Poemas neste tema
Emoções e Sentimentos
Maria Lucia Miranda Afonso
Bonsai
Bonsai
Enfaixei meu desejo como os pés das chinesas antigas.
Desde pequenino, envolto nas tiras apertadas de mistério.
De madrugada, eu ouvia os ossos trincando,
sentia o dorso do desejo se arquear, buscando ser no espaço mínimo.
Ao tentar andar, tropeçava. Correr? nem pensar.
Desejava asas com seus delicados pés curvos,
miniaturas de pássaros,
pequenas estruturas circulares.
Como uma árvore bonsai, que desde cedo moldam,
contendo-lhe o caule, podando-lhe as raízes,
meu desejo está plantado em um vaso ornamental,
belo e exótico,
cheio de significados e insólitas metáforas,
como os pés das chinesas antigas...
Enfaixei meu desejo como os pés das chinesas antigas.
Desde pequenino, envolto nas tiras apertadas de mistério.
De madrugada, eu ouvia os ossos trincando,
sentia o dorso do desejo se arquear, buscando ser no espaço mínimo.
Ao tentar andar, tropeçava. Correr? nem pensar.
Desejava asas com seus delicados pés curvos,
miniaturas de pássaros,
pequenas estruturas circulares.
Como uma árvore bonsai, que desde cedo moldam,
contendo-lhe o caule, podando-lhe as raízes,
meu desejo está plantado em um vaso ornamental,
belo e exótico,
cheio de significados e insólitas metáforas,
como os pés das chinesas antigas...
1 328
Milena Azevedo
O Cinema
Luzes, estrelas, milhões
Fama, sorte, canastrões
Humor, terror, drama, fantasia
Este é o mundo onde o cinema gira.
Eleva o nosso sonho
à condição de super-astro
Faz da nossa imaginação
a estrela principal.
Faz-nos emocionar,
rir, chorar, cantar
Embeleza o nosso caminho,
glorifica o nosso mundinho.
Ganhei, perdi, morri, revivi...
Nem sei quantas lições aprendi,
nem sei como posso agradecer-te
meu bom e velho cinema.
Fama, sorte, canastrões
Humor, terror, drama, fantasia
Este é o mundo onde o cinema gira.
Eleva o nosso sonho
à condição de super-astro
Faz da nossa imaginação
a estrela principal.
Faz-nos emocionar,
rir, chorar, cantar
Embeleza o nosso caminho,
glorifica o nosso mundinho.
Ganhei, perdi, morri, revivi...
Nem sei quantas lições aprendi,
nem sei como posso agradecer-te
meu bom e velho cinema.
781
Milena Azevedo
O Cinema
Luzes, estrelas, milhões
Fama, sorte, canastrões
Humor, terror, drama, fantasia
Este é o mundo onde o cinema gira.
Eleva o nosso sonho
à condição de super-astro
Faz da nossa imaginação
a estrela principal.
Faz-nos emocionar,
rir, chorar, cantar
Embeleza o nosso caminho,
glorifica o nosso mundinho.
Ganhei, perdi, morri, revivi...
Nem sei quantas lições aprendi,
nem sei como posso agradecer-te
meu bom e velho cinema.
Fama, sorte, canastrões
Humor, terror, drama, fantasia
Este é o mundo onde o cinema gira.
Eleva o nosso sonho
à condição de super-astro
Faz da nossa imaginação
a estrela principal.
Faz-nos emocionar,
rir, chorar, cantar
Embeleza o nosso caminho,
glorifica o nosso mundinho.
Ganhei, perdi, morri, revivi...
Nem sei quantas lições aprendi,
nem sei como posso agradecer-te
meu bom e velho cinema.
781
Milena Azevedo
O Cinema
Luzes, estrelas, milhões
Fama, sorte, canastrões
Humor, terror, drama, fantasia
Este é o mundo onde o cinema gira.
Eleva o nosso sonho
à condição de super-astro
Faz da nossa imaginação
a estrela principal.
Faz-nos emocionar,
rir, chorar, cantar
Embeleza o nosso caminho,
glorifica o nosso mundinho.
Ganhei, perdi, morri, revivi...
Nem sei quantas lições aprendi,
nem sei como posso agradecer-te
meu bom e velho cinema.
Fama, sorte, canastrões
Humor, terror, drama, fantasia
Este é o mundo onde o cinema gira.
Eleva o nosso sonho
à condição de super-astro
Faz da nossa imaginação
a estrela principal.
Faz-nos emocionar,
rir, chorar, cantar
Embeleza o nosso caminho,
glorifica o nosso mundinho.
Ganhei, perdi, morri, revivi...
Nem sei quantas lições aprendi,
nem sei como posso agradecer-te
meu bom e velho cinema.
781
Mirella Márcia
Terceiro Soneto
Meu amor é uma louca feiticeira
Condenada na perdida Idade Média.
Dançando, meu amor foi p’ra fogueira,
Gozando nesta hora de tragédia.
