Poemas neste tema
Amor Romântico
Felipe Larson
UMA IMAGEM EM DUAS CORES
Noites de insônia só penso em você
Não vejo a hora de o dia nascer
Noites de agonia, eu me ligo em você.
Quando estou sentado de frente a TV
Uma imagem para se ver
Em apenas duas cores no entardecer
O amor não vem de longe no amanhecer
Ele vem surgindo pra eu na te esquecer
E eu não vou te esquecer
Não!
Não vejo a hora de o dia nascer
Noites de agonia, eu me ligo em você.
Quando estou sentado de frente a TV
Uma imagem para se ver
Em apenas duas cores no entardecer
O amor não vem de longe no amanhecer
Ele vem surgindo pra eu na te esquecer
E eu não vou te esquecer
Não!
852
Felipe Larson
CORAÇÃO PIRADO
Tenho um coração pirado
Que vive sem razão
Mas sempre foi guiado
Pela força da emoção
Espero estar certo
E pronto para amar
Pra tudo que vier
Pra tudo que passar
Então sonhar com você
Pensar em você
Todos os dias
Então sonhar com você
Pensar em você na esperança de te ter
24 horas do dia
Descrevo meu destino
Seguindo o seu caminho
E aprendendo a amar
Com o brilho no olhar
Sentado do seu lado
De frente para o mar
Depois que fui beijado
Parecia flutuar
Que vive sem razão
Mas sempre foi guiado
Pela força da emoção
Espero estar certo
E pronto para amar
Pra tudo que vier
Pra tudo que passar
Então sonhar com você
Pensar em você
Todos os dias
Então sonhar com você
Pensar em você na esperança de te ter
24 horas do dia
Descrevo meu destino
Seguindo o seu caminho
E aprendendo a amar
Com o brilho no olhar
Sentado do seu lado
De frente para o mar
Depois que fui beijado
Parecia flutuar
920
Augusto dos Anjos
Amor e Religião
Conheci-o: era um padre, um desses santos
Sacerdotes da Fé de crença pura,
Da sua fala na eternal doçura
Falava o coração. Quantos, oh! Quantos
Ouviram dele frases de candura
Que d'infelizes enxugavam prantos!
E como alegres não ficaram tantos
Corações sem prazer e sem ventura!
No entanto dizem que este padre amara.
Morrera um dia desvairado, estulto,
Su'alma livre para o Céu se alara.
E Deus lhe disse: "És duas vezes santo,
Pois se da Religião fizeste culto,
Foste do amor o mártir sacrossanto."
Sacerdotes da Fé de crença pura,
Da sua fala na eternal doçura
Falava o coração. Quantos, oh! Quantos
Ouviram dele frases de candura
Que d'infelizes enxugavam prantos!
E como alegres não ficaram tantos
Corações sem prazer e sem ventura!
No entanto dizem que este padre amara.
Morrera um dia desvairado, estulto,
Su'alma livre para o Céu se alara.
E Deus lhe disse: "És duas vezes santo,
Pois se da Religião fizeste culto,
Foste do amor o mártir sacrossanto."
3 614
Álvares de Azevedo
CANTIGA DE VIOLA
Lira dos Vinte Anos
Primeira Parte
O PASTOR MORIBUNDO
A existência dolorida
Cansa em meu peito: eu bem sei
Que morrerei...
Contudo da minha vida
Podia alentar-se a flor
No teu amor!
Do coração nos refolhos
Solta um ai! num teu suspiro
Eu respiro...
Mas fita ao menos teus olhos
Sobre os meus... eu quero-os ver
Para morrer!
Guarda contigo a viola
onde teus olhos cantei...
E suspirei!
Só a idéia me consola
Que morro como vivi...
Morro por ti!
Se um dia tu'alma pura
Tiver saudades de mim,
Meu serafim!
Talvez notas de ternura
Inspirem o doudo amor
Do trovador!
Primeira Parte
O PASTOR MORIBUNDO
A existência dolorida
Cansa em meu peito: eu bem sei
Que morrerei...
Contudo da minha vida
Podia alentar-se a flor
No teu amor!
Do coração nos refolhos
Solta um ai! num teu suspiro
Eu respiro...
Mas fita ao menos teus olhos
Sobre os meus... eu quero-os ver
Para morrer!
Guarda contigo a viola
onde teus olhos cantei...
E suspirei!
Só a idéia me consola
Que morro como vivi...
