Poemas neste tema
Natureza e Elementos
Silvestre Péricles de Góis Monteiro
A que não veio
Setembro. Nesta noite perfumada
espero-te. E não sei se vens, ao certo.
Pode ser que te percas pela estrada,
temerosa da chama que te oferto.
Neste leito - sozinho, inquieto. E cada
rumor que ouço, me torna mais desperto.
Iluzão...Não chegaste, minha amada,
nem me troxeste o níveo seio aberto.
Já se adelgaça a névoa dos caminhos.
Ante a luz matinal, que se anuncia,
há bulícios e músicas nos ninhos.
E eu, taciturno, mas, em ti pensando,
fecho os olhos cansados para o dia
como quem fica ainda te esperando.
espero-te. E não sei se vens, ao certo.
Pode ser que te percas pela estrada,
temerosa da chama que te oferto.
Neste leito - sozinho, inquieto. E cada
rumor que ouço, me torna mais desperto.
Iluzão...Não chegaste, minha amada,
nem me troxeste o níveo seio aberto.
Já se adelgaça a névoa dos caminhos.
Ante a luz matinal, que se anuncia,
há bulícios e músicas nos ninhos.
E eu, taciturno, mas, em ti pensando,
fecho os olhos cansados para o dia
como quem fica ainda te esperando.
883
Silvestre Péricles de Góis Monteiro
A que não veio
Setembro. Nesta noite perfumada
espero-te. E não sei se vens, ao certo.
Pode ser que te percas pela estrada,
temerosa da chama que te oferto.
Neste leito - sozinho, inquieto. E cada
rumor que ouço, me torna mais desperto.
Iluzão...Não chegaste, minha amada,
nem me troxeste o níveo seio aberto.
Já se adelgaça a névoa dos caminhos.
Ante a luz matinal, que se anuncia,
há bulícios e músicas nos ninhos.
E eu, taciturno, mas, em ti pensando,
fecho os olhos cansados para o dia
como quem fica ainda te esperando.
espero-te. E não sei se vens, ao certo.
Pode ser que te percas pela estrada,
temerosa da chama que te oferto.
Neste leito - sozinho, inquieto. E cada
rumor que ouço, me torna mais desperto.
Iluzão...Não chegaste, minha amada,
nem me troxeste o níveo seio aberto.
Já se adelgaça a névoa dos caminhos.
Ante a luz matinal, que se anuncia,
há bulícios e músicas nos ninhos.
E eu, taciturno, mas, em ti pensando,
fecho os olhos cansados para o dia
como quem fica ainda te esperando.
883
Marcelo Tápia
céu de mil e uma noites
Se eu
não fosse poeta
seria astrônomo
por certo.
Maiakóvski (trad. Augusto de Campos)
olho o céu e vejo um céu antigo
como aquele que eu tenho comigo
desde que o mundo era o meu umbigo
um céu de tecido azul escuro
com os pontos de luz em furo e uma
meia meia lua de futuro
nesga, um rasgo fino reluzente
numa renda quase transparente
com o vulto do clarão ausente
crescente sobre o pano profundo
que conquista um negrume de fundo
quanto mais e mais cai com o mundo
e se consome o vermelho púrpura
(desvanece a cor à ausência pura)
quanto mais e mais o brilho fura
não fosse poeta
seria astrônomo
por certo.
Maiakóvski (trad. Augusto de Campos)
olho o céu e vejo um céu antigo
como aquele que eu tenho comigo
desde que o mundo era o meu umbigo
um céu de tecido azul escuro
com os pontos de luz em furo e uma
meia meia lua de futuro
nesga, um rasgo fino reluzente
numa renda quase transparente
com o vulto do clarão ausente
crescente sobre o pano profundo
que conquista um negrume de fundo
quanto mais e mais cai com o mundo
e se consome o vermelho púrpura
(desvanece a cor à ausência pura)
quanto mais e mais o brilho fura
904
Marcelo Tápia
céu de mil e uma noites
Se eu
não fosse poeta
seria astrônomo
por certo.
