Poemas neste tema
Sociedade e Mundo
Joaquim Pessoa
Europa Acidental
Europa acidental
Aqui nem, mal nem bem
Aqui nem bem nem mal.
Aqui se alguém não é ninguém
É porque a gente nasce
De um modo ocidental:
Vivem uns bem e outros mal.
E afinal
É natural (naturalmente)
Que haja gente também
Gente que é gente de bem
E gente que é apenas gente.
Europa acidental.
O mal
É Ter na nossa frente
Um mar de sal.
Um mar de gente
Que de repente
(é assim mesmo: de repente)
fica vazio e sem ninguém
se um dia alguém
por mal ou bem
quiser ser gente.
Aqui nem, mal nem bem
Aqui nem bem nem mal.
Aqui se alguém não é ninguém
É porque a gente nasce
De um modo ocidental:
Vivem uns bem e outros mal.
E afinal
É natural (naturalmente)
Que haja gente também
Gente que é gente de bem
E gente que é apenas gente.
Europa acidental.
O mal
É Ter na nossa frente
Um mar de sal.
Um mar de gente
Que de repente
(é assim mesmo: de repente)
fica vazio e sem ninguém
se um dia alguém
por mal ou bem
quiser ser gente.
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Joaquim Pessoa
Europa Acidental
Europa acidental
Aqui nem, mal nem bem
Aqui nem bem nem mal.
Aqui se alguém não é ninguém
É porque a gente nasce
De um modo ocidental:
Vivem uns bem e outros mal.
E afinal
É natural (naturalmente)
Que haja gente também
Gente que é gente de bem
E gente que é apenas gente.
Europa acidental.
O mal
É Ter na nossa frente
Um mar de sal.
Um mar de gente
Que de repente
(é assim mesmo: de repente)
fica vazio e sem ninguém
se um dia alguém
por mal ou bem
quiser ser gente.
Aqui nem, mal nem bem
Aqui nem bem nem mal.
Aqui se alguém não é ninguém
É porque a gente nasce
De um modo ocidental:
Vivem uns bem e outros mal.
E afinal
É natural (naturalmente)
Que haja gente também
Gente que é gente de bem
E gente que é apenas gente.
Europa acidental.
O mal
É Ter na nossa frente
Um mar de sal.
Um mar de gente
Que de repente
(é assim mesmo: de repente)
fica vazio e sem ninguém
se um dia alguém
por mal ou bem
quiser ser gente.
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1
Joaquim Pessoa
Outono
Uma lâmina de ar
Atravessando as portas. Um arco,
Uma flecha cravada no Outono. E a canção
Que fala das pessoas. Do rosto e dos lábios das pessoas.
E um velho marinheiro, grave, rangendo o cachimbo como
Uma amarra. À espera do mar. Esperando o silêncio.
É outono. Uma mulher de botas atravessa-me a tristeza
Quando saio para a rua, molhado como um pássaro.
Vêm de muito longe as minhas palavras, quem sabe se
Da minha revolta última. Ou do teu nome que repito.
Hoje há soldados, eléctricos. Uma parede
Cumprimenta o sol. Procura-se viver.
Vive-se, de resto, em todas as ruas, nos bares e nos cinemas.
Há homens e mulheres que compram o jornal e amam-se
Como se, de repente, não houvesse mais nada senão
A imperiosa ordem de (se) amarem.
Há em mim uma ternura desmedida pelas palavras.
Não há palavras que descrevam a loucura, o medo, os sentidos.
Não há um nome para a tua ausência. Há um muro
Que os meus olhos derrubam. Um estranho vinho
Que a minha boca recusa. É outono
A pouco e pouco despem-se as palavras.
Atravessando as portas. Um arco,
Uma flecha cravada no Outono. E a canção
Que fala das pessoas. Do rosto e dos lábios das pessoas.
E um velho marinheiro, grave, rangendo o cachimbo como
Uma amarra. À espera do mar. Esperando o silêncio.
É outono. Uma mulher de botas atravessa-me a tristeza
Quando saio para a rua, molhado como um pássaro.
Vêm de muito longe as minhas palavras, quem sabe se
Da minha revolta última. Ou do teu nome que repito.
Hoje há soldados, eléctricos. Uma parede
Cumprimenta o sol. Procura-se viver.
Vive-se, de resto, em todas as ruas, nos bares e nos cinemas.
Há homens e mulheres que compram o jornal e amam-se
Como se, de repente, não houvesse mais nada senão
A imperiosa ordem de (se) amarem.
Há em mim uma ternura desmedida pelas palavras.
Não há palavras que descrevam a loucura, o medo, os sentidos.
Não há um nome para a tua ausência. Há um muro
Que os meus olhos derrubam. Um estranho vinho
Que a minha boca recusa. É outono
A pouco e pouco despem-se as palavras.
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Jorge de Lima
Madorna de Iaiá
Iaiá está
na rede de tucum.
