Poemas neste tema
Estações do Ano (Primavera, Verão, Outono, Inverno)
Nana Corrêa de Lima
Outono
Outono
No outono,
quando abril abriu
suas portas para
as folhas amarelas,
azulei-te, esverdeando...
No outono,
quando abril abriu
suas portas para
as folhas amarelas,
azulei-te, esverdeando...
977
Guerra-Duval
Versos da Noite Má
Desmaiam alegrias e açucenas,
primaveras e rosas rosicler;
já autuneja o verde das verbenas
e o perfume pueril do vetiver.
Abrem os goivos tristes, goivos roxos,
como o viúvo pio roxo de mochos;
roreja sonolenta, lenta a chuva,
— triste noivado roxo de viúva...
A Noite cega, a imensa Noite impura
cobre a Luxúria e o Crime pelos mundos.
(A sombra desleal da Noite escura
lembra os teus olhos fúnebres, profundos!)
No campanário da última esperança
dobra a mortos o sino da Lembrança.
..........................................................
— É noite de assassinos esta noite,
E a minhalma não tem onde se acoitei
primaveras e rosas rosicler;
já autuneja o verde das verbenas
e o perfume pueril do vetiver.
Abrem os goivos tristes, goivos roxos,
como o viúvo pio roxo de mochos;
roreja sonolenta, lenta a chuva,
— triste noivado roxo de viúva...
A Noite cega, a imensa Noite impura
cobre a Luxúria e o Crime pelos mundos.
(A sombra desleal da Noite escura
lembra os teus olhos fúnebres, profundos!)
No campanário da última esperança
dobra a mortos o sino da Lembrança.
..........................................................
— É noite de assassinos esta noite,
E a minhalma não tem onde se acoitei
933
Celso Pinheiro
Gilbués
Gilbués! Gilbués! ó terra alvissareira,
Como uma flor sonhando aos ósculos do clima!
Que ternura, que amor, que glória é que te anima,
Ó soberba porção da Pátria Brasileira?!...
Foi aqui que pousou a sílfide primeira,
Esfolhando, a cantar, o bogari da Rima,
E a Santa Primavera, em coleios de esgrima,
Semeou graças, perdões e alou-se feiticeira...
Ó doce Gilbués de Serras e Malhadas,
As blandícias de um céu de seda e de veludo,
Como um desdobramento eterno de Alvoradas!
Que pena eu te avistar sob a angustura louca
Da Mágoa que me põe no inferno deste entrudo:
— Fel no coração, fel nos olhos, fel na boca!...
Como uma flor sonhando aos ósculos do clima!
Que ternura, que amor, que glória é que te anima,
Ó soberba porção da Pátria Brasileira?!...
Foi aqui que pousou a sílfide primeira,
Esfolhando, a cantar, o bogari da Rima,
E a Santa Primavera, em coleios de esgrima,
Semeou graças, perdões e alou-se feiticeira...
Ó doce Gilbués de Serras e Malhadas,
As blandícias de um céu de seda e de veludo,
Como um desdobramento eterno de Alvoradas!
Que pena eu te avistar sob a angustura louca
Da Mágoa que me põe no inferno deste entrudo:
— Fel no coração, fel nos olhos, fel na boca!...
1 325
Zuleika dos Reis
Primavera
Margaridas brancas.
No jardim do meu vizinho,
a primavera.
Rãzinha verde. Entre
as folhas, brinca de
esconde-esconde.
Pétala a pétala
com delícia se desfolha
a alcachofra.
No jardim do meu vizinho,
a primavera.
Rãzinha verde. Entre
as folhas, brinca de
esconde-esconde.
Pétala a pétala
com delícia se desfolha
a alcachofra.
948
Yeda Prates Bernis
Haicai
Noite no jasmineiro
Sobre o muro,
estrelas perfumadas
Camisas alegres
gangorram agosto
no varal
Sobre o muro,
estrelas perfumadas
Camisas alegres
gangorram agosto
no varal
1 161
Maria Thereza Noronha
Finito e Infinito
Entre as folhas do outono
e a infinita linha do oceano
cumpre-nos escalar montanhas
decifrar inscrições rupestres
desmontar o teorema, captar
sua argúcia de mestre.
E, inabaláveis, posto que lúcidos,
no finito da carne o agudo vértice
suavizar, e o ardor insano.
Entre as folhas do outono
e a sombra dos ciprestes.
e a infinita linha do oceano
cumpre-nos escalar montanhas
decifrar inscrições rupestres
desmontar o teorema, captar
sua argúcia de mestre.
E, inabaláveis, posto que lúcidos,
no finito da carne o agudo vértice
suavizar, e o ardor insano.
Entre as folhas do outono
e a sombra dos ciprestes.
1 031
Silva Avarenga
O Jasmineiro
Rondó XI
Venturoso Jasmineiro,
Sobranceiro ao claro Rio,
Já do Estio o ardor se acende,
Ah! defende este lugar.
