Poemas neste tema
Natureza e Elementos
Felipe Larson
I´M GOING DOWN
Eu quero ter, alguém pra mim
Ai vem você e pisa em mim
Eu não tô legal
O nosso prazer chegou ao fim
Difícil dizer, mas espero teu sim
Isso é tão normal
Mas quando tudo mudar
Você vai notar
Que eu to ficando mal
Quando a chuva chegar
E o tempo passar
I´m going down!
Por sua causa, no que me meti
Não tenho alma, pois a vendi
Eu não fiz por mal
Mas quando tudo mudar
Você vai notar
Eu to ficando mal
Mas quando tudo sumir
A estrela cair
Eu vou ficar legal
Ai vem você e pisa em mim
Eu não tô legal
O nosso prazer chegou ao fim
Difícil dizer, mas espero teu sim
Isso é tão normal
Mas quando tudo mudar
Você vai notar
Que eu to ficando mal
Quando a chuva chegar
E o tempo passar
I´m going down!
Por sua causa, no que me meti
Não tenho alma, pois a vendi
Eu não fiz por mal
Mas quando tudo mudar
Você vai notar
Eu to ficando mal
Mas quando tudo sumir
A estrela cair
Eu vou ficar legal
774
Felipe Larson
HASSYN
Passo a passo, perco o passo
Pra ver se passo, em algum lugar
Sopra o vento, bem mais lento
Sinto o vento, a me beijar
Uma estrela, qual estrela?
É tão serena, a me guiar
Cai a noite, tão pequena
Nem tão ingênua, a me conquistar
Isso me faz quer ter mais
Do que o mundo pode oferecer
Isso me faz querer ter mais, e mais, e mais
Um pensamento, a qualquer momento
Pode até dar medo, mas sem me entregar
E o que vejo, é teu desejo
E sua falta, me faz calar
Passa o tempo, não tem jeito
Todo esse tempo, me fez mudar
Amanhã quando o sol voltar a brilhar
Isso me faz quer ter mais
Do que o mundo pode oferecer
Isso me faz querer ter mais, e mais, e mais
E essa força estranha
Que me comanda
Isso me faz quer ter mais
Do que o mundo pode oferecer
Isso me faz querer ter mais, e mais, e mais
Pra ver se passo, em algum lugar
Sopra o vento, bem mais lento
Sinto o vento, a me beijar
Uma estrela, qual estrela?
É tão serena, a me guiar
Cai a noite, tão pequena
Nem tão ingênua, a me conquistar
Isso me faz quer ter mais
Do que o mundo pode oferecer
Isso me faz querer ter mais, e mais, e mais
Um pensamento, a qualquer momento
Pode até dar medo, mas sem me entregar
E o que vejo, é teu desejo
E sua falta, me faz calar
Passa o tempo, não tem jeito
Todo esse tempo, me fez mudar
Amanhã quando o sol voltar a brilhar
Isso me faz quer ter mais
Do que o mundo pode oferecer
Isso me faz querer ter mais, e mais, e mais
E essa força estranha
Que me comanda
Isso me faz quer ter mais
Do que o mundo pode oferecer
Isso me faz querer ter mais, e mais, e mais
632
Felipe Larson
HASSYN
Passo a passo, perco o passo
Pra ver se passo, em algum lugar
Sopra o vento, bem mais lento
Sinto o vento, a me beijar
Uma estrela, qual estrela?
É tão serena, a me guiar
Cai a noite, tão pequena
Nem tão ingênua, a me conquistar
Isso me faz quer ter mais
Do que o mundo pode oferecer
Isso me faz querer ter mais, e mais, e mais
Um pensamento, a qualquer momento
Pode até dar medo, mas sem me entregar
E o que vejo, é teu desejo
E sua falta, me faz calar
Passa o tempo, não tem jeito
Todo esse tempo, me fez mudar
Amanhã quando o sol voltar a brilhar
Isso me faz quer ter mais
Do que o mundo pode oferecer
Isso me faz querer ter mais, e mais, e mais
E essa força estranha
Que me comanda
Isso me faz quer ter mais
Do que o mundo pode oferecer
Isso me faz querer ter mais, e mais, e mais
Pra ver se passo, em algum lugar
Sopra o vento, bem mais lento
Sinto o vento, a me beijar
Uma estrela, qual estrela?