A mucama de Iaiá tange os piuns,
Balança a rede,
Canta um lundum
Tão bambo, tão molengo, tão dengoso,
Que Iaiá tem vontade de dormir
Com quem?
Rem-rem.
Que preguiça, que calor!
Iaiá tira a camisa,
Toma aluá
Prende o cocó,
Limpa o suor
Pula pra rede.
Mas que cheiro gostoso tem Iaiá!
Que vontade doida de dormir,,,
Com quem?
Cheiro de mel da casa das caldeiras!
O saguim de Iaiá dorme num coco.
Iaiá ferra no sono
Pende a cabeça,
Abre-se a rede
Como uma ingá.
Para a mucama de cantar,
Tange os piuns,
Cala o ram-rem,
Abre a janela,
Olha o curral:
- um bruto sossego no curral!
Muito longe uma peitica faz si-dó....
Si-dó.....si-dó......si-dó....
Antes que Iaiá corte a madorna
A moleca de Iaiá
Balança a rede,
Tange os piuns,
Canta um lundum
Tão bambo,
Tão molengo,
Tão dengoso,
Que Iaiá sem se acordar,
Se coça,
Se estira
E se abre toda, na rede de tucum.
Sonha com quem?
na rede de tucum.
A mucama de Iaiá tange os piuns,
Balança a rede,
Canta um lundum
Tão bambo, tão molengo, tão dengoso,
Que Iaiá tem vontade de dormir
Com quem?
Rem-rem.
Que preguiça, que calor!
Iaiá tira a camisa,
Toma aluá
Prende o cocó,
Limpa o suor
Pula pra rede.
Mas que cheiro gostoso tem Iaiá!
Que vontade doida de dormir,,,
Com quem?
Cheiro de mel da casa das caldeiras!
O saguim de Iaiá dorme num coco.
Iaiá ferra no sono
Pende a cabeça,
Abre-se a rede
Como uma ingá.
Para a mucama de cantar,
Tange os piuns,
Cala o ram-rem,
Abre a janela,
Olha o curral:
- um bruto sossego no curral!
Muito longe uma peitica faz si-dó....
Si-dó.....si-dó......si-dó....
Antes que Iaiá corte a madorna
A moleca de Iaiá
Balança a rede,
Tange os piuns,
Canta um lundum
Tão bambo,
Tão molengo,
Tão dengoso,
Que Iaiá sem se acordar,
Se coça,
Se estira
E se abre toda, na rede de tucum.
Sonha com quem?
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Jorge de Lima
Madorna de Iaiá
Iaiá está
na rede de tucum.
A mucama de Iaiá tange os piuns,
Balança a rede,
Canta um lundum
Tão bambo, tão molengo, tão dengoso,
Que Iaiá tem vontade de dormir
Com quem?
Rem-rem.
Que preguiça, que calor!
Iaiá tira a camisa,
Toma aluá
Prende o cocó,
Limpa o suor
Pula pra rede.
Mas que cheiro gostoso tem Iaiá!
Que vontade doida de dormir,,,
Com quem?
Cheiro de mel da casa das caldeiras!
O saguim de Iaiá dorme num coco.
Iaiá ferra no sono
Pende a cabeça,
Abre-se a rede
Como uma ingá.
Para a mucama de cantar,
Tange os piuns,
Cala o ram-rem,
Abre a janela,
Olha o curral:
- um bruto sossego no curral!
Muito longe uma peitica faz si-dó....
Si-dó.....si-dó......si-dó....
Antes que Iaiá corte a madorna
A moleca de Iaiá
Balança a rede,
Tange os piuns,
Canta um lundum
Tão bambo,
Tão molengo,
Tão dengoso,
Que Iaiá sem se acordar,
Se coça,
Se estira
E se abre toda, na rede de tucum.
Sonha com quem?
na rede de tucum.
A mucama de Iaiá tange os piuns,
Balança a rede,
Canta um lundum
Tão bambo, tão molengo, tão dengoso,
Que Iaiá tem vontade de dormir
Com quem?
Rem-rem.
Que preguiça, que calor!
Iaiá tira a camisa,
Toma aluá
Prende o cocó,
Limpa o suor
Pula pra rede.
Mas que cheiro gostoso tem Iaiá!
Que vontade doida de dormir,,,
Com quem?
Cheiro de mel da casa das caldeiras!
O saguim de Iaiá dorme num coco.
Iaiá ferra no sono
Pende a cabeça,
Abre-se a rede
Como uma ingá.
Para a mucama de cantar,
Tange os piuns,
Cala o ram-rem,
Abre a janela,
Olha o curral:
- um bruto sossego no curral!
Muito longe uma peitica faz si-dó....
Si-dó.....si-dó......si-dó....
Antes que Iaiá corte a madorna
A moleca de Iaiá
Balança a rede,
Tange os piuns,
Canta um lundum
Tão bambo,
Tão molengo,
Tão dengoso,
Que Iaiá sem se acordar,
Se coça,
Se estira
E se abre toda, na rede de tucum.