Ache Glaura na frescura
Destas penhas encurvadas
Moles heras abraçaras
Com ternura a vegetar.
Ache mil e mil Napéias,
E inda mais e mais Amores,
Do que mostra o campo flores,
Do que areias tem o mar.
Venturoso Jasmineiro,
Sobranceiro ao claro Rio,
Já do Estio o ardor se acende,
Ah! defende este lugar.
Branda Ninfa que me escutas
Desse monte cavernoso,
Nem o raio luminoso
Nestas grutas possa entrar.
Hás de ver com dor, e espanto,
Como pálida a Tristeza
Dos seixinhos na aspereza
Faz meu pranto congelar,
Venturoso Jasmineiro,
Sobranceiro ao claro Rio,
Já do Estio o ardor se acende,
Ah! defende este lugar.
Glaura bela, que resiste
Aos rigores da saudade,
Veja em muda soledade
Sono triste bocejar.
Sobre o musgo em rocha fria
Adormeça ao som das águas,
E sonhando injustas mágoas,
Chegue um dia a suspirar.
Venturoso Jasmineiro,
Sobranceiro ao claro Rio,
Já do Estio o ardor se acende,
Ah! defende este lugar.
Com seus olhos Glaura inflame
Os desejos namorados,
Que em abelhas transformados,
Novo enxame cubra o ar.
Vinde, abelhas amorosas,
Sem temer o meu desgosto,
Doce néctar no seu rosto
Entre rosas procurar.
Venturoso Jasmineiro,
Sobranceiro ao claro Rio,
Já do Estio o ardor se acende,
Ah! defende este lugar.
Venturoso Jasmineiro,
Sobranceiro ao claro Rio,
Já do Estio o ardor se acende,
Ah! defende este lugar.
Ache Glaura na frescura
Destas penhas encurvadas
Moles heras abraçaras
Com ternura a vegetar.
Ache mil e mil Napéias,
E inda mais e mais Amores,
Do que mostra o campo flores,
Do que areias tem o mar.
Venturoso Jasmineiro,
Sobranceiro ao claro Rio,
Já do Estio o ardor se acende,
Ah! defende este lugar.
Branda Ninfa que me escutas
Desse monte cavernoso,
Nem o raio luminoso
Nestas grutas possa entrar.
Hás de ver com dor, e espanto,
Como pálida a Tristeza
Dos seixinhos na aspereza
Faz meu pranto congelar,
Venturoso Jasmineiro,
Sobranceiro ao claro Rio,
Já do Estio o ardor se acende,
Ah! defende este lugar.
Glaura bela, que resiste
Aos rigores da saudade,
Veja em muda soledade
Sono triste bocejar.
Sobre o musgo em rocha fria
Adormeça ao som das águas,
E sonhando injustas mágoas,
Chegue um dia a suspirar.
Venturoso Jasmineiro,
Sobranceiro ao claro Rio,
Já do Estio o ardor se acende,
Ah! defende este lugar.
Com seus olhos Glaura inflame
Os desejos namorados,
Que em abelhas transformados,
Novo enxame cubra o ar.
Vinde, abelhas amorosas,
Sem temer o meu desgosto,
Doce néctar no seu rosto
Entre rosas procurar.
Venturoso Jasmineiro,
Sobranceiro ao claro Rio,
Já do Estio o ardor se acende,
Ah! defende este lugar.
996
Shinobu Saiki
Haicai
Chaminés lançam
fumaças da lareira,
Campos do Jordão.
Geada rude
brancura inclemente
Lua minguante
fumaças da lareira,
Campos do Jordão.
Geada rude
brancura inclemente
Lua minguante
999
Roberto Saito
Verão
Súbita tontura.
Ainda mal desperto ouço
o som das cigarras.
Verão. Meio-dia.
Queimando as patas dos gatos —
paralelepípedos.
Ainda mal desperto ouço
o som das cigarras.
Verão. Meio-dia.
Queimando as patas dos gatos —
paralelepípedos.
950
Renato Russo
Por Enquanto
Mudaram as estações e nada mudou
Mas eu sei que alguma coisa aconteceu
Está tudo assim tão diferente
Se lembra quando a gente chegou um dia a acreditar
Que tudo era prá sempre
Sem saber
Que o prá sempre
Sempre acaba ?
Mas nada vai conseguir mudar o que ficou
Quando penso em alguém
Só penso em você
E aí então estamos bem
Mesmo com tantos motivos prá deixar tudo como está
E nem desistir, nem tentar
Agora tanto faz
Estamos indo de volta
Prá casa
Mas eu sei que alguma coisa aconteceu
Está tudo assim tão diferente
Se lembra quando a gente chegou um dia a acreditar
Que tudo era prá sempre
Sem saber
Que o prá sempre
Sempre acaba ?
