Poemas neste tema
Amor Romântico
Jamerson Lemos
Soneto da Terça
quando você se entristece
uma coisa qualquer se me entrista.
um gole de rum a mais que eu insista
é coisa pouca e você não esquece.
quando, porém, se nada teça
vida minha e pobre de artista
você me toca e me diz: desista
meu bom amor, amo-te na terça.
muito bem, tento-te de novo
alma de pombo, espírito de corvo,
sobras-te-me na estação.
volvo-me a ti amor em praia,
soluço de sol, sal de caia —
da casa. só a luz e verão.
uma coisa qualquer se me entrista.
um gole de rum a mais que eu insista
é coisa pouca e você não esquece.
quando, porém, se nada teça
vida minha e pobre de artista
você me toca e me diz: desista
meu bom amor, amo-te na terça.
muito bem, tento-te de novo
alma de pombo, espírito de corvo,
sobras-te-me na estação.
volvo-me a ti amor em praia,
soluço de sol, sal de caia —
da casa. só a luz e verão.
874
Carlos Falck
Canção Cigana
Mulher de narciso e lua!
Caracol de meu silêncio,
véu pintado na janela
com guizos e tempestades.
Aspiro na tarde branca
o cheiro de tuas pernas;
há um frio desesperado
por fora do teu vestido.
E porque teu corpo leve
foge do sonho e do beijo,
o homem cai na pedreira
e morre no teu deserto.
Mulher, de narciso e lua!
Poltra na planície, nua,
correndo, com serafins,
pelos caminhos dos lírios,
vim de longe no teu rasto,
quero beijar teus mamilos;
e se nada disso for
mais do que sonho dourado,
vou caminhar sem destino
(meu destino é desatino),
gritando por ti na rua,
mulher de narciso e lua!
Caracol de meu silêncio,
véu pintado na janela
com guizos e tempestades.
Aspiro na tarde branca
o cheiro de tuas pernas;
há um frio desesperado
por fora do teu vestido.
E porque teu corpo leve
foge do sonho e do beijo,
o homem cai na pedreira
e morre no teu deserto.
Mulher, de narciso e lua!
Poltra na planície, nua,
correndo, com serafins,
pelos caminhos dos lírios,
vim de longe no teu rasto,
quero beijar teus mamilos;
e se nada disso for
mais do que sonho dourado,
vou caminhar sem destino
(meu destino é desatino),
gritando por ti na rua,
mulher de narciso e lua!
876
Carlos Eduardo Bandeira de Mello Gomes
A Centelha do Absurdo
A centelha do absurdo
O grito do centeio
O horizonte de vidro surdo
Ama-me? Sei-o
Sei que o perfil das araras
Dobra-se sobre o espaço das noites claras
Aquelas em que nos beijamos
Com o gás azul-lilás
Que eu respiro com olhares de sempre jamais
O grito do centeio
O horizonte de vidro surdo
Ama-me? Sei-o
Sei que o perfil das araras
Dobra-se sobre o espaço das noites claras
Aquelas em que nos beijamos
Com o gás azul-lilás
Que eu respiro com olhares de sempre jamais
956
Carlos Eduardo da Rocha
Retrato da Mulher Amada
I
Os longos cabelos dourados
derramados até os ombros frágeis
Um manto perfumado
emoldurando o rosto singular
de mulher e de menina.
Madeixas separadas deixando
Entrever no colo ofegante
A curva harmoniosa
dos seios pequeninos.
II
O pescoço esguio como a haste
da flor que é a sua face.
O queixo fino estremece
ao desabrochar do sorriso
Nos lábios de pétalas
entreabertos, separados
Na alvura dos dentes
arrumados como sementes
da romã madura e perfumada.
III
O pequeno nariz arrebitado
cheio de graça aspira
Na brisa vespertina
o cheiro do jasmin adocicado
O brilho dos seus olhos
é como estrelas lucilantes
E a fronte delicada se esconde
Nos caracoes pendentes
dos seus longos cabelos
IV
Os seus braços envolventes
recobertos de suave penugem
macia como a relva
E ao toque mais sutil arrepiada.
Entrelaçados aos meus
num terno abraço aconchegados
ao peito por breve instante
Sentíamos ofegantes
o bater descompassado
dos nossos corações.
V
Nos reencontros marcados
com os beijos na face
um de cada lado
Como se fossem amigos
emocionados apenas
e nunca enamorados
Para sempre
em todo o tempo fluindo
em nosso fado.
VI
Somente as mãos
são dadas de repente
na procura constante
Agarradas por entrelaçados
dedos em permanentes
cariciais, apertados
e frementes.
Beijadas subitamente
nas incontáveis despedidas
e tristes separações.
VII
Ansiosamente esperada
a volta do dia a dia
nas saudades doloridas
De ausências prolongadas
nos caminhos diversos
de nossos desencontros
Prisioneiros de graves compromissos
E inconformados fiéis de um só destino.
