Sou um viajante do tempo, em busca de meus sonhos; na minha caminhada costumo ser alegre... rio, choro, me emociono com o olhar de uma criança, com o brilho do sol, da lua; o cantar dos pássaros. Sou um simples mortal que acredita na imortalidade da essência do Ser, do espírito . . As coisas que eu gosto? ... são as mais simples que existem. Gosto de ver o sol nascer, se por... ver a lua bailar no infinito espaço, e as estrelas enfeitando o manto negro e majestoso da noite... (e só de pensar que viemos e iremos ainda para alguma delas, chega a dar saudade ... !) Ver o rio correr tranqüilo seguindo seu curso sem reclamar, ouvir o sussurro do vento, o som dos pardais ao entardecer, o sorriso de uma criança, a sensualidade feminina, e tantas outras coisas mais que nos rodeiam!Como eu vejo as pessoas? ... Vejo as todas companheiras de viagem, indo em busca de algo; são viajantes das mais diferentes origens, oriundas de algum lugar do Universo e na maioria das vezes perdidas sem saber para onde irão e o que buscam ! Isto é triste! Sonhos ? ... sou um eterno sonhador ! " Sei, que n'algum lugar, muito além dos horizontes... nossos sonhos realmente acontecem! " Vou-me embora para PASARGADA , sonho de todo poeta, ir se embora para Pasárgada,..... Sinto-me privilegiado possuidor das chaves deste lugar, entretanto, sei que nada vale a pena se não for fruto de nosso próprio esforço... Do que adianta ser amigo do rei, ter tudo que se imagina e não ser feliz ? Prefiro seguir meu caminho, colhendo todas as pedras que encontro na estrada e utiliza-las para meu caminhar. Quem quiser ... acompanhe-me e caminhemos juntos!
Vovó gostava de criar filhotes de pássaros em casa para domesticá-los. Cuidava dos filhotes ainda sem penas com papa de fubá e de frutas. Lembro ainda dos filhotes de maritacas, de pássaros pretos e canários da terra que ela criava com todo carinho dentro de casa Mas de um lembro em especial, um pássaro preto que foi batizado de Chiquinho! Foi pego ainda bem novinho, e tratado com muito carinho e cuidado. Cresceu e acostumou com todas as pessoas da família! Ele possuía uma gaiola que ficava pendurada na sala, onde ele dormia e ficava. Mas a gaiola estava sempre com a porta aberta para que ele saísse quando quisesse. Ele gostava de voar para o ombro de alguém e pedir carinho, abaixava a cabeça esperando um cafuné! Ah como ele gostava que coçasse a sua cabeça! Estava sempre feliz a cantar e quando queria algo dava aquele piado que todos sabiam interpretar. Costumava voar até alguma árvore próxima, ir até o pomar e depois retornava para a sua gaiola. Cantava um canto alegre e firme e era um encanto, uma euforia só! Incrível, atendia sempre que ouvia seu nome, sabia que ele era o Chiquinho! Acreditem! Certo dia apareceu pela fazenda, de passagem, um caixeiro viajante, um viajante que trazia produtos da cidade grande para vender. Vovó interessou-se pelos tecidos e permitiu que ele entrasse até a sala e mostrasse o que havia de novidade. Logo foi dizendo: - Ah que pássaro lindo! - E ele não foge, com esta portinha aberta? - Não - respondeu vovó – ele foi acostumado a viver em liberdade. Mas algo estranho começou a acontecer! Chiquinho que era um pássaro alegre, calmo e manso começou a demonstrar um comportamento estranho! Saltava de poleiro em poleiro e soltando alguns piados tristes! Algo não estava normal todos perceberam. Assim que aquele estranho se foi vovó apressou-se a pedir que eu fosse correndo chamar a Mariana. Como já era de costume quando alguém adoecia mesmo um animal da fazenda Mariana era solicitada para vir benzer. Em pouco tempo cheguei pouco a frente da Mariana que veio já preparada com um galho de arruda e pegando o pássaro no colo passou ao ritual de benzedura aspergindo água com aquele ramo de arruda e balbuciando algumas palavras que não podia entender. Chiquinho estava quase paralisado, sem ação, não era mais aquele pássaro alegre e esperto que conhecíamos! Mariana disse: - “Cumade Nita”, a coisa tava feia, este homem botou um mal olhado muito brabo nele! - Coisa pesada, mas ele vai ficar bom, deixa ele ai na gaiola e vai ver amanha ele vai estar bom de novo! Eu que estava lá de pé encostado na porta observando atento todo o ritual apressei a sair e aproveitar o resto da tardezinha que terminava para brincar, correr lá pelo pomar. Sei que Mariana, uma negra empregada antiga da família ficou ainda um pouco conversando com vovó e vi quando ela passou na estrada e disse: - “Inté Adarto!” Ai disse também o “inté” e continuei a brinca! Só sei que no dia seguinte ao levantar encontrei o Chiquinho todo serelepe a saltitar e já arriscando algum canto afinando suas cordas vocais..
