Poemas neste tema
Arte
Marly de Oliveira
Minha felicidade vem de quando estou só
Minha felicidade vem de quando estou só
e ninguém me interrompe no poema,
essa espécie de transfusão
do sangue para a palavra,
sem qualquer estratagema.
A palavra é meu rito, minha forma
de celebrar, investir, reivindicar:
a palavra é a minha verdade,
minha pena exposta sem humilhação
à leitura do outro,
hypocrite lecteur, mon semblable.
e ninguém me interrompe no poema,
essa espécie de transfusão
do sangue para a palavra,
sem qualquer estratagema.
A palavra é meu rito, minha forma
de celebrar, investir, reivindicar:
a palavra é a minha verdade,
minha pena exposta sem humilhação
à leitura do outro,
hypocrite lecteur, mon semblable.
1 256
Martins Napoleão
O Destino da Lira
Dói recolher, na concha e na alma, o alheio pranto
— orvalho a gotejar de outras raízes...
Mas é tão doce a dor de o transformar num canto
Que console infelizes!...
O destino da Lira é como o das estrelas,
Belas e inúteis, aparentemente:
Mas a força vital infinita que há nelas
Faz brotar a semente.
O destino da Lira é o destino das rosas,
morrendo mas deixando o aroma que erra,
Ou no ar ou no esplendor das mulheres formosas,
Como um bem feito à terra.
— orvalho a gotejar de outras raízes...
Mas é tão doce a dor de o transformar num canto
Que console infelizes!...
O destino da Lira é como o das estrelas,
Belas e inúteis, aparentemente:
Mas a força vital infinita que há nelas
Faz brotar a semente.
O destino da Lira é o destino das rosas,
morrendo mas deixando o aroma que erra,
Ou no ar ou no esplendor das mulheres formosas,
Como um bem feito à terra.
882
Milena Azevedo
O Cinema
Luzes, estrelas, milhões
Fama, sorte, canastrões
Humor, terror, drama, fantasia
Este é o mundo onde o cinema gira.
Eleva o nosso sonho
à condição de super-astro
Faz da nossa imaginação
a estrela principal.
Faz-nos emocionar,
rir, chorar, cantar
Embeleza o nosso caminho,
glorifica o nosso mundinho.
Ganhei, perdi, morri, revivi...
Nem sei quantas lições aprendi,
nem sei como posso agradecer-te
meu bom e velho cinema.
Fama, sorte, canastrões
Humor, terror, drama, fantasia
Este é o mundo onde o cinema gira.
Eleva o nosso sonho
à condição de super-astro
Faz da nossa imaginação
a estrela principal.
Faz-nos emocionar,
rir, chorar, cantar
Embeleza o nosso caminho,
glorifica o nosso mundinho.
Ganhei, perdi, morri, revivi...
Nem sei quantas lições aprendi,
nem sei como posso agradecer-te
meu bom e velho cinema.
772
Mário Donizete Massari
Fácil
É tão fácil ser poeta,
falar da noite,
falar do dia.
É tão fácil ser poeta,
imaginar amores,
viver ilusões.
Difícil é ser poema
e versos brancos
de rima triste.
falar da noite,
falar do dia.
É tão fácil ser poeta,
imaginar amores,
viver ilusões.
Difícil é ser poema
e versos brancos
de rima triste.
901
Mário Donizete Massari
Muito pouco
Todo sonho é pouco
Todo esforço é pouco
— para vivermos esta vida.
O poeta
derrama seus versos
na avenida,
São versos tristes.
Ele (como qualquer pessoa)
sabe
que o nada é tudo
perante o povo
e que o pouco é tudo
que se consegue.
E ele grita seus versos
para um mundo
louco e sem ouvidos.
Todo esforço é pouco
— para vivermos esta vida.
O poeta
derrama seus versos
na avenida,
São versos tristes.
Ele (como qualquer pessoa)
sabe
que o nada é tudo
perante o povo
e que o pouco é tudo
que se consegue.
E ele grita seus versos
para um mundo
louco e sem ouvidos.
939
Gerardo Mello Mourão
Uma Honra, Perigosa Privilégio
Conta Serge Lifar que, ao receber um troféu de ouro, na Sagração da Primavera, Nijinski, Vaslav Fomitch Nijinski, o bailarino que dançava para dar glória a Deus e que escrevia no espaço a imagem efêmera e eterna de seus gestos e o sortilégio de seu corpo, recebeu a incubência de falar em nome dos demais agraciados. Ele, que não sabia fazer outra coisa, a não ser dançar, embaraçou-se, tropeçou, escorregou e caiu no palco. É o que temo que me aconteça aqui. Pois, além da emoção e da honra de receber pelas mãos fidalgas de Yolanda Queiroz, a Sereia de Ouro do Sistema Verdes Mares, nesta Sagração da Primavera de 1996, querem os ritos da cerimônia que eu fale também pelos outros contemplados. É uma honra. Um perigoso privilégio.