Maiakóvski (trad. Augusto de Campos)
olho o céu e vejo um céu antigo
como aquele que eu tenho comigo
desde que o mundo era o meu umbigo
um céu de tecido azul escuro
com os pontos de luz em furo e uma
meia meia lua de futuro
nesga, um rasgo fino reluzente
numa renda quase transparente
com o vulto do clarão ausente
crescente sobre o pano profundo
que conquista um negrume de fundo
quanto mais e mais cai com o mundo
e se consome o vermelho púrpura
(desvanece a cor à ausência pura)
quanto mais e mais o brilho fura
não fosse poeta
seria astrônomo
por certo.
Maiakóvski (trad. Augusto de Campos)
olho o céu e vejo um céu antigo
como aquele que eu tenho comigo
desde que o mundo era o meu umbigo
um céu de tecido azul escuro
com os pontos de luz em furo e uma
meia meia lua de futuro
nesga, um rasgo fino reluzente
numa renda quase transparente
com o vulto do clarão ausente
crescente sobre o pano profundo
que conquista um negrume de fundo
quanto mais e mais cai com o mundo
e se consome o vermelho púrpura
(desvanece a cor à ausência pura)
quanto mais e mais o brilho fura
904
Sérgio Milliet
Tomasina
O cavalo cambaio dirige a caravana
Embaixo na estação o trem cospe um desafio
Calor calado e abafado
Cinza recente
A rua principal do delegado
Um cabo e um soldado para que o cabo possa ser cabo.
Estafetas viajantes andarilhos e cometas
no capilé da venda democrática
A farmácia dos corifeus coronelandos
A matriz morfética e o padre calabrês
e atrás da vila o catatraz da rápida caudal
Cartomancia dos jornais atrasadotes
O correio onde o guri brinca com as cartas registadas
O gado paciente na estrada de carmim
O cafezal tuberculose do Jangote
Os toros das queimadas
Os olhos das amadas
O ciciar da já saudade da cidade.
Embaixo na estação o trem cospe um desafio
Calor calado e abafado
Cinza recente
A rua principal do delegado
Um cabo e um soldado para que o cabo possa ser cabo.
Estafetas viajantes andarilhos e cometas
no capilé da venda democrática
A farmácia dos corifeus coronelandos
A matriz morfética e o padre calabrês
e atrás da vila o catatraz da rápida caudal
Cartomancia dos jornais atrasadotes
O correio onde o guri brinca com as cartas registadas
O gado paciente na estrada de carmim
O cafezal tuberculose do Jangote
Os toros das queimadas
Os olhos das amadas
O ciciar da já saudade da cidade.
1 536
Salette Tavares
Enigma Lua
Esqueceste
o touroe o grito
a parede brancae fria
a cabeça decepadaenfunada
vento sangueferido.
Esqueceste
a lâmpada no tetoamarelo
rio de sombracorrido
cavalo eriçadona tábua
no quarto.
Esqueceste
a cova ondeSangue e olhos
enterraste
Esqueceste e alienado nos salões
ficastecheirando orquídeasinodoras
sapatinhos de papaocos
réplicas estéticasà metralha
dos aviões.
Cansado? Inútil? Delinqüente? Vazio?
Quem te poderá julgar?
Eu só sei rasgar enigma
contra razões da terra
olhos que espanto me crava
na lua da tarde que erra.
Presença de transparência
na força que assim me arde
na lua de noite branca
me banho fantasma árvore.
Sombra na sombra lua
enigma junto à janela.
Esqueceste
mas não comigo
esqueceste a lâmpada amarelado abrigo
e as quatro paredesfrias.
Esqueceste
mas não comigo,
o touroe o grito
a parede brancae fria
a cabeça decepadaenfunada
vento sangueferido.
Esqueceste
a lâmpada no tetoamarelo
rio de sombracorrido
cavalo eriçadona tábua
no quarto.
Esqueceste
a cova ondeSangue e olhos
enterraste
Esqueceste e alienado nos salões
ficastecheirando orquídeasinodoras
sapatinhos de papaocos
réplicas estéticasà metralha
dos aviões.
Cansado? Inútil? Delinqüente? Vazio?