(Tudo aconteceu na minha infância na fazenda de meus avós, em Minas Gerais, por volta de 1955)
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Vivências Sutis
Meus pais moravam em São Paulo, mas minha mãe voltou para Campo Belo, MG, cidade natal, quando eu estava para nascer. Depois de certo tempo, passado toda aquela euforia do primeiro filho, do primeiro neto, o segundo sobrinho. Mamãe já estava mais acostumada com a nova situação de mãe, voltou para São Paulo, onde meu pai trabalhava. Voltávamos a casa dos avós sempre no fim de ano. Lembro-me que viajávamos por dois dias, pernoitávamos em Cruzeiro, SP para seguir viagem no dia seguinte. Era apenas um neném, mas lembro-me do local onde ficávamos, parece que era um hotel popular, pois o cheiro do banheiro era sensível. Durante a cansativa viagem de trem, a Maria Fumaça eu lembro perfeitamente das fagulhas que saiam da chaminé da locomotiva e entrava pela janela daquele vagão de madeira. Mas ficava bem curioso de observar tudo, paisagem, movimentação de pessoas... Lembro-me numa dessas viagens, parece que foi numa das voltas a São Paulo, encantei com uma menininha mais velha que eu que me fazia rir muito com suas gracinhas. Antes de completar dois aninhos, lembro-me que meu pai resolveu mudar de vez para Minas e confesso fiquei muito feliz. Chegamos em Minas - meu avô já havia vendido aquela casa em que eu nascera, por isso ficávamos, na cidade, na maioria das vezes na casa da tia Dolores, ora na casa da Mãe Vó (a minha bisavó materna). Morávamos mesmo com meus avós maternos na fazenda que não sei o nome, pois lá ficamos pouco tempo, logo meu avô comprou outra fazenda que foi de meu bisavô um pouco mais adiante, e bem maior. A Fazenda São João, e a anterior só me lembro de sempre se referirem a ela como a Fazenda do Eurico, lembro sim de lá, da casa, dos cômodos, que eram um pouco escuros, acho que por causa das árvores frondosas que haviam em volta da sede e por isso entrava pouca luz nos cômodos. Recordo-me do açude que tia Gabriela nadava e me levava sempre e lembro-me da casinha onde a Jane, o Tonho e outras crianças maiores brincavam de casinha com a tia Gabriela; era no meio do pomar rodeada de laranjeiras. Há muitas passagens na lembrança desta fazenda, que serão narradas em outras narrativas. A mudança aconteceu de repente, fui dar conta no dia em que meu avô chegou comigo no colo, e diante daquele casarão enorme, olhando e mostrando-me aquelas janelas enormes disse: - " filho isso aqui um dia será tudo seu! " Não entendi as palavras naquela hora, entendi que era ali que iria viver. Os primeiros dias eu chegava a me perder naquela casa, no corredor, nos cômodos e aos poucos fui me acostumando e adorando aquela fazenda. Tudo era muito alegre, muito movimento e uma vista que não havia na outra casa. Os empregados, o velho Alexandre, a Mariana, a Dorva, o Izé, todos vieram se juntar a outros que já trabalhavam na fazenda. Com essas pessoas conhecidas e familiares tornou minha adaptação mais fácil e aproveitei os anos que seguiram até seguirmos para o sitio no Morro Grande. Dos dois aos 9 anos com freqüência experimentei algo que eu mal conseguia entender e jamais comentar com quem quer que fosse! Sabia que jamais acreditariam em mim! Passei boa parte de minha infância no campo, na fazenda de meus avós, na Mata da Caatinga, município de Campo Belo e em nosso sítio do Morro Grande, no