Morro por ti!
Se um dia tu'alma pura
Tiver saudades de mim,
Meu serafim!
Talvez notas de ternura
Inspirem o doudo amor
Do trovador!
2 321
Álvares de Azevedo
TARDE DE VERÃO
Lira dos Vinte Anos
Primeira Parte
Viens!...
Que l'arbre pénétré de parfums et de chants,
.....................................................................
Et l'o,bre et le soleil, et l'onde et la verdure,
Et le rayonnement de toute la nature
Fassent épanouir comme une double fleur
La beauté sur ton front, et l'amour dans ton coeur!
V. HUGO
Como cheirosa e doce a tarde expira!
De amor e luz inunda a praia bela...
E o sol já roxo e trêmulo desdobra
Um íris furta-cor na fronte dela.
Deixai que eu morra só! enquanto o fogo
Da última febre dentro em mim vacila,
Não venham ilusões chamar-me à vida,
De saudades banhar a hora tranqüila!
Meu Deus! que eu morra em paz! não me coroem
De flores infecundas a agonia!
Oh! não doire o sonhar do moribundo
Lisonjeiro pincel da fantasia!
Exaurido de dor e d'esperança
Posso aqui respirar mais livremente,
Sentir ao vento dilatar-se a vida,
Como a flor da lagoa transparente!
Se ela estivesse aqui! no vale agora
Cai doce a brisa morna desmaiando:
Nos murmúrios do mar fora tão doce
Da tarde no palor viver amando!
Uni-la ao peito meu - nos lábios dela
Respirar uma vez, cobrando alento;
A divina visão de seus amores
Acordar o meu peito inda um momento!
Fulgura a minha amante entre meus sonhos,
Como a estrela do mar nas águas brilha,
Bebe à noite o favônio em seus cabelos
Aroma mais suave que a baunilha.
Se ela estivesse aqui! jamais tão doce
O crepúsculo o céu embelecera...
E a tarde de verão fora mais bela,
Brilhando sobre a sua primavera!
Da lânguida pupila de seus olhos
Num olhar de desdém entorna amores,
Como à brisa vernal na relva mole
O pessegueiro em flor derrama flores.
Árvore florescente desta vida,
Que amor, beleza e mocidade encantam,
Derrama no meu seio as tuas flores
Onde as aves do céu à noite cantam!
Vem! a areia do mar cobri de flores,
Perfumei de jasmins teu doce leito;
Podes suave, ó noiva do poeta,
Suspirosa dormir sobre meu peito!
Não tardes, minha vida! no crepúsculo
Ave da noite me acompanha a lira...
É um canto de amor... Meu Deus! que sonhos!
Era ainda ilusão - era mentira!
Primeira Parte
Viens!...
Que l'arbre pénétré de parfums et de chants,
.....................................................................
Et l'o,bre et le soleil, et l'onde et la verdure,
Et le rayonnement de toute la nature
Fassent épanouir comme une double fleur
La beauté sur ton front, et l'amour dans ton coeur!
V. HUGO
Como cheirosa e doce a tarde expira!
De amor e luz inunda a praia bela...
E o sol já roxo e trêmulo desdobra
Um íris furta-cor na fronte dela.
Deixai que eu morra só! enquanto o fogo
Da última febre dentro em mim vacila,
Não venham ilusões chamar-me à vida,
De saudades banhar a hora tranqüila!
Meu Deus! que eu morra em paz! não me coroem
De flores infecundas a agonia!
Oh! não doire o sonhar do moribundo
Lisonjeiro pincel da fantasia!
Exaurido de dor e d'esperança
Posso aqui respirar mais livremente,
Sentir ao vento dilatar-se a vida,
Como a flor da lagoa transparente!
Se ela estivesse aqui! no vale agora
Cai doce a brisa morna desmaiando:
Nos murmúrios do mar fora tão doce
Da tarde no palor viver amando!
Uni-la ao peito meu - nos lábios dela
Respirar uma vez, cobrando alento;
A divina visão de seus amores
Acordar o meu peito inda um momento!
Fulgura a minha amante entre meus sonhos,
Como a estrela do mar nas águas brilha,
Bebe à noite o favônio em seus cabelos
Aroma mais suave que a baunilha.
Se ela estivesse aqui! jamais tão doce
O crepúsculo o céu embelecera...
E a tarde de verão fora mais bela,
Brilhando sobre a sua primavera!
