Poemas neste tema
Outros
Gottfried Benn
EIN WORT
Uma palavra vem - dos signos brota
apercebida vida, abrupto senso,
o sol detem-se, esferas são silentes,
e tudo se concentra à sua volta
Uma palavra - brilho, voo, fogo,
língua de chama, estrela cadente
- e a treva monstruosa que regressa
no vácuo espaço entre mim e o mundo.
apercebida vida, abrupto senso,
o sol detem-se, esferas são silentes,
e tudo se concentra à sua volta
Uma palavra - brilho, voo, fogo,
língua de chama, estrela cadente
- e a treva monstruosa que regressa
no vácuo espaço entre mim e o mundo.
1 595
Edith Sitwell
GREEN FLOWS THE RIVER OF LETHE - O
Verde flui o rio Lete - Oh
O longo rio Lete
Lá onde o fogo era nas veias - erva cresce
Sobre a febre -
Erva verde crescendo...
Perto eu estava das Cidades da Planície;
E as meninas perseguiam seus corações como as alegres borboletas
Pelos campos do Estio -
Oh veludo evanescente batendo as vossas asas
Como veludo e borboletas no Caminho de Nada a Parte Alguma!
Mas na sede estival
Fugi, porque eu era um Pilar de Fogo, eu era Destruição
Insaciável, encarnada e cor de carne.
Eu era Aniquilamento;
Alva, porém, como o mar Morto, alva como as Cidades da Planície.
Porque eu escutava o meio-dia e minhas veias
Que ameaçavam trovões, e o coração das rosas.
Segui o meu caminho -
Mas longa é a terrífica Rua do Sangue
Que parecera outrora apenas parte do vermelho Estio:
Desdobra-se para sempre e não há desvio,
Mas só fogo, aniquilamento, ardência.
Pensei que o caminho do Sangue nunca se cansava.
Mas agora só o trevo flamante
Pousa no bafejar do leão e na boca do amante -
E verde flui o rio Lete - Oh
O longo rio Lete
Sobre Gomorra e o fogo...
O longo rio Lete
Lá onde o fogo era nas veias - erva cresce
Sobre a febre -
Erva verde crescendo...
Perto eu estava das Cidades da Planície;
E as meninas perseguiam seus corações como as alegres borboletas
Pelos campos do Estio -
Oh veludo evanescente batendo as vossas asas
Como veludo e borboletas no Caminho de Nada a Parte Alguma!
Mas na sede estival
Fugi, porque eu era um Pilar de Fogo, eu era Destruição
Insaciável, encarnada e cor de carne.
Eu era Aniquilamento;
Alva, porém, como o mar Morto, alva como as Cidades da Planície.
Porque eu escutava o meio-dia e minhas veias
Que ameaçavam trovões, e o coração das rosas.
Segui o meu caminho -
Mas longa é a terrífica Rua do Sangue
Que parecera outrora apenas parte do vermelho Estio:
Desdobra-se para sempre e não há desvio,
Mas só fogo, aniquilamento, ardência.
Pensei que o caminho do Sangue nunca se cansava.
Mas agora só o trevo flamante
Pousa no bafejar do leão e na boca do amante -
E verde flui o rio Lete - Oh
O longo rio Lete
Sobre Gomorra e o fogo...
1 284
Lord Byron
DO PORTUGUÊS TU ME CHAMAS
DO PORTUGUÊS TU ME CHAMAS
Tu me chamas ainda a tua vida-
- E a vida é só o que se escapa e corre...
Antes me chames alma: é mais exacto,
Pois que, como alma, o meu amor não morre.
Tu me chamas ainda a tua vida-
- E a vida é só o que se escapa e corre...
Antes me chames alma: é mais exacto,
Pois que, como alma, o meu amor não morre.
1 547
W. H. Auden
BLUES FÚNEBRES
Que parem os relógios, cale o telefone,
jogue-se ao cão um osso e que não ladre mais,
que emudeça o piano e que o tambor sancione
a vinda do caixão com seu cortejo atrás.
Que os aviões, gemendo acima em alvoroço,
escrevam contra o céu o anúncio: ele morreu.
Que as pombas guardem luto - um laço no pescoço -
e os guardas usem finas luvas cor-de-breu.
Era meu norte, sul, meu leste, oeste, enquanto
viveu, meus dias úteis, meu fim-de-semana,
meu meio-dia, meia-noite, fala e canto;
quem julgue o amor eterno, como eu fiz se engana.
É hora de apagar estrelas - são molestas -
guardar a lua, desmontar o sol brilhante,
de despejar o mar, jogar fora as florestas,
pois nada mais há de dar certo doravante.
jogue-se ao cão um osso e que não ladre mais,
que emudeça o piano e que o tambor sancione
a vinda do caixão com seu cortejo atrás.
Que os aviões, gemendo acima em alvoroço,
escrevam contra o céu o anúncio: ele morreu.
Que as pombas guardem luto - um laço no pescoço -
e os guardas usem finas luvas cor-de-breu.
