susete evaristo

susete evaristo

n. 1948 PT PT

n. 1948-04-11, serpa

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Pensamento

O futuro a deus pertence
Na vida nada reténs
Até a vida dos homens...
o mais alto dos seus bens

Era o desejo de muitos
que em seis meses parasse
este projecto de vida
e a democracia acabasse

Não me parece porém
que tal venha a acontecer
E ao povo será provado
Que na luta bem conduzida
Está um novo alvorecer

É que um povo sem cultura,
Sem saúde e educação,
Sem casa e sem trabalho
Sem ter na mesa o seu pão
Sem ser senhor dos seus actos
É povo na escravidão

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Poemas

38

Voz do Poeta

Voz do Poeta

Amar é sentir a voz
Consciente da razão
É dar vida ao que há em nós
É viver, é recordar
É preparar o futuro
Ir em frente, dar as mãos
Ao sentimento mais puro
Não basta amar as pessoas
Não basta amar as plantas
Ama o sol e as estrelas
Outras Galáxias que existam...
Um NÃO aos gritos de guerra
Um NÃO aos gritos de dor
Deixem cantar as crianças
Suaves cantos de Amor.
393

Desejo

Desejo

Eu sinto a vida chegar
Em cada um dos teus beijos
Fale quem quiser falar
Que a vida só é vivida
Quando se morre em desejos
287

Madrugada

Madrugada

É madrugada
E o meu corpo dói...
Dói, de tanto querer o teu.
Mas a meu lado,
Feliz, adormecido
Tu continuas nos braços
De Morfeu.
424

Saudade

Saudade

Quantos anos ?
Uma eternidade !
O tempo parece que parou,
As horas passam tão devagar...
Eu quero dormir
Dormir e sonhar contigo
Até que chegue o dia
Até que chegue a hora
De te poder amar.
Poderás até rir do meu amor
Talvez para ti eu seja só mais uma
A verdade é que te amo
E serei mulher, amante, o que quiseres;
Porque o que eu quero apenas
é ser tua.
367

Manhã de primavera

Manhã de Primavera

Quando eu partir
Não quero:
Olhos chorosos nem flores na sepultura
Quando eu partir
Não quero:
Palavras embargadas nas gargantas
Quando eu partir
Que o sol brilhe em todo o seu esplendor
Quando eu partir
Que floresçam os campos e os caminhos
Quando eu partir
Que seja uma radiante manhã de primavera
372

Chegou num abraço a madrugada

Chegou num abraço a madrugada


Chegou num abraço a madrugada
Envolta em languidez tamanha
Trazendo, vinda não sei de onde
A cadência de uma sinfonia estranha

O brilho das estrelas reluzindo
Desce do céu em doce companhia
Sendo os teus olhos, a luz que alumia
Que aquece e incendeia, a minha poesia

Esta amizade que entre nós flutua
Cúmplices, vivendo de um amor antigo
Eternamente presos a uma só verdade

Embora longe sinto, estás comigo
Quero-te tanto mesmo não sendo tua
Meu terno amor, minha infeliz saudade
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Epílogo

Epílogo

Julguei que na distância te esquecia...
Sem dor, sem qualquer ressentimento
Mas no tempo que passa dia, a dia
Nunca tu me sais do pensamento.

Não tenho mais prazer, ou alegria
Nem a luz do sol me dá algum alento
E o meu olhar que sempre te sorria
Só tem nos dias de hoje sofrimento

Sempre que lembro o jeito do teu ser
E a ternura que tinhas ao me ver
E o doce reluzir do teu olhar ...

Amargo a minha desventura
Fecharam-se as portas da ventura
Que a vida tem só tristeza p'ra me dar.
559

A minha pequena janela

A minha Janela pequena

Tenho na minha casinha
Uma pequena janela
Que engana quantos passam
Quando olham para ela!

É que da minha janela
Vejo mais que o horizonte:
Vejo as estrelas do céu,
As árvores, o rio e o monte

Pela minha janelinha
Entra a luz do sol a rodos,
Entra o luar à noitinha
E as canções do vento em sopros

E quando vem o Inverno,
Bate a chuva miudinha
Não entra, porque a não deixa,
A janela pequenina
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