Poemas neste tema
Amor Romântico
Mariza Fontes de Almeida
Sonhar de sonhar
Gostaria de sair caminhando
por aí,
entre notas musicais,
sozinha, olhos, fechados, sonhando...
...em sonhar cada vez mais!...
Gostaria de, no meio da escala,
encontrar-te assim, de repente,
e que as notas
te dissessem tudo o que sente
essa caixa de rimas sem jeito,
da forma precisa de um coração,
que me bate louca dentro do peito!
E que, depois de tudo te falar,
cantasse, numa linda canção,
todo esse acorde de amores
que guardei para te dar!...
por aí,
entre notas musicais,
sozinha, olhos, fechados, sonhando...
...em sonhar cada vez mais!...
Gostaria de, no meio da escala,
encontrar-te assim, de repente,
e que as notas
te dissessem tudo o que sente
essa caixa de rimas sem jeito,
da forma precisa de um coração,
que me bate louca dentro do peito!
E que, depois de tudo te falar,
cantasse, numa linda canção,
todo esse acorde de amores
que guardei para te dar!...
911
Nálu Nogueira
Fazer estrelas
Fazer amor como
quem faz estrelas
pari-las
vê-las
surgir em explosões
orgásticas
fantásticas
beleza plástica
de pernas entrelaçadas
peles entremeadas
ungidas
pêlos, sêmen,
suores bênçãos
soluços cálidos
sussurros tímidos
urgentes.
Passear a língua no
corpo
como alpinista
montes, depressões
escalas, o pico
o ápice
o pênis pulsa
tórrido
mármore
a língua feito artista
a desenhar sóis
nos mamilos
pernas abertas
frondosas árvores
sulcos
suculentos frutos
saliva
filetes
falsetes das vozes
roucas.
quem faz estrelas
pari-las
vê-las
surgir em explosões
orgásticas
fantásticas
beleza plástica
de pernas entrelaçadas
peles entremeadas
ungidas
pêlos, sêmen,
suores bênçãos
soluços cálidos
sussurros tímidos
urgentes.
Passear a língua no
corpo
como alpinista
montes, depressões
escalas, o pico
o ápice
o pênis pulsa
tórrido
mármore
a língua feito artista
a desenhar sóis
nos mamilos
pernas abertas
frondosas árvores
sulcos
suculentos frutos
saliva
filetes
falsetes das vozes
roucas.
845
Teresa Brandão
Prometeu
Embaciado o espelho
se quebra a dúvida
De não te vir a ter
Não acordes Amor
Nesse palácio episcopal
Causa de tua morte natural
Vem comigo para a montanha
Descobrir um pecado antigo
Do Humano mamífero
Conhecer a felicidade suprema
Sem sombra de sonífero
Amar o que se ama
Sem pretender pensar
o que está certo ou errado
De modo a que ninguém
Nem Deus
Possa evitar de se que seja Amado
se quebra a dúvida
De não te vir a ter
Não acordes Amor
Nesse palácio episcopal
Causa de tua morte natural
Vem comigo para a montanha
Descobrir um pecado antigo
Do Humano mamífero
Conhecer a felicidade suprema
Sem sombra de sonífero
Amar o que se ama
Sem pretender pensar
o que está certo ou errado
De modo a que ninguém
Nem Deus
Possa evitar de se que seja Amado
918
Nancy Morejón
Carta náutica
Olho todas as águas
desde as profundezas do mar
e aí estás como num quarto minguante acelerado
e aí estou sem palavras, móvel entre a espuma
que navega para o teu coração.
E para o nosso amor avançam
os quatro pontos cardeais
e os restos de barcas e navios que puderam
sobreviver ao naufrágio de um quarto de século.
Continuaremos a amar-nos perpetuamente.
E levantaremos as nossas cabeças
no ouro fechado do arvoredo mudo
até chegar, novamente, ao pé dos cem mares.
Na maré-cheia o teu corpo e o meu corpo.
Lá, na maré-baixa, a tua boca e o meu corpo e o teu esplendor.
