O que escrevo são desabafos poéticos muito além do carnal são sonhos prometidos em mil razões parábola para os céticos
Meus poemas são desejos cansados sentenças não executadas de uma paixão pedindo pra voltar
Minhas estrofes são amores pela metade são sílabas abertas almejando o refrão pra compor uma canção
Na minha poesia moram confissões infinitas reflexões perplexas com tamanho desprezo um preço a ser pago por devorar do pão que Judas amassou
Minhas palavras são anjos rumo ao precipício são felicidades perdidas nos escombros subindo as escadas para serem resgatadas pelos ombros
O que escrevo, são resgates de saudades...
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Falsos Deuses
"... Estou mais abaixo que muitos subsolos, acima de muitos céus, sou a divindade superior a Zeus mesmo andando com fariseus, saduceus e alguns hebreus Sou a fartura da tua escassez, a esperança que ainda não vês líquidos inebriantes dão-me alucinações de coisas ilucidas, pecados eternos, me colocam no topo, sou posto em primeiro
Vivo como o senhor dos senhores aos olhos dos que me temem, tranco a sete chaves todas as minhas fragilidades, de modo que saber quem realmente sou, eles não conseguem Olho a todos com maior desprezo como se não tocasse no chão, mas só eu sei que de noite troco a cama e me deito nele em substituição
Flutuo na mais gloriosa luz do abismo e quanto menos eles me vêem por causa do imaginário brilho, menos me sinto Quanto mais faço parte deles, menos faço parte de mim mesmo e quando acordo, vejo: sou um tudo, um deus para eles, mas para mim, um nada, apenas um mortal reles..."
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Pesamentos Inquietantes
.."Numa noite inquietante onde os meus silêncios eram barulhentos e os meus gritos eram mudos, deixei-me levar por todo tipo de pensamentos. Não que fossem maus, mas eram bons, eram bons demais pra ser verdade... E o ataque dos "se" ressoava em mim, e por mais que a noite parecia calma por fora, dentro de mim era uma sanzala sem controle...
"E se não acontecer?"... Mas pior ainda " e se acontecer?"... 'E se meus desejos secretos realizarem-se? Seria motivo de esperar pelo pior mais lá pra frente?' 'E se o meu bem querer, querer de mim também? Seria razão de esperar que o nosso amor não durasse?' 'E se eu tiver uma casa construída? Seria razão de esperar que ela sem mais nem menos desmoronasse?' 'E se eu viver durante muito tempo? Seria essa vida uma com vantagens?' Sinto o peso dos silêncios barulhentos, antes fosse os gritos! Nós já esperávamos que os gritos nos incomodassem de certo modo... Não o silêncio, nunca o silêncio! Mas eu o deixei falar... E falou e falou e falou... Falou tanto!
Dei-me conta que talvez tenha falhado na gestão de pensamentos e sentimentos... Talvez paralise demais e fique só no querer. Talvez meus barulhos tenham sido controversos, talvez diga algo e sinta o oposto. E outrora neutro, o silêncio já não aceita mais o seu posto. Talvez amanhã seja melhor, mas hoje, contando com o tanto que eu não fiz e com o tanto que eu quis, hoje a noite será longa"...
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Poeta dos lábios negros
Poeta dos lábios negros, alma sombria, Canta versos tristes sob a luz da lua fria, Seus olhos profundos refletem mágoas sem fim, Em seu coração, tristeza é o único leme.
Com palavras melancólicas, ele tece sua canção, Uma melodia de dor, lamento e solidão, Sua voz ecoa como um suspiro da noite, Um eco de tristeza, um grito de açoite.
Na penumbra, ele escreve, seu coração despedaçado, Versos sombrios de um amor perdido, jamais encontrado, A tinta em suas mãos mancha o papel em branco, Como lágrimas escuras de um passado já extinto.
Seus versos são como sombras, densos e profundos, Revelando segredos ocultos, sonhos quebrados em segundos, O Poeta dos lábios negros, com sua pena de desgosto, Compartilha sua dor, em cada verso, em cada grito.
Óh, Poeta dos lábios negros, tão solitário e triste, Seu coração enegrecido pela dor que persiste, Que sua poesia possa ser uma válvula de escape, Um bálsamo para sua alma, para a tristeza que lhe cabe.
~CJ
10
Páginas de branco
Em páginas de nada, nosso amor se perdeu, Um romance que findou, do desapego que aconteceu. Não podemos ficar reféns de sentimentos confusos, Entre linhas tortas, nossos sonhos se desfizeram, em prantos.
No palco da vida, encenamos um ato, Mas o enredo se perdeu, virou descompasso abstrato. Não somos prisioneiros de emoções mal compreendidas, É tempo de libertar o coração, seguir novas trilhas.
Em cada verso, a despedida ecoa, Entre as rimas, a saudade se entrelaça e voa. Não podemos ser cativos do que já foi vivido, É hora de seguir adiante, deixar o passado esquecido.
Páginas em branco aguardam novas histórias, O desapego é a chave para conquistar memórias. No adeus, encontramos a liberdade, Rompendo correntes, descobrindo a verdade.
Não mais reféns de um amor que se esvai, A despedida é a ponte para o que ainda virá. Em cada linha, escrevemos nosso recomeço, Desapego é a arte de soltar, de se reconhecer disperso.