Era meu norte, sul, meu leste, oeste, enquanto
viveu, meus dias úteis, meu fim-de-semana,
meu meio-dia, meia-noite, fala e canto;
quem julgue o amor eterno, como eu fiz se engana.
É hora de apagar estrelas - são molestas -
guardar a lua, desmontar o sol brilhante,
de despejar o mar, jogar fora as florestas,
pois nada mais há de dar certo doravante.
2 183
Roy Campbell
LUÍS DE CAMÕES
Camões é quem de toda a raça lírica,
Nascido em negra aurora de desastre,
Pode a um soldado raso olhar de frente;
Encontro um camarada em vez de um mestre.
Pois, dia a dia, enquanto os crocodilos
Deslizam pela margem pantanosa,
Da minha barca ele compartilha o toldo,
E conta-me sorrindo uma igual vida.
Por chamas e naufrágios, pestes, perdas,
Do fogo-fátuo de servir levado
A uma morte de cão, rei de seus males
Ergueu bem alto a voluntária cruz,
E as dores moldou em formas de beleza,
Como à Gorgona fez cantar destinos
Nascido em negra aurora de desastre,
Pode a um soldado raso olhar de frente;
Encontro um camarada em vez de um mestre.
Pois, dia a dia, enquanto os crocodilos
Deslizam pela margem pantanosa,
Da minha barca ele compartilha o toldo,
E conta-me sorrindo uma igual vida.
Por chamas e naufrágios, pestes, perdas,
Do fogo-fátuo de servir levado
A uma morte de cão, rei de seus males
Ergueu bem alto a voluntária cruz,
E as dores moldou em formas de beleza,
Como à Gorgona fez cantar destinos
1 124
Roy Campbell
LUÍS DE CAMÕES
Camões é quem de toda a raça lírica,
Nascido em negra aurora de desastre,
Pode a um soldado raso olhar de frente;
Encontro um camarada em vez de um mestre.
Pois, dia a dia, enquanto os crocodilos
Deslizam pela margem pantanosa,
Da minha barca ele compartilha o toldo,
E conta-me sorrindo uma igual vida.
Por chamas e naufrágios, pestes, perdas,
Do fogo-fátuo de servir levado
A uma morte de cão, rei de seus males
Ergueu bem alto a voluntária cruz,
E as dores moldou em formas de beleza,
Como à Gorgona fez cantar destinos
Nascido em negra aurora de desastre,
Pode a um soldado raso olhar de frente;
Encontro um camarada em vez de um mestre.
Pois, dia a dia, enquanto os crocodilos
Deslizam pela margem pantanosa,
Da minha barca ele compartilha o toldo,
E conta-me sorrindo uma igual vida.
Por chamas e naufrágios, pestes, perdas,
Do fogo-fátuo de servir levado
A uma morte de cão, rei de seus males
Ergueu bem alto a voluntária cruz,
E as dores moldou em formas de beleza,
Como à Gorgona fez cantar destinos
1 124
Roy Campbell
LUÍS DE CAMÕES
Camões é quem de toda a raça lírica,
Nascido em negra aurora de desastre,
Pode a um soldado raso olhar de frente;
Encontro um camarada em vez de um mestre.
Pois, dia a dia, enquanto os crocodilos
Deslizam pela margem pantanosa,
Da minha barca ele compartilha o toldo,
E conta-me sorrindo uma igual vida.
Por chamas e naufrágios, pestes, perdas,
Do fogo-fátuo de servir levado
A uma morte de cão, rei de seus males
Ergueu bem alto a voluntária cruz,
E as dores moldou em formas de beleza,
Como à Gorgona fez cantar destinos
Nascido em negra aurora de desastre,
Pode a um soldado raso olhar de frente;
Encontro um camarada em vez de um mestre.
Pois, dia a dia, enquanto os crocodilos
Deslizam pela margem pantanosa,
Da minha barca ele compartilha o toldo,
E conta-me sorrindo uma igual vida.
Por chamas e naufrágios, pestes, perdas,
Do fogo-fátuo de servir levado
A uma morte de cão, rei de seus males
Ergueu bem alto a voluntária cruz,
E as dores moldou em formas de beleza,
Como à Gorgona fez cantar destinos
1 124
Jean de La Fontaine
Invocação à volúpia
Sem ti, doce Volúpia, o viver e o morrer
Teriam, desde o berço, idêntico valor:
De toda a criação, universal pendor,
Com que força fatal, tu consegues prender!
Tudo, por ti,
aqui se passa.
Por tua causa e
tua graça,
A duras penas
todos vão:
Não há soldado,
capitão,
Nem fidalgo, plebeu, nem Ministro de Estado,
Que em ti não
tenha o olhar pregado
Das Musas na afeição, se, de serões nascido,
Um agradável som não nos encanta o ouvido,
E se ele não nos traz amena sensação,
Tentamos nós uma
canção?
O que, pomposamente, é chamado de glória
E, nos jogos dOlimpo, exalçava a vitória,
Precisamente, és tu, Volúpia divinal.