VIII
Os meneios da cintura
num ritmo pausado
em desfile permanente.
As vestes marcando
as formas surpreendentes
da saia curta ajustada.
Livres as coxas longas
sinal maior de beleza
caminho sem fim a perpassar
na pele iluminada.
IX
Na placidez do ventre
a sugestão de frutos
Praia rasa de areia molhada
inconsistente
Água clara transparente
deixando ver na concha
Entreaberta
A pérola rosada
do pingo umbelical
completando o fascínio.
X
Dos joelhos concentrados
às belas pernas
E a ponta dos pés pequenos
Pisando leves
quase a flutuar
a cada passo dado
Na dança do seu andar
de suave movimentos
como peixes no mar
XI
A visão das costas
da nuca desprotegida
nos cabelos levantadas
pelas espadas nuas
sombras e suaves relevos
são revelados ao tato
nas pontas dos dedos
captantes
de múltipla sensualidade.
XII
As linhas curvas
mais expressivas
com suas maiores
riquezas...
A cintura
as alegrias dos quadris
equilibrados
E a completa formosura
na harmonia
de tão preciosos lados
celebrados.
Os longos cabelos dourados
derramados até os ombros frágeis
Um manto perfumado
emoldurando o rosto singular
de mulher e de menina.
Madeixas separadas deixando
Entrever no colo ofegante
A curva harmoniosa
dos seios pequeninos.
II
O pescoço esguio como a haste
da flor que é a sua face.
O queixo fino estremece
ao desabrochar do sorriso
Nos lábios de pétalas
entreabertos, separados
Na alvura dos dentes
arrumados como sementes
da romã madura e perfumada.
III
O pequeno nariz arrebitado
cheio de graça aspira
Na brisa vespertina
o cheiro do jasmin adocicado
O brilho dos seus olhos
é como estrelas lucilantes
E a fronte delicada se esconde
Nos caracoes pendentes
dos seus longos cabelos
IV
Os seus braços envolventes
recobertos de suave penugem
macia como a relva
E ao toque mais sutil arrepiada.
Entrelaçados aos meus
num terno abraço aconchegados
ao peito por breve instante
Sentíamos ofegantes
o bater descompassado
dos nossos corações.
V
Nos reencontros marcados
com os beijos na face
um de cada lado
Como se fossem amigos
emocionados apenas
e nunca enamorados
Para sempre
em todo o tempo fluindo
em nosso fado.
VI
Somente as mãos
são dadas de repente
na procura constante
Agarradas por entrelaçados
dedos em permanentes
cariciais, apertados
e frementes.
Beijadas subitamente
nas incontáveis despedidas
e tristes separações.
VII
Ansiosamente esperada
a volta do dia a dia
nas saudades doloridas
De ausências prolongadas
nos caminhos diversos
de nossos desencontros
Prisioneiros de graves compromissos
E inconformados fiéis de um só destino.
VIII
Os meneios da cintura
num ritmo pausado
em desfile permanente.
As vestes marcando
as formas surpreendentes
da saia curta ajustada.
Livres as coxas longas
sinal maior de beleza
caminho sem fim a perpassar
na pele iluminada.
IX
Na placidez do ventre
a sugestão de frutos
Praia rasa de areia molhada
inconsistente
Água clara transparente
deixando ver na concha
Entreaberta
A pérola rosada
do pingo umbelical
completando o fascínio.
X
Dos joelhos concentrados
às belas pernas
E a ponta dos pés pequenos
Pisando leves
quase a flutuar
a cada passo dado
Na dança do seu andar
de suave movimentos
como peixes no mar
XI
A visão das costas
da nuca desprotegida
nos cabelos levantadas
pelas espadas nuas
sombras e suaves relevos
são revelados ao tato
nas pontas dos dedos
captantes
de múltipla sensualidade.
XII
As linhas curvas
mais expressivas
com suas maiores
riquezas...
A cintura
as alegrias dos quadris
equilibrados
E a completa formosura
na harmonia
de tão preciosos lados
celebrados.
1 149
Giselda Medeiros
Cação Para Buscar-te
Deixarei que o vento perpasse
o meu ser e dele retire
teu nome, teu gesto, teu vulto
para que eu possa respirar.
Deixarei que as estrelas roubem
teu brilho e em seu olhar azul
prenda-o, assim, verei luzir
uma outra vez o meu olhar.
E deixarei que o mar te alcance
com sua voz potente e rouca
para que eu possa ouvi em mim
a minha voz, já quase morta.
E deixarei que o tempo leve
a solidão que o teu silêncio
bordou nas fimbrias do meu ser,
naquela tarde que chovia,
E depois de tudo... ah! depois
quero ver minha alma cansada
ainda assim te procurar
sofregamente e nada, nada,
nada de ti reencontrar.
