por mais que tentava nada acontecia.
Frustado deparei-me novamente detido em minha cama quando meus dedos
tocaram na parede ao tentar pegar o chá.
Assim, três idas a este lugar se sucederam e por duas vezes me foi oferecido o chá e em vão escapou-se de minhas mãos.
Era como se minhas mãos atravessassem o pires e a xícara que me era oferecido por aquela senhora.
Dela me recordo apenas que se apresentava sempre numa penumbra. Uma tênues silhueta me recordo enquanto as crianças se apresentavam naturalmente.
De certa forma depois de tudo voltei, situei me em minha cama com uma bela sensação de ter de uma forma ou de outra ajudado aquelas crianças.
◦ Ficou aquela sensação de paz e cumprimento de meu dever apenas o chá ficou apenas na lembrança, não pude trazer o gosto e nem o aroma do mesmo.
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Brinde

Brindei, ...hoje brindei a minha vida,
Brindei não aos meus milhares de "amigos virtuais",
Que ao menor toque... se dispersam no espaço cibernético,
Não aos meus amigos "irmãos" consanguíneos,
que caminham egoisticamente alheios à tudo...
pensando mais em suas necessidades e ambições e interesses !
Brindei com minha taça solitária com vinho
representando o sangue que derramei em minhas batalhas,
Brindei saboreando solitariamente o vinho represento o suor que derramei.
Brindei a esta noite àqueles "amigos" que estão e estarão
com certeza estão e estarão de pé e a ordem
quando estiver em apuros sabem e estenderão a mão.
Brindei a estes "amigos", "irmãos" que estão
sempre atentos a minhas necessidades físicas e emocionais.
Brindei aos amigos e familiares que com certeza
não ocupam todos os dedos de minhas mãos.
Brindei a estes que manterei anônimos por questão ética!
E eu agradeço a Deus por colocá-los no meu caminho!
Brindei a esta noite, ao meu lar, a minha companheira.
Brindei a esta noite a meu gato de que dedica amor e carinho incondicional!
Mas a vida é assim, só Deus sabe de nosso destino por isso
Brindei a Deus o nosso Pai que a tudo nos assiste e dá!
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Osso da sorte

Domingo na roça … Nos tempos de criança os almoços na roça eram frequentes ora na sede da fazenda da vovó,ora na fazenda do tio Orozimbo, ou nalguma outra fazenda de parentes e amigos.
Uma coisa era certa eu e meus primos ” Tonho”, Jane, Ariete, Cida, Denise frequentemente estávamos juntos.
Após o almoço o osso da sorte, geralmente uns três ou quatro já desossados eram colocados no sol ou na chapa do fogão a lenha para secar e depois tirar a sorte.
Sorte? Sorte de quê? Não sei!
Mas antes mesmo de ficar a posto para a disputa, a ansiedade era era grande.
– Eu vou ganhar. ( dizia Adauto)
– Não quem vai ganhar sou eu. ( em voz chorosa dizia Tonho.)
Assim era os momentos angustiantes antes de ter os ossos secos e prontos para a disputa.
Geralmente. Jane por ser mais velha era a juíza. Mas as vezes tio Orozimbo ou mamãe fazia o papel de coordenadora.
Chegada a hora… Olhos fixos no osso… Aguardava a contagem.
Um… Dois… Três …já!
O momento chegava… Independente do resultado… O perdedor sempre reclamava. Uns choravam, outros ficavam emburrados.
Mas a tradição era perpetuada e com o tempo a tradição foi ficando apenas na lembrança, por falta da presença dos jogadores que uns partiram pra bem longe, outros separados por longos kilomentros.
Assim é o mundo encantado das crianças…
Pequenos eventos, costumam fazer a diferença.
É muito importante perpetuar tradições, costumes e passar através da escrita para gerações futuras.É muito importante perpetuar tradições, costumes e passar através da escrita para gerações futuras.
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Perdas


"Lembra-te do teu Criador nos dias da tua mocidade, antes que cheguem os dias difíceis e se aproximem os dias da velhice em que dirás: “Não tenho mais satisfação em meus dias!”

Lembra-te que um dia virá a solidão
E nada mais terá sentido em sua vida
E sentirás com tristeza o peso nos ombros
Da intolerância impensada de outrora.

Virá o dia em que perceberás o tempo
Que perdeste em teimosias e desvelos
Quantos sorrisos, abraços e afetos
Se perdem no espaço e no tempo se vão.