distrito de Porto dos Mendes próximo às margens do velho Rio Grande. Não possuía amigos da minha idade, crianças além dos irmãos menores e os primos que encontrava na cidade nas épocas de festas como Semana Santa, Páscoa, Natal e em outros encontros familiares. Passava maior parte de meu tempo nos arredores da fazenda, ou do nosso sítio, caminhando por ali e por acolá. Sempre que podia me juntava aos mais velhos para ouvir as estórias dos antigos! Costumava sentar-me ao pé de um frondoso Ipê amarelo que ficava na porteira em frente a sede, ou me retirava para uma laje de pedra bruta que ficava no alto de uma serra, de onde contemplava todos arredores. Muitas vezes, me vi numa situação fora de meu controle. Não sei como, saia voando sobre a sede, o pomar, os cafezais, e meio sem saber... e sem entender como ... eu aproveitava aqueles instantes, sentindo-me deslizar suavemente pelo ar como os pássaros. Era uma sensação maravilhosa, confesso... mas assustadora! Eu sabia não ser uma habilidade normal e passível de entendimento e compreensão. Por isso jamais compartilhei com ninguém tais experiências! Confesso, não era uma situação totalmente sobre meu controle, não acontecia sempre quando eu queria, as vezes me deparava com a situação quando menos esperava, mas aprendi logo a aproveitar esses momentos, pois eu sabia de algum modo não eram comuns. Sentia deslizar pelo ar, vendo de cima aquela pastagem verde sob meus olhos, o gado espalhado pela colina parecia ser pequenas peças de brinquedo, tinha uma visão de todo o pomar matizado de pontos amarelos, dos frutos, entre as diversas tonalidades de verde. Observava serpenteando sob as árvores atravessando o fundo da fazenda o córrego que abastecia a casa sede e a dos empregados. Mas eu não ousava sair das imediações... era uma situação fantástica mas um tanto aterrorizante pois não tinha o controle total que com certeza os pássaros possuem. Só me lembro que com um simples esforço de meus braços e pernas esticadas eu conseguia subir, descer e mudar de direção. Mas de repente, as coisas foram mudando, meus pais começaram a se preocupar com o meu crescimento, a necessidade de mandar-me para a escola, e de uma hora para outra descobri que estávamos para mudar para São Paulo. Era uma grande mudança, mas sabia que ia poder freqüentar escolas e tantas outras coisa que eu já arquitetava em meus sonhos... Sabia que de certo modo que eu deixaria o meu mundo para trás e sabia que isso não seria fácil.O tempo foi passando, cresci, amadureci, e nas minhas leituras e busca de conhecimento aprendi um pouco sobre xamanismo, os estados alterados de consciência, as experiências fora do corpo, e as outras dimensões... Depois de muito tempo, há alguns anos atrás pude reviver tal emoção de “voar” saindo de meu corpo conscientemente, como na infância, porém com uma duração menor, não consegui ir muito longe e retornei. Jamais declarei tal experiência, somente agora revelo tais registros antes trancados em minha memória. Atualmente, essa é uma experiência de sair do corpo pode ser vivenciada conscientemente. Apesar de ser sabido que todos nós, durante o sono, costumamos sair do corpo e visitar outros lugares inconscientemente. Porém é raro nos lembrar disso a não ser, às vezes, como um sonho que tivemos. Atualmente há profissionais que utilizam técnicas que ajudam as pessoas a vivenciar experiência assim conscientemente.