Mas nada vai conseguir mudar o que ficou
Quando penso em alguém
Só penso em você
E aí então estamos bem
Mesmo com tantos motivos prá deixar tudo como está
E nem desistir, nem tentar
Agora tanto faz
Estamos indo de volta
Prá casa
2 035
Rogério F. P.
Aqui onde só o vento é testemunha,
Aqui onde só o vento é testemunha,
onde minhalma bruxuleia,
meu pensamento divaga
em construções absurdas.
Quando em meio a clausura,
mesmo que, cercado de formosura
poderia eu dessa tristeza me libertar?
Sei que não observo com
alegria o desabrochar da primavera
em seu sincronismo que eleva a alma
a um patamar inacreditável.
Imperdoável seria se almenos
em um dia, eu não me precipitasse,
e com critério observasse
o que é para mim tão longe,
mas que é na verdade uma silenciosa prece.
Cálido báratro quero que em seus braços
me tome e que minhalma se evole calmamente
junto com o perfume das flores,
para que assim eu possa entender a vida,
e recomeçar na morte!
onde minhalma bruxuleia,
meu pensamento divaga
em construções absurdas.
Quando em meio a clausura,
mesmo que, cercado de formosura
poderia eu dessa tristeza me libertar?
Sei que não observo com
alegria o desabrochar da primavera
em seu sincronismo que eleva a alma
a um patamar inacreditável.
Imperdoável seria se almenos
em um dia, eu não me precipitasse,
e com critério observasse
o que é para mim tão longe,
mas que é na verdade uma silenciosa prece.
Cálido báratro quero que em seus braços
me tome e que minhalma se evole calmamente
junto com o perfume das flores,
para que assim eu possa entender a vida,
e recomeçar na morte!
972
Rogério F. P.
Como consegues, em tua mais pura inocência
Como consegues, em tua mais pura inocência
arrancares do meu peito toda a arrogância
e incoerência? Tu que transmutas e reflete
tudo, naquilo que é mais belo.
Todas as tristes vivências em minhalma
contidas lhe dão espaço, amada amiga.
Todo sofrimento e desventuras,
as mortes e amarguras
de nada significam
quando comparadas a ti...
Por seres bela, e mesmo
assim sincera,
por teres a beleza inspiradora
da mais bonita deusa,
a ti minha amada
me entrego agora...
E não me envergonho então
no mais ébrio céu de outono
a fazer-te declarações de amor
e lhe dizer que a amo!
arrancares do meu peito toda a arrogância
e incoerência? Tu que transmutas e reflete
tudo, naquilo que é mais belo.
Todas as tristes vivências em minhalma
contidas lhe dão espaço, amada amiga.
Todo sofrimento e desventuras,
as mortes e amarguras
de nada significam
quando comparadas a ti...
Por seres bela, e mesmo
assim sincera,
por teres a beleza inspiradora
da mais bonita deusa,
a ti minha amada
me entrego agora...
E não me envergonho então
no mais ébrio céu de outono
a fazer-te declarações de amor
e lhe dizer que a amo!
984
Rodrigues Lobo
de A Primavera
já nasce o belo dia,Princípio do verão formoso e brando,Que com nova alegriaEstão denunciando As aves namoradasDos floridos raminhos penduradas.já abre a bela aurora,Com nova luz, as portas do oriente;E mostra a linda Flora O prado mais contente Vestido de boninas Aljofrado de gotas cristalinas. Já o sol mais formoso Está ferindo as águas prateadas;E zéfiro queixosoOra as mostra encrespadas À vista dos penedos, Ora sobre elas move os arvoredos.De reluzente areiaSe mostra mais formosa a rica praia,Cuja riba se arreiaDo álamo e da faia,Do freixo e do salgueiro,Do olmo, da aveleira, e do loureiro.já com rumor profundoNão soa o Lis nos montes seus vizinhos;Antes no claro fundoMostra os alvos seixinhos,E os peixes que nas veiasDeixam, tremendo, a sombra nas areias.já sem nuvens medonhasSe mostra o céu vestido de outras cores,já se ouvem as sanfonhasE flauta dos pastores Que vão guiando o gado Pela fragosa serra, e pelo prado.Já nas largas campinas,E nas verdes descidas dos outeiros,Ao som das sanfoninas,Cantam os ovelheiros,Enquanto os gados pascemAs mimosas ervinhas que renascem.Sobre a tenra verdura Agora os cabritinhos vão saltando,E sobre a fonte puraPassa a noite cantandoO rouxinol suaveCom saudoso acento agudo e grave.Diana mais formosa,Sem ventos, sobre as águas aparece, E faz que a noite irosa Tão clara resplandece À vista das estrelas,Que se envergonha o sol à vista delas.Tudo nesta mudança,Qual em sua esperança,Também de novo cobra novo estado;E qual em seu cuidadoAcha contentamento;Qual melhora na vida o pensamento.