Sonha com quem?
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Nauro Machado
Geografia Humana
Há em mim,
carne minha, os quatro cantos da liberdade.
No meu assoalho amanhece o sol de todas as direções.
Há em mim o rumo da raiz do multiplicado vento
Soprando aonde quer, porque quer a liberdade.
No oco do espaço o casario sua ao sol do tempo.
parto-me em trens, olho-me em fontes, divido-me em marmitas,
porque há em mim, carne minha, os quatro cantos da liberdade.
e até no último deles, o mais silencioso e esquivo deles,
o ainda virgem, o alheio a bispos e batismos de párocos,
agachado como um animal e útil como uma bilha no meio da sala,
encontrarei ainda o início de uma outra liberdade.
carne minha, os quatro cantos da liberdade.
No meu assoalho amanhece o sol de todas as direções.
Há em mim o rumo da raiz do multiplicado vento
Soprando aonde quer, porque quer a liberdade.
No oco do espaço o casario sua ao sol do tempo.
parto-me em trens, olho-me em fontes, divido-me em marmitas,
porque há em mim, carne minha, os quatro cantos da liberdade.
e até no último deles, o mais silencioso e esquivo deles,
o ainda virgem, o alheio a bispos e batismos de párocos,
agachado como um animal e útil como uma bilha no meio da sala,
encontrarei ainda o início de uma outra liberdade.
1 902
1
Joaquim Pessoa
Soneto Primeiro
Não foi Guevarra, mãe, quem te rasgou
Com os punhais do frio pela manhã.
Foi quando eu te feri que um cão ladrou.
Das rosas veio um cheiro a hortelã!
Nos mastros adejavam as gaivotas.
Era Fevereiro. E a noite um pesadelo.
Da chuva que caía algumas gotas
Quiseram repousar no teu cabelo.
E eu nasci. No quarto ninguém estava.
À porta só a chuva é que teimava
Em molhar os lençóis da tua cama.
Não foi Guevarra, mãe, quem tu pariste
Foi um grito do povo azul e triste
Na noite em que chorei luas de lama.
Com os punhais do frio pela manhã.
Foi quando eu te feri que um cão ladrou.
Das rosas veio um cheiro a hortelã!
Nos mastros adejavam as gaivotas.
Era Fevereiro. E a noite um pesadelo.
Da chuva que caía algumas gotas
Quiseram repousar no teu cabelo.
E eu nasci. No quarto ninguém estava.
À porta só a chuva é que teimava
Em molhar os lençóis da tua cama.
Não foi Guevarra, mãe, quem tu pariste
Foi um grito do povo azul e triste
Na noite em que chorei luas de lama.
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1
Mariazinha Congílio
Autorização
Se for
preciso
Pode mentir para mim.
Não se preocupe.
Console-se sabendo
Que por toda a minha vida
Tenho afirmado
Inverdades
Ou -pior ainda-
Tenho silenciado
Covardemente.
É justo que seja castigada.
Pode mentir para mim.
Mas
se algum dia você sentir
que já não me quer
conscientemente
plenamente
se perceber que o amor
está partindo
de mansinho
sorrateiramente
como fumaça
Se isso acontecer
Diga a verdade.
Você não deve mentir para mim.
preciso
Pode mentir para mim.
Não se preocupe.
Console-se sabendo
Que por toda a minha vida
Tenho afirmado
Inverdades
Ou -pior ainda-
Tenho silenciado
Covardemente.
É justo que seja castigada.
Pode mentir para mim.
Mas
se algum dia você sentir
que já não me quer
conscientemente
plenamente
se perceber que o amor
está partindo
de mansinho
sorrateiramente
como fumaça
Se isso acontecer
Diga a verdade.
Você não deve mentir para mim.
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1
Pedro Tierra
Os Novos Materiais
Se Deus
está morto
e o Papa tenta, em vão, ressuscitá-lo
com os poderes do Novo Catecismo ...
Se Fukuyama,
que nunca se cobriu de nee
e não sabe os labirintos do Tempo - como o monte Fuji -
decretou o fim da História
e a História aparentemente se resigna ...
Se foi abolida a luta de classes,
embora os cidadãos comuns,
em defesa dos seus muros,
matem mais pobres e negros
que o crime organizado ...
Se no coração dos Andes
povos se curvam, colhem a folha
mascam,
vencem o sorache
e produzem a coca
como condição para seguir vivendo ...
Se é rigorosamente normal
assassinar crianças
que escaparam do frio,
da fome, da cola de sapateiro,
nas Candelárias do meu país ...
Se ruíram todas as utopias
e a ferocidade reduziu
a geografia dos homens
ao exato limite da pele ..
Se a AIDS converteu o gozo essencial
numa condenação
e o sêmen, o sangue
- os rios da vida -
no veneno indecifrável
da morte ...
está morto
e o Papa tenta, em vão, ressuscitá-lo
com os poderes do Novo Catecismo ...
