Poemas neste tema
Sociedade e Mundo
António Diniz da Cruz e Silva
Ignorância e mau saber
[...]Pois se francês não foi, replica Lara,
Como monsieur lhe chamam?
Cum sorriso
Lhe torna o padre-mestre: Não se admire,
Que isto está sucedendo a cada passo;
Ao pé de cada canto, hoje, sem pejo
Se tratam de monsieurs os Portugueses.
Isto, senhor, é moda, e, como é moda,
A quisemos seguir: e sobre tudo
Mostrar ao mundo que francês sabemos.
De tanto peso, pois, lhe volve o Lara,
É, padre jubilado, porventura
O saber francês que disso alarde
Fazer quisessem vossas reverências?
Por acaso sem esse sacramento
Não podiam salvar-se e serem sábios?
Pois aqui, em segredo, lhe descubro
Que o francês para mim o mesmo monta
Que a língua dos selvagens botocudos.
Não diga, senhor, tal; que, neste tempo,
Ó tempos, ó costumes! Diz o padre,
O saber o francês é saber tudo.
É pasmar, ver, senhor, como um pascácio
Perante os homens doutos e sisudos,
A falar nas ciências mais profundas
Sem que lhes escape a santa teologia,
Alta ciência aos claustros reservada,
Que tanto fez suar ao grande Scoto,
Aos Bacónios, aos Lulos e a mim próprio.
Desta audácia, senhor, deste descoco,
Que entre nós, sem limite, vai grassando,
Quem mais sente as terríveis consequências
É a nossa português casta linguagem,
Que em tantas traduções corre envasada
(traduções que merecem ser queimadas!)
Em mil termos e frases galicanas!
Ah! Se as marmóreas campas levantando
Saíssem dos sepulcros, onde jazem
Suas honradas cinzas, os antigos
Lusitanos varões que com a pena
Ou com a espada e lança a pátria honraram,
Os vossos ideotismos escutando,
A mesclada dicção, bastardos termos,
Com que enfeitar intentam seus escritos
Estes novos ridículos autores
(Como se a bela e fértil língua nossa,
Primogénita filha da latina,
Precisasse de estranhos atavios!)
Súbito certamente pensariam
Que nos sertões estavam de Caconda,
Quelimane, Sofala ou Moçambique;
Até que, já por fim desenganados
Que eram em Portugal, que portugueses
Eram também os que costumes, língua,
Por tão estranhas modas afrontavam
Segunda vez de pejo morreriam.
Como monsieur lhe chamam?
Cum sorriso
Lhe torna o padre-mestre: Não se admire,
Que isto está sucedendo a cada passo;
Ao pé de cada canto, hoje, sem pejo
Se tratam de monsieurs os Portugueses.
Isto, senhor, é moda, e, como é moda,
A quisemos seguir: e sobre tudo
Mostrar ao mundo que francês sabemos.
De tanto peso, pois, lhe volve o Lara,
É, padre jubilado, porventura
O saber francês que disso alarde
Fazer quisessem vossas reverências?
Por acaso sem esse sacramento
Não podiam salvar-se e serem sábios?
Pois aqui, em segredo, lhe descubro
Que o francês para mim o mesmo monta
Que a língua dos selvagens botocudos.
Não diga, senhor, tal; que, neste tempo,
Ó tempos, ó costumes! Diz o padre,
O saber o francês é saber tudo.
É pasmar, ver, senhor, como um pascácio
Perante os homens doutos e sisudos,
A falar nas ciências mais profundas
Sem que lhes escape a santa teologia,
Alta ciência aos claustros reservada,
Que tanto fez suar ao grande Scoto,
Aos Bacónios, aos Lulos e a mim próprio.
Desta audácia, senhor, deste descoco,
Que entre nós, sem limite, vai grassando,
Quem mais sente as terríveis consequências
É a nossa português casta linguagem,
Que em tantas traduções corre envasada
(traduções que merecem ser queimadas!)
Em mil termos e frases galicanas!
Ah! Se as marmóreas campas levantando
Saíssem dos sepulcros, onde jazem
Suas honradas cinzas, os antigos
Lusitanos varões que com a pena
Ou com a espada e lança a pátria honraram,
Os vossos ideotismos escutando,
A mesclada dicção, bastardos termos,
Com que enfeitar intentam seus escritos
Estes novos ridículos autores
(Como se a bela e fértil língua nossa,
Primogénita filha da latina,
Precisasse de estranhos atavios!)
Súbito certamente pensariam
Que nos sertões estavam de Caconda,
Quelimane, Sofala ou Moçambique;
Até que, já por fim desenganados
Que eram em Portugal, que portugueses
Eram também os que costumes, língua,
Por tão estranhas modas afrontavam
Segunda vez de pejo morreriam.
852
António Diniz da Cruz e Silva
Ignorância e mau saber
[...]Pois se francês não foi, replica Lara,
Como monsieur lhe chamam?
Cum sorriso
Lhe torna o padre-mestre: Não se admire,
Que isto está sucedendo a cada passo;
Ao pé de cada canto, hoje, sem pejo
Se tratam de monsieurs os Portugueses.
Isto, senhor, é moda, e, como é moda,
A quisemos seguir: e sobre tudo
Mostrar ao mundo que francês sabemos.
