Poemas neste tema
Desejo
Ovídio
Os amores, V: 1-1, 9-26
Era intenso o calor, passava do meio dia;
Estava eu em minha cama repousando.
(...) Eis que vem corina numa túnica ligeira,
Os cabelos lhe ocultando o alvo pescoço;
Assim entrava na alcova a formosa Semiramis,
Dizem, e Laís que amaram tantos homens.
Tirei-lhe a túnica, mas sem empenho de vencer:
Venceu-a, sem mágoa, a sua traição.
Ficou em pé, sem roupa, ali diante de meus olhos.
Em seu corpo não havia um só defeito.
Que ombros e que braços me foi dado ver, tocar!
Os belos seios, que doce comprimi-los!
Que ventre mais polido logo abaixo do peito!
Que primor de ancas, que juvenil a coxa!
Por que pormenorizar? Nada vi não louvável,
E lhe estreitei a nudez contra o meu corpo.
O resto, quem não sabe? Exaustos, repousamos.
Que outros meios-dias me sejam tão prósperos.
Estava eu em minha cama repousando.
(...) Eis que vem corina numa túnica ligeira,
Os cabelos lhe ocultando o alvo pescoço;
Assim entrava na alcova a formosa Semiramis,
Dizem, e Laís que amaram tantos homens.
Tirei-lhe a túnica, mas sem empenho de vencer:
Venceu-a, sem mágoa, a sua traição.
Ficou em pé, sem roupa, ali diante de meus olhos.
Em seu corpo não havia um só defeito.
Que ombros e que braços me foi dado ver, tocar!
Os belos seios, que doce comprimi-los!
Que ventre mais polido logo abaixo do peito!
Que primor de ancas, que juvenil a coxa!
Por que pormenorizar? Nada vi não louvável,
E lhe estreitei a nudez contra o meu corpo.
O resto, quem não sabe? Exaustos, repousamos.
Que outros meios-dias me sejam tão prósperos.
1 198
Ricardo Icassatti Hermano
Lambido
Eu quase havia esquecido como é bom
Ser lambido, beijado, lambuzado
Por uma mulher bonita, manhosa, gostosa
Morena, loira, oriental, negra, ruiva
Não importa
Bastou me deixar levar
Sentir a língua molhada deslizar
Em torno das orelhas, ao redor do pescoço
De cima até embaixo da nuca
Arrepiar-me com o quente/frio da respiração
Lenta...
Pausada...
Um interminável gemido de prazer
Perdido nas entranhas do meu ser
Ser lambido, beijado, lambuzado
Por uma mulher bonita, manhosa, gostosa
Morena, loira, oriental, negra, ruiva
Não importa
Bastou me deixar levar
Sentir a língua molhada deslizar
Em torno das orelhas, ao redor do pescoço
De cima até embaixo da nuca
Arrepiar-me com o quente/frio da respiração
Lenta...
Pausada...
Um interminável gemido de prazer
Perdido nas entranhas do meu ser
927
Anibal Beça
Menino no banheiro
Menino no banheiro
sola um sonho só de gozo
entre a mão e o chuveiro.
sola um sonho só de gozo
entre a mão e o chuveiro.
1 162
Claudia Roquette-Pinto
Luz depois do mergulho
depois de te amar saio refrescada
transparente nascida água
matéria de cisterna
de fosso fundo eterna
na tua profundidade
depois de me encharcar volto cristalina
do escuro à tona respiro
busco a luz que te defina:
água, talvez
água fugaz corpo piscina
transparente nascida água
matéria de cisterna
de fosso fundo eterna
na tua profundidade
depois de me encharcar volto cristalina
do escuro à tona respiro
busco a luz que te defina:
água, talvez
água fugaz corpo piscina
1 006
William Dumbar
Xi! fez ela com alegre gargalhada
Seja meu bezerro e minha mamada
Meu pequeno chorão com gana
E toda alegria que meu corpo reclama
Meu doce rapaz, solitária ceia
Homem algum amei esta semana
Como é bom ver sua cara feia.
Ele disse: minha alegria e minha queixa
minha sopa de carneiro, meu doce de ameixa
Não seja dura com seu Joãozinho
Tenha coração quente e não mauzinho
Seu pescoço branco como osso de baleia
faz uma ereção no meu pintinho
Você quebre meu coração e meus ossos incendeia.
