Poemas neste tema
Emoções e Sentimentos
Regina Souza Vieira
Autocrítica
Aqui,
a sós.
Entre mim e o sonho
De cantar-te,
A voz
De que disponho
Sem engenho e arte...
Fraca e mal nascida,
Nasce,
E nunca digo de nós,
Da vida.
Do Sol
Que prossigo,
Com palavras-não-gastas...
Nasce,
E fica-se (tece)
A tristeza mole da derrota
Pelo mal que digo,
(Canto!)
A certeza da vitória
Nesta rota...
Espanto sem história
Neste esforço
De cantar-te?
Se és tão simples água
Ou sol nas veias,
Simples olhar límpido
De criança perpétua
Sem a primeira mágoa?!
Simples leveza de amar-te,
Simples esperança simples,
Maré-cheia e horizonte,
Escorço de linhas
Com o SOL lá, PÃO e FONTE!...
ah! minhas palavras minhas!
a sós.
Entre mim e o sonho
De cantar-te,
A voz
De que disponho
Sem engenho e arte...
Fraca e mal nascida,
Nasce,
E nunca digo de nós,
Da vida.
Do Sol
Que prossigo,
Com palavras-não-gastas...
Nasce,
E fica-se (tece)
A tristeza mole da derrota
Pelo mal que digo,
(Canto!)
A certeza da vitória
Nesta rota...
Espanto sem história
Neste esforço
De cantar-te?
Se és tão simples água
Ou sol nas veias,
Simples olhar límpido
De criança perpétua
Sem a primeira mágoa?!
Simples leveza de amar-te,
Simples esperança simples,
Maré-cheia e horizonte,
Escorço de linhas
Com o SOL lá, PÃO e FONTE!...
ah! minhas palavras minhas!
964
Armindo Trevisan
Uma Mulher
Tem os
olhos escondidos
no meio das pedras.
Ali o regato
brota de cerejas envelhecidas.
Suas mãos apanham o ar.
Caminha de leve
sobre as palavras.
É exata.
Ninguém lhe adivinha a nudez.
Muitos, muitos a amam.
a ninguém deu o amor.
Em seu corpo ela permanece,
a alma lhe exige um corpo tão diferente
que não sabe onde esperá-lo.
olhos escondidos
no meio das pedras.
Ali o regato
brota de cerejas envelhecidas.
Suas mãos apanham o ar.
Caminha de leve
sobre as palavras.
É exata.
Ninguém lhe adivinha a nudez.
Muitos, muitos a amam.
a ninguém deu o amor.
Em seu corpo ela permanece,
a alma lhe exige um corpo tão diferente
que não sabe onde esperá-lo.
1 192
Regina Souza Vieira
Frio Intempestivo
Está ventando,
ventando muito
Sinto incomodar-me a fria brisa
Sinto esfriarem-se minhas mãos
Enquanto as folhas arrastando-se
são levadas, poeiras nesses vãos..
Sinto forte frio percorrer-me
Como um vento agudo, perspicaz
Que me quer correr todas as veias
Nunca o senti assim ávido, jamais!
Frio estranho que sequer parece
Vir de fora, cobrir o horizonte
Parecendo me nevar a fronte
Estremecer-me de tanto medo.
Frio estranho, irresistível
A mim me tornando sensível
Desfazendo minha armadura
Essa película meio nublada
Que encobre minha fraqueza
E me torna um tanto escura.
É frio forte, é vento gélido
quebra todo o forte de mim mesma
Meu ânimo se desfaz em lesma
Já nem sei se isto é simples frio
Se isto é apenas forte desânimo
Sei que se me abate, se me quebra
de mim a força, de mim o ânimo.
ventando muito
Sinto incomodar-me a fria brisa
Sinto esfriarem-se minhas mãos
Enquanto as folhas arrastando-se
são levadas, poeiras nesses vãos..
Sinto forte frio percorrer-me
Como um vento agudo, perspicaz
Que me quer correr todas as veias
Nunca o senti assim ávido, jamais!
Frio estranho que sequer parece
Vir de fora, cobrir o horizonte
Parecendo me nevar a fronte
Estremecer-me de tanto medo.
Frio estranho, irresistível
A mim me tornando sensível
Desfazendo minha armadura
Essa película meio nublada
Que encobre minha fraqueza
E me torna um tanto escura.