A Ingenuidade que habitava a criança que foste
A impetuosidade da adolescência vivida
Os sonhos mal sonhados de sua mocidade
A maturidade que chegou de repente....

Ah se soubéssemos aproveitar cada minuto
Cada segundo, cada sensação percebida..,
Preocupamos em conquistar muitos bens materiais
Mas o mais importante deixamos passar em vão.

E com pesar dirás a cada amanhecer e anoitecer
"Não tenho mais satisfação em meus dias!”
Mas nestes dias, nada mais haverá a fazer
Senão beber da taça que abasteceu em vida.
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QUANDO DEUS CRIOU AS AVES E OS PÁSSAROS.

(Fatos da Criação das aves)

No tempo da Criação Deus estava criando entre todas as Maravilhas os pássaros.
Como eram uma quantidade enorme de pássaros e aves Ele queria dar um toque especial e único a cada espécie.
Cuidadosamente colocou todos numa mesa e para assegurar que ficassem quietos à espera de sua pintura, enquanto passava com sua palheta e pincel dando Seu toque especial de cor a cada um amarrou suas pernas pedindo que aguardassem a pintura e a sua secagem.
E assim com Sua Maestria Divina foi de um em um executando sua Obra de Arte.
Mas no final percebeu que dentre todos faltava um a ser pintado.
Onde estaria o Pardal?
Era o único que não havia recebido a pintura e Ele sentiu sua falta pois Se lembrava de todos que criara.
Procurou por toda a parte e o encontrou distante saltitando, ainda com as perninhas amarradas.
Como castigo disse Deus:
⁃ você Pardal e todos da sua descendência serão castigados e condenados a não andar como os demais que paciente aguardaram a pintura e secagem conforme Eu ordenei.
⁃ Por isso andará saltitando como se estivesse com suas pernas amarradas devido sua desobediência.
Observem todos os pássaros, cada qual com suas cores e matizes mais lindos!
Apenas o Pardal, ou o conhecido Tico-tico ficaram com suas penas em preto e branco sem receber a pintura final e além disse com a sina de passar a vida toda a saltitar e não a andar com todos os demais.
Assim se cumpriu a vontade de Deus.

Nota: Esta é uma das estórias que vó Anita me contava quando eu era pequeno.
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A Casa onde Nasci !

O nome da rua ... não me lembro mas da rua, da casa, da vista que eu tinha da janela do quarto, da varanda...ah ainda está muito nítida em minha memória!
A casa ainda existe, aparentemente continua da mesma forma...
A rua é uma rua de subida, fica na saída da cidade, do lado sul, antiga saída para Aguanil, Porto dos Mendes, Boa Esperança.
Lembro-me dos caminhões que subiam a rua com seus motores cansados exalando aquela fumaça preta do diesel. Gostava de sentir aquele cheiro no ar, era algo diferente do campo... Além dos poucos caminhões que subiam a rua, durante o dia, passava além dos leiteiros em seus cavalos carregados de leite que era vendido de casa em casa... gostava do apito das carroças, da corneta anunciando a venda de picolés, ou de pães...
Ah quanta saudade vem na lembrança daquela primeira casa que me acolheu!
Lembro-me dos meus primeiros banhos que eram disputados pelas primas da minha mãe, (o nome delas não me recordo, apenas de como eram) e por minhas tias.
Não era nenhuma banheira dessas coloridas... era uma bacia de zinco colocada em cima de um suporte, não sei, mas acho que era um banquinho de madeira... mas era um banho delicioso, isso lembro muito bem!
A casa, por dentro, não era muito alegre não, achava um tanto escura, o quintal nos fundos da cozinha, era um misto de mato e canteiros com alguma verdura. Meus avós moravam na fazenda, a casa da cidade era apenas para os finais de semana quando todos vinham da roça, da fazenda.
Além das lembranças vivas já citadas, lembro-me de uma vez ao entrar no quarto ver meu pai chorando, não lembro ao certo se era devido a situação que passava nos primeiros anos de casamento, o meu nascimento que trouxe meus pais a casa de meus avós ou se meu pai estava doente, não sei ao certo. Sei que logo depois desse dia, soube que ele e minha mãe iriam para o Rio em visita ao meu tio Antonio, padre que morava no Rio de Janeiro. Lembro que fiquei sem nenhum problema com meus avós e com minha tia Gabriela que eu não me separava nunca!
Mas logo meus pais estavam de volta. Vieram com muitas estórias que eu ouvia atento!
Falavam da visita a um Navio de grande porte que meu tio levou-os para visitar... minha mãe falava como era grande por dentro, do mar imenso... narravam os passeios feitos ao Pão de Açúcar, a Quinta da Boa Vista, às praias e ao Palácio do Catete. Eram muitas estórias que me encantavam e sempre que as repetia para outras pessoas eu ficava atento para ouvir de novo!
Uma outra imagem forte que guardo foi a saída de um cortejo funerário saído de uma casa que ficava do outro lado de casa, um pouco mais abaixo. Lembro que acompanhei minha mãe e minha avó até a mureta do jardim e ficamos vendo a saída do cortejo, sei que era um caixão roxo com alças douradas. Fiquei a olhar aquela cena até sair rua acima e desaparecer rumo ao cemitério paroquial.
Pouco tempo depois, antes que eu completasse dois aninhos, a casa foi vendida e meu avô mudou para a Fazenda da Mata, só comprando outra casa na cidade anos mais tarde.
Neste período a nossa ida para a cidade ficava na casa da minha bisavó, a mãe vó, casa do tio Juarez e algumas vezes na casa da tia Dolores.
Eu não gostava muito, pois mesmo na minha inocência, eu já não me sentia em casa, era meio estranho, incômodo apesar de ser muito bem tratado e querido pelos tios e primos !
Essas são algumas das minhas memórias de infância, da mais tenra infância! Da casa onde nasci! Até da parteira, a "Sinh'ana" na época freqüentava mais amiúde esta casa!
São doces memórias!
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MEUS ESCRITOS