Meu pequeno chorão com gana
E toda alegria que meu corpo reclama
Meu doce rapaz, solitária ceia
Homem algum amei esta semana
Como é bom ver sua cara feia.
Ele disse: minha alegria e minha queixa
minha sopa de carneiro, meu doce de ameixa
Não seja dura com seu Joãozinho
Tenha coração quente e não mauzinho
Seu pescoço branco como osso de baleia
faz uma ereção no meu pintinho
Você quebre meu coração e meus ossos incendeia.
681
Vitorino Nemésio
Nova bárbara escrava
Barborinha uma crioula:
Faz de bahiana evocada
Num hotel de vidro e avenca;
Usa torço cor-de-rosa,
Pano-da-costa fingido,
Chambre crivado no seio:
Seu balangandã preserva-a
Bem menos que seu enleio.
Para não ver os meus olhos
– Figa branca, figa preta -
Atira-as pra trás nas costas,
Tão bem, que só vê diante
A cuia do vatapá:
Mas eu sei quantas pancadas,
Vindo assim, seu peito dá.
Peixinho moreno, pula
No aquário do hotel de luxo
Como gota de água ao céu:
Tem vergonha de ser mate,
O seu passo é como um véu.
Barborinha é uma crioula
(Mulatinha era demais):
As cores, à parte, são várias:
Unidinhas, são iguais.
Vem servir-me cor-de-rosa,
Parda me serve xinxim
(Pérfido, atraso o jantar
Fitando-a entro e mim).
Mas o que serve em verdade
A Barborinha morena,
Na sua saia bahiana
Com roda de campainha,
Não é o envisco que comem
Os peixes do hotel de vidro,
Mas a sua graça apenas.
Tão quente (sendo ela fria)!
E as mãos! as mãos! – tão pequenas,
Tão pequenas, que eu diria
Que as fazem penas – e fogem
As aves que há na Bahia!
Faz de bahiana evocada
Num hotel de vidro e avenca;
Usa torço cor-de-rosa,
Pano-da-costa fingido,
Chambre crivado no seio:
Seu balangandã preserva-a
Bem menos que seu enleio.
Para não ver os meus olhos
– Figa branca, figa preta -
Atira-as pra trás nas costas,
Tão bem, que só vê diante
A cuia do vatapá:
Mas eu sei quantas pancadas,
Vindo assim, seu peito dá.
Peixinho moreno, pula
No aquário do hotel de luxo
Como gota de água ao céu:
Tem vergonha de ser mate,
O seu passo é como um véu.
Barborinha é uma crioula
(Mulatinha era demais):
As cores, à parte, são várias:
Unidinhas, são iguais.
Vem servir-me cor-de-rosa,
Parda me serve xinxim
(Pérfido, atraso o jantar
Fitando-a entro e mim).
Mas o que serve em verdade
A Barborinha morena,
Na sua saia bahiana
Com roda de campainha,
Não é o envisco que comem
Os peixes do hotel de vidro,
Mas a sua graça apenas.
Tão quente (sendo ela fria)!
E as mãos! as mãos! – tão pequenas,
Tão pequenas, que eu diria
Que as fazem penas – e fogem
As aves que há na Bahia!
1 672
Manuela Amaral
Teu corpo de agosto
Teu corpo é agosto
Tu cheiras a verão
por baixo das veias
Tu cheiras a quente
Tu cheiras à febre
do sangue maduro
Teu ventre de orgia
teu cheiro a sodoma
aroma-mulher
Teu corpo de agosto
tem cheiro a setembro
Tu cheiras a verão
por baixo das veias
Tu cheiras a quente
Tu cheiras à febre
do sangue maduro
Teu ventre de orgia
teu cheiro a sodoma
aroma-mulher
Teu corpo de agosto
tem cheiro a setembro
1 812
António Lobo de Carvalho
Soneto V
Lamentando a desgraça dos freiráticos
Não há maior asneira neste mundo
Do que um homem comer uma punheta
Duma freira, que tem onde se meta
Um caralho bem grosso, e rubicundo:
De que serve estar vendo o cono imundo,
O pentelho que esconde a torpe greta,
E um dedinho que roça por tal greta,
Que leite faz lançar pouco, e injocundo?
Estar então um basbaque, uma alma bruta
Na pança a dar punhadas com canseira.