Quem te poderá julgar?
Eu só sei rasgar enigma
contra razões da terra
olhos que espanto me crava
na lua da tarde que erra.
Presença de transparência
na força que assim me arde
na lua de noite branca
me banho fantasma árvore.
Sombra na sombra lua
enigma junto à janela.
Esqueceste
mas não comigo
esqueceste a lâmpada amarelado abrigo
e as quatro paredesfrias.
Esqueceste
mas não comigo,
1 573
Simão Pereira de Sá
Soneto
Do Hibla as belas flores celebradas,
neste Rio, Senhor, as transplantasses,
e quando no Carmelo as dedicastes,
respiraram fragrâncias de abrasadas:
por vossas mãos a Deus já consagradas,
no Jardim da Clausura as encerrasses,
onde o Nome de Herói perpetuasses,
dando flores ao Céu iluminadas.
Já que o Astro brilhante, influxo ardente,
foi origem de ações tão peregrinas,
as mesmas flores orne a Augusta frente,
porque, mais que as de Ariadna, serão dignas
de frente, que merece justamente
de Ouro palmas, coroas Diamantinas.
neste Rio, Senhor, as transplantasses,
e quando no Carmelo as dedicastes,
respiraram fragrâncias de abrasadas:
por vossas mãos a Deus já consagradas,
no Jardim da Clausura as encerrasses,
onde o Nome de Herói perpetuasses,
dando flores ao Céu iluminadas.
Já que o Astro brilhante, influxo ardente,
foi origem de ações tão peregrinas,
as mesmas flores orne a Augusta frente,
porque, mais que as de Ariadna, serão dignas
de frente, que merece justamente
de Ouro palmas, coroas Diamantinas.
393
Salette Tavares
Amor Silêncio
Amor silêncio amargo a roçar-me a morte
grito partido do vidro sobre o peito
ilha deserta no meio das capitais do norte
grilhetas ajustadas no rio em que me deito.
Distância cumulada remanso duma espera
ponte de aventura do dois à unidade
amor brilho raiando a chave do desejo
minuto adormecido ao pé da eternidade.
Amor tempo suspenso, ó lânguido receio,
no pranto do meu canto és a presença forte
estame estremecido dissimulado anseio
amor milagre gesto incandescente porte.
Amor olhos perdidos a riscar desenhos
em largo movimento o espaço circular
amor segundo breve, lanceta, tempo eterno
no rápido castigo da lua a gotejar.
grito partido do vidro sobre o peito
ilha deserta no meio das capitais do norte
grilhetas ajustadas no rio em que me deito.
Distância cumulada remanso duma espera
ponte de aventura do dois à unidade
amor brilho raiando a chave do desejo
minuto adormecido ao pé da eternidade.
Amor tempo suspenso, ó lânguido receio,
no pranto do meu canto és a presença forte
estame estremecido dissimulado anseio
amor milagre gesto incandescente porte.
Amor olhos perdidos a riscar desenhos
em largo movimento o espaço circular
amor segundo breve, lanceta, tempo eterno
no rápido castigo da lua a gotejar.
1 621
Sérgio de Mesquita Serra
Haicai
A lua aparece.
Semeia de brilho a teia
que a aranha tece.
A gota de orvalho,
airosa, conquista a rosa
sem muito trabalho.
Semeia de brilho a teia
que a aranha tece.
A gota de orvalho,
airosa, conquista a rosa
sem muito trabalho.
1 595
Sérgio de Mesquita Serra
Haicai
A lua aparece.
Semeia de brilho a teia
que a aranha tece.
A gota de orvalho,
airosa, conquista a rosa
sem muito trabalho.
Semeia de brilho a teia
que a aranha tece.
A gota de orvalho,
airosa, conquista a rosa
sem muito trabalho.
1 595
Sérgio de Mesquita Serra
Haicai
A lua aparece.
Semeia de brilho a teia
que a aranha tece.
A gota de orvalho,
airosa, conquista a rosa
sem muito trabalho.
Semeia de brilho a teia
que a aranha tece.
A gota de orvalho,
airosa, conquista a rosa
sem muito trabalho.
