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Poemas neste tema

Amor Romântico

Natália Correia

Natália Correia

London from a tear top

Era uma vez esta cidade onde tudo passa
como algo que se esconde atrás do nevoeiro
e deste lado tem um tricórnio de pombos
na cabeça que foi de um almirante pernalta
e estranhamente estão sempre a sair do mar
muitos chapéus de coco e o céu é o estaleiro
de uma luz que ficou ali por consertar
e do fundo da noite que é o sexo à deriva
da bailarina nua vem uma estrela húmida
onde passa a correr uma mulher em chamas
montando um cavalinho que fugiu de uma libra
e uma avestruz predica na igreja anglicana
e o baptista vai haver uma guerra na esquina
com muitos guarda-chuvas à volta num domingo
e uma coisa com sete cornos sai da bíblia
e às tantas num jardim uma fonte de chá
e os que apertam no bolso uma fada morgana
que daqui a Gondwana temos muito que andar
mas então não sabiam que isto dos continentes
está sempre a deslizar mas então não sabiam
e nisto há uma torre de cabeças cortadas
que depois aparecem com um olhar de carne
em figuras de cera e numa profecia
com óxido de ferro os corvos pingam preto
e dois leões de pé discutem a carniça
e em verdade vos digo o big ben remember
o pub vai fechar a estrela de absinto
vai cair é uma lágrima que não põde enxugar
o deus que de outras águas incumbiu o tamisa
e o comércio depressa e as orquídeas de fumo
perseguidoras altas que envenenam o ar
e os anjos já içaram a ponte levadiça
e em verdade vos digo um homem jovem leva
às costas uma música e os seus cabelos crescem
para esse lugar onde ele leva a música
e por fim no relvado um assunto de amor
os amantes que são o último veleiro
e estão sempre a partir num tapete voador
e estão sempre a chegar à sua eternidade
que tudo lhes devolve atrás do nevoeiro

de O anjo do Ocidente à entrada do ferro(1973)

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Alfred de Musset

Alfred de Musset

Venise

Venise

Dans Venise la rouge,

Pas un bateau qui bouge,

Pas un pêcheur dans leau,

Pas un falot.

Seul, assis à la grève,

Le grand lion soulève,

Sur lhorizon serein,

Son pied dairain.

Autour de lui, par groupes,

Navires et chaloupes,

Pareils à des hérons

Couchés en ronds,

Dorment sur leau qui fume,

Et croisent dans la brume,

En légers tourbillons,

Leurs pavillons.

La lune qui sefface

Couvre son front qui passe

Dun nuage étoilé

Demi-voilé.

Ainsi, la dame abbesse

De Sainte-Croix rabaisse

Sa cape aux larges plis

Sur son surplis.

Et les palais antiques,

Et les graves portiques,

Et les blancs escaliers

Des chevaliers,

Et les ponts, et les rues,

Et les mornes statues,

Et le golfe mouvant

Qui tremble au vent,

Tout se tait, fors les gardes

Aux longues hallebardes,

Qui veillent aux créneaux

Des arsenaux.

- Ah ! maintenant plus dune

Attend, au clair de lune,

Quelque jeune muguet,

Loreille au guet.

Pour le bal quon prépare,

Plus dune qui se pare,

Met devant son miroir

Le masque noir.

Sur sa couche embaumée,

La Vanina pâmée

Presse encor son amant,

En sendormant;

Et Narcisa, la folle,

Au fond de sa gondole,

Soublie en un festin

Jusquau matin.

Et qui, dans lItalie,

Na son grain de folie ?

Qui ne garde aux amours

Ses plus beaux jours ?

Laissons la vieille horloge,

Au palais du vieux doge,

Lui compter de ses nuits

Les longs ennuis.

Comptons plutôt, ma belle,

Sur ta bouche rebelle

Tant de baisers donnés...

Ou pardonnés.

Comptons plutôt tes charmes,

Comptons les douces larmes,

Quà nos yeux a coûté

La volupté !

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Carlos Eduardo da Rocha

Carlos Eduardo da Rocha

Retrato da Mulher Amada

I
Os longos cabelos dourados
derramados até os ombros frágeis
Um manto perfumado
emoldurando o rosto singular
de mulher e de menina.
Madeixas separadas deixando
Entrever no colo ofegante
A curva harmoniosa
dos seios pequeninos.

II
O pescoço esguio como a haste
da flor que é a sua face.
O queixo fino estremece
ao desabrochar do sorriso
Nos lábios de pétalas
entreabertos, separados
Na alvura dos dentes
arrumados como sementes
da romã madura e perfumada.

III
O pequeno nariz arrebitado
cheio de graça aspira
Na brisa vespertina
o cheiro do jasmin adocicado
O brilho dos seus olhos
é como estrelas lucilantes
E a fronte delicada se esconde
Nos caracoes pendentes
dos seus longos cabelos

IV
Os seus braços envolventes
recobertos de suave penugem
macia como a relva
E ao toque mais sutil arrepiada.
Entrelaçados aos meus
num terno abraço aconchegados
ao peito por breve instante
Sentíamos ofegantes
o bater descompassado
dos nossos corações.

V
Nos reencontros marcados
com os beijos na face
um de cada lado
Como se fossem amigos
emocionados apenas
e nunca enamorados
Para sempre
em todo o tempo fluindo
em nosso fado.

VI
Somente as mãos
são dadas de repente
na procura constante
Agarradas por entrelaçados
dedos em permanentes
cariciais, apertados
e frementes.
Beijadas subitamente
nas incontáveis despedidas
e tristes separações.

VII
Ansiosamente esperada
a volta do dia a dia
nas saudades doloridas
De ausências prolongadas
nos caminhos diversos
de nossos desencontros
Prisioneiros de graves compromissos
E inconformados fiéis de um só destino.

VIII
Os meneios da cintura
num ritmo pausado
em desfile permanente.
As vestes marcando
as formas surpreendentes
da saia curta ajustada.
Livres as coxas longas
sinal maior de beleza
caminho sem fim a perpassar
na pele iluminada.

IX
Na placidez do ventre
a sugestão de frutos
Praia rasa de areia molhada
inconsistente
Água clara transparente
deixando ver na concha
Entreaberta
A pérola rosada
do pingo umbelical
completando o fascínio.

X
Dos joelhos concentrados
às belas pernas
E a ponta dos pés pequenos
Pisando leves
quase a flutuar
a cada passo dado
Na dança do seu andar
de suave movimentos
como peixes no mar

XI
A visão das costas
da nuca desprotegida
nos cabelos levantadas
pelas espadas nuas
sombras e suaves relevos
são revelados ao tato
nas pontas dos dedos
captantes
de múltipla sensualidade.

XII
As linhas curvas
mais expressivas
com suas maiores
riquezas...
A cintura
as alegrias dos quadris
equilibrados
E a completa formosura
na harmonia
de tão preciosos lados
celebrados.

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