Enquanto a porra vê um pouco enxuta:
Ora torno a dizer, é grande asneira;
Pois vale mais foder a mais reles puta,
Do que estar vendo as pernas duma freiral
Não há maior asneira neste mundo
Do que um homem comer uma punheta
Duma freira, que tem onde se meta
Um caralho bem grosso, e rubicundo:
De que serve estar vendo o cono imundo,
O pentelho que esconde a torpe greta,
E um dedinho que roça por tal greta,
Que leite faz lançar pouco, e injocundo?
Estar então um basbaque, uma alma bruta
Na pança a dar punhadas com canseira.
Enquanto a porra vê um pouco enxuta:
Ora torno a dizer, é grande asneira;
Pois vale mais foder a mais reles puta,
Do que estar vendo as pernas duma freiral
1 905
Armando Freitas Filho
Mademoiselle furta cor
Por esta fresta te espreito
Por esta fresta te desvendo
Por esta fresta
cravo
sonda contra esponja,
e babo
e te penetro
teso e reto, e por inteiro
ó seu corpo se entreabre:
porta e perna, caixa e coxa.
Por esta fenda
tenda
de pele que se franze,
e rasga
eu me adentro
feito de espera e de esperma:
e espremo - te aperto - e exprimo
toda a cor da carne do amor que escrevo.
Por esta fresta me espreito
Por esta fenda me desvendo
Por esta fresta te desvendo
Por esta fresta
cravo
sonda contra esponja,
e babo
e te penetro
teso e reto, e por inteiro
ó seu corpo se entreabre:
porta e perna, caixa e coxa.
Por esta fenda
tenda
de pele que se franze,
e rasga
eu me adentro
feito de espera e de esperma:
e espremo - te aperto - e exprimo
toda a cor da carne do amor que escrevo.
Por esta fresta me espreito
Por esta fenda me desvendo
1 869
Manuela Amaral
Auto de fé
Não me arrependo dos amores que tive
dos corpos de mulher por quem passei
a todos fui fiel
a todos eu amei
Não me arrependo dos dias e das noites
em que o meu corpo herói ganhou batalhas
A um palmo do umbigo eu fui primeira
a divina
a deusa
a verdadeira mulher – sem rival.
Amei tantas mulheres de que nem sei o nome
eu só me lembro apenas
de abraços
de pernas
de beijos
e orgasmos
E no amor que dei
e no Amor que tive
eu fui toda mulher – fui vertical
Eu fui mulher em espanto
fui mulher em espasmo
fui o canto proibido e solitário
Só tenho um itinerário: Amor-Mulher.
dos corpos de mulher por quem passei
a todos fui fiel
a todos eu amei
Não me arrependo dos dias e das noites
em que o meu corpo herói ganhou batalhas
A um palmo do umbigo eu fui primeira
a divina
a deusa
a verdadeira mulher – sem rival.
Amei tantas mulheres de que nem sei o nome
eu só me lembro apenas
de abraços
de pernas
de beijos
e orgasmos
E no amor que dei
e no Amor que tive
eu fui toda mulher – fui vertical
Eu fui mulher em espanto
fui mulher em espasmo
fui o canto proibido e solitário
Só tenho um itinerário: Amor-Mulher.
1 931
Jean de La Fontaine
Epigrama
Amar, foder: uma união
De prazeres que não separo.
A volúpia e os prazeres são
O que a alma possui de mais raro.
Caralho, cona e corações
Juntam-se em doces efusões
Que os crentes censuram, os loucos.
Reflete nisso, oh minha amada:
Amar sem foder é bem pouco,
Foder sem amar não é nada.
De prazeres que não separo.
A volúpia e os prazeres são
O que a alma possui de mais raro.
Caralho, cona e corações
Juntam-se em doces efusões
Que os crentes censuram, os loucos.
Reflete nisso, oh minha amada:
Amar sem foder é bem pouco,
Foder sem amar não é nada.
3 658
Manuela Amaral
Sexo-cama
Fui ordinária
requintada
tímida
Misturei poesia com vários palavrões
Gritei
Uivei
Gemi
Rasguei almofadas e lençóis
Fui carnaval de amor
no circo de uma cama.
requintada
tímida
Misturei poesia com vários palavrões
Gritei
Uivei
Gemi
Rasguei almofadas e lençóis
Fui carnaval de amor
no circo de uma cama.
