Poemas neste tema
Natureza e Elementos
Salette Tavares
Enigma Lua
Esqueceste
o touroe o grito
a parede brancae fria
a cabeça decepadaenfunada
vento sangueferido.
Esqueceste
a lâmpada no tetoamarelo
rio de sombracorrido
cavalo eriçadona tábua
no quarto.
Esqueceste
a cova ondeSangue e olhos
enterraste
Esqueceste e alienado nos salões
ficastecheirando orquídeasinodoras
sapatinhos de papaocos
réplicas estéticasà metralha
dos aviões.
Cansado? Inútil? Delinqüente? Vazio?
Quem te poderá julgar?
Eu só sei rasgar enigma
contra razões da terra
olhos que espanto me crava
na lua da tarde que erra.
Presença de transparência
na força que assim me arde
na lua de noite branca
me banho fantasma árvore.
Sombra na sombra lua
enigma junto à janela.
Esqueceste
mas não comigo
esqueceste a lâmpada amarelado abrigo
e as quatro paredesfrias.
Esqueceste
mas não comigo,
o touroe o grito
a parede brancae fria
a cabeça decepadaenfunada
vento sangueferido.
Esqueceste
a lâmpada no tetoamarelo
rio de sombracorrido
cavalo eriçadona tábua
no quarto.
Esqueceste
a cova ondeSangue e olhos
enterraste
Esqueceste e alienado nos salões
ficastecheirando orquídeasinodoras
sapatinhos de papaocos
réplicas estéticasà metralha
dos aviões.
Cansado? Inútil? Delinqüente? Vazio?
Quem te poderá julgar?
Eu só sei rasgar enigma
contra razões da terra
olhos que espanto me crava
na lua da tarde que erra.
Presença de transparência
na força que assim me arde
na lua de noite branca
me banho fantasma árvore.
Sombra na sombra lua
enigma junto à janela.
Esqueceste
mas não comigo
esqueceste a lâmpada amarelado abrigo
e as quatro paredesfrias.
Esqueceste
mas não comigo,
1 581
Vani Rezende
Haicai
A ventania tumultua.
Bandos de pássaros
esticam suas asas.
No silêncio da cidade
a noite, gaiola negra,
envolve a luz do meu quarto.
Bandos de pássaros
esticam suas asas.
No silêncio da cidade
a noite, gaiola negra,
envolve a luz do meu quarto.
1 145
Simão Pereira de Sá
Soneto
Do Hibla as belas flores celebradas,
neste Rio, Senhor, as transplantasses,
e quando no Carmelo as dedicastes,
respiraram fragrâncias de abrasadas:
por vossas mãos a Deus já consagradas,
no Jardim da Clausura as encerrasses,
onde o Nome de Herói perpetuasses,
dando flores ao Céu iluminadas.
Já que o Astro brilhante, influxo ardente,
foi origem de ações tão peregrinas,
as mesmas flores orne a Augusta frente,
porque, mais que as de Ariadna, serão dignas
de frente, que merece justamente
de Ouro palmas, coroas Diamantinas.
neste Rio, Senhor, as transplantasses,
e quando no Carmelo as dedicastes,
respiraram fragrâncias de abrasadas:
por vossas mãos a Deus já consagradas,
no Jardim da Clausura as encerrasses,
onde o Nome de Herói perpetuasses,
dando flores ao Céu iluminadas.
Já que o Astro brilhante, influxo ardente,
foi origem de ações tão peregrinas,
as mesmas flores orne a Augusta frente,
porque, mais que as de Ariadna, serão dignas
de frente, que merece justamente
de Ouro palmas, coroas Diamantinas.
393
Maria Thereza Noronha
Ontem
Ontem, partiu-se a lua em duas foices
e decepou o chifre do unicórnio.
Tingiu-se o céu de um rubro tom de esbórnia
e a vasta terra em vasto céu mirou-se.
Ontem, partiu-se a lua em duas foices.
Meias-luas gentis pudesse a córnea
entrever, entre arcanjos, no céu morno.
Mas não. Soltou-se a lua no ar, aos coices.
Bem sei que voltará a ser esfera.
Refundidas as faces, lua cheia,
reverterá o gume de ouro e fera.
Posto que é sempre a mesma lua, a meia
ou toda. E assim constante, assim pudera
ser poema, antes que punhal na veia.
e decepou o chifre do unicórnio.