Da lânguida pupila de seus olhos
Num olhar de desdém entorna amores,
Como à brisa vernal na relva mole
O pessegueiro em flor derrama flores.
Árvore florescente desta vida,
Que amor, beleza e mocidade encantam,
Derrama no meu seio as tuas flores
Onde as aves do céu à noite cantam!
Vem! a areia do mar cobri de flores,
Perfumei de jasmins teu doce leito;
Podes suave, ó noiva do poeta,
Suspirosa dormir sobre meu peito!
Não tardes, minha vida! no crepúsculo
Ave da noite me acompanha a lira...
É um canto de amor... Meu Deus! que sonhos!
Era ainda ilusão - era mentira!
1 736
Álvares de Azevedo
SONHANDO
Hier, la nuit d'été, que nous prêtait ses voiles,
Était digne de toi, tant elle avait d'étoiles!
VICTOR HUGO
Na praia deserta que a lua branqueia,
Que mimo! que rosa! que filha de Deus!
Tão pálida... ao vê-la meu ser devaneia,
Sufoco nos lábios os hálitos meus!
Não corras na areia,
Não corras assim!
Donzela, onde vais?
Tem pena de mim!
A praia é tão longa! e a onda bravia
As roupas de gaza te molha de escuma...
De noite, aos serenos, a areia é tão fria...
Tão úmido o vento que os ares perfuma!
És tão doentia...
Não corras assim...
Donzela, onde vais?
Tem pena de mim!
A brisa teus negros cabelos soltou,
O orvalho da face te esfria o suor,
Teus seios palpitam - a brisa os roçou,
Beijou-os, suspira, desmaia de amor!
Teu pé tropeçou...
Não corras assim...
Donzela, onde vais?
Tem pena de mim!
E o pálido mimo da minha paixão
Num longo soluço tremeu e parou,
Sentou-se na praia, sozinha no chão,
A mão regelada no colo pousou!
Que tens, coração
Que tremes assim?
Cansaste, donzela?
Tem pena de mim!
Deitou-se na areia que a vaga molhou.
Imóvel e branca na praia dormia;
Mas nem os seus olhos o sono fechou
E nem o seu colo de neve tremia...
O seio gelou?...
Não durmas assim!
O pálida fria,
Tem pena de mim!
Dormia: - na fronte que níveo suar...
Que mão regelada no lânguido peito...
Não era mais alvo seu leito do mar,
Não era mais frio seu gélido leito!
Nem um ressonar...
Não durmas assim...
O pálida fria,
Tem pena de mim!
Aqui no meu peito vem antes sonhar
Nos longos suspiros do meu coração:
Eu quero em meus lábios teu seio aquentar,
Teu colo, essas faces, e a gélida mão...
Não durmas no mar!
Não durmas assim.
Estátua sem vida,
Tem pena de mim!
E a vaga crescia seu corpo banhando,
As cândidas formas movendo de leve!
E eu vi-a suave nas águas boiando
Com soltos cabelos nas roupas de neve!
Nas vagas sonhando
Não durmas assim...
Donzela, onde vais?
Tem pena de mim!
E a imagem da virgem nas águas do mar
Brilhava tão branca no límpido véu...
Nem mais transparente luzia o luar
No ambiente sem nuvens da noite do céu!
Nas águas do mar
Não durmas assim...
Não morras, donzela,
Espera por mim!
Lira dos Vinte Anos - Primeira Parte
Était digne de toi, tant elle avait d'étoiles!
VICTOR HUGO
Na praia deserta que a lua branqueia,
Que mimo! que rosa! que filha de Deus!
Tão pálida... ao vê-la meu ser devaneia,
Sufoco nos lábios os hálitos meus!
Não corras na areia,
Não corras assim!
Donzela, onde vais?
Tem pena de mim!
A praia é tão longa! e a onda bravia
As roupas de gaza te molha de escuma...
De noite, aos serenos, a areia é tão fria...
Tão úmido o vento que os ares perfuma!
És tão doentia...
Não corras assim...
Donzela, onde vais?
Tem pena de mim!
A brisa teus negros cabelos soltou,
O orvalho da face te esfria o suor,
Teus seios palpitam - a brisa os roçou,
Beijou-os, suspira, desmaia de amor!
Teu pé tropeçou...
Não corras assim...
Donzela, onde vais?
Tem pena de mim!
E o pálido mimo da minha paixão
Num longo soluço tremeu e parou,
Sentou-se na praia, sozinha no chão,
A mão regelada no colo pousou!
