Páginas de branco
Em páginas de nada, nosso amor se perdeu,
Um romance que findou, do desapego que aconteceu.
Não podemos ficar reféns de sentimentos confusos,
Entre linhas tortas, nossos sonhos se desfizeram, em prantos.
No palco da vida, encenamos um ato,
Mas o enredo se perdeu, virou descompasso abstrato.
Não somos prisioneiros de emoções mal compreendidas,
É tempo de libertar o coração, seguir novas trilhas.
Em cada verso, a despedida ecoa,
Entre as rimas, a saudade se entrelaça e voa.
Não podemos ser cativos do que já foi vivido,
É hora de seguir adiante, deixar o passado esquecido.
Páginas em branco aguardam novas histórias,
O desapego é a chave para conquistar memórias.
No adeus, encontramos a liberdade,
Rompendo correntes, descobrindo a verdade.
Não mais reféns de um amor que se esvai,
A despedida é a ponte para o que ainda virá.
Em cada linha, escrevemos nosso recomeço,
Desapego é a arte de soltar, de se reconhecer disperso.
~CJ
Palco vazio
Na dança sutil do destino, um recomeço se desenha,
Entre cosmos e estrelas, uma trama se emoldura, no canto.
Uma parte de mim, perdida na vastidão do céu,
Busca constelações de um amor, outrora tão singelo.
No palco da vida, onde a esperança dança,
Acabou-se o engano, restam só lembranças.
No silêncio das palavras não ditas,
Ecoam os suspiros de promessas não cumpridas.
Tentei refazer a pintura desbotada do afeto,
Mas as cores se perderam no vórtice do desafeto.
Em cada estrela cadente, um pedido ao universo,
Para que o amor renasça, como um verso disperso.
Mas a mão do tempo tem despojos implacáveis,
Desfazendo laços, tornando-nos vulneráveis.
Uma parte de mim se perde na imensidão,
Enquanto o coração chora a dor da solidão.
Cosmos testemunham o fim dessa ilusão,
E o que resta é a saudade, a melancolia em profusão.
No palco vazio, onde a história se encerra,
Acabou-se o engano, não há mais primavera.
A dança cessou, a música se desfez,
Resta apenas a cicatriz do que um dia se fez.
Entre estrelas e desenganos, o amor fracassado,
Deixa na alma a marca de um sonho malogrado.
~CJ
Recôndito das palavras
Ali sem ninguém, esperando pelos milagres de Deus,
os olhos cansados fixam o céu estrelado, onde as estrelas parecem lacrimejar em silente solidão.
O vento sussurra segredos que o coração não ousa pronunciar,
e as sombras da noite dançam em torno, como espectros de sonhos desfeitos.
É ali, nesse vazio sombrio, que a esperança desvanece como uma vela queimada até a última gota de cera.
A solidão se torna uma prisão, e o silêncio, um grito que ecoa na alma.
Cada segundo parece uma eternidade, cada suspiro, um lamento profundo.
E naquela espera interminável, os anseios se transformam em mágoas, os suspiros em lágrimas.
O coração, agora é apenas um eco da tristeza que habita nesse lugar abandonado.
Ali, onde a fé desaparece e a escuridão se torna amiga, é onde a vida encontra seu lamento mais profundo.
A espera, o silêncio, a solidão... são testemunhas mudas do sofrimento que transcendem a compreensão.
E ali, ali é onde o coração anseia por um milagre que talvez nunca venha,
onde a dor se entrelaça com a alma, e a tristeza encontra seu lar.
Ali sem ninguém, permaneci só, no ápice da minha loucura.
~CJ
Breve despedida
Para quem nunca mais me viu
me verá pela última vez
Deitado em madeira
de olhos fechados
de terno que nunca antes
tivera vestido
Mas não lamentem minha partida
Pois a vida é efêmera, como uma estrela cadente
Cumpri meu papel, vivi minhas histórias
E agora parto, como um verso que se finda
Em lembranças e sorrisos, eu permanecerei
Nas histórias compartilhadas, no amor que doei
Não se entristeçam, pois na eternidade do tempo
Somos todos pó, dançando ao vento
Deixo a vida como quem encerra um poema,
Mas a essência do que fui, em vocês, é o meu lema.
~CJ
Caixa de Pandora
Na Caixa de Pandora, oculta em mistério,
Repousam males que afligem o peito,
Um cofre sombrio, cheio de fadário,
Segredos amargos que lanço ao vento.
Com promessas doces de esperança e sonhos,
Pandora abriu a caixa em um momento ingênuo,
Mas libertou dores e medos profundos,
A humanidade enfrentando um destino penoso.
Lágrimas caem como chuva incessante,
Da caixa escapam os males do mundo,
Tristeza e pesar, como sombras errantes,
Despertando temores, emaranhados no fundo.
As palavras da caixa, em silêncio ecoam,
Uma advertência eterna de nosso passado,
Para que saibamos, antes que sonhos se voem,
Que esperança e cuidado devem ser mantidos.
Na Caixa de Pandora, o pesar se esconde,
Mas também a lição, que não deve ser esquecida,
Que em meio à adversidade, ainda podemos responder,
Com coragem, compaixão e amor na vida.
Pois a esperança permanece, frágil e pequena,
Dentro da caixa, em meio à escuridão,
Lembrando-nos de que, mesmo nas trevas mais densas,
A luz pode surgir, trazendo redenção.
~CJ
Poeta dos lábios negros
Poeta dos lábios negros, alma sombria,
Canta versos tristes sob a luz da lua fria,
Seus olhos profundos refletem mágoas sem fim,
Em seu coração, tristeza é o único leme.
Com palavras melancólicas, ele tece sua canção,
Uma melodia de dor, lamento e solidão,
Sua voz ecoa como um suspiro da noite,
Um eco de tristeza, um grito de açoite.
Na penumbra, ele escreve, seu coração despedaçado,
Versos sombrios de um amor perdido, jamais encontrado,
A tinta em suas mãos mancha o papel em branco,
Como lágrimas escuras de um passado já extinto.
Seus versos são como sombras, densos e profundos,
Revelando segredos ocultos, sonhos quebrados em segundos,
O Poeta dos lábios negros, com sua pena de desgosto,
Compartilha sua dor, em cada verso, em cada grito.
Óh, Poeta dos lábios negros, tão solitário e triste,
Seu coração enegrecido pela dor que persiste,
Que sua poesia possa ser uma válvula de escape,
Um bálsamo para sua alma, para a tristeza que lhe cabe.
~CJ