Tingiu-se o céu de um rubro tom de esbórnia
e a vasta terra em vasto céu mirou-se.
Ontem, partiu-se a lua em duas foices.
Meias-luas gentis pudesse a córnea
entrever, entre arcanjos, no céu morno.
Mas não. Soltou-se a lua no ar, aos coices.
Bem sei que voltará a ser esfera.
Refundidas as faces, lua cheia,
reverterá o gume de ouro e fera.
Posto que é sempre a mesma lua, a meia
ou toda. E assim constante, assim pudera
ser poema, antes que punhal na veia.
1 046
Teixeira de Melo
Ao Sol
Não te amo, ó Sol, senão como rascunho
Da luz de Deus! senão como lembrança
Da mão que te acendeu, lâmpada de ouro,
Por sobre o abismo em que eu treina da morte,
A teus pés pela vida às tontas erro.
Verme que esconde um átomo da essência
Que te anima e renova! Átomo mesmo
Do pó da eternidade em frágil vaso
Amassado de sangue e pranto e orgulho!
Águia sem asas — fito-te um momento
E tua luz me embebeda e faz vertigens!
Amo o silêncio, a sombra, o isolamento,
Embora os do sepulcro! E tu, abutre
De asas de fogo, eterno pirilampo
Em basta selva, acima esvoaçando
De milhões de cadáveres corruptos
Que o tempo, rio rápido e revolto,
Roda té o mar sem raias do infinito,
Insultas minha dor, meu pranto estancas!
Tu vês sem dó arcar a humanidade
Sob o peso de séculos e séculos
Sempre moça e garrida e fátua sempre,
À luz dos raios concertando as braças
Que o vento desatou, tingindo as faces
Macilentas da orgia e das insônias,
E abrindo os alvos seios infecundos
Ao beijo frio do que tem mais ouro!
Tu vês de longe a louca humanidade,
Nova Eva despertando entre as delícias
Da vida sem a morte, ambicionando
Outra vida melhor, mais curta embora!
Penélope senil que se não cansa
De a eterna teia desmanchar contudo
Que o esposo a venha achar tecendo ainda!
Ou doida Ofélia a desfolhar sem fino
Sua coroa de noiva – antes da noite!
E o mundo de Panúrgio e Sancho Pança
Te vê passar também como um sarcasmo
Palpitante de fel, e ri-se ao ver-te!
É sempre nova a velha humanidade!
Só o homem passa — palha ou flor de feno —
Nas garras do tufão que não te alcança!
Como ela viverás... mas momento
A mão que te acendeu pode apagar-te.
Eu te amaria, ó Sol, se por um dia
Conhecesse o segredo que me escondes
Das tontas gerações que patinharam
— Como as de hoje — na lama e adormeceram
Na esteira do passado, entre as neblinas
Das era que, impassível como o tempo,
Desde o primeiro dia alumiaste.
Podes, feixe de luz que te desatas
No colo requeimado do universo,
Dar-me um raio dos teus com que ilumine
Minha cegueira a tatear na sombra
Das exploradas minas de ouro puro,
Hoje cinza e carvão, dessa linguagem
Sublime e rude — do cantor mendigo
Da Grécia, o heróico berço em que tu nasces,
E onde Byron morreu contigo, ó Grécia!
Ó Sol, olho de Deus aberto sempre,
Guia meus passos trêmulos ainda
Por entre as flores dos jardins celestes
Em que Camões ceifou perpétuos louros!
Para cantar as lendas esquecidas
Do ninho meu paterno, à sombra amiga
Das copadas mangueiras embalado
Pelas auras dos trópicos aos cantos
Da ferrenha araponga do deserto;
Para cantar as graças feiticeiras
Do meu berço de musgo inda selvagem
Como os primeiros que dormiram nele,
Dá-me um raio dos teus! um só me bastar
Que me esqueçam depois... terei vivido!
Que tu, página branca para o mundo,
Irás talvez vagar onde eu já durma,
No leito frio em que me espera o olvido.
Hei de acordar das matas seculares
Onde o silêncio é o canto do passado,
O gênio adormecido desses tempos
Que sob os olhos meus às vezes passam.
Dá-me imagens de fogo ainda virgens
Das mãos calmas dos cantores todos.
Triste bardo das raças do deserto,
Hei de perdir-te, ó Sol, que as requeimaste,
A história triste das extintas tribos!
