Poemas neste tema
Emoções e Sentimentos
Suzanna de Campos
Haicai
Flor emurchecida.
Lembrança... Uma alma de criança...
Minha pobre vida...
Folhas pelo chão...
Poesia, sonho, harmonia
Em meu coração...
Lembrança... Uma alma de criança...
Minha pobre vida...
Folhas pelo chão...
Poesia, sonho, harmonia
Em meu coração...
505
1
Suzanna de Campos
Haicai
Flor emurchecida.
Lembrança... Uma alma de criança...
Minha pobre vida...
Folhas pelo chão...
Poesia, sonho, harmonia
Em meu coração...
Lembrança... Uma alma de criança...
Minha pobre vida...
Folhas pelo chão...
Poesia, sonho, harmonia
Em meu coração...
505
1
Adail Coelho Maia
Janela do Passado
Debruçado na janela do passado,
Ao longe, distingui longos caminhos,
Repletos de cardos e de espinhos,
Em fileiras de um lado e de outro lado!
Lembrei-me de mim mesmo, hoje isolado,
Nos lugares desertos e mesquinhos,
Qual ave a cantar fora dos ninhos,
Num gorjeio saudoso e sufocado...
Se a criancinha encosta-se ao peito,
Que sorrindo ou chorando, a sorte escrava,
Não me permite aconchegá-la ao peito!...
Espelho sou de luz amortecida;
Foge de mim quem outrora me abraçava,
É uma vida sem vida, a minha vida!...
Ao longe, distingui longos caminhos,
Repletos de cardos e de espinhos,
Em fileiras de um lado e de outro lado!
Lembrei-me de mim mesmo, hoje isolado,
Nos lugares desertos e mesquinhos,
Qual ave a cantar fora dos ninhos,
Num gorjeio saudoso e sufocado...
Se a criancinha encosta-se ao peito,
Que sorrindo ou chorando, a sorte escrava,
Não me permite aconchegá-la ao peito!...
Espelho sou de luz amortecida;
Foge de mim quem outrora me abraçava,
É uma vida sem vida, a minha vida!...
987
1
Adail Coelho Maia
Janela do Passado
Debruçado na janela do passado,
Ao longe, distingui longos caminhos,
Repletos de cardos e de espinhos,
Em fileiras de um lado e de outro lado!
Lembrei-me de mim mesmo, hoje isolado,
Nos lugares desertos e mesquinhos,
Qual ave a cantar fora dos ninhos,
Num gorjeio saudoso e sufocado...
Se a criancinha encosta-se ao peito,
Que sorrindo ou chorando, a sorte escrava,
Não me permite aconchegá-la ao peito!...
Espelho sou de luz amortecida;
Foge de mim quem outrora me abraçava,
É uma vida sem vida, a minha vida!...
Ao longe, distingui longos caminhos,
Repletos de cardos e de espinhos,
Em fileiras de um lado e de outro lado!
Lembrei-me de mim mesmo, hoje isolado,
Nos lugares desertos e mesquinhos,
Qual ave a cantar fora dos ninhos,
Num gorjeio saudoso e sufocado...
Se a criancinha encosta-se ao peito,
Que sorrindo ou chorando, a sorte escrava,
Não me permite aconchegá-la ao peito!...
Espelho sou de luz amortecida;
Foge de mim quem outrora me abraçava,
É uma vida sem vida, a minha vida!...
987
1
Sérgio Milliet
Aranha Enorme de Ventre
Amarelo...
Aranha enorme de ventre amarelo
sai a lua da teia do arvoredo...
E as estrelas fogem com medo.
Aranha enorme de ventre amarelo
sai a lua da teia do arvoredo...
E as estrelas fogem com medo.
1 795
1
Gilberto Mendonça Teles
Chá das Cinco
A Jorge Amado
chá de poejo para o teu desejo
chá de alfavaca já que a carne é fraca
chá de poaia e rabo de saia
chá de erva-cidreira se ela for solteira
chá de beldroega se ela foge e nega
chá de panela para as coisas dela
chá de alecrim se ela for ruim
chá de losna se ela late ou rosna
chá de abacate se ela rosna e late
chá de sabugueiro para ser ligeiro
chá de funcho quando houver carunhco
chá de trepadeira para a noite inteira
chá de boldo se ela pedir soldo
chá de confrei se ela for de lei
chá de macela se não for donzela
chá de alho para um ato falho
chá de bico quando houver fuxico
chá de sumiço quando houver enguiço
chá de estrada se ela for casada
chá de marmelo quando houver duelo
chá de douradinha se ela for gordinha
chá de fedegoso pra mijar gostoso
chá de cadeira para a vez primeira
chá de jalapa quando for no tapa
chá de catuaba quando não se acaba
chá de jurema se exigir poema
chá de hortelã e até manhã
chá de erva-doce e acabou-se
(pelo sim pelo não
chá de barbatimão)
chá de poejo para o teu desejo
chá de alfavaca já que a carne é fraca
chá de poaia e rabo de saia
chá de erva-cidreira se ela for solteira
chá de beldroega se ela foge e nega
chá de panela para as coisas dela
chá de alecrim se ela for ruim
chá de losna se ela late ou rosna
chá de abacate se ela rosna e late
chá de sabugueiro para ser ligeiro
chá de funcho quando houver carunhco
chá de trepadeira para a noite inteira
chá de boldo se ela pedir soldo
chá de confrei se ela for de lei
chá de macela se não for donzela
chá de alho para um ato falho
