Poemas neste tema
Medo e Ansiedade
Renata Trocoli
Teu Amor
Teu Amor
Como uma luz aquecida e suave
Senti teu amor chegando para me presentear.
Teus olhos transmitem carinho.
Tua boca me fala de mansinho
tudo que eu sempre quis escutar.
Tuas mãos me tocam com ternura,
meu rosto, meus cabelos, minhas mãos.
Teu doce beijo acaricia meus lábios
com teus olhos fixos aos meus.
Esse amor é novo e puro.
Chegou devagar, me conquistou com ternura.
Tu me envolves com teus abraços
apertados e amorosos.
E me enche de medo de perder-te ainda mais uma vez.
Perder teus carinhos,
teus olhares,
tua boca,
tuas palavras
e teu amor ...
Amor este que me renova a alma,
e me dá esperanças de viver alegre
e sonhando sempre com tua doce presença.
A vida nem sempre atende nossos pedidos
de amor e felicidade.
Mas peço com todo coração que ela me abençoe
com tua presença a meu lado sempre.
Me dando carinho e um amor tão puro
e doce que sentimentos juntos dentro de nossos corações.
Este amor vem de longe,
vem do alto e é benção dos céus.
É perfeito e verdadeiro,
é sentimento que não se sente por qualquer um,
que não brinca com o coração
mas que envolve a alma e o corpo
como brisa suave e morna que sopra do mar.
Como uma luz aquecida e suave
Senti teu amor chegando para me presentear.
Teus olhos transmitem carinho.
Tua boca me fala de mansinho
tudo que eu sempre quis escutar.
Tuas mãos me tocam com ternura,
meu rosto, meus cabelos, minhas mãos.
Teu doce beijo acaricia meus lábios
com teus olhos fixos aos meus.
Esse amor é novo e puro.
Chegou devagar, me conquistou com ternura.
Tu me envolves com teus abraços
apertados e amorosos.
E me enche de medo de perder-te ainda mais uma vez.
Perder teus carinhos,
teus olhares,
tua boca,
tuas palavras
e teu amor ...
Amor este que me renova a alma,
e me dá esperanças de viver alegre
e sonhando sempre com tua doce presença.
A vida nem sempre atende nossos pedidos
de amor e felicidade.
Mas peço com todo coração que ela me abençoe
com tua presença a meu lado sempre.
Me dando carinho e um amor tão puro
e doce que sentimentos juntos dentro de nossos corações.
Este amor vem de longe,
vem do alto e é benção dos céus.
É perfeito e verdadeiro,
é sentimento que não se sente por qualquer um,
que não brinca com o coração
mas que envolve a alma e o corpo
como brisa suave e morna que sopra do mar.
949
Ricardo Madeira
Sempre
Falta de ar,
Perda de visão:
Sintomas da morte,
Arautos da Escuridão.
Sinos que tocam,
Prisioneiro de um caixão,
Mas... Então?!...
Porque ainda bate o meu coração?
And it kept pulsing beneath the Earth,
A crimson jewel underneath six feet of dirt,
Forever waiting an impossible rebirth...
Perda de visão:
Sintomas da morte,
Arautos da Escuridão.
Sinos que tocam,
Prisioneiro de um caixão,
Mas... Então?!...
Porque ainda bate o meu coração?
And it kept pulsing beneath the Earth,
A crimson jewel underneath six feet of dirt,
Forever waiting an impossible rebirth...
930
Rosani Abou Adal
Mistérios da Intimidade
Nossa intimidade é tão secreta
quanto as confidências de um soberano.
Nosso amor, cinto de castidade,
ninguém descobre nossas mãos proibidas.
Comemos maçãs e semeamos segredos
distantes do mundo e da vida.
Fugimos das pessoas como crianças carentes
em busca de carinho e afeto.
Ninguém nos percebe cercados de quatro paredes,
ninguém desvenda nossos mistérios.
Somos Édipo e Jocasta da era tecnológica.
Num pequeno vaso grego lapidamos
nossos sonhos, fantasias, medos,
verdades, mentiras,
fragilidades e sentimentos.
Vivemos o medo de ser descobertos
como meninos que roubam frutas
dos quintais e correm dos cachorros bravos.
Não sabemos quem somos,
não sei quem tu és.
Meu presente e meu passado?
Do futuro nada sei.
Quem és tu que me fazes fugir de mim mesma?
quanto as confidências de um soberano.
Nosso amor, cinto de castidade,
ninguém descobre nossas mãos proibidas.
Comemos maçãs e semeamos segredos
distantes do mundo e da vida.