Nesta carta náutica não há espaço para eles.
desde as profundezas do mar
e aí estás como num quarto minguante acelerado
e aí estou sem palavras, móvel entre a espuma
que navega para o teu coração.
E para o nosso amor avançam
os quatro pontos cardeais
e os restos de barcas e navios que puderam
sobreviver ao naufrágio de um quarto de século.
Continuaremos a amar-nos perpetuamente.
E levantaremos as nossas cabeças
no ouro fechado do arvoredo mudo
até chegar, novamente, ao pé dos cem mares.
Na maré-cheia o teu corpo e o meu corpo.
Lá, na maré-baixa, a tua boca e o meu corpo e o teu esplendor.
Nesta carta náutica não há espaço para eles.
1 103
Violante do Céu
Soneto
Que suspensão, que enleio, que cuidado
É este meu, tirano Cupido?
Pois tirando-me enfim todo o sentido
Me deixa o sentimento duplicado.
Absorta no rigor de um duro fado,
Tanto de meus sentidos me divido,
Que tenho só de vida o bem sentido
E tenho já de morte o mal logrado.
Enlevo-me no dano que me ofende,
Suspendo-me na causa de meu pranto
Mas meu mal (ai de mim!) não se suspende.
Ó cesse, cesse, amor, tão raro encanto
Que para que de ti não se defende
Basta menos rigor, não rigor tanto.
É este meu, tirano Cupido?
Pois tirando-me enfim todo o sentido
Me deixa o sentimento duplicado.
Absorta no rigor de um duro fado,
Tanto de meus sentidos me divido,
Que tenho só de vida o bem sentido
E tenho já de morte o mal logrado.
Enlevo-me no dano que me ofende,
Suspendo-me na causa de meu pranto
Mas meu mal (ai de mim!) não se suspende.
Ó cesse, cesse, amor, tão raro encanto
Que para que de ti não se defende
Basta menos rigor, não rigor tanto.
1 617
Anna Maria Feitosa
Instante
A vida é essa luz
No teu rosto
é esse brilho
Inconstante
Dos teus olhos
Na penumbra.
Essa paixão
Esse instante fugaz.
A vida é só isso
é só isso
Nada mais.
No teu rosto
é esse brilho
Inconstante
Dos teus olhos
Na penumbra.
Essa paixão
Esse instante fugaz.
A vida é só isso
é só isso
Nada mais.
1 004
Anna Maria Feitosa
Retrato de corpo inteiro
No azul do teu peito
ensolarado
há espelhos de cristal
multiplicando imagens.
Emergem risos
lágrimas
promessas
olhares infantis
perdidamente
infinitamente
apaixonados
adolescentes.
A vida renasce
das tuas mãos
tremulas
entrelaçadas
— há muito tempo entrelaçadas —
Reencontradas.
No espaço secreto
da memória,
nosso retrato
- De corpo inteiro -
É o quadro mais bonito
que se pode iluminar.
ensolarado
há espelhos de cristal
multiplicando imagens.
Emergem risos
lágrimas
promessas
olhares infantis
perdidamente
infinitamente
apaixonados
adolescentes.
A vida renasce
das tuas mãos
tremulas
entrelaçadas
— há muito tempo entrelaçadas —
Reencontradas.
No espaço secreto
da memória,
nosso retrato
- De corpo inteiro -
É o quadro mais bonito
que se pode iluminar.
834
Virgínia Schall
Secretamente
Seus olhos estão perigosamente dentro
de mim
aqui fizeram morada
e estão como Deus
em toda parte
se interpondo
entre a paisagem mais próxima
entre a fresta de luz e a imagem
tangenciando meu olhar
que não sabe olhar puro
que se trai a cada segundo.
Seus olhos estão perigosamente pousados
sobre mim
como borboleta em flor
cobrindo minha pele em ternura
suaves como seda
a farfalhar sobre os poros
e os pelos.