chá de bico quando houver fuxico
chá de sumiço quando houver enguiço
chá de estrada se ela for casada
chá de marmelo quando houver duelo
chá de douradinha se ela for gordinha
chá de fedegoso pra mijar gostoso
chá de cadeira para a vez primeira
chá de jalapa quando for no tapa
chá de catuaba quando não se acaba
chá de jurema se exigir poema
chá de hortelã e até manhã
chá de erva-doce e acabou-se
(pelo sim pelo não
chá de barbatimão)
7 001
1
Gilberto Mendonça Teles
Chá das Cinco
A Jorge Amado
chá de poejo para o teu desejo
chá de alfavaca já que a carne é fraca
chá de poaia e rabo de saia
chá de erva-cidreira se ela for solteira
chá de beldroega se ela foge e nega
chá de panela para as coisas dela
chá de alecrim se ela for ruim
chá de losna se ela late ou rosna
chá de abacate se ela rosna e late
chá de sabugueiro para ser ligeiro
chá de funcho quando houver carunhco
chá de trepadeira para a noite inteira
chá de boldo se ela pedir soldo
chá de confrei se ela for de lei
chá de macela se não for donzela
chá de alho para um ato falho
chá de bico quando houver fuxico
chá de sumiço quando houver enguiço
chá de estrada se ela for casada
chá de marmelo quando houver duelo
chá de douradinha se ela for gordinha
chá de fedegoso pra mijar gostoso
chá de cadeira para a vez primeira
chá de jalapa quando for no tapa
chá de catuaba quando não se acaba
chá de jurema se exigir poema
chá de hortelã e até manhã
chá de erva-doce e acabou-se
(pelo sim pelo não
chá de barbatimão)
chá de poejo para o teu desejo
chá de alfavaca já que a carne é fraca
chá de poaia e rabo de saia
chá de erva-cidreira se ela for solteira
chá de beldroega se ela foge e nega
chá de panela para as coisas dela
chá de alecrim se ela for ruim
chá de losna se ela late ou rosna
chá de abacate se ela rosna e late
chá de sabugueiro para ser ligeiro
chá de funcho quando houver carunhco
chá de trepadeira para a noite inteira
chá de boldo se ela pedir soldo
chá de confrei se ela for de lei
chá de macela se não for donzela
chá de alho para um ato falho
chá de bico quando houver fuxico
chá de sumiço quando houver enguiço
chá de estrada se ela for casada
chá de marmelo quando houver duelo
chá de douradinha se ela for gordinha
chá de fedegoso pra mijar gostoso
chá de cadeira para a vez primeira
chá de jalapa quando for no tapa
chá de catuaba quando não se acaba
chá de jurema se exigir poema
chá de hortelã e até manhã
chá de erva-doce e acabou-se
(pelo sim pelo não
chá de barbatimão)
7 001
1
Gilberto Mendonça Teles
Chá das Cinco
A Jorge Amado
chá de poejo para o teu desejo
chá de alfavaca já que a carne é fraca
chá de poaia e rabo de saia
chá de erva-cidreira se ela for solteira
chá de beldroega se ela foge e nega
chá de panela para as coisas dela
chá de alecrim se ela for ruim
chá de losna se ela late ou rosna
chá de abacate se ela rosna e late
chá de sabugueiro para ser ligeiro
chá de funcho quando houver carunhco
chá de trepadeira para a noite inteira
chá de boldo se ela pedir soldo
chá de confrei se ela for de lei
chá de macela se não for donzela
chá de alho para um ato falho
chá de bico quando houver fuxico
chá de sumiço quando houver enguiço
chá de estrada se ela for casada
chá de marmelo quando houver duelo
chá de douradinha se ela for gordinha
chá de fedegoso pra mijar gostoso
chá de cadeira para a vez primeira
chá de jalapa quando for no tapa
chá de catuaba quando não se acaba
chá de jurema se exigir poema
chá de hortelã e até manhã
chá de erva-doce e acabou-se
(pelo sim pelo não
chá de barbatimão)
chá de poejo para o teu desejo
chá de alfavaca já que a carne é fraca
chá de poaia e rabo de saia
chá de erva-cidreira se ela for solteira
chá de beldroega se ela foge e nega
chá de panela para as coisas dela
chá de alecrim se ela for ruim
chá de losna se ela late ou rosna
chá de abacate se ela rosna e late
chá de sabugueiro para ser ligeiro
chá de funcho quando houver carunhco
chá de trepadeira para a noite inteira
chá de boldo se ela pedir soldo
chá de confrei se ela for de lei
chá de macela se não for donzela
chá de alho para um ato falho
chá de bico quando houver fuxico
chá de sumiço quando houver enguiço
chá de estrada se ela for casada
chá de marmelo quando houver duelo
chá de douradinha se ela for gordinha
chá de fedegoso pra mijar gostoso
chá de cadeira para a vez primeira
chá de jalapa quando for no tapa
chá de catuaba quando não se acaba
chá de jurema se exigir poema
chá de hortelã e até manhã
chá de erva-doce e acabou-se
(pelo sim pelo não
chá de barbatimão)
7 001
1
Tasso da Silveira
Sonho Vago
Ó branca e luminosa!