O carrasco encantado com a surpresa
De tal riso dado em meio à agonia
Rezava pela bruxa sem certeza
Se o que via era fato ou fantasia.
Pelos tempos, o incêndio que ainda cresce
Vai queimando tão bela bailarina
Assistida pelo seu carrasco em prece
Que não entende que aquilo que a fascina
É na chama haver espelho que enternece
Pois o fogo tem um rosto de menina.
Condenada na perdida Idade Média.
Dançando, meu amor foi p’ra fogueira,
Gozando nesta hora de tragédia.
O carrasco encantado com a surpresa
De tal riso dado em meio à agonia
Rezava pela bruxa sem certeza
Se o que via era fato ou fantasia.
Pelos tempos, o incêndio que ainda cresce
Vai queimando tão bela bailarina
Assistida pelo seu carrasco em prece
Que não entende que aquilo que a fascina
É na chama haver espelho que enternece
Pois o fogo tem um rosto de menina.
859
Mirella Márcia
Terceiro Soneto
Meu amor é uma louca feiticeira
Condenada na perdida Idade Média.
Dançando, meu amor foi p’ra fogueira,
Gozando nesta hora de tragédia.
O carrasco encantado com a surpresa
De tal riso dado em meio à agonia
Rezava pela bruxa sem certeza
Se o que via era fato ou fantasia.
Pelos tempos, o incêndio que ainda cresce
Vai queimando tão bela bailarina
Assistida pelo seu carrasco em prece
Que não entende que aquilo que a fascina
É na chama haver espelho que enternece
Pois o fogo tem um rosto de menina.
Condenada na perdida Idade Média.
Dançando, meu amor foi p’ra fogueira,
Gozando nesta hora de tragédia.
O carrasco encantado com a surpresa
De tal riso dado em meio à agonia
Rezava pela bruxa sem certeza
Se o que via era fato ou fantasia.
Pelos tempos, o incêndio que ainda cresce
Vai queimando tão bela bailarina
Assistida pelo seu carrasco em prece
Que não entende que aquilo que a fascina
É na chama haver espelho que enternece
Pois o fogo tem um rosto de menina.
859
M. de Monte Maggiore
Salmo da Meia Noite
Tua voz suavizou minha alma e teu pensamento desceu ao meu
coração como um bálsamo.
As tristezas se foram, dispersadas.
A Paz veio, leve como um pássaro,
e a Poesia desatou suas pétalas perfumadas.
Repara, doce Amor, na melodia do meu alaúde.
Estes acordes delicados são para ti uma carícia.
Que vaie a vida sem o Cisne Branco do meu lago azul?
Desprende, Ave Sagrada, um vôo altaneiro e vem pousar nas
águas mansas do meu jardim fechado.
Dar-te-ei carne de coração na hóstia de um amor imenso!
Beberás o licor da poesia no cálice dos meus lábios.
Serás imortal!
Abre as asas brancas nas campinas azuis, onde o sol passeia, e
vem, que te espero, ansiosamente.
Ergueremos um pavilhão colorido nos montes de Sião.
Nossa casa terá água cristalina para os que têm sede
e pão branco para os que pisam os caminhos da vida.
Todas as tardes passearemos envoltos na brisa vespertina e descobriremos,
no horizonte, as telas imortais do Criador,
Em nossa tenda haverá tapetes de Caxemira e pérolas de Ofir e
marfim da índia e rosas de Jericó...
Nossas manhãs serão claras como as manhãs de abril e nossas
noites suaves como as noites de luar de agosto.
Haverá em tudo aquele riso bom que sai do coração, porque
nossa felicidade saiu das mãos de Deus!
Doce amiga, teu perfume me vem na asa da saudade.
A carícia de tuas mãos, sinto-a sobre meus olhos cansados, ao
cair da tarde.
Há um lugar chorando uma ausência... Dentro da noite, ouve-se
um canto triste. É o pombo chamando a companheira para o
ninho vazio.
A felicidade está cantando baixinho a cancão da "Espera". "Ela"
vem vindo, lá longe, na curva azul da lemerança...
coração como um bálsamo.
As tristezas se foram, dispersadas.
A Paz veio, leve como um pássaro,
e a Poesia desatou suas pétalas perfumadas.
Repara, doce Amor, na melodia do meu alaúde.
Estes acordes delicados são para ti uma carícia.
Que vaie a vida sem o Cisne Branco do meu lago azul?
Desprende, Ave Sagrada, um vôo altaneiro e vem pousar nas
águas mansas do meu jardim fechado.
Dar-te-ei carne de coração na hóstia de um amor imenso!
Beberás o licor da poesia no cálice dos meus lábios.
Serás imortal!
Abre as asas brancas nas campinas azuis, onde o sol passeia, e
vem, que te espero, ansiosamente.
Ergueremos um pavilhão colorido nos montes de Sião.
Nossa casa terá água cristalina para os que têm sede
e pão branco para os que pisam os caminhos da vida.