É tão serena, a me guiar
Cai a noite, tão pequena
Nem tão ingênua, a me conquistar
Isso me faz quer ter mais
Do que o mundo pode oferecer
Isso me faz querer ter mais, e mais, e mais
Um pensamento, a qualquer momento
Pode até dar medo, mas sem me entregar
E o que vejo, é teu desejo
E sua falta, me faz calar
Passa o tempo, não tem jeito
Todo esse tempo, me fez mudar
Amanhã quando o sol voltar a brilhar
Isso me faz quer ter mais
Do que o mundo pode oferecer
Isso me faz querer ter mais, e mais, e mais
E essa força estranha
Que me comanda
Isso me faz quer ter mais
Do que o mundo pode oferecer
Isso me faz querer ter mais, e mais, e mais
632
Felipe Larson
HASSYN
Passo a passo, perco o passo
Pra ver se passo, em algum lugar
Sopra o vento, bem mais lento
Sinto o vento, a me beijar
Uma estrela, qual estrela?
É tão serena, a me guiar
Cai a noite, tão pequena
Nem tão ingênua, a me conquistar
Isso me faz quer ter mais
Do que o mundo pode oferecer
Isso me faz querer ter mais, e mais, e mais
Um pensamento, a qualquer momento
Pode até dar medo, mas sem me entregar
E o que vejo, é teu desejo
E sua falta, me faz calar
Passa o tempo, não tem jeito
Todo esse tempo, me fez mudar
Amanhã quando o sol voltar a brilhar
Isso me faz quer ter mais
Do que o mundo pode oferecer
Isso me faz querer ter mais, e mais, e mais
E essa força estranha
Que me comanda
Isso me faz quer ter mais
Do que o mundo pode oferecer
Isso me faz querer ter mais, e mais, e mais
Pra ver se passo, em algum lugar
Sopra o vento, bem mais lento
Sinto o vento, a me beijar
Uma estrela, qual estrela?
É tão serena, a me guiar
Cai a noite, tão pequena
Nem tão ingênua, a me conquistar
Isso me faz quer ter mais
Do que o mundo pode oferecer
Isso me faz querer ter mais, e mais, e mais
Um pensamento, a qualquer momento
Pode até dar medo, mas sem me entregar
E o que vejo, é teu desejo
E sua falta, me faz calar
Passa o tempo, não tem jeito
Todo esse tempo, me fez mudar
Amanhã quando o sol voltar a brilhar
Isso me faz quer ter mais
Do que o mundo pode oferecer
Isso me faz querer ter mais, e mais, e mais
E essa força estranha
Que me comanda
Isso me faz quer ter mais
Do que o mundo pode oferecer
Isso me faz querer ter mais, e mais, e mais
632
Álvares de Azevedo
TARDE DE VERÃO
Lira dos Vinte Anos
Primeira Parte
Viens!...
Que l'arbre pénétré de parfums et de chants,
.....................................................................
Et l'o,bre et le soleil, et l'onde et la verdure,
Et le rayonnement de toute la nature
Fassent épanouir comme une double fleur
La beauté sur ton front, et l'amour dans ton coeur!
V. HUGO
Como cheirosa e doce a tarde expira!
De amor e luz inunda a praia bela...
E o sol já roxo e trêmulo desdobra
Um íris furta-cor na fronte dela.
Deixai que eu morra só! enquanto o fogo
Da última febre dentro em mim vacila,
Não venham ilusões chamar-me à vida,
De saudades banhar a hora tranqüila!
Meu Deus! que eu morra em paz! não me coroem
De flores infecundas a agonia!
Oh! não doire o sonhar do moribundo
Lisonjeiro pincel da fantasia!
Exaurido de dor e d'esperança
Posso aqui respirar mais livremente,
Sentir ao vento dilatar-se a vida,
Como a flor da lagoa transparente!
Se ela estivesse aqui! no vale agora
Cai doce a brisa morna desmaiando:
Nos murmúrios do mar fora tão doce
Da tarde no palor viver amando!
Uni-la ao peito meu - nos lábios dela
Respirar uma vez, cobrando alento;
A divina visão de seus amores
Acordar o meu peito inda um momento!
Fulgura a minha amante entre meus sonhos,
Como a estrela do mar nas águas brilha,
Bebe à noite o favônio em seus cabelos
Aroma mais suave que a baunilha.