Talvez que sabe não te achando,
desesperada, e louca, e tonta,
se volta pra si, sonâmbula,
para encontrar-se, enfim, a sós.
Mas, como poderei achar-me
se não estiveres em mim?
Pois é no teu caminho vago
que traço o meu destino andante
de estrela, de rio, de vento,
margeando sempre a solidão
o meu ser e dele retire
teu nome, teu gesto, teu vulto
para que eu possa respirar.
Deixarei que as estrelas roubem
teu brilho e em seu olhar azul
prenda-o, assim, verei luzir
uma outra vez o meu olhar.
E deixarei que o mar te alcance
com sua voz potente e rouca
para que eu possa ouvi em mim
a minha voz, já quase morta.
E deixarei que o tempo leve
a solidão que o teu silêncio
bordou nas fimbrias do meu ser,
naquela tarde que chovia,
E depois de tudo... ah! depois
quero ver minha alma cansada
ainda assim te procurar
sofregamente e nada, nada,
nada de ti reencontrar.
Talvez que sabe não te achando,
desesperada, e louca, e tonta,
se volta pra si, sonâmbula,
para encontrar-se, enfim, a sós.
Mas, como poderei achar-me
se não estiveres em mim?
Pois é no teu caminho vago
que traço o meu destino andante
de estrela, de rio, de vento,
margeando sempre a solidão
1 008
Carlos Felipe Moisés
Gramática
1. Fonética
Datilo
grafo
meu espasmo rude
em teu peito
e os dedos cravam
entre a bilabial
e a sibilante
o Ó
inaudível.
2. Vogais
Adiar
odiar
ode e ar.
As vogais se espalham
no céu da boca
e o sopro adiado
imobiliza
a língua
em forma de U.
3. Morfologia
Mastigo
um naco de sombra
e um assombro
de sílabas mudas
escorre dos dentes
entre os escombros
da memória calcinada.
4. Etimologia
Saber de cor
a água
a cor da pele
cada anseio
que a língua
recolhe.
Saber de cor
o coração.
5. Pontuação
Fotograma
atrás de fotograma
teu rosto
é a prolongada pausa
impressa na retina
entre parênteses
do travesseiro.
6. Linguagem figurada
Tropel de trapos
lençol amarfanhado
a convulsão
de umas sílabas rebeldes
desarrumando a cama
& a folha em branco:
o peito de quem ama.
7. Conjugação
Eu me arquipélago
tu te maravilhas
ele se istma
nós nos montanhamos
vós vos espraiais
eles se eclipsam.
(Inédito em livro. Publicado em O Estado de São Paulo, 16/9/89.)
Datilo
grafo
meu espasmo rude
em teu peito
e os dedos cravam
entre a bilabial
e a sibilante
o Ó
inaudível.
2. Vogais
Adiar
odiar
ode e ar.
As vogais se espalham
no céu da boca
e o sopro adiado
imobiliza
a língua
em forma de U.
3. Morfologia
Mastigo
um naco de sombra
e um assombro
de sílabas mudas
escorre dos dentes
entre os escombros
da memória calcinada.
4. Etimologia
Saber de cor
a água
a cor da pele
cada anseio
que a língua
recolhe.
Saber de cor
o coração.
5. Pontuação
Fotograma
atrás de fotograma
teu rosto
é a prolongada pausa
impressa na retina
entre parênteses
do travesseiro.
6. Linguagem figurada
Tropel de trapos
lençol amarfanhado
a convulsão
de umas sílabas rebeldes
desarrumando a cama
& a folha em branco:
o peito de quem ama.
7. Conjugação
Eu me arquipélago
tu te maravilhas
ele se istma
nós nos montanhamos
vós vos espraiais
eles se eclipsam.
(Inédito em livro. Publicado em O Estado de São Paulo, 16/9/89.)
908
Cláudio Ferro
Pensando em Mim
Pensando em mim
este fim é o fim.
Ai de mim,
que amando sou descartado.
Que descartado saio amando,
e no fim, igual ao começo,
me envolvo em novos tropeços,
num sem fim de findar.
Findar novos tropeços.
Igual ao começo, saio amando.
Sou descartado.
Ai de mim.
É o fim em mim.
Num sem fim me envolvo.
E no fim...
Que descartado!
Que amando!
Ai de mim!
Este fim...
Pensando...em mim...
Ai de mim.
Descartado e no fim...findar!
Este fim é o fim!
Ai de mim!
05 de Junho de 1997 19:59
este fim é o fim.
Ai de mim,
que amando sou descartado.
Que descartado saio amando,
e no fim, igual ao começo,
me envolvo em novos tropeços,
num sem fim de findar.
Findar novos tropeços.
Igual ao começo, saio amando.
Sou descartado.
Ai de mim.
É o fim em mim.