E seu preço não tem o prazer sensual?
E então por que
os dons de Flora,
O pôr-do-sol, a
linda Aurora,
Pomona e seus
finos manjares,
Baco, razão dos
bons jantares,
Florestas,
fontes, pradarias,
Mães de
fagueiras fantasias?
Belas artes, por quê? de quem és a nascente,
Por que tanta beldade, amável, atraente,
Se não pra vires, até nós, sempre morar?
Eis o meu parecer, por mais procure alguém
O seu desejo
castigar,
Algum prazer inda
lhe vem.
Ó Volúpia gentil, que, na Grécia de outrora,
De um pensador
foste senhora,
Não me desprezes não: vem à minha morada,
Não ficarás sem
fazer nada:
Amo os livros, o amor, música e diversão,
Cidade, campo, enfim; o mundo nada tem
Que não me seja
enorme bem,
Mesmo o aflito prazer de um triste coração.
Vem, pois, e desse bem, ó Volúpia querida,
Queres então saber a medida acertada?
Pelo menos preciso uns cem anos de vida,
Pois trinta só
é quase nada...
Teriam, desde o berço, idêntico valor:
De toda a criação, universal pendor,
Com que força fatal, tu consegues prender!
Tudo, por ti,
aqui se passa.
Por tua causa e
tua graça,
A duras penas
todos vão:
Não há soldado,
capitão,
Nem fidalgo, plebeu, nem Ministro de Estado,
Que em ti não
tenha o olhar pregado
Das Musas na afeição, se, de serões nascido,
Um agradável som não nos encanta o ouvido,
E se ele não nos traz amena sensação,
Tentamos nós uma
canção?
O que, pomposamente, é chamado de glória
E, nos jogos dOlimpo, exalçava a vitória,
Precisamente, és tu, Volúpia divinal.
E seu preço não tem o prazer sensual?
E então por que
os dons de Flora,
O pôr-do-sol, a
linda Aurora,
Pomona e seus
finos manjares,
Baco, razão dos
bons jantares,
Florestas,
fontes, pradarias,
Mães de
fagueiras fantasias?
Belas artes, por quê? de quem és a nascente,
Por que tanta beldade, amável, atraente,
Se não pra vires, até nós, sempre morar?
Eis o meu parecer, por mais procure alguém
O seu desejo
castigar,
Algum prazer inda
lhe vem.
Ó Volúpia gentil, que, na Grécia de outrora,
De um pensador
foste senhora,
Não me desprezes não: vem à minha morada,
Não ficarás sem
fazer nada:
Amo os livros, o amor, música e diversão,
Cidade, campo, enfim; o mundo nada tem
Que não me seja
enorme bem,
Mesmo o aflito prazer de um triste coração.
Vem, pois, e desse bem, ó Volúpia querida,
Queres então saber a medida acertada?
Pelo menos preciso uns cem anos de vida,
Pois trinta só
é quase nada...
1 655
Caio Valério Catulo
85
Odeio e amo. Quiçá queiras saber por que:
ignoro, mas sinto que acontece, e sofro.
ignoro, mas sinto que acontece, e sofro.
1 424
Emily Dickinson
NUNCA VI UM CAMPO DE URZES
Nunca vi um campo de urzes.
Também nunca vi o mar.
No entanto sei o urze como é,
Posso a onda imaginar.
Nunca estive no Céu.
Nem vi Deus. Todavia
Conheço o sítio como se
Tivesse em mãos um guia.
Também nunca vi o mar.
No entanto sei o urze como é,
Posso a onda imaginar.
Nunca estive no Céu.
Nem vi Deus. Todavia
Conheço o sítio como se
Tivesse em mãos um guia.
2 209
Heinrich Heine
DOCH DIE KASTRATEN
Quando ensaiei minhas árias
Os castrados protestaram.
Que voz, que dicção, ordinárias
- Protestaram e clamaram.
E logo de cada qual
A vozinha delicada
Em trilos como cristal
Pura vibrou e afinada.
De desejos só cantavam,
E do amor e suas partes.
E as damas todas choravam
Comovidas com tais artes.
Os castrados protestaram.
Que voz, que dicção, ordinárias
- Protestaram e clamaram.
E logo de cada qual
A vozinha delicada
Em trilos como cristal
Pura vibrou e afinada.
De desejos só cantavam,
E do amor e suas partes.
E as damas todas choravam
Comovidas com tais artes.
1 996
Heinrich Heine
DOCH DIE KASTRATEN
Quando ensaiei minhas árias
Os castrados protestaram.
Que voz, que dicção, ordinárias
- Protestaram e clamaram.
E logo de cada qual
A vozinha delicada
Em trilos como cristal
Pura vibrou e afinada.
De desejos só cantavam,
E do amor e suas partes.
E as damas todas choravam
Comovidas com tais artes.
Os castrados protestaram.
Que voz, que dicção, ordinárias
- Protestaram e clamaram.
E logo de cada qual
A vozinha delicada
Em trilos como cristal
Pura vibrou e afinada.