Fugimos das pessoas como crianças carentes
em busca de carinho e afeto.
Ninguém nos percebe cercados de quatro paredes,
ninguém desvenda nossos mistérios.
Somos Édipo e Jocasta da era tecnológica.
Num pequeno vaso grego lapidamos
nossos sonhos, fantasias, medos,
verdades, mentiras,
fragilidades e sentimentos.
Vivemos o medo de ser descobertos
como meninos que roubam frutas
dos quintais e correm dos cachorros bravos.
Não sabemos quem somos,
não sei quem tu és.
Meu presente e meu passado?
Do futuro nada sei.
Quem és tu que me fazes fugir de mim mesma?
687
Pereira da Silva
Impressão
Era tal meu desgosto nesse dia
Que o próprio coração desfalecia...
E então vi vindo a Morte a passo lento,
Vago, sutil, quase sem movimento.
Era uma virgem de cabelo louro
E manto azul, cheio de estrelas de ouro
E claridade fria e compungente
Como a luz do crepúsculo do Poente.
Vi-a chegar de olhar alheio a tudo,
Mas imóvel no meu, lívido e mudo.
E ou porque se enganasse no lugar
Ou me quisesse apenas avisar
Que a Vida é como um gozo de entremez,
Sorriu-se do meu susto e se desfez...
Que o próprio coração desfalecia...
E então vi vindo a Morte a passo lento,
Vago, sutil, quase sem movimento.
Era uma virgem de cabelo louro
E manto azul, cheio de estrelas de ouro
E claridade fria e compungente
Como a luz do crepúsculo do Poente.
Vi-a chegar de olhar alheio a tudo,
Mas imóvel no meu, lívido e mudo.
E ou porque se enganasse no lugar
Ou me quisesse apenas avisar
Que a Vida é como um gozo de entremez,
Sorriu-se do meu susto e se desfez...
809
Pedro Henrique Saraiva Leão
Não Tenho Medo de Câncer
Não tenho medo de Câncer
temo que canses de mim;
não temo ficar mudo
mas que não fales em mim
temo, que não me vejas
não que me vazem os olhos;
ser decapitado não temo
temo que não penses em mim;
não temo ficar surdo
e sim que não me ouças;
não temo o ventre da baleia
nem a cama do faquir, as brumas do passado
ou aquelas do porvir;
não temo a febre amarela,
mas não amar-me um dia
friamente, com calor
ou o marfim do teu dente, temo;
não temo as estatísticas
os riscos que corremos:
temo que não celebremos o erro certo
o incerto acerto que tecemos,
que como estátuas fiquemos
para abraços braços não tenhamos
para beijos bocas não mostremos
que não nos pertençam os sonhos que sonhamos.
temo que canses de mim;
não temo ficar mudo
mas que não fales em mim
temo, que não me vejas
não que me vazem os olhos;
ser decapitado não temo
temo que não penses em mim;
não temo ficar surdo
e sim que não me ouças;
não temo o ventre da baleia
nem a cama do faquir, as brumas do passado
ou aquelas do porvir;
não temo a febre amarela,
mas não amar-me um dia
friamente, com calor
ou o marfim do teu dente, temo;
não temo as estatísticas
os riscos que corremos:
temo que não celebremos o erro certo
o incerto acerto que tecemos,
que como estátuas fiquemos
para abraços braços não tenhamos
para beijos bocas não mostremos
que não nos pertençam os sonhos que sonhamos.
1 065
Nelson Nunes
Aos que Se Foram
Não sei dos homens que ficaram
E guardam seus segredos
No fundo dos olhos banhados de medo
a ruminar a verde folhagem da esperança
a embalar a coragem que ainda não nasceu.
Sei dos homens que se foram
E se perderam
Com seu medo
Desejos e sonhos secretos.
Desconheço todos os homens de fé
E todas as formas de felicidade
Que espalham-se em inumeráveis cartazes
a sujar com seu estrume todas as faces da cidade
a subjugar os miseráveis com sua faca de dois gumes.
Não sei dos homens que ficaram
A tramar o futuro.
Sei dos homens que se rebelaram
E voaram ara desencontrá-lo.
E guardam seus segredos
No fundo dos olhos banhados de medo
a ruminar a verde folhagem da esperança
a embalar a coragem que ainda não nasceu.
Sei dos homens que se foram
E se perderam
Com seu medo
Desejos e sonhos secretos.
Desconheço todos os homens de fé
E todas as formas de felicidade
Que espalham-se em inumeráveis cartazes
a sujar com seu estrume todas as faces da cidade
a subjugar os miseráveis com sua faca de dois gumes.