Todas as tardes passearemos envoltos na brisa vespertina e descobriremos,
no horizonte, as telas imortais do Criador,
Em nossa tenda haverá tapetes de Caxemira e pérolas de Ofir e
marfim da índia e rosas de Jericó...
Nossas manhãs serão claras como as manhãs de abril e nossas
noites suaves como as noites de luar de agosto.
Haverá em tudo aquele riso bom que sai do coração, porque
nossa felicidade saiu das mãos de Deus!
Doce amiga, teu perfume me vem na asa da saudade.
A carícia de tuas mãos, sinto-a sobre meus olhos cansados, ao
cair da tarde.
Há um lugar chorando uma ausência... Dentro da noite, ouve-se
um canto triste. É o pombo chamando a companheira para o
ninho vazio.
A felicidade está cantando baixinho a cancão da "Espera". "Ela"
vem vindo, lá longe, na curva azul da lemerança...
2 526
M. de Monte Maggiore
Salmo da Meia Noite
Tua voz suavizou minha alma e teu pensamento desceu ao meu
coração como um bálsamo.
As tristezas se foram, dispersadas.
A Paz veio, leve como um pássaro,
e a Poesia desatou suas pétalas perfumadas.
Repara, doce Amor, na melodia do meu alaúde.
Estes acordes delicados são para ti uma carícia.
Que vaie a vida sem o Cisne Branco do meu lago azul?
Desprende, Ave Sagrada, um vôo altaneiro e vem pousar nas
águas mansas do meu jardim fechado.
Dar-te-ei carne de coração na hóstia de um amor imenso!
Beberás o licor da poesia no cálice dos meus lábios.
Serás imortal!
Abre as asas brancas nas campinas azuis, onde o sol passeia, e
vem, que te espero, ansiosamente.
Ergueremos um pavilhão colorido nos montes de Sião.
Nossa casa terá água cristalina para os que têm sede
e pão branco para os que pisam os caminhos da vida.
Todas as tardes passearemos envoltos na brisa vespertina e descobriremos,
no horizonte, as telas imortais do Criador,
Em nossa tenda haverá tapetes de Caxemira e pérolas de Ofir e
marfim da índia e rosas de Jericó...
Nossas manhãs serão claras como as manhãs de abril e nossas
noites suaves como as noites de luar de agosto.
Haverá em tudo aquele riso bom que sai do coração, porque
nossa felicidade saiu das mãos de Deus!
Doce amiga, teu perfume me vem na asa da saudade.
A carícia de tuas mãos, sinto-a sobre meus olhos cansados, ao
cair da tarde.
Há um lugar chorando uma ausência... Dentro da noite, ouve-se
um canto triste. É o pombo chamando a companheira para o
ninho vazio.
A felicidade está cantando baixinho a cancão da "Espera". "Ela"
vem vindo, lá longe, na curva azul da lemerança...
coração como um bálsamo.
As tristezas se foram, dispersadas.
A Paz veio, leve como um pássaro,
e a Poesia desatou suas pétalas perfumadas.
Repara, doce Amor, na melodia do meu alaúde.
Estes acordes delicados são para ti uma carícia.
Que vaie a vida sem o Cisne Branco do meu lago azul?
Desprende, Ave Sagrada, um vôo altaneiro e vem pousar nas
águas mansas do meu jardim fechado.
Dar-te-ei carne de coração na hóstia de um amor imenso!
Beberás o licor da poesia no cálice dos meus lábios.
Serás imortal!
Abre as asas brancas nas campinas azuis, onde o sol passeia, e
vem, que te espero, ansiosamente.
Ergueremos um pavilhão colorido nos montes de Sião.
Nossa casa terá água cristalina para os que têm sede
e pão branco para os que pisam os caminhos da vida.
Todas as tardes passearemos envoltos na brisa vespertina e descobriremos,
no horizonte, as telas imortais do Criador,
Em nossa tenda haverá tapetes de Caxemira e pérolas de Ofir e
marfim da índia e rosas de Jericó...
Nossas manhãs serão claras como as manhãs de abril e nossas
noites suaves como as noites de luar de agosto.
Haverá em tudo aquele riso bom que sai do coração, porque
nossa felicidade saiu das mãos de Deus!
Doce amiga, teu perfume me vem na asa da saudade.
A carícia de tuas mãos, sinto-a sobre meus olhos cansados, ao
cair da tarde.
Há um lugar chorando uma ausência... Dentro da noite, ouve-se
um canto triste. É o pombo chamando a companheira para o
ninho vazio.
A felicidade está cantando baixinho a cancão da "Espera". "Ela"
vem vindo, lá longe, na curva azul da lemerança...
2 526
Moreira Campos
A Visita
Ó tia de minha mulher,
ó tia Augusta,
eu vos visito não porque seja um bom,
não porque seja aquele homem "coração de ouro",
como dizeis aos vizinhos em tom de segredo,
que contudo deverá ser ouvido por mim,
enquanto meu automóvel espera à sombra da árvore.