Na alcova quieta e silenciosa
que a penhumbra parece transformar
Num ambiente imaginário
De cidade lacustre ou num aquário,
Teu corpo claro, fino, gransparente,
A se mover preguiçosamente
Como a ondular...
Lembra, nessa nudez que as sombras ilumina,
Sonâmbulo país de águas e brumas,
Visão de uma paisagem submarina,
Em que andas a flutuar...
Como no meio de algas e de espumas
- Uma ninfa, sereia ou estrela-do-mar.
Vendo-te assim, meio acordado,
Eu me deixo embalar
Num esquisito, incomparável gozo,
De deleites estranhos inundado.
Crendo que vou contigo a mergulhar,
Num sonho lvoluptuoso,
Por entre espaços fluidos de veludo,
-Um país de perfumes e de encanto -
Em que de um vago luar o tênue manto
Amacia tudo...
II
Quantas imaagens brancas me sugeres!
- Magnólia, flor dos Alpes, nebulosa...
- Branca lua perdida entre as mulheres!
- Garça, vela no mar, alvor de rosa!
Ao vê-lo assim, tão claro e leve, eu plenso
Que o teu corpo, a florir na luz cendrada,
Sonha, dentro da noite, o sonho imenso
Que as rosas brancas sonham na alvorada.
Na alcova quieta e silenciosa
que a penhumbra parece transformar
Num ambiente imaginário
De cidade lacustre ou num aquário,
Teu corpo claro, fino, gransparente,
A se mover preguiçosamente
Como a ondular...
Lembra, nessa nudez que as sombras ilumina,
Sonâmbulo país de águas e brumas,
Visão de uma paisagem submarina,
Em que andas a flutuar...
Como no meio de algas e de espumas
- Uma ninfa, sereia ou estrela-do-mar.
Vendo-te assim, meio acordado,
Eu me deixo embalar
Num esquisito, incomparável gozo,
De deleites estranhos inundado.
Crendo que vou contigo a mergulhar,
Num sonho lvoluptuoso,
Por entre espaços fluidos de veludo,
-Um país de perfumes e de encanto -
Em que de um vago luar o tênue manto
Amacia tudo...
II
Quantas imaagens brancas me sugeres!
- Magnólia, flor dos Alpes, nebulosa...
- Branca lua perdida entre as mulheres!
- Garça, vela no mar, alvor de rosa!
Ao vê-lo assim, tão claro e leve, eu plenso
Que o teu corpo, a florir na luz cendrada,
Sonha, dentro da noite, o sonho imenso
Que as rosas brancas sonham na alvorada.
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1
Tasso da Silveira
Sonho Vago
Ó branca e luminosa!
Na alcova quieta e silenciosa
que a penhumbra parece transformar
Num ambiente imaginário
De cidade lacustre ou num aquário,
Teu corpo claro, fino, gransparente,
A se mover preguiçosamente
Como a ondular...
Lembra, nessa nudez que as sombras ilumina,
Sonâmbulo país de águas e brumas,
Visão de uma paisagem submarina,
Em que andas a flutuar...
Como no meio de algas e de espumas
- Uma ninfa, sereia ou estrela-do-mar.
Vendo-te assim, meio acordado,
Eu me deixo embalar
Num esquisito, incomparável gozo,
De deleites estranhos inundado.
Crendo que vou contigo a mergulhar,
Num sonho lvoluptuoso,
Por entre espaços fluidos de veludo,
-Um país de perfumes e de encanto -
Em que de um vago luar o tênue manto
Amacia tudo...
II
Quantas imaagens brancas me sugeres!
- Magnólia, flor dos Alpes, nebulosa...
- Branca lua perdida entre as mulheres!
- Garça, vela no mar, alvor de rosa!
Ao vê-lo assim, tão claro e leve, eu plenso
Que o teu corpo, a florir na luz cendrada,
Sonha, dentro da noite, o sonho imenso
Que as rosas brancas sonham na alvorada.
Na alcova quieta e silenciosa
que a penhumbra parece transformar
Num ambiente imaginário
De cidade lacustre ou num aquário,
Teu corpo claro, fino, gransparente,
A se mover preguiçosamente
Como a ondular...
Lembra, nessa nudez que as sombras ilumina,
Sonâmbulo país de águas e brumas,
Visão de uma paisagem submarina,
Em que andas a flutuar...
Como no meio de algas e de espumas
- Uma ninfa, sereia ou estrela-do-mar.
Vendo-te assim, meio acordado,
Eu me deixo embalar
Num esquisito, incomparável gozo,
De deleites estranhos inundado.
Crendo que vou contigo a mergulhar,
Num sonho lvoluptuoso,
Por entre espaços fluidos de veludo,
-Um país de perfumes e de encanto -
Em que de um vago luar o tênue manto
Amacia tudo...
II
Quantas imaagens brancas me sugeres!
- Magnólia, flor dos Alpes, nebulosa...
- Branca lua perdida entre as mulheres!
- Garça, vela no mar, alvor de rosa!
Ao vê-lo assim, tão claro e leve, eu plenso
Que o teu corpo, a florir na luz cendrada,
Sonha, dentro da noite, o sonho imenso
Que as rosas brancas sonham na alvorada.