2 696
Ferreira Gullar
Um sorriso
Quando
com minhas mãos de labareda
te acendo e em rosa
embaixo
te espetalas
quando
com o meu aceso archote e cego
penetro a noite de tua flor que exala
urina
e mel
que busco eu com toda essa assassina
fúria de macho?
que busco eu
em fogo
aqui embaixo?
senão colher com a repentina
mão do delírio
uma outra flor: a do sorriso
que no alto o teu rosto ilumina?
com minhas mãos de labareda
te acendo e em rosa
embaixo
te espetalas
quando
com o meu aceso archote e cego
penetro a noite de tua flor que exala
urina
e mel
que busco eu com toda essa assassina
fúria de macho?
que busco eu
em fogo
aqui embaixo?
senão colher com a repentina
mão do delírio
uma outra flor: a do sorriso
que no alto o teu rosto ilumina?
4 345
António Lobo de Carvalho
Soneto VI
A certa Messalina dos nossos tempos, a quem se pode aplicar o que Juvenal dizia da romana
Essa altiva mulher, cara de borra,
Alta, magra, amarela, tola e feia,
Casada com um ourives que laureia,
Ténue dote comendo à tripa-forra:
Também ninguém duvida que Ihe escorra
Pelas pemas humor de gonorreia;
É tão puta, que diz à boca cheia
Que jamais se acolheu farta de porra:
Se a não fartou do Braga um caralhote
De vinte, nem do Arrobas um caralho
Nem outras porras mil, todas de lote;
Como há-de saciá-la o seu paspalho,
Qus tendo uma barriga como um pote,
Tem piça menor que um dente de alho?
Essa altiva mulher, cara de borra,
Alta, magra, amarela, tola e feia,
Casada com um ourives que laureia,
Ténue dote comendo à tripa-forra:
Também ninguém duvida que Ihe escorra
Pelas pemas humor de gonorreia;
É tão puta, que diz à boca cheia
Que jamais se acolheu farta de porra:
Se a não fartou do Braga um caralhote
De vinte, nem do Arrobas um caralho
Nem outras porras mil, todas de lote;
Como há-de saciá-la o seu paspalho,
Qus tendo uma barriga como um pote,
Tem piça menor que um dente de alho?
1 218
António Lobo de Carvalho
Soneto IX
A um figurão mui putanheiro, que em prémio de suas laboriosas proezas teve a pica decepada
De foder sujos conos já cansado
De Almeida apodreceu o membro enorme;
Parou enfim a máquina triforme,
Que tinha imensas cricas arrombado:
Soou por toda a parte o grosso brado
Do tremendo marzapo ingente, e informe;
Mas (desgraça cruel!) em cinzas dorme,
Por amolados ferros decotado:
A ver o triste funeral correram
Mais de mil putas, que ao fatal estrago
Cobrindo os olhos com as mãos gemeram:
Temei, casadas, o venal afago:
Olhai que vis michelas concorreram
Para ficar de Nise o cono vago
De foder sujos conos já cansado
De Almeida apodreceu o membro enorme;
Parou enfim a máquina triforme,
Que tinha imensas cricas arrombado:
Soou por toda a parte o grosso brado
Do tremendo marzapo ingente, e informe;
Mas (desgraça cruel!) em cinzas dorme,
Por amolados ferros decotado:
A ver o triste funeral correram
Mais de mil putas, que ao fatal estrago
Cobrindo os olhos com as mãos gemeram:
Temei, casadas, o venal afago:
Olhai que vis michelas concorreram
Para ficar de Nise o cono vago
1 195
Eugénia Tabosa
Sentidos
Meus dedos
lentos
percorrendo
a medo
teu corpo
aberto
oferto.
Meus dedos
surpresos
soltando
o calor
o cheiro
de teu corpo
descoberto.
Meus dedos
olhos
trazendo
imagens
mensagens
ao meu corpo
trémulo.
…
Esqueci
teu nome
teu rosto
o quando
e o porquê
Só existes
em meus dedos
lentos
percorrendo
a medo
teu corpo
aberto
oferto.
Meus dedos
surpresos
soltando
o calor
o cheiro
de teu corpo
descoberto.
Meus dedos
olhos
trazendo
imagens
mensagens
ao meu corpo
trémulo.