Não. Eu vos visito para sentir os caibros toscos desta sala, a telha-vã,
a velha máquina de costura coberta com a toalhinha
sobre a qual repousa a tentativa do jarro de flores;
o retrato desbotado de vosso marido
contra a parede.
Eu vos visito para indagar do moleque que criastes
e que fugiu pela janela,
que o vento da noite ficou batendo.
E eu vos visito sobretudo para usufruir de vossa solidão
e do mistério de vossas palavras nobres,
de mulher lida em romances, embora baratos.
— E os meninos (da vizinhança) ainda aperreiam muito?
— Hem?
— Os meninos?
— Uns vândalos, meu filho.
Ó tia de minha mulher,
ó tia Augusta, esta palavra "vândalos"
me comove muito mais do que todos os vossos males.
Contudo, trouxe-vos estas maçãs para vossa convalescença
ó tia Augusta,
eu vos visito não porque seja um bom,
não porque seja aquele homem "coração de ouro",
como dizeis aos vizinhos em tom de segredo,
que contudo deverá ser ouvido por mim,
enquanto meu automóvel espera à sombra da árvore.
Não. Eu vos visito para sentir os caibros toscos desta sala, a telha-vã,
a velha máquina de costura coberta com a toalhinha
sobre a qual repousa a tentativa do jarro de flores;
o retrato desbotado de vosso marido
contra a parede.
Eu vos visito para indagar do moleque que criastes
e que fugiu pela janela,
que o vento da noite ficou batendo.
E eu vos visito sobretudo para usufruir de vossa solidão
e do mistério de vossas palavras nobres,
de mulher lida em romances, embora baratos.
— E os meninos (da vizinhança) ainda aperreiam muito?
— Hem?
— Os meninos?
— Uns vândalos, meu filho.
Ó tia de minha mulher,
ó tia Augusta, esta palavra "vândalos"
me comove muito mais do que todos os vossos males.
Contudo, trouxe-vos estas maçãs para vossa convalescença
1 630
Mônica Banderas
A Besta
Só uma mulher
uma mulher só
com a cabeça baixa
namorando estrelas
de cinema e televisão
cansada de estar alheia
ao seu próprio corpo
anoitece cuidando das rugas
e se queixa com o espelho da plenitude
de cada uma delas...
Mulher de trinta,
unhas frágeis, mãos ásperas,
cabelos ressecados,
bunda retraída, peitos malemolentes,
lábios sem beijar,
coração oco,
quisera um dia ter nascido Júlia Roberts
magrinha, elegante, cheia de amor e Richard Gere...
uma mulher só
com a cabeça baixa
namorando estrelas
de cinema e televisão
cansada de estar alheia
ao seu próprio corpo
anoitece cuidando das rugas
e se queixa com o espelho da plenitude
de cada uma delas...
Mulher de trinta,
unhas frágeis, mãos ásperas,
cabelos ressecados,
bunda retraída, peitos malemolentes,
lábios sem beijar,
coração oco,
quisera um dia ter nascido Júlia Roberts
magrinha, elegante, cheia de amor e Richard Gere...
897
Mônica Banderas
A Besta
Só uma mulher
uma mulher só
com a cabeça baixa
namorando estrelas
de cinema e televisão
cansada de estar alheia
ao seu próprio corpo
anoitece cuidando das rugas
e se queixa com o espelho da plenitude
de cada uma delas...
Mulher de trinta,
unhas frágeis, mãos ásperas,
cabelos ressecados,
bunda retraída, peitos malemolentes,
lábios sem beijar,
coração oco,
quisera um dia ter nascido Júlia Roberts
magrinha, elegante, cheia de amor e Richard Gere...
uma mulher só
com a cabeça baixa
namorando estrelas
de cinema e televisão
cansada de estar alheia
ao seu próprio corpo
anoitece cuidando das rugas
e se queixa com o espelho da plenitude
de cada uma delas...
Mulher de trinta,
unhas frágeis, mãos ásperas,
cabelos ressecados,
bunda retraída, peitos malemolentes,
lábios sem beijar,
coração oco,
quisera um dia ter nascido Júlia Roberts
magrinha, elegante, cheia de amor e Richard Gere...
897
Marly de Oliveira
Eu tão prepositiva, desfaleço
Eu, tão prepositiva, desfaleço,
na contorção do que se me propõe:
o mundo não se esquiva à inquisição,
o medo não é bom amigo, o medo
indica a minha forma de não ver
a vã provocação.
Que estreito este caminho, que murado!
Tão pouco que eu ousasse e já seria
talvez o passo necessário
no sentido de ter ou de abster-me,
mas sempre um passo, um movimento,
a voz, um surdo grito, sussurrando
o enleio que o amor conhece,
entretecendo com a hera que cobre o corpo
a matéria do meu espírito,
o seu sigilo, a disputa, os meus dispersos sentidos.
na contorção do que se me propõe:
o mundo não se esquiva à inquisição,
o medo não é bom amigo, o medo
indica a minha forma de não ver
a vã provocação.