De tanto peso, pois, lhe volve o Lara,
É, padre jubilado, porventura
O saber francês que disso alarde
Fazer quisessem vossas reverências?
Por acaso sem esse sacramento
Não podiam salvar-se e serem sábios?
Pois aqui, em segredo, lhe descubro
Que o francês para mim o mesmo monta
Que a língua dos selvagens botocudos.
Não diga, senhor, tal; que, neste tempo,
Ó tempos, ó costumes! Diz o padre,
O saber o francês é saber tudo.
É pasmar, ver, senhor, como um pascácio
Perante os homens doutos e sisudos,
A falar nas ciências mais profundas
Sem que lhes escape a santa teologia,
Alta ciência aos claustros reservada,
Que tanto fez suar ao grande Scoto,
Aos Bacónios, aos Lulos e a mim próprio.
Desta audácia, senhor, deste descoco,
Que entre nós, sem limite, vai grassando,
Quem mais sente as terríveis consequências
É a nossa português casta linguagem,
Que em tantas traduções corre envasada
(traduções que merecem ser queimadas!)
Em mil termos e frases galicanas!
Ah! Se as marmóreas campas levantando
Saíssem dos sepulcros, onde jazem
Suas honradas cinzas, os antigos
Lusitanos varões que com a pena
Ou com a espada e lança a pátria honraram,
Os vossos ideotismos escutando,
A mesclada dicção, bastardos termos,
Com que enfeitar intentam seus escritos
Estes novos ridículos autores
(Como se a bela e fértil língua nossa,
Primogénita filha da latina,
Precisasse de estranhos atavios!)
Súbito certamente pensariam
Que nos sertões estavam de Caconda,
Quelimane, Sofala ou Moçambique;
Até que, já por fim desenganados
Que eram em Portugal, que portugueses
Eram também os que costumes, língua,
Por tão estranhas modas afrontavam
Segunda vez de pejo morreriam.
Como monsieur lhe chamam?
Cum sorriso
Lhe torna o padre-mestre: Não se admire,
Que isto está sucedendo a cada passo;
Ao pé de cada canto, hoje, sem pejo
Se tratam de monsieurs os Portugueses.
Isto, senhor, é moda, e, como é moda,
A quisemos seguir: e sobre tudo
Mostrar ao mundo que francês sabemos.
De tanto peso, pois, lhe volve o Lara,
É, padre jubilado, porventura
O saber francês que disso alarde
Fazer quisessem vossas reverências?
Por acaso sem esse sacramento
Não podiam salvar-se e serem sábios?
Pois aqui, em segredo, lhe descubro
Que o francês para mim o mesmo monta
Que a língua dos selvagens botocudos.
Não diga, senhor, tal; que, neste tempo,
Ó tempos, ó costumes! Diz o padre,
O saber o francês é saber tudo.
É pasmar, ver, senhor, como um pascácio
Perante os homens doutos e sisudos,
A falar nas ciências mais profundas
Sem que lhes escape a santa teologia,
Alta ciência aos claustros reservada,
Que tanto fez suar ao grande Scoto,
Aos Bacónios, aos Lulos e a mim próprio.
Desta audácia, senhor, deste descoco,
Que entre nós, sem limite, vai grassando,
Quem mais sente as terríveis consequências
É a nossa português casta linguagem,
Que em tantas traduções corre envasada
(traduções que merecem ser queimadas!)
Em mil termos e frases galicanas!
Ah! Se as marmóreas campas levantando
Saíssem dos sepulcros, onde jazem
Suas honradas cinzas, os antigos
Lusitanos varões que com a pena
Ou com a espada e lança a pátria honraram,
Os vossos ideotismos escutando,
A mesclada dicção, bastardos termos,
Com que enfeitar intentam seus escritos
Estes novos ridículos autores
(Como se a bela e fértil língua nossa,
Primogénita filha da latina,
Precisasse de estranhos atavios!)
Súbito certamente pensariam
Que nos sertões estavam de Caconda,
Quelimane, Sofala ou Moçambique;
Até que, já por fim desenganados
Que eram em Portugal, que portugueses
Eram também os que costumes, língua,
Por tão estranhas modas afrontavam
Segunda vez de pejo morreriam.
852
Florbela Espanca
Alentejano
À Buja
Deu agora meio-dia; o sol é quente
Beijando a urze triste dos outeiros.
Nas ravinas do monte andam ceifeiros,
Na faina, alegres, desde o sol nascente.
Cantam as raparigas meigamente.
Brilham os olhos negros, feiticeiros.
E há perfis delicados e trigueiros
Entre as altas espigas d’oiro ardente.
A terra prende aos dedos sensuais
A cabeleira loira dos trigais
Sob a bênção dulcíssima dos céus.
Há gritos arrastados de cantigas...
E eu sou uma daquelas raparigas...
E tu passas e dizes: “Salve-os Deus!”
Deu agora meio-dia; o sol é quente
Beijando a urze triste dos outeiros.
Nas ravinas do monte andam ceifeiros,
Na faina, alegres, desde o sol nascente.
Cantam as raparigas meigamente.
Brilham os olhos negros, feiticeiros.
E há perfis delicados e trigueiros
Entre as altas espigas d’oiro ardente.
A terra prende aos dedos sensuais
A cabeleira loira dos trigais
Sob a bênção dulcíssima dos céus.
Há gritos arrastados de cantigas...