1 227
1
Tenreiro Aranha
Soneto II
Passarinho que logras docemente
Os prazeres da amável inocência,
Livre de que a culpada consciência
Te aflija, como aflige ao delinqüente;
Fácil sustento e sempre mui decente
Vestido te fornece a Providência;
Sem futuros prever, tua existência
É feliz limitando-se ao presente.
Não assim, ai de mim! Porque sofrendo
A fome, a sede, o frio, a enfermidade
Sinto também do crime o peso horrendo...
Dos homens me rodeia a iniqüidade
A calúnia me oprime, e, ao fim tremendo
Me assusta uma espantosa eternidade.
Os prazeres da amável inocência,
Livre de que a culpada consciência
Te aflija, como aflige ao delinqüente;
Fácil sustento e sempre mui decente
Vestido te fornece a Providência;
Sem futuros prever, tua existência
É feliz limitando-se ao presente.
Não assim, ai de mim! Porque sofrendo
A fome, a sede, o frio, a enfermidade
Sinto também do crime o peso horrendo...
Dos homens me rodeia a iniqüidade
A calúnia me oprime, e, ao fim tremendo
Me assusta uma espantosa eternidade.
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1
Ascânio Lopes
Cataguazes
Para Carlos Drummond de Andrade
Nem Belo Horizonte, colcha de retalhos iguais,
cidade européia de ruas retas, árvores certas,
casas simétricas,
crepúsculos bonitos, sempre bonitos;
Nem juiz de Fora. Ruído. Rumor.
Apitos. Klaxons.
Cidade inglesa de céu enfumaçado, cheio de chaminés negras;
Nem Ouro Preto, cidade morta,
Bruges sem Rodenbach,
onde estudantes passadistas continuam a tradição das coisas que já esquecemos;
Nem Sabará, cidade relíquia,
onde não se pode tocar, para não desmanchar o passado arrumadinho;
Nem Estrela do Sul, a sonhar com tesouros,
tesouros nos cascalhos extintos de seu rio barrento;
Nem Uberaba, nem, nem, cidades arrivistas de gente que não pretende ficar:
Nã-o ! Cataguazes... Há coisa mais bela e serena oculta nos teus flancos.
Nas tuas ruas brinca a inconsciência das cidades
que nunca foram, que não cuidam de ser.
Não sabes, não sei, ninguém compreenderá jamais o que desejas, o que serás.
Não és do passado, não és do futuro; não tens idade...
Só sei que és
a mais mineira cidade de Minas Gerais...
Nem geometria, nem estilo europeu, nem invasão americana de bangalôs derniecri.
Tuas casas são largas casas mineiras feitas na previsão de muitos hóspedes.
Não há em ti o terror das cidades plantadas na mata virgem.
Nem o ramerrão dos bondes atrasados, cheios de gente apressada.
Nem os dísticos de aqui esteve aqui aconteceu.
Nem o tintim áspero dos padeiros.
Nem a buzina incômoda dos tintureiros.
Teus leiteiros ainda levam o leite em burricos.
Os padeiros deixam o pão à janela (cidade mineira).
Teu amanhecer é suave.
Que alegria de só ter gente conhecida faz teu habitante voltar-se para cumprimentar
todos que passam.
Delícia de não encontrar estrangeiros de olhar agudo esperto mau, a suspeitar
riquezas nas terras.
Alegria dos fordes brincando (são dois) na praça.
(Depois vão dormir juntinhas numa só garagem).
Jacaré!
João Arara!
João Gostoso!
teus tipos populares.
A criançada atira-lhes pedras e eles se voltam imprecando.
Rondas alegres de meninas nas ruas, às tardes, sem perigo de veículos,
papagaios que se embaraçam nos fios de luz, balões que sobem,
foguetes obrigatórios nas festas de chegada do chefe político.
Jardins onde meninas ariscas passeiam meia hora só antes do cinema.
Ar morno e sensual de voluptuosidade gostosa que vibra
nas tuas tardes chuvosas, quando as goteiras pingam nos passantes
e batem isócronas nos passeios furados.
Há em ti a delícia da vida que passa porque vale a pena passar,
que passa sem dar por isso, sem supor que se vai transformando.
Em ti se dorme tranqüilo sem guardas-noturnos.
Mas com o cricri dos grilos,
o ranram dos sapos,
o sono é tranqüilo como o de uma criança de colo.
Vale a pena viver em ti.
Nem inquietude,
nem peso inútil de recordações
Mas a confiança que nasce das coisas que não mudam bruscas,
nem ficam eternas.
Nem Belo Horizonte, colcha de retalhos iguais,
cidade européia de ruas retas, árvores certas,
casas simétricas,
crepúsculos bonitos, sempre bonitos;
Nem juiz de Fora. Ruído. Rumor.
Apitos. Klaxons.
Cidade inglesa de céu enfumaçado, cheio de chaminés negras;
Nem Ouro Preto, cidade morta,
Bruges sem Rodenbach,
onde estudantes passadistas continuam a tradição das coisas que já esquecemos;
Nem Sabará, cidade relíquia,
onde não se pode tocar, para não desmanchar o passado arrumadinho;
Nem Estrela do Sul, a sonhar com tesouros,
tesouros nos cascalhos extintos de seu rio barrento;
Nem Uberaba, nem, nem, cidades arrivistas de gente que não pretende ficar:
Nã-o ! Cataguazes... Há coisa mais bela e serena oculta nos teus flancos.