De desejos só cantavam,
E do amor e suas partes.
E as damas todas choravam
Comovidas com tais artes.
1 996
Friedrich Hölderlin
Lembrança
Sopra o nordeste,
O mais grato dos ventos:
Grato a mim porque é cálido, e aos marujos
Porque promete fácil travessia.
Eia, saúda agora
O formoso Garona
E os jardins de Bordéus
Lá coleia na íngreme ribeira
A vereda, e no rio
Se despenha o regato; mas acima
Olha o par generoso
De álamos e carvalhos.
Ainda me lembro bem e como
As largas copas curva
O olmedo sobre o moinho.
No pátio há uma figueira.
E nos dias feriados,
Pisando o chão sedoso
Passeiam mulheres morenas
No mês de março
Quanto o dia é igual à noite
E nos lentos caminhos
De áureos sonhos pejados
Sopram brisas embaladoras.
Mas estenda-me alguém,
Da escura luz repleto
O aromado copo
Para que eu possa descansar; pois doce
Seria o sono à sombra.
Também não fora bem
Privar-se de mortais
Pensamentos, que bom
É conversar; dizer
O que se sente, ouvir falar de amores,
De coisas passadas.
Porém que é dos amigos? Belarmino
E o companheiro? Muitos
Têm medo de ir à fonte.
É que a riqueza principia
No mar. Ora, eles
Reúnem como pintores
As belezas da terra e não desprezam
A alada guerra não,
Nem desdenham morar anos a fio
Sob o mastro sem folhas, onde à noite
Não há as luminárias da cidade,
Nem dança e música nativa.
Mas hoje aos Índios
Foram-se os homens,
Ali, na extremidade
Das montanhas cobertas de vinhas
Donde baixa o Dordonha,
Acaba o rio no Garona
Largo como o Oceano. Todavia
O mar toma e devolve a lembrança.
O amor também demora a olhar debalde.
O que perdura porém, fundam-no os poetas.
(Tradução de Manuel Bandeira)
O mais grato dos ventos:
Grato a mim porque é cálido, e aos marujos
Porque promete fácil travessia.
Eia, saúda agora
O formoso Garona
E os jardins de Bordéus
Lá coleia na íngreme ribeira
A vereda, e no rio
Se despenha o regato; mas acima
Olha o par generoso
De álamos e carvalhos.
Ainda me lembro bem e como
As largas copas curva
O olmedo sobre o moinho.
No pátio há uma figueira.
E nos dias feriados,
Pisando o chão sedoso
Passeiam mulheres morenas
No mês de março
Quanto o dia é igual à noite
E nos lentos caminhos
De áureos sonhos pejados
Sopram brisas embaladoras.
Mas estenda-me alguém,
Da escura luz repleto
O aromado copo
Para que eu possa descansar; pois doce
Seria o sono à sombra.
Também não fora bem
Privar-se de mortais
Pensamentos, que bom
É conversar; dizer
O que se sente, ouvir falar de amores,
De coisas passadas.
Porém que é dos amigos? Belarmino
E o companheiro? Muitos
Têm medo de ir à fonte.
É que a riqueza principia
No mar. Ora, eles
Reúnem como pintores
As belezas da terra e não desprezam
A alada guerra não,
Nem desdenham morar anos a fio
Sob o mastro sem folhas, onde à noite
Não há as luminárias da cidade,
Nem dança e música nativa.
Mas hoje aos Índios
Foram-se os homens,
Ali, na extremidade
Das montanhas cobertas de vinhas
Donde baixa o Dordonha,
Acaba o rio no Garona
Largo como o Oceano. Todavia
O mar toma e devolve a lembrança.
O amor também demora a olhar debalde.
O que perdura porém, fundam-no os poetas.
(Tradução de Manuel Bandeira)
1 312
T. S. Eliot
UMA DEDICATÓRIA A MINHA ESPOSA
A quem devo o súbito prazer
Que me estimula os sentidos nas horas acordadas
E o ritmo que nos governa o repouso nas horas dormidas,
A respiração em uníssono
Dos amantes cujos corpos cheiram um ao outro
Que pensam os mesmo pensamentos sem precisar de palavras
E balbuciam as mesmas palavras sem precisar de sentido.
Nenhum vento de inverno impertinente vai gelar
Nenhum sol de trópico rabugento vai fazer murchar
As rosas no rosal que é nosso que é só nosso
Mas esta dedicatória é para outros lerem:
São palavras reservadas dirigidas a você em público.
Que me estimula os sentidos nas horas acordadas
E o ritmo que nos governa o repouso nas horas dormidas,
A respiração em uníssono
Dos amantes cujos corpos cheiram um ao outro
Que pensam os mesmo pensamentos sem precisar de palavras
E balbuciam as mesmas palavras sem precisar de sentido.
Nenhum vento de inverno impertinente vai gelar
Nenhum sol de trópico rabugento vai fazer murchar
As rosas no rosal que é nosso que é só nosso
Mas esta dedicatória é para outros lerem:
São palavras reservadas dirigidas a você em público.