Escrever é um fascínio que me atrai desde a tenra infância... sempre rabisquei meus escritos, mas nem sempre os guardava, achava que não eram bons e os jogava fora.Desde meus doze anos tinha vontade de escrever, escrevia minhas narrativas sobre minha infância, sobre coisas e lugares que eu gostava.Lembro-me que guardei um rascunho por décadas de uma estória que estava escrevendo sobre um cachorro chamado Norte, um velho amigo da infância que morreu mordido por uma cobra venenosa. Acabei um dia desinteressando-me pela narrativa e jogando todo rascunho no lixo.Vasculhando minhas mais tenras lembranças, encontro velho sonho de um dia ser escritor, escrever livros que pudesse encantar as pessoas assim como os muitos que me fizeram viajar além do tempo, além de minha cidade.Durante toda minha carreira no magistério, sempre incentivei meus alunos ao mundo mágico da escrita, promovia a escrita, a leitura aos meus alunos, desde as crianças aos mais maduros.O meu sonho de escrever foi ficando apenas na lembrança, ora escrevia alguns versos para alguém, ora alguns textos, mas não me apegava a eles e apenas alguns ficaram em rascunhos que guardei até publicar aqui no meu Site.Hoje, penso em dedicar mais tempo a escrever, principalmente as minhas lembranças, as minhas vivências, os meus sonhos...Escrever um livro, quiçá um dia! Mas enquanto não sai de um sonho meus escritos ao invés de ficar engavetados e depois ser jogados ao lixo editei-os na Morada dos Sonhos e daqui jamais saberei até onde irão.Para quem quiser aventurar-se a leitura de meus escritos.. que muitas vezes vão além deste nosso mundo de realidades... esteja a vontade e navegue pelo menu ou sub-menu na lateral direita.
Críticas ou Sugestões serão sempre bem vindas.
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A VELHA PRAÇA