É frio forte, é vento gélido
quebra todo o forte de mim mesma
Meu ânimo se desfaz em lesma
Já nem sei se isto é simples frio
Se isto é apenas forte desânimo
Sei que se me abate, se me quebra
de mim a força, de mim o ânimo.
832
Regina Souza Vieira
Frio Intempestivo
Está ventando,
ventando muito
Sinto incomodar-me a fria brisa
Sinto esfriarem-se minhas mãos
Enquanto as folhas arrastando-se
são levadas, poeiras nesses vãos..
Sinto forte frio percorrer-me
Como um vento agudo, perspicaz
Que me quer correr todas as veias
Nunca o senti assim ávido, jamais!
Frio estranho que sequer parece
Vir de fora, cobrir o horizonte
Parecendo me nevar a fronte
Estremecer-me de tanto medo.
Frio estranho, irresistível
A mim me tornando sensível
Desfazendo minha armadura
Essa película meio nublada
Que encobre minha fraqueza
E me torna um tanto escura.
É frio forte, é vento gélido
quebra todo o forte de mim mesma
Meu ânimo se desfaz em lesma
Já nem sei se isto é simples frio
Se isto é apenas forte desânimo
Sei que se me abate, se me quebra
de mim a força, de mim o ânimo.
ventando muito
Sinto incomodar-me a fria brisa
Sinto esfriarem-se minhas mãos
Enquanto as folhas arrastando-se
são levadas, poeiras nesses vãos..
Sinto forte frio percorrer-me
Como um vento agudo, perspicaz
Que me quer correr todas as veias
Nunca o senti assim ávido, jamais!
Frio estranho que sequer parece
Vir de fora, cobrir o horizonte
Parecendo me nevar a fronte
Estremecer-me de tanto medo.
Frio estranho, irresistível
A mim me tornando sensível
Desfazendo minha armadura
Essa película meio nublada
Que encobre minha fraqueza
E me torna um tanto escura.
É frio forte, é vento gélido
quebra todo o forte de mim mesma
Meu ânimo se desfaz em lesma
Já nem sei se isto é simples frio
Se isto é apenas forte desânimo
Sei que se me abate, se me quebra
de mim a força, de mim o ânimo.
832
Armindo Trevisan
A Nuca
Tua nuca
atrás assim tua nuca
A simultaneidade de duas bocas para a frente
Outra vez tua nuca
Salgueiro e amêndoa
A respiração apertada contra o muro
O repouso rompido aos pedaços
Tu a experimentá-la nos
Cabelos na água a subir-lhe
Aos olhos
Pálpebras torcidas contra o sol
O trigo a descer-lhe pelas pernas
Tua nuca
A reprimir o espaço fortes asas da necessidade
Provas o sabor de seus ângulos o cipó
De seu pêlo
Tua nuca( no seio dela a refeição)
O corpo que ninguém governa é a primeira
Inclina a cabeça para a relva oh
Se as coisas
Se respondessem umas às outras
E tímida a gengiva
Escorresse mel no galho com o pássaro
Os ninhos o ventre em que a alma
(fêmea) te aguarda para a comunhão
atrás assim tua nuca
A simultaneidade de duas bocas para a frente
Outra vez tua nuca
Salgueiro e amêndoa
A respiração apertada contra o muro
O repouso rompido aos pedaços
Tu a experimentá-la nos
Cabelos na água a subir-lhe
Aos olhos
Pálpebras torcidas contra o sol
O trigo a descer-lhe pelas pernas
Tua nuca
A reprimir o espaço fortes asas da necessidade
Provas o sabor de seus ângulos o cipó
De seu pêlo
Tua nuca( no seio dela a refeição)
O corpo que ninguém governa é a primeira
Inclina a cabeça para a relva oh
Se as coisas
Se respondessem umas às outras
E tímida a gengiva
Escorresse mel no galho com o pássaro
Os ninhos o ventre em que a alma
(fêmea) te aguarda para a comunhão
1 227
Armindo Trevisan
A Nuca
Tua nuca
atrás assim tua nuca
A simultaneidade de duas bocas para a frente
Outra vez tua nuca
Salgueiro e amêndoa
A respiração apertada contra o muro
O repouso rompido aos pedaços
Tu a experimentá-la nos
Cabelos na água a subir-lhe
Aos olhos
Pálpebras torcidas contra o sol
O trigo a descer-lhe pelas pernas
Tua nuca