1 531
Ona Gaia
Aos Nubentens
Ao falar agora
não serei breve no sentimento
- de início já vou dizendo -
como é belo e glamouroso este momento !
Pois por abundância de emoções sublimes
atraio um mundo inteiro de visões
e no meio do turbilhão destas atrações
o amor uni-versos e corações.
Que seja terna enquanto dura sua existência.
Que lá do fundo brote o fruto da sua potência.
E por acaso existe erro aqui em alguém ?
Hoje é um dia pra vida suntuoso
dois corpos unidos no mundo é virtuoso
e nada há mais certo pra mim ou pra ninguém !
Na arena solar das sensações
encontram a felicidade entre clarões
os que fazem o futuro além nações.
E muito antes de conhecer o seu lar
de um sonho pouco antes de acordar
você já conhecia o seu par.
Estas palavras pra ele e pra ela
até mesmo numa hora paralela
durante o dia, à noite ou no inverno
serão as cores de um verão eterno.
não serei breve no sentimento
- de início já vou dizendo -
como é belo e glamouroso este momento !
Pois por abundância de emoções sublimes
atraio um mundo inteiro de visões
e no meio do turbilhão destas atrações
o amor uni-versos e corações.
Que seja terna enquanto dura sua existência.
Que lá do fundo brote o fruto da sua potência.
E por acaso existe erro aqui em alguém ?
Hoje é um dia pra vida suntuoso
dois corpos unidos no mundo é virtuoso
e nada há mais certo pra mim ou pra ninguém !
Na arena solar das sensações
encontram a felicidade entre clarões
os que fazem o futuro além nações.
E muito antes de conhecer o seu lar
de um sonho pouco antes de acordar
você já conhecia o seu par.
Estas palavras pra ele e pra ela
até mesmo numa hora paralela
durante o dia, à noite ou no inverno
serão as cores de um verão eterno.
713
Oldegar Vieira
Gravuras no Vento
Gravura no vento.
Pois é desacontecido
o acontecimento.
Em êxtase, vê-las...
Uma a uma, todo o céu
porejando estrelas.
Pendentes de um fio,
gotas de chuva — ou de sol —
sob o sol do estio.
Dentro do aranhol,
de repente, frente a frente,
uma aranha e o sol.
Animal nasceu.
Desanimalmente, agora,
vive... num museu.
Tarde longa e quente.
Tange longe uma araponga
seu grito fremente.
Compensar sua ausência
— evidente, este evidência! —
só sua alegria.
À pista vermelha
de uma flor, vem uma rima
e aflorissa: abelha.
Incrível talento,
o desse escultor das nuvens
— genial! —, o vento.
Ploc! Uma rã pula
no silêncio da lagoa,
e o silêncio ondula.
Não metal de sinos.
Vil-metal agora é a rima
que canta o Natal.
Nos cinzeiros jazem
— antecipantes — as cinzas
mortais dos fumantes.
Seu corpo enriquece
a terra. E a saudade
é a flor que floresce.
Ela — uma andorinha —
vendo as outras que não estavam
— nem uma — sozinha.
Claro desafio:
sete cores luminosas
ante um céu sombrio.
Fantasmagoria:
uma borboleta preta
em noite vazia.
Interrogativo
à beira de um charco, um velho
coqueiro — pendido.
Lenta, lentamente,
um caleidoscópio gira.
Gira-sol poente.
Oca, ressequida,
na carcassa da cigarra,
em silêncio, a vida...
Cabelos ao vento,
soltos, como vão revoltos
— ah — seus pensamentos.
Doze, compassadas,
tangendo o silêncio e o tempo,
doze badaladas...
Fina e clara, a chuva,
qual a janela que tem
mais bela cortina?
Nuvens e mais nuvens
a passar, bem que me deite.
Foi-se o ... meu luar.
Uma flor no mato
solitária, rubra, sangue
no verde compacto.
Não tem sul nem norte,
nem oeste ou leste — é céu.
Céu somente azul.
Voltevolteiando
no cristal do tanque, as carpas
silenciosonhando...
Sol da madrugada.
Vai surgindo: dentro de uma
teia iluminada!
Uma borboleta.
Nada mais, nem leve aragem.
E a rosa é desfeita.
Flor em que não vai
a libélula pousar.
Na espuma do mar.
Por acaso a sua
caminhada é a mesma, ou ela
o acompanha, a lua?
Ramagens crestadas
reflorindo: borboletas
nas cinzas, pousadas.
Voz da cachoeira,
ao viço da mata vai
líquida poeira.
Reflita: no espelho,
aquele que o imita,
quem será? Você?
Lembradas jamais,
as flores do morto vão
mortas, muito mais.
Tem cativo, o canto,
mas o muda borboleta
é livre, no entanto.
Noite a dentro, um cão
late, insone, a quem nem late,
seu insone irmão.
