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Poemas neste tema

Morte e Luto

Jorge Luis Borges

Jorge Luis Borges

Mayo 20, 1928

Now he is invulnerable like the gods.
Nothing on earth can hurt him, not the coldness of a woman, nor the tuberculosis, nor the troubles of verse, nor that white thing the moon, which he is no longer obliged to capture in words.
He strolls beneath the lindens; he looks at balustrades and doorways, but not to remember them.
Now he knows how many nights and how many morning he has left.
His will has imposed on him a precise discipline. He will perform specific acts, he will cross foreseen street corners, he will touch a tree or a grille, so that the future might be as irrevocable as the past.
He behaves in that way so that the event which he desires and which he fears my be nothing else than the conclusive end of a series.
He walks down 49th Street; it strikes him that he will never go through this or that side door.
Without their suspecting it, he has taken leave now of many friends.
He thinks of what he will never know, whether the next day will be rainy.
He meets an acquaintance and cracks a joke. He knows that this incident will be, on some occasion, an anecdote.
Now he is invulnerable like the dead.
At a set time, he will climb some marble stairs. (This will survive in the memories of others.)
He will go down to the men"s room; on the checkered floor the water will soon wash away the blood. The mirror is waiting for him.
He will slick back his hair, he will adjust the knot of his tie (he was always a bit of a dandy, as befits a young poet), and he will try to imagine that the other man, the one in the glass, is doing these things and that he, the double, is repeating them. His hand will no tremble when the end comes. Passively, magically, the pistol will by now have rested against the temple.

That, I believe, is how it happened.



Jorge Luis Borges | "Poesia Completa", págs. 303 e 304 | Debolsillo, 3ª. edição, 2016
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Sérgio Jockyman

Sérgio Jockyman

Desejo primeiro

Desejo primeiro que você ame,
E que amando, também seja amado.
E que se não for, seja breve em esquecer.
E que esquecendo, não guarde mágoa.
Desejo, pois, que não seja assim,
Mas se for, saiba ser sem desesperar.
Desejo também que tenha amigos,
Que mesmo maus e inconseqüentes,
Sejam corajosos e fiéis,
E que pelo menos num deles
Você possa confiar sem duvidar.
E porque a vida é assim,
Desejo ainda que você tenha inimigos.
Nem muitos, nem poucos,
Mas na medida exata para que, algumas vezes,
Você se interpele a respeito
De suas próprias certezas.
E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo,
Para que você não se sinta demasiado seguro.
Desejo depois que você seja útil,
Mas não insubstituível.
E que nos maus momentos,
Quando não restar mais nada,
Essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.
Desejo ainda que você seja tolerante,
Não com os que erram pouco, porque isso é fácil,
Mas com os que erram muito e irremediavelmente,
E que fazendo bom uso dessa tolerância,
Você sirva de exemplo aos outros.
Desejo que você, sendo jovem,
Não amadureça depressa demais,
E que sendo maduro, não insista em rejuvenescer
E que sendo velho, não se dedique ao desespero.
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e
É preciso deixar que eles escorram por entre nós.
Desejo por sinal que você seja triste,
Não o ano todo, mas apenas um dia.
Mas que nesse dia descubra
Que o riso diário é bom,
O riso habitual é insosso e o riso constante é insano.
Desejo que você descubra ,
Com o máximo de urgência,
Acima e a respeito de tudo, que existem oprimidos,
Injustiçados e infelizes, e que estão à sua volta.
Desejo ainda que você afague um gato,
Alimente um cuco e ouça o joão-de-barro
Erguer triunfante o seu canto matinal
Porque, assim, você sesentirá bem por nada.
Desejo também que você plante uma semente,
Por mais minúscula que seja,
E acompanhe o seu crescimento,
Para que você saiba de quantas
Muitas vidas é feita uma árvore.
Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro,
Porque é preciso ser prático.
Eque pelo menos uma vez por ano
Coloque um pouco dele
Na sua frente e diga `Isso é meu`,
Só para que fique bem claro quem é o dono dequem.
Desejo também que nenhum de seus afetos morra,
Por ele e por você,
Mas que se morrer, você possa chorar
Sem se lamentar esofrer sem se culpar.
Desejo por fim que você sendo homem,
Tenha uma boa mulher,
E que sendo mulher,
Tenha um bom homem
Eque se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes,
E quando estiverem exaustos e sorridentes,
Ainda haja amor para recomeçar.
E se tudo isso acontecer,
Não tenho mais nada a te desejar.
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