Num sem fim me envolvo.
E no fim...
Que descartado!
Que amando!
Ai de mim!
Este fim...
Pensando...em mim...
Ai de mim.
Descartado e no fim...findar!
Este fim é o fim!
Ai de mim!
05 de Junho de 1997 19:59
983
Carlos Felipe Moisés
Retrato
Ah quem viu? Quem vê?
Onde se esconde a pátina invisível
que cobrindo está
eu sei
estas palavras
estas mãos
o sono
e quando olho é brisa?
O mundo exíguo aumenta
no soluço reticente.
Ponte rio estrada
o céu a casa
e o corpo descontente.
Mulher? Criança? Não foi.
É o sol
que lentamente se levanta
e grava a solitária imagem
em pálpebras reclusas.
Absurdo, o amor desliza.
Oferta sonho recusa
repto sudário:
o amor é vário
e as vozes obtusas.
Foi? Não foi?
Palácio ou cornamusa
o mundo nítido é fatal ausência.
O céu — destino
a intenção — certeza
e a incerteza se desnuda
na moldura breve do meu riso.
Onde se esconde a pátina invisível
que cobrindo está
eu sei
estas palavras
estas mãos
o sono
e quando olho é brisa?
O mundo exíguo aumenta
no soluço reticente.
Ponte rio estrada
o céu a casa
e o corpo descontente.
Mulher? Criança? Não foi.
É o sol
que lentamente se levanta
e grava a solitária imagem
em pálpebras reclusas.
Absurdo, o amor desliza.
Oferta sonho recusa
repto sudário:
o amor é vário
e as vozes obtusas.
Foi? Não foi?
Palácio ou cornamusa
o mundo nítido é fatal ausência.
O céu — destino
a intenção — certeza
e a incerteza se desnuda
na moldura breve do meu riso.
878
Carlos Felipe Moisés
Coração Endurecido (II)
Porém meu coração endurecido
não duvidou mil vezes ser culpado.
Marquesa de Alorna
Se eu pudesse dizer,
se eu pudesse deixar de perguntar
o que pode amor
contra a fúria de amar;
se eu pudesse impedir
que a noite chegasse;
se este dia azul,
se minhas mãos pudessem --
do fundo do coração endurecido
talvez brotasse a palavra alada que dorme
em mim e voasse
liberta,
para te dizer (se eu pudesse).
(Círculo imperfeito, Salvador, Fundação Cultural do Estado da Bahia, 1978)
não duvidou mil vezes ser culpado.
Marquesa de Alorna
Se eu pudesse dizer,
se eu pudesse deixar de perguntar
o que pode amor
contra a fúria de amar;
se eu pudesse impedir
que a noite chegasse;
se este dia azul,
se minhas mãos pudessem --
do fundo do coração endurecido
talvez brotasse a palavra alada que dorme
em mim e voasse
liberta,
para te dizer (se eu pudesse).
(Círculo imperfeito, Salvador, Fundação Cultural do Estado da Bahia, 1978)
937
Aldir Blanc
Baile de Formatura
Para Mari Lúcia
Eu não sonhei
que você estava linda.
Eu realmente fui ao baile
e vi você de relance, linda,
de uniforme de normalista,
e seus olhos eram olhos
de uma mulher enamorada,
parecida com a Malu Mader.
Sentindo frio em minhalma,
procurei o bar
pra tomar cuba-libre e coragem.
Quando voltei pro salão
você não estava.
Tinha casado e mudado.
Ainda havia flamingos,
viagens sentimentais,
encantamentos, convites,
damas apaixonadas,
sofisticadas e vagabundas,
a quem amei, mesmo sabendo
que isso não pode ser amor.
Não adianta me chamar
de irresponsável.
Eu estava me sentindo um tolo
por querer você.
Ainda assim, tive luas azuis,
luas pálidas,
luas brilhando sobre
cidades desconhecidas
e um caso para relembrar
e esquecer,
e novo tempo de partir
e o que será, será,
as luzes da cidade
refletindo
um sorriso na lembrança,
um certo sorriso de verão,
cerca de meia-noite,
um sorriso de velhos amigos
embora estranhos no paraíso,
e esse sorriso reacendeu
minha velha chama:
eu dançaria a noite inteira
de rosto colado,
dançando no escuro
canções de setembro,
dançando na chuva,
nas areias da maré baixa,
mas você ainda não estava
dançando a melodia imortal,
você era uma estrela
piscando acima do arco-íris,
e de repente havia fumaça
em seus olhos,
amores clandestinos,
minha garota melancólica,
até nosso reencontro,
mas depois daquela última dança,
corpo e alma,
nunca mais seremos os mesmos.
Hoje a canção é você
e eu estou feliz
por ser infeliz nessa fascinação
entre folhas mortas,
gardênias azuis,
serenatas ao luar,
canções da Índia,
cartas de amor...