Não sei dos homens que ficaram
A tramar o futuro.
Sei dos homens que se rebelaram
E voaram ara desencontrá-lo.
798
Nielson Ricardo de Alencar Ferreira
Sonhos de Vida
Sonhos de Vida
Quando em ti penso..
A imagem de um ser minha mente vem atormentar..
Pergunto para o anjo que aqui esta..
Quem será??
Quem será??
Um ser perfeito minha fronte vem ofuscar..
Não consigo nem imaginar..
Quem será??
Quem será??
Depois de teus olhos fitar..
Consigo agora me deslumbrar..
Agora a resposta tenho para dar..
E o Ser mais perfeito que em meu sonho veio sonhar.
Deus!! Deus!! Ajudai pai aos que querem sonhar..
Este sonho lindo que a mim veio buscar..
Medo não tenho de sonhar..
Pois em sonho vivo..
Com medo de me enfrentar.
Olhai para mim sonho meu..
E me respondas com um simples olhar..
Queres comigo sonhar?
Lagrimas!! Lagrimas de meu sonho venho arrancar..
Porque choras perfeito sonho que aqui esta?..
E com os próprios olhos que minha alma reflete me responde..
Em algo e claro brado da vida..
Tenho medo!!! Tenho medo de contigo sonhar.
Um minuto de silêncio veio a me calar..
Somente uma pergunta há dentro de mim a perguntar..
Porque os sonhos a mim não querem sonhar?
Derrepente uma lágrima de vida comecei a derramar..
Sonhos não posso ter;
Pois sonhos não tenho para sonhar.
Quando em ti penso..
A imagem de um ser minha mente vem atormentar..
Pergunto para o anjo que aqui esta..
Quem será??
Quem será??
Um ser perfeito minha fronte vem ofuscar..
Não consigo nem imaginar..
Quem será??
Quem será??
Depois de teus olhos fitar..
Consigo agora me deslumbrar..
Agora a resposta tenho para dar..
E o Ser mais perfeito que em meu sonho veio sonhar.
Deus!! Deus!! Ajudai pai aos que querem sonhar..
Este sonho lindo que a mim veio buscar..
Medo não tenho de sonhar..
Pois em sonho vivo..
Com medo de me enfrentar.
Olhai para mim sonho meu..
E me respondas com um simples olhar..
Queres comigo sonhar?
Lagrimas!! Lagrimas de meu sonho venho arrancar..
Porque choras perfeito sonho que aqui esta?..
E com os próprios olhos que minha alma reflete me responde..
Em algo e claro brado da vida..
Tenho medo!!! Tenho medo de contigo sonhar.
Um minuto de silêncio veio a me calar..
Somente uma pergunta há dentro de mim a perguntar..
Porque os sonhos a mim não querem sonhar?
Derrepente uma lágrima de vida comecei a derramar..
Sonhos não posso ter;
Pois sonhos não tenho para sonhar.
849
Marcelo Mello Valença
Angústia, aprendi desde cedo
Angústia, aprendi desde cedo
a conviver com ela ao meu lado.
É o conviver com meu medo...
Pesadelo que vivo acordado
Angústia? É o esperar pelo amanhã,
futuro incerto, destino sonhado
É o agarrar-se a esperança vã
e ver a vida correr qual seixo rolado...
a conviver com ela ao meu lado.
É o conviver com meu medo...
Pesadelo que vivo acordado
Angústia? É o esperar pelo amanhã,
futuro incerto, destino sonhado
É o agarrar-se a esperança vã
e ver a vida correr qual seixo rolado...
924
Mônica Banderas
Medo
Enquanto esperamos
o nascer do dia,
acendemos fogueiras
para espantar fantasmas.
o nascer do dia,
acendemos fogueiras
para espantar fantasmas.
882
Marly de Oliveira
Eu tão prepositiva, desfaleço
Eu, tão prepositiva, desfaleço,
na contorção do que se me propõe:
o mundo não se esquiva à inquisição,
o medo não é bom amigo, o medo
indica a minha forma de não ver
a vã provocação.
Que estreito este caminho, que murado!
Tão pouco que eu ousasse e já seria
talvez o passo necessário
no sentido de ter ou de abster-me,
mas sempre um passo, um movimento,
a voz, um surdo grito, sussurrando
o enleio que o amor conhece,
entretecendo com a hera que cobre o corpo
a matéria do meu espírito,
o seu sigilo, a disputa, os meus dispersos sentidos.
na contorção do que se me propõe:
o mundo não se esquiva à inquisição,
o medo não é bom amigo, o medo
indica a minha forma de não ver
a vã provocação.