Que tens, coração
Que tremes assim?
Cansaste, donzela?
Tem pena de mim!
Deitou-se na areia que a vaga molhou.
Imóvel e branca na praia dormia;
Mas nem os seus olhos o sono fechou
E nem o seu colo de neve tremia...
O seio gelou?...
Não durmas assim!
O pálida fria,
Tem pena de mim!
Dormia: - na fronte que níveo suar...
Que mão regelada no lânguido peito...
Não era mais alvo seu leito do mar,
Não era mais frio seu gélido leito!
Nem um ressonar...
Não durmas assim...
O pálida fria,
Tem pena de mim!
Aqui no meu peito vem antes sonhar
Nos longos suspiros do meu coração:
Eu quero em meus lábios teu seio aquentar,
Teu colo, essas faces, e a gélida mão...
Não durmas no mar!
Não durmas assim.
Estátua sem vida,
Tem pena de mim!
E a vaga crescia seu corpo banhando,
As cândidas formas movendo de leve!
E eu vi-a suave nas águas boiando
Com soltos cabelos nas roupas de neve!
Nas vagas sonhando
Não durmas assim...
Donzela, onde vais?
Tem pena de mim!
E a imagem da virgem nas águas do mar
Brilhava tão branca no límpido véu...
Nem mais transparente luzia o luar
No ambiente sem nuvens da noite do céu!
Nas águas do mar
Não durmas assim...
Não morras, donzela,
Espera por mim!
Lira dos Vinte Anos - Primeira Parte
2 330
Felipe Larson
A FLOR DO DESEJO
Você liga a toda hora
Pra dizer que me adora
Você percebe ansiedade
Mas no fundo é saudade
Plantas baixas no caminho
Pra mostrar o seu destino
No seu pequeno coração
Existe um pouco de paixão?
Ao menos por mim
Você sabe que te quero
No teu corpo, me perco
No teu beijo, eu derreto
Você quer, eu também quero
No teu colo, me esquento
A flor do desejo
Com seu jeito apaixonante
Me faz sentir distante
Com seus olhos azuis
E nossos corpos nus
Pra dizer que me adora
Você percebe ansiedade
Mas no fundo é saudade
Plantas baixas no caminho
Pra mostrar o seu destino
No seu pequeno coração
Existe um pouco de paixão?
Ao menos por mim
Você sabe que te quero
No teu corpo, me perco
No teu beijo, eu derreto
Você quer, eu também quero
No teu colo, me esquento
A flor do desejo
Com seu jeito apaixonante
Me faz sentir distante
Com seus olhos azuis
E nossos corpos nus
767
Felipe Vianna
AMOR
Quando o amor
Deste poeta
É atingido,
Sê esperta!
Um homem forte?
Papel muralha
Depende da sorte.
Fique alerta!
Não me machuques,
Vem, eu te chamo.
Peço, me ame,
Pois eu te amo.
15/07/1997
Deste poeta
É atingido,
Sê esperta!
Um homem forte?
Papel muralha
Depende da sorte.
Fique alerta!
Não me machuques,
Vem, eu te chamo.
Peço, me ame,
Pois eu te amo.
15/07/1997
706
Felipe Larson
A NOSSA HISTÓRIA
Hoje minha vida
Passou na tela de TV
Mostrando todo amor
Que eu sinto por você
Não era bem um filme
Mas era a vida real
E tudo que te disse
Foi de um jeito natural
A nossa história não terá final
A nossa história será imortal
A cena que fizemos
Foi de todo coração
Mostrando toda a força
De uma grande paixão
Não quis ser ator
Pra viver no seu dilema
Pra ver a nossa história
Na telinha de cinema
A nossa história não terá final
A nossa história será imortal
Passou na tela de TV
Mostrando todo amor
Que eu sinto por você
Não era bem um filme
Mas era a vida real
E tudo que te disse
Foi de um jeito natural
A nossa história não terá final
A nossa história será imortal
A cena que fizemos
Foi de todo coração
Mostrando toda a força
De uma grande paixão
Não quis ser ator
Pra viver no seu dilema
Pra ver a nossa história
Na telinha de cinema
A nossa história não terá final
A nossa história será imortal
865
Isaac Felipe Azofeifa
Poema IV
Tu me deixas aqui ou partes comigo?
Estou dentro de ti ou é que me chamas?