Como poderei expressar a graça e o encantamento de nossa grande Sinhá D’Amora? Ela é até minha prima distante — mas vamos nos aproximando. Pois, também eu pertenço ao clã daquela Dona Federalina Correia Lima. Sinhá D’Amora, hoje na adolescência pristina, de seus noventa anos, está no meu conhecimento e no meu bem-querer desde 1935 ou 36. Desde então, acostumei-me a encontrá-la no salão azul de minha doce e inesquecível amiga Julinha Galeno, que mantinha um verdadeiro Consulado do Ceará em sua bela casa de Ipanema. Guardo, daqueles tempos, a memória de sua leve estampa de mulher elegante e seus olhos sábios de ver as coisas e as pessoas, sempre ao lado da figura cavalheirisca e cordial de seu marido, Amora Maciel. Lembro-me de uma de suas primeiras exposições, creio que no salão mais conspícuo do Rio, no Palace Hotel. Seus pincéis, que já sugeriam um trânsito refinado entre o impressionismo francês e o expressionistas alemães, levaram depois suas cores e suas formas aos melhores espaços da Europa e dos Estados Unidos. O que ela recebe hoje é a gratidão do Ceará pelos momentos de beleza que nos traz. A mão e os olhos de um pintor, transfigurados em formas e cores, são sempre, como no verso de Keats, "a thing of beauty, a joy forever". Uma coisa de alegria, uma beleza para sempre. Por isso ela é hoje aqui agraciada, como na velha cantiga da infância, ao lado de três cavaleiros que a saúdam, todos três chapéu na mão.
Um deles é o meu velho amigo, o Dr. José Bonifácio da Silva Câmara, cheio de títulos e serviços na vida pública deste País. Mas o título maior, o que o traz a esta celebração, é o amor simultâneo pelo Ceará e pelos livros. Sou um velho rato de bibliotecas. As vivas e as mortas. Recebi, não faz muito tempo, um pequeno tratado de Umberto Eco sobre o corpo e a alma das bibliotecas. Com ele, percorri alguma delas. Como visitei, com Jorge Luis Borges, em seus delírios, no apartamento da Calle Maypu, em Buenos Aires, a Biblioteca de Babel e seu labirinto de livros, alguns em línguas que não existem mais. Como visitei, com Umberto Eco, as legendárias bibliotecas poligonais, de Nínive e de Samos, a de Pisístrato, em Atenas, e a de Alexandria que, com a de Serapion, tinha 700 mil volumes no século I. Vimos a de Pérgamo e a de Augusto e as 28 bibliotecas de Roma, do tempo de Constantino. E visitei, com minha mulher, as impressionantes bibliotecas de pedra na China e na Cochinchina, em Hanói e Xian, onde os livros são insculpidos na beleza rupestre das lâminas de granito. Mas a biblioteca que mais me comoveu, na verdade, foi aquela de mais de 6 mil volumes, na casa de José Bonifácio, todos eles escritos e editados no e sobre o Ceará. Como sabemos todos, a palavra biblioteca vem do grego — biblos — que quer dizer — livro — e — theke — que quer dizer — armário — e, pois, significa "armário de livros". A de José Bonifácio deveria se chamar "cardioteca" — é um armário do coração. Ou "pneumoteca". É um armário do coração e do espírito de nossa pátria cearense, de nosso País do Ceará. Naqueles livros e naquela biblioteca, faiscada em livrarias novas, em sebos de livros e nos empenhos de amigos, está assegurada a sobrevivência de cada um de nossos escritores. E a sobrevivência de nossas raízes.
Outro agraciado é o Dr. Luiz Esteves Neto. Sua vocação o transformou numa presença humana, exemplar e fecunda, na vida da sociedade cearense. Talvez não tenha nunca pintado quadros, como Sinhá D’Amora, nem guardado livros como José Bonifácio, nem escrito elegias, como este vosso cantador. Mas sem homens como ele nenhum de nós estaria aqui. Participante efetivo das atividades sociais, seu nome é um emblema da vida econômica e da vida associativa. Industrial, presidente da Federação das Indústrias do Estado do Ceará, sua representatividade o levou aos órgãos de direção da Confederação Nacional da Indústria, para onde levou a fibra e o vigor dos capitães de empresa de nossa terra. Seu nome figura na nominata egrégia dos clubes sociais e dos grupos de construção da riqueza e do desenvolvimento. Luiz Esteves Neto é para nós, aquilo que nosso filósofo maior, Farias Brito, chamava "a base física do espírito". Homem de formação universitária, ele poderia ter escolhido qualquer outro tipo de ocupação, nas áreas da inteligência. Escolheu esta, para dar à sociedade que pertencemos, horizontes melhores à esperança do desenvolvimento.
