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Poemas neste tema

Sociedade e Mundo

Osório Duque-Estrada

Osório Duque-Estrada

Hino Nacional Brasileiro

I

Ouviram do Ipiranga as margens plácidas
De um povo heróico o brado retumbante,
E o sol da Liberdade, em raios fúlgidos,
Brilhou no céu da Pátria nesse instante.

Se o penhor dessa igualdade
Conseguimos conquistar com braço forte,
Em teu seio, ó Liberdade,
Desafia o nosso peito a própria morte!

Ó Pátria amada,
Idolatrada,
Salve! Salve!

Brasil, um sonho intenso, um raio vívido
De amor e de esperança à terra desce,
Se em teu formoso céu, risonho e límpido,
A imagem do Cruzeiro resplandece.

Gigante pela própria natureza,
És belo, és forte, impávido colosso,
E o teu futuro espelha essa grandeza

Terra adorada,
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada!

Dos filhos deste solo és mãe gentil,
Pátria amada,
Brasil!

II

Deitado eternamente em berço esplêndido,
Ao som do mar e à luz do céu profundo,
Fulguras, ó Brasil, florão da América,
Iluminado ao sol do Novo Mundo!

Do que a terra mais garrida
Teus risonhos, lindos campos têm mais flores;
"Nossos bosques têm mais vida",
"Nossa vida" no teu seio "mais amores".

Ó Pátria amada,
Idolatrada,
Salve! Salve!

Brasil, de amor eterno seja símbolo
O lábaro que ostentas estrelado,
E diga o verde-louro desta flâmula
— Paz no futuro e glória no passado.

Mas, se ergues da Justiça a clava forte,
Verás que um filho teu não foge à luta,
Nem teme, quem te adora, a própria morte.

Terra adorada,
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada!

Dos filhos deste solo és mãe gentil,
Pátria amada,
Brasil!


Publicado no livro Hino Nacional Brasileiro (1922).

In: CORREA, Avelino A. Hinos e canções do Brasil. 5.ed. São Paulo: Ática, 1982. p.12-13

NOTA: Música de Francisco Manuel da Silva (composta para a coroação de D. Pedro II, em 1841). A letra de Osório Duque-Estrada foi vencedora do concurso para "a melhor composição poética que se adapte, com todo o rigor do ritmo, à música do Hino Nacional Brasileiro", em 1909, e oficializada em 1922. Citação de versos da "Canção do Exílio", do livro PRIMEIROS CANTOS (1846) e de imagens do poema em prosa "Meditação" (capítulo III, parte IV), de Gonçalves Dias. Publicado no Diário Oficial de 02 set. 1971, seção 1, parte 1, Suplemento, anexo
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Osório Duque-Estrada

Osório Duque-Estrada

Hino Nacional Brasileiro

I

Ouviram do Ipiranga as margens plácidas
De um povo heróico o brado retumbante,
E o sol da Liberdade, em raios fúlgidos,
Brilhou no céu da Pátria nesse instante.

Se o penhor dessa igualdade
Conseguimos conquistar com braço forte,
Em teu seio, ó Liberdade,
Desafia o nosso peito a própria morte!

Ó Pátria amada,
Idolatrada,
Salve! Salve!

Brasil, um sonho intenso, um raio vívido
De amor e de esperança à terra desce,
Se em teu formoso céu, risonho e límpido,
A imagem do Cruzeiro resplandece.

Gigante pela própria natureza,
És belo, és forte, impávido colosso,
E o teu futuro espelha essa grandeza

Terra adorada,
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada!

Dos filhos deste solo és mãe gentil,
Pátria amada,
Brasil!

II

Deitado eternamente em berço esplêndido,
Ao som do mar e à luz do céu profundo,
Fulguras, ó Brasil, florão da América,
Iluminado ao sol do Novo Mundo!

Do que a terra mais garrida
Teus risonhos, lindos campos têm mais flores;
"Nossos bosques têm mais vida",
"Nossa vida" no teu seio "mais amores".

Ó Pátria amada,
Idolatrada,
Salve! Salve!

