susete evaristo

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n. 1948 PT PT

n. 1948-04-11, serpa

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Alentejo II

As nuvens que andam no ar
Arrastadas pelo vento
Foram buscar água ao mar
Pra regar a todo o tempo
As terras de Alentejo
É que o sol que tudo abrasa
Nos cálidos dias de Verão
Trazem consigo a desgraça
Terra seca não dá pão
Daí que fossem buscar
A agua aonde ela corria
Direitinha para o mar
Era a carta de alforria
para a terra Alentejana
Em vez de trigo porém
Temos milhões de oliveiras
E fico a pensar p'ra comigo
Alentejo meu tesoiro
Saudades tenho das eiras
Com medas de trigo loiro
Colhidas pelas ceifeiras

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Poemas

38

Eu sei

Eu sei

Sim eu sei
Eu sei
Que nunca serei ninguém
Sim, sei bem
Que eu nunca te terei
Eu sei
Que no teu mundo
Nada sou
Mas quando estou contigo
Deixa-me pensar
Deixa-me sonhar
Que ainda Vivo.
440

Desejo

Desejo

Eu sinto a vida chegar
Em cada um dos teus beijos
Fale quem quiser falar
Que a vida só é vivida
Quando se morre em desejos
288

Pára Coração

Pára coração

Sossega coração
Não me atormentes
Pára!
Não me faças mais sofrer
Embora no meu peito
Ainda palpites
Como dizer-te?
De forma que acredites
Teu tempo já passou
Agora o tempo
É tempo de morrer.
415

Amo-te

Amo-te

Gosto de ti !
Dizia eu, sem ser capaz
de dizer-te a palavra mais correcta.
Amo-te !
Grita a minha alma
Já liberta, de preconceitos
que teimavam em ficar.
Quero viver este amor que me ofereces,
não quero nem pensar por quanto tempo.
E juro, juro amor que hás-de ficar
para sempre dentro do meu peito.
347

Madrugada

Madrugada

É madrugada
E o meu corpo dói...
Dói, de tanto querer o teu.
Mas a meu lado,
Feliz, adormecido
Tu continuas nos braços
De Morfeu.
425

Chegou num abraço a madrugada

Chegou num abraço a madrugada


Chegou num abraço a madrugada
Envolta em languidez tamanha
Trazendo, vinda não sei de onde
A cadência de uma sinfonia estranha

O brilho das estrelas reluzindo
Desce do céu em doce companhia
Sendo os teus olhos, a luz que alumia
Que aquece e incendeia, a minha poesia

Esta amizade que entre nós flutua
Cúmplices, vivendo de um amor antigo
Eternamente presos a uma só verdade

Embora longe sinto, estás comigo
Quero-te tanto mesmo não sendo tua
Meu terno amor, minha infeliz saudade
505

Epílogo

Epílogo

Julguei que na distância te esquecia...
Sem dor, sem qualquer ressentimento
Mas no tempo que passa dia, a dia
Nunca tu me sais do pensamento.

Não tenho mais prazer, ou alegria
Nem a luz do sol me dá algum alento
E o meu olhar que sempre te sorria
Só tem nos dias de hoje sofrimento

Sempre que lembro o jeito do teu ser
E a ternura que tinhas ao me ver
E o doce reluzir do teu olhar ...

Amargo a minha desventura
Fecharam-se as portas da ventura
Que a vida tem só tristeza p'ra me dar.
560

A minha pequena janela

A minha Janela pequena

Tenho na minha casinha
Uma pequena janela
Que engana quantos passam
Quando olham para ela!

É que da minha janela
Vejo mais que o horizonte:
Vejo as estrelas do céu,
As árvores, o rio e o monte

Pela minha janelinha
Entra a luz do sol a rodos,
Entra o luar à noitinha
E as canções do vento em sopros

E quando vem o Inverno,
Bate a chuva miudinha
Não entra, porque a não deixa,
A janela pequenina
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