Quanto a mim, pobre cantador das Ipueiras, do pé-da-serra da Ibiapaba, aqui estou com único cabedal maior que mereservou a vida: — a riqueza de ser cearense. No país do sul, nas opulentas babilônias de São Paulo, com seus milhões de descendentes de primeira geração de imigrantes, algumas pessoas invocam a nobreza de suas origens, como na exclamação famosa de Alcântara Machado: — "Paulista eu sou, há quatrocentos anos".
Em nossa terra, aonde quase não chegou a vaga de imigrações da segunda metade do século passado e das primeiras décadas dos novecentos, todos nós, quase todos nós, podemos proclamar, como eu mesmo o faço: — "Cearense eu sou há quatrocentos anos". O que em outras terras é privilégio de uns poucos, aqui é patrimônio de todos. A este patrimônio, devo as vigências mais profundas que me nutriram ao longo da vida.
Teria eu de seis para sete anos, quando minha mãe, pobre professora primária do interior, me fazia decorar páginas inteiras do romance lírico de José de Alencar, cantando os verdes mares bravios e, ao mesmo tempo, um poema grandiloqüente, ufanista e saborosamente ingênuo, de nosso poeta popular, Juvenal Galeno, que ainda hoje sei de cor: "sou cearense e me ufano"...
Estas foram as primeiras plantas enraizadas no chão de minha alma. Depois, foram os cantadores de feira, especialmente o cantador Anselmo Vieira, das Ipueiras, catalogado por Leonardo Mota. Com eles aprendi o ritmo cantante das redondilhas maiores, dos decassílabos de gabinete e dos hendecassílabos sonoros, cantando galope na beira do mar. E aqui lembro — e rendo-lhe uma homenagem — um agraciado da Sereia de Ouro, desaparecido este ano, meu saudoso amigo Eleazar de Carvalho, o egrégio mestre-de-capela, que teve entre seus discípulos até mesmo o mais famoso maestro do mundo em nossos dias, Zumbin Mehta. Eleazar de Carvalho também me dizia um dia que toda a sua disciplina musical se edificara no metro escandido dos cantores de viola e de rabeca nas feiras do Ceará. Afinal, Homero também foi um cantador de lira nas feiras da Jônia.
Nos labirintos do saber e da cultura erudita, varando o oco do mundo, por Europas, Ásias, Áfricas e Américas, peregrino de todas as vicissitudes, talvez eu possa dizer como Keats: — acho que meu nome constará depois da minha morte entre os poetas de meu tempo". Se isto ocorrrer, à uma coisa eu o devo — à fidelidade obstinada à minha terra, aos seus valores primitivos.
Ainda recentemente o Presidente da República se queixava do caráter provinciano de nosso povo. Aprendi com meu saudoso amigo, o presidente Eduardo Frei, do Chile, uma linção fundamental: a distinção entre provincial e provinciano. Ser provinciano é uma coisa negativa. O provinciano é o homem sem perspectiva, que não conhece e não imagina nada além da pobre cerca de seu quintal. O resto do mundo não existe
Como poderei expressar a graça e o encantamento de nossa grande Sinhá D’Amora? Ela é até minha prima distante — mas vamos nos aproximando. Pois, também eu pertenço ao clã daquela Dona Federalina Correia Lima. Sinhá D’Amora, hoje na adolescência pristina, de seus noventa anos, está no meu conhecimento e no meu bem-querer desde 1935 ou 36. Desde então, acostumei-me a encontrá-la no salão azul de minha doce e inesquecível amiga Julinha Galeno, que mantinha um verdadeiro Consulado do Ceará em sua bela casa de Ipanema. Guardo, daqueles tempos, a memória de sua leve estampa de mulher elegante e seus olhos sábios de ver as coisas e as pessoas, sempre ao lado da figura cavalheirisca e cordial de seu marido, Amora Maciel. Lembro-me de uma de suas primeiras exposições, creio que no salão mais conspícuo do Rio, no Palace Hotel. Seus pincéis, que já sugeriam um trânsito refinado entre o impressionismo francês e o expressionistas alemães, levaram depois suas cores e suas formas aos melhores espaços da Europa e dos Estados Unidos. O que ela recebe hoje é a gratidão do Ceará pelos momentos de beleza que nos traz. A mão e os olhos de um pintor, transfigurados em formas e cores, são sempre, como no verso de Keats, "a thing of beauty, a joy forever". Uma coisa de alegria, uma beleza para sempre. Por isso ela é hoje aqui agraciada, como na velha cantiga da infância, ao lado de três cavaleiros que a saúdam, todos três chapéu na mão.