A reprimir o espaço fortes asas da necessidade
Provas o sabor de seus ângulos o cipó
De seu pêlo
Tua nuca( no seio dela a refeição)
O corpo que ninguém governa é a primeira
Inclina a cabeça para a relva oh
Se as coisas
Se respondessem umas às outras
E tímida a gengiva
Escorresse mel no galho com o pássaro
Os ninhos o ventre em que a alma
(fêmea) te aguarda para a comunhão
atrás assim tua nuca
A simultaneidade de duas bocas para a frente
Outra vez tua nuca
Salgueiro e amêndoa
A respiração apertada contra o muro
O repouso rompido aos pedaços
Tu a experimentá-la nos
Cabelos na água a subir-lhe
Aos olhos
Pálpebras torcidas contra o sol
O trigo a descer-lhe pelas pernas
Tua nuca
A reprimir o espaço fortes asas da necessidade
Provas o sabor de seus ângulos o cipó
De seu pêlo
Tua nuca( no seio dela a refeição)
O corpo que ninguém governa é a primeira
Inclina a cabeça para a relva oh
Se as coisas
Se respondessem umas às outras
E tímida a gengiva
Escorresse mel no galho com o pássaro
Os ninhos o ventre em que a alma
(fêmea) te aguarda para a comunhão
1 227
Regina Souza Vieira
Memória
Cheira
a café de manhã
Cheira a assados ao meu dia
Cheira a doce à tarde
À noite, a chuva cai.
Vem então o cheiro
Mistura de tantos outros
Que o dia transportou
Deixando neste último
o que melhor / pior passou.
Dele a memória guarda
a permanência daquele dia
Soma-se ainda a ele
o cheiro da chuva fria.
Ah, o fugaz olfato
Esse sentido que absorve
Das paixões a lembrança
Trazidas tão de repente
Num cheiro, o doce contente
ou o azedo inconformado
o perfume inesperado
exalando, às vezes, saudade!
Dulcíssima brevidade
Só o olfato se apercebe
Que todo segundo passa
Por esse ar que a gente bebe
E que só em nós se guarda
Quando uma semente solta
Dele em nós se embebe.
a café de manhã
Cheira a assados ao meu dia
Cheira a doce à tarde
À noite, a chuva cai.
Vem então o cheiro
Mistura de tantos outros
Que o dia transportou
Deixando neste último
o que melhor / pior passou.
Dele a memória guarda
a permanência daquele dia
Soma-se ainda a ele
o cheiro da chuva fria.
Ah, o fugaz olfato
Esse sentido que absorve
Das paixões a lembrança
Trazidas tão de repente
Num cheiro, o doce contente
ou o azedo inconformado
o perfume inesperado
exalando, às vezes, saudade!
Dulcíssima brevidade
Só o olfato se apercebe
Que todo segundo passa
Por esse ar que a gente bebe
E que só em nós se guarda
Quando uma semente solta
Dele em nós se embebe.
992
Ana Cristina Cesar
Deus na Antecâmera
Mereço(merecemos,
meretrizes)
Perdão(perdoai-nos, patres conscripti)
Socorro (correi, valei-nos, santos perdidos)
Eu quero me livrar desta poesia infecta
beijar mãos sem elos sem tinturas
consciências soltas pelos ventos
desatando o culto das antecedências
sem medo de dedos de dados de dúvidas
em prontidão sangüinária
(sangue e amor se aconchegando
horas atrás de hora)
Eu quero pensar ao apalpar
eu quero dizer ao conviver
eu quero parir ao repartir
Filho
Pai
E
Fogo
DE-LI-BE-RA-MEN-TE
abertos ao tudo inteiro
maiores que o todo nosso
em nós(com a gente) se dando
HOMEM: ACORDA!
meretrizes)
Perdão(perdoai-nos, patres conscripti)
Socorro (correi, valei-nos, santos perdidos)
Eu quero me livrar desta poesia infecta
beijar mãos sem elos sem tinturas
consciências soltas pelos ventos
desatando o culto das antecedências
sem medo de dedos de dados de dúvidas
em prontidão sangüinária
(sangue e amor se aconchegando
horas atrás de hora)
Eu quero pensar ao apalpar
eu quero dizer ao conviver
eu quero parir ao repartir
Filho
Pai
E
Fogo
DE-LI-BE-RA-MEN-TE
abertos ao tudo inteiro
maiores que o todo nosso
em nós(com a gente) se dando
HOMEM: ACORDA!