Se ela estivesse aqui! jamais tão doce
O crepúsculo o céu embelecera...
E a tarde de verão fora mais bela,
Brilhando sobre a sua primavera!
Da lânguida pupila de seus olhos
Num olhar de desdém entorna amores,
Como à brisa vernal na relva mole
O pessegueiro em flor derrama flores.
Árvore florescente desta vida,
Que amor, beleza e mocidade encantam,
Derrama no meu seio as tuas flores
Onde as aves do céu à noite cantam!
Vem! a areia do mar cobri de flores,
Perfumei de jasmins teu doce leito;
Podes suave, ó noiva do poeta,
Suspirosa dormir sobre meu peito!
Não tardes, minha vida! no crepúsculo
Ave da noite me acompanha a lira...
É um canto de amor... Meu Deus! que sonhos!
Era ainda ilusão - era mentira!
Primeira Parte
Viens!...
Que l'arbre pénétré de parfums et de chants,
.....................................................................
Et l'o,bre et le soleil, et l'onde et la verdure,
Et le rayonnement de toute la nature
Fassent épanouir comme une double fleur
La beauté sur ton front, et l'amour dans ton coeur!
V. HUGO
Como cheirosa e doce a tarde expira!
De amor e luz inunda a praia bela...
E o sol já roxo e trêmulo desdobra
Um íris furta-cor na fronte dela.
Deixai que eu morra só! enquanto o fogo
Da última febre dentro em mim vacila,
Não venham ilusões chamar-me à vida,
De saudades banhar a hora tranqüila!
Meu Deus! que eu morra em paz! não me coroem
De flores infecundas a agonia!
Oh! não doire o sonhar do moribundo
Lisonjeiro pincel da fantasia!
Exaurido de dor e d'esperança
Posso aqui respirar mais livremente,
Sentir ao vento dilatar-se a vida,
Como a flor da lagoa transparente!
Se ela estivesse aqui! no vale agora
Cai doce a brisa morna desmaiando:
Nos murmúrios do mar fora tão doce
Da tarde no palor viver amando!
Uni-la ao peito meu - nos lábios dela
Respirar uma vez, cobrando alento;
A divina visão de seus amores
Acordar o meu peito inda um momento!
Fulgura a minha amante entre meus sonhos,
Como a estrela do mar nas águas brilha,
Bebe à noite o favônio em seus cabelos
Aroma mais suave que a baunilha.
Se ela estivesse aqui! jamais tão doce
O crepúsculo o céu embelecera...
E a tarde de verão fora mais bela,
Brilhando sobre a sua primavera!
Da lânguida pupila de seus olhos
Num olhar de desdém entorna amores,
Como à brisa vernal na relva mole
O pessegueiro em flor derrama flores.
Árvore florescente desta vida,
Que amor, beleza e mocidade encantam,
Derrama no meu seio as tuas flores
Onde as aves do céu à noite cantam!
Vem! a areia do mar cobri de flores,
Perfumei de jasmins teu doce leito;
Podes suave, ó noiva do poeta,
Suspirosa dormir sobre meu peito!
Não tardes, minha vida! no crepúsculo
Ave da noite me acompanha a lira...
É um canto de amor... Meu Deus! que sonhos!
Era ainda ilusão - era mentira!