Um deles é o meu velho amigo, o Dr. José Bonifácio da Silva Câmara, cheio de títulos e serviços na vida pública deste País. Mas o título maior, o que o traz a esta celebração, é o amor simultâneo pelo Ceará e pelos livros. Sou um velho rato de bibliotecas. As vivas e as mortas. Recebi, não faz muito tempo, um pequeno tratado de Umberto Eco sobre o corpo e a alma das bibliotecas. Com ele, percorri alguma delas. Como visitei, com Jorge Luis Borges, em seus delírios, no apartamento da Calle Maypu, em Buenos Aires, a Biblioteca de Babel e seu labirinto de livros, alguns em línguas que não existem mais. Como visitei, com Umberto Eco, as legendárias bibliotecas poligonais, de Nínive e de Samos, a de Pisístrato, em Atenas, e a de Alexandria que, com a de Serapion, tinha 700 mil volumes no século I. Vimos a de Pérgamo e a de Augusto e as 28 bibliotecas de Roma, do tempo de Constantino. E visitei, com minha mulher, as impressionantes bibliotecas de pedra na China e na Cochinchina, em Hanói e Xian, onde os livros são insculpidos na beleza rupestre das lâminas de granito. Mas a biblioteca que mais me comoveu, na verdade, foi aquela de mais de 6 mil volumes, na casa de José Bonifácio, todos eles escritos e editados no e sobre o Ceará. Como sabemos todos, a palavra biblioteca vem do grego — biblos — que quer dizer — livro — e — theke — que quer dizer — armário — e, pois, significa "armário de livros". A de José Bonifácio deveria se chamar "cardioteca" — é um armário do coração. Ou "pneumoteca". É um armário do coração e do espírito de nossa pátria cearense, de nosso País do Ceará. Naqueles livros e naquela biblioteca, faiscada em livrarias novas, em sebos de livros e nos empenhos de amigos, está assegurada a sobrevivência de cada um de nossos escritores. E a sobrevivência de nossas raízes.
Outro agraciado é o Dr. Luiz Esteves Neto. Sua vocação o transformou numa presença humana, exemplar e fecunda, na vida da sociedade cearense. Talvez não tenha nunca pintado quadros, como Sinhá D’Amora, nem guardado livros como José Bonifácio, nem escrito elegias, como este vosso cantador. Mas sem homens como ele nenhum de nós estaria aqui. Participante efetivo das atividades sociais, seu nome é um emblema da vida econômica e da vida associativa. Industrial, presidente da Federação das Indústrias do Estado do Ceará, sua representatividade o levou aos órgãos de direção da Confederação Nacional da Indústria, para onde levou a fibra e o vigor dos capitães de empresa de nossa terra. Seu nome figura na nominata egrégia dos clubes sociais e dos grupos de construção da riqueza e do desenvolvimento. Luiz Esteves Neto é para nós, aquilo que nosso filósofo maior, Farias Brito, chamava "a base física do espírito". Homem de formação universitária, ele poderia ter escolhido qualquer outro tipo de ocupação, nas áreas da inteligência. Escolheu esta, para dar à sociedade que pertencemos, horizontes melhores à esperança do desenvolvimento.
Quanto a mim, pobre cantador das Ipueiras, do pé-da-serra da Ibiapaba, aqui estou com único cabedal maior que mereservou a vida: — a riqueza de ser cearense. No país do sul, nas opulentas babilônias de São Paulo, com seus milhões de descendentes de primeira geração de imigrantes, algumas pessoas invocam a nobreza de suas origens, como na exclamação famosa de Alcântara Machado: — "Paulista eu sou, há quatrocentos anos".
Em nossa terra, aonde quase não chegou a vaga de imigrações da segunda metade do século passado e das primeiras décadas dos novecentos, todos nós, quase todos nós, podemos proclamar, como eu mesmo o faço: — "Cearense eu sou há quatrocentos anos". O que em outras terras é privilégio de uns poucos, aqui é patrimônio de todos. A este patrimônio, devo as vigências mais profundas que me nutriram ao longo da vida.
Teria eu de seis para sete anos, quando minha mãe, pobre professora primária do interior, me fazia decorar páginas inteiras do romance lírico de José de Alencar, cantando os verdes mares bravios e, ao mesmo tempo, um poema grandiloqüente, ufanista e saborosamente ingênuo, de nosso poeta popular, Juvenal Galeno, que ainda hoje sei de cor: "sou cearense e me ufano"...
Estas foram as primeiras plantas enraizadas no chão de minha alma. Depois, foram os cantadores de feira, especialmente o cantador Anselmo Vieira, das Ipueiras, catalogado por Leonardo Mota. Com eles aprendi o ritmo cantante das redondilhas maiores, dos decassílabos de gabinete e dos hendecassílabos sonoros, cantando galope na beira do mar. E aqui lembro — e rendo-lhe uma homenagem — um agraciado da Sereia de Ouro, desaparecido este ano, meu saudoso amigo Eleazar de Carvalho, o egrégio mestre-de-capela, que teve entre seus discípulos até mesmo o mais famoso maestro do mundo em nossos dias, Zumbin Mehta. Eleazar de Carvalho também me dizia um dia que toda a sua disciplina musical se edificara no metro escandido dos cantores de viola e de rabeca nas feiras do Ceará. Afinal, Homero também foi um cantador de lira nas feiras da Jônia.