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Recordações da infância
As noites frias e profundas me trazem recordações, sensações, impressões, de uma fragrância de infância de criança. Noite fria, céu estrelado, a lua bailando lá no céu de julho. No casarão se via a fumaça branca que subia pela chaminé, as janelas semi-fechadas deixavam ver a movimentação na cozinha em volta do fogão a lenha. Era férias de meio do ano, o sossego, a tranqüilidade e o silêncio já não era como os de todas as noites. Vovô e vovó que normalmente a esta hora já estariam dormindo permaneciam até mais tarde reunindo os netos em volta do fogão, assando queijo na chapa e a pedido dos netos contando causos. Vovó sempre preocupada conosco cuidava de preparar algumas quitandas para comermos. Sempre ouvia se ela dizer: menino, come alguma coisa, toma leite!Pegue uma *tigela e come com farinha!A noite avançava e o frio aumentava lá fora! O que fazia que nos mantivéssemos todos em frente o braseiro que consumia lá no fogão.Acostumados a deitarem cedo, com pouco meus avós se retiravam ao quarto e ficávamos por ali ainda, falando mais baixo para não incomodar mas conversando muito, rindo e matutando o que fazer no dia seguinte.Como o céu estrelado era muito bonito, apesar do frio, antes de dormir ainda ficávamos lá no alpendre ou na janela do quarto observando as estrelas cadentes que eram freqüentes e imaginando como seria a vida noutros mundos.De vez em quando ficávamos quietos, pensativos só observando lá em cima o céu repleto de estrelas e na escuridão na mata o pisca pisca dos pirilampos e vaga-lumes que invejando as estrelas reluziam o campo e as matas.O silêncio muitas vezes era quebrado por um piado de alguma ave noturna que cortava o espaço em vôo rasante. Lá no pasto, nalgum tronco a coruja piava ! Vez ou outra ouvia se outras aves noturnas aqui ou acolá.Muito assunto, muita conversa mantinha nos acordado até que exaustos um a um ia se deitar para logo mais ao nascer do sol todos de novo começar a nossa lida! Assim eram nossas férias na fazenda e hoje resta-nos apenas as sensações, impressões de uma fragrância de infância, de criança. E a certeza de que fomos muito felizes e aproveitamos o tempo que se foi e jamais voltará! Postado há 28th October 2006 por Adauto Neves Marcadores: ¨ Tigela - pote de louça que vovó logo de manhã enchia de leite uma para cada um e guardava no armário para a noite. (Não havia geladeira)
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O pequeno polegar
O dia em que quase perdi o polegar Era uma criança que desde cedo fui acostumado a ajudar meus pais nos afazeres da casa. Havia hora para trabalhar, estudar e brincar. Nunca fui obrigado a fazer trabalhos pesados, mas sempre tive vontade de ter minhas pequena plantação, queria aprender a cultivar a terra e diante de meu pedido papai deixou uma pequena área para eu plantar. Ah como era gratificante depois de algum tempo ver germinar as sementes, crescer o feijão, o arroz, as ramas de batata, mandioca, as hortaliças. Papai plantava de tudo para o nosso sustento e sobrava até para vender. Havia um plantio de mandioca que dava para fazer farinha e polvilho. Para facilitar o beneficiamento ele construiu uma engenhoca para ralar a mandioca exigindo-se pouca força devido as rodas e engrenagens da máquina. Até uma criança como eu, de sete, oito anos conseguia mover a manivela do ralador manual. Certo dia, enquanto meus pais cuidavam de outros afazeres pedi para adiantar o serviço indo ralar mandioca. Não precisava de muita força para mover a roldana, o trabalho ia