Que estreito este caminho, que murado!
Tão pouco que eu ousasse e já seria
talvez o passo necessário
no sentido de ter ou de abster-me,
mas sempre um passo, um movimento,
a voz, um surdo grito, sussurrando
o enleio que o amor conhece,
entretecendo com a hera que cobre o corpo
a matéria do meu espírito,
o seu sigilo, a disputa, os meus dispersos sentidos.
1 184
Mário Donizete Massari
A voz do louco II
Não sou louco não,
mas assumo
o gosto amargo da vida.
Não sou louco não,
mas do dia a dia
construo versos,
venço a fadiga,
e faço do cais
sempre um porto
seguro,
um ponto de partida
para galgar muros.
Não sou louco não,
ou melhor,
sou louco pela vida.
mas assumo
o gosto amargo da vida.
Não sou louco não,
mas do dia a dia
construo versos,
venço a fadiga,
e faço do cais
sempre um porto
seguro,
um ponto de partida
para galgar muros.
Não sou louco não,
ou melhor,
sou louco pela vida.
903
Mário Donizete Massari
A voz do louco II
Não sou louco não,
mas assumo
o gosto amargo da vida.
Não sou louco não,
mas do dia a dia
construo versos,
venço a fadiga,
e faço do cais
sempre um porto
seguro,
um ponto de partida
para galgar muros.
Não sou louco não,
ou melhor,
sou louco pela vida.
mas assumo
o gosto amargo da vida.
Não sou louco não,
mas do dia a dia
construo versos,
venço a fadiga,
e faço do cais
sempre um porto
seguro,
um ponto de partida
para galgar muros.
Não sou louco não,
ou melhor,
sou louco pela vida.
903
Mário Donizete Massari
Medicina
O DOUTOR
R eceitou
A spirina, para
C urar
I nácio de
S eus
M ales que
O uso dizer
É A FORMA MAIS MEDÍOCRE
DE DISCRIMINAR O AMOR.
R eceitou
A spirina, para
C urar
I nácio de
S eus
M ales que
O uso dizer
É A FORMA MAIS MEDÍOCRE
DE DISCRIMINAR O AMOR.
835
Micheliny Verunschk
Férias
A adstringência argilosa de tua carne
Pressupõe certas fúrias inauditas,
Iras cintilantes de matéria
Que desmentem toda metafísica.
Escrita em fogo e sal, a tua carne,
É experimentada em incoerentes heresias
( Poema linearmente metrificado
e também dissolutamente corrompido ).
Escrita em fogo e sal, a tua carne,
É carne-álgebra
Ou carne-geometria,
Carne ( e apenas carne )
Somente a carne —:
A carne sem qualquer filosofia.
Pressupõe certas fúrias inauditas,
Iras cintilantes de matéria
Que desmentem toda metafísica.
Escrita em fogo e sal, a tua carne,
É experimentada em incoerentes heresias
( Poema linearmente metrificado
e também dissolutamente corrompido ).
Escrita em fogo e sal, a tua carne,
É carne-álgebra
Ou carne-geometria,
Carne ( e apenas carne )
Somente a carne —:
A carne sem qualquer filosofia.
1 310
Morais Filho
A mulata
Eu sou mulata vaidosa,
Linda, faceira, mimosa,
Quais muitas brancas não são!
Tenho requebros mais belos;
Se a noite são meus cabelos,
O dia é meu coração.
Sob a camisa bordada,
Fina, tão alva, arrendada,
Treme-me o seio moreno:
É como o jambo cheiroso,
Que pende ao galho frondoso
Coberto pelo sereno.
Nos bicos da chinelinha,
Quem voa mais levezinha,
Mais levezinha do que eu?...
Eu sou mulata tafula;
No samba, rompendo a chula,
Jamais ninguém me venceu!
Ao afinar da viola,
Quando estalo a castanhola,
Ferve a dança e o desafio;
Peneiro dum mole anseio,
Vou mansa num bamboleio
Qual vai a garça no rio.
Aos moços todos esquiva,
Sendo de todos cativa,
Demoro os olhares meus;
Mas, se murmuram: "maldita!
Bravo, mulata bonita!"
Adeus, meu ioiô, adeus ...
Minhas iaiás da janela
Me atiram cada olhadela,
Ai dá-se! mortas assim...
E eu sigo mais orgulhosa
Como se a cara raivosa
Não fosse feita pra mim.
Na fronte ainda que baça,
Me assenta o torço de cassa,
Melhor que coroa gentil;
E eu posso dizer ufana,
Que, qual mulata baiana.
Outra não há no Brasil.
Nos meus pulsos delicados
Trago corais engraçados
Contas de ouro e coralinas;
Prendo meu pano à cintura,
Que mais realça à brancura
Das saias de rendas finas.