E eu sou uma daquelas raparigas...
E tu passas e dizes: “Salve-os Deus!”
3 045
Florbela Espanca
Lembrança
Fui Essa que nas ruas esmolou
E fui a que habitou Paços Reais;
No mármore de curvas ogivais
Fui Essa que as mãos pálidas poisou...
Tanto poeta em versos me cantou!
Fiei o linho à porta dos casais...
Fui descobrir a Índia e nunca mais
Voltei! Fui essa nau que não voltou...
Tenho o perfil moreno, lusitano,
E os olhos verdes, cor do verde Oceano,
Sereia que nasceu de navegantes...
Tudo em cinzentas brumas se dilui...
Ah, quem me dera ser Essas que eu fui,
As que me lembro de ter sido... dantes!...
E fui a que habitou Paços Reais;
No mármore de curvas ogivais
Fui Essa que as mãos pálidas poisou...
Tanto poeta em versos me cantou!
Fiei o linho à porta dos casais...
Fui descobrir a Índia e nunca mais
Voltei! Fui essa nau que não voltou...
Tenho o perfil moreno, lusitano,
E os olhos verdes, cor do verde Oceano,
Sereia que nasceu de navegantes...
Tudo em cinzentas brumas se dilui...
Ah, quem me dera ser Essas que eu fui,
As que me lembro de ter sido... dantes!...
2 371
Florbela Espanca
Lembrança
Fui Essa que nas ruas esmolou
E fui a que habitou Paços Reais;
No mármore de curvas ogivais
Fui Essa que as mãos pálidas poisou...
Tanto poeta em versos me cantou!
Fiei o linho à porta dos casais...
Fui descobrir a Índia e nunca mais
Voltei! Fui essa nau que não voltou...
Tenho o perfil moreno, lusitano,
E os olhos verdes, cor do verde Oceano,
Sereia que nasceu de navegantes...
Tudo em cinzentas brumas se dilui...
Ah, quem me dera ser Essas que eu fui,
As que me lembro de ter sido... dantes!...
E fui a que habitou Paços Reais;
No mármore de curvas ogivais
Fui Essa que as mãos pálidas poisou...
Tanto poeta em versos me cantou!
Fiei o linho à porta dos casais...
Fui descobrir a Índia e nunca mais
Voltei! Fui essa nau que não voltou...
Tenho o perfil moreno, lusitano,
E os olhos verdes, cor do verde Oceano,
Sereia que nasceu de navegantes...
Tudo em cinzentas brumas se dilui...
Ah, quem me dera ser Essas que eu fui,
As que me lembro de ter sido... dantes!...
2 371
Patrick Kavanagh
Estrada em Inniskeen: Noite de Julho
As bicicletas seguem em trios e duplas -
Baile no celeiro de Billy Brennan à noite
E há o mistério que em código murmura
E a língua do piscar-e-gesto em posse.
Oito e meia e não há mancha qualquer
Em uma milha de estrada, nem gleba
Que venha a suster homem ou mulher,
Som de passos a tatear psiu de pedras.
Eu possuo aquilo que todo poeta abomina
Apesar de falas pomposas de contemplação.
Ah, Alexander Selkirk bem sabia da sina
De representar rei, parlamento e nação.
Estrada, uma milha de império, sou mestre
De margens e pedras e tudo o que floresce.
Baile no celeiro de Billy Brennan à noite
E há o mistério que em código murmura
E a língua do piscar-e-gesto em posse.
Oito e meia e não há mancha qualquer
Em uma milha de estrada, nem gleba
Que venha a suster homem ou mulher,
Som de passos a tatear psiu de pedras.
Eu possuo aquilo que todo poeta abomina
Apesar de falas pomposas de contemplação.
Ah, Alexander Selkirk bem sabia da sina
De representar rei, parlamento e nação.
Estrada, uma milha de império, sou mestre
De margens e pedras e tudo o que floresce.
952
Patrick Kavanagh
Estrada em Inniskeen: Noite de Julho
As bicicletas seguem em trios e duplas -
Baile no celeiro de Billy Brennan à noite
E há o mistério que em código murmura
E a língua do piscar-e-gesto em posse.
Oito e meia e não há mancha qualquer
Em uma milha de estrada, nem gleba
Que venha a suster homem ou mulher,
Som de passos a tatear psiu de pedras.
Eu possuo aquilo que todo poeta abomina
Apesar de falas pomposas de contemplação.
Ah, Alexander Selkirk bem sabia da sina
De representar rei, parlamento e nação.
Estrada, uma milha de império, sou mestre
De margens e pedras e tudo o que floresce.
Baile no celeiro de Billy Brennan à noite
E há o mistério que em código murmura
E a língua do piscar-e-gesto em posse.
Oito e meia e não há mancha qualquer
Em uma milha de estrada, nem gleba
Que venha a suster homem ou mulher,
Som de passos a tatear psiu de pedras.
Eu possuo aquilo que todo poeta abomina
Apesar de falas pomposas de contemplação.
Ah, Alexander Selkirk bem sabia da sina
De representar rei, parlamento e nação.
Estrada, uma milha de império, sou mestre
De margens e pedras e tudo o que floresce.
952
Isaac Rosenberg
Raiar do dia nas trincheiras
A escuridão desmorona -
É o mesmo tempo druida de sempre.