1 669
Jorge Viegas
Antecipadamente escorregadia
Nas sombras
do luar
O olhar enfeita o vazio
Símbolos alegremente sensíveis
Excitando a dimensão do equilíbrio
Alma volúvel
Que as lendas ancestrais
Diluíram docemente
Em simbioses sentimentais
O corpo ilumina-se
Mistura de ritmos e profecias
E ela enrola-se com o seu calor perfumado
Com os cabelos sombreados
Pelo reflexo dos mistérios
Murmura a canção da pérola apaixonada
Escorrega pelo passado
Criando misturas sensuais
Derretidas pela simetria da paixão
do luar
O olhar enfeita o vazio
Símbolos alegremente sensíveis
Excitando a dimensão do equilíbrio
Alma volúvel
Que as lendas ancestrais
Diluíram docemente
Em simbioses sentimentais
O corpo ilumina-se
Mistura de ritmos e profecias
E ela enrola-se com o seu calor perfumado
Com os cabelos sombreados
Pelo reflexo dos mistérios
Murmura a canção da pérola apaixonada
Escorrega pelo passado
Criando misturas sensuais
Derretidas pela simetria da paixão
974
Jorge Viegas
Antecipadamente escorregadia
Nas sombras
do luar
O olhar enfeita o vazio
Símbolos alegremente sensíveis
Excitando a dimensão do equilíbrio
Alma volúvel
Que as lendas ancestrais
Diluíram docemente
Em simbioses sentimentais
O corpo ilumina-se
Mistura de ritmos e profecias
E ela enrola-se com o seu calor perfumado
Com os cabelos sombreados
Pelo reflexo dos mistérios
Murmura a canção da pérola apaixonada
Escorrega pelo passado
Criando misturas sensuais
Derretidas pela simetria da paixão
do luar
O olhar enfeita o vazio
Símbolos alegremente sensíveis
Excitando a dimensão do equilíbrio
Alma volúvel
Que as lendas ancestrais
Diluíram docemente
Em simbioses sentimentais
O corpo ilumina-se
Mistura de ritmos e profecias
E ela enrola-se com o seu calor perfumado
Com os cabelos sombreados
Pelo reflexo dos mistérios
Murmura a canção da pérola apaixonada
Escorrega pelo passado
Criando misturas sensuais
Derretidas pela simetria da paixão
974
Jorge Viegas
Estrada do Silêncio
Apalpo os
passos que dou lentamente...
vergado,
ando pelas ruas,
rasgando o chão de pedras nuas,
humilhado,
à procura de um sinal ardente.
Vai o sol poente encontrar-me
à beira mar deitado.
No meu peito,
vulcões de sangue quente
desfazem as imagens da mente.
Apetece-me rasgar o silêncio estúpido
fazer das tiras, uma longa trança de desejo
e banhá-la no sangue translúcido
que escorre pela face escondida.
Apetece-me desfazer palavras
tornando-as insignificantes no deslocamento do tempo,
quebrar silabas, dando movimento
ao ardor alojado no peito.
Arrancar os segundos ao tempo,
destruindo a monotonia do saber.
Arrancar os ponteiros do contratempo..
não continuar a sofrer.
passos que dou lentamente...
vergado,
ando pelas ruas,
rasgando o chão de pedras nuas,
humilhado,
à procura de um sinal ardente.
Vai o sol poente encontrar-me
à beira mar deitado.
No meu peito,
vulcões de sangue quente
desfazem as imagens da mente.
Apetece-me rasgar o silêncio estúpido
fazer das tiras, uma longa trança de desejo
e banhá-la no sangue translúcido
que escorre pela face escondida.
Apetece-me desfazer palavras
tornando-as insignificantes no deslocamento do tempo,
quebrar silabas, dando movimento
ao ardor alojado no peito.
Arrancar os segundos ao tempo,
destruindo a monotonia do saber.
Arrancar os ponteiros do contratempo..
não continuar a sofrer.