3 048
Archibald Mcleish
ARS POETICA
Um poema deve ser palpável e mudo
como o fruto em globo
Calado
como antigos medalhões nos dedos
Silente como a pedra gasta por mangas
em umbrais onde o musgo cresceu -
Um poema deve ser sem palavras
como o voo das aves
Um poema deve ser imóvel no tempo
como a lua sobe
Largando, como a lua solta
ramo a ramo as árvores presas na noite,
largando, como a luz atrás do inverno larga
memória a memória, o espírito -
Um poema deve ser imóvel no tempo
como a lua sobe
Um poema deve ser igual a -
não verdadeiro
Porque toda a história da dor
uma porta vazia e uma folha de plátano
Porque o amor
as ervas que se curvam e duas luzes acima do mar
Um poema não deve significar
mas ser.
como o fruto em globo
Calado
como antigos medalhões nos dedos
Silente como a pedra gasta por mangas
em umbrais onde o musgo cresceu -
Um poema deve ser sem palavras
como o voo das aves
Um poema deve ser imóvel no tempo
como a lua sobe
Largando, como a lua solta
ramo a ramo as árvores presas na noite,
largando, como a luz atrás do inverno larga
memória a memória, o espírito -
Um poema deve ser imóvel no tempo
como a lua sobe
Um poema deve ser igual a -
não verdadeiro
Porque toda a história da dor
uma porta vazia e uma folha de plátano
Porque o amor
as ervas que se curvam e duas luzes acima do mar
Um poema não deve significar
mas ser.
1 227
Archibald Mcleish
ARS POETICA
Um poema deve ser palpável e mudo
como o fruto em globo
Calado
como antigos medalhões nos dedos
Silente como a pedra gasta por mangas
em umbrais onde o musgo cresceu -
Um poema deve ser sem palavras
como o voo das aves
Um poema deve ser imóvel no tempo
como a lua sobe
Largando, como a lua solta
ramo a ramo as árvores presas na noite,
largando, como a luz atrás do inverno larga
memória a memória, o espírito -
Um poema deve ser imóvel no tempo
como a lua sobe
Um poema deve ser igual a -
não verdadeiro
Porque toda a história da dor
uma porta vazia e uma folha de plátano
Porque o amor
as ervas que se curvam e duas luzes acima do mar
Um poema não deve significar
mas ser.
como o fruto em globo
Calado
como antigos medalhões nos dedos
Silente como a pedra gasta por mangas
em umbrais onde o musgo cresceu -
Um poema deve ser sem palavras
como o voo das aves
Um poema deve ser imóvel no tempo
como a lua sobe
Largando, como a lua solta
ramo a ramo as árvores presas na noite,
largando, como a luz atrás do inverno larga
memória a memória, o espírito -
Um poema deve ser imóvel no tempo
como a lua sobe
Um poema deve ser igual a -
não verdadeiro
Porque toda a história da dor
uma porta vazia e uma folha de plátano
Porque o amor
as ervas que se curvam e duas luzes acima do mar
Um poema não deve significar
mas ser.
1 227
Archibald Mcleish
ARS POETICA
Um poema deve ser palpável e mudo
como o fruto em globo
Calado
como antigos medalhões nos dedos
Silente como a pedra gasta por mangas
em umbrais onde o musgo cresceu -
Um poema deve ser sem palavras
como o voo das aves
Um poema deve ser imóvel no tempo
como a lua sobe
Largando, como a lua solta
ramo a ramo as árvores presas na noite,
largando, como a luz atrás do inverno larga
memória a memória, o espírito -
Um poema deve ser imóvel no tempo
como a lua sobe
Um poema deve ser igual a -
não verdadeiro
Porque toda a história da dor
uma porta vazia e uma folha de plátano
Porque o amor
as ervas que se curvam e duas luzes acima do mar
Um poema não deve significar
mas ser.
como o fruto em globo
Calado
como antigos medalhões nos dedos
Silente como a pedra gasta por mangas
em umbrais onde o musgo cresceu -
Um poema deve ser sem palavras
como o voo das aves
Um poema deve ser imóvel no tempo
como a lua sobe
Largando, como a lua solta
ramo a ramo as árvores presas na noite,
largando, como a luz atrás do inverno larga
memória a memória, o espírito -
Um poema deve ser imóvel no tempo
como a lua sobe
Um poema deve ser igual a -
não verdadeiro
Porque toda a história da dor
uma porta vazia e uma folha de plátano
Porque o amor
as ervas que se curvam e duas luzes acima do mar
Um poema não deve significar
mas ser.