Nas tuas ruas brinca a inconsciência das cidades
que nunca foram, que não cuidam de ser.
Não sabes, não sei, ninguém compreenderá jamais o que desejas, o que serás.
Não és do passado, não és do futuro; não tens idade...
Só sei que és
a mais mineira cidade de Minas Gerais...
Nem geometria, nem estilo europeu, nem invasão americana de bangalôs derniecri.
Tuas casas são largas casas mineiras feitas na previsão de muitos hóspedes.
Não há em ti o terror das cidades plantadas na mata virgem.
Nem o ramerrão dos bondes atrasados, cheios de gente apressada.
Nem os dísticos de aqui esteve aqui aconteceu.
Nem o tintim áspero dos padeiros.
Nem a buzina incômoda dos tintureiros.
Teus leiteiros ainda levam o leite em burricos.
Os padeiros deixam o pão à janela (cidade mineira).
Teu amanhecer é suave.
Que alegria de só ter gente conhecida faz teu habitante voltar-se para cumprimentar
todos que passam.
Delícia de não encontrar estrangeiros de olhar agudo esperto mau, a suspeitar
riquezas nas terras.
Alegria dos fordes brincando (são dois) na praça.
(Depois vão dormir juntinhas numa só garagem).
Jacaré!
João Arara!
João Gostoso!
teus tipos populares.
A criançada atira-lhes pedras e eles se voltam imprecando.
Rondas alegres de meninas nas ruas, às tardes, sem perigo de veículos,
papagaios que se embaraçam nos fios de luz, balões que sobem,
foguetes obrigatórios nas festas de chegada do chefe político.
Jardins onde meninas ariscas passeiam meia hora só antes do cinema.
Ar morno e sensual de voluptuosidade gostosa que vibra
nas tuas tardes chuvosas, quando as goteiras pingam nos passantes
e batem isócronas nos passeios furados.
Há em ti a delícia da vida que passa porque vale a pena passar,
que passa sem dar por isso, sem supor que se vai transformando.
Em ti se dorme tranqüilo sem guardas-noturnos.
Mas com o cricri dos grilos,
o ranram dos sapos,
o sono é tranqüilo como o de uma criança de colo.
Vale a pena viver em ti.
Nem inquietude,
nem peso inútil de recordações
Mas a confiança que nasce das coisas que não mudam bruscas,
nem ficam eternas.
1 148
1
João Augusto Sampaio
Caa
Coisa linda caatinga
Econômica na medida extrema da possibilidade permitida pela água de Deus,
Valoriza a beleza do verde ocasional
Um mar de cinza
Tudo existe em volta das poçinhas d’água
Só vivem os fortes:
Cabras
Cascavéis
Lagartos
Umbuzeiro hibernador
Vaqueiro teimoso
Gavião – sempre por cima da carne seca
Mandacaru de espinhos
"Vidas Secas"
"Os Magros"
Chuva de trovoada
Ressurreição rápida
Campo verde
Grilo prá cacete
Rio valente
Econômica na medida extrema da possibilidade permitida pela água de Deus,
Valoriza a beleza do verde ocasional
Um mar de cinza
Tudo existe em volta das poçinhas d’água
Só vivem os fortes:
Cabras
Cascavéis
Lagartos
Umbuzeiro hibernador
Vaqueiro teimoso
Gavião – sempre por cima da carne seca
Mandacaru de espinhos
"Vidas Secas"
"Os Magros"
Chuva de trovoada
Ressurreição rápida
Campo verde
Grilo prá cacete
Rio valente
821
1
Vitor Casimiro
Humanamente Desumanos
O que será de nós
Vozes roucas
Balbuciadas por bocas
De uma multidão a sós
O que se há de fazer
Senão cruzar o abismo
Fruto do eterno egoísmo
Entre eu e você
Pobres de nós, mortais,
E de nossas lutas banais.
O que somente nos faz
Humanamente desumanos
Vozes roucas
Balbuciadas por bocas
De uma multidão a sós
O que se há de fazer
Senão cruzar o abismo
Fruto do eterno egoísmo
Entre eu e você
Pobres de nós, mortais,
E de nossas lutas banais.
O que somente nos faz
Humanamente desumanos
1 019
1
Vitor Casimiro
Humanamente Desumanos
O que será de nós
Vozes roucas
Balbuciadas por bocas
De uma multidão a sós
O que se há de fazer
Senão cruzar o abismo
Fruto do eterno egoísmo
Entre eu e você
Pobres de nós, mortais,
E de nossas lutas banais.
O que somente nos faz
Humanamente desumanos
Vozes roucas
Balbuciadas por bocas
De uma multidão a sós
O que se há de fazer
Senão cruzar o abismo
Fruto do eterno egoísmo
Entre eu e você
Pobres de nós, mortais,
E de nossas lutas banais.