Hei de rasgar a página mais pura
Do livro virginal da natureza!
Hei de arrancar ao colibri — das penas
O pó dourado e azul — para escrevê-la!
Hei de quebrar as asas furta-cores
Das nossas borboletas, para dá-las
Em saudoso holocausto à pátria e ao lmundo!
Da luz de Deus! senão como lembrança
Da mão que te acendeu, lâmpada de ouro,
Por sobre o abismo em que eu treina da morte,
A teus pés pela vida às tontas erro.
Verme que esconde um átomo da essência
Que te anima e renova! Átomo mesmo
Do pó da eternidade em frágil vaso
Amassado de sangue e pranto e orgulho!
Águia sem asas — fito-te um momento
E tua luz me embebeda e faz vertigens!
Amo o silêncio, a sombra, o isolamento,
Embora os do sepulcro! E tu, abutre
De asas de fogo, eterno pirilampo
Em basta selva, acima esvoaçando
De milhões de cadáveres corruptos
Que o tempo, rio rápido e revolto,
Roda té o mar sem raias do infinito,
Insultas minha dor, meu pranto estancas!
Tu vês sem dó arcar a humanidade
Sob o peso de séculos e séculos
Sempre moça e garrida e fátua sempre,
À luz dos raios concertando as braças
Que o vento desatou, tingindo as faces
Macilentas da orgia e das insônias,
E abrindo os alvos seios infecundos
Ao beijo frio do que tem mais ouro!
Tu vês de longe a louca humanidade,
Nova Eva despertando entre as delícias
Da vida sem a morte, ambicionando
Outra vida melhor, mais curta embora!
Penélope senil que se não cansa
De a eterna teia desmanchar contudo
Que o esposo a venha achar tecendo ainda!
Ou doida Ofélia a desfolhar sem fino
Sua coroa de noiva – antes da noite!
E o mundo de Panúrgio e Sancho Pança
Te vê passar também como um sarcasmo
Palpitante de fel, e ri-se ao ver-te!
É sempre nova a velha humanidade!
Só o homem passa — palha ou flor de feno —
Nas garras do tufão que não te alcança!
Como ela viverás... mas momento
A mão que te acendeu pode apagar-te.
Eu te amaria, ó Sol, se por um dia
Conhecesse o segredo que me escondes
Das tontas gerações que patinharam
— Como as de hoje — na lama e adormeceram
Na esteira do passado, entre as neblinas
Das era que, impassível como o tempo,
Desde o primeiro dia alumiaste.
Podes, feixe de luz que te desatas
No colo requeimado do universo,
Dar-me um raio dos teus com que ilumine
Minha cegueira a tatear na sombra
Das exploradas minas de ouro puro,
Hoje cinza e carvão, dessa linguagem
Sublime e rude — do cantor mendigo
Da Grécia, o heróico berço em que tu nasces,
E onde Byron morreu contigo, ó Grécia!
Ó Sol, olho de Deus aberto sempre,
Guia meus passos trêmulos ainda
Por entre as flores dos jardins celestes
Em que Camões ceifou perpétuos louros!
Para cantar as lendas esquecidas
Do ninho meu paterno, à sombra amiga
Das copadas mangueiras embalado
Pelas auras dos trópicos aos cantos
Da ferrenha araponga do deserto;
Para cantar as graças feiticeiras
Do meu berço de musgo inda selvagem
Como os primeiros que dormiram nele,
Dá-me um raio dos teus! um só me bastar
Que me esqueçam depois... terei vivido!
Que tu, página branca para o mundo,
Irás talvez vagar onde eu já durma,
No leito frio em que me espera o olvido.
Hei de acordar das matas seculares
Onde o silêncio é o canto do passado,
O gênio adormecido desses tempos
Que sob os olhos meus às vezes passam.
Dá-me imagens de fogo ainda virgens
Das mãos calmas dos cantores todos.
Triste bardo das raças do deserto,
Hei de perdir-te, ó Sol, que as requeimaste,
A história triste das extintas tribos!
Hei de rasgar a página mais pura
Do livro virginal da natureza!
Hei de arrancar ao colibri — das penas
O pó dourado e azul — para escrevê-la!
Hei de quebrar as asas furta-cores
Das nossas borboletas, para dá-las
Em saudoso holocausto à pátria e ao lmundo!