Se Fukuyama,
que nunca se cobriu de nee
e não sabe os labirintos do Tempo - como o monte Fuji -
decretou o fim da História
e a História aparentemente se resigna ...
Se foi abolida a luta de classes,
embora os cidadãos comuns,
em defesa dos seus muros,
matem mais pobres e negros
que o crime organizado ...
Se no coração dos Andes
povos se curvam, colhem a folha
mascam,
vencem o sorache
e produzem a coca
como condição para seguir vivendo ...
Se é rigorosamente normal
assassinar crianças
que escaparam do frio,
da fome, da cola de sapateiro,
nas Candelárias do meu país ...
Se ruíram todas as utopias
e a ferocidade reduziu
a geografia dos homens
ao exato limite da pele ..
Se a AIDS converteu o gozo essencial
numa condenação
e o sêmen, o sangue
- os rios da vida -
no veneno indecifrável
da morte ...
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1
Pedro Tierra
Os Novos Materiais
Se Deus
está morto
e o Papa tenta, em vão, ressuscitá-lo
com os poderes do Novo Catecismo ...
Se Fukuyama,
que nunca se cobriu de nee
e não sabe os labirintos do Tempo - como o monte Fuji -
decretou o fim da História
e a História aparentemente se resigna ...
Se foi abolida a luta de classes,
embora os cidadãos comuns,
em defesa dos seus muros,
matem mais pobres e negros
que o crime organizado ...
Se no coração dos Andes
povos se curvam, colhem a folha
mascam,
vencem o sorache
e produzem a coca
como condição para seguir vivendo ...
Se é rigorosamente normal
assassinar crianças
que escaparam do frio,
da fome, da cola de sapateiro,
nas Candelárias do meu país ...
Se ruíram todas as utopias
e a ferocidade reduziu
a geografia dos homens
ao exato limite da pele ..
Se a AIDS converteu o gozo essencial
numa condenação
e o sêmen, o sangue
- os rios da vida -
no veneno indecifrável
da morte ...
está morto
e o Papa tenta, em vão, ressuscitá-lo
com os poderes do Novo Catecismo ...
Se Fukuyama,
que nunca se cobriu de nee
e não sabe os labirintos do Tempo - como o monte Fuji -
decretou o fim da História
e a História aparentemente se resigna ...
Se foi abolida a luta de classes,
embora os cidadãos comuns,
em defesa dos seus muros,
matem mais pobres e negros
que o crime organizado ...
Se no coração dos Andes
povos se curvam, colhem a folha
mascam,
vencem o sorache
e produzem a coca
como condição para seguir vivendo ...
Se é rigorosamente normal
assassinar crianças
que escaparam do frio,
da fome, da cola de sapateiro,
nas Candelárias do meu país ...
Se ruíram todas as utopias
e a ferocidade reduziu
a geografia dos homens
ao exato limite da pele ..
Se a AIDS converteu o gozo essencial
numa condenação
e o sêmen, o sangue
- os rios da vida -
no veneno indecifrável
da morte ...
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Pedro Tierra
Os Novos Materiais
Se Deus
está morto
e o Papa tenta, em vão, ressuscitá-lo
com os poderes do Novo Catecismo ...
Se Fukuyama,
que nunca se cobriu de nee
e não sabe os labirintos do Tempo - como o monte Fuji -
decretou o fim da História
e a História aparentemente se resigna ...
Se foi abolida a luta de classes,
embora os cidadãos comuns,
em defesa dos seus muros,
matem mais pobres e negros
que o crime organizado ...
Se no coração dos Andes
povos se curvam, colhem a folha
mascam,
vencem o sorache
e produzem a coca
como condição para seguir vivendo ...
Se é rigorosamente normal
assassinar crianças
que escaparam do frio,
da fome, da cola de sapateiro,
nas Candelárias do meu país ...
Se ruíram todas as utopias
e a ferocidade reduziu
a geografia dos homens
ao exato limite da pele ..
Se a AIDS converteu o gozo essencial
numa condenação
e o sêmen, o sangue
- os rios da vida -
no veneno indecifrável
da morte ...
está morto
e o Papa tenta, em vão, ressuscitá-lo
com os poderes do Novo Catecismo ...
Se Fukuyama,
que nunca se cobriu de nee
e não sabe os labirintos do Tempo - como o monte Fuji -
decretou o fim da História
e a História aparentemente se resigna ...
Se foi abolida a luta de classes,
embora os cidadãos comuns,
em defesa dos seus muros,
matem mais pobres e negros
que o crime organizado ...
Se no coração dos Andes
povos se curvam, colhem a folha
mascam,
vencem o sorache
e produzem a coca
como condição para seguir vivendo ...
Se é rigorosamente normal
assassinar crianças
que escaparam do frio,
da fome, da cola de sapateiro,
nas Candelárias do meu país ...
Se ruíram todas as utopias
e a ferocidade reduziu
a geografia dos homens
ao exato limite da pele ..