1 723
Felipe Larson
UMA DA MANHÃ
Uma da manhã
Nada diferente
Mas de repente
O dia irá mudar
O sol irá brilhar
Na sua janela
E o pensamento nela
É o que irá sobrar
Mas nada sacia
A minha vontade
De poder criar
Uma nova verdade
Ganhando esquinas
Assim que descobre
Que em pouco rabisco
Escreve meu nome
Por pensar tanto em você
Eu imagino você em todo lugar
Perseguindo até em meus sonhos
E quem disse que será assim
O nosso final, o nosso final feliz
Nada diferente
Mas de repente
O dia irá mudar
O sol irá brilhar
Na sua janela
E o pensamento nela
É o que irá sobrar
Mas nada sacia
A minha vontade
De poder criar
Uma nova verdade
Ganhando esquinas
Assim que descobre
Que em pouco rabisco
Escreve meu nome
Por pensar tanto em você
Eu imagino você em todo lugar
Perseguindo até em meus sonhos
E quem disse que será assim
O nosso final, o nosso final feliz
607
Felipe Larson
UMA DA MANHÃ
Uma da manhã
Nada diferente
Mas de repente
O dia irá mudar
O sol irá brilhar
Na sua janela
E o pensamento nela
É o que irá sobrar
Mas nada sacia
A minha vontade
De poder criar
Uma nova verdade
Ganhando esquinas
Assim que descobre
Que em pouco rabisco
Escreve meu nome
Por pensar tanto em você
Eu imagino você em todo lugar
Perseguindo até em meus sonhos
E quem disse que será assim
O nosso final, o nosso final feliz
Nada diferente
Mas de repente
O dia irá mudar
O sol irá brilhar
Na sua janela
E o pensamento nela
É o que irá sobrar
Mas nada sacia
A minha vontade
De poder criar
Uma nova verdade
Ganhando esquinas
Assim que descobre
Que em pouco rabisco
Escreve meu nome
Por pensar tanto em você
Eu imagino você em todo lugar
Perseguindo até em meus sonhos
E quem disse que será assim
O nosso final, o nosso final feliz
607
Felipe Larson
SEM CONSEQÜÊNCIAS
Depois de tanto tempo, fui lembrar de você.
Que saudades do teu beijo, eu preciso te ver!
Eu te liguei esta noite, pra saber como você está?
Está tão diferente talvez já me esqueceu
Durante a chuva, me traz saudades.
E de cada pingo de chuva revelará um segredo
Nós aprendemos um com o outro o que é amar
E também descobrimos o que ninguém descobriu
Seja o que for
Vamos começar de novo
Seja o que for
Fomos feitos um pro outro
Houve um tempo que tudo era bom
E nada, mas nada nos machucava.
Mas ela veio assim, tão de repente.
E logo virou, e só deixou um adeus.
Seja o que for
Vamos começar de novo
Seja o que for
Fomos feitos um pro outro
Que saudades do teu beijo, eu preciso te ver!
Eu te liguei esta noite, pra saber como você está?
Está tão diferente talvez já me esqueceu
Durante a chuva, me traz saudades.
E de cada pingo de chuva revelará um segredo
Nós aprendemos um com o outro o que é amar
E também descobrimos o que ninguém descobriu
Seja o que for
Vamos começar de novo
Seja o que for
Fomos feitos um pro outro
Houve um tempo que tudo era bom
E nada, mas nada nos machucava.
Mas ela veio assim, tão de repente.
E logo virou, e só deixou um adeus.
Seja o que for
Vamos começar de novo
Seja o que for
Fomos feitos um pro outro
799
Álvares de Azevedo
SONHANDO
Hier, la nuit d'été, que nous prêtait ses voiles,
Était digne de toi, tant elle avait d'étoiles!
VICTOR HUGO
Na praia deserta que a lua branqueia,
Que mimo! que rosa! que filha de Deus!
Tão pálida... ao vê-la meu ser devaneia,
Sufoco nos lábios os hálitos meus!
Não corras na areia,
Não corras assim!
Donzela, onde vais?
Tem pena de mim!
A praia é tão longa! e a onda bravia
As roupas de gaza te molha de escuma...
De noite, aos serenos, a areia é tão fria...
Tão úmido o vento que os ares perfuma!
És tão doentia...
Não corras assim...
Donzela, onde vais?
Tem pena de mim!
A brisa teus negros cabelos soltou,
O orvalho da face te esfria o suor,
Teus seios palpitam - a brisa os roçou,
Beijou-os, suspira, desmaia de amor!
Teu pé tropeçou...
Não corras assim...
Donzela, onde vais?
Tem pena de mim!
E o pálido mimo da minha paixão
Num longo soluço tremeu e parou,
Sentou-se na praia, sozinha no chão,
A mão regelada no colo pousou!
Que tens, coração
Que tremes assim?
Cansaste, donzela?
Tem pena de mim!
Deitou-se na areia que a vaga molhou.
Imóvel e branca na praia dormia;
Mas nem os seus olhos o sono fechou
E nem o seu colo de neve tremia...
O seio gelou?...
Não durmas assim!
O pálida fria,
Tem pena de mim!
Dormia: - na fronte que níveo suar...
Que mão regelada no lânguido peito...
Não era mais alvo seu leito do mar,
Não era mais frio seu gélido leito!