Que estreito este caminho, que murado!
Tão pouco que eu ousasse e já seria
talvez o passo necessário
no sentido de ter ou de abster-me,
mas sempre um passo, um movimento,
a voz, um surdo grito, sussurrando
o enleio que o amor conhece,
entretecendo com a hera que cobre o corpo
a matéria do meu espírito,
o seu sigilo, a disputa, os meus dispersos sentidos.
1 184
Micheliny Verunschk
Segredo de Camarinha
Cora,
teu retrato amarelado de
moça
fala à minha dor.
Teu retrato-butterfly antigo
pousa,
pousa sobre
a rosa remendada
de minha dor.
Aquele rapaz, Cora,
que tinha o medo
(o medo que têm todos os homens)
e que não pressentiu a espera ancestral,
aquele rapaz, Cora,
o desencontrei também.
Ele vestia
o mesmo sorriso
e o mesmo cheiro bom de terra
e o mesmo medo
(ainda o medo)
o medo
ele vestia.
(O que há de se fazer,
Cora,
com um mal destes de amor ?)
Cora,
teu antigo retrato de moça
baila-bailarina
sobre a minha dor.
teu retrato amarelado de
moça
fala à minha dor.
Teu retrato-butterfly antigo
pousa,
pousa sobre
a rosa remendada
de minha dor.
Aquele rapaz, Cora,
que tinha o medo
(o medo que têm todos os homens)
e que não pressentiu a espera ancestral,
aquele rapaz, Cora,
o desencontrei também.
Ele vestia
o mesmo sorriso
e o mesmo cheiro bom de terra
e o mesmo medo
(ainda o medo)
o medo
ele vestia.
(O que há de se fazer,
Cora,
com um mal destes de amor ?)
Cora,
teu antigo retrato de moça
baila-bailarina
sobre a minha dor.
1 291
Manoel Carlos de Almeida
Soneto
Demoro-me na escassa infância
em buscamentos de poesia
Que um severo milagre se proponha
e se abasteça a noite de seu dia.
Guardar-me não será melhor que unir-me
à memória dos olhos e do ouvido.
Existe a solidão de um tempo atado
ao que ouvi sem ter sentido.
Sem proeza ofertei amor exíguo.
Não perguntei às formas exauridas
onde encontrar estojo para o verso.
Conquisto para mim palavras minhas
em que o medo engendrou um grave espanto:
fonte de hermética paisagem.
em buscamentos de poesia
Que um severo milagre se proponha
e se abasteça a noite de seu dia.
Guardar-me não será melhor que unir-me
à memória dos olhos e do ouvido.
Existe a solidão de um tempo atado
ao que ouvi sem ter sentido.
Sem proeza ofertei amor exíguo.
Não perguntei às formas exauridas
onde encontrar estojo para o verso.
Conquisto para mim palavras minhas
em que o medo engendrou um grave espanto:
fonte de hermética paisagem.
458
Marcos A. P. Ribeiro
Splen da Tecnologia
Presença apenas pressentida.
Ainda invisível.
A seguir, o odor - o enxofre
que antecede o demônio.
O detetor de movimentos registra avanço de todas as
direções: 40, 30, 20 metros...
A materialização: monstros sob forma de louva-a-deus,
verde-negros, úmidos; verdadeiros apanágios.
Em círculos, mas não atacam.
Transformam-se sem estátuas. Você também.
Se olharão eternamente nos olhos.
Ainda invisível.
A seguir, o odor - o enxofre
que antecede o demônio.
O detetor de movimentos registra avanço de todas as
direções: 40, 30, 20 metros...
A materialização: monstros sob forma de louva-a-deus,
verde-negros, úmidos; verdadeiros apanágios.
Em círculos, mas não atacam.
Transformam-se sem estátuas. Você também.
Se olharão eternamente nos olhos.
988
Marco Antônio de Souza
Radiografia
Em mim a alegria é fugaz
e no limiar dos bons momentos
eu já prevejo o fantasma de seu fim;
em mim o riso franco é fraco,
o peito aberto é incerto,
a angústia e o medo dão-se as mãos;
a esperança tem medo de entrar
pois chega, bate à porta
e eu a mando embora...
e no limiar dos bons momentos
eu já prevejo o fantasma de seu fim;
em mim o riso franco é fraco,
o peito aberto é incerto,
a angústia e o medo dão-se as mãos;
a esperança tem medo de entrar
pois chega, bate à porta
e eu a mando embora...