Luzes que incendeiam
em sublime música
meu corpo aceso em sede
Sombras sobre minha noite
embalam meu sono
devassando meus sonhos
onde secretamente me assombram
estando fora e sendo dentro
espelhos de amor intenso
e imenso.
Nossos olhos estão perigosamente
em comunhão
a despeito da separação
que a vida nos impõe.
E nossas vidas
sob risco
entre sermos felizes
ou tristes
e nossos destinos
por um triz
entre sucessos
e desatinos.
Secretamente
espreitamos-nos
como caminhos
à beira
de atraentes abismos.
de mim
aqui fizeram morada
e estão como Deus
em toda parte
se interpondo
entre a paisagem mais próxima
entre a fresta de luz e a imagem
tangenciando meu olhar
que não sabe olhar puro
que se trai a cada segundo.
Seus olhos estão perigosamente pousados
sobre mim
como borboleta em flor
cobrindo minha pele em ternura
suaves como seda
a farfalhar sobre os poros
e os pelos.
Luzes que incendeiam
em sublime música
meu corpo aceso em sede
Sombras sobre minha noite
embalam meu sono
devassando meus sonhos
onde secretamente me assombram
estando fora e sendo dentro
espelhos de amor intenso
e imenso.
Nossos olhos estão perigosamente
em comunhão
a despeito da separação
que a vida nos impõe.
E nossas vidas
sob risco
entre sermos felizes
ou tristes
e nossos destinos
por um triz
entre sucessos
e desatinos.
Secretamente
espreitamos-nos
como caminhos
à beira
de atraentes abismos.
1 034
Janete Rodrigues Ribeiro
Estranha saudade
Então, tu apareceste no meu caminho
a ti entreguei meu coração
te contei meus segredos
te dei meu corpo e meus carinhos...
Todo meu mistério desvendei
tudo que tinha guardado
tanto tempo na minha solidão,
te ofereci tudo, cada pedaço, cada emoção...
Agora faço parte do teu todo
sou fração do teu total
somando essa imensa ternura
juntando um carinho sem igual!
Os minutos em hora se transformaram
longe de ti, teus abraços, teu olhar,
as marcas que em mim ficaram
de nossos momentos sob a luz do luar...
É assim, uma estranha saudade,
um sabor de ti, que dentro ficou,
encravado em minha alma,
lembranças do que se passou...
Acordo, olho o céu, vejo o sol
tudo iluminado à minha volta
recordo nossos corpos no lençol,
nosso abraço apertado, o último olhar...
E tu, voltando, rolando estrada
e eu, parada, perdida, presa ao chão,
olhando de longe, tu sumindo e
entrando cada vez mais fundo no meu coração!
a ti entreguei meu coração
te contei meus segredos
te dei meu corpo e meus carinhos...
Todo meu mistério desvendei
tudo que tinha guardado
tanto tempo na minha solidão,
te ofereci tudo, cada pedaço, cada emoção...
Agora faço parte do teu todo
sou fração do teu total
somando essa imensa ternura
juntando um carinho sem igual!
Os minutos em hora se transformaram
longe de ti, teus abraços, teu olhar,
as marcas que em mim ficaram
de nossos momentos sob a luz do luar...
É assim, uma estranha saudade,
um sabor de ti, que dentro ficou,
encravado em minha alma,
lembranças do que se passou...
Acordo, olho o céu, vejo o sol
tudo iluminado à minha volta
recordo nossos corpos no lençol,
nosso abraço apertado, o último olhar...
E tu, voltando, rolando estrada
e eu, parada, perdida, presa ao chão,
olhando de longe, tu sumindo e
entrando cada vez mais fundo no meu coração!
903
Angela Melim
Rabo de galo
Medo com amor.
Um drinque.
Rabo de galo.
Ana, lembrei de você, do seu jeito.
Cada um é um.
Só si.
Associações, coincidências, perpasses...
estou procurando a palavra certa
para partes superpostas de duas esferas.
Interseção?
E solidão.
Ninguém.
Vai cobrir esse buraco, com flores do bem, com letras.
Taça, dai de beber.
O fraco é fundo acabou-se o mundo.