1 055
Salette Tavares
Amor Silêncio
Amor silêncio amargo a roçar-me a morte
grito partido do vidro sobre o peito
ilha deserta no meio das capitais do norte
grilhetas ajustadas no rio em que me deito.
Distância cumulada remanso duma espera
ponte de aventura do dois à unidade
amor brilho raiando a chave do desejo
minuto adormecido ao pé da eternidade.
Amor tempo suspenso, ó lânguido receio,
no pranto do meu canto és a presença forte
estame estremecido dissimulado anseio
amor milagre gesto incandescente porte.
Amor olhos perdidos a riscar desenhos
em largo movimento o espaço circular
amor segundo breve, lanceta, tempo eterno
no rápido castigo da lua a gotejar.
grito partido do vidro sobre o peito
ilha deserta no meio das capitais do norte
grilhetas ajustadas no rio em que me deito.
Distância cumulada remanso duma espera
ponte de aventura do dois à unidade
amor brilho raiando a chave do desejo
minuto adormecido ao pé da eternidade.
Amor tempo suspenso, ó lânguido receio,
no pranto do meu canto és a presença forte
estame estremecido dissimulado anseio
amor milagre gesto incandescente porte.
Amor olhos perdidos a riscar desenhos
em largo movimento o espaço circular
amor segundo breve, lanceta, tempo eterno
no rápido castigo da lua a gotejar.
1 623
Tânia Regina
Momentos
Flores esvoaçando,
Refratando meu olhar
Durante um momento efêmero
Decerto parecia perene até acabar
O meu coração
batia cada vez mais forte
E toda esse emoção
eu expressava chorando
sorrindo, pulando, cantando.
Pois já te avistava
Ao longo dessa noite
tão quente.
As estrelas irradiavam
Um brilho intenso
que apaziguavam minha alma
Naquele efêmero momento
Em minha mente
Cenas com você
Passavam como filmes
Filmes de eterno amor
Imenso amor.
Tão logo você se aproximou
Me envolvendo em seus braços
Justamente naquele momento efêmero
Que a pouco tinha sonhado.
Refratando meu olhar
Durante um momento efêmero
Decerto parecia perene até acabar
O meu coração
batia cada vez mais forte
E toda esse emoção
eu expressava chorando
sorrindo, pulando, cantando.
Pois já te avistava
Ao longo dessa noite
tão quente.
As estrelas irradiavam
Um brilho intenso
que apaziguavam minha alma
Naquele efêmero momento
Em minha mente
Cenas com você
Passavam como filmes
Filmes de eterno amor
Imenso amor.
Tão logo você se aproximou
Me envolvendo em seus braços
Justamente naquele momento efêmero
Que a pouco tinha sonhado.
838
Tânia Regina
Momentos
Flores esvoaçando,
Refratando meu olhar
Durante um momento efêmero
Decerto parecia perene até acabar
O meu coração
batia cada vez mais forte
E toda esse emoção
eu expressava chorando
sorrindo, pulando, cantando.
Pois já te avistava
Ao longo dessa noite
tão quente.
As estrelas irradiavam
Um brilho intenso
que apaziguavam minha alma
Naquele efêmero momento
Em minha mente
Cenas com você
Passavam como filmes
Filmes de eterno amor
Imenso amor.
Tão logo você se aproximou
Me envolvendo em seus braços
Justamente naquele momento efêmero
Que a pouco tinha sonhado.
Refratando meu olhar
Durante um momento efêmero
Decerto parecia perene até acabar
O meu coração
batia cada vez mais forte
E toda esse emoção
eu expressava chorando
sorrindo, pulando, cantando.
Pois já te avistava
Ao longo dessa noite
tão quente.
As estrelas irradiavam
Um brilho intenso
que apaziguavam minha alma
Naquele efêmero momento
Em minha mente
Cenas com você
Passavam como filmes
Filmes de eterno amor
Imenso amor.
Tão logo você se aproximou
Me envolvendo em seus braços
Justamente naquele momento efêmero
Que a pouco tinha sonhado.