O que somente nos faz
Humanamente desumanos
1 019
1
Teresa Bartholomeu
Das Ruas
Boca grande, boca pequena
chuta meninos cóa ponta da bota, cóa raquete de tenis, cóa jaqueta
xó xó xó sai de banda moleque!
que educação cumpadi, que educação coroné-boné
quem vive de cuspe em cuspe nas esquinas de babel
tem a vontade de trabalho na mão, porque mais nada resta não!
limpo todos os parabrisas dos olhares e vidraças de telhado e casas
grande.
xó xó xó danação dos canteiros, sua cara mesquinha!
Mas, dexa entrar, num favor! dexa um cantinho?
fico de boca pequena, ando devagarinho e só de quando em quando
descalça corro pelos latifúndios da poesia a conhecer as únicas glebas
produtivas dessas terras de bois que puxam barcos a arar imaginações.
corro descalça por esses alqueires a modo do vento da meiguice dos
poetas acariciar meu rosto. deixo meu burro e minha burrice atrelada na
entrada e entro lisa.
xó xó xó urubu mal quisto!
Nem me visto de frases e issos e aquilos (se bem que vai ser difícil)
deixo a tolice na gaiola da parvoice.
Minha fala tem a confusão das esquinas
Entende-se tanto quanto a fórmula dos soros das clínicas
sei lá quantos mortos
Entende-se tanto quanto suas economias e vacas profanas e cabritos
juro que nem trocado peço e não tropeço nos trecos e fico de boca
pequena. se me der um prato até que como.
xô xô xô quem nu vi mais gordo!
tou descalça. sou uma peste. meu olhar ácido te queima em medo. mas tô
sangrando tanto! a dor de tantos enxotos e tantas penduras e tantos
pedidos. além da dor dos homicídios: a faca, a revolver, a frase, ou
a negação!
xô xô xô desgruda a bunda do carro, menina!
tá bom recolho o corpo: dou meia volta: e engano
corro entre verdes de cana paraibanos cortando meu rosto
como cajús: também tenho meus dias de banquete imaginário!
xô xô xô
todos tem, todos tem
coitados (diria a madame antes de ser assaltada)
chuta meninos cóa ponta da bota, cóa raquete de tenis, cóa jaqueta
xó xó xó sai de banda moleque!
que educação cumpadi, que educação coroné-boné
quem vive de cuspe em cuspe nas esquinas de babel
tem a vontade de trabalho na mão, porque mais nada resta não!
limpo todos os parabrisas dos olhares e vidraças de telhado e casas
grande.
xó xó xó danação dos canteiros, sua cara mesquinha!
Mas, dexa entrar, num favor! dexa um cantinho?
fico de boca pequena, ando devagarinho e só de quando em quando
descalça corro pelos latifúndios da poesia a conhecer as únicas glebas
produtivas dessas terras de bois que puxam barcos a arar imaginações.
corro descalça por esses alqueires a modo do vento da meiguice dos
poetas acariciar meu rosto. deixo meu burro e minha burrice atrelada na
entrada e entro lisa.
xó xó xó urubu mal quisto!
Nem me visto de frases e issos e aquilos (se bem que vai ser difícil)
deixo a tolice na gaiola da parvoice.
Minha fala tem a confusão das esquinas
Entende-se tanto quanto a fórmula dos soros das clínicas
sei lá quantos mortos
Entende-se tanto quanto suas economias e vacas profanas e cabritos
juro que nem trocado peço e não tropeço nos trecos e fico de boca
pequena. se me der um prato até que como.
xô xô xô quem nu vi mais gordo!
tou descalça. sou uma peste. meu olhar ácido te queima em medo. mas tô
sangrando tanto! a dor de tantos enxotos e tantas penduras e tantos
pedidos. além da dor dos homicídios: a faca, a revolver, a frase, ou
a negação!
xô xô xô desgruda a bunda do carro, menina!
tá bom recolho o corpo: dou meia volta: e engano
corro entre verdes de cana paraibanos cortando meu rosto
como cajús: também tenho meus dias de banquete imaginário!
xô xô xô
todos tem, todos tem
coitados (diria a madame antes de ser assaltada)
940
1
Teresa Bartholomeu
Das Ruas
Boca grande, boca pequena
chuta meninos cóa ponta da bota, cóa raquete de tenis, cóa jaqueta
xó xó xó sai de banda moleque!
que educação cumpadi, que educação coroné-boné
quem vive de cuspe em cuspe nas esquinas de babel
tem a vontade de trabalho na mão, porque mais nada resta não!
limpo todos os parabrisas dos olhares e vidraças de telhado e casas
grande.
xó xó xó danação dos canteiros, sua cara mesquinha!
Mas, dexa entrar, num favor! dexa um cantinho?
fico de boca pequena, ando devagarinho e só de quando em quando
descalça corro pelos latifúndios da poesia a conhecer as únicas glebas
produtivas dessas terras de bois que puxam barcos a arar imaginações.
corro descalça por esses alqueires a modo do vento da meiguice dos
poetas acariciar meu rosto. deixo meu burro e minha burrice atrelada na
entrada e entro lisa.
xó xó xó urubu mal quisto!
Nem me visto de frases e issos e aquilos (se bem que vai ser difícil)
deixo a tolice na gaiola da parvoice.
