susete evaristo

susete evaristo

n. 1948 PT PT

n. 1948-04-11, serpa

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Sem rumo

Cansei-me das palavras por dizer
Dos gestos no ar inacabados
Do riso tolo
Da loucura inerte
Do gosto amargo do silêncio
Sigo como um escravo agrilhoado
No porão de um tumbeiro
À deriva entre vagas alterosas
Sem fé, sem esperança de mudança
Sem um porto de abrigo
Onde me sinta em segurança

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Poemas

38

Manhãde Primavera

Quando eu partir
Não quero:
Olhos chorosos nem flores na sepultura
Quando eu partir
Não quero:
Palavras embargadas nas gargantas
Quando eu partir
Que o sol brilhe em todo o seu esplendor
Quando eu partir
Que floresçam os campos e os caminhos
Quando eu partir
Que seja uma radiosa manhã
de Primavera

431

Paixão antiga

Paixão antiga

Da vida nada quero,
nada espero
A não ser esta
paz, esta alegria
De saber que o
tempo não matou
Aquele amor que
foi nosso um dia
605

Onze

ONZE

Sei que vou morrer
Num qualquer ano
Num qualquer mês
Num dia onze.
A onze nasci
Ganhei e perdi
Meu companheiro
Avós e mãe
A onze acabo de morrer
Mais uma vez...
Não vou contrariar o meu destino
Não vou viver em desatino
Sei, presságios meus
Num qualquer mês
De um ano qualquer
A onze
Direi adeus
550

Meu Amigo

Meu Amigo

São para ti
estas palavras meu amor
Dizer-tas desta forma
é meu castigo
Vivi,
Sonhando contigo a vida inteira
E agora que te encontrei
Só poderei chamar-te
Meu Amigo.
638

FIM

FIM

Sinto-me só
Na madrugada que morre ...
Não durmo!
Da janela do meu quarto
Espreito o céu,
Uma nuvem define-se no horizonte
Agora, mais escura ...
Vai tapar o céu.
Toma os contornos de um rosto,
Que dirá ela ?
é comigo? - pergunto -
E a nuvem chora,
é por mim que chora!
é por ti que chora!
Pelo nosso amor que morreu.
679

Sonho

Sonho

Sonho-te amor na madrugada:
O meu nome murmuras com doçura
A tua boca em minha boca desesperada
Teu corpo em meu corpo uma loucura

Segredas-me o amor do tempo antigo
Em silêncio guardo os meus desejos
E peço à vida apenas não me negue
O calor da tua boca teus doces beijos

Sonhei como quem sonha um poema
Sonhei como quem sonha a primavera
Desfaleço ao acordar sem teu sorriso
Choro a dor que o meu peito encerra.

Braços vazios e coração despedaçado
Tendo por companhia a pouca sorte
Sou a tristeza, a nostalgia, a saudade
E sinto em mim o gélido frio da morte
437

Alentejo

Alentejo

Meu coração, acalma o alvoroço
Vê se sossegas um pouco no meu peito
Voltar ao Alentejo é doce encantamento
E o caminho como um mar imenso

Passado o Tejo ficamos bem mais perto
Desce já a paz dos campos sobre mim
E alegra-se o olhar quando depara
O rubro das papoilas... um jardim

Estar longe de ti um sofrimento
Que a vida me impôs, pecados meus
Saudade que me traz em desalento

Esta ânsia de rever-te terra minha
Faz-me acreditar que existe Deus
E regressar é sonho que acalento
511

Épitáfio

Epitáfio

Nesta vida fui mulher e fui amante
De ninguém
Pois ninguém
Me amou bastante
429

Desespero

DESESPERO

Dei de mim tudo o que tinha
Vida, Amor,
Paixão e Sorte,
Carrego a vida vazia,
A minha esperança é na
MORTE!
422

Pregão

Pregão

Quem quer?
Quem quer comprar um coração
Que já não cabe no meu peito
Que está cansado de sofrer?
Quem quer?
Quem quer comprar desilusão
Que se alojou num coração
Que já está farto de viver
Quem quer?
Quem quer comprar a saudade
D'um coração já sem vontade
E que está prestes a morrer
Quem quer? Quem quer?


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