With a song in my heart
eu te esperei vinte anos,
acordado e triste,
no salão silencioso e apagado.
Você mudou, noite e dia,
mudou suave e adoravelmente,
e ainda tem os mesmos olhos,
olhos de mulher apaixonada,
olhos de Malu Mader,
e agora, por causa de você,
por tudo que você é,
eu posso finalmente sonhar
que durante todo esse tempo
você não flertou com ninguém,
e que olha só para mim,
meu amor,
meu par.
Eu não sonhei
que você estava linda.
Eu realmente fui ao baile
e vi você de relance, linda,
de uniforme de normalista,
e seus olhos eram olhos
de uma mulher enamorada,
parecida com a Malu Mader.
Sentindo frio em minhalma,
procurei o bar
pra tomar cuba-libre e coragem.
Quando voltei pro salão
você não estava.
Tinha casado e mudado.
Ainda havia flamingos,
viagens sentimentais,
encantamentos, convites,
damas apaixonadas,
sofisticadas e vagabundas,
a quem amei, mesmo sabendo
que isso não pode ser amor.
Não adianta me chamar
de irresponsável.
Eu estava me sentindo um tolo
por querer você.
Ainda assim, tive luas azuis,
luas pálidas,
luas brilhando sobre
cidades desconhecidas
e um caso para relembrar
e esquecer,
e novo tempo de partir
e o que será, será,
as luzes da cidade
refletindo
um sorriso na lembrança,
um certo sorriso de verão,
cerca de meia-noite,
um sorriso de velhos amigos
embora estranhos no paraíso,
e esse sorriso reacendeu
minha velha chama:
eu dançaria a noite inteira
de rosto colado,
dançando no escuro
canções de setembro,
dançando na chuva,
nas areias da maré baixa,
mas você ainda não estava
dançando a melodia imortal,
você era uma estrela
piscando acima do arco-íris,
e de repente havia fumaça
em seus olhos,
amores clandestinos,
minha garota melancólica,
até nosso reencontro,
mas depois daquela última dança,
corpo e alma,
nunca mais seremos os mesmos.
Hoje a canção é você
e eu estou feliz
por ser infeliz nessa fascinação
entre folhas mortas,
gardênias azuis,
serenatas ao luar,
canções da Índia,
cartas de amor...
With a song in my heart
eu te esperei vinte anos,
acordado e triste,
no salão silencioso e apagado.
Você mudou, noite e dia,
mudou suave e adoravelmente,
e ainda tem os mesmos olhos,
olhos de mulher apaixonada,
olhos de Malu Mader,
e agora, por causa de você,
por tudo que você é,
eu posso finalmente sonhar
que durante todo esse tempo
você não flertou com ninguém,
e que olha só para mim,
meu amor,
meu par.
1 871
Alexandre S. Santos
Uma Alternativa
Deixar frouxos os arreios;
atentar para o instinto;
não depender de esteios;
tornar o medo extinto;
voar por vias invisíveis,
em travessia por mar,
sobre ondas aprazíveis,
espelhos turvos de luar;
Gozar o olor da mata,
e na pele o verde rocio
dos galhos altos, acrobata,
mergulhado em branco cicio;
orbitar com os cometas,
no negro sorriso de Deus;
Fruir o maná de rubras tetas,
de ti Natura, filhos teus;
No colo do afeto sentido
recostar os lábios soantes,
fazer do sopro emitido
o diálogo entre amantes;
e, desta anarquia natural
o fim - quem sabe?- do mal,
do velho conceito de certo,
um mundo são descoberto.
atentar para o instinto;
não depender de esteios;
tornar o medo extinto;
voar por vias invisíveis,
em travessia por mar,
sobre ondas aprazíveis,
espelhos turvos de luar;
Gozar o olor da mata,
e na pele o verde rocio
dos galhos altos, acrobata,
mergulhado em branco cicio;
orbitar com os cometas,
no negro sorriso de Deus;
Fruir o maná de rubras tetas,
de ti Natura, filhos teus;
No colo do afeto sentido
recostar os lábios soantes,
fazer do sopro emitido
o diálogo entre amantes;
e, desta anarquia natural
o fim - quem sabe?- do mal,
do velho conceito de certo,
um mundo são descoberto.
909
Paulo Leminski
Carta pluma
a uma carta pluma
só se responde
com alguma resposta nenhuma
algo assim como se a onda
não acabasse em espuma
assim algo como se amar
fosse mais do que a bruma
uma coisa assim complexa
como se um dia de chuva
fosse uma sombrinha aberta
como se, ai, como se,
de quantos se
se faz essa história
que se chama eu e você
só se responde
com alguma resposta nenhuma
algo assim como se a onda
não acabasse em espuma
assim algo como se amar
fosse mais do que a bruma
uma coisa assim complexa
como se um dia de chuva
fosse uma sombrinha aberta
como se, ai, como se,
de quantos se
se faz essa história
que se chama eu e você
2 028
Artur Eduardo Benevides
Soneto em Recife
Tão leve qual capulho de algodão
Que a brisa da tarde transportasse
Sinto o doce luar de tua face
Sobre o azul dos gestos em canção.
