Masoquista Apaixonado
cansei, de esperar pelos teus milagres
de já não desaguares em mim...
cansei, de ser o raso do profundo
de ser o amor de ninguém...
Cansei, de pedir esmola de algo que é propriedade minha, ou que pelo menos devia ser...
Cansei, de sentir pena de mim, de amar pelos dois, de dar, sem nada receber...
Disse que iria...
Que terminaria...
Que sairia caso não me sentisse amado
Mas num paciente com síndrome de Estocolmo me devo ter tornado
Quanto mais dói, mais sinto vontade de ficar, sou um masoquista apaixonado
Mas dor alguma é comparada aos átomos neutrões que no ar expeles
A água morna que serves
Ao tanto faz que fazes
E antes que eu perca a crença no amor
Me desfaço de ti...
E onde antes transbordava tal sentimento, só resta mágoa e rancor
Como nunca antes senti.
Na porta do adeus
..."Na porta do adeus, naquele lugar escuro
Onde as vozes das lágrimas imploravam por regresso
Por um recomeço, um novo começo, um novo florescer
Uma esperança antes da morte do nosso amor
Onde eu e as lágrimas repartiamos o sofrimento e
cada um chorava no seu momento
No olhar onde morava a paixão que apenas eu sabia cantar
Na porta do adeus, nos lembramos de coisas que nunca esquecemos
Dos momentos que estavam eternizados nos soluços da noite
Nas leis da gravidade do amor que por nós foi desafiado
Dos beijos dados perante todos e ninguém via
Do desejo de nos encontrar antes de nos perdermos
Das nossas agonias escritas, camufladas em poesias e prosa
Na porta do adeus, a paixão voou sem fim, sem dar um sorriso
Sem dizer os nossos nomes, sem sequer falar de amor
Esbanjei 1001 razões para ficar,
1000 motivos pra mudar
999 arrependimentos sufocados
Na porta do adeus, deixei escapar vários infinitos
Na porta do adeus, cada um seguiu o seu caminho
Em corpos separados, no mesmo horizonte
Em corpos cansados, condecorados de vazios
Na porta do adeus, ninguém quis partir"...
Fúnebres Sentimentos
busco inspiração
nas coisas mórbidas
despidas de prazer
nas dores, que eu mesmo me causei
busco inspiração
nos soluços sem lágrimas
oriundos de cada desgraça
que nunca deveriam existir
mas, se imortalizaram em mim
busco inspiração
debaixo das pontes
ouvindo os sussuros dos desconhecidos
que almejam a morte
busco inspiração
nos poemas que ainda não terminei
nos amores que não viverei
nas promessas que um dia cumprirei
busco inspiração
nos meus sentimentos fúnebres
Remorsos noctívagos
..."Nos mais íntimos dos seus pensamentos regozijavam-se os seus medos e perpetuamente agonizante se tornava a sua alegria
Nos mais íntimos dos seus medos a sua quimera possuía-a dia e noite intensamente deixando assim autorizarem-se os seus piores pesadelos
E no seu âmago ela sentia-se a definhar como de dentro p'ra fora como se a qualquer momento pudesse deixar de existir, pudesse deixar de ser, pudesse se deixar, se deixar ir
E continuamente, o único líquido que engolia era sua própria saliva na esperança que pudesse a preencher novamente, pudesse preencher seu vácuo, mas de nada valia
E mesmo que todos a olhassem, ninguém poderia realmente vê-la e compreendê-la, era como se sua razão fosse transplantada em outro ser e ela desconhecesse que ser é
E de noite ela sabia que sua pior punição era acordar no dia seguinte e ter que sentir o mesmo remorso a sugar tudo de si, até cair no sono novamente e o encontrar em fora de pesadelo e desejar ter continuado inocente"...