Morreu Diadorim.
Açoite, ricocheteia - estão erradas, não cabem aqui.
Em mim a paz passa depressa, assobia.
Eu peço que fique, imploro,
mas é assim, eu sei, amor e medo.
Um drinque.
Rabo de galo.
Ana, lembrei de você, do seu jeito.
Cada um é um.
Só si.
Associações, coincidências, perpasses...
estou procurando a palavra certa
para partes superpostas de duas esferas.
Interseção?
E solidão.
Ninguém.
Vai cobrir esse buraco, com flores do bem, com letras.
Taça, dai de beber.
O fraco é fundo acabou-se o mundo.
Morreu Diadorim.
Açoite, ricocheteia - estão erradas, não cabem aqui.
Em mim a paz passa depressa, assobia.
Eu peço que fique, imploro,
mas é assim, eu sei, amor e medo.
1 110
Louise Labé
Soneto
Nem heróis como Ulisses e outros mais
Por mais sagazes e por mais divinos
Cheios de graça e louros peregrinos
Desafios provaram aos meus iguais.
Brilho desses olhos tão sensuais
Tanto inflamou meus sonhos femininos
Que para meus ardores repentinos
Não há remédio, se vós não mo dais.
Ó dura sorte, que me faz igual
A quem pede socorro ao escorpião
Contra o veneno do mesmo animal.
Só peço que não me venha a fenecer
Esse desejo no meu coração
Porque, sem ele, é bem melhor morrer.
Por mais sagazes e por mais divinos
Cheios de graça e louros peregrinos
Desafios provaram aos meus iguais.
Brilho desses olhos tão sensuais
Tanto inflamou meus sonhos femininos
Que para meus ardores repentinos
Não há remédio, se vós não mo dais.
Ó dura sorte, que me faz igual
A quem pede socorro ao escorpião
Contra o veneno do mesmo animal.
Só peço que não me venha a fenecer
Esse desejo no meu coração
Porque, sem ele, é bem melhor morrer.
1 185
Maria Teresa M. Carrilho
Como uma flor vermelha, a abrir
Na noite pálida
e na madrugada
anunciada
sobressais tu,
meu amor
O riso e as lágrimas
envolventes
misturam-se
em catadupas quentes
e no meio do riso cheio
insolente até,
sobressais tu,
meu amor
Apologia, para quê?
tudo está concentrado
vivido
consumado
por causa de ti
e em ti,
meu amor
Contigo
o leito do rio distancia-se
e no meio
sobressais tu
no teu esplendor
como uma flor
plena e vermelha
a abrir...
e na madrugada
anunciada
sobressais tu,
meu amor
O riso e as lágrimas
envolventes
misturam-se
em catadupas quentes
e no meio do riso cheio
insolente até,
sobressais tu,
meu amor
Apologia, para quê?
tudo está concentrado
vivido
consumado
por causa de ti
e em ti,
meu amor
Contigo
o leito do rio distancia-se
e no meio
sobressais tu
no teu esplendor
como uma flor
plena e vermelha
a abrir...
810
Gaspara Stampa
Soneto
Fazei, depois, também o meu retrato,
Como vereis que sou na realidade:
Sem alma e coração, pela vontade
Do milagroso Amor, que não combato.
Sou nave sem comando ou imediato
Sem vela ou mastro, em meio à tempestade,
Buscando essa bendita claridade
Que em toda parte aponta o rumo extato.
E prestai atenção que meu semblante
Seja do lado esquerdo aflito e incerto
E do direito, alegre e triunfante;
A dupla face exprimirá, decerto,
Tanto o prazer de estar com meu amante
Quanto o temor de que outra ande por perto.
Como vereis que sou na realidade:
Sem alma e coração, pela vontade
Do milagroso Amor, que não combato.
Sou nave sem comando ou imediato
Sem vela ou mastro, em meio à tempestade,
Buscando essa bendita claridade
Que em toda parte aponta o rumo extato.