1 042
Mário Hélio
30-X-(Dos que vivem na sombra)
ontem suspeitei o cego em mim
andei errante por ruas e não encontrei luas
e me castiguei com medo de mim
ontem descobri o monstro hurrando em mim
quisera que meu corpo fosse vosso corpo
o sombrio vagalume por pousadas de mim.
ontem suspeitei o descoberto em mim
e pensei em andar pra sempre nutando
pra ver o rosto vasto que se esmaga em mim
vencido contrafeito morto
me agarrei ao quindavia de intato em mim
há muito eu constatei a insegurânsia em mim
o anjo rebelde que havia em mim
o estranho prisioneiro nas masmorras em mim
escrevi versos duros de dura ansiedade
mas não constatei verdade alguma
escrevi versos pálidos num suspiro
mas não encontrei nenhuma só lição
à tona tropeçando nos meus passos
penso que é angústia o sentimento vácuo
mas não sei ao certo se existe angústia.
quisera que meu bálsamo fosse o vosso beijo
tendes lábios enormes e eu não os vejo
mas no alto do rosto se incendeia
a mesma luz sombria que me guia.
as forças me forçam a fins que desconheço
mas suspeito que está no universo falido
ontem descobri o pouco que conheço
e me vi trancado pelo avesso
não sei se foi remorso o que passou por mim
ou foi vontade de fugir de mim.
ontem descobri o desespero em mim
verti meu sangue no vasto mundo
amorte doido feito busquei
rasguei papéis desfiz contratos
que com meu ego o tempo fez,
sonhei loucuras calei-me há tempo
meu sofrimento é tão imenso e tão presente
que nem notei
é lodo e mundo ida sem volta
amorte é sangue maldiçoado
corpo do livro pastirrasgado
amorte é medo nunca explicado
há sempre uma possibilidade de não me esconder,
e vocês sorririam se eu dissesse que a tristeza
é supérflua enquanto importa esta análise?
deixa nua a verdade do medo todos temos medo
talvez seja pela cereja que tenho no corpo
e ninguém a colheu.
nunca mais amorte amarei
nunca direi sim direi sempre talvez.
ontem suspeitei o inacabado em mim
orgasma prometida à minha estrela
à custa da revolta que houve sempre em mim
os conhecidos seres conformados como eu
inconformado que apesar da fraqueza
nunca olhei pro fim
às vezes penso que somos frutos das ondas dos instantes
que arrebatadas nos levam distante
mas é bastante pra da tal verdade ficar mais distante
ontem constatei o espectro em mim
com sua mão de fogo exorcizando a dor
mas sei e muito sei que não existem santos
apesar do ódio que sou eu amo tanto.
ontem cobri redescobri grotescos arabescos
ridículo estranho e iníquo eu era para mim.
há sempre uma possibilidade (mesmo que longínqua)
de esquecer a culpa e escapar de mim.
andei errante por ruas e não encontrei luas
e me castiguei com medo de mim
ontem descobri o monstro hurrando em mim
quisera que meu corpo fosse vosso corpo
o sombrio vagalume por pousadas de mim.
ontem suspeitei o descoberto em mim
e pensei em andar pra sempre nutando
pra ver o rosto vasto que se esmaga em mim
vencido contrafeito morto
me agarrei ao quindavia de intato em mim
há muito eu constatei a insegurânsia em mim
o anjo rebelde que havia em mim
o estranho prisioneiro nas masmorras em mim
escrevi versos duros de dura ansiedade
mas não constatei verdade alguma
escrevi versos pálidos num suspiro
mas não encontrei nenhuma só lição
à tona tropeçando nos meus passos
penso que é angústia o sentimento vácuo
mas não sei ao certo se existe angústia.
quisera que meu bálsamo fosse o vosso beijo
tendes lábios enormes e eu não os vejo
mas no alto do rosto se incendeia
a mesma luz sombria que me guia.
as forças me forçam a fins que desconheço
mas suspeito que está no universo falido
ontem descobri o pouco que conheço
e me vi trancado pelo avesso
não sei se foi remorso o que passou por mim
ou foi vontade de fugir de mim.
ontem descobri o desespero em mim
verti meu sangue no vasto mundo
amorte doido feito busquei
rasguei papéis desfiz contratos
que com meu ego o tempo fez,
sonhei loucuras calei-me há tempo
meu sofrimento é tão imenso e tão presente
que nem notei
é lodo e mundo ida sem volta
amorte é sangue maldiçoado
corpo do livro pastirrasgado
amorte é medo nunca explicado
há sempre uma possibilidade de não me esconder,
e vocês sorririam se eu dissesse que a tristeza
é supérflua enquanto importa esta análise?