Nos labirintos do saber e da cultura erudita, varando o oco do mundo, por Europas, Ásias, Áfricas e Américas, peregrino de todas as vicissitudes, talvez eu possa dizer como Keats: — acho que meu nome constará depois da minha morte entre os poetas de meu tempo". Se isto ocorrrer, à uma coisa eu o devo — à fidelidade obstinada à minha terra, aos seus valores primitivos.
Ainda recentemente o Presidente da República se queixava do caráter provinciano de nosso povo. Aprendi com meu saudoso amigo, o presidente Eduardo Frei, do Chile, uma linção fundamental: a distinção entre provincial e provinciano. Ser provinciano é uma coisa negativa. O provinciano é o homem sem perspectiva, que não conhece e não imagina nada além da pobre cerca de seu quintal. O resto do mundo não existe
1 334
Mário Donizete Massari
A voz do louco I
Ao amigo e artista plástico Laudo
A minha loucura
é sã
brota das feridas
de uma vida consumida.
A minha loucura
é mágoa,
de ver uma terra fértil
sem ser partida.
A minha loucura
é viva,
germina a cada momento,
na lucidez do dia a dia.
A minha loucura
é sã
brota das feridas
de uma vida consumida.
A minha loucura
é mágoa,
de ver uma terra fértil
sem ser partida.
A minha loucura
é viva,
germina a cada momento,
na lucidez do dia a dia.
930
Mário Donizete Massari
O sonho do poeta
Sonhou o poeta
ser uma estrela
e brilhou em seus versos
Sonhou o poeta
ser o dono do mundo
e este era tão pequeno
que coube em suas mãos
e ele o tornou lindo
És poeta a estrela do mundo
ser uma estrela
e brilhou em seus versos
Sonhou o poeta
ser o dono do mundo
e este era tão pequeno
que coube em suas mãos
e ele o tornou lindo
És poeta a estrela do mundo
911
Mário Donizete Massari
Moeda
A moeda
rola no ar
vil metal a delinear
destinos.
A fome no olhar
sentimento vendido
a moeda seduz
e oprime.
Que importa a
poesia,
se a fome ronda a
esquina?
O que importa
a poesia,
se a moeda é pobre
sendo rica?
Na cara a coroa
de ouro
duas faces
moeda e poesia
Pobre moeda
Rica poesia
rola no ar
vil metal a delinear
destinos.
A fome no olhar
sentimento vendido
a moeda seduz
e oprime.
Que importa a
poesia,
se a fome ronda a
esquina?
O que importa
a poesia,
se a moeda é pobre
sendo rica?
Na cara a coroa
de ouro
duas faces
moeda e poesia
Pobre moeda
Rica poesia
1 035
António Manuel Couto Viana
Poesia
Com a mão alada procuroO emocional desenho puro:A linha é frágil; o verso é duro.
A claridade dos cimos!Por alcançar nos desmedimos:Turvam a fonte os humanos limos.
Fique meu gesto suspensoComo o branco sinal dum lençoPor sobre o mundo noturno e imenso.
A claridade dos cimos!Por alcançar nos desmedimos:Turvam a fonte os humanos limos.
Fique meu gesto suspensoComo o branco sinal dum lençoPor sobre o mundo noturno e imenso.
1 456
Maurício Batarce
Uma História de Amor
A brisa gloriosa da noite
Tocava o rosto daquele que,
Olhando para o céu,
Desmitificava as estrelas...
Uma sensação prazerosa o envolvia
E seus braços em forma de cruz
Determinavam seu estado de vida.
Ao seu lado, a mais bela,
A mais linda estrela da noite...
Cantavam as vozes dos vaga-lumes
E uma idéia em versos
Ia se formando na inspiração oculta...
Tudo era milagrosamente harmônico.
Uma face iluminou a noite
No auge de seu romantismo:
Semblante, rugas, experiência...
Humildade, carinho, amizades...
A peça teatral da vida
Se dividia em infinitos atos
E as cortinas se abriam
Para um público tão amplo
Quanto o amor dos personagens...
A atriz encenava carícias
Tão graciosas quanto a bruma noturna.
Com passos de bailarina,
Seu rosto continha uma expressão
De dó e compaixão que consumiam o ator...
No envolvimento do minuando,
Duas pombas pousaram
E captaram os pensamentos
Do ator no infinito...
Ator...Atriz...Silêncio...
As cortinas se fecham...
Tocava o rosto daquele que,
Olhando para o céu,
Desmitificava as estrelas...
Uma sensação prazerosa o envolvia
E seus braços em forma de cruz
Determinavam seu estado de vida.
Ao seu lado, a mais bela,
A mais linda estrela da noite...
