Poemas neste tema
Emoções e Sentimentos
Deborah Brennand
Abril
Quem me dera voltar
ao primeiro jardim!
Conduzida por leões
mansos leões em volta
indo e vindo sem as patas
esmagarem as madressilvas.
Depois,
recostada em tronco antigo
da árvore que não existe,
ficar alheia. Esquecida,
até as estrelas surgirem
tal um enxame de abelhas
douradas, picando a sombra.
ao primeiro jardim!
Conduzida por leões
mansos leões em volta
indo e vindo sem as patas
esmagarem as madressilvas.
Depois,
recostada em tronco antigo
da árvore que não existe,
ficar alheia. Esquecida,
até as estrelas surgirem
tal um enxame de abelhas
douradas, picando a sombra.
1 158
1
Donizete Galvão
Trajetória
na queda
fundou um reino
criou um pai
fez um leito
de pedra
para o corpo
de cristal
fundou um reino
criou um pai
fez um leito
de pedra
para o corpo
de cristal
1 206
1
Edmundo de Bettencourt
Horas
Gelava o tempo branco do relógio.
Fundiu-se um dia o mostrador
aberto para dentro
num foco por onde as horas negras fugiram enlouquecidas!
Lá para longe na faixa rósea da distância
recuaram ante o incessante alarido dos sinos
e logo regressaram
desesperadamente procurando em vão
o maquinismo do relógio,
Vai-se o dia fechado de silêncio
num quadrado de luz amarelada
e de novo preso o pé da jovem
quando ia para sair.
Fundiu-se um dia o mostrador
aberto para dentro
num foco por onde as horas negras fugiram enlouquecidas!
Lá para longe na faixa rósea da distância
recuaram ante o incessante alarido dos sinos
e logo regressaram
desesperadamente procurando em vão
o maquinismo do relógio,
Vai-se o dia fechado de silêncio
num quadrado de luz amarelada
e de novo preso o pé da jovem
quando ia para sair.
1 100
1
Dante Milano
Terra de Ninguém
A sala recende
A terra molhada,
A caule úmido e raiz apodrecida.
As flores sobre o cadáver
Contraem pétalas enregeladas.
A figura de cera no caixão bordado
Sorri como um cego sorri
Com ar de náusea.
Os convidados expandem uma tristeza festiva.
O defunto recusa
Qualquer comunicação com a humanidade
Que lhe é de todo indiferente agora.
(Ele que morreu "pela Causa" e recebe honras fúnebres.)
Em sua torre de marfim,
Sob o céu absoluto da paisagem devastada,
Reina, altivo. (Há coroas, há bendeiras na sala.)
Passante! descobre-te e não rias,
Respeita a morte e o fedor se sua glória.
A terra molhada,
A caule úmido e raiz apodrecida.
As flores sobre o cadáver
Contraem pétalas enregeladas.
A figura de cera no caixão bordado
Sorri como um cego sorri
Com ar de náusea.
Os convidados expandem uma tristeza festiva.
O defunto recusa
Qualquer comunicação com a humanidade
Que lhe é de todo indiferente agora.
(Ele que morreu "pela Causa" e recebe honras fúnebres.)
Em sua torre de marfim,
Sob o céu absoluto da paisagem devastada,
Reina, altivo. (Há coroas, há bendeiras na sala.)
Passante! descobre-te e não rias,
Respeita a morte e o fedor se sua glória.
1 261
1
Deborah Brennand
Meu Bem
A noite não é uma vela
negra e sem lume,
não é um cacho de uvas
sombrio no parreiral.
Não é aquela borboleta
com asas escuras na mata,
menos ainda é um túmulo
com estrelas douradas.
A noite é, meu bem,
só a origem da claridade.
negra e sem lume,
não é um cacho de uvas
sombrio no parreiral.
Não é aquela borboleta
com asas escuras na mata,
menos ainda é um túmulo
com estrelas douradas.
A noite é, meu bem,
só a origem da claridade.
1 406
1
Fernanda Botelho
Poema
Negue-se o mundo a me dizer: sim!
Negue-se o ar da serra aos meus pulmões!
Fechem-se as janelas porque vim
interromper os solheiros e os pregões!
Neguem-me o passaporte
pra o estrangeiro!