bem. Com a mão direita movimentava a manivela e com a esquerda empurrava a mandioca que produzia uma massa alva e espessa. A bacia aos poucos enchia daquela massa, tudo estava indo tranqüilo e sem cansaço. De repente, o branco tornou-se rubro, mal pude perceber o que havia acontecido. Como de repente aquela massa alva manchava-se de vermelho forte? Foi tudo tão rápido que só depois de um tempo pude perceber o que havia acontecido. Segurava firmemente a mandioca com minha mão esquerda quando de repente acabou se a raiz e foi o meu dedo sem que eu percebesse. Os dentes do cilindro cravaram em meu dedo polegar deixando ranhuras profundas e quase o deslocando. Deixei o local e segurando meu dedo com a mão direita e sai correndo gritando por meu pai. - Pai, paieeeeeeee! - O que foi filho? Correu comigo para dentro de casa colocando logo um punhado de sal grosso com água lavando bem o ferimento que continuava sangrar. Tratou de colocar um pano em volta amarrando-o e pegando-me ao colo acalentando-me na tentativa de acalmar-me. Os dias se sucederam e o machucado estava com mau aspecto e ainda doendo muito. Falei com meu pai que o meu dedo polegar estava com mau cheiro, e que o ferimento estava piorando. Foi ai que ele resolveu levar-me ao Porto dos Mendes onde tio Cristiano possuía uma pequena farmácia, a única da região. Chegando lá tio Cristiano tirou aquele pano que servia de curativo e fez uma assepsia terminando com um bom curativo com gazes e esparadrapo. Receitou-me alguns remédios e orientou papai como cuidar e fazer novos curativos. Já se passou quase 50 anos e no meu dedo as marcas deste episódio do dia que quase perdi meu polegar.
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E O TEMPO PASSA
Para não perder de vista os meus sonhos d´outrora
Galgo os mais altos galhos da vida!
( Poá-2008)
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RUIM MAIS VAI
RUIM MAIS VAI
Fumaças ao léu
Ruim Mais Vai
Maculando os céus
Ruim Mais Vai
Num passo de corcel
Ruim Mais Vai
Braseiro incandescente
Ruim Mais Vai
Fagulhas ardentes
Ruim Mais Vai
Como um corcel
Rede Mineira Viação
Levando nossa gente
Nossa gente Gente !
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Mistério na Mata
A Fazenda da Mata, ou Fazenda São João fora do meu bisavô Abílio. Vovô João comprou a pelos idos de 1953 e lá passei os mais doces anos da minha infância. Ah quantas estripulias, quantas aventuras lá vivenciei ! Nos primeiros dez anos a fazenda era muito freqüentada ainda pelos irmãos de Vovó, o tio Juarez, Tio Neném, Tio Mário, Tio Júlio, Tio Renato e a própria Vovó Dolores, Mãe Vó como a tratávamos. Os primos Nardinho, Diogo freqüentavam mais a casa. O casarão era estilo colonial, havia muitas dependências e por isso era possível receber muitos hóspedes. Gostava quando minha avó Anita recebia umas amigas do Rio; Era um pessoal da cidade e eu ficava espiando de longe aqueles hábitos diferentes dos que eu conhecia. Mas sentia mesmo a vontade quando nas férias reuníamos os primos lá Dalmilho, Jane, Raquel, Ariete, Denise, Antonio, entre outros. Mas estes citados eram os da minha época que mais compartilhávamos as aventuras e as brincadeiras. Minha irmã Bernadete era novinha e o Pascoal ainda muito criança nem podia acompanhar-nos em todo lugar. Quando iam embora ficava aquela monotonia... não restava outra opção de vez em quando compartilhar algumas brincadeiras com os filhos dos camaradas. No final da tarde chegava da roça acompanhados do pai e de outros funcionários o Carlinhos, o Toninho, e o José, (Zé) mas eram crianças de outro nível, muito