1 595
Silvestre Péricles de Góis Monteiro
Dos rios
Os rios nascem. É um filete, antes, revel,
ou provenha de fonte, ou mesmo de geleira:
mas, alongando o curso, emerge undoso mel
que, agora, largo, investe...e o trajeto aligeira...
Eles vivem. Por isso, a existêencia a tropel
de emoções se reduz, através da carreira:
vezes, são areias que os tragam - lei cruel:
vezes, um lago os prende a afeição derradeira.
Mas, se alcançam delir, com todo o zêlo insano,
os riscos do percurso, ei-los fortes, bravios,
premendo, delirando os seios nus do oceano !
- Homem, ama ! a paixão te exalte sem cessar !
Pois é só por amor que as águas destes rios
vão correndo...correndo...em busca do mar !
ou provenha de fonte, ou mesmo de geleira:
mas, alongando o curso, emerge undoso mel
que, agora, largo, investe...e o trajeto aligeira...
Eles vivem. Por isso, a existêencia a tropel
de emoções se reduz, através da carreira:
vezes, são areias que os tragam - lei cruel:
vezes, um lago os prende a afeição derradeira.
Mas, se alcançam delir, com todo o zêlo insano,
os riscos do percurso, ei-los fortes, bravios,
premendo, delirando os seios nus do oceano !
- Homem, ama ! a paixão te exalte sem cessar !
Pois é só por amor que as águas destes rios
vão correndo...correndo...em busca do mar !
949
Marcelo Tápia
meia-treva
a meia-lua do céu se punha
como a meia-íris sua:
metade luz, metade treva
(metade bela, metade fera)
reflexo contíguo ao profundo
brilho anteposto ao túnel
universo em partes
nosso mundo partido
figura e fundo, dois sentidos
meio ao vazio
como a meia-íris sua:
metade luz, metade treva
(metade bela, metade fera)
reflexo contíguo ao profundo
brilho anteposto ao túnel
universo em partes
nosso mundo partido
figura e fundo, dois sentidos
meio ao vazio
1 031
Sílvia Mera
Haicai
Luz prateada de noite cheia
Luz clareando
Reflexo de gaivotas
Dança de mulher molhada
Ao vento o galho
Orvalho nas pétalas
Luz clareando
Reflexo de gaivotas
Dança de mulher molhada
Ao vento o galho
Orvalho nas pétalas
938
Sérgio Milliet
Paris
Crepúsculos longos impressionistas
A luz não cai
escorrega
sobre os patins das nuvens
O Sena foge
levando o gosto da posse.
A luz não cai
escorrega
sobre os patins das nuvens
O Sena foge
levando o gosto da posse.
1 531
Sérgio Milliet
Paris
Crepúsculos longos impressionistas
A luz não cai
escorrega
sobre os patins das nuvens
O Sena foge
levando o gosto da posse.
A luz não cai
escorrega
sobre os patins das nuvens
O Sena foge
levando o gosto da posse.
1 531
Saulo Mendonça
Haicai
Sob o sol poente
engolindo as suas sombras:
camponeses retornam.
Cai a tarde em Tambaú.
Restos de nuvens
são bailados de andorinhas.
engolindo as suas sombras:
camponeses retornam.
Cai a tarde em Tambaú.
Restos de nuvens
são bailados de andorinhas.
2 094
Saulo Mendonça
Haicai
Sob o sol poente
engolindo as suas sombras:
camponeses retornam.
Cai a tarde em Tambaú.
Restos de nuvens
são bailados de andorinhas.
engolindo as suas sombras:
camponeses retornam.
Cai a tarde em Tambaú.
Restos de nuvens
são bailados de andorinhas.
2 094
Rodrigo Carvalho
Paisagem
à Cristina Pinchemel
Imagino que o dia está absolutamente perfeito.
Pelo vidro suave da janela,
o céu azul,
resplandescente,
ofusca qualquer pensamento vil.
Nas ruas,
as pessoas andam sorridentes e gentis,
com ensaios de "bom-dia",
"boa-tarde" e
"boa-noite".