E prestai atenção que meu semblante
Seja do lado esquerdo aflito e incerto
E do direito, alegre e triunfante;
A dupla face exprimirá, decerto,
Tanto o prazer de estar com meu amante
Quanto o temor de que outra ande por perto.
601
Rita Barém de Melo
Vem!
Vem! Que t importa que maldiga o mundo
O amor profundo que nos liga? vem;
Vem, que nos vales de cheirosas flores,
Nossos amores viçarão também.
Vem! de joelhos nos tapiz de nardo
Há de te o brado suspirar idílios,
Cantar-te a face rosejada em pranto,
O orvalho santo do frouxel dos cílios.
Pensa na sombra da floresta virgem...
Nesta vertigem ... nestamor ali!...
Aves felizes no sendal dos ramos
Seremos: vamos, que o serei por ti!
Vamos unidos como a luz ao astro
O amor da Castro na soidão lembrá-lo,
Nas longas plumas que a palmeira agita
A alma palpita de Virgínia e Paulo.
Que mais tu queres, anjo e flor? Escuta:
Quem ama luta? Não lutemos, vem!
Vamos aos vales de cheirosas flores,
Que é flor damores meu amor também.
Olha, de tarde quando o sol se esconde
Diz-me tu onde mais poesia viste?
Calam-se os ventos - só a brisa arrula -
O céu se azula - mas o céu é triste.
Pois bem, o bardo na soidão exprime
Na voz sublime dum arcanjo a voz:
Hei de dos seios arrancar os lírios
Dos meus delírios, pra tos dar - a sós. -
Perdidos ambos no deserto infinito
Que sonho lindo, que visões também!
E o éter puro como véu destrelas...
E a chama delas a tremer além!...
"Mas quando um dia desbotar-se o prado?
Quando o valado se cobrir de gelos?
Ai! tu só vives - beija-flor - de orvalhos
Em verdes galhos de sonhares belos!
Qu importa o prado de cheirosas flores
Se teus amores morrerão também!"
Quando morrerem, morrerão comigo
E ao céu contigo voarei - Oh! vem!
"Oh! não! Minhalma se coroa em flores;
Nos esplendores de celeste aurora;
Deus abençoa só amores santos
Cala teus cantos: morrerás agora?"
(Rio Grande, julho de 1867)
O amor profundo que nos liga? vem;
Vem, que nos vales de cheirosas flores,
Nossos amores viçarão também.
Vem! de joelhos nos tapiz de nardo
Há de te o brado suspirar idílios,
Cantar-te a face rosejada em pranto,
O orvalho santo do frouxel dos cílios.
Pensa na sombra da floresta virgem...
Nesta vertigem ... nestamor ali!...
Aves felizes no sendal dos ramos
Seremos: vamos, que o serei por ti!
Vamos unidos como a luz ao astro
O amor da Castro na soidão lembrá-lo,
Nas longas plumas que a palmeira agita
A alma palpita de Virgínia e Paulo.
Que mais tu queres, anjo e flor? Escuta:
Quem ama luta? Não lutemos, vem!
Vamos aos vales de cheirosas flores,
Que é flor damores meu amor também.
Olha, de tarde quando o sol se esconde
Diz-me tu onde mais poesia viste?
Calam-se os ventos - só a brisa arrula -
O céu se azula - mas o céu é triste.
Pois bem, o bardo na soidão exprime
Na voz sublime dum arcanjo a voz:
Hei de dos seios arrancar os lírios
Dos meus delírios, pra tos dar - a sós. -
Perdidos ambos no deserto infinito
Que sonho lindo, que visões também!
E o éter puro como véu destrelas...
E a chama delas a tremer além!...
"Mas quando um dia desbotar-se o prado?
Quando o valado se cobrir de gelos?
Ai! tu só vives - beija-flor - de orvalhos
Em verdes galhos de sonhares belos!
Qu importa o prado de cheirosas flores
Se teus amores morrerão também!"
Quando morrerem, morrerão comigo
E ao céu contigo voarei - Oh! vem!