838
Valdir L. Queiroz
Monalisa do Sertão
De cativante
só o aspecto mórbido e moribundo
de gente-bicho.
trazia consigo duas sementes
que parecia ser (ou seria?)
a humildade e a simplicidade
vítimas da peregrinação.
no estômago: asfalto molhado;
no coração: esperança de bicho-gente;
na cabeça: miolos doídos pelo sol
do sertão;
nos pés: a marca do chão que
um dia fez pão e a fome matou...
porque vives no anonimato
monalisa do sertão ?
teu pintor no porão te guardou ?
ou a seca tua paisagem
queimou ?
só o aspecto mórbido e moribundo
de gente-bicho.
trazia consigo duas sementes
que parecia ser (ou seria?)
a humildade e a simplicidade
vítimas da peregrinação.
no estômago: asfalto molhado;
no coração: esperança de bicho-gente;
na cabeça: miolos doídos pelo sol
do sertão;
nos pés: a marca do chão que
um dia fez pão e a fome matou...
porque vives no anonimato
monalisa do sertão ?
teu pintor no porão te guardou ?
ou a seca tua paisagem
queimou ?
1 127
Marcelo Tápia
meia-treva
a meia-lua do céu se punha
como a meia-íris sua:
metade luz, metade treva
(metade bela, metade fera)
reflexo contíguo ao profundo
brilho anteposto ao túnel
universo em partes
nosso mundo partido
figura e fundo, dois sentidos
meio ao vazio
como a meia-íris sua:
metade luz, metade treva
(metade bela, metade fera)
reflexo contíguo ao profundo
brilho anteposto ao túnel
universo em partes
nosso mundo partido
figura e fundo, dois sentidos
meio ao vazio
1 033
Tereza Cristina Fraga
Querendo
O sol penetra
Traz as pessoas para começar o dia.
As crianças sonolentas
Os adultos quase despertos.
Na copa eståo as Marias
Na porta o Joåo
Nas ruas a solidåo.
Sobre um céu
Dentro da terra
E o mar qual distante de meus olhos
Que eståo perto do cerrado
Tristes
Encabulados.
Procurando uma vontade
Esse tolo desejo
De mato molhado.
De um bicho ao meu lado.
Traz as pessoas para começar o dia.
As crianças sonolentas
Os adultos quase despertos.
Na copa eståo as Marias
Na porta o Joåo
Nas ruas a solidåo.
Sobre um céu
Dentro da terra
E o mar qual distante de meus olhos
Que eståo perto do cerrado
Tristes
Encabulados.
Procurando uma vontade
Esse tolo desejo
De mato molhado.
De um bicho ao meu lado.
840
Tereza Cristina Fraga
Querendo
O sol penetra
Traz as pessoas para começar o dia.
As crianças sonolentas
Os adultos quase despertos.
Na copa eståo as Marias
Na porta o Joåo
Nas ruas a solidåo.
Sobre um céu
Dentro da terra
E o mar qual distante de meus olhos
Que eståo perto do cerrado
Tristes
Encabulados.
Procurando uma vontade
Esse tolo desejo
De mato molhado.
De um bicho ao meu lado.
Traz as pessoas para começar o dia.
As crianças sonolentas
Os adultos quase despertos.
Na copa eståo as Marias
Na porta o Joåo
Nas ruas a solidåo.
Sobre um céu
Dentro da terra
E o mar qual distante de meus olhos
Que eståo perto do cerrado
Tristes
Encabulados.
Procurando uma vontade
Esse tolo desejo
De mato molhado.
De um bicho ao meu lado.
840
Tereza Cristina Fraga
Nublando
Acordei!
A casa estava quente como o meu corpo.
No silêncio do quarto a percepçåo
De que o amanhå havia acabado de despertar.
Entre olhos sonolentos,
O corpo arrepiado,
Transformou a superfície lisa em leves ondas.
Todos os músculos foram esticados.
Cada fibra estendida ao extremo.
A boca abriu-se...
Na frente o espelho revelava a silhueta,
Que dengosa percebeu suas formas delicadas
Nas curvas acentuadas. Sorri...
O tempo nublado percorreu e penetrou no aposento.
Intrometido!
Transformou a quietude com o suave zumbir dos ventos.
Trocou a cor pálida das paredes.
Deu vontade de cobrir, ficar encolhida, quieta.
Era hora da partida que nåo pode deixar para amanhå o adeus de todos os dias.
Deixei que os minutos passassem, nåo fiz queståo de segurá-los.
Que o tempo nublado chegasse, penetrasse todos os meus poros.
Que as horas permitissem aos minutos serem donos do tempo.
No peito arfante os dois elementos se misturaram, nublando
Meus pensamentos.
Fizeram do corpo moradia.