Mesmo distante, vem-me tua mão
Trazendo a flor que agora despertasse
Na manhã de teu sonho, de que nasce
A paz das verdes relvas pelo chão.
Que fazes por aí? Aqui, eu teço
Uma saudade enorme. Não te esqueço.
Se te, esquecesse, já estaria morto.
Muito tempo custou-me a travessia
Até te achar, nas ilhas da Poesia,
Iluminando as noites do meu porto.
Que a brisa da tarde transportasse
Sinto o doce luar de tua face
Sobre o azul dos gestos em canção.
Mesmo distante, vem-me tua mão
Trazendo a flor que agora despertasse
Na manhã de teu sonho, de que nasce
A paz das verdes relvas pelo chão.
Que fazes por aí? Aqui, eu teço
Uma saudade enorme. Não te esqueço.
Se te, esquecesse, já estaria morto.
Muito tempo custou-me a travessia
Até te achar, nas ilhas da Poesia,
Iluminando as noites do meu porto.
1 533
Levi Bucalem Ferrari
Erótica
Viajo pelas galáxias
Num col(chão) voador
Sonho com grutas úmidas
Repletas de tesouros
Orvalho sobre musgo sobre pedra
Calma e cheiro de mato
Obeliscos!
Menino
(Re)nasce
De homem
Dentro
De mulher
Tudo é
(M)eu, abrangido
Pelo teu abrangente
Infinito
Num col(chão) voador
Sonho com grutas úmidas
Repletas de tesouros
Orvalho sobre musgo sobre pedra
Calma e cheiro de mato
Obeliscos!
Menino
(Re)nasce
De homem
Dentro
De mulher
Tudo é
(M)eu, abrangido
Pelo teu abrangente
Infinito
945
António Botto
Andava a lua nos céus
Andava a lua nos céus
Com o seu bando de estrelas
Na minha alcova
Ardiam velas
Em candelabros de bronza
Pelo chão em desalinho
Os veludos pareciam
Ondas de sangue e ondas de vinho
Ele, olhava-me cismando;
E eu,
Plácidamente, fumava,
Vendo a lua branca e nua
Que pelos céus caminhava.
Aproximou-se; e em delírio
Procurou avidamente
E avidamente beijou
A minha boca de cravo
Que a beijar se recusou.
Arrastou-me para ele,
E encostado ao meu hombro
Falou-me de um pagem loiro
Que morrera de saudade
À beira-mar, a cantar...
Olhei o céu!
Agora, a lua, fugia,
Entre nuvens que tornavam
A inda noite sombria.
Deram-se as bocas num beijo,
Um beijo nervoso e lento...
O homem cede ao desejo
Como a nuvem cede ao vento
Vinha longe a madrugada.
Por fim,
Largando esse corpo
Que adormecera cansado
E que eu beijara, loucamente,
Sem sentir,
Bebia vinho, perdidamente
Bebia vinha..., até cair.
Com o seu bando de estrelas
Na minha alcova
Ardiam velas
Em candelabros de bronza
Pelo chão em desalinho
Os veludos pareciam
Ondas de sangue e ondas de vinho
Ele, olhava-me cismando;
E eu,
Plácidamente, fumava,
Vendo a lua branca e nua
Que pelos céus caminhava.
Aproximou-se; e em delírio
Procurou avidamente
E avidamente beijou
A minha boca de cravo
Que a beijar se recusou.
Arrastou-me para ele,
E encostado ao meu hombro
Falou-me de um pagem loiro
Que morrera de saudade
À beira-mar, a cantar...
Olhei o céu!
Agora, a lua, fugia,
Entre nuvens que tornavam
A inda noite sombria.
Deram-se as bocas num beijo,
Um beijo nervoso e lento...
O homem cede ao desejo
Como a nuvem cede ao vento
Vinha longe a madrugada.
Por fim,
Largando esse corpo
Que adormecera cansado
E que eu beijara, loucamente,
Sem sentir,
Bebia vinho, perdidamente
Bebia vinha..., até cair.
3 334
Abdias Sá
Os Sonhos
De repente acordo e vejo bem perto
De mim, colado quase ao meu, desnudo,
Também, cansado, inerte no veludo,
O corpo dela, sem censura, aberto
O coração, de sentimento incerto,
Às vezes, mesmo, indiferente a tudo.
De tanto vê-la assim me desiludo
E me entristeço sempre que desperto.