Na mesma praça que hoje abriga a Velha e a Nova Matriz brincou a geração de meu pai e a minha.
Durante a semana brincávamos afoitos na parte que ia da Velha Matriz a Caixa D'Água. Havia um parquinho público, com balanços, escorregadores, gangorras e gaiolas onde nos divertíamos muito. Brincava mais com meus primos, primas e alguns amiguinhos que encontrava quando estava na cidade.
Mas por ora vou me ater a apenas alguns fatos marcantes que fixaram em minha memória.
Quando nos preparávamos para ir para a cidade nos finais de semana minha vó falava:
- menino, pega umas laranjas, peras, maçãs para você vender na cidade e ganhar algum dinheiro para você comprar picolés, e ir ao cinema...
Seguindo a orientação de minha vó, preparava uma cesta com lindas frutas e colocava no Jipe.
Chegando a cidade ia (meio sem jeito) de casa em casa oferecendo as frutas que eu apanhara. Normalmente eu as vendia logo e arrecadava algum dinheiro para meu final de semana.
Certa vez após percorrer algumas casas, parei na praça para descansar um pouco e fiquei a olhar alguns garotos que brincavam quando um deles aproximou-se de mim e furtou uma maçã de minha cesta sem pagar saindo correndo.
Senti-me indefeso, pois ele era maior que eu e ainda estava acompanhado de outros colegas.
Olhei num banco da praça e vi um jovem fardado, sabia, era um soldado. Corri em sua direção e falei do ocorrido. Mostrei o garoto que ainda comia a maçã furtada.
_ menino, não sou daqui, nada posso fazer - respondeu-me o jovem soldado com ar de desinteresse.
Desapontado, fui para casa levando o restante das frutas interrompendo a venda.
Ah da Velha Matriz muitas lembranças das Semana Santas, das Procissões, do Catecismo, dos padres holandeses...
Quando entrava com meus pais nas festas em que as crianças se vestiam de anjos, eu... passando diante da escadaria, na lateral interna da igreja, olhava aquelas criaturas...imaginava que fosse realmente anjos em carne e osso... só alguns anos mais tarde eu percebi que se tratava de crianças vestidas de anjos prontas para uma representação.
O casamento da Tia Gabriela foi marcante, aquela festa toda... depois a entrada dos noivos naquele carro preto, brilhando... era acho que o primeiro casamento que eu assistia, fiquei maravilhado!
Em 1954, na tarde de 24 de agosto... estava eu, minha mãe e minha avó passando diante da Velha Matriz, quando a tia Ritinha, (cunhada da minha Avó) interrompeu nossa caminhada chamando:
- (tia Ritinha) Anita ! Olha, deu no rádio agora mataram Getúlio Vargas.
- (vó Anita) Nossa, como foi isso?
- (mamãe) Nossa, meu Deus!
- (tia Ritinha) é... ainda não sabem como tudo aconteceu, acabaram de encontrá-lo morto com um tiro.
24 de agosto de 1954 (morte de Getúlio Vargas)
Eu, com meus quatro anos de idade ... tive uma verdadeira reviravolta em minha cabeça e o medo tomou conta de meus pensamentos.
Eu não sabia, não entendia bem... pensava que o crime havia sido cometido ali mesmo na cidade, dai o medo que tomou conta de mim naquela tarde e a imaginação tomou asas...
Mas o tempo passou... mais tarde entendi aquele momento na Praça quando soube da morte de Getúlio Vargas.
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Creio que do Planalto que abriga esta grande área verde onde se localiza a Velha e a Nova Matriz é que se originou o nome da cidade, quando a senhora portuguesa, chamada Catarina Parreira chegou exclamou:- Ah que campos belos !!!Dai veio mais tarde o nome de Campo Belo.Se quiser saber um pouco da história pode ver documento sobre a Origem de Campo Belo segundo o estoriador Edson Ribeiro.
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João Paulo II


Hoje, sinto a dor e a tristeza de todo o povo de Deus
abalado com a partida de um dos maiores homens que sucedeu São Pedro !
Lá foi o Grande Líder Espiritual em mais uma de suas viagens !
Mais uma jornada, agora para junto ao Pai e continuar sua missão!
Papa João Paulo II parte deixando seu rebanho terrestre
Para continuar em outro plano, novos rebanhos pastorear e
cumprir sua tarefa de pacificador, de Guia Espiritual ,
de mediador e de intercessor junto ao Nosso Pai Celestial.
Nosso Mestre Espiritual nos legou uma grande lição
a de que viajar é preciso ... para buscar as ovelhas
que por algum motivo desgarraram-se do rebanho e
trazê-las de volta para a casa paterna.
Hoje podemos ver nos quatro cantos da Terra
a gratidão e o reconhecimento ao nosso Guia ;
cristãos de todas as igrejas rendem homenagem ao Santo Padre
que soube guiar seu rebanho com amor !
João Paulo II humildemente pediu perdão
aos que um dia em nome da Santa Igreja e
da política inquiridora da época foram discriminados e
muitas vezes ceifados de seus direitos.
Com sua sabedoria, o Papa quis demonstrar seu amor a todos.
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O pequeno polegar