Encontre-se sem norte
e sem dinheiro
(e desprevenidamente des-emotiva!)
frente às rodas paralelas
duma qualquer locomotiva,
ou entre elas,
ou melhor: debaixo delas!
— Por tudo encolherei os ombros
que, em suma, dizem crentes e descrentes
a vida é feita de rombos e de tombos,
doença, hostilidade e guinchos de serpentes.
Mas tu — (Homem! Garra!
Sucesso! ou Vento! ou Amarra!
Vício alegre! ou Labirinto!
Bebedeira de absinto
Filhos!
E Deus neles!)
— não me negues o tom simples
e às vezes reles
da tua voz pura-impura
com que seques
a minha vil e vã desenvoltura.
Negue-se o ar da serra aos meus pulmões!
Fechem-se as janelas porque vim
interromper os solheiros e os pregões!
Neguem-me o passaporte
pra o estrangeiro!
Encontre-se sem norte
e sem dinheiro
(e desprevenidamente des-emotiva!)
frente às rodas paralelas
duma qualquer locomotiva,
ou entre elas,
ou melhor: debaixo delas!
— Por tudo encolherei os ombros
que, em suma, dizem crentes e descrentes
a vida é feita de rombos e de tombos,
doença, hostilidade e guinchos de serpentes.
Mas tu — (Homem! Garra!
Sucesso! ou Vento! ou Amarra!
Vício alegre! ou Labirinto!
Bebedeira de absinto
Filhos!
E Deus neles!)
— não me negues o tom simples
e às vezes reles
da tua voz pura-impura
com que seques
a minha vil e vã desenvoltura.
1 930
1
Ernani Sátyro
A Companheira
A Antonietta
Aos ventos entreguei as minhas ânsias;
Os ventos passaram, as ânsias ficaram.
Aos mares entreguei as esperanças,
Que pelo menos nas cores são iguais:
As esperanças os mares as tragaram.
Aos pássaros entreguei meu canto:
Eles cantaram, mas não meu canto
E sim o deles.
Aos filhos confiei os compromissos:
Eles disseram que já tinham os seus.
Falei aos netos:
Eles responderam
Que bastava o que os pais já lhes diziam.
Falei a meus amigos:
Tornaram-se inimigos.
Falei ao mundo:
O mundo se fechou.
Restou só a companheira, que me disse:
- Vamos, nós ainda temos força!
Aos ventos entreguei as minhas ânsias;
Os ventos passaram, as ânsias ficaram.
Aos mares entreguei as esperanças,
Que pelo menos nas cores são iguais:
As esperanças os mares as tragaram.
Aos pássaros entreguei meu canto:
Eles cantaram, mas não meu canto
E sim o deles.
Aos filhos confiei os compromissos:
Eles disseram que já tinham os seus.
Falei aos netos:
Eles responderam
Que bastava o que os pais já lhes diziam.
Falei a meus amigos:
Tornaram-se inimigos.
Falei ao mundo:
O mundo se fechou.
Restou só a companheira, que me disse:
- Vamos, nós ainda temos força!
1 075
1
Fernanda Benevides
Mensagem
Não sei se o vento te levou o recado;
o sol te envolveu com o calor do meu abraço
ou a lua falou do amor,
daquele amor que ainda que ainda guardo...
Reclamo-te nos horizontes em que, em vão, te busco.
Caminhos falam de desencontro.
O mar chora o argonauta que se afastou do cais...
Muitas pontes. Rios.
Nenhuma travessia...
Triste paisagem.
Apelos transcendentais não são ouvidos...
Telepatia não responde.
Como mandar-te uma mensagem? Em verso?
E o reverso?
Penso em out door ... Classificados dos jornais...
Como falar-te? Difícil encontrar-te...
... e fico assim, sem saber-te,
a sonhar-te...
o sol te envolveu com o calor do meu abraço
ou a lua falou do amor,
daquele amor que ainda que ainda guardo...
Reclamo-te nos horizontes em que, em vão, te busco.
Caminhos falam de desencontro.
O mar chora o argonauta que se afastou do cais...
Muitas pontes. Rios.
Nenhuma travessia...
Triste paisagem.
Apelos transcendentais não são ouvidos...
Telepatia não responde.
Como mandar-te uma mensagem? Em verso?
E o reverso?
Penso em out door ... Classificados dos jornais...
Como falar-te? Difícil encontrar-te...