simples e chegavam cansados mal podiam brincar. Na fazenda, quando a tarde caia vovô corria para o lado do rádio, as vezes acompanhados por algum empregado e ficavam ouvindo programação de Música Sertaneja para irritação da minha avó que não gostava. Depois hora da novela no Rádio, minha avó e mamãe iam para o lado do Rádio enquanto meu avô se retirava, de vez em quando indo jogar truco lá na sala com os amigos. Mal a noite se firmava todos começavam a retirar-se. Dormíamos cedo, pois a lida no campo iniciava-se cedo antes do nascer do sol. A vida lá na fazenda foi modificando se radicalmente, o movimento, a lida com o cafezal, foi cada vez mais diminuindo. Meu pai levou-nos para um Sítio que herdara lá no Porto dos Mendes, no Morro Grande, meu tio To alba estudava fora, só vinha para a fazenda nas férias. Eu, sempre que podia ia passar uns dias lá e o meu quarto preferido era o do meu tio Toalba, pois ele dava as janelas todas para a frente e para o Curral, podia-se acordar cedo com a movimentação dos retireiros ao trazer as vacas para a ordenha. Certa noite, estávamos só nós três, meus avós e eu. Como não havia companhia me recolhi cedo, ouvia cada badalado do velho carrilhão lá na sala próximo ao meu quarto. Fora isso e algumas vezes o som de algum pássaro noturno era silêncio total. Podia-se ver as estrelas pela janela que eu sempre deixava aberta para contrariedade de vovó que ia nas pontas do pé e as fechava e eu da mesma forma as abria depois de algum tempo sem fazer ruído. Era uma noite tranqüila, meus avós deviam star em sono pesado e eu ainda estava meio acordado pensando e olhando para as estrelas lá no firmamento. De repente - ouvi a trava de madeira ser retira da porta da sala e ser colocada no canto. Como era piso de assoalho, e com o silêncio da noite ouvia se nitidamente o som. Levantei a cabeça, sem sair de minha cama, procurei ver se era meu avô ou minha avó que fora ver algo. Não podia evitar nada a não ser a porta acabando se abrir por total uma das partes. Um silêncio profundo se fez até que ouvi a minha avó lá de seu quarto falar: - menino! O que está fazendo ai ? Por que abriu a porta!? Eu mal pude responder... balbuciando disse lá da minha cama mesmo; - não fui eu, não sai da minha cama! E virei-me do lado obrindo-me e ficando quieto sem se mexer até que o sono veio! Lembro que meu avô se levantou, fechou a porta, colocou aquela trave de madeira e saiu resmungando. Creio que pensara que fora eu fazendo arte. Pude ouvi-lo a caminho de seu quarto; _ Ara.. esse menino !... No dia seguinte, levantei-me, meu avô já havia ido para a roça e encontrei minha vó lá diante do fogão a lenha! Antes mesmo que ela disse algo perguntei-lhe: - Vó, o que foi aquilo ontem? - Não fui eu que abri a porta não! Calmamente ela respondeu acalmando-me. - Não se preocupe menino, deve ter sido papai, ele sempre aparece por aqui. - No final de semana eu vou fazer uma visita lá no "Centro" e ver o que ele queria. ode estar precisando de oração. E assim passou a semana e quando chegamos a cidade foi ela ao centro e contou-me depois que realmente era o Vô Abílio, ele sente saudades e vem sempre visitar a casa. Mas está tudo bem sim com ele! - disse com toda a naturalidade. Acho que por isso nunca me assustei com fatos inexplicáveis. Aceito-os e acredito que: - " entre o céu e a terra há muito mais coisa que nossa vâ filosofia possa conhecer! "
Obs.: Vô Abílio faleceu dois anos antes do que eu nascera, eu não cheguei a conhecê-lo. Um porta retrato que vovó possuia dele me chamava muito a atenção, os seus olhos azuis, bem azuis.