Vives única em mim ou encontro o mundo em ti,
contigo?
A ordem das coisas em que te amo,
onde começa ou acaba?
Agora está o silêncio aposentado
na rosa do ar
e uma árvore perto trina entre os pássaros
para sombrear teu sonho ou é meu sonho?
É esta uma prisão ou acaso o vasto céu
começa aqui onde teus pés
tocam juntos a terra, ou é a lua?
De pronto entro na luz que já habito
e meus olhos se encontram com tua testa.
Busco sair de ti e te levo dentro
de mim, sem encontrar-te.
Sem como, onde ou quando.
Cego na luz com meu olhar aberto
a tanta multidão de ti que ando
extraviado na noite na metade do dia.
Estou dentro de ti ou é que me chamas?
Vives única em mim ou encontro o mundo em ti,
contigo?
A ordem das coisas em que te amo,
onde começa ou acaba?
Agora está o silêncio aposentado
na rosa do ar
e uma árvore perto trina entre os pássaros
para sombrear teu sonho ou é meu sonho?
É esta uma prisão ou acaso o vasto céu
começa aqui onde teus pés
tocam juntos a terra, ou é a lua?
De pronto entro na luz que já habito
e meus olhos se encontram com tua testa.
Busco sair de ti e te levo dentro
de mim, sem encontrar-te.
Sem como, onde ou quando.
Cego na luz com meu olhar aberto
a tanta multidão de ti que ando
extraviado na noite na metade do dia.
1 025
Felipe Vianna
AMOR EM VERSO
Quando te conheci
Criamos nosso beijo,
Nosso som.
Flor do belo
Numa noite de verão
Que há de cruzar os mares, ares,
Décadas e milênios
Imortalizado nesse verso
Pois a pena é mais forte que a bala
E mais fiel que a pedra.
Criamos nosso beijo,
Nosso som.
Flor do belo
Numa noite de verão
Que há de cruzar os mares, ares,
Décadas e milênios
Imortalizado nesse verso
Pois a pena é mais forte que a bala
E mais fiel que a pedra.
821
Luís Vianna
DIA LINDO
Hoje estou feliz,
Por isto escrevo às flores.
Às flores que ofereço
Aos meus amores.
05/12/1995
Por isto escrevo às flores.
Às flores que ofereço
Aos meus amores.
05/12/1995
1 034
Felipe Larson
A CILADA
Não diga nada pra mudar a situação
É uma cilada sob a minha condição
O seu defeito, eu mostro a solução
O que tem feito é complicação
Eu dou carrinho
Eu te corrijo
Eu te viro do avesso
Eu te dou abrigo
Não vá pensar
Que isso é compaixão
Não vá errar
Pra jogar tudo fora então
Não vem julgar
O meu coração
E me mostrar
Que meu amor foi em vão
É uma cilada sob a minha condição
O seu defeito, eu mostro a solução
O que tem feito é complicação
Eu dou carrinho
Eu te corrijo
Eu te viro do avesso
Eu te dou abrigo
Não vá pensar
Que isso é compaixão
Não vá errar
Pra jogar tudo fora então
Não vem julgar
O meu coração
E me mostrar
Que meu amor foi em vão
1 013
Felipe Vianna
ÉS PERFEITA
Belo botão de rosa
Rubro aveludado
Que as gotas de orvalho
Reluzem esta beleza.
Quem te conhece, moça,
Encanta-se p´ra sempre.
Do orvalho, as gotas,
Não sabe realmente
Enxergar a beleza
Contida em tua mente.
Realmente, és bela,
Por dentro e por fora.
Nas pétalas vermelhas
Escondes a beleza.
Tão lindo interior
Que o rubi inveja.
Alma cheia d´amor,
Suspiros d´amor nela.
10/10/2000
Rubro aveludado
Que as gotas de orvalho
Reluzem esta beleza.
Quem te conhece, moça,
Encanta-se p´ra sempre.
Do orvalho, as gotas,
Não sabe realmente
Enxergar a beleza
Contida em tua mente.
Realmente, és bela,
Por dentro e por fora.
Nas pétalas vermelhas
Escondes a beleza.
Tão lindo interior
Que o rubi inveja.
Alma cheia d´amor,
Suspiros d´amor nela.
10/10/2000
1 036
Elvio Romero
Tormenta
A noite tem sido longa.