Só uma coisa viva roça minha mão -
Um rato esquisito e sarcástico -
Ao arrancar do parapeito a papoula
Para por detrás da orelha.
Rato comediante, você seria fuzilado se soubessem
De suas simpatias cosmopolitas.
Agora você tocou esta mão inglesa
Amanhã fará o mesmo com uma alemã -
Sem dúvida em breve se bem lhe aprouver
Cruzar o verde sonolento entre nós.
Você parece sorrir por dentro ao passar
Por olhos fortes, pernas rijas, atletas orgulhosos
Menos aptos à vida que você,
Atados aos caprichos do homicídio,
Esparramados pelas entranhas da terra,
Os campos rasgados da França.
O que você vê em nossos olhos
No ferro e fogo barulhento
Arrojados pelo céu quieto?
Que tremor - que peito horrorizado?
Papoulas com raízes nas veias de homens
Caem, e caem eternamente;
Mas a minha está segura em minha orelha,
Apenas um tanto embranquecida de poeira.
(tradução de Ricardo Domeneck)
É o mesmo tempo druida de sempre.
Só uma coisa viva roça minha mão -
Um rato esquisito e sarcástico -
Ao arrancar do parapeito a papoula
Para por detrás da orelha.
Rato comediante, você seria fuzilado se soubessem
De suas simpatias cosmopolitas.
Agora você tocou esta mão inglesa
Amanhã fará o mesmo com uma alemã -
Sem dúvida em breve se bem lhe aprouver
Cruzar o verde sonolento entre nós.
Você parece sorrir por dentro ao passar
Por olhos fortes, pernas rijas, atletas orgulhosos
Menos aptos à vida que você,
Atados aos caprichos do homicídio,
Esparramados pelas entranhas da terra,
Os campos rasgados da França.
O que você vê em nossos olhos
No ferro e fogo barulhento
Arrojados pelo céu quieto?
Que tremor - que peito horrorizado?
Papoulas com raízes nas veias de homens
Caem, e caem eternamente;
Mas a minha está segura em minha orelha,
Apenas um tanto embranquecida de poeira.
(tradução de Ricardo Domeneck)
1 774
Isaac Rosenberg
Raiar do dia nas trincheiras
A escuridão desmorona -
É o mesmo tempo druida de sempre.
Só uma coisa viva roça minha mão -
Um rato esquisito e sarcástico -
Ao arrancar do parapeito a papoula
Para por detrás da orelha.
Rato comediante, você seria fuzilado se soubessem
De suas simpatias cosmopolitas.
Agora você tocou esta mão inglesa
Amanhã fará o mesmo com uma alemã -
Sem dúvida em breve se bem lhe aprouver
Cruzar o verde sonolento entre nós.
Você parece sorrir por dentro ao passar
Por olhos fortes, pernas rijas, atletas orgulhosos
Menos aptos à vida que você,
Atados aos caprichos do homicídio,
Esparramados pelas entranhas da terra,
Os campos rasgados da França.
O que você vê em nossos olhos
No ferro e fogo barulhento
Arrojados pelo céu quieto?
Que tremor - que peito horrorizado?
Papoulas com raízes nas veias de homens
Caem, e caem eternamente;
Mas a minha está segura em minha orelha,
Apenas um tanto embranquecida de poeira.
(tradução de Ricardo Domeneck)
É o mesmo tempo druida de sempre.
Só uma coisa viva roça minha mão -
Um rato esquisito e sarcástico -
Ao arrancar do parapeito a papoula
Para por detrás da orelha.
Rato comediante, você seria fuzilado se soubessem
De suas simpatias cosmopolitas.
Agora você tocou esta mão inglesa
Amanhã fará o mesmo com uma alemã -
Sem dúvida em breve se bem lhe aprouver
Cruzar o verde sonolento entre nós.
Você parece sorrir por dentro ao passar
Por olhos fortes, pernas rijas, atletas orgulhosos
Menos aptos à vida que você,
Atados aos caprichos do homicídio,
Esparramados pelas entranhas da terra,
Os campos rasgados da França.
O que você vê em nossos olhos
No ferro e fogo barulhento
Arrojados pelo céu quieto?
Que tremor - que peito horrorizado?
Papoulas com raízes nas veias de homens
Caem, e caem eternamente;
Mas a minha está segura em minha orelha,
Apenas um tanto embranquecida de poeira.
(tradução de Ricardo Domeneck)
1 774
Stela do Patrocínio
Ainda era Rio de Janeiro
Ainda era Rio de Janeiro, Botafogo
Eu me confundi comendo pão
Eu perdi o óculos
Ele ficou com o óculos
Passou a língua no óculos para tratar o óculos com a língua
Ela na vigilância do pão sem poder ter o pão
Essa troca de sabedoria de ideia de esperteza
Dia tarde noite janeiro fevereiro dezembro
Fico pastando no pasto à vontade
Um homem chamado cavalo é o meu nome
O bom pastor dá a vida pelas ovelhas
(Stela do Patrocínio, em diagramação de sua fala por Viviane Mosé)
Eu me confundi comendo pão
Eu perdi o óculos
Ele ficou com o óculos
Passou a língua no óculos para tratar o óculos com a língua
Ela na vigilância do pão sem poder ter o pão
Essa troca de sabedoria de ideia de esperteza
Dia tarde noite janeiro fevereiro dezembro
Fico pastando no pasto à vontade
Um homem chamado cavalo é o meu nome
O bom pastor dá a vida pelas ovelhas
(Stela do Patrocínio, em diagramação de sua fala por Viviane Mosé)
1 851
Heiner Müller
Lamento do historiador
No quarto livro dos ANNALES Tácito queixa-se
Pela duração do tempo de paz, mal interrompido
Por disputas fronteiriças pueris, com a descrição
Das quais precisa contentar-se, cheio
De inveja de seus predecessores
Que tiveram à disposição guerras-mamute
Com imperadores à frente, exigindo uma Roma
Sempre maior, povos subjugados, reis cativos
Revoltas e crises de estado: material dos bons.