1 254
Jorge Viegas
Estrada do Silêncio
Apalpo os
passos que dou lentamente...
vergado,
ando pelas ruas,
rasgando o chão de pedras nuas,
humilhado,
à procura de um sinal ardente.
Vai o sol poente encontrar-me
à beira mar deitado.
No meu peito,
vulcões de sangue quente
desfazem as imagens da mente.
Apetece-me rasgar o silêncio estúpido
fazer das tiras, uma longa trança de desejo
e banhá-la no sangue translúcido
que escorre pela face escondida.
Apetece-me desfazer palavras
tornando-as insignificantes no deslocamento do tempo,
quebrar silabas, dando movimento
ao ardor alojado no peito.
Arrancar os segundos ao tempo,
destruindo a monotonia do saber.
Arrancar os ponteiros do contratempo..
não continuar a sofrer.
passos que dou lentamente...
vergado,
ando pelas ruas,
rasgando o chão de pedras nuas,
humilhado,
à procura de um sinal ardente.
Vai o sol poente encontrar-me
à beira mar deitado.
No meu peito,
vulcões de sangue quente
desfazem as imagens da mente.
Apetece-me rasgar o silêncio estúpido
fazer das tiras, uma longa trança de desejo
e banhá-la no sangue translúcido
que escorre pela face escondida.
Apetece-me desfazer palavras
tornando-as insignificantes no deslocamento do tempo,
quebrar silabas, dando movimento
ao ardor alojado no peito.
Arrancar os segundos ao tempo,
destruindo a monotonia do saber.
Arrancar os ponteiros do contratempo..
não continuar a sofrer.
1 254
Regina Souza Vieira
Eis de Repente
..... eis de repente
do Lépi a chuva densa
alturas de Nambunagongo
Silongo de Mandume
Chanas que pisei no leste
Maiombe de lendas infindáveis
O ar livre de poeiras dos escombros
Reabre sonhos escondidos na agonia
A velha da tchimanda
Dá o nome de David
E o da Miete
Aos meninos que encontrou
Na estrada
No Tchinguluma
Ouvem-se as abelhas zumbir
Em torno das cores perto do rio
Também viram no Mufupu
Jeremias a cobrir a casa
Com capim novo da chama
Lukau vinda do norte
Trouxe abacates no pano e ofereceu-os
Olhos brilhantes húmidos felizes
Disseram-me hoje
Há folhas verdes outra vez
Nos ramos da loncha da Emanha
Nas mangueiras do salundo
Vozes falam do milho a germinar
No Huma e na Cativa
Passaram os anos em que a morte
Venceu todas as batalhas
Finalmente agora pouco a pouco
Começa a vida a vencer a guerra.
do Lépi a chuva densa
alturas de Nambunagongo
Silongo de Mandume
Chanas que pisei no leste
Maiombe de lendas infindáveis
O ar livre de poeiras dos escombros
Reabre sonhos escondidos na agonia
A velha da tchimanda
Dá o nome de David
E o da Miete
Aos meninos que encontrou
Na estrada
No Tchinguluma
Ouvem-se as abelhas zumbir
Em torno das cores perto do rio
Também viram no Mufupu
Jeremias a cobrir a casa
Com capim novo da chama
Lukau vinda do norte
Trouxe abacates no pano e ofereceu-os
Olhos brilhantes húmidos felizes
Disseram-me hoje
Há folhas verdes outra vez
Nos ramos da loncha da Emanha
Nas mangueiras do salundo
Vozes falam do milho a germinar
No Huma e na Cativa
Passaram os anos em que a morte
Venceu todas as batalhas
Finalmente agora pouco a pouco
Começa a vida a vencer a guerra.
969
Jorge Viegas
Infinitamente Presente
No voo
pela noite dos leves mistérios
Onde as estrelas se transformam em anjos,
O sonho liberta um calor profundo,
Enchendo o infinito de fogo e paixão.
O murmúrio dourado dos teus olhos,
Transforma-se no raio de luz
Que multiplica a estrada da vida
Clarificando a imagem do amanhã.
Os segredos vão voando docemente
Por entre vagas de suspiros,
E as recordações vagueando
Pelos recantos da memória transparente.
Simples histórias quentes,
Remexendo com o passado recente,
Crepúsculo de energia crescente
Paraíso da sereia apaixonada.