A casa estava quente como o meu corpo.
No silêncio do quarto a percepçåo
De que o amanhå havia acabado de despertar.
Entre olhos sonolentos,
O corpo arrepiado,
Transformou a superfície lisa em leves ondas.
Todos os músculos foram esticados.
Cada fibra estendida ao extremo.
A boca abriu-se...
Na frente o espelho revelava a silhueta,
Que dengosa percebeu suas formas delicadas
Nas curvas acentuadas. Sorri...
O tempo nublado percorreu e penetrou no aposento.
Intrometido!
Transformou a quietude com o suave zumbir dos ventos.
Trocou a cor pálida das paredes.
Deu vontade de cobrir, ficar encolhida, quieta.
Era hora da partida que nåo pode deixar para amanhå o adeus de todos os dias.
Deixei que os minutos passassem, nåo fiz queståo de segurá-los.
Que o tempo nublado chegasse, penetrasse todos os meus poros.
Que as horas permitissem aos minutos serem donos do tempo.
No peito arfante os dois elementos se misturaram, nublando
Meus pensamentos.
Fizeram do corpo moradia.
905
Maria Thereza Noronha
Finito e Infinito
Entre as folhas do outono
e a infinita linha do oceano
cumpre-nos escalar montanhas
decifrar inscrições rupestres
desmontar o teorema, captar
sua argúcia de mestre.
E, inabaláveis, posto que lúcidos,
no finito da carne o agudo vértice
suavizar, e o ardor insano.
Entre as folhas do outono
e a sombra dos ciprestes.
e a infinita linha do oceano
cumpre-nos escalar montanhas
decifrar inscrições rupestres
desmontar o teorema, captar
sua argúcia de mestre.
E, inabaláveis, posto que lúcidos,
no finito da carne o agudo vértice
suavizar, e o ardor insano.
Entre as folhas do outono
e a sombra dos ciprestes.
1 052
Marcelo Tápia
céu de mil e uma noites
Se eu
não fosse poeta
seria astrônomo
por certo.
Maiakóvski (trad. Augusto de Campos)
olho o céu e vejo um céu antigo
como aquele que eu tenho comigo
desde que o mundo era o meu umbigo
um céu de tecido azul escuro
com os pontos de luz em furo e uma
meia meia lua de futuro
nesga, um rasgo fino reluzente
numa renda quase transparente
com o vulto do clarão ausente
crescente sobre o pano profundo
que conquista um negrume de fundo
quanto mais e mais cai com o mundo
e se consome o vermelho púrpura
(desvanece a cor à ausência pura)
quanto mais e mais o brilho fura
não fosse poeta
seria astrônomo
por certo.
Maiakóvski (trad. Augusto de Campos)
olho o céu e vejo um céu antigo
como aquele que eu tenho comigo
desde que o mundo era o meu umbigo
um céu de tecido azul escuro
com os pontos de luz em furo e uma
meia meia lua de futuro
nesga, um rasgo fino reluzente
numa renda quase transparente
com o vulto do clarão ausente
crescente sobre o pano profundo
que conquista um negrume de fundo
quanto mais e mais cai com o mundo
e se consome o vermelho púrpura
(desvanece a cor à ausência pura)
quanto mais e mais o brilho fura
906
Marcelo Tápia
céu de mil e uma noites
Se eu
não fosse poeta
seria astrônomo
por certo.
Maiakóvski (trad. Augusto de Campos)
olho o céu e vejo um céu antigo
como aquele que eu tenho comigo
desde que o mundo era o meu umbigo
um céu de tecido azul escuro
com os pontos de luz em furo e uma
meia meia lua de futuro
nesga, um rasgo fino reluzente
numa renda quase transparente
com o vulto do clarão ausente
crescente sobre o pano profundo
que conquista um negrume de fundo
quanto mais e mais cai com o mundo
e se consome o vermelho púrpura
(desvanece a cor à ausência pura)
quanto mais e mais o brilho fura
não fosse poeta
seria astrônomo
por certo.