Lá fora os ventos correm,
— brincando! —
como crianças num dia de sol,
embaraçando cabelos,
afagando folhas solitárias com suas doces carícias invisíveis...
O mar, verde como uma floresta virgem,
lança suas ondas de finas espumas sedosas,
e a areia ,
— ah! a areia!... —
com seus flocos dourados,
assiste a tudo,
inebriando-se...
E sinto!
Sinto a felicidade em mim,
tomando conta de toda a minha alma,
como se injetada por agulha fina, anestésica...
E o ar brinca em meu coração,
borbulhando todo o meu sangue,
numa taça profunda, de cristal...
O dia,
aos poucos,
vai desaparecendo por trás dos montes,
— verdes como o mar! —
dando luz e vida
a uma nova criança que está por nascer...
E a lua surge,
completa,
afiada,
seduzindo estrelas e puros corações.
Os vizinhos em suas varandas,
prestigiam um novo espetáculo.
E vão dormir felizes,
preenchidos por um calor que emana de cada um,
e com um misto de satisfação e ansiedade,
certos de um novo espetáculo,
que irá surgir pela manhã...
A vida não tem sentido,
se você não compõe sua própria paisagem...
Imagino que o dia está absolutamente perfeito.
Pelo vidro suave da janela,
o céu azul,
resplandescente,
ofusca qualquer pensamento vil.
Nas ruas,
as pessoas andam sorridentes e gentis,
com ensaios de "bom-dia",
"boa-tarde" e
"boa-noite".
Lá fora os ventos correm,
— brincando! —
como crianças num dia de sol,
embaraçando cabelos,
afagando folhas solitárias com suas doces carícias invisíveis...
O mar, verde como uma floresta virgem,
lança suas ondas de finas espumas sedosas,
e a areia ,
— ah! a areia!... —
com seus flocos dourados,
assiste a tudo,
inebriando-se...
E sinto!
Sinto a felicidade em mim,
tomando conta de toda a minha alma,
como se injetada por agulha fina, anestésica...
E o ar brinca em meu coração,
borbulhando todo o meu sangue,
numa taça profunda, de cristal...
O dia,
aos poucos,
vai desaparecendo por trás dos montes,
— verdes como o mar! —
dando luz e vida
a uma nova criança que está por nascer...
E a lua surge,
completa,
afiada,
seduzindo estrelas e puros corações.
Os vizinhos em suas varandas,
prestigiam um novo espetáculo.
E vão dormir felizes,
preenchidos por um calor que emana de cada um,
e com um misto de satisfação e ansiedade,
certos de um novo espetáculo,
que irá surgir pela manhã...
A vida não tem sentido,
se você não compõe sua própria paisagem...
733
Rodrigo Carvalho
Paisagem
à Cristina Pinchemel
Imagino que o dia está absolutamente perfeito.
Pelo vidro suave da janela,
o céu azul,
resplandescente,
ofusca qualquer pensamento vil.
Nas ruas,
as pessoas andam sorridentes e gentis,
com ensaios de "bom-dia",
"boa-tarde" e
"boa-noite".
Lá fora os ventos correm,
— brincando! —
como crianças num dia de sol,
embaraçando cabelos,
afagando folhas solitárias com suas doces carícias invisíveis...
O mar, verde como uma floresta virgem,
lança suas ondas de finas espumas sedosas,
e a areia ,
— ah! a areia!... —
com seus flocos dourados,
assiste a tudo,
inebriando-se...
E sinto!
Sinto a felicidade em mim,
tomando conta de toda a minha alma,
como se injetada por agulha fina, anestésica...
E o ar brinca em meu coração,
borbulhando todo o meu sangue,
numa taça profunda, de cristal...
O dia,
aos poucos,
vai desaparecendo por trás dos montes,
— verdes como o mar! —
dando luz e vida
a uma nova criança que está por nascer...
E a lua surge,
completa,
afiada,
seduzindo estrelas e puros corações.
Os vizinhos em suas varandas,
prestigiam um novo espetáculo.