Como desde cem anos
de chuva,
de uma respiração enfurecida
proveniente de um fundo de vertigem noturna,
de um cântaro vermelho
ofegando na terra,
o vento há desatado sua tempestade violenta
sobre o véu anelante da ilusão
efêmera, sobre as fatigadas necessidades
e tu e eu, na colina
mais alta,
no canto de nossos dois silêncios,
abraçados ao tempo do amor, desvelando-nos.
Deixa que o vento morda sobre o vento.
Eu te fecharei os olhos.
Como desde cem anos
de chuva,
de uma respiração enfurecida
proveniente de um fundo de vertigem noturna,
de um cântaro vermelho
ofegando na terra,
o vento há desatado sua tempestade violenta
sobre o véu anelante da ilusão
efêmera, sobre as fatigadas necessidades
e tu e eu, na colina
mais alta,
no canto de nossos dois silêncios,
abraçados ao tempo do amor, desvelando-nos.
Deixa que o vento morda sobre o vento.
Eu te fecharei os olhos.
1 184
Isaac Felipe Azofeifa
Itinerário simples de sua ausência
Hoje não vieste ao parque.
Poderia pôr-me a recolher do solo
a luz desorientada e sem objeto
que caiu em teu banco.
Para que vou falar
se não está teu silêncio.
Para que hei de olhar sem tua olhada.
E este relógio do coração que espera
golpeando
e doendo.
Esta noite de lua e tu distante.
Necessito a meu lado tuas perguntas.
E te encontrar no ar como brasa,
como uma chama doce,
como silêncio e regaço,
como noite e repouso, como quando
guiávamos a nossa lua até a casa.
Que buquê de rosas esquecidas.
Que tíbia pluma e mansa luz
teu corpo como uma árvore,
como uma árvore gritando
com tanto poro aberto, com tanto sangue
em ondas doces elevando-se.
Oh, sagrada torrente do naufrágio.
Como amaria me perder
Poderia pôr-me a recolher do solo
a luz desorientada e sem objeto
que caiu em teu banco.
Para que vou falar
se não está teu silêncio.
Para que hei de olhar sem tua olhada.
E este relógio do coração que espera
golpeando
e doendo.
Esta noite de lua e tu distante.
Necessito a meu lado tuas perguntas.
E te encontrar no ar como brasa,
como uma chama doce,
como silêncio e regaço,
como noite e repouso, como quando
guiávamos a nossa lua até a casa.
Que buquê de rosas esquecidas.
Que tíbia pluma e mansa luz
teu corpo como uma árvore,
como uma árvore gritando
com tanto poro aberto, com tanto sangue
em ondas doces elevando-se.
Oh, sagrada torrente do naufrágio.
Como amaria me perder
880
Juana de Ibarbourou
A hora
Toma-me agora que ainda é cedo
e que levo dálias novas na mão.
Toma-me agora que ainda é sombria
esta taciturna cabeleira minha.
agora que tenho a carne cheirosa
e os olhos limpos e a pele de rosa.
Agora que calça minha planta ligeira
a sandália viva da primavera.
Agora que em meus lábios repica o sorriso
como um sino sacudido às pressas.
Depois..., iah, eu sei
que já nada disto mais tarde terei!
Que então inútil será teu desejo,
como oferenda posta sobre um mausoléu.
Toma-me agora que ainda é cedo
e que tenho rica de nardos a mão!
Hoje, e não mais tarde. Antes que anoiteça
e se volte murcha a corola fresca.
Hoje, e não amanhã. Oh amante! Não vês
que a trepadeira crescerá cipreste?
e que levo dálias novas na mão.
Toma-me agora que ainda é sombria
esta taciturna cabeleira minha.
agora que tenho a carne cheirosa
e os olhos limpos e a pele de rosa.
Agora que calça minha planta ligeira
a sandália viva da primavera.
Agora que em meus lábios repica o sorriso
como um sino sacudido às pressas.
Depois..., iah, eu sei
que já nada disto mais tarde terei!
Que então inútil será teu desejo,
como oferenda posta sobre um mausoléu.
Toma-me agora que ainda é cedo
e que tenho rica de nardos a mão!
Hoje, e não mais tarde. Antes que anoiteça
e se volte murcha a corola fresca.
Hoje, e não amanhã. Oh amante! Não vês
que a trepadeira crescerá cipreste?
1 535
Alfonsina Storni
Quando cheguei à vida
Vela sobre minha vida, meu grande amor imenso.