…
Esqueci
teu nome
teu rosto
o quando
e o porquê
Só existes
em meus dedos
1 333
Manuela Amaral
Grito erótico
Caluniaste o meu corpo
ao longo dos teus gestos
sem medida
Desde a palavra exacta
do meu sexo
e soletraste-me puta
Puta
Puta
Angustiosamente erótica
abri-me em coxas
e penetrei-te na minha fauna aquática
Grito marinho
a escorrer nas algas
do meu ventre
Puta
Puta.
ao longo dos teus gestos
sem medida
Desde a palavra exacta
do meu sexo
e soletraste-me puta
Puta
Puta
Angustiosamente erótica
abri-me em coxas
e penetrei-te na minha fauna aquática
Grito marinho
a escorrer nas algas
do meu ventre
Puta
Puta.
2 172
António Carlos Belchior
Sensual
Quando eu cantar
quero ficar
molhado de suor
e por favor não vá pensar
que é só a luz do reflector
será minha alma que sua
sou um sol negro de dor
outro corpo a pele nua
carne músculo e suor
como um cão que uiva pra Lua
contra seu dono e feitor
bicho um animal ferido
no dia do caçador
humaníssimo gemido
raro e comum como o amor
Quando eu cantar
quero deixar você
molhado de amor
e por favor não vá pensar
que é só a noite ou o calor
Quero ver você ser
inteiramente tocada
pelo licor da saliva
a língua o beijo a palavra
minha voz quer ser o dedo
na tua chaga sagrada
uma voz feita de espinho
espora em teus membros cansados
sensual como o espírito
ou como o verbo encarnado
quero ficar
molhado de suor
e por favor não vá pensar
que é só a luz do reflector
será minha alma que sua
sou um sol negro de dor
outro corpo a pele nua
carne músculo e suor
como um cão que uiva pra Lua
contra seu dono e feitor
bicho um animal ferido
no dia do caçador
humaníssimo gemido
raro e comum como o amor
Quando eu cantar
quero deixar você
molhado de amor
e por favor não vá pensar
que é só a noite ou o calor
Quero ver você ser
inteiramente tocada
pelo licor da saliva
a língua o beijo a palavra
minha voz quer ser o dedo
na tua chaga sagrada
uma voz feita de espinho
espora em teus membros cansados
sensual como o espírito
ou como o verbo encarnado
1 139
Gisela Rao
Motel Paradise
- Oi, eu sou o Adão...
- Adão?
- É, Adão, o Peladão...
- Ah, sei, já ouvi falar...
Eu sou a Eva...
- Minha costela tá doendo...
- Heim?
- Nada não, deixa para lá...
- Bom: vamos começar, né?
- Claro...
O que que eu faço?
- Ele não te ensinou?
- Nem...
- Ah, sei lá...
Eu acho que você põe a mão nesses dois
montinhos bicudos aqui em cima...
- Assim?
- É... Mas pode largar a maçã, se quiser...
- Ah, é, desculpe... Tô um pouco nervoso... E agora?
- Não tenho certeza, mas acho que você gruda o lugar
com que você fala no meu e mete esse negócio
vermelho molão lá dentro...
- Achim?
- Credo! Que bafo de onça...
- Desculpe... Peraí que eu vou mastigar umas pétalas de flor...
Nham, nham, nham... Melhorou?
- Melhorou...
- E agora?
- Sei lá... Tem certeza que Ele
não te disse?
- Disse... Disse que era para
você fazer carinho nesse treco
pendurado aqui que ele cresce...
- Nem morta! Eu tenho nojo...
Além do mais, eu também tenho medo. Sei lá de que
tamanho fica esse bicho...
- Precisa ficar com medo, não... Aposto que é menor
que certas coisinhas que você já viu por aí...
- Tá insinuando o que, heim, moleque?!?
- Tô falando dessa cobra asquerosa que não larga do
teu pé...
- Vai catar coquinho, cabeça de melão...
- Escuta aqui, ô, Maria Costela... Vamos começar
logo o serviço porque eu não tô a fim de agüentar
piripaque de mina fresca.
- Maria Costela é esse buraquinho que você tem aí atrás...
- Vai, abre logo essas pernas...
- Vê lá como fala, heim, Zé Parreira...
- Peraí... Peraí... Ó, o bicho cresceu, viu?
- Olha só... quem diria... E ficou duro pacas...
Ai... E se doer?
- Não dói, não...
- Tá bom, então manda pau...
- Taí, gostei... Vamos chamar o treco pendurado de pau!
- Legal... E ela?
- O buracão?
O buracão a gente chama de caverna peluda...
- Muito romântico...
- Arghhh!!!!
- Que foi?
- Tá tudo melado aí dentro!!!
Não vou meter meu "pau" aí nem que a
vaca tussa...