E vão dormir felizes,
preenchidos por um calor que emana de cada um,
e com um misto de satisfação e ansiedade,
certos de um novo espetáculo,
que irá surgir pela manhã...
A vida não tem sentido,
se você não compõe sua própria paisagem...
Imagino que o dia está absolutamente perfeito.
Pelo vidro suave da janela,
o céu azul,
resplandescente,
ofusca qualquer pensamento vil.
Nas ruas,
as pessoas andam sorridentes e gentis,
com ensaios de "bom-dia",
"boa-tarde" e
"boa-noite".
Lá fora os ventos correm,
— brincando! —
como crianças num dia de sol,
embaraçando cabelos,
afagando folhas solitárias com suas doces carícias invisíveis...
O mar, verde como uma floresta virgem,
lança suas ondas de finas espumas sedosas,
e a areia ,
— ah! a areia!... —
com seus flocos dourados,
assiste a tudo,
inebriando-se...
E sinto!
Sinto a felicidade em mim,
tomando conta de toda a minha alma,
como se injetada por agulha fina, anestésica...
E o ar brinca em meu coração,
borbulhando todo o meu sangue,
numa taça profunda, de cristal...
O dia,
aos poucos,
vai desaparecendo por trás dos montes,
— verdes como o mar! —
dando luz e vida
a uma nova criança que está por nascer...
E a lua surge,
completa,
afiada,
seduzindo estrelas e puros corações.
Os vizinhos em suas varandas,
prestigiam um novo espetáculo.
E vão dormir felizes,
preenchidos por um calor que emana de cada um,
e com um misto de satisfação e ansiedade,
certos de um novo espetáculo,
que irá surgir pela manhã...
A vida não tem sentido,
se você não compõe sua própria paisagem...
733
Rodrigo Carvalho
Paisagem
à Cristina Pinchemel
Imagino que o dia está absolutamente perfeito.
Pelo vidro suave da janela,
o céu azul,
resplandescente,
ofusca qualquer pensamento vil.
Nas ruas,
as pessoas andam sorridentes e gentis,
com ensaios de "bom-dia",
"boa-tarde" e
"boa-noite".
Lá fora os ventos correm,
— brincando! —
como crianças num dia de sol,
embaraçando cabelos,
afagando folhas solitárias com suas doces carícias invisíveis...
O mar, verde como uma floresta virgem,
lança suas ondas de finas espumas sedosas,
e a areia ,
— ah! a areia!... —
com seus flocos dourados,
assiste a tudo,
inebriando-se...
E sinto!
Sinto a felicidade em mim,
tomando conta de toda a minha alma,
como se injetada por agulha fina, anestésica...
E o ar brinca em meu coração,
borbulhando todo o meu sangue,
numa taça profunda, de cristal...
O dia,
aos poucos,
vai desaparecendo por trás dos montes,
— verdes como o mar! —
dando luz e vida
a uma nova criança que está por nascer...
E a lua surge,
completa,
afiada,
seduzindo estrelas e puros corações.
Os vizinhos em suas varandas,
prestigiam um novo espetáculo.
E vão dormir felizes,
preenchidos por um calor que emana de cada um,
e com um misto de satisfação e ansiedade,
certos de um novo espetáculo,
que irá surgir pela manhã...
A vida não tem sentido,
se você não compõe sua própria paisagem...
Imagino que o dia está absolutamente perfeito.
Pelo vidro suave da janela,
o céu azul,
resplandescente,
ofusca qualquer pensamento vil.
Nas ruas,
as pessoas andam sorridentes e gentis,
com ensaios de "bom-dia",
"boa-tarde" e
"boa-noite".
Lá fora os ventos correm,
— brincando! —
como crianças num dia de sol,
embaraçando cabelos,
afagando folhas solitárias com suas doces carícias invisíveis...
O mar, verde como uma floresta virgem,
lança suas ondas de finas espumas sedosas,
e a areia ,
— ah! a areia!... —
com seus flocos dourados,
assiste a tudo,
inebriando-se...
E sinto!
Sinto a felicidade em mim,
tomando conta de toda a minha alma,
como se injetada por agulha fina, anestésica...