Se arde um desejo agora,
De meus afetos senhora,
Sei encontrá-lo no amor;
Minha alma é qual borboleta,
Que voa e voa inquieta
Pousando de flor em flor.
Meus brincos de pedraria
Tombam, fazendo harmonia
Com meu cordão reluzente;
Na correntinha de prata,
Tem sempre e sempre a mulata
Figuinhas de boa gente.
Eu gosto bem desta vida,
Que assim se passa esquecida
De tudo que é triste e vão;
Um dito repinicado,
Um mimo, um riso, um agrado
Cativam meu coração.
Nos presepes da Lapinha,
Só a mulata é rainha,
Meiga a mostrar-se de novo;
De minha face ao encanto,
Vai-se o fervor pelo santo,
Pra o santo não olha o povo!...
Minha existência é de flores,
De sonhos, de luz, de amores,
Alegre como um festim!
Escrava, na terra um dono,
Outro no céu sobre um trono,
Que é meu Senhor do Bonfim!
Na fronte ainda que baça,
Me assenta o torço de cassa
Melhor que coroa gentil;
E eu posso dizer ufana,
Que, por mulata baiana,
Outra não há no Brasil.
Linda, faceira, mimosa,
Quais muitas brancas não são!
Tenho requebros mais belos;
Se a noite são meus cabelos,
O dia é meu coração.
Sob a camisa bordada,
Fina, tão alva, arrendada,
Treme-me o seio moreno:
É como o jambo cheiroso,
Que pende ao galho frondoso
Coberto pelo sereno.
Nos bicos da chinelinha,
Quem voa mais levezinha,
Mais levezinha do que eu?...
Eu sou mulata tafula;
No samba, rompendo a chula,
Jamais ninguém me venceu!
Ao afinar da viola,
Quando estalo a castanhola,
Ferve a dança e o desafio;
Peneiro dum mole anseio,
Vou mansa num bamboleio
Qual vai a garça no rio.
Aos moços todos esquiva,
Sendo de todos cativa,
Demoro os olhares meus;
Mas, se murmuram: "maldita!
Bravo, mulata bonita!"
Adeus, meu ioiô, adeus ...
Minhas iaiás da janela
Me atiram cada olhadela,
Ai dá-se! mortas assim...
E eu sigo mais orgulhosa
Como se a cara raivosa
Não fosse feita pra mim.
Na fronte ainda que baça,
Me assenta o torço de cassa,
Melhor que coroa gentil;
E eu posso dizer ufana,
Que, qual mulata baiana.
Outra não há no Brasil.
Nos meus pulsos delicados
Trago corais engraçados
Contas de ouro e coralinas;
Prendo meu pano à cintura,
Que mais realça à brancura
Das saias de rendas finas.
Se arde um desejo agora,
De meus afetos senhora,
Sei encontrá-lo no amor;
Minha alma é qual borboleta,
Que voa e voa inquieta
Pousando de flor em flor.
Meus brincos de pedraria
Tombam, fazendo harmonia
Com meu cordão reluzente;
Na correntinha de prata,
Tem sempre e sempre a mulata
Figuinhas de boa gente.
Eu gosto bem desta vida,
Que assim se passa esquecida
De tudo que é triste e vão;
Um dito repinicado,
Um mimo, um riso, um agrado
Cativam meu coração.
Nos presepes da Lapinha,
Só a mulata é rainha,
Meiga a mostrar-se de novo;
De minha face ao encanto,
Vai-se o fervor pelo santo,
Pra o santo não olha o povo!...
Minha existência é de flores,
De sonhos, de luz, de amores,
Alegre como um festim!
Escrava, na terra um dono,
Outro no céu sobre um trono,
Que é meu Senhor do Bonfim!
Na fronte ainda que baça,
Me assenta o torço de cassa
Melhor que coroa gentil;
E eu posso dizer ufana,
Que, por mulata baiana,
Outra não há no Brasil.
1 537
Morais Filho
A mulata
Eu sou mulata vaidosa,
Linda, faceira, mimosa,
Quais muitas brancas não são!
Tenho requebros mais belos;
Se a noite são meus cabelos,
O dia é meu coração.
Sob a camisa bordada,
Fina, tão alva, arrendada,
Treme-me o seio moreno:
É como o jambo cheiroso,
Que pende ao galho frondoso
Coberto pelo sereno.
Nos bicos da chinelinha,
Quem voa mais levezinha,
Mais levezinha do que eu?...
Eu sou mulata tafula;
No samba, rompendo a chula,
Jamais ninguém me venceu!
Ao afinar da viola,
Quando estalo a castanhola,
Ferve a dança e o desafio;
Peneiro dum mole anseio,
Vou mansa num bamboleio
Qual vai a garça no rio.
Aos moços todos esquiva,
Sendo de todos cativa,
Demoro os olhares meus;
Mas, se murmuram: "maldita!
Bravo, mulata bonita!"