Quando cheguei à vida trazia em suspense,
na alma e na carne, a loucura inimiga,
o capricho elegante e o desejo que açoita.
Encantavam-me as viagens pelas almas humanas,
a luz, os estrangeiros, as abelhas leves,
o ócio, as palavras que iniciam o idílio,
os corpos harmoniosos, os versos de Virgílio.
Quando sobre teu peito minha alma foi tranqüilizada,
e a doce criatura, tua e minha, desejada,
eu pus entre tuas mãos toda minha fantasia
e te disse humilhada por estes pensamentos:
Vigiai-me os olhos! Quando mudam os ventos
a alma feminina se transtorna e varia...
Quando cheguei à vida trazia em suspense,
na alma e na carne, a loucura inimiga,
o capricho elegante e o desejo que açoita.
Encantavam-me as viagens pelas almas humanas,
a luz, os estrangeiros, as abelhas leves,
o ócio, as palavras que iniciam o idílio,
os corpos harmoniosos, os versos de Virgílio.
Quando sobre teu peito minha alma foi tranqüilizada,
e a doce criatura, tua e minha, desejada,
eu pus entre tuas mãos toda minha fantasia
e te disse humilhada por estes pensamentos:
Vigiai-me os olhos! Quando mudam os ventos
a alma feminina se transtorna e varia...
1 435
Rubén Darío
Amo, amas
Amar, amar, amar, amar sempre, com todo
O ser e com a terra e com o céu,
Com o claro do sol escuro do lodo:
Amar por toda ciência e amar, por todo desejo,
E quando a montanha da vida
Nos seja dura e longa e alta e cheia de abismos,
Amar a imensidade que é de amor acesa
E arder na fusão de nossos peitos mesmos!
O ser e com a terra e com o céu,
Com o claro do sol escuro do lodo:
Amar por toda ciência e amar, por todo desejo,
E quando a montanha da vida
Nos seja dura e longa e alta e cheia de abismos,
Amar a imensidade que é de amor acesa
E arder na fusão de nossos peitos mesmos!
2 211
Carlos Enrique Ungo
O unicórnio existe amor
O unicórnio existe amor
é a risada das crianças
o milagre de um beijo
a carícia que queima
as asas tíbias de um sonho.
O unicórnio existe amor
é a poesia de todos
o canto das aves
o rumor da terra
o perfume das flores.
O unicórnio existe amor
é o eco de teu nome
a agonia de tua ausência
o manto tíbio de tuas mãos
a rosa sagrada de teu sexo.
O unicórnio existe amor
é a luz de teu olhar
as estrelas de tua noite
o suave mar de teus cabelos
o território proibido de teu corpo.
O unicórnio existe amor
e ressurge brioso
selvagem
vitorioso
quando minha boca pronuncia teu nome.
é a risada das crianças
o milagre de um beijo
a carícia que queima
as asas tíbias de um sonho.
O unicórnio existe amor
é a poesia de todos
o canto das aves
o rumor da terra
o perfume das flores.
O unicórnio existe amor
é o eco de teu nome
a agonia de tua ausência
o manto tíbio de tuas mãos
a rosa sagrada de teu sexo.
O unicórnio existe amor
é a luz de teu olhar
as estrelas de tua noite
o suave mar de teus cabelos
o território proibido de teu corpo.
O unicórnio existe amor
e ressurge brioso
selvagem
vitorioso
quando minha boca pronuncia teu nome.
2 200
Manuel Machado
A chuva
Eu tive uma vez amores.
Hoje é dia de lembranças.
Eu tive uma vez amores.
Houve sol e houve alegria.
Um dia, já bem passado...,
houve sol e houve alegria.
De tudo, que me há ficado?
Da mulher que me amava,
de tudo, que me há ficado?
...O aroma de seu nome,
a lembrança de seus olhos
e o aroma de seu nome.
Hoje é dia de lembranças.
Eu tive uma vez amores.
Houve sol e houve alegria.
Um dia, já bem passado...,
houve sol e houve alegria.
De tudo, que me há ficado?
Da mulher que me amava,
de tudo, que me há ficado?
...O aroma de seu nome,
a lembrança de seus olhos
e o aroma de seu nome.
1 162
Marilina Ross
Quase sem querer
Quase sem querer nascí
Quase sem querer crescí
Quase sem querer
te conheci.
Gostei de tua risada fresca,
criança crescida
e tua maneira de olhar.