E Tácito desculpa-se junto a seus leitores.
Eu, por minha vez, dois mil anos depois dele,
Não preciso desculpar-me e não posso
Queixar-me da falta de bom material.
(tradução de Ricardo Domeneck)
Pela duração do tempo de paz, mal interrompido
Por disputas fronteiriças pueris, com a descrição
Das quais precisa contentar-se, cheio
De inveja de seus predecessores
Que tiveram à disposição guerras-mamute
Com imperadores à frente, exigindo uma Roma
Sempre maior, povos subjugados, reis cativos
Revoltas e crises de estado: material dos bons.
E Tácito desculpa-se junto a seus leitores.
Eu, por minha vez, dois mil anos depois dele,
Não preciso desculpar-me e não posso
Queixar-me da falta de bom material.
(tradução de Ricardo Domeneck)
977
Heiner Müller
Lamento do historiador
No quarto livro dos ANNALES Tácito queixa-se
Pela duração do tempo de paz, mal interrompido
Por disputas fronteiriças pueris, com a descrição
Das quais precisa contentar-se, cheio
De inveja de seus predecessores
Que tiveram à disposição guerras-mamute
Com imperadores à frente, exigindo uma Roma
Sempre maior, povos subjugados, reis cativos
Revoltas e crises de estado: material dos bons.
E Tácito desculpa-se junto a seus leitores.
Eu, por minha vez, dois mil anos depois dele,
Não preciso desculpar-me e não posso
Queixar-me da falta de bom material.
(tradução de Ricardo Domeneck)
Pela duração do tempo de paz, mal interrompido
Por disputas fronteiriças pueris, com a descrição
Das quais precisa contentar-se, cheio
De inveja de seus predecessores
Que tiveram à disposição guerras-mamute
Com imperadores à frente, exigindo uma Roma
Sempre maior, povos subjugados, reis cativos
Revoltas e crises de estado: material dos bons.
E Tácito desculpa-se junto a seus leitores.
Eu, por minha vez, dois mil anos depois dele,
Não preciso desculpar-me e não posso
Queixar-me da falta de bom material.
(tradução de Ricardo Domeneck)
977
Edoardo Sanguineti
de Reisebilder
à funcionária da aduana em minissaia, que me escolheu com seus
[olhos de sibila
e de pomba, de dentro de uma fila interminável de viajantes em
[trânsito, eu disse
toda a verdade, confinado num séparé-confessionário de madeira
compensada:
.................disse que tenho um filho que estuda russo e alemão;
que Bonjour les amis, curso de língua francesa em 4 volumes, era
para minha mulher;
.................e estava pronto a dizer mais: sabia que foi
[Rosa Luxemburgo
quem lançou a palavra de ordem "socialismo ou barbárie"; e podia
fazer disso um madrigal estrepitoso:
........................mas suava, vasculhando os bolsos,
buscando em vão a conta do Operncafé; e então você irrompeu
arrastando atrás de si até os meninos, maravilhosos e maravilhados:
(a expulsávamos com os mesmos gestos duros, eu e minha beatriz
democrática de farda):
.................mas para mim o irreparável já se tinha consumado,
ali, na fronteira entre as duas Berlins: quarentão aos pés da guarda.
(tradução de Maurício Santana Dias)
613
Edoardo Sanguineti
de Reisebilder
à funcionária da aduana em minissaia, que me escolheu com seus
[olhos de sibila
e de pomba, de dentro de uma fila interminável de viajantes em
[trânsito, eu disse
toda a verdade, confinado num séparé-confessionário de madeira
compensada:
.................disse que tenho um filho que estuda russo e alemão;
que Bonjour les amis, curso de língua francesa em 4 volumes, era
para minha mulher;
.................e estava pronto a dizer mais: sabia que foi
[Rosa Luxemburgo
quem lançou a palavra de ordem "socialismo ou barbárie"; e podia
fazer disso um madrigal estrepitoso:
........................mas suava, vasculhando os bolsos,
buscando em vão a conta do Operncafé; e então você irrompeu
arrastando atrás de si até os meninos, maravilhosos e maravilhados:
(a expulsávamos com os mesmos gestos duros, eu e minha beatriz
democrática de farda):
.................mas para mim o irreparável já se tinha consumado,
ali, na fronteira entre as duas Berlins: quarentão aos pés da guarda.
(tradução de Maurício Santana Dias)
613
Raymond Carver
O Padeiro
Então Pancho Villa chegou à cidade,
enforcou o prefeito
e convocou o velho e trêmulo
Conde Vronski para jantar.
Pancho apresentou sua nova namorada,
junto com o marido em seu avental branco,
mostrou a Vronski sua pistola,
depois pediu ao Conde que lhe contasse
sobre seu infeliz exílio no México.