Se a AIDS converteu o gozo essencial
numa condenação
e o sêmen, o sangue
- os rios da vida -
no veneno indecifrável
da morte ...
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Pedro Tierra
Os Novos Materiais
Se Deus
está morto
e o Papa tenta, em vão, ressuscitá-lo
com os poderes do Novo Catecismo ...
Se Fukuyama,
que nunca se cobriu de nee
e não sabe os labirintos do Tempo - como o monte Fuji -
decretou o fim da História
e a História aparentemente se resigna ...
Se foi abolida a luta de classes,
embora os cidadãos comuns,
em defesa dos seus muros,
matem mais pobres e negros
que o crime organizado ...
Se no coração dos Andes
povos se curvam, colhem a folha
mascam,
vencem o sorache
e produzem a coca
como condição para seguir vivendo ...
Se é rigorosamente normal
assassinar crianças
que escaparam do frio,
da fome, da cola de sapateiro,
nas Candelárias do meu país ...
Se ruíram todas as utopias
e a ferocidade reduziu
a geografia dos homens
ao exato limite da pele ..
Se a AIDS converteu o gozo essencial
numa condenação
e o sêmen, o sangue
- os rios da vida -
no veneno indecifrável
da morte ...
está morto
e o Papa tenta, em vão, ressuscitá-lo
com os poderes do Novo Catecismo ...
Se Fukuyama,
que nunca se cobriu de nee
e não sabe os labirintos do Tempo - como o monte Fuji -
decretou o fim da História
e a História aparentemente se resigna ...
Se foi abolida a luta de classes,
embora os cidadãos comuns,
em defesa dos seus muros,
matem mais pobres e negros
que o crime organizado ...
Se no coração dos Andes
povos se curvam, colhem a folha
mascam,
vencem o sorache
e produzem a coca
como condição para seguir vivendo ...
Se é rigorosamente normal
assassinar crianças
que escaparam do frio,
da fome, da cola de sapateiro,
nas Candelárias do meu país ...
Se ruíram todas as utopias
e a ferocidade reduziu
a geografia dos homens
ao exato limite da pele ..
Se a AIDS converteu o gozo essencial
numa condenação
e o sêmen, o sangue
- os rios da vida -
no veneno indecifrável
da morte ...
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1
Susana Pestana
Huila
África
adormecida
nas pétalas capturadas da vida.
Sonho com o vermelho da terra
Nas cores de um planalto esquecido.
Mãe minha, mostra-me paz
nunca tocada e muita vez prometida.
Afasta essa mão branca
deixa-me dormir
nesta noite violada.
adormecida
nas pétalas capturadas da vida.
Sonho com o vermelho da terra
Nas cores de um planalto esquecido.
Mãe minha, mostra-me paz
nunca tocada e muita vez prometida.
Afasta essa mão branca
deixa-me dormir
nesta noite violada.
977
1
Susana Pestana
Huila
África
adormecida
nas pétalas capturadas da vida.
Sonho com o vermelho da terra
Nas cores de um planalto esquecido.
Mãe minha, mostra-me paz
nunca tocada e muita vez prometida.
Afasta essa mão branca
deixa-me dormir
nesta noite violada.
adormecida
nas pétalas capturadas da vida.
Sonho com o vermelho da terra
Nas cores de um planalto esquecido.
Mãe minha, mostra-me paz
nunca tocada e muita vez prometida.
Afasta essa mão branca
deixa-me dormir
nesta noite violada.
977
1
Susana Pestana
Huila
África
adormecida
nas pétalas capturadas da vida.
Sonho com o vermelho da terra
Nas cores de um planalto esquecido.
Mãe minha, mostra-me paz
nunca tocada e muita vez prometida.
Afasta essa mão branca
deixa-me dormir
nesta noite violada.
adormecida
nas pétalas capturadas da vida.
Sonho com o vermelho da terra
Nas cores de um planalto esquecido.
Mãe minha, mostra-me paz
nunca tocada e muita vez prometida.
Afasta essa mão branca
deixa-me dormir
nesta noite violada.
977
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Susana Pestana
Huila
África
adormecida
nas pétalas capturadas da vida.
Sonho com o vermelho da terra
Nas cores de um planalto esquecido.
Mãe minha, mostra-me paz
nunca tocada e muita vez prometida.
Afasta essa mão branca
deixa-me dormir
nesta noite violada.
adormecida
nas pétalas capturadas da vida.
Sonho com o vermelho da terra
Nas cores de um planalto esquecido.
Mãe minha, mostra-me paz
nunca tocada e muita vez prometida.
Afasta essa mão branca
deixa-me dormir
nesta noite violada.
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1
Reinaldo Ferreira
O Ponto
Mínimo sou,
Mas quando ao Nada empresto
A minha elementar realidade,
O Nada é só o resto.
Mas quando ao Nada empresto
A minha elementar realidade,
O Nada é só o resto.
4 920
1
Susana Pestana
Fascinação
Entre os becos da tua vida
Descanso na tua esquina
somos dois distraídos
acumulados nas águas mornas
Porque me fascinas!