... e fico assim, sem saber-te,
a sonhar-te...
869
1
Fernanda Benevides
Mensagem
Não sei se o vento te levou o recado;
o sol te envolveu com o calor do meu abraço
ou a lua falou do amor,
daquele amor que ainda que ainda guardo...
Reclamo-te nos horizontes em que, em vão, te busco.
Caminhos falam de desencontro.
O mar chora o argonauta que se afastou do cais...
Muitas pontes. Rios.
Nenhuma travessia...
Triste paisagem.
Apelos transcendentais não são ouvidos...
Telepatia não responde.
Como mandar-te uma mensagem? Em verso?
E o reverso?
Penso em out door ... Classificados dos jornais...
Como falar-te? Difícil encontrar-te...
... e fico assim, sem saber-te,
a sonhar-te...
o sol te envolveu com o calor do meu abraço
ou a lua falou do amor,
daquele amor que ainda que ainda guardo...
Reclamo-te nos horizontes em que, em vão, te busco.
Caminhos falam de desencontro.
O mar chora o argonauta que se afastou do cais...
Muitas pontes. Rios.
Nenhuma travessia...
Triste paisagem.
Apelos transcendentais não são ouvidos...
Telepatia não responde.
Como mandar-te uma mensagem? Em verso?
E o reverso?
Penso em out door ... Classificados dos jornais...
Como falar-te? Difícil encontrar-te...
... e fico assim, sem saber-te,
a sonhar-te...
869
1
Egito Gonçalves
Noticias do Bloqueio
Aproveito a tua neutralidade,
o teu rosto oval, a tua beleza clara,
para enviar notícias do bloqueio
aos que no continente esperam ansiosos.
Tu lhes dirás do coração o que sofremos
nos dias que embranquecem os cabelos...
Tu lhes dirás a comoção e as palavras
que prendemos — contrabando — aos teus cabelos.
Tu lhes dirás o nosso ódio construído,
sustentando a defesa à nossa volta
— único acolchoado para a noite
florescida de fome e de tristezas.
Tua neutralidade passará
por sobre a barreira alfandegária
e a tua mala levará fotografias,
um mapa, duas cartas, uma lágrima...
Dirás como trabalhamos em silêncio,
como comemos silêncio, bebemos
silêncio, nadamos e morremos
feridos do silêncio duro e violento.
Vai pois e noticia com um archote
aos que encontrares de fora das muralhas
o mundo em que nos vemos, poesia
massacrada e medos à ilharga.
Vai pois e conta nos jornais diários
ou escreve com ácido nas paredes
o que viste, o que sabes, o que eu disse
entre dois bombardeamentos já esperados.
Mas diz-lhes que se mantém indevassável
e segredo das torres que nos erguem,
e suspensa delas uma flor em lume
grita o seu nome incandescente e puro.
Diz-lhes que se resiste na cidade
desfigurada por feridas de granadas
e enquanto a água e os viveres escasseiam
aumenta a raiva
e a esperança reproduz-se.
o teu rosto oval, a tua beleza clara,
para enviar notícias do bloqueio
aos que no continente esperam ansiosos.
Tu lhes dirás do coração o que sofremos
nos dias que embranquecem os cabelos...
Tu lhes dirás a comoção e as palavras
que prendemos — contrabando — aos teus cabelos.
Tu lhes dirás o nosso ódio construído,
sustentando a defesa à nossa volta
— único acolchoado para a noite
florescida de fome e de tristezas.
Tua neutralidade passará
por sobre a barreira alfandegária
e a tua mala levará fotografias,
um mapa, duas cartas, uma lágrima...
Dirás como trabalhamos em silêncio,
como comemos silêncio, bebemos
silêncio, nadamos e morremos
feridos do silêncio duro e violento.
Vai pois e noticia com um archote
aos que encontrares de fora das muralhas
o mundo em que nos vemos, poesia
massacrada e medos à ilharga.
Vai pois e conta nos jornais diários
ou escreve com ácido nas paredes
o que viste, o que sabes, o que eu disse
entre dois bombardeamentos já esperados.
Mas diz-lhes que se mantém indevassável
e segredo das torres que nos erguem,
e suspensa delas uma flor em lume
grita o seu nome incandescente e puro.
Diz-lhes que se resiste na cidade
desfigurada por feridas de granadas
e enquanto a água e os viveres escasseiam
aumenta a raiva
e a esperança reproduz-se.