Maiakóvski (trad. Augusto de Campos)
olho o céu e vejo um céu antigo
como aquele que eu tenho comigo
desde que o mundo era o meu umbigo
um céu de tecido azul escuro
com os pontos de luz em furo e uma
meia meia lua de futuro
nesga, um rasgo fino reluzente
numa renda quase transparente
com o vulto do clarão ausente
crescente sobre o pano profundo
que conquista um negrume de fundo
quanto mais e mais cai com o mundo
e se consome o vermelho púrpura
(desvanece a cor à ausência pura)
quanto mais e mais o brilho fura
906
Silvestre Péricles de Góis Monteiro
A que não veio
Setembro. Nesta noite perfumada
espero-te. E não sei se vens, ao certo.
Pode ser que te percas pela estrada,
temerosa da chama que te oferto.
Neste leito - sozinho, inquieto. E cada
rumor que ouço, me torna mais desperto.
Iluzão...Não chegaste, minha amada,
nem me troxeste o níveo seio aberto.
Já se adelgaça a névoa dos caminhos.
Ante a luz matinal, que se anuncia,
há bulícios e músicas nos ninhos.
E eu, taciturno, mas, em ti pensando,
fecho os olhos cansados para o dia
como quem fica ainda te esperando.
espero-te. E não sei se vens, ao certo.
Pode ser que te percas pela estrada,
temerosa da chama que te oferto.
Neste leito - sozinho, inquieto. E cada
rumor que ouço, me torna mais desperto.
Iluzão...Não chegaste, minha amada,
nem me troxeste o níveo seio aberto.
Já se adelgaça a névoa dos caminhos.
Ante a luz matinal, que se anuncia,
há bulícios e músicas nos ninhos.
E eu, taciturno, mas, em ti pensando,
fecho os olhos cansados para o dia
como quem fica ainda te esperando.
886
Silvestre Péricles de Góis Monteiro
A que não veio
Setembro. Nesta noite perfumada
espero-te. E não sei se vens, ao certo.
Pode ser que te percas pela estrada,
temerosa da chama que te oferto.
Neste leito - sozinho, inquieto. E cada
rumor que ouço, me torna mais desperto.
Iluzão...Não chegaste, minha amada,
nem me troxeste o níveo seio aberto.
Já se adelgaça a névoa dos caminhos.
Ante a luz matinal, que se anuncia,
há bulícios e músicas nos ninhos.
E eu, taciturno, mas, em ti pensando,
fecho os olhos cansados para o dia
como quem fica ainda te esperando.
espero-te. E não sei se vens, ao certo.
Pode ser que te percas pela estrada,
temerosa da chama que te oferto.
Neste leito - sozinho, inquieto. E cada
rumor que ouço, me torna mais desperto.
Iluzão...Não chegaste, minha amada,
nem me troxeste o níveo seio aberto.
Já se adelgaça a névoa dos caminhos.
Ante a luz matinal, que se anuncia,
há bulícios e músicas nos ninhos.
E eu, taciturno, mas, em ti pensando,
fecho os olhos cansados para o dia
como quem fica ainda te esperando.
886
Salette Tavares
Aqui Estou
Aqui estou, no encontro dos caminhos
no sítio onde os olhares se dobram de terror...
Quando a minha voz disse não e a vontade e o espelho
havia acordo e sonho e flores para abrir.
Quando as minhas mãos escorriam de ternura
havia liberdade e os meus pés descalços
recortavam em sombra a única lisura.
Que lindo o que eu sonhei, que paz e que mistério
que grande força sem lágrimas no mar. . .
Agora estou dorida, morreram-me os cabelos
nos dedos que pediam caiu uma agonia,
as cordas já cortadas tornaram a me ligar.
Na noite que me seque eu quisera sorver
toda a ausência direta do possuir e do ter,
fugida na floresta escondida na giesta
morder aquela terra fecunda em que me sei.
Sem luta, a navegar, um barco branco e meu
sem timoneiro nem rota marcando-me o destino
singrando sob a lua, bebendo o sol dos dias
tão só e o grande olhar de Deus,
deitado ao pé de mim.
Assim correr, ser livre, criar e ter prazer
aquele só prazer igual ao que já sou
uma lira, um canto, uma harmonia enfim
serena, bela, doce e sem violência louca.
Idade duma rosa colhida na manhã
vibrando no calor as pétalas a abrir
surpresa vegetal da vida que se inflama
com o caule cortado e sem poder sorrir.
Quem livre me deixasse dormir na minha planta
este acordo supremo dos membros do amor,
sem traição, sem corte, e só aquele manso
sorver da terra a seiva para poder florir.