1 227
Archibald Mcleish
ARS POETICA
Um poema deve ser palpável e mudo
como o fruto em globo
Calado
como antigos medalhões nos dedos
Silente como a pedra gasta por mangas
em umbrais onde o musgo cresceu -
Um poema deve ser sem palavras
como o voo das aves
Um poema deve ser imóvel no tempo
como a lua sobe
Largando, como a lua solta
ramo a ramo as árvores presas na noite,
largando, como a luz atrás do inverno larga
memória a memória, o espírito -
Um poema deve ser imóvel no tempo
como a lua sobe
Um poema deve ser igual a -
não verdadeiro
Porque toda a história da dor
uma porta vazia e uma folha de plátano
Porque o amor
as ervas que se curvam e duas luzes acima do mar
Um poema não deve significar
mas ser.
como o fruto em globo
Calado
como antigos medalhões nos dedos
Silente como a pedra gasta por mangas
em umbrais onde o musgo cresceu -
Um poema deve ser sem palavras
como o voo das aves
Um poema deve ser imóvel no tempo
como a lua sobe
Largando, como a lua solta
ramo a ramo as árvores presas na noite,
largando, como a luz atrás do inverno larga
memória a memória, o espírito -
Um poema deve ser imóvel no tempo
como a lua sobe
Um poema deve ser igual a -
não verdadeiro
Porque toda a história da dor
uma porta vazia e uma folha de plátano
Porque o amor
as ervas que se curvam e duas luzes acima do mar
Um poema não deve significar
mas ser.
1 227
Archibald Mcleish
ARS POETICA
Um poema deve ser palpável e mudo
como o fruto em globo
Calado
como antigos medalhões nos dedos
Silente como a pedra gasta por mangas
em umbrais onde o musgo cresceu -
Um poema deve ser sem palavras
como o voo das aves
Um poema deve ser imóvel no tempo
como a lua sobe
Largando, como a lua solta
ramo a ramo as árvores presas na noite,
largando, como a luz atrás do inverno larga
memória a memória, o espírito -
Um poema deve ser imóvel no tempo
como a lua sobe
Um poema deve ser igual a -
não verdadeiro
Porque toda a história da dor
uma porta vazia e uma folha de plátano
Porque o amor
as ervas que se curvam e duas luzes acima do mar
Um poema não deve significar
mas ser.
como o fruto em globo
Calado
como antigos medalhões nos dedos
Silente como a pedra gasta por mangas
em umbrais onde o musgo cresceu -
Um poema deve ser sem palavras
como o voo das aves
Um poema deve ser imóvel no tempo
como a lua sobe
Largando, como a lua solta
ramo a ramo as árvores presas na noite,
largando, como a luz atrás do inverno larga
memória a memória, o espírito -
Um poema deve ser imóvel no tempo
como a lua sobe
Um poema deve ser igual a -
não verdadeiro
Porque toda a história da dor
uma porta vazia e uma folha de plátano
Porque o amor
as ervas que se curvam e duas luzes acima do mar
Um poema não deve significar
mas ser.
1 227
Charles Baudelaire
AS PROMESSAS DE UM ROSTO
Amo, ó pálida beleza, os teus cenhos curvados
Que dão às trevas todo o império;
Teus olhos, embora negros, me inspiram cuidados
Que não têm nada de funéreos.
Teus olhos, que imitam a negrura dos cabelos
Da tua longa crina elástica,
Teus olhos langues me dizem: Amante, se o apelo
Queres seguir da musa plástica
Que infundimos no teu ser, ou tudo que contigo
Em matéria de gosto trazes,
Poderás ver, desde as nádegas até o umbigo,
Que nós te fomos bem verazes;
Encontrarás, sobre dois belos seios pontudos,
Dois grandes medalhões de bronze,
E sob o ventre liso, macio como veludo,
Amorenado como bronze,
Um rico tosão que á tua enorme cabeleira
Copia no negrume e na espessura;
De tão sedoso e encrespado, ele te iguala inteira,
Noite sem astros, Noite escura!
(Tradução
José Paulo Paes)
Que dão às trevas todo o império;
Teus olhos, embora negros, me inspiram cuidados
Que não têm nada de funéreos.
Teus olhos, que imitam a negrura dos cabelos
Da tua longa crina elástica,
Teus olhos langues me dizem: Amante, se o apelo
Queres seguir da musa plástica
Que infundimos no teu ser, ou tudo que contigo
Em matéria de gosto trazes,
Poderás ver, desde as nádegas até o umbigo,
Que nós te fomos bem verazes;
Encontrarás, sobre dois belos seios pontudos,
Dois grandes medalhões de bronze,
E sob o ventre liso, macio como veludo,
Amorenado como bronze,
Um rico tosão que á tua enorme cabeleira
Copia no negrume e na espessura;
De tão sedoso e encrespado, ele te iguala inteira,
Noite sem astros, Noite escura!
(Tradução
José Paulo Paes)
3 344
Charles Baudelaire
AS PROMESSAS DE UM ROSTO
Amo, ó pálida beleza, os teus cenhos curvados
Que dão às trevas todo o império;
Teus olhos, embora negros, me inspiram cuidados
Que não têm nada de funéreos.