Foi dificil respirar,
comecei a tremer
e quase sem querer
te bejei.
Quase sem querer
me rio
Quase sem querer
sinto a tua falta.
Quase sem querer
me apaixonei
Deste urso carinhoso,
criança crescida
que sem querer também
me amou.
E me enche de carícias
sem a obrigação
de prometer-me
eterno amor.
Quase sem querer
se esquece.
Quase sem querer
se perde.
Quase sem querer
se vai o amor.
Por isso te estou querendo
quase sem querer.
Jurar-te eterno amor, não sei.
Talvez
algum dia
nos surpreenda a velhice
muito juntos,
quase sem querer.
Quase sem querer crescí
Quase sem querer
te conheci.
Gostei de tua risada fresca,
criança crescida
e tua maneira de olhar.
Foi dificil respirar,
comecei a tremer
e quase sem querer
te bejei.
Quase sem querer
me rio
Quase sem querer
sinto a tua falta.
Quase sem querer
me apaixonei
Deste urso carinhoso,
criança crescida
que sem querer também
me amou.
E me enche de carícias
sem a obrigação
de prometer-me
eterno amor.
Quase sem querer
se esquece.
Quase sem querer
se perde.
Quase sem querer
se vai o amor.
Por isso te estou querendo
quase sem querer.
Jurar-te eterno amor, não sei.
Talvez
algum dia
nos surpreenda a velhice
muito juntos,
quase sem querer.
922
Carlos Enrique Ungo
E que venha a noite
Presenteia-me o riso de teus olhos
a tênue luz de teu sorriso
o milagre de teu nome
em minha boca.
Presenteia-me a umidade de teus beijos
o tíbio manto de teu abraço
o mar embravecido de teu corpo
junto ao meu.
Presenteia-me o amanhecer de tuas paixões
o espelho frágil de tuas chuvas
tua inocência feita mulher
com minhas carícias.
Presenteia-me teu amor
amor
e que venha a noite...
a tênue luz de teu sorriso
o milagre de teu nome
em minha boca.
Presenteia-me a umidade de teus beijos
o tíbio manto de teu abraço
o mar embravecido de teu corpo
junto ao meu.
Presenteia-me o amanhecer de tuas paixões
o espelho frágil de tuas chuvas
tua inocência feita mulher
com minhas carícias.
Presenteia-me teu amor
amor
e que venha a noite...
896
Joan Manuel Serrat
Sinceramente teu
Não escolhas só uma parte
Toma-me como me dou,
inteiro e tal como sou,
não vás a equivocar-te.
Sou sinceramente teu
porém não quero, meu amor,
ir de visita por tua vida,
vestido para a ocasião.
Preferiria com o tempo
Reconhecer-me sem rubor.
Conta ao teu coração
que existe sempre uma razão
escondida em cada gesto.
Do direito e do avesso,
um somente é o que é
e anda sempre com o posto.
Nunca é triste a verdade,
o que não tem é remédio.
E não é prudente ir camuflado
eternamente por aí
nem por estar junto a ti
nem para ir a nenhum lado.
Não me peças que não pense
em voz alta por meu bem
nem que suba em um banco
se queres, provarei a crescer.
É insuportável ver que choras
e eu não tenho nada que fazer.
Conta ao teu coração
que existe sempre uma razão
escondida em cada gesto.
Do direito e do avesso,
um somente é o que é
e anda sempre com o posto.
Nunca é triste a verdade,
o que não tem é remédio.
Toma-me como me dou,
inteiro e tal como sou,
não vás a equivocar-te.
Sou sinceramente teu
porém não quero, meu amor,
ir de visita por tua vida,
vestido para a ocasião.
Preferiria com o tempo
Reconhecer-me sem rubor.
Conta ao teu coração
que existe sempre uma razão
escondida em cada gesto.
Do direito e do avesso,
um somente é o que é
e anda sempre com o posto.
Nunca é triste a verdade,
o que não tem é remédio.
E não é prudente ir camuflado
eternamente por aí
nem por estar junto a ti
nem para ir a nenhum lado.
Não me peças que não pense
em voz alta por meu bem
nem que suba em um banco
se queres, provarei a crescer.
É insuportável ver que choras
e eu não tenho nada que fazer.
Conta ao teu coração
que existe sempre uma razão
escondida em cada gesto.
Do direito e do avesso,
um somente é o que é
e anda sempre com o posto.
Nunca é triste a verdade,
o que não tem é remédio.
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