"Oh! não! Minhalma se coroa em flores;
Nos esplendores de celeste aurora;
Deus abençoa só amores santos
Cala teus cantos: morrerás agora?"
(Rio Grande, julho de 1867)
1 310
Maria Teresa M. Carrilho
Não, hoje não saio
Não, hoje não saio
eu quero ficar
no espaço
dum cantinho
que é só meu
Não, hoje não falo
eu quero escutar
as palavras floridas
dum canto
que me entonteceu
Não, hoje não vou respirar
eu quero confundir
a minha vertigem
com a tua vertigem
e ser só um todo
ou um nada
num mundo que emudeceu...
eu quero ficar
no espaço
dum cantinho
que é só meu
Não, hoje não falo
eu quero escutar
as palavras floridas
dum canto
que me entonteceu
Não, hoje não vou respirar
eu quero confundir
a minha vertigem
com a tua vertigem
e ser só um todo
ou um nada
num mundo que emudeceu...
1 124
Vera Maya
Desejo
essa brasa
essa chama
esse lume
esse fogo
esse forno
essa caldeira
ah, esse amor
que arde
incendeia
esse corpo
essa fornalha
essa fogueira
essa alma
essa queimada
que se alastra
em labareda
me envolvo
a noite inteira
ah, essa paixão
me acende
me inflama
me consome e me transforma
em tocha huma.
essa chama
esse lume
esse fogo
esse forno
essa caldeira
ah, esse amor
que arde
incendeia
esse corpo
essa fornalha
essa fogueira
essa alma
essa queimada
que se alastra
em labareda
me envolvo
a noite inteira
ah, essa paixão
me acende
me inflama
me consome e me transforma
em tocha huma.
792
Manuela Amaral
Coreografia
No palco da noite bailado de corpos
Cenário de sombras
esculpidas em nu
Tu danças as mãos
inscreves contornos
na minha nudez
Eu sou dimensão
que dança em teu espaço
Não temos cansaço
Só temos volúpia
Desejo
Harmonia
Vontade de luta
Ao longo de ti descubro caminhos. Trajecto de boca
E danço contigo
E esqueço a memória
Eu sou o teu sangue
A mesma saliva
O mesmo suor
Nós somos a mesma
Mulher-Repetida.
Cenário de sombras
esculpidas em nu
Tu danças as mãos
inscreves contornos
na minha nudez
Eu sou dimensão
que dança em teu espaço
Não temos cansaço
Só temos volúpia
Desejo
Harmonia
Vontade de luta
Ao longo de ti descubro caminhos. Trajecto de boca
E danço contigo
E esqueço a memória
Eu sou o teu sangue
A mesma saliva
O mesmo suor
Nós somos a mesma
Mulher-Repetida.
1 717
Claudia Pastore
Meu poema
Cada vez mais e mais
Eu te vejo mais
Orgânico
Mais azul
Quisera saber
O porquê
A razão
Me destes a cor
és todo azul
Azul que incendeia
Azul que inebria
Azul que mete medo
Não és o mar
Tão pouco o céu
Lugares-comuns
Prá um azul
Tão azul
És um azul inteiro
Um azul que tenho
Tinteiro que jorra
E que cai pelo ar
Calor que conduz
Sangue pisado
Difícil e doce
Mormaço melaço
És a poesia
Que fala do azul
E que não encontra
No azul
O todo-você
Que é assim
Só prá mim
Azul
Ao sul
Do meu ser
Azul
Que passa
Brilhando
Por todo o meu corpo
Mas todo, inteirinho...
O meu corpo nu.
Eu te vejo mais
Orgânico
Mais azul
Quisera saber
O porquê
A razão
Me destes a cor
és todo azul
Azul que incendeia
Azul que inebria
Azul que mete medo
Não és o mar
Tão pouco o céu
Lugares-comuns
Prá um azul
Tão azul
És um azul inteiro
Um azul que tenho
Tinteiro que jorra
E que cai pelo ar
Calor que conduz
Sangue pisado
Difícil e doce
Mormaço melaço
És a poesia
Que fala do azul
E que não encontra
No azul
O todo-você
Que é assim
Só prá mim
Azul
Ao sul
Do meu ser
Azul
Que passa
Brilhando
Por todo o meu corpo
Mas todo, inteirinho...