Teus olhos, que imitam a negrura dos cabelos
Da tua longa crina elástica,
Teus olhos langues me dizem: Amante, se o apelo
Queres seguir da musa plástica
Que infundimos no teu ser, ou tudo que contigo
Em matéria de gosto trazes,
Poderás ver, desde as nádegas até o umbigo,
Que nós te fomos bem verazes;
Encontrarás, sobre dois belos seios pontudos,
Dois grandes medalhões de bronze,
E sob o ventre liso, macio como veludo,
Amorenado como bronze,
Um rico tosão que á tua enorme cabeleira
Copia no negrume e na espessura;
De tão sedoso e encrespado, ele te iguala inteira,
Noite sem astros, Noite escura!
(Tradução
José Paulo Paes)
Que dão às trevas todo o império;
Teus olhos, embora negros, me inspiram cuidados
Que não têm nada de funéreos.
Teus olhos, que imitam a negrura dos cabelos
Da tua longa crina elástica,
Teus olhos langues me dizem: Amante, se o apelo
Queres seguir da musa plástica
Que infundimos no teu ser, ou tudo que contigo
Em matéria de gosto trazes,
Poderás ver, desde as nádegas até o umbigo,
Que nós te fomos bem verazes;
Encontrarás, sobre dois belos seios pontudos,
Dois grandes medalhões de bronze,
E sob o ventre liso, macio como veludo,
Amorenado como bronze,
Um rico tosão que á tua enorme cabeleira
Copia no negrume e na espessura;
De tão sedoso e encrespado, ele te iguala inteira,
Noite sem astros, Noite escura!
(Tradução
José Paulo Paes)
3 344
Castro Alves
HEBRÉIA
Flos campi et lilium
convallium
(Cântico
dos Cânticos)
Pomba desprança sobre um mar descolhos!
Lírio do vale oriental, brilhante!
Estrela vésper do pastor errante!
Ramo de murta a recender cheirosa!. ..
Tu és, ó filha de Israel formosa...
Tu és, ó linda, sedutora Hebréia...
Pálida rosa da infeliz Judéia
Sem ter o orvalho, que do céu deriva!
Por que descoras, quando a tarde esquiva
Mira-se triste sobre o azul das vagas?
Serão saudades das infindas plagas,
Onde a oliveira no Jordão se inclina?
Sonhas acaso, quando o sol declina,
A terra santa do Oriente imenso?
E as caravanas no deserto extenso?
E os pegureiros da palmeira à sombra?!...
Sim, fora belo na relvosa alfombra,
Junto da fonte, onde Raquel gemera,
Viver contigo qual Jacó vivera
Guiando escravo teu feliz rebanho..
Depois nas águas de cheiroso banho
Como Susana a estremecer de frio --
Fitar-te, ó flor do babilônio rio,
Fitar-te a medo no salgueiro oculto...
Vem pois!... Contigo no deserto inculto,
Fugindo às iras de Saul embora,
Davi eu fora, -- se Micol tu foras,
Vibrando na harpa do profeta o canto...
Não vês?... Do seio me goteja o pranto
Qual da torrente do Cédron deserto!...
Como lutara o patriarca incerto
Lutei, meu anjo, mas caí vencido.
Eu sou o lótus para o chão pendido.
Vem ser o orvalho oriental, brilhante!.
Ai! guia o passo ao viajor perdido,
Estrela vésper do pastor errante!...
convallium
(Cântico
dos Cânticos)
Pomba desprança sobre um mar descolhos!
Lírio do vale oriental, brilhante!
Estrela vésper do pastor errante!
Ramo de murta a recender cheirosa!. ..
Tu és, ó filha de Israel formosa...
Tu és, ó linda, sedutora Hebréia...
Pálida rosa da infeliz Judéia
Sem ter o orvalho, que do céu deriva!
Por que descoras, quando a tarde esquiva
Mira-se triste sobre o azul das vagas?
Serão saudades das infindas plagas,
Onde a oliveira no Jordão se inclina?
Sonhas acaso, quando o sol declina,
A terra santa do Oriente imenso?
E as caravanas no deserto extenso?
E os pegureiros da palmeira à sombra?!...
Sim, fora belo na relvosa alfombra,
Junto da fonte, onde Raquel gemera,
Viver contigo qual Jacó vivera
Guiando escravo teu feliz rebanho..
Depois nas águas de cheiroso banho
Como Susana a estremecer de frio --
Fitar-te, ó flor do babilônio rio,
Fitar-te a medo no salgueiro oculto...
Vem pois!... Contigo no deserto inculto,
Fugindo às iras de Saul embora,
Davi eu fora, -- se Micol tu foras,
Vibrando na harpa do profeta o canto...
Não vês?... Do seio me goteja o pranto
Qual da torrente do Cédron deserto!...
Como lutara o patriarca incerto
Lutei, meu anjo, mas caí vencido.
Eu sou o lótus para o chão pendido.
Vem ser o orvalho oriental, brilhante!.
Ai! guia o passo ao viajor perdido,
Estrela vésper do pastor errante!...