Nem um ressonar...
Não durmas assim...
O pálida fria,
Tem pena de mim!
Aqui no meu peito vem antes sonhar
Nos longos suspiros do meu coração:
Eu quero em meus lábios teu seio aquentar,
Teu colo, essas faces, e a gélida mão...
Não durmas no mar!
Não durmas assim.
Estátua sem vida,
Tem pena de mim!
E a vaga crescia seu corpo banhando,
As cândidas formas movendo de leve!
E eu vi-a suave nas águas boiando
Com soltos cabelos nas roupas de neve!
Nas vagas sonhando
Não durmas assim...
Donzela, onde vais?
Tem pena de mim!
E a imagem da virgem nas águas do mar
Brilhava tão branca no límpido véu...
Nem mais transparente luzia o luar
No ambiente sem nuvens da noite do céu!
Nas águas do mar
Não durmas assim...
Não morras, donzela,
Espera por mim!
Lira dos Vinte Anos - Primeira Parte
Était digne de toi, tant elle avait d'étoiles!
VICTOR HUGO
Na praia deserta que a lua branqueia,
Que mimo! que rosa! que filha de Deus!
Tão pálida... ao vê-la meu ser devaneia,
Sufoco nos lábios os hálitos meus!
Não corras na areia,
Não corras assim!
Donzela, onde vais?
Tem pena de mim!
A praia é tão longa! e a onda bravia
As roupas de gaza te molha de escuma...
De noite, aos serenos, a areia é tão fria...
Tão úmido o vento que os ares perfuma!
És tão doentia...
Não corras assim...
Donzela, onde vais?
Tem pena de mim!
A brisa teus negros cabelos soltou,
O orvalho da face te esfria o suor,
Teus seios palpitam - a brisa os roçou,
Beijou-os, suspira, desmaia de amor!
Teu pé tropeçou...
Não corras assim...
Donzela, onde vais?
Tem pena de mim!
E o pálido mimo da minha paixão
Num longo soluço tremeu e parou,
Sentou-se na praia, sozinha no chão,
A mão regelada no colo pousou!
Que tens, coração
Que tremes assim?
Cansaste, donzela?
Tem pena de mim!
Deitou-se na areia que a vaga molhou.
Imóvel e branca na praia dormia;
Mas nem os seus olhos o sono fechou
E nem o seu colo de neve tremia...
O seio gelou?...
Não durmas assim!
O pálida fria,
Tem pena de mim!
Dormia: - na fronte que níveo suar...
Que mão regelada no lânguido peito...
Não era mais alvo seu leito do mar,
Não era mais frio seu gélido leito!
Nem um ressonar...
Não durmas assim...
O pálida fria,
Tem pena de mim!
Aqui no meu peito vem antes sonhar
Nos longos suspiros do meu coração:
Eu quero em meus lábios teu seio aquentar,
Teu colo, essas faces, e a gélida mão...
Não durmas no mar!
Não durmas assim.
Estátua sem vida,
Tem pena de mim!
E a vaga crescia seu corpo banhando,
As cândidas formas movendo de leve!
E eu vi-a suave nas águas boiando
Com soltos cabelos nas roupas de neve!
Nas vagas sonhando
Não durmas assim...
Donzela, onde vais?
Tem pena de mim!
E a imagem da virgem nas águas do mar
Brilhava tão branca no límpido véu...
Nem mais transparente luzia o luar
No ambiente sem nuvens da noite do céu!
Nas águas do mar
Não durmas assim...
Não morras, donzela,
Espera por mim!
Lira dos Vinte Anos - Primeira Parte
2 309
Antero de Quental
Oceano Nox
Junto do mar, que erguia gravemente
A trágica voz rouca, enquanto o vento
Passava como o voo dum pensamento
Que busca e hesita, inquieto e intermitente,
Junto do mar sentei-me tristemente,
Olhando o céu pesado e nevoento,
E interroguei, cismando, esse lamento
Que saía das coisas vagamente…
Que inquieto desejo vos tortura,
Seres elementares, força obscura?
Em volta de que ideia gravitais?
Mas na imensa extensão onde se esconde
O inconsciente imortal só me responde
Um bramido, um queixume e nada mais.