1 631
1
Fábio Afonso de Almeida
É só
Não me importa se vais,
Não tenho medo, é só.
O silêncio que restar
Junto com a solidão que ficou
E sufoco com decoro.
Náo quero chorar, é só.
Não foi eu que escolhi
O caminho que tomei.
Se não quero te perder,
Mas me perco no meu ego,
Mesmo assim eu me aceito,
Não tenho forças, é só.
Contudo, espero, não divago,
Apenas tenho pudor.
Se assim sou, não renego,
Tenho brios que sustentam.
Tenho apenas eu e é só.
Não tenho medo, é só.
O silêncio que restar
Junto com a solidão que ficou
E sufoco com decoro.
Náo quero chorar, é só.
Não foi eu que escolhi
O caminho que tomei.
Se não quero te perder,
Mas me perco no meu ego,
Mesmo assim eu me aceito,
Não tenho forças, é só.
Contudo, espero, não divago,
Apenas tenho pudor.
Se assim sou, não renego,
Tenho brios que sustentam.
Tenho apenas eu e é só.
906
1
Dora Ferreira da Silva
Boneca
A boneca de feltro
parece assustada com o próximo milênio.
Quem a aninhará nos braços
com seus olhos de medo e retrós?
O signo da boneca é frágil
mais frágil que o de pássaro.
Confia. Assim passiva
o vento brincará contigo
franzirá teu avental
dirá coisas que entendes
desde a aurora das coisas:
foste um caroço de manga
uma forma de nuvem
ou um galho com braços
de ameixeira no quintal.
Não temas. Solta o
corpo de feltro. Assim.
Para ser embalada nos braços
da menina que houver.
parece assustada com o próximo milênio.
Quem a aninhará nos braços
com seus olhos de medo e retrós?
O signo da boneca é frágil
mais frágil que o de pássaro.
Confia. Assim passiva
o vento brincará contigo
franzirá teu avental
dirá coisas que entendes
desde a aurora das coisas:
foste um caroço de manga
uma forma de nuvem
ou um galho com braços
de ameixeira no quintal.
Não temas. Solta o
corpo de feltro. Assim.
Para ser embalada nos braços
da menina que houver.
2 019
1
Edimilson de Almeida Pereira
Induca Maria do Rosário
Induca, a vida onde
está?
O menino entrou na parede
e sumiu no escuro
da sala.
Induca, cheguei tarde
seus olhos estavam prontos.
Outro menino entra na parede
com uns biscoitos
muitos brancos.
Eh, Induca, a vida onde
está?
Espero que a noite desça
com paciência, espero.
Você chamará atenção do medo
com um provérbio.
Iinduca, os meninos
vêm saindo da parede.
A noite é outra e se curva.
Eu sei, eu sei
um provérbio.
está?
O menino entrou na parede
e sumiu no escuro
da sala.
Induca, cheguei tarde
seus olhos estavam prontos.
Outro menino entra na parede
com uns biscoitos
muitos brancos.
Eh, Induca, a vida onde
está?
Espero que a noite desça
com paciência, espero.
Você chamará atenção do medo
com um provérbio.
Iinduca, os meninos
vêm saindo da parede.
A noite é outra e se curva.
Eu sei, eu sei
um provérbio.
1 227
1
Dora Ferreira da Silva
Valsas de Esquina de Mignone
Só um pássaro
e seu peso de orvalho tocando
o chão como se foram teclas.
Passa onde a graça
ilumina a cidade de ferro
subitamente atenta a essa beleza.
Nos jardins teimam rosas
delicadamente.
Violetas africanas
salpicam de ouro
muros escuros
e as princesas purpúreas
espiam dos balcões verdes
nas paredes florescidas:
dançam pétalas
dança a vida
nos jardins contentes
não termina a partitura
que se repete
sempre.
e seu peso de orvalho tocando
o chão como se foram teclas.
Passa onde a graça
ilumina a cidade de ferro
subitamente atenta a essa beleza.
Nos jardins teimam rosas
delicadamente.
Violetas africanas
salpicam de ouro
muros escuros
e as princesas purpúreas
espiam dos balcões verdes
nas paredes florescidas:
dançam pétalas
dança a vida
nos jardins contentes
não termina a partitura
que se repete
sempre.