No esplendor da viagem
Encontro o brilho da canção
Sorrindo alegremente
E descubro a pureza da tua imagem.
pela noite dos leves mistérios
Onde as estrelas se transformam em anjos,
O sonho liberta um calor profundo,
Enchendo o infinito de fogo e paixão.
O murmúrio dourado dos teus olhos,
Transforma-se no raio de luz
Que multiplica a estrada da vida
Clarificando a imagem do amanhã.
Os segredos vão voando docemente
Por entre vagas de suspiros,
E as recordações vagueando
Pelos recantos da memória transparente.
Simples histórias quentes,
Remexendo com o passado recente,
Crepúsculo de energia crescente
Paraíso da sereia apaixonada.
No esplendor da viagem
Encontro o brilho da canção
Sorrindo alegremente
E descubro a pureza da tua imagem.
1 101
Jorge Viegas
Infinitamente Presente
No voo
pela noite dos leves mistérios
Onde as estrelas se transformam em anjos,
O sonho liberta um calor profundo,
Enchendo o infinito de fogo e paixão.
O murmúrio dourado dos teus olhos,
Transforma-se no raio de luz
Que multiplica a estrada da vida
Clarificando a imagem do amanhã.
Os segredos vão voando docemente
Por entre vagas de suspiros,
E as recordações vagueando
Pelos recantos da memória transparente.
Simples histórias quentes,
Remexendo com o passado recente,
Crepúsculo de energia crescente
Paraíso da sereia apaixonada.
No esplendor da viagem
Encontro o brilho da canção
Sorrindo alegremente
E descubro a pureza da tua imagem.
pela noite dos leves mistérios
Onde as estrelas se transformam em anjos,
O sonho liberta um calor profundo,
Enchendo o infinito de fogo e paixão.
O murmúrio dourado dos teus olhos,
Transforma-se no raio de luz
Que multiplica a estrada da vida
Clarificando a imagem do amanhã.
Os segredos vão voando docemente
Por entre vagas de suspiros,
E as recordações vagueando
Pelos recantos da memória transparente.
Simples histórias quentes,
Remexendo com o passado recente,
Crepúsculo de energia crescente
Paraíso da sereia apaixonada.
No esplendor da viagem
Encontro o brilho da canção
Sorrindo alegremente
E descubro a pureza da tua imagem.
1 101
Jorge Viegas
Pretérito Social
Mentes
civilizadas de ideais diluídos
Na muralha do vil metal dourado
Criaram o banquete perfumado
Para alimentar os sentidos fluidos.
Apareceu sonhadora
Na tela pintada de azul
Onde o vento do sul
Abriu a linha reveladora.
Pinceladas de contrastes verticais
Brilham na melodia da madrugada
E no esplendor da grinalda aprumada
Reluzem lembranças superficiais.
Embriagantes desejos estilizados
De seios transparentes
Descem como sentidos mecanizados
Por entre sombras aparentes.
Simples força inventada
Alimenta o sonho da tendência
Que vê na transparência
A nudez da criação futurista.
civilizadas de ideais diluídos
Na muralha do vil metal dourado
Criaram o banquete perfumado
Para alimentar os sentidos fluidos.
Apareceu sonhadora
Na tela pintada de azul
Onde o vento do sul
Abriu a linha reveladora.
Pinceladas de contrastes verticais
Brilham na melodia da madrugada
E no esplendor da grinalda aprumada
Reluzem lembranças superficiais.
Embriagantes desejos estilizados
De seios transparentes
Descem como sentidos mecanizados
Por entre sombras aparentes.
Simples força inventada
Alimenta o sonho da tendência
Que vê na transparência
A nudez da criação futurista.
1 003
Ana Cristina Cesar
Psicografia
Também eu
saio á revelia
E procuro uma síntese nas demoras
Cato obsessões com fria têmpera e digo
Do coração: não soube e digo
Da palavra: não digo(não posso ainda acreditar
Na vida) e demito o verso como quem acena
E vivo como quem despede a raiva de Ter visto.
saio á revelia
E procuro uma síntese nas demoras
Cato obsessões com fria têmpera e digo
Do coração: não soube e digo
Da palavra: não digo(não posso ainda acreditar
Na vida) e demito o verso como quem acena
E vivo como quem despede a raiva de Ter visto.