Minha fala tem a confusão das esquinas
Entende-se tanto quanto a fórmula dos soros das clínicas
sei lá quantos mortos
Entende-se tanto quanto suas economias e vacas profanas e cabritos
juro que nem trocado peço e não tropeço nos trecos e fico de boca
pequena. se me der um prato até que como.
xô xô xô quem nu vi mais gordo!
tou descalça. sou uma peste. meu olhar ácido te queima em medo. mas tô
sangrando tanto! a dor de tantos enxotos e tantas penduras e tantos
pedidos. além da dor dos homicídios: a faca, a revolver, a frase, ou
a negação!
xô xô xô desgruda a bunda do carro, menina!
tá bom recolho o corpo: dou meia volta: e engano
corro entre verdes de cana paraibanos cortando meu rosto
como cajús: também tenho meus dias de banquete imaginário!
xô xô xô
todos tem, todos tem
coitados (diria a madame antes de ser assaltada)
chuta meninos cóa ponta da bota, cóa raquete de tenis, cóa jaqueta
xó xó xó sai de banda moleque!
que educação cumpadi, que educação coroné-boné
quem vive de cuspe em cuspe nas esquinas de babel
tem a vontade de trabalho na mão, porque mais nada resta não!
limpo todos os parabrisas dos olhares e vidraças de telhado e casas
grande.
xó xó xó danação dos canteiros, sua cara mesquinha!
Mas, dexa entrar, num favor! dexa um cantinho?
fico de boca pequena, ando devagarinho e só de quando em quando
descalça corro pelos latifúndios da poesia a conhecer as únicas glebas
produtivas dessas terras de bois que puxam barcos a arar imaginações.
corro descalça por esses alqueires a modo do vento da meiguice dos
poetas acariciar meu rosto. deixo meu burro e minha burrice atrelada na
entrada e entro lisa.
xó xó xó urubu mal quisto!
Nem me visto de frases e issos e aquilos (se bem que vai ser difícil)
deixo a tolice na gaiola da parvoice.
Minha fala tem a confusão das esquinas
Entende-se tanto quanto a fórmula dos soros das clínicas
sei lá quantos mortos
Entende-se tanto quanto suas economias e vacas profanas e cabritos
juro que nem trocado peço e não tropeço nos trecos e fico de boca
pequena. se me der um prato até que como.
xô xô xô quem nu vi mais gordo!
tou descalça. sou uma peste. meu olhar ácido te queima em medo. mas tô
sangrando tanto! a dor de tantos enxotos e tantas penduras e tantos
pedidos. além da dor dos homicídios: a faca, a revolver, a frase, ou
a negação!
xô xô xô desgruda a bunda do carro, menina!
tá bom recolho o corpo: dou meia volta: e engano
corro entre verdes de cana paraibanos cortando meu rosto
como cajús: também tenho meus dias de banquete imaginário!
xô xô xô
todos tem, todos tem
coitados (diria a madame antes de ser assaltada)
940
1
Antônio Chaves
A Vida
Dizem que a vida é um favo bem pequeno
Que às vezes tem dulçor e às vezes, travo...
Se assim é, sorve o teu com espírito sereno,
Sim, o teu, que é de mel,
Sem ao menos pensar que desse favo
Possa a última gota ter veneno
E amargar com fel.
A vida é triste, minha amiga! A vida,
Em sendo, como é, uma noite comprida,
E também a assassina da ilusão...
Não há quem, no melhor dos seus caminhos
Não encontre o pior de todos os espinhos...
Mas, não te importes, não!
Goza-a, sem procurares, todavia,
Tenta saber se, porventura, um dia,
Ela venha sangrar teu coração.
Goza-a, crendo no amor! E se em teu peito
Um sonho, pálido e desfeito,
Cair ferido pelo sofrimento,
Reage com o fulgor da tua graça,
Sê forte para que não se desfaça
O belo encantamento.
Encara a vida como se ela fosse
Eternamente doce,
Como um beijo do Céu que te bendiz;
A vida tem odor? Aspira-o se puderes,
Sê a mais otimista das mulheres
E serás sempre feliz.
Que às vezes tem dulçor e às vezes, travo...
Se assim é, sorve o teu com espírito sereno,
Sim, o teu, que é de mel,
Sem ao menos pensar que desse favo
Possa a última gota ter veneno
E amargar com fel.
A vida é triste, minha amiga! A vida,
Em sendo, como é, uma noite comprida,
E também a assassina da ilusão...
Não há quem, no melhor dos seus caminhos
Não encontre o pior de todos os espinhos...
Mas, não te importes, não!
Goza-a, sem procurares, todavia,
Tenta saber se, porventura, um dia,
Ela venha sangrar teu coração.
Goza-a, crendo no amor! E se em teu peito
Um sonho, pálido e desfeito,
Cair ferido pelo sofrimento,
Reage com o fulgor da tua graça,
Sê forte para que não se desfaça
O belo encantamento.
Encara a vida como se ela fosse
Eternamente doce,
Como um beijo do Céu que te bendiz;
A vida tem odor? Aspira-o se puderes,
Sê a mais otimista das mulheres
E serás sempre feliz.
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Antônio Chaves
A Vida
Dizem que a vida é um favo bem pequeno
Que às vezes tem dulçor e às vezes, travo...
Se assim é, sorve o teu com espírito sereno,
Sim, o teu, que é de mel,
Sem ao menos pensar que desse favo
Possa a última gota ter veneno
E amargar com fel.
A vida é triste, minha amiga! A vida,
Em sendo, como é, uma noite comprida,
E também a assassina da ilusão...