Ah, esse berreiro
das cigarras no austero
parque do mosteiro...
Num céu claro e puro,
um corvo paira sereno
— feio, torvo, escuro.
Cai a neve, e penso
no quanto se deve ser
puro como a neve.
Que fazer com as mãos,
não mais — não — senão guardar
seu fugaz perfume?
Ouracorrentado.
Entre seios femininos,
recrucificado.
Espana a poeira
de luz das estrelas, ou
— no vento — é palmeira?
Mudos edifícios
permutando, permutando
surdos malefícios.
Fuçando em monturos,
anjos andrajosos de
presépios escuros.
Chuva de verão,
chuva de flores na chuva.
Reflorindo, o chão.
Os bois, pacientes.
Mas as rodas, por que vão
gemendo, gementes?
Brancos, a igreja
e o casario entre verdes,
escorrendo ao rio.
Na rua quieta,
a flauta de um vagabundo
— músicopoeta.
Nas mãos de uma negra
— noite-escrava —, uma urupemba
peneirando estrelas.
É flor esquecida,
esta que resta no mármore,
lembrando outra vida?
Um fruto maduro,
pendente, precisamente
na linha do muro.
Trapos do abandono
— do espantalho — vai levando
o vento do outono.
Sob o anil do céu
e ao sol — branco — um enxoval
num varal, ao vento...
Tê-las nas mãos quis,
pois jamais alguém falara
ao cego, de estrelas.
Junquilhos envergam.
Flores de neve pousando
nas hastes, de leve.
Na rua deserta
— desperdício — eis que ela passa
numa hora incerta.
Flor de velho amor,
expressiva? Só se for
— morta — a sempre-viva.
Serão. Ninguém fala.
Somente os trilos dos grilos
nos desvãos da sala.
Grávida ela passa,
e como vai cheia, cheia
de Vida e de Graça.
E o menino via:
afinal, esse "natal"...
não o merecia.
Não mais florescentes,
no lixo largadas, são
flores — defloradas.
Tatuagem móvel
no pavimento: a ramagem
ao luar e ao vento.
Que Deus o proteja
não pede. O que pede é pão
na porta da igreja.
Andorinhas: fusas
na pauta dos fios, ou...
ou semi-confusas?
Pétalas levava
— eram rosas — nas suas,
outras mãos, nervosas.
Sim, cantar mas sem
— como a cigarra — pensar
que a morte lhe vem.
Musicalizado
na folhagem, vai o vento,
músico em viagem.
Mudos nas estantes,
são pacíficos soldados?
Mudos mas prestantes.
Quase um rei deposto.
Não mais arde o sol da tarde.
No espelho, o seu rosto.
Auroralmagia!
O canto claro dos galos
clareando o dia.
Lâmina de luz
— a lagoa — estilhaçada
sob a chuvarada.
O mal da intriga
sofre o mundo mas, ao monge,
o silêncio abriga.
Somente a ilumina
— à imponente nave em sombras —
uma lamparina.
Brutos lenhadores
mas bastante foi que vissem
um ninho entre flores.
Túmida e sangrenta,
da escura folhagem surge
lenta, lenta, a lua.
Lavando e cantando,
o riacho e as lavadeiras,
cantando e lavando.
Quebrado o relógio,
fez-se eternidade o tempo
desmecanizado.
Por entre os telhados,
mamoeiras, bananeiras
— bem domesticados.
Numa folha escrevo
todo um poema: seu nome.
Na folha de um trevo.
Na concha rosada
de uma pétala, uma pérola
de orvalho, engastada.
Bagunça, arruaça,
nenhuma... a não ser dos pombos,
os donos da praça.
Sombra do seu corpo
diz que sou, mas foge e faz
sombra em minha vida.
Seixo — ao léu rolado,
rolarrolando... exilado
peso-de-papel.
Causa de desgosto,
a mensagem vai no rosto
como tatuagem.
Na ramada nua
pousado, um corvo, calado,
vê nascendo a lua.
Na clara do céu
flutua — lua de fogo —
a gema do sol.
Acaso... um acaso?
Ou proposital derrame
de tintas no ocaso?
Difuso e em surdina,
o rumor de uma cascata
dentro de uma neblina.
Pétalas caídas
ou borboletas dormidas
que o vento desperta?
Não lhe serve a prosa.
Só em linguagem poética
diga o nome "rosa".
Pois é desacontecido
o acontecimento.
Em êxtase, vê-las...
Uma a uma, todo o céu
porejando estrelas.
Pendentes de um fio,
gotas de chuva — ou de sol —
sob o sol do estio.
Dentro do aranhol,
de repente, frente a frente,
uma aranha e o sol.
Animal nasceu.
Desanimalmente, agora,
vive... num museu.
Tarde longa e quente.
Tange longe uma araponga
seu grito fremente.
Compensar sua ausência
— evidente, este evidência! —
só sua alegria.