3 624
Ana Cristina Cesar
Psicografia
Também eu
saio á revelia
E procuro uma síntese nas demoras
Cato obsessões com fria têmpera e digo
Do coração: não soube e digo
Da palavra: não digo(não posso ainda acreditar
Na vida) e demito o verso como quem acena
E vivo como quem despede a raiva de Ter visto.
saio á revelia
E procuro uma síntese nas demoras
Cato obsessões com fria têmpera e digo
Do coração: não soube e digo
Da palavra: não digo(não posso ainda acreditar
Na vida) e demito o verso como quem acena
E vivo como quem despede a raiva de Ter visto.
3 624
Ana Cristina Cesar
Dias Não
Menos Dias
Chora-se
com a facilidade das nascentes
Nasce-se sem querer, de um jato, como uma dádiva
(às primeiras virações vi corações se entrefugindo todos
ninguém soubera antes o que havia de ser não bater
as pálpebras em monocorde
e a tarde
pendurada ro raminho de um
fogáceo arborescente
deixava-se ir
muda feita uma coisa ultima.
Chora-se
com a facilidade das nascentes
Nasce-se sem querer, de um jato, como uma dádiva
(às primeiras virações vi corações se entrefugindo todos
ninguém soubera antes o que havia de ser não bater
as pálpebras em monocorde
e a tarde
pendurada ro raminho de um
fogáceo arborescente
deixava-se ir
muda feita uma coisa ultima.
1 754
Armindo Trevisan
Repreensão a Uma Lâmpada
O rumor
da boca traria pitangas
O vermelho do bico fora do azul
A gravaria na terra e seríamos dois
Num corpo quieto que avançasse
Para um pôr-de-sol. Ela ocultaria
O pescoço do que a pudesse violar
E domaria entre as mãos
O ar não ferido pelas palavras.
Inclinaria o peito sobre
O que jamais lavrara em si
E pediria um movimento
De vegetal austero. Eu
A abraçaria e cairíamos
no bojo de um fogão tão lento
Que da carne ao seu ofício
não descobriríamos um vão
e sim um rio a cruzar duas vezes
o mesmo leito.
da boca traria pitangas
O vermelho do bico fora do azul
A gravaria na terra e seríamos dois
Num corpo quieto que avançasse
Para um pôr-de-sol. Ela ocultaria
O pescoço do que a pudesse violar
E domaria entre as mãos
O ar não ferido pelas palavras.
Inclinaria o peito sobre
O que jamais lavrara em si
E pediria um movimento
De vegetal austero. Eu
A abraçaria e cairíamos
no bojo de um fogão tão lento
Que da carne ao seu ofício
não descobriríamos um vão
e sim um rio a cruzar duas vezes
o mesmo leito.
1 153
Armindo Trevisan
Repreensão a Uma Lâmpada
O rumor
da boca traria pitangas
O vermelho do bico fora do azul
A gravaria na terra e seríamos dois
Num corpo quieto que avançasse
Para um pôr-de-sol. Ela ocultaria
O pescoço do que a pudesse violar
E domaria entre as mãos
O ar não ferido pelas palavras.
Inclinaria o peito sobre
O que jamais lavrara em si
E pediria um movimento
De vegetal austero. Eu
A abraçaria e cairíamos
no bojo de um fogão tão lento
Que da carne ao seu ofício
não descobriríamos um vão
e sim um rio a cruzar duas vezes
o mesmo leito.
da boca traria pitangas
O vermelho do bico fora do azul
A gravaria na terra e seríamos dois
Num corpo quieto que avançasse
Para um pôr-de-sol. Ela ocultaria
O pescoço do que a pudesse violar
E domaria entre as mãos
O ar não ferido pelas palavras.
Inclinaria o peito sobre
O que jamais lavrara em si
E pediria um movimento
De vegetal austero. Eu
A abraçaria e cairíamos
no bojo de um fogão tão lento
Que da carne ao seu ofício
não descobriríamos um vão
e sim um rio a cruzar duas vezes
o mesmo leito.
1 153
Jorge Viegas
O Fio da Vida
Recordações,
Electrizantes momentos vividos
No espaço intimo das emoções
Sensações,
Esvoaçantes desejos sentidos
No caminho das ilusões.