~CJ
13
Caixa de Pandora
Na Caixa de Pandora, oculta em mistério, Repousam males que afligem o peito, Um cofre sombrio, cheio de fadário, Segredos amargos que lanço ao vento.
Com promessas doces de esperança e sonhos, Pandora abriu a caixa em um momento ingênuo, Mas libertou dores e medos profundos, A humanidade enfrentando um destino penoso.
Lágrimas caem como chuva incessante, Da caixa escapam os males do mundo, Tristeza e pesar, como sombras errantes, Despertando temores, emaranhados no fundo.
As palavras da caixa, em silêncio ecoam, Uma advertência eterna de nosso passado, Para que saibamos, antes que sonhos se voem, Que esperança e cuidado devem ser mantidos.
Na Caixa de Pandora, o pesar se esconde, Mas também a lição, que não deve ser esquecida, Que em meio à adversidade, ainda podemos responder, Com coragem, compaixão e amor na vida.
Pois a esperança permanece, frágil e pequena, Dentro da caixa, em meio à escuridão, Lembrando-nos de que, mesmo nas trevas mais densas, A luz pode surgir, trazendo redenção.
~CJ
18
Palco vazio
Na dança sutil do destino, um recomeço se desenha, Entre cosmos e estrelas, uma trama se emoldura, no canto. Uma parte de mim, perdida na vastidão do céu, Busca constelações de um amor, outrora tão singelo.
No palco da vida, onde a esperança dança, Acabou-se o engano, restam só lembranças. No silêncio das palavras não ditas, Ecoam os suspiros de promessas não cumpridas.
Tentei refazer a pintura desbotada do afeto, Mas as cores se perderam no vórtice do desafeto. Em cada estrela cadente, um pedido ao universo, Para que o amor renasça, como um verso disperso.
Mas a mão do tempo tem despojos implacáveis, Desfazendo laços, tornando-nos vulneráveis. Uma parte de mim se perde na imensidão, Enquanto o coração chora a dor da solidão.
Cosmos testemunham o fim dessa ilusão, E o que resta é a saudade, a melancolia em profusão. No palco vazio, onde a história se encerra, Acabou-se o engano, não há mais primavera.
A dança cessou, a música se desfez, Resta apenas a cicatriz do que um dia se fez. Entre estrelas e desenganos, o amor fracassado, Deixa na alma a marca de um sonho malogrado.
~CJ
7
Recôndito das palavras
Ali sem ninguém, esperando pelos milagres de Deus, os olhos cansados fixam o céu estrelado, onde as estrelas parecem lacrimejar em silente solidão. O vento sussurra segredos que o coração não ousa pronunciar, e as sombras da noite dançam em torno, como espectros de sonhos desfeitos.
É ali, nesse vazio sombrio, que a esperança desvanece como uma vela queimada até a última gota de cera. A solidão se torna uma prisão, e o silêncio, um grito que ecoa na alma. Cada segundo parece uma eternidade, cada suspiro, um lamento profundo.
E naquela espera interminável, os anseios se transformam em mágoas, os suspiros em lágrimas. O coração, agora é apenas um eco da tristeza que habita nesse lugar abandonado.
Ali, onde a fé desaparece e a escuridão se torna amiga, é onde a vida encontra seu lamento mais profundo. A espera, o silêncio, a solidão... são testemunhas mudas do sofrimento que transcendem a compreensão. E ali, ali é onde o coração anseia por um milagre que talvez nunca venha, onde a dor se entrelaça com a alma, e a tristeza encontra seu lar.
Ali sem ninguém, permaneci só, no ápice da minha loucura.
~CJ
14
Breve despedida
Para quem nunca mais me viu me verá pela última vez Deitado em madeira de olhos fechados de terno que nunca antes tivera vestido
Mas não lamentem minha partida Pois a vida é efêmera, como uma estrela cadente Cumpri meu papel, vivi minhas histórias E agora parto, como um verso que se finda
Em lembranças e sorrisos, eu permanecerei Nas histórias compartilhadas, no amor que doei
Não se entristeçam, pois na eternidade do tempo Somos todos pó, dançando ao vento Deixo a vida como quem encerra um poema, Mas a essência do que fui, em vocês, é o meu lema.
~CJ
18
Na porta do adeus
..."Na porta do adeus, naquele lugar escuro Onde as vozes das lágrimas imploravam por regresso Por um recomeço, um novo começo, um novo florescer Uma esperança antes da morte do nosso amor Onde eu e as lágrimas repartiamos o sofrimento e cada um chorava no seu momento No olhar onde morava a paixão que apenas eu sabia cantar
Na porta do adeus, nos lembramos de coisas que nunca esquecemos Dos momentos que estavam eternizados nos soluços da noite Nas leis da gravidade do amor que por nós foi desafiado Dos beijos dados perante todos e ninguém via Do desejo de nos encontrar antes de nos perdermos Das nossas agonias escritas, camufladas em poesias e prosa
Na porta do adeus, a paixão voou sem fim, sem dar um sorriso Sem dizer os nossos nomes, sem sequer falar de amor Esbanjei 1001 razões para ficar, 1000 motivos pra mudar 999 arrependimentos sufocados Na porta do adeus, deixei escapar vários infinitos
Na porta do adeus, cada um seguiu o seu caminho Em corpos separados, no mesmo horizonte Em corpos cansados, condecorados de vazios Na porta do adeus, ninguém quis partir"...