Brasil, de amor eterno seja símbolo
O lábaro que ostentas estrelado,
E diga o verde-louro desta flâmula
— Paz no futuro e glória no passado.

Mas, se ergues da Justiça a clava forte,
Verás que um filho teu não foge à luta,
Nem teme, quem te adora, a própria morte.

Terra adorada,
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada!

Dos filhos deste solo és mãe gentil,
Pátria amada,
Brasil!


Publicado no livro Hino Nacional Brasileiro (1922).

In: CORREA, Avelino A. Hinos e canções do Brasil. 5.ed. São Paulo: Ática, 1982. p.12-13

NOTA: Música de Francisco Manuel da Silva (composta para a coroação de D. Pedro II, em 1841). A letra de Osório Duque-Estrada foi vencedora do concurso para "a melhor composição poética que se adapte, com todo o rigor do ritmo, à música do Hino Nacional Brasileiro", em 1909, e oficializada em 1922. Citação de versos da "Canção do Exílio", do livro PRIMEIROS CANTOS (1846) e de imagens do poema em prosa "Meditação" (capítulo III, parte IV), de Gonçalves Dias. Publicado no Diário Oficial de 02 set. 1971, seção 1, parte 1, Suplemento, anexo
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Osório Duque-Estrada

Osório Duque-Estrada

Hino Nacional Brasileiro

I

Ouviram do Ipiranga as margens plácidas
De um povo heróico o brado retumbante,
E o sol da Liberdade, em raios fúlgidos,
Brilhou no céu da Pátria nesse instante.

Se o penhor dessa igualdade
Conseguimos conquistar com braço forte,
Em teu seio, ó Liberdade,
Desafia o nosso peito a própria morte!

Ó Pátria amada,
Idolatrada,
Salve! Salve!

Brasil, um sonho intenso, um raio vívido
De amor e de esperança à terra desce,
Se em teu formoso céu, risonho e límpido,
A imagem do Cruzeiro resplandece.

Gigante pela própria natureza,
És belo, és forte, impávido colosso,
E o teu futuro espelha essa grandeza

Terra adorada,
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada!

Dos filhos deste solo és mãe gentil,
Pátria amada,
Brasil!

II

Deitado eternamente em berço esplêndido,
Ao som do mar e à luz do céu profundo,
Fulguras, ó Brasil, florão da América,
Iluminado ao sol do Novo Mundo!

Do que a terra mais garrida
Teus risonhos, lindos campos têm mais flores;
"Nossos bosques têm mais vida",
"Nossa vida" no teu seio "mais amores".

Ó Pátria amada,
Idolatrada,
Salve! Salve!

Brasil, de amor eterno seja símbolo
O lábaro que ostentas estrelado,
E diga o verde-louro desta flâmula
— Paz no futuro e glória no passado.

Mas, se ergues da Justiça a clava forte,
Verás que um filho teu não foge à luta,
Nem teme, quem te adora, a própria morte.

Terra adorada,
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada!

Dos filhos deste solo és mãe gentil,
Pátria amada,
Brasil!


Publicado no livro Hino Nacional Brasileiro (1922).

In: CORREA, Avelino A. Hinos e canções do Brasil. 5.ed. São Paulo: Ática, 1982. p.12-13

NOTA: Música de Francisco Manuel da Silva (composta para a coroação de D. Pedro II, em 1841). A letra de Osório Duque-Estrada foi vencedora do concurso para "a melhor composição poética que se adapte, com todo o rigor do ritmo, à música do Hino Nacional Brasileiro", em 1909, e oficializada em 1922. Citação de versos da "Canção do Exílio", do livro PRIMEIROS CANTOS (1846) e de imagens do poema em prosa "Meditação" (capítulo III, parte IV), de Gonçalves Dias. Publicado no Diário Oficial de 02 set. 1971, seção 1, parte 1, Suplemento, anexo
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Paulo Eiró

Paulo Eiró

Verdades e Mentiras

IV

Meu Deus! Se eu visse, neste véu da pátria,
Gracioso ondear pendão vermelho,
Aos filhos dos Carvalhos e dos Cláudios
Refletir seu renome, como espelho;

Tambores da república tocando
Nas praças a rebate...
Oh sonho, o mais querido, o mais dourado
Dos meus sonhos de vate!