Sem esperança de acordar com ela,
Eu fico preso ao meu amor constante
E paro, e penso e sinto, num instante,
Quando ela dorme, assim, imóvel, bela:
...Eu dos seus sonhos estou tão distante,
Que nem parece que estou junto dela.
João Pessoa, 1981
De mim, colado quase ao meu, desnudo,
Também, cansado, inerte no veludo,
O corpo dela, sem censura, aberto
O coração, de sentimento incerto,
Às vezes, mesmo, indiferente a tudo.
De tanto vê-la assim me desiludo
E me entristeço sempre que desperto.
Sem esperança de acordar com ela,
Eu fico preso ao meu amor constante
E paro, e penso e sinto, num instante,
Quando ela dorme, assim, imóvel, bela:
...Eu dos seus sonhos estou tão distante,
Que nem parece que estou junto dela.
João Pessoa, 1981
1 001
Adriana Sampaio
Ponto de Mutação
Ponto de Mutação
Hoje choveu, e o dia estava lindo
Na estrada verde lhe vi
E você estava ali
Meu menino grande...
Os dois entregues
Igualmente humanos
E a nossa humanidade nos fez sublimes
A sua doçura lhe fez príncipe
O meu amor lhe enterneceu
E pude ver que a beleza
Que encontro nos seus olhos
Vem da expressividade imensa
Que de você transborda
Você foi o mar, onde mergulhei
E as suas águas calmas e quentes
Me inundaram de paixão
Assim, depois desse dia chuvoso e lindo
Alguma mágica se derramou sobre nós
E nas palavras que me restaram
Não coube a imensidão
De tanto mar.
Hoje choveu, e o dia estava lindo
Na estrada verde lhe vi
E você estava ali
Meu menino grande...
Os dois entregues
Igualmente humanos
E a nossa humanidade nos fez sublimes
A sua doçura lhe fez príncipe
O meu amor lhe enterneceu
E pude ver que a beleza
Que encontro nos seus olhos
Vem da expressividade imensa
Que de você transborda
Você foi o mar, onde mergulhei
E as suas águas calmas e quentes
Me inundaram de paixão
Assim, depois desse dia chuvoso e lindo
Alguma mágica se derramou sobre nós
E nas palavras que me restaram
Não coube a imensidão
De tanto mar.
944
Amália de Alarcão Ribeiro Martins
Amanhecer
Hoje o dia amanheceu mais florido,
porque mais amor tenho por você.
Hoje amanheci mais feliz,
porque sei que estarás
constantemente ao meu lado.
Hoje amanheci te querendo
mais do que a própria vida.
Amo e farei tudo
o que tu quiseres
para estar
sempre e eternamente
ao teu lado.
porque mais amor tenho por você.
Hoje amanheci mais feliz,
porque sei que estarás
constantemente ao meu lado.
Hoje amanheci te querendo
mais do que a própria vida.
Amo e farei tudo
o que tu quiseres
para estar
sempre e eternamente
ao teu lado.
511
Aldir Blanc
Clima-X
Quando, agonizantes, gozamos,
transcendemos
essa históriade ser mulher
ou ser marido:
É como se você fosse terra
e eu tivesse chovido.
transcendemos
essa históriade ser mulher
ou ser marido:
É como se você fosse terra
e eu tivesse chovido.
1 268
Joél Gallinati Heim
Olhos cor de mel
(Para os olhos de Ana Beatriz)
Teus olhos cor de mel
Brilhando de luz delicada
Senti teu desejo por mim
Provei dos teus lábios
Sabor de pecado e prazer
Devagar fui te descobrindo
Na maciez de tua pele
Passeei por seus belos seios
Senti tuas coxas e pernas
De encontro às minhas
Com carícias tensas
Aos poucos fui te descobrindo
Teu sexo úmido procurado
Por meu sexo duro de desejo
E no abismo entre tuas coxas
Quente a deslizar enfiei
Minha lança dura de prazer
Gemias sob os beijos gemias
E a me espremer ias mexendo
Quadris e sexo em ritmo lento
Minha lança agora prisioneira
O gozo pleno, veio em ondas
Senti teu grito no meu sexo
Explodi em jorros de prazer
Inundando tuas entranhas
Eu esvaído em gozo lá no fundo
Meu doce leite inundava
Tua fenda rósea, escorrendo-te
Entre as coxas, branco sêmen.
Teus olhos cor de mel
Brilhando de luz delicada
Senti teu desejo por mim
Provei dos teus lábios
Sabor de pecado e prazer
Devagar fui te descobrindo
Na maciez de tua pele
Passeei por seus belos seios
Senti tuas coxas e pernas
De encontro às minhas
Com carícias tensas
Aos poucos fui te descobrindo
Teu sexo úmido procurado
Por meu sexo duro de desejo
E no abismo entre tuas coxas
Quente a deslizar enfiei
Minha lança dura de prazer
Gemias sob os beijos gemias
E a me espremer ias mexendo
Quadris e sexo em ritmo lento
Minha lança agora prisioneira
O gozo pleno, veio em ondas
Senti teu grito no meu sexo
Explodi em jorros de prazer
Inundando tuas entranhas
Eu esvaído em gozo lá no fundo
Meu doce leite inundava
Tua fenda rósea, escorrendo-te
Entre as coxas, branco sêmen.