Numa organização aflita
Dispo-te entre ramos debotados
nas luzes de um sol traidor
Lentamente assustador
Aonde me fascinas!
Quero-te à beira de uma árvore
Num mar que não me pertence
A tua ausência desliza
como pingos de uma água visitada
Como me fascinas!
Vi-te respirar num rochedo vivo
O teu olhar resultou num suspiro demorado
Estás nas metades abertas
Num esconderijo de necessidades
E me fascinas, liberdade.
Descanso na tua esquina
somos dois distraídos
acumulados nas águas mornas
Porque me fascinas!
Numa organização aflita
Dispo-te entre ramos debotados
nas luzes de um sol traidor
Lentamente assustador
Aonde me fascinas!
Quero-te à beira de uma árvore
Num mar que não me pertence
A tua ausência desliza
como pingos de uma água visitada
Como me fascinas!
Vi-te respirar num rochedo vivo
O teu olhar resultou num suspiro demorado
Estás nas metades abertas
Num esconderijo de necessidades
E me fascinas, liberdade.
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1
Susana Pestana
Fascinação
Entre os becos da tua vida
Descanso na tua esquina
somos dois distraídos
acumulados nas águas mornas
Porque me fascinas!
Numa organização aflita
Dispo-te entre ramos debotados
nas luzes de um sol traidor
Lentamente assustador
Aonde me fascinas!
Quero-te à beira de uma árvore
Num mar que não me pertence
A tua ausência desliza
como pingos de uma água visitada
Como me fascinas!
Vi-te respirar num rochedo vivo
O teu olhar resultou num suspiro demorado
Estás nas metades abertas
Num esconderijo de necessidades
E me fascinas, liberdade.
Descanso na tua esquina
somos dois distraídos
acumulados nas águas mornas
Porque me fascinas!
Numa organização aflita
Dispo-te entre ramos debotados
nas luzes de um sol traidor
Lentamente assustador
Aonde me fascinas!
Quero-te à beira de uma árvore
Num mar que não me pertence
A tua ausência desliza
como pingos de uma água visitada
Como me fascinas!
Vi-te respirar num rochedo vivo
O teu olhar resultou num suspiro demorado
Estás nas metades abertas
Num esconderijo de necessidades
E me fascinas, liberdade.
937
1
Silvaney Paes
Amor de Amigo
Amigo,
Parece que algo lhe sobra no peito!
Creio careças de meu abraço
Sei que não devo,
Mais haverei de faze-lo
Amigo
Reparaste se há alguém olhando?
Pois parece que estás chorando!
Vem, esconde-se aqui em meu ombro
Embora acho que também não devo.
Amigo,
Chega! Enxuga esse pranto nos panos.
Não podem vê-lo deitado em meu ombro.
Verão isso com assombro
E acharão que nós somos...
Amigo,
Sei que viestes buscando um colo,
Lamento muito, mais também não posso,
Mais eu porei minha mão em teu ombro
E veja nela o afago e o colo.
Amigo,
Terei que falar bem baixinho.
Pois não posso ouvir o teu pranto
E que ninguém nos ouça pelos cantos,
Mais quero que saibas que te amo
Amigo
Parece que algo lhe sobra no peito!
Creio careças de meu abraço
Sei que não devo,
Mais haverei de faze-lo
Amigo
Reparaste se há alguém olhando?
Pois parece que estás chorando!
Vem, esconde-se aqui em meu ombro
Embora acho que também não devo.
Amigo,
Chega! Enxuga esse pranto nos panos.
Não podem vê-lo deitado em meu ombro.
Verão isso com assombro
E acharão que nós somos...
Amigo,
Sei que viestes buscando um colo,
Lamento muito, mais também não posso,
Mais eu porei minha mão em teu ombro
E veja nela o afago e o colo.
Amigo,
Terei que falar bem baixinho.
Pois não posso ouvir o teu pranto
E que ninguém nos ouça pelos cantos,
Mais quero que saibas que te amo
Amigo
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Silvaney Paes
Pranto de Natal
Somos aqueles
meninos,
Abrolhados do cio da terra
Insano, promiscuo e profano,
Que comem luz e bebem chuva.
A lama que ocultais da consciência humana.
Não ansiamos por estrela guia,
Nossa realidade é fria e de continua agonia,
Nos recobrimos com a brisa da madrugada
E conhecemos toda ode da galáxia,
Estampada bem no teto de nossa casa.
Nesta noite, haveremos de cear nas latas
Sobre as calçadas, nas sarjetas,
Daquilo que sobejou às vossas mesas,
Para que seja nossa fome sempre farta,
Naquilo que nunca vos causou falta.
Vislumbraremos vossas árvores enfeitadas,
Os vossos mais refinados trajes
E sentireis asco de nossos andrajos,
Mas não poderemos vos tocar
Pois moramos do lado de fora de vossas casas.