Adeus, meu ioiô, adeus ...
Minhas iaiás da janela
Me atiram cada olhadela,
Ai dá-se! mortas assim...
E eu sigo mais orgulhosa
Como se a cara raivosa
Não fosse feita pra mim.
Na fronte ainda que baça,
Me assenta o torço de cassa,
Melhor que coroa gentil;
E eu posso dizer ufana,
Que, qual mulata baiana.
Outra não há no Brasil.
Nos meus pulsos delicados
Trago corais engraçados
Contas de ouro e coralinas;
Prendo meu pano à cintura,
Que mais realça à brancura
Das saias de rendas finas.
Se arde um desejo agora,
De meus afetos senhora,
Sei encontrá-lo no amor;
Minha alma é qual borboleta,
Que voa e voa inquieta
Pousando de flor em flor.
Meus brincos de pedraria
Tombam, fazendo harmonia
Com meu cordão reluzente;
Na correntinha de prata,
Tem sempre e sempre a mulata
Figuinhas de boa gente.
Eu gosto bem desta vida,
Que assim se passa esquecida
De tudo que é triste e vão;
Um dito repinicado,
Um mimo, um riso, um agrado
Cativam meu coração.
Nos presepes da Lapinha,
Só a mulata é rainha,
Meiga a mostrar-se de novo;
De minha face ao encanto,
Vai-se o fervor pelo santo,
Pra o santo não olha o povo!...
Minha existência é de flores,
De sonhos, de luz, de amores,
Alegre como um festim!
Escrava, na terra um dono,
Outro no céu sobre um trono,
Que é meu Senhor do Bonfim!
Na fronte ainda que baça,
Me assenta o torço de cassa
Melhor que coroa gentil;
E eu posso dizer ufana,
Que, por mulata baiana,
Outra não há no Brasil.
Linda, faceira, mimosa,
Quais muitas brancas não são!
Tenho requebros mais belos;
Se a noite são meus cabelos,
O dia é meu coração.
Sob a camisa bordada,
Fina, tão alva, arrendada,
Treme-me o seio moreno:
É como o jambo cheiroso,
Que pende ao galho frondoso
Coberto pelo sereno.
Nos bicos da chinelinha,
Quem voa mais levezinha,
Mais levezinha do que eu?...
Eu sou mulata tafula;
No samba, rompendo a chula,
Jamais ninguém me venceu!
Ao afinar da viola,
Quando estalo a castanhola,
Ferve a dança e o desafio;
Peneiro dum mole anseio,
Vou mansa num bamboleio
Qual vai a garça no rio.
Aos moços todos esquiva,
Sendo de todos cativa,
Demoro os olhares meus;
Mas, se murmuram: "maldita!
Bravo, mulata bonita!"
Adeus, meu ioiô, adeus ...
Minhas iaiás da janela
Me atiram cada olhadela,
Ai dá-se! mortas assim...
E eu sigo mais orgulhosa
Como se a cara raivosa
Não fosse feita pra mim.
Na fronte ainda que baça,
Me assenta o torço de cassa,
Melhor que coroa gentil;
E eu posso dizer ufana,
Que, qual mulata baiana.
Outra não há no Brasil.
Nos meus pulsos delicados
Trago corais engraçados
Contas de ouro e coralinas;
Prendo meu pano à cintura,
Que mais realça à brancura
Das saias de rendas finas.
Se arde um desejo agora,
De meus afetos senhora,
Sei encontrá-lo no amor;
Minha alma é qual borboleta,
Que voa e voa inquieta
Pousando de flor em flor.
Meus brincos de pedraria
Tombam, fazendo harmonia
Com meu cordão reluzente;
Na correntinha de prata,
Tem sempre e sempre a mulata
Figuinhas de boa gente.
Eu gosto bem desta vida,
Que assim se passa esquecida
De tudo que é triste e vão;
Um dito repinicado,
Um mimo, um riso, um agrado
Cativam meu coração.
Nos presepes da Lapinha,
Só a mulata é rainha,
Meiga a mostrar-se de novo;
De minha face ao encanto,
Vai-se o fervor pelo santo,
Pra o santo não olha o povo!...
Minha existência é de flores,
De sonhos, de luz, de amores,
Alegre como um festim!
Escrava, na terra um dono,
Outro no céu sobre um trono,
Que é meu Senhor do Bonfim!
Na fronte ainda que baça,
Me assenta o torço de cassa
Melhor que coroa gentil;
E eu posso dizer ufana,
Que, por mulata baiana,
Outra não há no Brasil.
1 537
Mauro Gama
Crime 3
Fuma fuma tabaque
bate: que pança?
Dançacurtido corpo
de charquecharco
em corrutobeiço tensão
charuto eseu sangue
soca seu peito soca e
eis que ao lado o
outro
caboclo bate: disputa
um ataque à bronca (ou
em bloco) de ronco e
lata. E
na mão do primeiro o
punhal se empunha se
ergue chispando e em X
pando desce: se crava
cavo, na caixa
de som
(colchão murcho coração).
bate: que pança?