Os ecos do futuro mais felizes
Estrugirão ao vozear sublime,
Que o povo eleva em fraternal abraço,
Que seus votos legítimos exprime.

Não há de irradiar em minha fronte
Essa aurora de glória?
Cantar não poderei os pátrios louros
Nos campos de vitória?

Morrer pudera, então, em terra livre,
Sob um poder que só do povo emana,
Santo desígnio que as nações meditam,
Elo final da liberdade humana!

Porém passam-se dias, volvem anos,
E sempre tronos, sempre soberanos!

Brasil, caro Brasil,
Letargo eterno abaterá teus brios?
Na arena americana, tu só, mudo,
Os braços cruzarás, beijando os ferros?
Deixarás que avassale, estrague tudo
Esse de cortesãos gado servil?
Deixarás, terra outrora grande e livre,
Ostentar seu domínio vergonhoso
Corte madrasta e vil?

Cortes! Cortes! Covis do velho Caco,
Que os latrocínios abarrotam de ouro,
Sólio em que imperas, oh sistema vácuo,
Labéu do mundo, do Brasil desdouro!

Destrui esse dédalo risível,
Da cobiça de alguns sórdido altar:
Em século de luzes, povo altivo
Dispensar pode um anjo tutelar.

1854


Poema integrante da série Primícias Poéticas, 1853/1854.

In: SCHMIDT, Affonso. A vida de Paulo Eiró: seguida de uma coletânea inédita de suas poesias. Org. pref. e anotada José A. Gonsalves. Il. Wasth Rodrigues. São Paulo: Ed. Nacional, 1940. p.151-270. (Biblioteca pedagógica brasileira. Série 5. Brasiliana, 182
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Paulo Eiró

Paulo Eiró

Verdades e Mentiras

IV

Meu Deus! Se eu visse, neste véu da pátria,
Gracioso ondear pendão vermelho,
Aos filhos dos Carvalhos e dos Cláudios
Refletir seu renome, como espelho;

Tambores da república tocando
Nas praças a rebate...
Oh sonho, o mais querido, o mais dourado
Dos meus sonhos de vate!

Os ecos do futuro mais felizes
Estrugirão ao vozear sublime,
Que o povo eleva em fraternal abraço,
Que seus votos legítimos exprime.

Não há de irradiar em minha fronte
Essa aurora de glória?
Cantar não poderei os pátrios louros
Nos campos de vitória?

Morrer pudera, então, em terra livre,
Sob um poder que só do povo emana,
Santo desígnio que as nações meditam,
Elo final da liberdade humana!

Porém passam-se dias, volvem anos,
E sempre tronos, sempre soberanos!

Brasil, caro Brasil,
Letargo eterno abaterá teus brios?
Na arena americana, tu só, mudo,
Os braços cruzarás, beijando os ferros?
Deixarás que avassale, estrague tudo
Esse de cortesãos gado servil?
Deixarás, terra outrora grande e livre,
Ostentar seu domínio vergonhoso
Corte madrasta e vil?

Cortes! Cortes! Covis do velho Caco,
Que os latrocínios abarrotam de ouro,
Sólio em que imperas, oh sistema vácuo,
Labéu do mundo, do Brasil desdouro!

Destrui esse dédalo risível,
Da cobiça de alguns sórdido altar:
Em século de luzes, povo altivo
Dispensar pode um anjo tutelar.

1854


Poema integrante da série Primícias Poéticas, 1853/1854.

In: SCHMIDT, Affonso. A vida de Paulo Eiró: seguida de uma coletânea inédita de suas poesias. Org. pref. e anotada José A. Gonsalves. Il. Wasth Rodrigues. São Paulo: Ed. Nacional, 1940. p.151-270. (Biblioteca pedagógica brasileira. Série 5. Brasiliana, 182
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Paulo Eiró

Paulo Eiró

Verdades e Mentiras

IV

Meu Deus! Se eu visse, neste véu da pátria,
Gracioso ondear pendão vermelho,
Aos filhos dos Carvalhos e dos Cláudios
Refletir seu renome, como espelho;

Tambores da república tocando
Nas praças a rebate...
Oh sonho, o mais querido, o mais dourado
Dos meus sonhos de vate!