A trágica voz rouca, enquanto o vento
Passava como o voo dum pensamento
Que busca e hesita, inquieto e intermitente,
Junto do mar sentei-me tristemente,
Olhando o céu pesado e nevoento,
E interroguei, cismando, esse lamento
Que saía das coisas vagamente…
Que inquieto desejo vos tortura,
Seres elementares, força obscura?
Em volta de que ideia gravitais?
Mas na imensa extensão onde se esconde
O inconsciente imortal só me responde
Um bramido, um queixume e nada mais.
2 213
Felipe Larson
CORAÇÃO PIRADO
Tenho um coração pirado
Que vive sem razão
Mas sempre foi guiado
Pela força da emoção
Espero estar certo
E pronto para amar
Pra tudo que vier
Pra tudo que passar
Então sonhar com você
Pensar em você
Todos os dias
Então sonhar com você
Pensar em você na esperança de te ter
24 horas do dia
Descrevo meu destino
Seguindo o seu caminho
E aprendendo a amar
Com o brilho no olhar
Sentado do seu lado
De frente para o mar
Depois que fui beijado
Parecia flutuar
Que vive sem razão
Mas sempre foi guiado
Pela força da emoção
Espero estar certo
E pronto para amar
Pra tudo que vier
Pra tudo que passar
Então sonhar com você
Pensar em você
Todos os dias
Então sonhar com você
Pensar em você na esperança de te ter
24 horas do dia
Descrevo meu destino
Seguindo o seu caminho
E aprendendo a amar
Com o brilho no olhar
Sentado do seu lado
De frente para o mar
Depois que fui beijado
Parecia flutuar
911
Felipe Larson
EXPERIÊNCIA PRIMÁRIA
Olhares buscam o que fazer
Cruzam e entram no que quiserem ter
Mostram-se em desejos internos
Propondo amor, ódio e outras intenções.
Um sexto sentido, uma certa magia.
E tudo está tão confuso
Que eu não sei qual é a direção
E nem o sentido de tudo
Mas claro que tudo se resolve
Com muita calma e paciência
E três simbolos dizem tudo
Água, Fogo e ar.
Sei que o infinito existe
Mas em que universo eu encontro?
Mas está tudo fora do meu alcance
Tão distante que eu não sei que forma tem
Estranho pensar nessas coisas agora
Mas nada deve ser previsível
Senão não teria graça nenhuma
Se tivermos as respostas tão fáceis
Eu sou a inocência
A experiência primária
Cruzam e entram no que quiserem ter
Mostram-se em desejos internos
Propondo amor, ódio e outras intenções.
Um sexto sentido, uma certa magia.
E tudo está tão confuso
Que eu não sei qual é a direção
E nem o sentido de tudo
Mas claro que tudo se resolve
Com muita calma e paciência
E três simbolos dizem tudo
Água, Fogo e ar.
Sei que o infinito existe
Mas em que universo eu encontro?
Mas está tudo fora do meu alcance
Tão distante que eu não sei que forma tem
Estranho pensar nessas coisas agora
Mas nada deve ser previsível
Senão não teria graça nenhuma
Se tivermos as respostas tão fáceis
Eu sou a inocência
A experiência primária
630
Augusto dos Anjos
Caput Immortale
Na dinâmica aziaga das descidas,
Aglomeradamente e em turbilhão
Solucem dentro do Universo ancião,
Todas as urbes siderais vencidas!
Morra o éter. Cesse a luz. Parem as vidas,
Sobre a pancosmológica exaustão
Reste apenas o acervo árido e vão
Das muscularidades consumidas!
Ainda assim, a animar o cosmos ermo,
Morto o comércio físico nefando,
Oh! Nauta aflito do Subliminal,
Como a última expressão da Dor sem termo,
Tua cabeça há de ficar vibrando
Na negatividade universal!
Aglomeradamente e em turbilhão
Solucem dentro do Universo ancião,
Todas as urbes siderais vencidas!
Morra o éter. Cesse a luz. Parem as vidas,
Sobre a pancosmológica exaustão
Reste apenas o acervo árido e vão
Das muscularidades consumidas!
Ainda assim, a animar o cosmos ermo,
Morto o comércio físico nefando,
Oh! Nauta aflito do Subliminal,
Como a última expressão da Dor sem termo,
Tua cabeça há de ficar vibrando
Na negatividade universal!