O meu corpo nu.
816
Manuela Amaral
De nós em limite
Na luta da posse
meu corpo guerreiro
batalha no teu
Meus beijos em seta
percorrem a meta
atingem loucura
No espaço liberto
da minha procura
tu és o limite
meu corpo guerreiro
batalha no teu
Meus beijos em seta
percorrem a meta
atingem loucura
No espaço liberto
da minha procura
tu és o limite
1 655
Natália Correia
O espírito
Nada a fazer amor, eu sou do bando
Impermanente das aves friorentas;
E nos galhos dos anos desbotando
Já as folhas me ofuscam macilentas;
E vou com as andorinhas. Até quando?
À vida breve não perguntes: cruentas
Rugas me humilham. Não mais em estilo brando
Ave estroina serei em mãos sedentas.
Pensa-me eterna que o eterno gera
Quem na amada o conjura. Além, mais alto,
Em ileso beiral, aí espera:
Andorinha indene ao sobressalto
Do tempo, núncia de perene primavera.
Confia. Eu sou romântica. Não falto.
Impermanente das aves friorentas;
E nos galhos dos anos desbotando
Já as folhas me ofuscam macilentas;
E vou com as andorinhas. Até quando?
À vida breve não perguntes: cruentas
Rugas me humilham. Não mais em estilo brando
Ave estroina serei em mãos sedentas.
Pensa-me eterna que o eterno gera
Quem na amada o conjura. Além, mais alto,
Em ileso beiral, aí espera:
Andorinha indene ao sobressalto
Do tempo, núncia de perene primavera.
Confia. Eu sou romântica. Não falto.
2 379
Cida Villela
Decepção
Suave, serenamente,
Eu hoje acordei poesia.
Passei o meu dia versando você,
Olhava em seus olhos,
Distantes dos meus,
E a cada olhar,
Por demais atento,
Brotavam, em pensamento,
Versos que seriam seus.
Então desejei amar você.
Juntar palavras a te definir.
Mas antes que eu conseguisse
Definir-te em versos,
Com um simples gesto,
Mero falar,
Conseguiste de súbito
Meus versos quebrar
Eu hoje acordei poesia.
Passei o meu dia versando você,
Olhava em seus olhos,
Distantes dos meus,
E a cada olhar,
Por demais atento,
Brotavam, em pensamento,
Versos que seriam seus.
Então desejei amar você.
Juntar palavras a te definir.
Mas antes que eu conseguisse
Definir-te em versos,
Com um simples gesto,
Mero falar,
Conseguiste de súbito
Meus versos quebrar
1 157
Teca
Um sonho lindo
Deixe que meus olhos se fechem
E confiem um minuto nos teus
Olhe por mim, proteja meu sonho
Vigie meu descanso e me afaste de mágoas
Me envolva em teus braços e cuide,
Cuide um pouquinho de mim
Já não sou forte, preciso de apoio
Preciso do teu apoio, do teu abraço,
do teu sentido
E responda a quem perguntar:
"Ela agora está quietinha
Ela agora está comigo
Ela agora é toda minha
E decidiu descansar
Descansar no meu carinho
Adormecer no meu peito
Deixem a minha menina
Ela agora vai sonhar"
Vou sonhar com tua boca
Com tuas mãos, com teu beijo
Com teu corpo em minha pele
Com tudo que quero de ti
Vou me entregar neste sonho
E assim que despertar
Não quero ter nem saudade
Vou transportar todo ele
Para este nosso mundo
Vou fazer de um sonho lindo
A nossa realidade.