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Aconteceu no Natal
Os Shoppings Center estavam lotados de pessoas em busca de presentes, as luzes encantavam a todos com seus arranjos festivos de Natal. As ruas com um movimento intenso de vai e vem de pessoas e carros apressados. Era já véspera da tão sonhada Noite de Natal. Eu absorto em meus pensamentos dirigia meu carro rumo à casa de minha irmã onde encontraria a família já reunida. O trânsito estava apressado, todos a caminho de suas casas ou indo para encontrar os amigos, os parentes para com eles festejarem. De repente, num cruzamento entre duas avenidas movimentadas o sinal fecha e eu parei meu carro a espera do sinal verde. - Moço! Moço! Surpreendi-me com aquela voz de criança do lado de fora. Deparei-me com uma menininha, cerca de 8 anos, mal trapilha com uma caixa na mão. - Moço, compra uma bala. Compra moço! Eu fora pego de surpresa, um pouco assustado ao meio daquele corre-corre e respondi de imediato: - Meu amor, eu não tenho dinheiro trocado! - Ah moço compra! Olhei dos lados, apenas aquela garotinha estava ali ao meio dos carros, não havia mais nenhum ambulante, nenhum vendedor de farol. De repente surpreendo-me com a atitude daquela menina. - Moço, pega a metade. Fica com esta metade e eu fico com a outra! Fiquei sem palavras com aquele gesto, com as mãozinhas estendidas sobre o vidro de meu carro entreaberto. Titubeie, mas não poderia fazer tal desfeita com o gesto daquela criatura inocente! - Muito obrigado meu amor. Mal tive tempo de vasculhar o bolso em busca de algum trocado, fui abalado pelas buzinas impacientes dos carros que estavam atrás do meu. Então me dei conta do farol que já estava verde e tinha que prosseguir mas antes olhei para os lados e não vi mais a menina de vestido claro e surrado. Desapareceu... e eu fui obrigado a prosseguir, pois todos estavam pedindo passagem em meio ao trânsito. Mal consegui conter a emoção daqueles instantes atrás! Segui meu trajeto ao encontro dos meus familiares e anos já se passaram, mas a imagem daquele anjo permanece em minhas lembranças! Por onde andará tal criança? Uma simples mortal ou um ser celestial!?
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Gnomos ou Duendes?
Uma visita inesperada. Lá fora o céu estava azul, o sol brilhando, a metade do quarteirão onde morava ainda era coberta por arbustos e vegetação rasteira que estava a anunciar a primavera. Eu havia acabado de chegar e já estava na mesa para almoçar. Surpreso observei a minha frente diante da mesa dois seres muito alegres, mas um tanto diferente, um pouco disformes em relação aos humanos. Estavam falando entre si e me fitando, eu surpreso fiquei sem ação. Apenas perguntei a mulher que estava lá na pia preparando alguma mistura. - Olha, você está vendo? - O quê? Não vejo nada, ta doido? - Há dois homenzinhos a minha frente. - Imaginação sua, não há ninguém ai. Neste ínterim percebi que eles ficaram pensativos um olhando para o outro e depois como duas crianças alegres começaram a saltitar e a desmanchar em gargalhadas. Em seguida, dirigiram-se à porta e sumiram através do mato ao lado da casa. Mas realmente eles estavam ali embora visse que eles conversavam entre si eu não os podia ouvir, apenas vê-los! Alguns anos já se passaram desde este encontro porém permanece nas minhas lembranças a imagem daqueles dois seres que embora diferente de nós humanos eram muito semelhantes e transmitiam muita paz e bondade. Não mais os vi em lugar algum, mas a sua presença ainda sinto em alguns lugares que passo ou em minha própria casa! Gnomos, Duendes, Fadas, e outros seres elementares existem de verdade!? Depois daquela experiência eu acredito, eu os vi, eu os sinto! Acredito que haja uma há outra dimensão paralela a nossa! Muito próxima, mas que apenas algumas pessoas percebem! Estes seres, embora não os vemos podemos sentir a presença deles muitas vezes bem ao nosso lado, eu... eu os sinto!
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Joaninha
No meio a relva seca a joaninha numa folha não sabe que a natureza clama por socorro !