deixa nua a verdade do medo todos temos medo
talvez seja pela cereja que tenho no corpo
e ninguém a colheu.
nunca mais amorte amarei
nunca direi sim direi sempre talvez.
ontem suspeitei o inacabado em mim
orgasma prometida à minha estrela
à custa da revolta que houve sempre em mim
os conhecidos seres conformados como eu
inconformado que apesar da fraqueza
nunca olhei pro fim
às vezes penso que somos frutos das ondas dos instantes
que arrebatadas nos levam distante
mas é bastante pra da tal verdade ficar mais distante
ontem constatei o espectro em mim
com sua mão de fogo exorcizando a dor
mas sei e muito sei que não existem santos
apesar do ódio que sou eu amo tanto.
ontem cobri redescobri grotescos arabescos
ridículo estranho e iníquo eu era para mim.
há sempre uma possibilidade (mesmo que longínqua)
de esquecer a culpa e escapar de mim.
869
Marcelo Almeida de Oliveira
Dom quixote I
Se demônios te atormentam,
em casa ou na rua,
quando sol ou quando lua,
olhe para qualquer lado e me veja,
espelho de carne;
escute os murmuros que o vento carrega e me ouça,
eco distante;
certeza que desta vez não é sua cabeça
que doente te prega peças;
esqueça a paranóia e perceba
que louco, você me é,
louco, você sou eu,
louco, você e eu.
Penso naquilo que você pensa, mas não fala;
temo aquilo que você teme, mas não demonstra;
sei das flores na sua cabeça, mas você não as mostra;
sei que sua vontade é gritar, então apenas o faça,
como tiro de fuzil,
alívio como nunca sentiu,
na língua, baioneta,
como lança, uma caneta;
espantando os demônios...
guerreiro, você sou eu,
guerreiro, você e eu.
em casa ou na rua,
quando sol ou quando lua,
olhe para qualquer lado e me veja,
espelho de carne;
escute os murmuros que o vento carrega e me ouça,
eco distante;
certeza que desta vez não é sua cabeça
que doente te prega peças;
esqueça a paranóia e perceba
que louco, você me é,
louco, você sou eu,
louco, você e eu.
Penso naquilo que você pensa, mas não fala;
temo aquilo que você teme, mas não demonstra;
sei das flores na sua cabeça, mas você não as mostra;
sei que sua vontade é gritar, então apenas o faça,
como tiro de fuzil,
alívio como nunca sentiu,
na língua, baioneta,
como lança, uma caneta;
espantando os demônios...
guerreiro, você sou eu,
guerreiro, você e eu.
917
Mário Hélio
35-V-(Esparsa)
desculpa meu edgar poe
mas talvez a tua dor
não tenha sensibilizado os nossos corações
meu caro edgar
mas ensinam muito
a quem tem mente e a quem não tem também
é pela sede de alguma coisa a mais
que buscamos refúgio no verso
só por isso
meu raro edgar
é para regar as nossas almas
para preencher velhos esparsos
somos os que pintam a morte
o medo de muitos
a dor de muitos
tamanhos
confusos horários
daqui à tua terra
à eternidade
até a eternidade
espero que não haja barreiras
desculpe meu claro edgar
mas esqueci que se eu errasse o caminho
só ouviria um longínquo pavoroso
silêncio
não despertem quem pensa
mas talvez a tua dor
não tenha sensibilizado os nossos corações
meu caro edgar
mas ensinam muito
a quem tem mente e a quem não tem também
é pela sede de alguma coisa a mais
que buscamos refúgio no verso
só por isso
meu raro edgar
é para regar as nossas almas
para preencher velhos esparsos
somos os que pintam a morte
o medo de muitos
a dor de muitos
tamanhos
confusos horários
daqui à tua terra
à eternidade
até a eternidade
espero que não haja barreiras
desculpe meu claro edgar
mas esqueci que se eu errasse o caminho
só ouviria um longínquo pavoroso
silêncio
não despertem quem pensa
782
Mário Hélio
24-IV (Espaçonavegavelar)
num acúmulo de horas vejo coisa rodopiar
através de cabeça por se desvendar
através do espaçoar
do mar
num acúmulo de oras vejo rosto corar
vejo a prece do medo do modo do homem gritar
através do escaçomar
do ar
num acúmulo de ras tos nareia domar
vejo gente morrendo ao se procurar
anular
num acúmulo de ascosturandoobarcomopodeumsóhomem
tanta coisa desvendar?
através de cabeça por se desvendar
através do espaçoar
do mar
num acúmulo de oras vejo rosto corar
vejo a prece do medo do modo do homem gritar
através do escaçomar
do ar
num acúmulo de ras tos nareia domar
vejo gente morrendo ao se procurar
anular
num acúmulo de ascosturandoobarcomopodeumsóhomem
tanta coisa desvendar?