1 709
Cruz e Sousa
A UMA ATRIZ
trechos do
poema O Botão de Rosa
Era um botão feliz,
Cuia roseira, impávida,
Ébria de aromas bons, ébria de orgulhos - ávida
De completa fragrância,
Palpitava com ânsia
Desde a própria raiz.
Tardes formosíssimas,
Ó grande livro aberto aos geniais artistas,
Como tanto alargais as crenças panteístas,
Como tanto esplendeis e como sois riquíssimas.
O cérebro em nevrose,
No pasmo que precede a augusta apoteose
De uma excelsa visão perfeitamente bela,
De uma excelsa visão em límpidos docéis,
Exaltava o acabado artístico da Tela
E o gosto dos pincéis.
A arte especialmente, esse prodígio, atriz,
Como o botão de rosa
Tão meigo e tão feliz,
Pode ser arrojada e brutalmente, ao pego,
Na treva silenciosa,
Onde o espírito vai, atordoado e cego,
Cair, entre soluços,
Como um colosso ideal tombado ao chão de bruços,
Ou pode equilibrar-se em admirável base
Estética e profunda,
Assim, bem como o outro, à mais radiosa altura.
Deves sondá-la bem nesta segunda fase.
Precisas para isso uma alma mais fecunda.
Precisas de sentir a artística loucura...
poema O Botão de Rosa
Era um botão feliz,
Cuia roseira, impávida,
Ébria de aromas bons, ébria de orgulhos - ávida
De completa fragrância,
Palpitava com ânsia
Desde a própria raiz.
Tardes formosíssimas,
Ó grande livro aberto aos geniais artistas,
Como tanto alargais as crenças panteístas,
Como tanto esplendeis e como sois riquíssimas.
O cérebro em nevrose,
No pasmo que precede a augusta apoteose
De uma excelsa visão perfeitamente bela,
De uma excelsa visão em límpidos docéis,
Exaltava o acabado artístico da Tela
E o gosto dos pincéis.
A arte especialmente, esse prodígio, atriz,
Como o botão de rosa
Tão meigo e tão feliz,
Pode ser arrojada e brutalmente, ao pego,
Na treva silenciosa,
Onde o espírito vai, atordoado e cego,
Cair, entre soluços,
Como um colosso ideal tombado ao chão de bruços,
Ou pode equilibrar-se em admirável base
Estética e profunda,
Assim, bem como o outro, à mais radiosa altura.
Deves sondá-la bem nesta segunda fase.
Precisas para isso uma alma mais fecunda.
Precisas de sentir a artística loucura...
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Cruz e Sousa
A UMA ATRIZ
trechos do
poema O Botão de Rosa
Era um botão feliz,
Cuia roseira, impávida,
Ébria de aromas bons, ébria de orgulhos - ávida
De completa fragrância,
Palpitava com ânsia
Desde a própria raiz.
Tardes formosíssimas,
Ó grande livro aberto aos geniais artistas,
Como tanto alargais as crenças panteístas,
Como tanto esplendeis e como sois riquíssimas.
O cérebro em nevrose,
No pasmo que precede a augusta apoteose
De uma excelsa visão perfeitamente bela,
De uma excelsa visão em límpidos docéis,
Exaltava o acabado artístico da Tela
E o gosto dos pincéis.
A arte especialmente, esse prodígio, atriz,
Como o botão de rosa
Tão meigo e tão feliz,
Pode ser arrojada e brutalmente, ao pego,
Na treva silenciosa,
Onde o espírito vai, atordoado e cego,
Cair, entre soluços,
Como um colosso ideal tombado ao chão de bruços,
Ou pode equilibrar-se em admirável base
Estética e profunda,
Assim, bem como o outro, à mais radiosa altura.
Deves sondá-la bem nesta segunda fase.
Precisas para isso uma alma mais fecunda.
Precisas de sentir a artística loucura...
poema O Botão de Rosa
Era um botão feliz,
Cuia roseira, impávida,
Ébria de aromas bons, ébria de orgulhos - ávida
De completa fragrância,
Palpitava com ânsia
Desde a própria raiz.
Tardes formosíssimas,
Ó grande livro aberto aos geniais artistas,
Como tanto alargais as crenças panteístas,
Como tanto esplendeis e como sois riquíssimas.
O cérebro em nevrose,
No pasmo que precede a augusta apoteose
De uma excelsa visão perfeitamente bela,
De uma excelsa visão em límpidos docéis,
Exaltava o acabado artístico da Tela
E o gosto dos pincéis.
A arte especialmente, esse prodígio, atriz,
Como o botão de rosa
Tão meigo e tão feliz,
Pode ser arrojada e brutalmente, ao pego,
Na treva silenciosa,
Onde o espírito vai, atordoado e cego,
Cair, entre soluços,
Como um colosso ideal tombado ao chão de bruços,
Ou pode equilibrar-se em admirável base
Estética e profunda,
Assim, bem como o outro, à mais radiosa altura.
Deves sondá-la bem nesta segunda fase.
Precisas para isso uma alma mais fecunda.
Precisas de sentir a artística loucura...
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