À pista vermelha
de uma flor, vem uma rima
e aflorissa: abelha.
Incrível talento,
o desse escultor das nuvens
— genial! —, o vento.
Ploc! Uma rã pula
no silêncio da lagoa,
e o silêncio ondula.
Não metal de sinos.
Vil-metal agora é a rima
que canta o Natal.
Nos cinzeiros jazem
— antecipantes — as cinzas
mortais dos fumantes.
Seu corpo enriquece
a terra. E a saudade
é a flor que floresce.
Ela — uma andorinha —
vendo as outras que não estavam
— nem uma — sozinha.
Claro desafio:
sete cores luminosas
ante um céu sombrio.
Fantasmagoria:
uma borboleta preta
em noite vazia.
Interrogativo
à beira de um charco, um velho
coqueiro — pendido.
Lenta, lentamente,
um caleidoscópio gira.
Gira-sol poente.
Oca, ressequida,
na carcassa da cigarra,
em silêncio, a vida...
Cabelos ao vento,
soltos, como vão revoltos
— ah — seus pensamentos.
Doze, compassadas,
tangendo o silêncio e o tempo,
doze badaladas...
Fina e clara, a chuva,
qual a janela que tem
mais bela cortina?
Nuvens e mais nuvens
a passar, bem que me deite.
Foi-se o ... meu luar.
Uma flor no mato
solitária, rubra, sangue
no verde compacto.
Não tem sul nem norte,
nem oeste ou leste — é céu.
Céu somente azul.
Voltevolteiando
no cristal do tanque, as carpas
silenciosonhando...
Sol da madrugada.
Vai surgindo: dentro de uma
teia iluminada!
Uma borboleta.
Nada mais, nem leve aragem.
E a rosa é desfeita.
Flor em que não vai
a libélula pousar.
Na espuma do mar.
Por acaso a sua
caminhada é a mesma, ou ela
o acompanha, a lua?
Ramagens crestadas
reflorindo: borboletas
nas cinzas, pousadas.
Voz da cachoeira,
ao viço da mata vai
líquida poeira.
Reflita: no espelho,
aquele que o imita,
quem será? Você?
Lembradas jamais,
as flores do morto vão
mortas, muito mais.
Tem cativo, o canto,
mas o muda borboleta
é livre, no entanto.
Noite a dentro, um cão
late, insone, a quem nem late,
seu insone irmão.
Ah, esse berreiro
das cigarras no austero
parque do mosteiro...
Num céu claro e puro,
um corvo paira sereno
— feio, torvo, escuro.
Cai a neve, e penso
no quanto se deve ser
puro como a neve.
Que fazer com as mãos,
não mais — não — senão guardar
seu fugaz perfume?
Ouracorrentado.
Entre seios femininos,
recrucificado.
Espana a poeira
de luz das estrelas, ou
— no vento — é palmeira?
Mudos edifícios
permutando, permutando
surdos malefícios.
Fuçando em monturos,
anjos andrajosos de
presépios escuros.
Chuva de verão,
chuva de flores na chuva.
Reflorindo, o chão.
Os bois, pacientes.
Mas as rodas, por que vão
gemendo, gementes?
Brancos, a igreja
e o casario entre verdes,
escorrendo ao rio.
Na rua quieta,
a flauta de um vagabundo
— músicopoeta.
Nas mãos de uma negra
— noite-escrava —, uma urupemba
peneirando estrelas.
É flor esquecida,
esta que resta no mármore,
lembrando outra vida?
Um fruto maduro,
pendente, precisamente
na linha do muro.
Trapos do abandono
— do espantalho — vai levando
o vento do outono.
Sob o anil do céu
e ao sol — branco — um enxoval
num varal, ao vento...
Tê-las nas mãos quis,
pois jamais alguém falara
ao cego, de estrelas.
Junquilhos envergam.
Flores de neve pousando
nas hastes, de leve.
Na rua deserta
— desperdício — eis que ela passa
numa hora incerta.
Flor de velho amor,
expressiva? Só se for
— morta — a sempre-viva.
Serão. Ninguém fala.
Somente os trilos dos grilos
nos desvãos da sala.
Grávida ela passa,
e como vai cheia, cheia
de Vida e de Graça.
E o menino via:
afinal, esse "natal"...
não o merecia.
Não mais florescentes,
no lixo largadas, são
flores — defloradas.
Tatuagem móvel
no pavimento: a ramagem
ao luar e ao vento.
Que Deus o proteja
não pede. O que pede é pão
na porta da igreja.
Andorinhas: fusas
na pauta dos fios, ou...
ou semi-confusas?
Pétalas levava
— eram rosas — nas suas,
outras mãos, nervosas.
Sim, cantar mas sem
— como a cigarra — pensar
que a morte lhe vem.
Musicalizado
na folhagem, vai o vento,
músico em viagem.