Ai, mar em que me banho e que livre me deixas
miragem do meu ritmo, partida para além
meu doce só saber braços, pernas, seios, beijos,
e toda a maravilha de ser sem mais ninguém.
no sítio onde os olhares se dobram de terror...
Quando a minha voz disse não e a vontade e o espelho
havia acordo e sonho e flores para abrir.
Quando as minhas mãos escorriam de ternura
havia liberdade e os meus pés descalços
recortavam em sombra a única lisura.
Que lindo o que eu sonhei, que paz e que mistério
que grande força sem lágrimas no mar. . .
Agora estou dorida, morreram-me os cabelos
nos dedos que pediam caiu uma agonia,
as cordas já cortadas tornaram a me ligar.
Na noite que me seque eu quisera sorver
toda a ausência direta do possuir e do ter,
fugida na floresta escondida na giesta
morder aquela terra fecunda em que me sei.
Sem luta, a navegar, um barco branco e meu
sem timoneiro nem rota marcando-me o destino
singrando sob a lua, bebendo o sol dos dias
tão só e o grande olhar de Deus,
deitado ao pé de mim.
Assim correr, ser livre, criar e ter prazer
aquele só prazer igual ao que já sou
uma lira, um canto, uma harmonia enfim
serena, bela, doce e sem violência louca.
Idade duma rosa colhida na manhã
vibrando no calor as pétalas a abrir
surpresa vegetal da vida que se inflama
com o caule cortado e sem poder sorrir.
Quem livre me deixasse dormir na minha planta
este acordo supremo dos membros do amor,
sem traição, sem corte, e só aquele manso
sorver da terra a seiva para poder florir.
Ai, mar em que me banho e que livre me deixas
miragem do meu ritmo, partida para além
meu doce só saber braços, pernas, seios, beijos,
e toda a maravilha de ser sem mais ninguém.
1 800
Sérgio Milliet
Autobiografia Inacabada
IV
Vícios de estufa
revanches de sonho
e um dia o milagre do mar.
Vícios de estufa
revanches de sonho
e um dia o milagre do mar.
1 228
Sérgio José Rodrigues Saraiva
KaReN é belo nome feminino
KaReN é belo nome feminino,
Muito gosto tiveste tu outrora;
Espero que igualmente, sempre e agora,
Despontes o teu claro figurino.
Vives envolta pelo mar salino,
Em lugar com extensa e larga flora;
Vês o sol difundir a roxa aurora,
Ao fundo, no oceano, paulatino.
Tens sorta amiga KaReN portuária,
Contudo não te chamarei sereia
Que és real e não imaginária.
Que não tem uma estatua ou uma deia,
Uma vontade própria, ou arbitrária,
Ou o explendor que o coração ateia.
Muito gosto tiveste tu outrora;
Espero que igualmente, sempre e agora,
Despontes o teu claro figurino.
Vives envolta pelo mar salino,
Em lugar com extensa e larga flora;
Vês o sol difundir a roxa aurora,
Ao fundo, no oceano, paulatino.
Tens sorta amiga KaReN portuária,
Contudo não te chamarei sereia
Que és real e não imaginária.
Que não tem uma estatua ou uma deia,
Uma vontade própria, ou arbitrária,
Ou o explendor que o coração ateia.
640
Sérgio José Rodrigues Saraiva
KaReN é belo nome feminino
KaReN é belo nome feminino,
Muito gosto tiveste tu outrora;
Espero que igualmente, sempre e agora,
Despontes o teu claro figurino.
Vives envolta pelo mar salino,
Em lugar com extensa e larga flora;
Vês o sol difundir a roxa aurora,
Ao fundo, no oceano, paulatino.
Tens sorta amiga KaReN portuária,
Contudo não te chamarei sereia
Que és real e não imaginária.
Que não tem uma estatua ou uma deia,
Uma vontade própria, ou arbitrária,
Ou o explendor que o coração ateia.
Muito gosto tiveste tu outrora;
Espero que igualmente, sempre e agora,
Despontes o teu claro figurino.
Vives envolta pelo mar salino,
Em lugar com extensa e larga flora;
Vês o sol difundir a roxa aurora,
Ao fundo, no oceano, paulatino.
Tens sorta amiga KaReN portuária,
Contudo não te chamarei sereia
Que és real e não imaginária.
Que não tem uma estatua ou uma deia,
Uma vontade própria, ou arbitrária,
Ou o explendor que o coração ateia.
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