Temas
Poemas neste tema

Vida e Existência

Ghérasim Luca

Ghérasim Luca

Seu corpo leve

Seu corpo leve
será o fim do mundo?
é um erro
é uma delícia deslizando
entre os meus lábios
perto do espelho
mas o outro pensava:
é apenas uma pomba que respira
seja o que for
onde estou
algo acontece
numa posição delimitada pelo temporal
Perto do espelho é um erro
onde estou é apenas uma pomba
mas o outro pensava:
algo acontece
numa posição delimitada
deslizando entre os meus lábios
será o fim do mundo?
é uma delícia seja o que for
seu corpo leve respira pelo temporal
Numa posição delimitada
perto do gelo que respira
seu corpo leve deslizando entre os meus lábios
será o fim do mundo?
mas o outro pensava: é uma delícia
algo acontece seja o que for
pelo temporal é apenas uma pomba
onde estou é um erro
Será o fim do mundo que respira
seu corpo leve? Mas o outro pensava:
onde estou perto do espelho
é uma delícia numa posição delimitada
seja o que for é um erro
algo acontece pelo temporal
é apenas uma pomba
deslizando entre os meus lábios
É apenas uma pomba
numa posição delimitada
onde estou pelo temporal
mas o outro pensava:
quem respira perto do espelho
será o fim do mundo?
seja o que for é uma delícia
algo acontece
deslizando entre os meus lábios
seu corpo leve
(tradução de Laura Erber)
:
Son corps léger
est-il la fin du monde?
c’est une erreur
c’est une délice glissant
entre mes lèvres
près de la glace
mais l’autre pensait:
ce n’est qu’une colombe qui respire
quoi qu’il en soit
là où je suis
il se passe quelque chose
dans une position délimitée par l’orage
Près de la glace c’est une erreur
là où je suis ce n’est qu’une colombe
mais l’autre pensait:
il se passe quelque chose
dans une position délimitée
glissant entre mes lèvres
est-ce la fin du monde?
c’est une délice quoi qu’il en soit
sons corps léger respire par l’orage
Dans une position délimitée
près de la glace qui respire
sons corps léger glissant entre mes lèvres
est-ce la fin du monde?
mais l’autre pensait: c’est une délice
il se passe quelque chose quoi qu’il en soit
par l’orage ce n’est qu’une colombe
là où je suis c’est une erreur
Est-ce la fin du monde qui respire
son corps léger? mais l’autre pensait:
là où je suis près de la glace
c’est une délice dans une position délimitée
quoi qu’il en soit c’est une erreur
il se passe quelque chose par l’orage
ce n’est qu’une colombe
glissant entre mes lèvres
Ce n’est qu’une colombe
dans une position délimitée
là où je suis par l’orage
mais l’autre pensait:
qui respire près de la glace
est-ce la fin du monde?
Quoi qu’il en soit c’est une délice
Il se passe quelque chose
c’est une erreur
glissant entre mes lèvres
son corps léger
Os editores da Modo de Usar & Co. agradecem à poeta carioca Laura Erber por ter gentilmente permitido a publicação destas traduções.
.
.
.
1 395
Joseph Brodsky

Joseph Brodsky

Odisseu a Telêmaco

Juan L. Ortiz

Juan L. Ortiz

Sim, as escamas do crepúsculo...

Sim, as escamas do crepúsculo
no fio, último?, de Novembro sobre o rio:
ou o êxtase dos véus de Novembro
fluindo até a noite, e mais além? ...
incrível de ecos
e de fugas e passagens
de não se sabe já
que despedida ou que chamado
Sim, o fluido profundo, sobre ouro,
que nimba o barranco
e inscreve misticamente uma árvore alta,
e irradia, até quando?
umas vagas pétalas de íris...
Sim, sim,
o verde e o celeste, revelados,
que tremem por volta das dez porque partem,
e na meia tarde se desfazem ou se perdem
em sua mesma água fragílima...
Sim, sim, sim
Mas veio a luz, estava só a luz
detrás das persianas da manhã íntima:
veio a criatura eterna, o sentimento das estrelas,
a eucaristia dos mundos, a alma primeira
antes, antes do prisma,
com essa flauta branca, inefavelmente branca, sempre imposta sobre o caos...
Veio a luz, veio a menina essencial,
impossivelmente pura das folhas e de suas próprias asas,
até um esquecimento cheio dela
como do olhar, único, de uma estiagem nunca vista....
(tradução de Idelber Avelar)
:
Sí, las escamas del crepúsculo...
Juan L. Ortiz
Sí, las escamas del crepúsculo
en el filo, último?, de Noviembre sobre el río:
o el éxtasis de los velos de Noviembre
fluyendo hasta la noche, y más allá?...
increíble de ecos
y de fugas y pasajes
de no se sabe ya
qué despedida o qué llamado...
Sí, el fluido profundo, sobre oro,
que nimba la barranca
e inscribe místicamente un árbol alto,
y radia, hasta cuándo?,
unos vagos pétalos de iris...
Sí, sí,
el verde y el celeste, revelados,
que tiemblan hacia las diez porque se van
y en la media tarde se deshacen o se pierden
en su misma agua fragilísima...
Sí, sí, sí...
Pero vino la luz, estaba sólo la luz
detrás de las persianas de la mañana íntima:
vino la criatura eterna, el sentimiento de las estrellas,
la eucaristía de los mundos, el alma primera
antes, antes del prisma,
con esa flauta blanca, inefablemente blanca, siempre impuesta
sobre el caos…
Vino la luz, vino la niña esencial,
imposiblemente pura de las hojas y de sus propias alas,
hasta un olvido lleno de ella
como de la mirada, única, de un estío nunca visto…
537