O dia em que quase perdi o polegar
Era uma criança que desde cedo fui acostumado a ajudar meus pais nos afazeres da casa. Havia hora para trabalhar, estudar e brincar.
Nunca fui obrigado a fazer trabalhos pesados, mas sempre tive vontade de ter minhas pequena plantação, queria aprender a cultivar a terra e diante de meu pedido papai deixou uma pequena área para eu plantar. Ah como era gratificante depois de algum tempo ver germinar as sementes, crescer o feijão, o arroz, as ramas de batata, mandioca, as hortaliças.
Papai plantava de tudo para o nosso sustento e sobrava até para vender. Havia um plantio de mandioca que dava para fazer farinha e polvilho. Para facilitar o beneficiamento ele construiu uma engenhoca para ralar a mandioca exigindo-se pouca força devido as rodas e engrenagens da máquina. Até uma criança como eu, de sete, oito anos conseguia mover a manivela do ralador manual.
Certo dia, enquanto meus pais cuidavam de outros afazeres pedi para adiantar o serviço indo ralar mandioca. Não precisava de muita força para mover a roldana, o trabalho ia bem. Com a mão direita movimentava a manivela e com a esquerda empurrava a mandioca que produzia uma massa alva e espessa. A bacia aos poucos enchia daquela massa, tudo estava indo tranqüilo e sem cansaço.
De repente, o branco tornou-se rubro, mal pude perceber o que havia acontecido.
Como de repente aquela massa alva manchava-se de vermelho forte?
Foi tudo tão rápido que só depois de um tempo pude perceber o que havia acontecido.
Segurava firmemente a mandioca com minha mão esquerda quando de repente acabou se a raiz e foi o meu dedo sem que eu percebesse.
Os dentes do cilindro cravaram em meu dedo polegar deixando ranhuras profundas e quase o deslocando.
Deixei o local e segurando meu dedo com a mão direita e sai correndo gritando por meu pai.
- Pai, paieeeeeeee!
- O que foi filho?
Correu comigo para dentro de casa colocando logo um punhado de sal grosso com água lavando bem o ferimento que continuava sangrar.
Tratou de colocar um pano em volta amarrando-o e pegando-me ao colo acalentando-me na tentativa de acalmar-me.
Os dias se sucederam e o machucado estava com mau aspecto e ainda doendo muito.
Falei com meu pai que o meu dedo polegar estava com mau cheiro, e que o ferimento estava piorando.
Foi ai que ele resolveu levar-me ao Porto dos Mendes onde tio Cristiano possuía uma pequena farmácia, a única da região.
Chegando lá tio Cristiano tirou aquele pano que servia de curativo e fez uma assepsia terminando com um bom curativo com gazes e esparadrapo. Receitou-me alguns remédios e orientou papai como cuidar e fazer novos curativos.
Já se passou quase 50 anos e no meu dedo as marcas deste episódio do dia que quase perdi meu polegar.
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Comentários (1)

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Diones
Diones

Esse escrito me fez lembrar a minha amada! Gostei muito. Parabéns...

Sou um viajante do tempo, em busca de meus sonhos; na minha caminhada costumo ser alegre... rio, choro, me emociono com o olhar de uma criança, com o brilho do sol, da lua; o cantar dos pássaros. Sou um simples mortal que acredita na imortalidade da essência do Ser, do espírito . . As coisas que eu gosto? ... são as mais simples que existem. Gosto de ver o sol nascer, se por... ver a lua bailar no infinito espaço, e as estrelas enfeitando o manto negro e majestoso da noite... (e só de pensar que viemos e iremos ainda para alguma delas, chega a dar saudade ... !) Ver o rio correr tranqüilo seguindo seu curso sem reclamar, ouvir o sussurro do vento, o som dos pardais ao entardecer, o sorriso de uma criança, a sensualidade feminina, e tantas outras coisas mais que nos rodeiam!Como eu vejo as pessoas? ... Vejo as todas companheiras de viagem, indo em busca de algo; são viajantes das mais diferentes origens, oriundas de algum lugar do Universo e na maioria das vezes perdidas sem saber para onde irão e o que buscam ! Isto é triste! Sonhos ? ... sou um eterno sonhador ! " Sei, que n'algum lugar, muito além dos horizontes... nossos sonhos realmente acontecem! " Vou-me embora para PASARGADA , sonho de todo poeta, ir se embora para Pasárgada,..... Sinto-me privilegiado possuidor das chaves deste lugar, entretanto, sei que nada vale a pena se não for fruto de nosso próprio esforço... Do que adianta ser amigo do rei, ter tudo que se imagina e não ser feliz ? Prefiro seguir meu caminho, colhendo todas as pedras que encontro na estrada e utiliza-las para meu caminhar. Quem quiser ... acompanhe-me e caminhemos juntos!