1 498
Adriana Sampaio
Separação
Separação
Isso é uma declaração de amor:
Declaro que te quero
E isso é claro como meu desejo.
Declaro que te admiro
Todo ato teu me é visível, claro.
Declaro que cresço a cada passo
Que nossas mãos, dadas, acompanham.
Declaro que sou tua
Livremente e espontaneamente tua,
Como só meu sentimento puro
Pode lindamente me levar a ser.
Declaro que sou uma, única
E que és igualmente único para mim
Como derivados da mais pura diversidade.
Declaro toda inspiração a que me inspiras
Levando-me através da mais completa fantasia.
Declaro minha loucura
Que assim retorna mansamente
E torna essa declaração
Declaração de independência.
Isso é uma declaração de amor:
Declaro que te quero
E isso é claro como meu desejo.
Declaro que te admiro
Todo ato teu me é visível, claro.
Declaro que cresço a cada passo
Que nossas mãos, dadas, acompanham.
Declaro que sou tua
Livremente e espontaneamente tua,
Como só meu sentimento puro
Pode lindamente me levar a ser.
Declaro que sou uma, única
E que és igualmente único para mim
Como derivados da mais pura diversidade.
Declaro toda inspiração a que me inspiras
Levando-me através da mais completa fantasia.
Declaro minha loucura
Que assim retorna mansamente
E torna essa declaração
Declaração de independência.
1 049
Zhang Kejiu
PRAZER NOCTURNO NO LAGO
Ébrio até mais não poder
intermináveis canções
ao luar rebentam vagas glaucas
na margem verdejante o relincho dum cavalo
conchas de azul nocturno onde pesam flores da montanha
as falenas prateadas agitam-se na brancura do salgueiro:
sob a lâmpada, ela olha-me
intermináveis canções
ao luar rebentam vagas glaucas
na margem verdejante o relincho dum cavalo
conchas de azul nocturno onde pesam flores da montanha
as falenas prateadas agitam-se na brancura do salgueiro:
sob a lâmpada, ela olha-me
1 014
Raimundo Bento Sotero
Separação
Dá-me cedo, Senhor, humilde assento
Ao lado da que foi tão de repente,
Pois desde o dia em que se fez ausente
Que vivo entre um soluço e um Lamento.
Oh! Como dói, meu Deus, o sentimento
De perder quem a vida não consente
Que nem um só instante saia à mente,
Pois se eterniza cá no sofrimento!
Vou assim, por sol quente e noite fria,
Arrastando meu fardo de agonia
Como um doente já de "Sentinela".
Leva-me, Pai, também à tua presença.
A Morte para mim é recompensa:
Melhor morrer a viver longe Dela!
Ao lado da que foi tão de repente,
Pois desde o dia em que se fez ausente
Que vivo entre um soluço e um Lamento.
Oh! Como dói, meu Deus, o sentimento
De perder quem a vida não consente
Que nem um só instante saia à mente,
Pois se eterniza cá no sofrimento!
Vou assim, por sol quente e noite fria,
Arrastando meu fardo de agonia
Como um doente já de "Sentinela".
Leva-me, Pai, também à tua presença.
A Morte para mim é recompensa:
Melhor morrer a viver longe Dela!
956
Natália Correia
Poema II
De amor nada mais resta que um Outubro
e quanto mais amada mais desisto:
quanto mais tu me despes mais me cubro
e quanto mais me escondo mais me avisto.
E sei que mais te enleio e te deslumbro
porque se mais me ofusco mais existo.
Por dentro me ilumino, sol oculto,
por fora te ajoelho, corpo místico.
Não me acordes. Estou morta na quermesse
dos teus beijos. Etérea, a minha espécie
nem teus zelos amantes a demovem.
Mas quanto mais em nuvem me desfaço
mais de terra e de fogo é o abraço
com que na carne queres reter-me jovem.
e quanto mais amada mais desisto:
quanto mais tu me despes mais me cubro
e quanto mais me escondo mais me avisto.
E sei que mais te enleio e te deslumbro
porque se mais me ofusco mais existo.
Por dentro me ilumino, sol oculto,
por fora te ajoelho, corpo místico.
Não me acordes. Estou morta na quermesse
dos teus beijos. Etérea, a minha espécie
nem teus zelos amantes a demovem.
Mas quanto mais em nuvem me desfaço
mais de terra e de fogo é o abraço
com que na carne queres reter-me jovem.
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