Mudos nas estantes,
são pacíficos soldados?
Mudos mas prestantes.
Quase um rei deposto.
Não mais arde o sol da tarde.
No espelho, o seu rosto.
Auroralmagia!
O canto claro dos galos
clareando o dia.
Lâmina de luz
— a lagoa — estilhaçada
sob a chuvarada.
O mal da intriga
sofre o mundo mas, ao monge,
o silêncio abriga.
Somente a ilumina
— à imponente nave em sombras —
uma lamparina.
Brutos lenhadores
mas bastante foi que vissem
um ninho entre flores.
Túmida e sangrenta,
da escura folhagem surge
lenta, lenta, a lua.
Lavando e cantando,
o riacho e as lavadeiras,
cantando e lavando.
Quebrado o relógio,
fez-se eternidade o tempo
desmecanizado.
Por entre os telhados,
mamoeiras, bananeiras
— bem domesticados.
Numa folha escrevo
todo um poema: seu nome.
Na folha de um trevo.
Na concha rosada
de uma pétala, uma pérola
de orvalho, engastada.
Bagunça, arruaça,
nenhuma... a não ser dos pombos,
os donos da praça.
Sombra do seu corpo
diz que sou, mas foge e faz
sombra em minha vida.
Seixo — ao léu rolado,
rolarrolando... exilado
peso-de-papel.
Causa de desgosto,
a mensagem vai no rosto
como tatuagem.
Na ramada nua
pousado, um corvo, calado,
vê nascendo a lua.
Na clara do céu
flutua — lua de fogo —
a gema do sol.
Acaso... um acaso?
Ou proposital derrame
de tintas no ocaso?
Difuso e em surdina,
o rumor de uma cascata
dentro de uma neblina.
Pétalas caídas
ou borboletas dormidas
que o vento desperta?
Não lhe serve a prosa.
Só em linguagem poética
diga o nome "rosa".
1 206
Olinda Marques de Azevedo
Primavera
Profusão de flores
desfile de primavera.
Também passa um féretro.
desfile de primavera.
Também passa um féretro.
880
Nelson Norberto Rodrigues
Haicai
Na lagoa azul
à sombra de uma palmeira
brincam alvos gansos
Nas folhas caídas
de uma palmeira real
foi-se a primavera
à sombra de uma palmeira
brincam alvos gansos
Nas folhas caídas
de uma palmeira real
foi-se a primavera
966
Myriam Fraga
Calendário
Janeiro
Verão
E esta cidade como um sáurio,
Como um réptil,
Emergindo das águas
Verão...
E esta cidade
Como um pássaro
Renascendo das brasas
Verão...
E esta cidade como um signo,
Astrolábio ou mandala,
Esta cidade
Como um dado
Atirado ao acaso
De males nunca dantes
Confessados.
Verão
E esta cidade como um sáurio,
Como um réptil,
Emergindo das águas
Verão...
E esta cidade
Como um pássaro
Renascendo das brasas
Verão...
E esta cidade como um signo,
Astrolábio ou mandala,
Esta cidade
Como um dado
Atirado ao acaso
De males nunca dantes
Confessados.
1 218
Matheus Tonello
Eclipse Solar
Foi num dia límpido de verão
Que tudo chegou ao seu fim
Tendo o Sol como testemunha
Você disse: -Eu não te quero pra mim!
Neste dia, as pombas não voaram para o sul
O vento parou de soprar ao norte
O dia perdeu todo seu encanto
Para mim, só restou a morte.
O Sol neste dia se escondeu por completo
E logo cessou de brilhar
Se escondeu por trás da formosa Lua
E em prantos, pôs-se inteiramente a chorar!
Que tudo chegou ao seu fim
Tendo o Sol como testemunha
Você disse: -Eu não te quero pra mim!
Neste dia, as pombas não voaram para o sul
O vento parou de soprar ao norte
O dia perdeu todo seu encanto
Para mim, só restou a morte.
O Sol neste dia se escondeu por completo
E logo cessou de brilhar
Se escondeu por trás da formosa Lua
E em prantos, pôs-se inteiramente a chorar!
1 313
Mário Simões
Lucy
Minha primavera de novo se enroupou,
Seguiu alegre em busca doutro destino...
O clarão amor, (fraco ou forte) é luz que sou;
Não troco a minha sorte por ser menino...
O teu doce lenitivo me adormece,
Embriagado no teu desejo fervente...
A aurora que o teu amanhecer me deu,
É a natureza livre do teu corpo quente...
Às vezes choro a flor da felicidade,
Este amor que me incendiou contigo...
Eu me deito no teu berço de mocidade,
Sob paixão que é meu abrigo...
Nossos corações ecoam o mesmo destino,
Ao ribombar do compasso imenso;
Lembrando o seu segredo de menino,
Dão largos voos com agitado tempo...
(In 9º. livro, Culpas Mortais)
Seguiu alegre em busca doutro destino...