Fascínios,
Naturais brilhos íntimos
Que iluminam a melodia da vida.
Propostas,
Para o voo rasante
Do sonho perfumado e musical.
Respostas,
Para a luz embriagante
Da estrada da sombra sensual.
O tempo,
Espaço translúcido viajante
De silêncios inspiradores.
O vento,
Cântico azul navegante
De sentidos arrebatadores.
Impérios,
De gestos puros anunciados
E virgens almas esculpidas.
Mistérios,
Cobertos de perfumes iluminados
E doces sombras adormecidas.
Electrizantes momentos vividos
No espaço intimo das emoções
Sensações,
Esvoaçantes desejos sentidos
No caminho das ilusões.
Fascínios,
Naturais brilhos íntimos
Que iluminam a melodia da vida.
Propostas,
Para o voo rasante
Do sonho perfumado e musical.
Respostas,
Para a luz embriagante
Da estrada da sombra sensual.
O tempo,
Espaço translúcido viajante
De silêncios inspiradores.
O vento,
Cântico azul navegante
De sentidos arrebatadores.
Impérios,
De gestos puros anunciados
E virgens almas esculpidas.
Mistérios,
Cobertos de perfumes iluminados
E doces sombras adormecidas.
1 168
Silvaney Paes
Órfã
Trazemos
no peito a mesma magoa.
Sendo ela a perda, a saudade e a tristeza,
Que sempre verterá lagrimas,
Luminosas claras águas.
Para que nessas nossas almas
Constantemente lavadas,
Nunca cresçam ódio, ira ou raiva,
Tornando-nos criaturas
Amarguradas.
Da presença de teu pai
Foram nossas vidas amputadas,
Mais nunca nos será roubada
A lembrança ou a saudade,
Daquela amada alma,
Pois ficastes como toda a herança
E o espólio desta saga.
Lembrando nos teus tristes traços,
Nos da face ou nos da própria alma,
A passagem em nossas vidas
Daquele ente amado,
Que hoje em ti abraço
Vertendo Lágrimas.
no peito a mesma magoa.
Sendo ela a perda, a saudade e a tristeza,
Que sempre verterá lagrimas,
Luminosas claras águas.
Para que nessas nossas almas
Constantemente lavadas,
Nunca cresçam ódio, ira ou raiva,
Tornando-nos criaturas
Amarguradas.
Da presença de teu pai
Foram nossas vidas amputadas,
Mais nunca nos será roubada
A lembrança ou a saudade,
Daquela amada alma,
Pois ficastes como toda a herança
E o espólio desta saga.
Lembrando nos teus tristes traços,
Nos da face ou nos da própria alma,
A passagem em nossas vidas
Daquele ente amado,
Que hoje em ti abraço
Vertendo Lágrimas.
921
Silvaney Paes
Órfã
Trazemos
no peito a mesma magoa.
Sendo ela a perda, a saudade e a tristeza,
Que sempre verterá lagrimas,
Luminosas claras águas.
Para que nessas nossas almas
Constantemente lavadas,
Nunca cresçam ódio, ira ou raiva,
Tornando-nos criaturas
Amarguradas.
Da presença de teu pai
Foram nossas vidas amputadas,
Mais nunca nos será roubada
A lembrança ou a saudade,
Daquela amada alma,
Pois ficastes como toda a herança
E o espólio desta saga.
Lembrando nos teus tristes traços,
Nos da face ou nos da própria alma,
A passagem em nossas vidas
Daquele ente amado,
Que hoje em ti abraço
Vertendo Lágrimas.
no peito a mesma magoa.
Sendo ela a perda, a saudade e a tristeza,
Que sempre verterá lagrimas,
Luminosas claras águas.
Para que nessas nossas almas
Constantemente lavadas,
Nunca cresçam ódio, ira ou raiva,
Tornando-nos criaturas
Amarguradas.
Da presença de teu pai
Foram nossas vidas amputadas,
Mais nunca nos será roubada
A lembrança ou a saudade,
Daquela amada alma,
Pois ficastes como toda a herança
E o espólio desta saga.
Lembrando nos teus tristes traços,
Nos da face ou nos da própria alma,
A passagem em nossas vidas
Daquele ente amado,
Que hoje em ti abraço
Vertendo Lágrimas.
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