E confiem um minuto nos teus
Olhe por mim, proteja meu sonho
Vigie meu descanso e me afaste de mágoas
Me envolva em teus braços e cuide,
Cuide um pouquinho de mim
Já não sou forte, preciso de apoio
Preciso do teu apoio, do teu abraço,
do teu sentido
E responda a quem perguntar:
"Ela agora está quietinha
Ela agora está comigo
Ela agora é toda minha
E decidiu descansar
Descansar no meu carinho
Adormecer no meu peito
Deixem a minha menina
Ela agora vai sonhar"
Vou sonhar com tua boca
Com tuas mãos, com teu beijo
Com teu corpo em minha pele
Com tudo que quero de ti
Vou me entregar neste sonho
E assim que despertar
Não quero ter nem saudade
Vou transportar todo ele
Para este nosso mundo
Vou fazer de um sonho lindo
A nossa realidade.
869
Angela Santos
Declaração
Amo!
Decidi escrever em todos os cantos
e muros por onde passasse
e até riscar teu nome a grafitti,
quem sabe desenhar uma tatuagem
ao jeito dos marinheiros,
escrever um artigo de jornal sobre o amor
e nele desenhar o teu nome e o meu
e um coração a envolvê-los
Mas pensei
que amar-te é um facto
coisa que mexe por dentro
e por assim ser, por fora se vê
o que dentro do coração vive
Pensei, repensei , concluí
todos sabiam, todos notavam
que um nome e um sentir
bordavam meus dias
de azul e luz
Decidi sem pudores confessar-me a ti,
soltar em voz alta
o que vezes calei
para deixar que os olhos, a alma e o desejo
em suas explosões imprimissem marcas,
as que eu quis deixar gravadas por aí
Mas foi em sussurro que à boca aflorou
a palavra mel …
uma só palavra que em si contém
o sentido todo,
mesmo que a tragam por aí prostituída
e imprimam nela o cunho das palavras gastas,
"Meu Amor" é uma expressão
que guarda o brilho de pedras raras.
Decidi escrever em todos os cantos
e muros por onde passasse
e até riscar teu nome a grafitti,
quem sabe desenhar uma tatuagem
ao jeito dos marinheiros,
escrever um artigo de jornal sobre o amor
e nele desenhar o teu nome e o meu
e um coração a envolvê-los
Mas pensei
que amar-te é um facto
coisa que mexe por dentro
e por assim ser, por fora se vê
o que dentro do coração vive
Pensei, repensei , concluí
todos sabiam, todos notavam
que um nome e um sentir
bordavam meus dias
de azul e luz
Decidi sem pudores confessar-me a ti,
soltar em voz alta
o que vezes calei
para deixar que os olhos, a alma e o desejo
em suas explosões imprimissem marcas,
as que eu quis deixar gravadas por aí
Mas foi em sussurro que à boca aflorou
a palavra mel …
uma só palavra que em si contém
o sentido todo,
mesmo que a tragam por aí prostituída
e imprimam nela o cunho das palavras gastas,
"Meu Amor" é uma expressão
que guarda o brilho de pedras raras.
1 063
Angela Santos
Pêndulo
Se
o coração ensaia o movimento pendular
como o deter?
Se um coração se abre como se abre
Por que abre?
Como porta que se escancara
depois de fechada estar
ou flor desabrochando
à luz de um claro raiar..
assim é o amor
quando ao coração ordena
que viva seu compasso pendular
Coração pendular.. alma leve
olhos atentos às esquinas do tempo
onde imprevisível uma razão
vive a espreitar
E é de repente que desenhado surge
o sinuoso caminho,
o imprevisível gesto do desocultar,
trazendo à luz a razão maior
da pendular cadencia estancar.
o coração ensaia o movimento pendular
como o deter?
Se um coração se abre como se abre
Por que abre?
Como porta que se escancara
depois de fechada estar
ou flor desabrochando
à luz de um claro raiar..
assim é o amor
quando ao coração ordena
que viva seu compasso pendular
Coração pendular.. alma leve
olhos atentos às esquinas do tempo
onde imprevisível uma razão
vive a espreitar
E é de repente que desenhado surge
o sinuoso caminho,
o imprevisível gesto do desocultar,
trazendo à luz a razão maior
da pendular cadencia estancar.
1 429