O clarão amor, (fraco ou forte) é luz que sou;
Não troco a minha sorte por ser menino...
O teu doce lenitivo me adormece,
Embriagado no teu desejo fervente...
A aurora que o teu amanhecer me deu,
É a natureza livre do teu corpo quente...
Às vezes choro a flor da felicidade,
Este amor que me incendiou contigo...
Eu me deito no teu berço de mocidade,
Sob paixão que é meu abrigo...
Nossos corações ecoam o mesmo destino,
Ao ribombar do compasso imenso;
Lembrando o seu segredo de menino,
Dão largos voos com agitado tempo...
(In 9º. livro, Culpas Mortais)
982
Miguel Russowsky
Noturno nº 2
Anseios de verão... Noite clara, sem bruma.
A lua argêntea adorna uma paisagem maga.
A flor perfuma... A lua brilha... O vento vaga
como doce carícia angelical de pluma.
As nuvens pelo céu — enfermeiras de espuma —
se prpõe a curar qualquer dorida chaga.
No silêncio dormita um repouso de saga.
A lua brilha... O vento vaga... A flor perfuma...
Uma fada de azul — fugitiva de lenda —
escreve em cada rosa uma nova armadilha.
Cupido ergue na sombra o seu punhal de renda.
Com preguiça o relógio esquece e compartilha...
Diana vai marcando um nome em cada agenda:
A flor perfuma... O vento vaga... A lua brilha...
A lua argêntea adorna uma paisagem maga.
A flor perfuma... A lua brilha... O vento vaga
como doce carícia angelical de pluma.
As nuvens pelo céu — enfermeiras de espuma —
se prpõe a curar qualquer dorida chaga.
No silêncio dormita um repouso de saga.
A lua brilha... O vento vaga... A flor perfuma...
Uma fada de azul — fugitiva de lenda —
escreve em cada rosa uma nova armadilha.
Cupido ergue na sombra o seu punhal de renda.
Com preguiça o relógio esquece e compartilha...
Diana vai marcando um nome em cada agenda:
A flor perfuma... O vento vaga... A lua brilha...
1 099
Mário Pederneiras
Trecho Final
Meia tinta de cor dos ocasos do Outono
Sonho que uma ilusão sobre a vida nos tece
E perfume sutil de uma folha de trevo,
São, decerto, a feição deste livro que escrevo
Neste ambiente de silêncio e sono
Nesta indolência de quem convalesce.
Meu livro é um jardim na doçura do Outono
E que a sombra amacia
De carinho e de afago
Da luz serena do final do dia;
É um velho jardim dolente e triste
Com um velho local de silêncio e de sono
Já sem luz de verão que o doire e tisne,
Mas onde ainda existe
O orgulho de um Cisne
E a água triste de um Lago.
Sonho que uma ilusão sobre a vida nos tece
E perfume sutil de uma folha de trevo,
São, decerto, a feição deste livro que escrevo
Neste ambiente de silêncio e sono
Nesta indolência de quem convalesce.
Meu livro é um jardim na doçura do Outono
E que a sombra amacia
De carinho e de afago
Da luz serena do final do dia;
É um velho jardim dolente e triste
Com um velho local de silêncio e de sono
Já sem luz de verão que o doire e tisne,
Mas onde ainda existe
O orgulho de um Cisne
E a água triste de um Lago.
1 458
Sonia Mori
Verão
Manhã de sol.
Gaivotas mariscam n’areia
coqueiros farfalham.
Rosto do bebê
pontuado de vermelho
cruel pernilongo!
Verão, mas já vejo
o inverno nas vitrinas
É o natal chegando...
Gaivotas mariscam n’areia
coqueiros farfalham.
Rosto do bebê
pontuado de vermelho
cruel pernilongo!
Verão, mas já vejo
o inverno nas vitrinas
É o natal chegando...
862
Carlos Anísio Melhor
Soneto
Fica-te aí parada na memória.
Reveste com o outono a luz da Face
ou sempre adormecida que a vitória
do amor é conservar consigo a Face.
E assim vencer o tempo na memória
e atingir o eterno do traspasse
fatal, trazendo adiante na memória
a visão emblemática da Face.
Na ilha de agosto faze tua morada,
e em setembro haverás ressuscitada,
Se trouxeres adiante na memória
que nunca apareceste na jornada,
houveras sido, existirás amada
se ficares presente na memória.
Reveste com o outono a luz da Face
ou sempre adormecida que a vitória
do amor é conservar consigo a Face.
E assim vencer o tempo na memória
e atingir o eterno do traspasse
fatal, trazendo adiante na memória
a visão emblemática da Face.
Na ilha de agosto faze tua morada,
e em setembro haverás ressuscitada,
Se trouxeres adiante na memória
que nunca apareceste na jornada,
houveras sido, existirás amada
se ficares presente na memória.
1 030