susete evaristo

susete evaristo

n. 1948 PT PT

n. 1948-04-11, serpa

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Alentejo II

As nuvens que andam no ar
Arrastadas pelo vento
Foram buscar água ao mar
Pra regar a todo o tempo
As terras de Alentejo
É que o sol que tudo abrasa
Nos cálidos dias de Verão
Trazem consigo a desgraça
Terra seca não dá pão
Daí que fossem buscar
A agua aonde ela corria
Direitinha para o mar
Era a carta de alforria
para a terra Alentejana
Em vez de trigo porém
Temos milhões de oliveiras
E fico a pensar p'ra comigo
Alentejo meu tesoiro
Saudades tenho das eiras
Com medas de trigo loiro
Colhidas pelas ceifeiras

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Poemas

38

Pensamento

O futuro a deus pertence
Na vida nada reténs
Até a vida dos homens...
o mais alto dos seus bens

Era o desejo de muitos
que em seis meses parasse
este projecto de vida
e a democracia acabasse

Não me parece porém
que tal venha a acontecer
E ao povo será provado
Que na luta bem conduzida
Está um novo alvorecer

É que um povo sem cultura,
Sem saúde e educação,
Sem casa e sem trabalho
Sem ter na mesa o seu pão
Sem ser senhor dos seus actos
É povo na escravidão

378

Paixão antiga

Paixão antiga

Da vida nada quero,
nada espero
A não ser esta
paz, esta alegria
De saber que o
tempo não matou
Aquele amor que
foi nosso um dia
600

Meu Amigo

Meu Amigo

São para ti
estas palavras meu amor
Dizer-tas desta forma
é meu castigo
Vivi,
Sonhando contigo a vida inteira
E agora que te encontrei
Só poderei chamar-te
Meu Amigo.
635

Onze

ONZE

Sei que vou morrer
Num qualquer ano
Num qualquer mês
Num dia onze.
A onze nasci
Ganhei e perdi
Meu companheiro
Avós e mãe
A onze acabo de morrer
Mais uma vez...
Não vou contrariar o meu destino
Não vou viver em desatino
Sei, presságios meus
Num qualquer mês
De um ano qualquer
A onze
Direi adeus
544

FIM

FIM

Sinto-me só
Na madrugada que morre ...
Não durmo!
Da janela do meu quarto
Espreito o céu,
Uma nuvem define-se no horizonte
Agora, mais escura ...
Vai tapar o céu.
Toma os contornos de um rosto,
Que dirá ela ?
é comigo? - pergunto -
E a nuvem chora,
é por mim que chora!
é por ti que chora!
Pelo nosso amor que morreu.
675

Pregão

Pregão

Quem quer?
Quem quer comprar um coração
Que já não cabe no meu peito
Que está cansado de sofrer?
Quem quer?
Quem quer comprar desilusão
Que se alojou num coração
Que já está farto de viver
Quem quer?
Quem quer comprar a saudade
D'um coração já sem vontade
E que está prestes a morrer
Quem quer? Quem quer?


466

Saudade II

Saudade

Chegou num abraço a madrugada
Envolta em languidez tamanha
Trazendo, vinda não sei de onde
A cadência de uma sinfonia estranha

O brilho das estrelas reluzindo
Desce do céu em doce companhia
Sendo os teus olhos, a luz que alumia
Que aquece e incendeia, a minha poesia

Esta amizade que entre nós flutua
Cúmplices, vivendo de um amor antigo
Eternamente presos a uma só verdade

Embora longe sinto, estás comigo
Quero-te tanto mesmo não sendo tua
Meu terno amor, minha infeliz saudade
482

Sonho

Sonho

Sonho-te amor na madrugada:
O meu nome murmuras com doçura
A tua boca em minha boca desesperada
Teu corpo em meu corpo uma loucura

Segredas-me o amor do tempo antigo
Em silêncio guardo os meus desejos
E peço à vida apenas não me negue
O calor da tua boca teus doces beijos

Sonhei como quem sonha um poema
Sonhei como quem sonha a primavera
Desfaleço ao acordar sem teu sorriso
Choro a dor que o meu peito encerra.

Braços vazios e coração despedaçado
Tendo por companhia a pouca sorte
Sou a tristeza, a nostalgia, a saudade
E sinto em mim o gélido frio da morte
435

Alentejo

Alentejo

Meu coração, acalma o alvoroço
Vê se sossegas um pouco no meu peito
Voltar ao Alentejo é doce encantamento
E o caminho como um mar imenso

Passado o Tejo ficamos bem mais perto
Desce já a paz dos campos sobre mim
E alegra-se o olhar quando depara
O rubro das papoilas... um jardim

Estar longe de ti um sofrimento
Que a vida me impôs, pecados meus
Saudade que me traz em desalento

Esta ânsia de rever-te terra minha
Faz-me acreditar que existe Deus
E regressar é sonho que acalento
509

Desespero

DESESPERO

Dei de mim tudo o que tinha
Vida, Amor,
Paixão e Sorte,
Carrego a vida vazia,
A minha esperança é na
MORTE!
418

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