Mais tarde, a conversa foi sobre mulheres e cavalos.
Os dois eram especialistas.
A garota dava risadinhas
e mexia nos botões de pérola
da camisa de Pancho até que,
precisamente à meia-noite, Pancho pegou no sono
com a cabeça na mesa.
O marido fez o sinal da cruz
e deixou a casa segurando as botas
sem fazer um gesto
à mulher ou a Vronksy.
Esse marido anônimo, descalço,
humilhado, tentando salvar sua vida, ele
é o herói deste poema.
tradução de Angélica Freitas
enforcou o prefeito
e convocou o velho e trêmulo
Conde Vronski para jantar.
Pancho apresentou sua nova namorada,
junto com o marido em seu avental branco,
mostrou a Vronski sua pistola,
depois pediu ao Conde que lhe contasse
sobre seu infeliz exílio no México.
Mais tarde, a conversa foi sobre mulheres e cavalos.
Os dois eram especialistas.
A garota dava risadinhas
e mexia nos botões de pérola
da camisa de Pancho até que,
precisamente à meia-noite, Pancho pegou no sono
com a cabeça na mesa.
O marido fez o sinal da cruz
e deixou a casa segurando as botas
sem fazer um gesto
à mulher ou a Vronksy.
Esse marido anônimo, descalço,
humilhado, tentando salvar sua vida, ele
é o herói deste poema.
tradução de Angélica Freitas
1 408
Raymond Carver
O Padeiro
Então Pancho Villa chegou à cidade,
enforcou o prefeito
e convocou o velho e trêmulo
Conde Vronski para jantar.
Pancho apresentou sua nova namorada,
junto com o marido em seu avental branco,
mostrou a Vronski sua pistola,
depois pediu ao Conde que lhe contasse
sobre seu infeliz exílio no México.
Mais tarde, a conversa foi sobre mulheres e cavalos.
Os dois eram especialistas.
A garota dava risadinhas
e mexia nos botões de pérola
da camisa de Pancho até que,
precisamente à meia-noite, Pancho pegou no sono
com a cabeça na mesa.
O marido fez o sinal da cruz
e deixou a casa segurando as botas
sem fazer um gesto
à mulher ou a Vronksy.
Esse marido anônimo, descalço,
humilhado, tentando salvar sua vida, ele
é o herói deste poema.
tradução de Angélica Freitas
enforcou o prefeito
e convocou o velho e trêmulo
Conde Vronski para jantar.
Pancho apresentou sua nova namorada,
junto com o marido em seu avental branco,
mostrou a Vronski sua pistola,
depois pediu ao Conde que lhe contasse
sobre seu infeliz exílio no México.
Mais tarde, a conversa foi sobre mulheres e cavalos.
Os dois eram especialistas.
A garota dava risadinhas
e mexia nos botões de pérola
da camisa de Pancho até que,
precisamente à meia-noite, Pancho pegou no sono
com a cabeça na mesa.
O marido fez o sinal da cruz
e deixou a casa segurando as botas
sem fazer um gesto
à mulher ou a Vronksy.
Esse marido anônimo, descalço,
humilhado, tentando salvar sua vida, ele
é o herói deste poema.
tradução de Angélica Freitas
1 408
Yu Xuanji
Deixando-se levar
Nenhum laço me prende; sempre livre,
vou sem destino, leve entre as paragens
Nuvens se abrem entre lua e rio,
amarras frouxas, barco em pleno mar
No Templo Liang,1tanger o alaúde,
no pavilhão recita-se o poema
Ter por abrigo as grutas de bambus
e nas veredas, pedras companheiras
Preciosos são o pardal, a andorinha
São ar a prata e o ouro, seus castelos
A primavera oferta verde o vinho,2
à noite a lua aquieta-se à janela
O passo estanca à fonte transparente
e em seu espelho, à imagem, deixo o grampo
Na cama, ébria, os livros me rodeiam
Cabelo aliso ao pente, enfim levanto-me
vou sem destino, leve entre as paragens
Nuvens se abrem entre lua e rio,
amarras frouxas, barco em pleno mar
No Templo Liang,1tanger o alaúde,
no pavilhão recita-se o poema
Ter por abrigo as grutas de bambus
e nas veredas, pedras companheiras
Preciosos são o pardal, a andorinha
São ar a prata e o ouro, seus castelos
A primavera oferta verde o vinho,2
à noite a lua aquieta-se à janela
O passo estanca à fonte transparente
e em seu espelho, à imagem, deixo o grampo
Na cama, ébria, os livros me rodeiam
Cabelo aliso ao pente, enfim levanto-me
1 183
Isabella Motadinyane
Vem gente
Paaha
vem gente
paaha
vem gente
é hora de carpir as ervas
é hora da colheita
vem vamos conversar
vem em paz
paaha
vem gente
paaha
vem gente
é chegado o verão
a espiga de milho está madura e tenra
vocês já ouviram
notícias de alegria?