Neste Natal... nos vendo deitados nas calçadas,
Havereis de lembrar que possuís alma
E nos trarão agrados e nos farão afagos,
Mas amanhã não será mais Natal...
E voltareis a nos ocultar as faces.
Noutras noites de tenebroso porvir,
Enquanto os vossos brancos linhos
Ainda estiverem provando de caros vinhos,
À noite tecerá seus negros fios,
Para que bebam as calçadas de nosso sangue,
E muitos de nós não poderemos chorar outro Natal.
meninos,
Abrolhados do cio da terra
Insano, promiscuo e profano,
Que comem luz e bebem chuva.
A lama que ocultais da consciência humana.
Não ansiamos por estrela guia,
Nossa realidade é fria e de continua agonia,
Nos recobrimos com a brisa da madrugada
E conhecemos toda ode da galáxia,
Estampada bem no teto de nossa casa.
Nesta noite, haveremos de cear nas latas
Sobre as calçadas, nas sarjetas,
Daquilo que sobejou às vossas mesas,
Para que seja nossa fome sempre farta,
Naquilo que nunca vos causou falta.
Vislumbraremos vossas árvores enfeitadas,
Os vossos mais refinados trajes
E sentireis asco de nossos andrajos,
Mas não poderemos vos tocar
Pois moramos do lado de fora de vossas casas.
Neste Natal... nos vendo deitados nas calçadas,
Havereis de lembrar que possuís alma
E nos trarão agrados e nos farão afagos,
Mas amanhã não será mais Natal...
E voltareis a nos ocultar as faces.
Noutras noites de tenebroso porvir,
Enquanto os vossos brancos linhos
Ainda estiverem provando de caros vinhos,
À noite tecerá seus negros fios,
Para que bebam as calçadas de nosso sangue,
E muitos de nós não poderemos chorar outro Natal.
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Silvaney Paes
Pranto de Natal
Somos aqueles
meninos,
Abrolhados do cio da terra
Insano, promiscuo e profano,
Que comem luz e bebem chuva.
A lama que ocultais da consciência humana.
Não ansiamos por estrela guia,
Nossa realidade é fria e de continua agonia,
Nos recobrimos com a brisa da madrugada
E conhecemos toda ode da galáxia,
Estampada bem no teto de nossa casa.
Nesta noite, haveremos de cear nas latas
Sobre as calçadas, nas sarjetas,
Daquilo que sobejou às vossas mesas,
Para que seja nossa fome sempre farta,
Naquilo que nunca vos causou falta.
Vislumbraremos vossas árvores enfeitadas,
Os vossos mais refinados trajes
E sentireis asco de nossos andrajos,
Mas não poderemos vos tocar
Pois moramos do lado de fora de vossas casas.
Neste Natal... nos vendo deitados nas calçadas,
Havereis de lembrar que possuís alma
E nos trarão agrados e nos farão afagos,
Mas amanhã não será mais Natal...
E voltareis a nos ocultar as faces.
Noutras noites de tenebroso porvir,
Enquanto os vossos brancos linhos
Ainda estiverem provando de caros vinhos,
À noite tecerá seus negros fios,
Para que bebam as calçadas de nosso sangue,
E muitos de nós não poderemos chorar outro Natal.
meninos,
Abrolhados do cio da terra
Insano, promiscuo e profano,
Que comem luz e bebem chuva.
A lama que ocultais da consciência humana.
Não ansiamos por estrela guia,
Nossa realidade é fria e de continua agonia,
Nos recobrimos com a brisa da madrugada
E conhecemos toda ode da galáxia,
Estampada bem no teto de nossa casa.
Nesta noite, haveremos de cear nas latas
Sobre as calçadas, nas sarjetas,
Daquilo que sobejou às vossas mesas,
Para que seja nossa fome sempre farta,
Naquilo que nunca vos causou falta.
Vislumbraremos vossas árvores enfeitadas,
Os vossos mais refinados trajes
E sentireis asco de nossos andrajos,
Mas não poderemos vos tocar
Pois moramos do lado de fora de vossas casas.
Neste Natal... nos vendo deitados nas calçadas,
Havereis de lembrar que possuís alma
E nos trarão agrados e nos farão afagos,
Mas amanhã não será mais Natal...
E voltareis a nos ocultar as faces.
Noutras noites de tenebroso porvir,
Enquanto os vossos brancos linhos
Ainda estiverem provando de caros vinhos,
À noite tecerá seus negros fios,
Para que bebam as calçadas de nosso sangue,
E muitos de nós não poderemos chorar outro Natal.
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Silvaney Paes
Pranto de Natal
Somos aqueles
meninos,
Abrolhados do cio da terra
Insano, promiscuo e profano,
Que comem luz e bebem chuva.
A lama que ocultais da consciência humana.
Não ansiamos por estrela guia,
Nossa realidade é fria e de continua agonia,
Nos recobrimos com a brisa da madrugada
E conhecemos toda ode da galáxia,
Estampada bem no teto de nossa casa.