Cantavam as vozes dos vaga-lumes
E uma idéia em versos
Ia se formando na inspiração oculta...
Tudo era milagrosamente harmônico.
Uma face iluminou a noite
No auge de seu romantismo:
Semblante, rugas, experiência...
Humildade, carinho, amizades...
A peça teatral da vida
Se dividia em infinitos atos
E as cortinas se abriam
Para um público tão amplo
Quanto o amor dos personagens...
A atriz encenava carícias
Tão graciosas quanto a bruma noturna.
Com passos de bailarina,
Seu rosto continha uma expressão
De dó e compaixão que consumiam o ator...
No envolvimento do minuando,
Duas pombas pousaram
E captaram os pensamentos
Do ator no infinito...
Ator...Atriz...Silêncio...
As cortinas se fecham...
1 002
Mário Dionísio
As Solicitações e Emboscadas
Pode-se pintar com óleo
com petróleo
ou aguarrás
Mas pode-se também pintar com lágrimas
silenciosas
No desprezo das horas odiosas
tanto faz
com petróleo
ou aguarrás
Mas pode-se também pintar com lágrimas
silenciosas
No desprezo das horas odiosas
tanto faz
1 872
Mário Donizete Massari
Primeira Vez
Um dia João
resolveu sair
do seu silêncio
e em frente à fábrica
pôs-se a recitar poesias
era hora do almoço . . .
barriga vazia
Todos olhavam-no
admirados
negavam-se a acreditar
que aquele fosse
"o joão de todos os dias"
Foi alvo das atenções
pela primeira vez na vida
resolveu sair
do seu silêncio
e em frente à fábrica
pôs-se a recitar poesias
era hora do almoço . . .
barriga vazia
Todos olhavam-no
admirados
negavam-se a acreditar
que aquele fosse
"o joão de todos os dias"
Foi alvo das atenções
pela primeira vez na vida
933
Maurício B. Moisés
Fotografia
A natureza sendo uma fotografia viva
Torna a fotografia uma natureza morta.
Mesmo assim ambas são belas,
Pois uma é a nossa vida,
E a outra a lembrança dela.
Torna a fotografia uma natureza morta.
Mesmo assim ambas são belas,
Pois uma é a nossa vida,
E a outra a lembrança dela.
556
Sérgio Mattos
Independência
O sonho do poeta
não pode ser vendido
nem o amor, comprado.
O meu sonho e o meu amor
sobrevivem nesta sociedade artificial,
regida pela economia de mercado,
cheia de inflação e corrupção,
porque não precisam de autorização oficial.
não pode ser vendido
nem o amor, comprado.
O meu sonho e o meu amor
sobrevivem nesta sociedade artificial,
regida pela economia de mercado,
cheia de inflação e corrupção,
porque não precisam de autorização oficial.
891
Marta Gonçalves
Nuvens Brancas
Cavalos vermelhos voam no espaço
nuvens brancas desenham carneiros
o perfume da terra espera o homem
o homem quer sementes adubadas
plasmando o ar.
O poeta, de sandália azul, cobre a alma
com penas de pássaros.
nuvens brancas desenham carneiros
o perfume da terra espera o homem
o homem quer sementes adubadas
plasmando o ar.
O poeta, de sandália azul, cobre a alma
com penas de pássaros.
996
Marta Gonçalves
Aclive da Encubadeira
À Laene Teixeira Mucci
Ao seu livro Aldelin, feito
no computador (Encubadeira)
A emanação das águas nos arrozais
onde pássaros cansados buscam
a semente. O aclive da linguagem
no oxigênio do tempo guarda tâmaras
de verdes Natais. A colagem dos sóis
traz o mercúrio da virada do século.
São teclas mágicas, duendes da alma.
Vento brando acordando moléculas na tarde.
Será o aclive memória das folhas ou memória
das gaivotas em mares antigos. O poeta aprisiona
anéis na encubadeira e escolhe os dedos. Sopra
o giz das palavras. Aldelin, terra sem dono.
Aldelin, território que Marco Polo não viu.
Ar, água, fogo, no solo bruto da terra.
Ternuras vindas do cerne de outras peles.
Cheiro de figo do pomar do avô.
Arco de cobre em Aldebarã.
Aldelin, aclive na encubadeira.
Ilha do corpo ou mariposa voejando.
Filtro do cosmo em noite de jejum
Onde os insetos banham os olhos.
Aldelin, a palavra morre. Meu canto
é o nada diante de seus símbolos.
Ao seu livro Aldelin, feito
no computador (Encubadeira)
A emanação das águas nos arrozais
onde pássaros cansados buscam
a semente. O aclive da linguagem
no oxigênio do tempo guarda tâmaras
de verdes Natais. A colagem dos sóis
traz o mercúrio da virada do século.
São teclas mágicas, duendes da alma.
Vento brando acordando moléculas na tarde.