paaha
vem gente
paaha
vem gente
(paráfrase de Ricardo Domeneck)
:
Tlong beso
Isabella Motadinyane
Paaha
tlong beso
paaha
tlong beso
ke nako ya ho hlaolo
ke nako ya kotulo
tlong re buisaneng
tlong ka kutlwano
paaha
tlong beso
paaha
tlong beso
selemo se thwasitse
babele a hodile
na le utlwile na
taba ketse monate
paaha
tlong beso
paaha
tlong beso
726
Isabella Motadinyane
Vem gente
Paaha
vem gente
paaha
vem gente
é hora de carpir as ervas
é hora da colheita
vem vamos conversar
vem em paz
paaha
vem gente
paaha
vem gente
é chegado o verão
a espiga de milho está madura e tenra
vocês já ouviram
notícias de alegria?
paaha
vem gente
paaha
vem gente
(paráfrase de Ricardo Domeneck)
:
Tlong beso
Isabella Motadinyane
Paaha
tlong beso
paaha
tlong beso
ke nako ya ho hlaolo
ke nako ya kotulo
tlong re buisaneng
tlong ka kutlwano
paaha
tlong beso
paaha
tlong beso
selemo se thwasitse
babele a hodile
na le utlwile na
taba ketse monate
paaha
tlong beso
paaha
tlong beso
726
Clemente Rebora
Texto XXXIV dos Framment lirici
Ciência vence natureza:
é glória. Imensamente ferve
de máquinas ressoa e de moedas
o atrito humano,
enquanto, à parte, o coro dos vencidos
geme ou submerge, e sem sentido
a melodia da floresta
jaz sem ser ouvida.
Ó, nas ruas da aurora um despertar de fogo,
quando
pássaros de ninhos urbanos
por entre chaminés e canos
revoam altas as sirenes
em meio a incensos de fumaça
chamando para o bom trabalho!
E assim se desata a jornada
de hora em hora, até o meio-dia
e daí descendo pela encosta
a forjar coisas, pensamentos,
nas sucessões entrelaçadas
nos movimentos martelados,
até que a noite acolhe o peito que arde
aspirando sua força e sua vontade
na dura volta para casa
que nos subúrbios escurece entre os ecos
das mais tardias oficinas,
e agora o tremular das formas
que se demoram, precavidas,
no tinir luminoso de alamedas.
(tradução de Maurício Santana Dias)
é glória. Imensamente ferve
de máquinas ressoa e de moedas
o atrito humano,
enquanto, à parte, o coro dos vencidos
geme ou submerge, e sem sentido
a melodia da floresta
jaz sem ser ouvida.
Ó, nas ruas da aurora um despertar de fogo,
quando
pássaros de ninhos urbanos
por entre chaminés e canos
revoam altas as sirenes
em meio a incensos de fumaça
chamando para o bom trabalho!
E assim se desata a jornada
de hora em hora, até o meio-dia
e daí descendo pela encosta
a forjar coisas, pensamentos,
nas sucessões entrelaçadas
nos movimentos martelados,
até que a noite acolhe o peito que arde
aspirando sua força e sua vontade
na dura volta para casa
que nos subúrbios escurece entre os ecos
das mais tardias oficinas,
e agora o tremular das formas
que se demoram, precavidas,
no tinir luminoso de alamedas.
(tradução de Maurício Santana Dias)
825
Clemente Rebora
Texto XXXIV dos Framment lirici
Ciência vence natureza:
é glória. Imensamente ferve
de máquinas ressoa e de moedas
o atrito humano,
enquanto, à parte, o coro dos vencidos
geme ou submerge, e sem sentido
a melodia da floresta
jaz sem ser ouvida.
Ó, nas ruas da aurora um despertar de fogo,
quando
pássaros de ninhos urbanos
por entre chaminés e canos
revoam altas as sirenes
em meio a incensos de fumaça
chamando para o bom trabalho!
E assim se desata a jornada
de hora em hora, até o meio-dia
e daí descendo pela encosta
a forjar coisas, pensamentos,
nas sucessões entrelaçadas
nos movimentos martelados,
até que a noite acolhe o peito que arde
aspirando sua força e sua vontade
na dura volta para casa
que nos subúrbios escurece entre os ecos
das mais tardias oficinas,
e agora o tremular das formas
que se demoram, precavidas,
no tinir luminoso de alamedas.
(tradução de Maurício Santana Dias)
é glória. Imensamente ferve
de máquinas ressoa e de moedas
o atrito humano,
enquanto, à parte, o coro dos vencidos
geme ou submerge, e sem sentido
a melodia da floresta
jaz sem ser ouvida.
Ó, nas ruas da aurora um despertar de fogo,
quando
pássaros de ninhos urbanos
por entre chaminés e canos
revoam altas as sirenes
em meio a incensos de fumaça
chamando para o bom trabalho!
E assim se desata a jornada
de hora em hora, até o meio-dia
e daí descendo pela encosta
a forjar coisas, pensamentos,
nas sucessões entrelaçadas
nos movimentos martelados,
até que a noite acolhe o peito que arde
aspirando sua força e sua vontade
na dura volta para casa
que nos subúrbios escurece entre os ecos
das mais tardias oficinas,
e agora o tremular das formas
que se demoram, precavidas,
no tinir luminoso de alamedas.
(tradução de Maurício Santana Dias)
825
Clemente Rebora
Texto XXXIV dos Framment lirici
Ciência vence natureza:
é glória. Imensamente ferve
de máquinas ressoa e de moedas
o atrito humano,
enquanto, à parte, o coro dos vencidos
geme ou submerge, e sem sentido
a melodia da floresta
jaz sem ser ouvida.