1 527
1
Dora Ferreira da Silva
Habitas meu coração:
Habitas meu coração: barbas de rei assírio
olhar de extensões alheias
a tempo e medida.
Tua voz tem asas de falcão e pousa
nas torres mais altas do meu ser
onde jamais me aventurei. É minha a tua solidão.
Sirvo-te em silêncio e às vezes
como a uma criança me apertas em teu peito:
acaricio então tua face estranho rei.
Outras vezes ouço passos ecoando
no enlace das colunas em seteiras escadas. Se grito
teu nome - és mil ressonâncias e seu eco em mim.
olhar de extensões alheias
a tempo e medida.
Tua voz tem asas de falcão e pousa
nas torres mais altas do meu ser
onde jamais me aventurei. É minha a tua solidão.
Sirvo-te em silêncio e às vezes
como a uma criança me apertas em teu peito:
acaricio então tua face estranho rei.
Outras vezes ouço passos ecoando
no enlace das colunas em seteiras escadas. Se grito
teu nome - és mil ressonâncias e seu eco em mim.
1 668
1
Dora Ferreira da Silva
Habitas meu coração:
Habitas meu coração: barbas de rei assírio
olhar de extensões alheias
a tempo e medida.
Tua voz tem asas de falcão e pousa
nas torres mais altas do meu ser
onde jamais me aventurei. É minha a tua solidão.
Sirvo-te em silêncio e às vezes
como a uma criança me apertas em teu peito:
acaricio então tua face estranho rei.
Outras vezes ouço passos ecoando
no enlace das colunas em seteiras escadas. Se grito
teu nome - és mil ressonâncias e seu eco em mim.
olhar de extensões alheias
a tempo e medida.
Tua voz tem asas de falcão e pousa
nas torres mais altas do meu ser
onde jamais me aventurei. É minha a tua solidão.
Sirvo-te em silêncio e às vezes
como a uma criança me apertas em teu peito:
acaricio então tua face estranho rei.
Outras vezes ouço passos ecoando
no enlace das colunas em seteiras escadas. Se grito
teu nome - és mil ressonâncias e seu eco em mim.
1 668
1
Fábio Afonso de Almeida
Madrugada
Que noite estranha aquela.
Vagando sozinho pelas ruas
Sentia ainda na carne teu calor
E no cérebro a dureza das tuas palavras.
A lua pálida, distante
Parecia patética e indiferente
A saltar de beiral em beiral
No cimo das casas antigas.
Parecia zombar:
Vai, seu cabeça oca, vai novamente
Vai encontrar a solidão que te persegue
Chorar mais uma vez o abandono.
Quem te mandou sonhar?
Vagando sozinho pelas ruas
Sentia ainda na carne teu calor
E no cérebro a dureza das tuas palavras.
A lua pálida, distante
Parecia patética e indiferente
A saltar de beiral em beiral
No cimo das casas antigas.
Parecia zombar:
Vai, seu cabeça oca, vai novamente
Vai encontrar a solidão que te persegue
Chorar mais uma vez o abandono.
Quem te mandou sonhar?
791
1
Dora Ferreira da Silva
Alguém
Alguém desfecha a flecha do vôo:
reflexo no vidro onde a chuva
penteia os cabelos.
Cantiva de muitas lágrimas
dos suspiros do vento
nesta casa pousada na montanha
aguardo criança flor anjo ou passaro.
Pensamentos alígeros - andorinhas
nos aguaceiros de verão
traçam oblíquas, desaparecem
no céu que escurece.
Abraçada à minha alma
não sinto o tempo latejar por perto.
O incerto longe é a minha vocação.
O longe do longe onde talvez
estás sempre em despedida
do invólucro que não te retém. E eu
sempre atrás do aceno teu
do aroma que te esquece e se esvai.
Se um lenço de fino linho
se desprendesse de teus dedos (sonho meu)
o caçaria como a um pássaro
que longe vivia
e me pertencia.
reflexo no vidro onde a chuva
penteia os cabelos.
Cantiva de muitas lágrimas
dos suspiros do vento
nesta casa pousada na montanha
aguardo criança flor anjo ou passaro.
Pensamentos alígeros - andorinhas
nos aguaceiros de verão
traçam oblíquas, desaparecem
no céu que escurece.
Abraçada à minha alma
não sinto o tempo latejar por perto.