Dançacurtido corpo
de charquecharco
em corrutobeiço tensão
charuto eseu sangue
soca seu peito soca e
eis que ao lado o
outro
caboclo bate: disputa
um ataque à bronca (ou
em bloco) de ronco e
lata. E
na mão do primeiro o
punhal se empunha se
ergue chispando e em X
pando desce: se crava
cavo, na caixa
de som
(colchão murcho coração).
1 514
Micheliny Verunschk
Amiga
Amiga,
lavei os pratos,
mas a mágoa
mastigou-me
o inteiro dia
— esse pedaço
de carne crua
com nervos difíceis
aos dentes,
que sou —.
Se ao menos
eu pudesse banhar
meus pés
na bacia de ágata
do meu avô,
não perdoaria tanto
meus sentimentos
mesquinhos
e debruçaria-me
sobre o balcão
sem rir
e seria
mais triste e grave
e, claro, vestiria luto
por tudo
que foi morto
na minha e tua amizade.
Mas, como vês,
Não sei da bacia branca
donde eu sairia
apaziguada.
lavei os pratos,
mas a mágoa
mastigou-me
o inteiro dia
— esse pedaço
de carne crua
com nervos difíceis
aos dentes,
que sou —.
Se ao menos
eu pudesse banhar
meus pés
na bacia de ágata
do meu avô,
não perdoaria tanto
meus sentimentos
mesquinhos
e debruçaria-me
sobre o balcão
sem rir
e seria
mais triste e grave
e, claro, vestiria luto
por tudo
que foi morto
na minha e tua amizade.
Mas, como vês,
Não sei da bacia branca
donde eu sairia
apaziguada.
937
Micheliny Verunschk
Amiga
Amiga,
lavei os pratos,
mas a mágoa
mastigou-me
o inteiro dia
— esse pedaço
de carne crua
com nervos difíceis
aos dentes,
que sou —.
Se ao menos
eu pudesse banhar
meus pés
na bacia de ágata
do meu avô,
não perdoaria tanto
meus sentimentos
mesquinhos
e debruçaria-me
sobre o balcão
sem rir
e seria
mais triste e grave
e, claro, vestiria luto
por tudo
que foi morto
na minha e tua amizade.
Mas, como vês,
Não sei da bacia branca
donde eu sairia
apaziguada.
lavei os pratos,
mas a mágoa
mastigou-me
o inteiro dia
— esse pedaço
de carne crua
com nervos difíceis
aos dentes,
que sou —.
Se ao menos
eu pudesse banhar
meus pés
na bacia de ágata
do meu avô,
não perdoaria tanto
meus sentimentos
mesquinhos
e debruçaria-me
sobre o balcão
sem rir
e seria
mais triste e grave
e, claro, vestiria luto
por tudo
que foi morto
na minha e tua amizade.
Mas, como vês,
Não sei da bacia branca
donde eu sairia
apaziguada.
937
Micheliny Verunschk
Amiga
Amiga,
lavei os pratos,
mas a mágoa
mastigou-me
o inteiro dia
— esse pedaço
de carne crua
com nervos difíceis
aos dentes,
que sou —.
Se ao menos
eu pudesse banhar
meus pés
na bacia de ágata
do meu avô,
não perdoaria tanto
meus sentimentos
mesquinhos
e debruçaria-me
sobre o balcão
sem rir
e seria
mais triste e grave
e, claro, vestiria luto
por tudo
que foi morto
na minha e tua amizade.
Mas, como vês,
Não sei da bacia branca
donde eu sairia
apaziguada.
lavei os pratos,
mas a mágoa
mastigou-me
o inteiro dia
— esse pedaço
de carne crua
com nervos difíceis
aos dentes,
que sou —.
Se ao menos
eu pudesse banhar
meus pés
na bacia de ágata
do meu avô,
não perdoaria tanto
meus sentimentos
mesquinhos
e debruçaria-me
sobre o balcão
sem rir
e seria
mais triste e grave
e, claro, vestiria luto
por tudo
que foi morto
na minha e tua amizade.
Mas, como vês,
Não sei da bacia branca
donde eu sairia
apaziguada.
937
João Mello
Promessa de Amor
Construirei para ti uma casa terrestre,
feita de pão e luz e música,
onde caibas apenas tu
e não haja espaço para os intrusos
E quando, à noite nos amarmos,
como se amaram
o primeiro homem e a primeira mulher,
mandarei que repiquem os tambores
- para que saibam todos que voltaram ao mundo
o primeiro homem e a primeira mulher.
feita de pão e luz e música,
onde caibas apenas tu
e não haja espaço para os intrusos
E quando, à noite nos amarmos,
como se amaram
o primeiro homem e a primeira mulher,
mandarei que repiquem os tambores
- para que saibam todos que voltaram ao mundo
o primeiro homem e a primeira mulher.
1 103