Nesta noite, haveremos de cear nas latas
Sobre as calçadas, nas sarjetas,
Daquilo que sobejou às vossas mesas,
Para que seja nossa fome sempre farta,
Naquilo que nunca vos causou falta.
Vislumbraremos vossas árvores enfeitadas,
Os vossos mais refinados trajes
E sentireis asco de nossos andrajos,
Mas não poderemos vos tocar
Pois moramos do lado de fora de vossas casas.
Neste Natal... nos vendo deitados nas calçadas,
Havereis de lembrar que possuís alma
E nos trarão agrados e nos farão afagos,
Mas amanhã não será mais Natal...
E voltareis a nos ocultar as faces.
Noutras noites de tenebroso porvir,
Enquanto os vossos brancos linhos
Ainda estiverem provando de caros vinhos,
À noite tecerá seus negros fios,
Para que bebam as calçadas de nosso sangue,
E muitos de nós não poderemos chorar outro Natal.
meninos,
Abrolhados do cio da terra
Insano, promiscuo e profano,
Que comem luz e bebem chuva.
A lama que ocultais da consciência humana.
Não ansiamos por estrela guia,
Nossa realidade é fria e de continua agonia,
Nos recobrimos com a brisa da madrugada
E conhecemos toda ode da galáxia,
Estampada bem no teto de nossa casa.
Nesta noite, haveremos de cear nas latas
Sobre as calçadas, nas sarjetas,
Daquilo que sobejou às vossas mesas,
Para que seja nossa fome sempre farta,
Naquilo que nunca vos causou falta.
Vislumbraremos vossas árvores enfeitadas,
Os vossos mais refinados trajes
E sentireis asco de nossos andrajos,
Mas não poderemos vos tocar
Pois moramos do lado de fora de vossas casas.
Neste Natal... nos vendo deitados nas calçadas,
Havereis de lembrar que possuís alma
E nos trarão agrados e nos farão afagos,
Mas amanhã não será mais Natal...
E voltareis a nos ocultar as faces.
Noutras noites de tenebroso porvir,
Enquanto os vossos brancos linhos
Ainda estiverem provando de caros vinhos,
À noite tecerá seus negros fios,
Para que bebam as calçadas de nosso sangue,
E muitos de nós não poderemos chorar outro Natal.
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Silvaney Paes
Pranto de Natal
Somos aqueles
meninos,
Abrolhados do cio da terra
Insano, promiscuo e profano,
Que comem luz e bebem chuva.
A lama que ocultais da consciência humana.
Não ansiamos por estrela guia,
Nossa realidade é fria e de continua agonia,
Nos recobrimos com a brisa da madrugada
E conhecemos toda ode da galáxia,
Estampada bem no teto de nossa casa.
Nesta noite, haveremos de cear nas latas
Sobre as calçadas, nas sarjetas,
Daquilo que sobejou às vossas mesas,
Para que seja nossa fome sempre farta,
Naquilo que nunca vos causou falta.
Vislumbraremos vossas árvores enfeitadas,
Os vossos mais refinados trajes
E sentireis asco de nossos andrajos,
Mas não poderemos vos tocar
Pois moramos do lado de fora de vossas casas.
Neste Natal... nos vendo deitados nas calçadas,
Havereis de lembrar que possuís alma
E nos trarão agrados e nos farão afagos,
Mas amanhã não será mais Natal...
E voltareis a nos ocultar as faces.
Noutras noites de tenebroso porvir,
Enquanto os vossos brancos linhos
Ainda estiverem provando de caros vinhos,
À noite tecerá seus negros fios,
Para que bebam as calçadas de nosso sangue,
E muitos de nós não poderemos chorar outro Natal.
meninos,
Abrolhados do cio da terra
Insano, promiscuo e profano,
Que comem luz e bebem chuva.
A lama que ocultais da consciência humana.
Não ansiamos por estrela guia,
Nossa realidade é fria e de continua agonia,
Nos recobrimos com a brisa da madrugada
E conhecemos toda ode da galáxia,
Estampada bem no teto de nossa casa.
Nesta noite, haveremos de cear nas latas
Sobre as calçadas, nas sarjetas,
Daquilo que sobejou às vossas mesas,
Para que seja nossa fome sempre farta,
Naquilo que nunca vos causou falta.
Vislumbraremos vossas árvores enfeitadas,
Os vossos mais refinados trajes
E sentireis asco de nossos andrajos,
Mas não poderemos vos tocar
Pois moramos do lado de fora de vossas casas.
Neste Natal... nos vendo deitados nas calçadas,
Havereis de lembrar que possuís alma
E nos trarão agrados e nos farão afagos,
Mas amanhã não será mais Natal...
E voltareis a nos ocultar as faces.
Noutras noites de tenebroso porvir,
Enquanto os vossos brancos linhos
Ainda estiverem provando de caros vinhos,
À noite tecerá seus negros fios,
Para que bebam as calçadas de nosso sangue,
E muitos de nós não poderemos chorar outro Natal.
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