E o ar brinca em meu coração,
borbulhando todo o meu sangue,
numa taça profunda, de cristal...
O dia,
aos poucos,
vai desaparecendo por trás dos montes,
— verdes como o mar! —
dando luz e vida
a uma nova criança que está por nascer...
E a lua surge,
completa,
afiada,
seduzindo estrelas e puros corações.
Os vizinhos em suas varandas,
prestigiam um novo espetáculo.
E vão dormir felizes,
preenchidos por um calor que emana de cada um,
e com um misto de satisfação e ansiedade,
certos de um novo espetáculo,
que irá surgir pela manhã...
A vida não tem sentido,
se você não compõe sua própria paisagem...
733
Rodrigo Carvalho
Elementos Naturais
Água, ar, fogo, terra.
Às vezes, para definir-me,
caio nos conceitos naturais.
Ao passar de minha vida,
muitas vezes quis ser fogo.
Revidar com chamas,
queimar todas as regras,
explodir em pensamentos. . .
Outras vezes,
desejei ser ar,
e poder escapar ileso
das armadilhas da paixão,
das dúvidas angustiantes,
dos golpes do coração.
Ou ainda, terra.
Firme, forte.
Dura o bastante para resistir à tentações.
Mas nunca pude viver tais conceitos!
Resta-me somente um elemento.
É claro que sou água!!
Deixo fluir, correr. . .
Vejo sempre novas paisagens. . .
Começo o dia como um rio,
que desagua no mar,
que o sol evapora,
que vira nuvem,
que transforma-se em chuva,
que volta à terra em outro rio,
que segue para outro mar,
que se regenera. . .
Sou meio sem raízes,
seguindo correntes.
Sou mutante. . .
Tudo muda!
Hoje sou um,
amanhã serei outro.
Mas,
sempre melhor que ontem.
Itabuna, 30 de junho de 1995
Às vezes, para definir-me,
caio nos conceitos naturais.
Ao passar de minha vida,
muitas vezes quis ser fogo.
Revidar com chamas,
queimar todas as regras,
explodir em pensamentos. . .
Outras vezes,
desejei ser ar,
e poder escapar ileso
das armadilhas da paixão,
das dúvidas angustiantes,
dos golpes do coração.
Ou ainda, terra.
Firme, forte.
Dura o bastante para resistir à tentações.
Mas nunca pude viver tais conceitos!
Resta-me somente um elemento.
É claro que sou água!!
Deixo fluir, correr. . .
Vejo sempre novas paisagens. . .
Começo o dia como um rio,
que desagua no mar,
que o sol evapora,
que vira nuvem,
que transforma-se em chuva,
que volta à terra em outro rio,
que segue para outro mar,
que se regenera. . .
Sou meio sem raízes,
seguindo correntes.
Sou mutante. . .
Tudo muda!
Hoje sou um,
amanhã serei outro.
Mas,
sempre melhor que ontem.
Itabuna, 30 de junho de 1995
834
Sérgio José Rodrigues Saraiva
KaReN é belo nome feminino
KaReN é belo nome feminino,
Muito gosto tiveste tu outrora;
Espero que igualmente, sempre e agora,
Despontes o teu claro figurino.
Vives envolta pelo mar salino,
Em lugar com extensa e larga flora;
Vês o sol difundir a roxa aurora,
Ao fundo, no oceano, paulatino.
Tens sorta amiga KaReN portuária,
Contudo não te chamarei sereia
Que és real e não imaginária.
Que não tem uma estatua ou uma deia,
Uma vontade própria, ou arbitrária,
Ou o explendor que o coração ateia.
Muito gosto tiveste tu outrora;
Espero que igualmente, sempre e agora,
Despontes o teu claro figurino.
Vives envolta pelo mar salino,
Em lugar com extensa e larga flora;
Vês o sol difundir a roxa aurora,
Ao fundo, no oceano, paulatino.
Tens sorta amiga KaReN portuária,
Contudo não te chamarei sereia
Que és real e não imaginária.
Que não tem uma estatua ou uma deia,
Uma vontade própria, ou arbitrária,
Ou o explendor que o coração ateia.
639