Ó, nas ruas da aurora um despertar de fogo,
quando
pássaros de ninhos urbanos
por entre chaminés e canos
revoam altas as sirenes
em meio a incensos de fumaça
chamando para o bom trabalho!
E assim se desata a jornada
de hora em hora, até o meio-dia
e daí descendo pela encosta
a forjar coisas, pensamentos,
nas sucessões entrelaçadas
nos movimentos martelados,
até que a noite acolhe o peito que arde
aspirando sua força e sua vontade
na dura volta para casa
que nos subúrbios escurece entre os ecos
das mais tardias oficinas,
e agora o tremular das formas
que se demoram, precavidas,
no tinir luminoso de alamedas.
(tradução de Maurício Santana Dias)
é glória. Imensamente ferve
de máquinas ressoa e de moedas
o atrito humano,
enquanto, à parte, o coro dos vencidos
geme ou submerge, e sem sentido
a melodia da floresta
jaz sem ser ouvida.
Ó, nas ruas da aurora um despertar de fogo,
quando
pássaros de ninhos urbanos
por entre chaminés e canos
revoam altas as sirenes
em meio a incensos de fumaça
chamando para o bom trabalho!
E assim se desata a jornada
de hora em hora, até o meio-dia
e daí descendo pela encosta
a forjar coisas, pensamentos,
nas sucessões entrelaçadas
nos movimentos martelados,
até que a noite acolhe o peito que arde
aspirando sua força e sua vontade
na dura volta para casa
que nos subúrbios escurece entre os ecos
das mais tardias oficinas,
e agora o tremular das formas
que se demoram, precavidas,
no tinir luminoso de alamedas.
(tradução de Maurício Santana Dias)
825
Dantas Motta
Tiradentes sobe ao patíbulo
de Tiradentes sobe ao patíbulo, pretende falar, não o deixam, sofre 3 sermões
35. Jm. Jzé. da Sva. Xer.
dá entrada no LARGO DA LAMPADOSA,
e como que possuídos de furor histero-religioso,
os padres da Comunidade do Convento de Santo Antônio,
aumentando as suas vozes,
alteiam-n'as com a Recitação da Oração dos Agonizantes.
36. Subindo, rápido, ao patíbulo de 24 degraus,
Tiradentes quis falar.
Não o deixaram,
Sinal próprio das épocas em que os outros têm medo
da liberdade.
Deram-lhe, porém, ao invés da fala,
água, pois que suava com abundância.
Recusou-a.
Pediu que apressassem o bárbaro espetáculo.
Prolongaram-n'o.
1º — com dois sermões
2º — com o recitativo do Eu Pecador
3º — com a encomendação do seu corpo ainda vivo.
35. Jm. Jzé. da Sva. Xer.
dá entrada no LARGO DA LAMPADOSA,
e como que possuídos de furor histero-religioso,
os padres da Comunidade do Convento de Santo Antônio,
aumentando as suas vozes,
alteiam-n'as com a Recitação da Oração dos Agonizantes.
36. Subindo, rápido, ao patíbulo de 24 degraus,
Tiradentes quis falar.
Não o deixaram,
Sinal próprio das épocas em que os outros têm medo
da liberdade.
Deram-lhe, porém, ao invés da fala,
água, pois que suava com abundância.
Recusou-a.
Pediu que apressassem o bárbaro espetáculo.
Prolongaram-n'o.
1º — com dois sermões
2º — com o recitativo do Eu Pecador
3º — com a encomendação do seu corpo ainda vivo.
799
Dantas Motta
Tiradentes sobe ao patíbulo
de Tiradentes sobe ao patíbulo, pretende falar, não o deixam, sofre 3 sermões
35. Jm. Jzé. da Sva. Xer.
dá entrada no LARGO DA LAMPADOSA,
e como que possuídos de furor histero-religioso,
os padres da Comunidade do Convento de Santo Antônio,
aumentando as suas vozes,
alteiam-n'as com a Recitação da Oração dos Agonizantes.
36. Subindo, rápido, ao patíbulo de 24 degraus,
Tiradentes quis falar.
Não o deixaram,
Sinal próprio das épocas em que os outros têm medo
da liberdade.
Deram-lhe, porém, ao invés da fala,
água, pois que suava com abundância.
Recusou-a.
Pediu que apressassem o bárbaro espetáculo.
Prolongaram-n'o.
1º — com dois sermões
2º — com o recitativo do Eu Pecador
3º — com a encomendação do seu corpo ainda vivo.
35. Jm. Jzé. da Sva. Xer.
dá entrada no LARGO DA LAMPADOSA,
e como que possuídos de furor histero-religioso,
os padres da Comunidade do Convento de Santo Antônio,
aumentando as suas vozes,
alteiam-n'as com a Recitação da Oração dos Agonizantes.
36. Subindo, rápido, ao patíbulo de 24 degraus,
Tiradentes quis falar.
Não o deixaram,
Sinal próprio das épocas em que os outros têm medo
da liberdade.
Deram-lhe, porém, ao invés da fala,
água, pois que suava com abundância.
Recusou-a.
Pediu que apressassem o bárbaro espetáculo.
Prolongaram-n'o.
1º — com dois sermões
2º — com o recitativo do Eu Pecador
3º — com a encomendação do seu corpo ainda vivo.
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