608
Mário Hélio
7- VII (Confidência)
tua sombra persegue-me a todo instante,
visita-me no instante da demora.
não sabe que é sombra e breve o instante
e a eternidade é só uma demora.
mas tua sombra não descansa
e dança mansa e inquieta sobre mim,
mas avança tão sutil e tanto avança
que eu pressinto que voa sobre mim.
o meu protesto enfim é de esperar-te
por amar-te talvez? não sei se o amor
não é pura paixão de esperar-te
ou desespero de amar-te sem amor.
não sei talvez em que profundo abismo
lancei-me, enlacei-me, doido cego já sem asas,
mas o sonho de tê-las já é o abismo,
as tuas garras, águia, arrancaram-me as asas.
visita-me no instante da demora.
não sabe que é sombra e breve o instante
e a eternidade é só uma demora.
mas tua sombra não descansa
e dança mansa e inquieta sobre mim,
mas avança tão sutil e tanto avança
que eu pressinto que voa sobre mim.
o meu protesto enfim é de esperar-te
por amar-te talvez? não sei se o amor
não é pura paixão de esperar-te
ou desespero de amar-te sem amor.
não sei talvez em que profundo abismo
lancei-me, enlacei-me, doido cego já sem asas,
mas o sonho de tê-las já é o abismo,
as tuas garras, águia, arrancaram-me as asas.
936
Al Berto
Vigílias
pernoito
no interior do corpo desarrumado
o medo invade o penumbroso corredor
descubro uma cintilação de água no estuque
uma cicatriz de cristais de bolor abre-se
porosa ao contacto dos dedos indica
que não haverá esquecimento ou brisa
para limpar o tempo imemorial da casa
deste simulado sono ficou-lhe o amargo iodo
as madeiras enceradas cobertas de poeira
ervas secas à chuva molhos de rosmaninho
junquilhos, bocas de lobo silenas, trevo
mas nenhuma fuga foi recomeçada
a infância permanece triste onde a abandonei
quase não vive
no entanto ouço-a respirar dentro de mim
agora tudo é diferente
recomeço a viver a partir do vazio
da treva dos dias em silêncio
por entre a pele e um feixe de magnificas veias
sinto o pássaro da velhice arrastando as asas
onde desenvolve o calmo voo lunar
enumero cuidadosamente os objectos, classifico-os
por tamanhos por texturas, por funções
quero deixar tudo arrumado quando a loucura vier
da extremidade aguçada do corpo alado
e o rosto for devassado por um estilhaço de asa
então a vida abater-se-á sobre a folha de papel
onde verso a verso
me ilumino e me desgasto.
no interior do corpo desarrumado
o medo invade o penumbroso corredor
descubro uma cintilação de água no estuque
uma cicatriz de cristais de bolor abre-se
porosa ao contacto dos dedos indica
que não haverá esquecimento ou brisa
para limpar o tempo imemorial da casa
deste simulado sono ficou-lhe o amargo iodo
as madeiras enceradas cobertas de poeira
ervas secas à chuva molhos de rosmaninho
junquilhos, bocas de lobo silenas, trevo
mas nenhuma fuga foi recomeçada
a infância permanece triste onde a abandonei
quase não vive
no entanto ouço-a respirar dentro de mim
agora tudo é diferente
recomeço a viver a partir do vazio
da treva dos dias em silêncio
por entre a pele e um feixe de magnificas veias
sinto o pássaro da velhice arrastando as asas
onde desenvolve o calmo voo lunar
enumero cuidadosamente os objectos, classifico-os
por tamanhos por texturas, por funções
quero deixar tudo arrumado quando a loucura vier
da extremidade aguçada do corpo alado
e o rosto for devassado por um estilhaço de asa
então a vida abater-se-á sobre a folha de papel
onde verso a verso
me ilumino e me desgasto.
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Maria Thereza Noronha
Pássaro
Assombrava-me o dia um pensamento.
Acuada, corri ao mais cômodo arbusto
e, à sua escassa sombra,
abriguei-me do dia.
Entanto, o negro pássaro do remorso
- insistente sombra noturna -
dissimulado em algum sutil remanso
aguardava o momento mais propício
para estender as asas friorentas
sobre meu sono de púrpura.
Acuada, corri ao mais cômodo arbusto
e, à sua escassa sombra,
abriguei-me do dia.