O incerto longe é a minha vocação.
O longe do longe onde talvez
estás sempre em despedida
do invólucro que não te retém. E eu
sempre atrás do aceno teu
do aroma que te esquece e se esvai.
Se um lenço de fino linho
se desprendesse de teus dedos (sonho meu)
o caçaria como a um pássaro
que longe vivia
e me pertencia.
1 460
1
Dora Ferreira da Silva
Alguém
Alguém desfecha a flecha do vôo:
reflexo no vidro onde a chuva
penteia os cabelos.
Cantiva de muitas lágrimas
dos suspiros do vento
nesta casa pousada na montanha
aguardo criança flor anjo ou passaro.
Pensamentos alígeros - andorinhas
nos aguaceiros de verão
traçam oblíquas, desaparecem
no céu que escurece.
Abraçada à minha alma
não sinto o tempo latejar por perto.
O incerto longe é a minha vocação.
O longe do longe onde talvez
estás sempre em despedida
do invólucro que não te retém. E eu
sempre atrás do aceno teu
do aroma que te esquece e se esvai.
Se um lenço de fino linho
se desprendesse de teus dedos (sonho meu)
o caçaria como a um pássaro
que longe vivia
e me pertencia.
reflexo no vidro onde a chuva
penteia os cabelos.
Cantiva de muitas lágrimas
dos suspiros do vento
nesta casa pousada na montanha
aguardo criança flor anjo ou passaro.
Pensamentos alígeros - andorinhas
nos aguaceiros de verão
traçam oblíquas, desaparecem
no céu que escurece.
Abraçada à minha alma
não sinto o tempo latejar por perto.
O incerto longe é a minha vocação.
O longe do longe onde talvez
estás sempre em despedida
do invólucro que não te retém. E eu
sempre atrás do aceno teu
do aroma que te esquece e se esvai.
Se um lenço de fino linho
se desprendesse de teus dedos (sonho meu)
o caçaria como a um pássaro
que longe vivia
e me pertencia.
1 460
1
Célia Lamounier de Araújo
Venha Acordar-me
Não me espere, amor,
venha buscar-me
pois que a aurora
em breve
pode se acabar.
A vida é curta
eu estou sozinha
cansada de sonhar.
Não me espere, amor,
venha acordar-me
quero correr na areia
viva e solta
o céu alcançar
em suas mãos
rejuvenescida
por seu olhar.
Não me espere, amor,
venha depressa
viver comigo
as noites
madrugadas e dias
pois que nosso tempo
deve ser vivido
feito de alegrias.
venha buscar-me
pois que a aurora
em breve
pode se acabar.
A vida é curta
eu estou sozinha
cansada de sonhar.
Não me espere, amor,
venha acordar-me
quero correr na areia
viva e solta
o céu alcançar
em suas mãos
rejuvenescida
por seu olhar.
Não me espere, amor,
venha depressa
viver comigo
as noites
madrugadas e dias
pois que nosso tempo
deve ser vivido
feito de alegrias.
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Célia Lamounier de Araújo
Venha Acordar-me
Não me espere, amor,
venha buscar-me
pois que a aurora
em breve
pode se acabar.
A vida é curta
eu estou sozinha
cansada de sonhar.
Não me espere, amor,
venha acordar-me
quero correr na areia
viva e solta
o céu alcançar
em suas mãos
rejuvenescida
por seu olhar.
Não me espere, amor,
venha depressa
viver comigo
as noites
madrugadas e dias
pois que nosso tempo
deve ser vivido
feito de alegrias.
venha buscar-me
pois que a aurora
em breve
pode se acabar.
A vida é curta
eu estou sozinha
cansada de sonhar.
Não me espere, amor,
venha acordar-me
quero correr na areia
viva e solta
o céu alcançar
em suas mãos
rejuvenescida
por seu olhar.
Não me espere, amor,
venha depressa
viver comigo
as noites
madrugadas e dias
pois que nosso tempo
deve ser vivido
feito de alegrias.
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1
Cleonice Rainho
Mickey
(No seu cinqüentenário)
Pequenino camundongo
dengoso e faceiro
de orelhas enormes,
boca de riso franco
e narinas que sopram
alegria e calor humano.
Ratinho catita,
garrido, elegante,
que troca de roupa
a qualquer hora,
em qualquer lugar,
onde se desenrole
o pano da fantasia.