- Saco!
Vou reclamar com Ele..
Aliás, sabe o que eu acho? Acho que você é um
tremendo gayzão!!!
- Gayzão? Que que é isso?
- É homem que gosta de homem...
- Cadê o outro homem, burra?
- É mesmo, fica difícil ser gay por aqui...
- Nossa! Olha aquilo!!!
- O que?
Clunca!
- Aiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii!!!! Cafajeste!
Doeu viu...
- Relaxa, benzinho...
O pior já passou...
Olha, faz assim: quando eu for para cá,
você vai para lá... Quando eu for pra lá, você vem pra cá...
Tá bom?
- Tá...
- Então, vamos! Um, dois e...
Balança, balança, balança...
- Ai, Adão... Assim tá gostoso...
- Yes! Yes! Yes!
Hei! Para que serve esse negocinho aí em cima do
cavernão peludo?
- Não sei, mexe para ver...
Clica! Clica! Clica!
- Ai, mexe mais...
Não para! Não para! Não para!!!!!!!!!
- Não vo...vo... vo... vou... pa.. pa... pa...rar...
- Aaa...
Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh
- Ooo...
Ohhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh
Pausa
- Ai, meu Deus do Céu... O que foi isso?
- Não sei, mas para mim foi bom demais...
Foi bom para você?
- Se foi...
Senti uma coisa estranha...
- Como o que?
Como se estivesse... no PARAÍSO...
- Pode crê!
- Adão?
- É, Adão, o Peladão...
- Ah, sei, já ouvi falar...
Eu sou a Eva...
- Minha costela tá doendo...
- Heim?
- Nada não, deixa para lá...
- Bom: vamos começar, né?
- Claro...
O que que eu faço?
- Ele não te ensinou?
- Nem...
- Ah, sei lá...
Eu acho que você põe a mão nesses dois
montinhos bicudos aqui em cima...
- Assim?
- É... Mas pode largar a maçã, se quiser...
- Ah, é, desculpe... Tô um pouco nervoso... E agora?
- Não tenho certeza, mas acho que você gruda o lugar
com que você fala no meu e mete esse negócio
vermelho molão lá dentro...
- Achim?
- Credo! Que bafo de onça...
- Desculpe... Peraí que eu vou mastigar umas pétalas de flor...
Nham, nham, nham... Melhorou?
- Melhorou...
- E agora?
- Sei lá... Tem certeza que Ele
não te disse?
- Disse... Disse que era para
você fazer carinho nesse treco
pendurado aqui que ele cresce...
- Nem morta! Eu tenho nojo...
Além do mais, eu também tenho medo. Sei lá de que
tamanho fica esse bicho...
- Precisa ficar com medo, não... Aposto que é menor
que certas coisinhas que você já viu por aí...
- Tá insinuando o que, heim, moleque?!?
- Tô falando dessa cobra asquerosa que não larga do
teu pé...
- Vai catar coquinho, cabeça de melão...
- Escuta aqui, ô, Maria Costela... Vamos começar
logo o serviço porque eu não tô a fim de agüentar
piripaque de mina fresca.
- Maria Costela é esse buraquinho que você tem aí atrás...
- Vai, abre logo essas pernas...
- Vê lá como fala, heim, Zé Parreira...
- Peraí... Peraí... Ó, o bicho cresceu, viu?
- Olha só... quem diria... E ficou duro pacas...
Ai... E se doer?
- Não dói, não...
- Tá bom, então manda pau...
- Taí, gostei... Vamos chamar o treco pendurado de pau!
- Legal... E ela?
- O buracão?
O buracão a gente chama de caverna peluda...
- Muito romântico...
- Arghhh!!!!
- Que foi?
- Tá tudo melado aí dentro!!!
Não vou meter meu "pau" aí nem que a
vaca tussa...
- Saco!
Vou reclamar com Ele..
Aliás, sabe o que eu acho? Acho que você é um
tremendo gayzão!!!
- Gayzão? Que que é isso?
- É homem que gosta de homem...
- Cadê o outro homem, burra?
- É mesmo, fica difícil ser gay por aqui...
- Nossa! Olha aquilo!!!
- O que?
Clunca!
- Aiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii!!!! Cafajeste!
Doeu viu...
- Relaxa, benzinho...
O pior já passou...
Olha, faz assim: quando eu for para cá,
você vai para lá... Quando eu for pra lá, você vem pra cá...