Os ecos do futuro mais felizes
Estrugirão ao vozear sublime,
Que o povo eleva em fraternal abraço,
Que seus votos legítimos exprime.

Não há de irradiar em minha fronte
Essa aurora de glória?
Cantar não poderei os pátrios louros
Nos campos de vitória?

Morrer pudera, então, em terra livre,
Sob um poder que só do povo emana,
Santo desígnio que as nações meditam,
Elo final da liberdade humana!

Porém passam-se dias, volvem anos,
E sempre tronos, sempre soberanos!

Brasil, caro Brasil,
Letargo eterno abaterá teus brios?
Na arena americana, tu só, mudo,
Os braços cruzarás, beijando os ferros?
Deixarás que avassale, estrague tudo
Esse de cortesãos gado servil?
Deixarás, terra outrora grande e livre,
Ostentar seu domínio vergonhoso
Corte madrasta e vil?

Cortes! Cortes! Covis do velho Caco,
Que os latrocínios abarrotam de ouro,
Sólio em que imperas, oh sistema vácuo,
Labéu do mundo, do Brasil desdouro!

Destrui esse dédalo risível,
Da cobiça de alguns sórdido altar:
Em século de luzes, povo altivo
Dispensar pode um anjo tutelar.

1854


Poema integrante da série Primícias Poéticas, 1853/1854.

In: SCHMIDT, Affonso. A vida de Paulo Eiró: seguida de uma coletânea inédita de suas poesias. Org. pref. e anotada José A. Gonsalves. Il. Wasth Rodrigues. São Paulo: Ed. Nacional, 1940. p.151-270. (Biblioteca pedagógica brasileira. Série 5. Brasiliana, 182
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Paulo Eiró

Paulo Eiró

Verdades e Mentiras

IV

Meu Deus! Se eu visse, neste véu da pátria,
Gracioso ondear pendão vermelho,
Aos filhos dos Carvalhos e dos Cláudios
Refletir seu renome, como espelho;

Tambores da república tocando
Nas praças a rebate...
Oh sonho, o mais querido, o mais dourado
Dos meus sonhos de vate!

Os ecos do futuro mais felizes
Estrugirão ao vozear sublime,
Que o povo eleva em fraternal abraço,
Que seus votos legítimos exprime.

Não há de irradiar em minha fronte
Essa aurora de glória?
Cantar não poderei os pátrios louros
Nos campos de vitória?

Morrer pudera, então, em terra livre,
Sob um poder que só do povo emana,
Santo desígnio que as nações meditam,
Elo final da liberdade humana!

Porém passam-se dias, volvem anos,
E sempre tronos, sempre soberanos!

Brasil, caro Brasil,
Letargo eterno abaterá teus brios?
Na arena americana, tu só, mudo,
Os braços cruzarás, beijando os ferros?
Deixarás que avassale, estrague tudo
Esse de cortesãos gado servil?
Deixarás, terra outrora grande e livre,
Ostentar seu domínio vergonhoso
Corte madrasta e vil?

Cortes! Cortes! Covis do velho Caco,
Que os latrocínios abarrotam de ouro,
Sólio em que imperas, oh sistema vácuo,
Labéu do mundo, do Brasil desdouro!

Destrui esse dédalo risível,
Da cobiça de alguns sórdido altar:
Em século de luzes, povo altivo
Dispensar pode um anjo tutelar.

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Poema integrante da série Primícias Poéticas, 1853/1854.

In: SCHMIDT, Affonso. A vida de Paulo Eiró: seguida de uma coletânea inédita de suas poesias. Org. pref. e anotada José A. Gonsalves. Il. Wasth Rodrigues. São Paulo: Ed. Nacional, 1940. p.151-270. (Biblioteca pedagógica brasileira. Série 5. Brasiliana, 182
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Paulo Eiró

Paulo Eiró

Verdades e Mentiras

IV

Meu Deus! Se eu visse, neste véu da pátria,
Gracioso ondear pendão vermelho,
Aos filhos dos Carvalhos e dos Cláudios
Refletir seu renome, como espelho;

Tambores da república tocando
Nas praças a rebate...
Oh sonho, o mais querido, o mais dourado
Dos meus sonhos de vate!