Entanto, o negro pássaro do remorso
- insistente sombra noturna -
dissimulado em algum sutil remanso
aguardava o momento mais propício
para estender as asas friorentas
sobre meu sono de púrpura.
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Tomáz Kim
Tempo Habitual
De nojo o tempo, o nosso,
A perfídia estrumando
No presumir da carícia branda e sorriso
De todos.
De raiva o tempo, o nosso,
Céu, mar e terra abrasando
Em clamor de labareda e navalha afiada
E sangue.
De pavor o tempo, o nosso,
A primavera assombrando.
Exílio de ventres a fecundar e tudo o mais
Que a faz.
De amor o tempo, o nosso,
Onde uma voz espalhando
A boa nova no pântano fétido da noite
Imposta?
De nojo, de raiva, de pavor,
O tempo transido
Do nosso viver dia-a-dia!
Mas não de amor...
A perfídia estrumando
No presumir da carícia branda e sorriso
De todos.
De raiva o tempo, o nosso,
Céu, mar e terra abrasando
Em clamor de labareda e navalha afiada
E sangue.
De pavor o tempo, o nosso,
A primavera assombrando.
Exílio de ventres a fecundar e tudo o mais
Que a faz.
De amor o tempo, o nosso,
Onde uma voz espalhando
A boa nova no pântano fétido da noite
Imposta?
De nojo, de raiva, de pavor,
O tempo transido
Do nosso viver dia-a-dia!
Mas não de amor...
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Al Berto
Retrato de Fugitivo
ele caminha pela solidão nocturna dos quartos de hotel
e de fotografia em fotografia chega exausto
ao minucioso poema a preto e branco
mas já não o surpreende a violenta visão do mundo
este lento destroço que um liquido sussurro de prata
revela a partir de iluminada fracção de segundo
e bebe
e ama
e foge de si mesmo
com a leica pronta a ferir como uma bala ecoando
no fundo da memória um néon uma pedra
uma arquitectura de luz e sombra ou um deserto
onde se debruça para retocar os dias com um
lápis
na certeza que sobrevirá a estes perfeitos acidentes
a estes restos de corpos a pouco e pouco turvos
pelo tempo pelo sono ou pela melancolia
mas regressa sempre à transumância das cidades
quando a alba do flash prende o furtivo gesto
sobre o papel fotográfico morre o misterioso fugitivo
depois
vem o medo
que se desprende do olhar imobilizado
e do rosto fotografado
nasce uma vida de infinito caos
e de fotografia em fotografia chega exausto
ao minucioso poema a preto e branco
mas já não o surpreende a violenta visão do mundo
este lento destroço que um liquido sussurro de prata
revela a partir de iluminada fracção de segundo
e bebe
e ama
e foge de si mesmo
com a leica pronta a ferir como uma bala ecoando
no fundo da memória um néon uma pedra
uma arquitectura de luz e sombra ou um deserto
onde se debruça para retocar os dias com um
lápis
na certeza que sobrevirá a estes perfeitos acidentes
a estes restos de corpos a pouco e pouco turvos
pelo tempo pelo sono ou pela melancolia
mas regressa sempre à transumância das cidades
quando a alba do flash prende o furtivo gesto
sobre o papel fotográfico morre o misterioso fugitivo
depois
vem o medo
que se desprende do olhar imobilizado
e do rosto fotografado
nasce uma vida de infinito caos
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Gláucia Lemos
Soneto do Rio
(A um poeta)
Aonde me levam águas deste rio
com a insignificância de uma folha,
não sei como parar, não tenho escolha,
deslizo em seixos e húmus. Sol ou frio.
Ora numa vertigem rodopio
indo à flor da corrente. Ora à bolha
da água batendo em pedras. Ora me olha
a me encantar, o seu espelho esguio.
Perderam-se os meus pés por essas águas.
Minha sorte não sei. Mas sei que trago a
ansiedade de ainda prosseguir.
Por isso é que me advirto, vez em quando,
se é mesmo o rio que me está levando
ou se sou eu quem está querendo ir...
15.07.96
Aonde me levam águas deste rio
com a insignificância de uma folha,
não sei como parar, não tenho escolha,
deslizo em seixos e húmus. Sol ou frio.
Ora numa vertigem rodopio
indo à flor da corrente. Ora à bolha
da água batendo em pedras. Ora me olha
a me encantar, o seu espelho esguio.
Perderam-se os meus pés por essas águas.
Minha sorte não sei. Mas sei que trago a
ansiedade de ainda prosseguir.
Por isso é que me advirto, vez em quando,
se é mesmo o rio que me está levando
ou se sou eu quem está querendo ir...
15.07.96
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