Será o aclive memória das folhas ou memória
das gaivotas em mares antigos. O poeta aprisiona
anéis na encubadeira e escolhe os dedos. Sopra
o giz das palavras. Aldelin, terra sem dono.
Aldelin, território que Marco Polo não viu.
Ar, água, fogo, no solo bruto da terra.
Ternuras vindas do cerne de outras peles.
Cheiro de figo do pomar do avô.
Arco de cobre em Aldebarã.
Aldelin, aclive na encubadeira.
Ilha do corpo ou mariposa voejando.
Filtro do cosmo em noite de jejum
Onde os insetos banham os olhos.
Aldelin, a palavra morre. Meu canto
é o nada diante de seus símbolos.
1 064
Marta Gonçalves
A Voz de Meus Cata-ventos
"A Voz de Meus Cata-ventos", de Marco Antonio Souza, traz o vento de um bom texto. O interesse pela leitura, a liberdade ornamental das palavras formam poemas sínteses onde o ordinário da vida cresce a árvore da criatividade. Os elementos usados na composição são de uma solidez unânime. O fluir da filosofia veste de linho as palavras. Marco Antonio se põe a pintar o avô no poema "Morto": "Avô Alírio e as nódoas roxas/ no cavo rosto e flácido corpo,/ deitado e sem siso,/ mais agônico, mais morto." Daí decorre o domínio da pintura abrindo os olhos para o "eu" do poeta. Este "eu" transfigura o irreal no real das coisas perenes.
Marco Antonio faz um seletivo de temáticas abrindo um leque transcendental de conhecimentos exigidos na arte poética. Se de todo os poemas não se mostram na primeira leitura, o leitor descobre a evolução de imagens, a paisagem, a captação mineral silábica dos versos. Do poema "Hora Absurda": "Certos anzóis/ fisgam almas como a servidas hóstias: / Satã." A expressão absurda é uma constante na poesia de Marco Antonio Souza. Uma alquimia descobre o avesso da alma, do corpo, das mãos do poeta. Os vegetais estão presentes e germinam nos lábios. Símbolos, o arbitrário, o inovado, cromatizam a fala. O livro é invadido pelo estado de consciência. O breve poema "O Doente" é de uma realidade tocante: "Cosme cruel, o náusea,/ vestia-se de sujo e já era morto/ com assombradas luas revisitadas pela loucura.
Abandono da pessoa humana ganha amplitude e dualização visual na estrutura poética. Anjos, quintais, horas, avô, flores, figuras, alma, náuseas, sonhos criam uma anatomia. O retrato do poeta já marca o artista dentro do texto. "A Voz de Meus Cata-ventos" indaga o tempo no relógio da sala. Banha o mar interior do leitor, caracterizando um discurso a que não podemos ficar indiferentes. A solidão que encontramos na leitura dos poemas é um exemplo de forma aberta a muitas releituras. A palavra deve ser recebida no silêncio. Almejamos, de certo modo, um andamento ao livro em toda sua conclusão.
Marco Antonio faz um seletivo de temáticas abrindo um leque transcendental de conhecimentos exigidos na arte poética. Se de todo os poemas não se mostram na primeira leitura, o leitor descobre a evolução de imagens, a paisagem, a captação mineral silábica dos versos. Do poema "Hora Absurda": "Certos anzóis/ fisgam almas como a servidas hóstias: / Satã." A expressão absurda é uma constante na poesia de Marco Antonio Souza. Uma alquimia descobre o avesso da alma, do corpo, das mãos do poeta. Os vegetais estão presentes e germinam nos lábios. Símbolos, o arbitrário, o inovado, cromatizam a fala. O livro é invadido pelo estado de consciência. O breve poema "O Doente" é de uma realidade tocante: "Cosme cruel, o náusea,/ vestia-se de sujo e já era morto/ com assombradas luas revisitadas pela loucura.
Abandono da pessoa humana ganha amplitude e dualização visual na estrutura poética. Anjos, quintais, horas, avô, flores, figuras, alma, náuseas, sonhos criam uma anatomia. O retrato do poeta já marca o artista dentro do texto. "A Voz de Meus Cata-ventos" indaga o tempo no relógio da sala. Banha o mar interior do leitor, caracterizando um discurso a que não podemos ficar indiferentes. A solidão que encontramos na leitura dos poemas é um exemplo de forma aberta a muitas releituras. A palavra deve ser recebida no silêncio. Almejamos, de certo modo, um andamento ao livro em toda sua conclusão.