Tá bom?
- Tá...
- Então, vamos! Um, dois e...
Balança, balança, balança...
- Ai, Adão... Assim tá gostoso...
- Yes! Yes! Yes!
Hei! Para que serve esse negocinho aí em cima do
cavernão peludo?
- Não sei, mexe para ver...
Clica! Clica! Clica!
- Ai, mexe mais...
Não para! Não para! Não para!!!!!!!!!
- Não vo...vo... vo... vou... pa.. pa... pa...rar...
- Aaa...
Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh
- Ooo...
Ohhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh
Pausa
- Ai, meu Deus do Céu... O que foi isso?
- Não sei, mas para mim foi bom demais...
Foi bom para você?
- Se foi...
Senti uma coisa estranha...
- Como o que?
Como se estivesse... no PARAÍSO...
- Pode crê!
968
Fernando Py
Após o banho, nua
Após o banho, nua
ainda, o corpo úmido
ao meu encontro, visão,
relembro, cálido êxtase,
os seios entrevistos
no decote frouxo, agora, nua,
toalha molhando-se, ressurgem
após o banho,
fremindo, suave embalo, avidez
de língua e mãos, nua, vens,
perfume, sulcos na pele,
ansiada espera, curvas, a entrega
ao meu olhar, bocas, rosa
túmida, pétala, sucção, espuma,
resplandeces para mim, nua,
após o banho.
ainda, o corpo úmido
ao meu encontro, visão,
relembro, cálido êxtase,
os seios entrevistos
no decote frouxo, agora, nua,
toalha molhando-se, ressurgem
após o banho,
fremindo, suave embalo, avidez
de língua e mãos, nua, vens,
perfume, sulcos na pele,
ansiada espera, curvas, a entrega
ao meu olhar, bocas, rosa
túmida, pétala, sucção, espuma,
resplandeces para mim, nua,
após o banho.
1 338
José Eduardo Mendes Camargo
Querer
Quero massagear o teu corpo,
Como se te prestasse um tributo de paixão.
E com minhas mãos, como que num ritual,
Percorrer-te todos os caminhos
E dele extrair a chama da combustão.
E cheirá-la por inteiro,
No ardor de farejar o âmago de tua alma fêmea.
E beijá-la voluptuosamente e com meus lábios
Sorver o suor ensandecido de teus poros
Quero, então, corpos unidos,
Dançar ao som de teus gemidos e sussurros
A dança terna e alucinante do amor.
Como se te prestasse um tributo de paixão.
E com minhas mãos, como que num ritual,
Percorrer-te todos os caminhos
E dele extrair a chama da combustão.
E cheirá-la por inteiro,
No ardor de farejar o âmago de tua alma fêmea.
E beijá-la voluptuosamente e com meus lábios
Sorver o suor ensandecido de teus poros
Quero, então, corpos unidos,
Dançar ao som de teus gemidos e sussurros
A dança terna e alucinante do amor.
1 721
Mônica Banderas
Ricardo
Com meus olhos
invadi sua privacidade.
Abri suas gavetas,
bordei meu nome
nas suas gravatas.
risquei suas cuecas com batom.
Suas pernas de calça
amarrei-as uma a uma
nas alças do meu sutiã.
Minhas calcinhas estão junto com minhas fronhas
Seu umbigo,
escondi com um chumaço de algodão.
Dos seus cinco dedos da mão esquerda
o do meio é meu.
Sou dona do seu sobrenome,
medidas, cardário,
cavidades, orifícios,
suores, odores, manifestações.
Denigro seu caráter frente ao espelho,
respiro seu ar e...
rasgo suas pernas, seus ombros,
para depois colar
parte por parte,
na minha agenda escolar...
invadi sua privacidade.
Abri suas gavetas,
bordei meu nome
nas suas gravatas.
risquei suas cuecas com batom.
Suas pernas de calça
amarrei-as uma a uma
nas alças do meu sutiã.
Minhas calcinhas estão junto com minhas fronhas
Seu umbigo,
escondi com um chumaço de algodão.
Dos seus cinco dedos da mão esquerda
o do meio é meu.
Sou dona do seu sobrenome,
medidas, cardário,
cavidades, orifícios,
suores, odores, manifestações.
Denigro seu caráter frente ao espelho,
respiro seu ar e...
rasgo suas pernas, seus ombros,
para depois colar
parte por parte,
na minha agenda escolar...
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