Amigo querido
da gente pequena.
Rei de sua turma,
namora Minie,
anima o Pateta,
abraça Horácio,
atiça o Pluto,
adora Clarabela
e, com todos eles,
vive aventuras,
sente emoções
e faz estripulias,
representando
incríveis papéis.
Já cinqüentão
está jovem, menino
e será imortal
pela criatividade
do Papai Walt Disney.
Pequenino camundongo
dengoso e faceiro
de orelhas enormes,
boca de riso franco
e narinas que sopram
alegria e calor humano.
Ratinho catita,
garrido, elegante,
que troca de roupa
a qualquer hora,
em qualquer lugar,
onde se desenrole
o pano da fantasia.
Amigo querido
da gente pequena.
Rei de sua turma,
namora Minie,
anima o Pateta,
abraça Horácio,
atiça o Pluto,
adora Clarabela
e, com todos eles,
vive aventuras,
sente emoções
e faz estripulias,
representando
incríveis papéis.
Já cinqüentão
está jovem, menino
e será imortal
pela criatividade
do Papai Walt Disney.
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Cleonice Rainho
Mickey
(No seu cinqüentenário)
Pequenino camundongo
dengoso e faceiro
de orelhas enormes,
boca de riso franco
e narinas que sopram
alegria e calor humano.
Ratinho catita,
garrido, elegante,
que troca de roupa
a qualquer hora,
em qualquer lugar,
onde se desenrole
o pano da fantasia.
Amigo querido
da gente pequena.
Rei de sua turma,
namora Minie,
anima o Pateta,
abraça Horácio,
atiça o Pluto,
adora Clarabela
e, com todos eles,
vive aventuras,
sente emoções
e faz estripulias,
representando
incríveis papéis.
Já cinqüentão
está jovem, menino
e será imortal
pela criatividade
do Papai Walt Disney.
Pequenino camundongo
dengoso e faceiro
de orelhas enormes,
boca de riso franco
e narinas que sopram
alegria e calor humano.
Ratinho catita,
garrido, elegante,
que troca de roupa
a qualquer hora,
em qualquer lugar,
onde se desenrole
o pano da fantasia.
Amigo querido
da gente pequena.
Rei de sua turma,
namora Minie,
anima o Pateta,
abraça Horácio,
atiça o Pluto,
adora Clarabela
e, com todos eles,
vive aventuras,
sente emoções
e faz estripulias,
representando
incríveis papéis.
Já cinqüentão
está jovem, menino
e será imortal
pela criatividade
do Papai Walt Disney.
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Chico Buarque
Carolina
Carolina
Nos seus olhos fundos
Guarda tanta dor
A dor de todo esse mundo
Eu já lhe expliquei que não vai dar
Seu pranto não vai nada mudar
Eu já convidei para dançar
É hora, já sei, de aproveitar
Lá fora, amor
Uma rosa nasceu
Todo mundo sambou
Uma estrela caiu
Eu bem que mostrei sorrindo
Pela janela, ói que lindo
Mas Carolina não viu
Carolina
Nos seus olhos tristes
Guarda tanto amor
O amor que já não existe
Eu bem que avisei, vai acabar
De tudo lhe dei para aceitar
Mil versos cantei pra lhe agradar
Agora não sei como explicar
Lá fora, amor
Uma rosa morreu
Uma festa acabou
Nosso barco partiu
Eu bem que mostrei a ela
O tempo passou na janela
Só Carolina não viu
Nos seus olhos fundos
Guarda tanta dor
A dor de todo esse mundo
Eu já lhe expliquei que não vai dar
Seu pranto não vai nada mudar
Eu já convidei para dançar
É hora, já sei, de aproveitar
Lá fora, amor
Uma rosa nasceu
Todo mundo sambou
Uma estrela caiu
Eu bem que mostrei sorrindo
Pela janela, ói que lindo
Mas Carolina não viu
Carolina
Nos seus olhos tristes
Guarda tanto amor
O amor que já não existe
Eu bem que avisei, vai acabar
De tudo lhe dei para aceitar
Mil versos cantei pra lhe agradar
Agora não sei como explicar
Lá fora, amor
Uma rosa morreu
Uma festa acabou
Nosso barco partiu
Eu bem que mostrei a ela
O tempo passou na janela
Só Carolina não viu
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