1 085
Mário Hélio
34-IV(Vegeptil)
lâmina de carne
carne de aço
expássaro vidrarte
rasga esse deus
tira a tua parte
o mundo é teu
a morte é uma arte
domina a dor
sereia de corpo na mão
centauro de nuvens azuis
braços nas mãos
lábios no fóssil
seios de vidro
musicacústica
baobás barrocos
vegetanimal
almas de metal
armas de ar puro
bizâncio lustral
cavaleiro eleito
nas mãos o cavalo
traga esse deus
arte da arte
a morte é uma parte
o mundo é teu
carne de aço
expássaro vidrarte
rasga esse deus
tira a tua parte
o mundo é teu
a morte é uma arte
domina a dor
sereia de corpo na mão
centauro de nuvens azuis
braços nas mãos
lábios no fóssil
seios de vidro
musicacústica
baobás barrocos
vegetanimal
almas de metal
armas de ar puro
bizâncio lustral
cavaleiro eleito
nas mãos o cavalo
traga esse deus
arte da arte
a morte é uma parte
o mundo é teu
779
Mário Hélio
26-VI(Expássaro)
ícaro sem asa
pássaro sem casa
trovador
trova
dor
a
caro em as
ássaro em asa
rovador
rova
or
a v
aro ma
ssaro m sa
ovador
ova
r
a vi
ros
saro as
vador
va
a v id
o s
aro s
a dor
a
a v id a
o
aro
a or
a vida a
a
a
a vida a v
a
a vida a vi
a vida: ávida ave do ar
pássaro sem casa
trovador
trova
dor
a
caro em as
ássaro em asa
rovador
rova
or
a v
aro ma
ssaro m sa
ovador
ova
r
a vi
ros
saro as
vador
va
a v id
o s
aro s
a dor
a
a v id a
o
aro
a or
a vida a
a
a
a vida a v
a
a vida a vi
a vida: ávida ave do ar
900
Majela Colares
As Cores do Tempo
Eu canto a passagem do tempo
Clarice Lispector
Percebo o tempo farejando as cores
de um já vencido e desbotado instante,
tingidas horas (reluzente tinta)
preserva apenas um azul distante...
pelas arestas espirais dos tons
embaça o risco do momento diante
frágil moldura irregular do tempo
descolorido feito sombra errante.
riscamt as cores novo instante súbito
(um branco espaço a revolver o caos...)
traçando o tempo - qual íris perfeito -
agora a tinta condensando as cores
consagra breve, colorido intenso,
marcas do tempo que jamais desfeito...
Clarice Lispector
Percebo o tempo farejando as cores
de um já vencido e desbotado instante,
tingidas horas (reluzente tinta)
preserva apenas um azul distante...
pelas arestas espirais dos tons
embaça o risco do momento diante
frágil moldura irregular do tempo
descolorido feito sombra errante.
riscamt as cores novo instante súbito
(um branco espaço a revolver o caos...)
traçando o tempo - qual íris perfeito -
agora a tinta condensando as cores
consagra breve, colorido intenso,
marcas do tempo que jamais desfeito...
1 378
Luiz Pimenta
O Jardim de Geralda
O Jardim de Geralda
Para minha querida sogra
Tenho quase certeza que
o van Gogh
conheceu o jardim de Geralda,
antes mesmo
dele ter existido.
O jardim de Geralda
sempre foi uma explosão.
Tem lírio,
tem antúrio...
Tem brinco-de-princesa
plantado
dentro do pneu.
Tem buganvília,
tem até...
amor-perfeito.
Tem tudo,
bem misturado,
assim como
é a vida.
Cadê você Geralda,
para cuidar do nosso jardim?
BH 10/01/97
Para minha querida sogra
Tenho quase certeza que
o van Gogh
conheceu o jardim de Geralda,
antes mesmo
dele ter existido.
O jardim de Geralda
sempre foi uma explosão.
Tem lírio,
tem antúrio...
Tem brinco-de-princesa
plantado
dentro do pneu.
Tem buganvília,
tem até...
amor-perfeito.
Tem tudo,
bem misturado,
assim como
é a vida.
Cadê você Geralda,
para cuidar do nosso jardim?
BH 10/01/97
1 014
Lourdes Cabral
Pensamentos
Meus pensamentos se estendem
além do espaço, além do tempo,
em outros caminhos abertos e luminosos.
E nesses caminhos percorrem
ciclos intensos, ilimitados.
Aproximam-se
do cicio da beleza, fascínio
do artista,
No universo colorido, vislumbram
o efeito do amor
e a sutileza da renúncia,
do sacrifício,
do heroísmo.
E, na libertação dos sentimentos,
atingem a complexidade da Vida,
a riqueza dos sonhos,
a potencialidade do Tempo...
além do espaço, além do tempo,
em outros caminhos abertos e luminosos.
E nesses caminhos percorrem
ciclos intensos, ilimitados.
Aproximam-se
do cicio da beleza, fascínio
do artista,
No universo colorido, vislumbram
o efeito do amor
e a sutileza da renúncia,
do sacrifício,
do heroísmo.
E, na libertação dos sentimentos,
atingem a complexidade da Vida,
a riqueza dos sonhos,
a potencialidade do Tempo...
801