1 767
Charles Baudelaire
PERFUME EXÓTICO
Quando, cerrando os olhos, numa noite ardente,
Respiro a fundo o odor dos teus seios fogosos,
Vejo abrirem-se ao longe litorais radiosos
Tingidos por um sol monótono e dolente.
Uma ilha preguiçosa que nos traz à mente
Estranhas árvores e frutos saborosos;
Homens de corpos nus, esguios, vigorosos,
Mulheres cujo olhar faísca à nossa frente.
Guiado por teu perfume a tais paisagens belas,
Vejo um porto a ondular de mastror e de velas
Talvez exaustos de afrontar os vagalhões,
Enquanto o verde aroma dos tamarineiros,
Que à beira-mar circula e inunda-me os pulmões,
Confunde-se em minha alma à voz dos marinheiros.
Respiro a fundo o odor dos teus seios fogosos,
Vejo abrirem-se ao longe litorais radiosos
Tingidos por um sol monótono e dolente.
Uma ilha preguiçosa que nos traz à mente
Estranhas árvores e frutos saborosos;
Homens de corpos nus, esguios, vigorosos,
Mulheres cujo olhar faísca à nossa frente.
Guiado por teu perfume a tais paisagens belas,
Vejo um porto a ondular de mastror e de velas
Talvez exaustos de afrontar os vagalhões,
Enquanto o verde aroma dos tamarineiros,
Que à beira-mar circula e inunda-me os pulmões,
Confunde-se em minha alma à voz dos marinheiros.
5 263
Carlos Seabra
Haicais
areia quente
pés descalços
corrida para o mar
espuma do mar
adensa o vôo das
gaivotas no ar
rochedo no mar
barco afundado
olhos a chorar
estrela do mar
abraça a areia
para a beijar
as ondas beijam
os lábios da praia -
bocas do mar
musa sereia -
marinheiro bêbado
ouve baleia
pés descalços
corrida para o mar
espuma do mar
adensa o vôo das
gaivotas no ar
rochedo no mar
barco afundado
olhos a chorar
estrela do mar
abraça a areia
para a beijar
as ondas beijam
os lábios da praia -
bocas do mar
musa sereia -
marinheiro bêbado
ouve baleia
1 526
Carlos Seabra
Haicais
areia quente
pés descalços
corrida para o mar
espuma do mar
adensa o vôo das
gaivotas no ar
rochedo no mar
barco afundado
olhos a chorar
estrela do mar
abraça a areia
para a beijar
as ondas beijam
os lábios da praia -
bocas do mar
musa sereia -
marinheiro bêbado
ouve baleia
pés descalços
corrida para o mar
espuma do mar
adensa o vôo das
gaivotas no ar
rochedo no mar
barco afundado
olhos a chorar
estrela do mar
abraça a areia
para a beijar
as ondas beijam
os lábios da praia -
bocas do mar
musa sereia -
marinheiro bêbado
ouve baleia
1 526
Eduardo Alves da Costa
Quero que o saibas
Quero que o saibas, linda Inês:
meu coração é português.
E dentro do peito fareja latidos
da alma que há muito me fugiu.
Ando sem alma, já se vê,
à procura de não sei quê.
Talvez um cheiro, uma cor, um som
- memória do tempo em que eu,
cidadão de Viseu,
vivia na bolsa seminal de meu pai.
O que foi ele buscar no mundo?
O azul profundo que há nos mares
quando se os tem interiores;
novos amores, terras mais vastas.
Não são assim os descobridores?
Pois meu coração é assim:
navegante à deriva, naufrago em mim!
meu coração é português.
E dentro do peito fareja latidos
da alma que há muito me fugiu.
Ando sem alma, já se vê,
à procura de não sei quê.
Talvez um cheiro, uma cor, um som
- memória do tempo em que eu,
cidadão de Viseu,
vivia na bolsa seminal de meu pai.
O que foi ele buscar no mundo?
O azul profundo que há nos mares
quando se os tem interiores;
novos amores, terras mais vastas.
Não são assim os descobridores?
Pois meu coração é assim:
navegante à deriva, naufrago em mim!
1 463
Luís Vianna
DIA LINDO
Hoje estou feliz,
Por isto escrevo às flores.
Às flores que ofereço
Aos meus amores.
05/12/1995
Por isto escrevo às flores.
Às flores que ofereço
Aos meus amores.