Os ecos do futuro mais felizes
Estrugirão ao vozear sublime,
Que o povo eleva em fraternal abraço,
Que seus votos legítimos exprime.

Não há de irradiar em minha fronte
Essa aurora de glória?
Cantar não poderei os pátrios louros
Nos campos de vitória?

Morrer pudera, então, em terra livre,
Sob um poder que só do povo emana,
Santo desígnio que as nações meditam,
Elo final da liberdade humana!

Porém passam-se dias, volvem anos,
E sempre tronos, sempre soberanos!

Brasil, caro Brasil,
Letargo eterno abaterá teus brios?
Na arena americana, tu só, mudo,
Os braços cruzarás, beijando os ferros?
Deixarás que avassale, estrague tudo
Esse de cortesãos gado servil?
Deixarás, terra outrora grande e livre,
Ostentar seu domínio vergonhoso
Corte madrasta e vil?

Cortes! Cortes! Covis do velho Caco,
Que os latrocínios abarrotam de ouro,
Sólio em que imperas, oh sistema vácuo,
Labéu do mundo, do Brasil desdouro!

Destrui esse dédalo risível,
Da cobiça de alguns sórdido altar:
Em século de luzes, povo altivo
Dispensar pode um anjo tutelar.

1854


Poema integrante da série Primícias Poéticas, 1853/1854.

In: SCHMIDT, Affonso. A vida de Paulo Eiró: seguida de uma coletânea inédita de suas poesias. Org. pref. e anotada José A. Gonsalves. Il. Wasth Rodrigues. São Paulo: Ed. Nacional, 1940. p.151-270. (Biblioteca pedagógica brasileira. Série 5. Brasiliana, 182
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Paulo Eiró

Paulo Eiró

Verdades e Mentiras

IV

Meu Deus! Se eu visse, neste véu da pátria,
Gracioso ondear pendão vermelho,
Aos filhos dos Carvalhos e dos Cláudios
Refletir seu renome, como espelho;

Tambores da república tocando
Nas praças a rebate...
Oh sonho, o mais querido, o mais dourado
Dos meus sonhos de vate!

Os ecos do futuro mais felizes
Estrugirão ao vozear sublime,
Que o povo eleva em fraternal abraço,
Que seus votos legítimos exprime.

Não há de irradiar em minha fronte
Essa aurora de glória?
Cantar não poderei os pátrios louros
Nos campos de vitória?

Morrer pudera, então, em terra livre,
Sob um poder que só do povo emana,
Santo desígnio que as nações meditam,
Elo final da liberdade humana!

Porém passam-se dias, volvem anos,
E sempre tronos, sempre soberanos!

Brasil, caro Brasil,
Letargo eterno abaterá teus brios?
Na arena americana, tu só, mudo,
Os braços cruzarás, beijando os ferros?
Deixarás que avassale, estrague tudo
Esse de cortesãos gado servil?
Deixarás, terra outrora grande e livre,
Ostentar seu domínio vergonhoso
Corte madrasta e vil?

Cortes! Cortes! Covis do velho Caco,
Que os latrocínios abarrotam de ouro,
Sólio em que imperas, oh sistema vácuo,
Labéu do mundo, do Brasil desdouro!

Destrui esse dédalo risível,
Da cobiça de alguns sórdido altar:
Em século de luzes, povo altivo
Dispensar pode um anjo tutelar.

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Poema integrante da série Primícias Poéticas, 1853/1854.

In: SCHMIDT, Affonso. A vida de Paulo Eiró: seguida de uma coletânea inédita de suas poesias. Org. pref. e anotada José A. Gonsalves. Il. Wasth Rodrigues. São Paulo: Ed. Nacional, 1940. p.151-270. (Biblioteca pedagógica brasileira. Série 5. Brasiliana, 182
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