Não há quem, no melhor dos seus caminhos
Não encontre o pior de todos os espinhos...
Mas, não te importes, não!
Goza-a, sem procurares, todavia,
Tenta saber se, porventura, um dia,
Ela venha sangrar teu coração.
Goza-a, crendo no amor! E se em teu peito
Um sonho, pálido e desfeito,
Cair ferido pelo sofrimento,
Reage com o fulgor da tua graça,
Sê forte para que não se desfaça
O belo encantamento.
Encara a vida como se ela fosse
Eternamente doce,
Como um beijo do Céu que te bendiz;
A vida tem odor? Aspira-o se puderes,
Sê a mais otimista das mulheres
E serás sempre feliz.
Que às vezes tem dulçor e às vezes, travo...
Se assim é, sorve o teu com espírito sereno,
Sim, o teu, que é de mel,
Sem ao menos pensar que desse favo
Possa a última gota ter veneno
E amargar com fel.
A vida é triste, minha amiga! A vida,
Em sendo, como é, uma noite comprida,
E também a assassina da ilusão...
Não há quem, no melhor dos seus caminhos
Não encontre o pior de todos os espinhos...
Mas, não te importes, não!
Goza-a, sem procurares, todavia,
Tenta saber se, porventura, um dia,
Ela venha sangrar teu coração.
Goza-a, crendo no amor! E se em teu peito
Um sonho, pálido e desfeito,
Cair ferido pelo sofrimento,
Reage com o fulgor da tua graça,
Sê forte para que não se desfaça
O belo encantamento.
Encara a vida como se ela fosse
Eternamente doce,
Como um beijo do Céu que te bendiz;
A vida tem odor? Aspira-o se puderes,
Sê a mais otimista das mulheres
E serás sempre feliz.
940
1
Silveira Neto
Pórtico
Versos — mendigos de mantos reais —,
Ide, que vos esperam sete espadas.
Fugi aos olhos de ouros senhoriais:
Antes a prece aldeã pelas estradas...
Ide arrastar o meu burel de monge;
(Quanta saudade esse burel traduz...
Se encontrardes o Mundo tende-o longe,
Porque os seus braços são braços de cruz.
Direis a uns Olhos — Olhos onde a sorte
Pôs meu Ser a rezar, como em altares —
Que me vou de caminho para a Morte.
E a Morte... essa verá, na triste hosana
Do poente roxo que orla os meus olhares,
Como anoitece uma existência humana.
Ide, que vos esperam sete espadas.
Fugi aos olhos de ouros senhoriais:
Antes a prece aldeã pelas estradas...
Ide arrastar o meu burel de monge;
(Quanta saudade esse burel traduz...
Se encontrardes o Mundo tende-o longe,
Porque os seus braços são braços de cruz.
Direis a uns Olhos — Olhos onde a sorte
Pôs meu Ser a rezar, como em altares —
Que me vou de caminho para a Morte.
E a Morte... essa verá, na triste hosana
Do poente roxo que orla os meus olhares,
Como anoitece uma existência humana.
1 075
1
Ana Júlia Monteiro Macedo Sança
É Urgente o Amor
A luz que a chama me prende
No caminho rude que meus pés me levam
E que meus olhos alcançam distâncias...
Mesmo no insólito, continuo resistindo
As notícias chegadas de todo o canto da terra
Ao encontro implacável do homem com a natureza
O sopro frio do vento, enrijecendo os caracteres
No perfil duro e fixo de cada ser
Milhares de lágrimas repartidas em cada pálpebra...
É urgente e necessário que se combata o mal
É tempo de solidarizar e construir o bem
Ainda é tempo de inventar o Amor.
No caminho rude que meus pés me levam
E que meus olhos alcançam distâncias...
Mesmo no insólito, continuo resistindo
As notícias chegadas de todo o canto da terra
Ao encontro implacável do homem com a natureza
O sopro frio do vento, enrijecendo os caracteres
No perfil duro e fixo de cada ser
Milhares de lágrimas repartidas em cada pálpebra...
É urgente e necessário que se combata o mal
É tempo de solidarizar e construir o bem
Ainda é tempo de inventar o Amor.
1 208
1
Ana Júlia Monteiro Macedo Sança
É Urgente o Amor
A luz que a chama me prende
No caminho rude que meus pés me levam
E que meus olhos alcançam distâncias...
Mesmo no insólito, continuo resistindo
As notícias chegadas de todo o canto da terra
Ao encontro implacável do homem com a natureza
O sopro frio do vento, enrijecendo os caracteres
No perfil duro e fixo de cada ser
Milhares de lágrimas repartidas em cada pálpebra...
É urgente e necessário que se combata o mal
É tempo de solidarizar e construir o bem
Ainda é tempo de inventar o Amor.
No caminho rude que meus pés me levam
E que meus olhos alcançam distâncias...
Mesmo no insólito, continuo resistindo
As notícias chegadas de todo o canto da terra
Ao encontro implacável do homem com a natureza
O sopro frio do vento, enrijecendo os caracteres
No perfil duro e fixo de cada ser
Milhares de lágrimas repartidas em cada pálpebra...
É urgente e necessário que se combata o mal
É tempo de solidarizar e construir o bem
Ainda é tempo de inventar o Amor.
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