05/12/1995
1 023
Felipe Vianna
MAR
Mar, ó mar.
És mais que a terra
És mais que o ar,
És mar.
És tudo da vida,
Da vida já ida
Que não volta mais.
Ó mar!
Pudera dera
Um mar de esfera,
Uma esfera,
Amar!
Ame o mar.
Pois quem o ama,
A deus também, é amar.
Ó Mar!
26/01/01
És mais que a terra
És mais que o ar,
És mar.
És tudo da vida,
Da vida já ida
Que não volta mais.
Ó mar!
Pudera dera
Um mar de esfera,
Uma esfera,
Amar!
Ame o mar.
Pois quem o ama,
A deus também, é amar.
Ó Mar!
26/01/01
878
Felipe Vianna
VIDA
Dança dourado luar
No reflexo espelhado do mar.
Este amor platônico
As ondas vêm à praia chorar.
Choras porque tens consciência
Que o que tens é só referência
Já que a verdadeira lua não podes abraçar
Deves contentar-te apenas com a luz do luar.
Mas o que é a vida
Se não apenas um espelho
De uma coisa já ida
Que nunca veio.
24/06/2001
No reflexo espelhado do mar.
Este amor platônico
As ondas vêm à praia chorar.
Choras porque tens consciência
Que o que tens é só referência
Já que a verdadeira lua não podes abraçar
Deves contentar-te apenas com a luz do luar.
Mas o que é a vida
Se não apenas um espelho
De uma coisa já ida
Que nunca veio.
24/06/2001
913
Felipe Vianna
VIDA
Dança dourado luar
No reflexo espelhado do mar.
Este amor platônico
As ondas vêm à praia chorar.
Choras porque tens consciência
Que o que tens é só referência
Já que a verdadeira lua não podes abraçar
Deves contentar-te apenas com a luz do luar.
Mas o que é a vida
Se não apenas um espelho
De uma coisa já ida
Que nunca veio.
24/06/2001
No reflexo espelhado do mar.
Este amor platônico
As ondas vêm à praia chorar.
Choras porque tens consciência
Que o que tens é só referência
Já que a verdadeira lua não podes abraçar
Deves contentar-te apenas com a luz do luar.
Mas o que é a vida
Se não apenas um espelho
De uma coisa já ida
Que nunca veio.
24/06/2001
913
Felipe Vianna
ÉS PERFEITA
Belo botão de rosa
Rubro aveludado
Que as gotas de orvalho
Reluzem esta beleza.
Quem te conhece, moça,
Encanta-se p´ra sempre.
Do orvalho, as gotas,
Não sabe realmente
Enxergar a beleza
Contida em tua mente.
Realmente, és bela,
Por dentro e por fora.
Nas pétalas vermelhas
Escondes a beleza.
Tão lindo interior
Que o rubi inveja.
Alma cheia d´amor,
Suspiros d´amor nela.
10/10/2000
Rubro aveludado
Que as gotas de orvalho
Reluzem esta beleza.
Quem te conhece, moça,
Encanta-se p´ra sempre.
Do orvalho, as gotas,
Não sabe realmente
Enxergar a beleza
Contida em tua mente.
Realmente, és bela,
Por dentro e por fora.
Nas pétalas vermelhas
Escondes a beleza.
Tão lindo interior
Que o rubi inveja.
Alma cheia d´amor,
Suspiros d´amor nela.
10/10/2000
1 033
Felipe Larson
A CHUVA DE 1751
A tempestade que cai lá fora
Não dá para agüentar
Está na hora de parar de chover
Estou com as pernas doendo
De tanto correr da chuva
Da chuva lá de fora
A chuva que caiu
Não vai poder cair mais
E não vai poder cair
Pois já choveu demais
E agora o que eu faço
Será que me joga na poça d'água
Pra me molhar
Pra me molhar de uma vez
E eu não, não quero mais
Chorar pelos cantos outra vez
Não dá para agüentar
Está na hora de parar de chover
Estou com as pernas doendo
De tanto correr da chuva
Da chuva lá de fora
A chuva que caiu
Não vai poder cair mais
E não vai poder cair
Pois já choveu demais
E agora o que eu faço
Será que me joga na poça d'água
Pra me molhar
Pra me molhar de uma vez
E eu não, não quero mais
Chorar pelos cantos outra vez
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