Renato Rezende

Renato Rezende

n. 1964 BR BR

Renato Rezende é um poeta brasileiro contemporâneo, conhecido por sua poesia que transita entre o lirismo introspectivo e a observação atenta do cotidiano. Sua obra explora a delicadeza das relações humanas, a efemeridade do tempo e a busca por sentido em meio à banalidade da vida moderna. Com uma linguagem acessível, mas carregada de sensibilidade, Rezende tem se destacado na cena literária brasileira recente.

n. 1964-04-08, Poços de Caldas, Brasil

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[Troll]

Da importância de não se ter amigos

O saber é uma superstição,
um vício.

Quando me perco em pensamentos, me perco na linguagem.
A linguagem se tornando a grande inimiga. Quero esquecer.

Mas como eu me coloco? Não sei, às vezes na beira do precipício, às vezes no próprio precipício, e às vezes sustentado por um amor divino.

O amor sustenta o artista.

Vou ficar quieto, não quero falar mais nada. Não há nada para ser dito. Mania de conversar com os outros. Vou manter silêncio. Também, não vou pensar nada. Não vou pensar mais.

Grau Zero.

Pego meu chapéu e saio da minha mente.

Vou carregar a cabeça nos braços, como um Troll.

A língua destrói constantemente

[a possibilidade de se dizer]

Oh, é apenas minha mente, pensando de novo.

O que acontece na vida não importa.

Totalmente presente e totalmente ausente ao mesmo tempo.

Eu me transformei num monstro, aparentemente num monstro. Numa mão, solta, no alto, eu levo o meu rosto, como se fosse uma máscara, um balão. Essa própria mão, e o braço, estão deslocados e descolados do tronco, o corpo todo desengonçado e solto. O que parece unir todas as partes é uma estranha luminosidade: e isso é muito mais eu do que o eu concentrado, preso no corpo.

Como se estivesse preste a arrancar fora o corpo e a vida como se fossem uma mera camisa.

Solto

Não tenho interesse
em minhas próprias opiniões

Já não acredito
em que eu penso—

sou o que penso

eu era pensamento
mas não sou

mais

Nada é onde há palavra

Máscaras
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Biografia

Identificação e contexto básico

Renato Rezende é um poeta brasileiro contemporâneo. Sua obra se insere no cenário da poesia brasileira atual, marcada por uma produção prolífica e uma voz lírica singular. A nacionalidade brasileira é um elemento fundamental em sua identidade e em sua produção literária, que dialoga com a cultura e a realidade do país.

Infância e formação

As informações detalhadas sobre a infância e formação de Renato Rezende não são amplamente divulgadas publicamente, mas é possível inferir que sua trajetória como poeta foi moldada por uma sensibilidade apurada para as nuances do mundo e das relações humanas. A formação literária, seja através de estudos formais ou do autodidatismo e da leitura constante, é um pilar para qualquer escritor, e no caso de Rezende, contribui para a sofisticação de sua linguagem poética.

Percurso literário

O percurso literário de Renato Rezende é marcado por uma presença consistente no meio poético, com a publicação de diversos livros que consolidaram sua voz. Sua escrita evoluiu ao longo do tempo, mantendo uma linha de coerência temática e estilística, ao mesmo tempo em que explorava novas abordagens e aprofundava sua reflexão sobre os temas caros à sua obra. A participação em antologias e a divulgação de seus poemas em plataformas literárias indicam um engajamento ativo com a comunidade poética.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias A obra de Renato Rezende é caracterizada por um lirismo introspectivo e uma observação detalhada do cotidiano. Seus poemas frequentemente abordam temas como o amor, a passagem do tempo, a solidão, a memória e a beleza encontrada nas coisas simples da vida. O estilo de Rezende é marcado pela clareza e pela delicadeza da linguagem, sem sacrificar a profundidade emocional e a capacidade de evocar imagens sensíveis. Ele utiliza recursos poéticos de forma sutil, construindo versos que ressoam com o leitor por sua autenticidade e humanidade. A forma poética utilizada por ele varia, mas há uma inclinação para o verso livre, que permite maior fluidez e aproximação da linguagem falada, mantendo a musicalidade intrínseca à poesia.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico Como poeta contemporâneo, Renato Rezende faz parte de um cenário literário dinâmico, que dialoga com as transformações sociais, tecnológicas e culturais do século XXI. Sua obra reflete, de forma sutil, as ansiedades e as reflexões de seu tempo, abordando a maneira como vivemos, nos relacionamos e percebemos o mundo na era moderna. Ele se insere em uma geração de escritores que buscam reinterpretar as tradições poéticas, mas com um olhar voltado para as experiências contemporâneas.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal As informações sobre a vida pessoal de Renato Rezende são escassas na esfera pública, priorizando-se a divulgação de sua obra literária. O foco na poesia sugere que o autor prefere manter um certo distanciamento entre sua vida privada e sua expressão artística, permitindo que os poemas falem por si mesmos e que o leitor crie sua própria conexão com os temas abordados.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção O reconhecimento de Renato Rezende tem crescido no meio literário brasileiro. Sua obra tem sido bem recebida por críticos e leitores, que apreciam a sensibilidade, a originalidade e a profundidade de sua poesia. A participação em antologias e a publicação de livros por editoras respeitáveis indicam um lugar consolidado na literatura contemporânea do país. A receção de sua obra é marcada pela admiração de sua capacidade de tocar em temas universais com uma voz autêntica e um estilo cativante.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado Embora não haja referências explícitas a influências diretas em sua obra, é provável que Renato Rezende tenha sido influenciado pela rica tradição da poesia brasileira, bem como por poetas de outras nacionalidades que exploram o lirismo e a introspecção. Seu legado reside na contribuição para a renovação da poesia contemporânea, oferecendo aos leitores uma poesia que é ao mesmo tempo acessível e profundamente tocante, reafirmando a força da palavra poética para expressar a complexidade da experiência humana.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica A poesia de Renato Rezende convida a múltiplas interpretações, pois se debruça sobre temas existenciais universais de forma pessoal e íntima. A crítica tem destacado a capacidade do autor em transformar o banal em poético, explorando as sutilezas das emoções e das relações. Seus poemas podem ser vistos como reflexões sobre a efemeridade da vida, a busca por conexão e a beleza inerente à própria existência.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos Por se tratar de um autor contemporâneo cuja obra é o foco principal, as curiosidades e aspetos menos conhecidos de sua vida pessoal não são amplamente divulgados. A dedicação à escrita e a exploração dos meandros da alma humana parecem ser os pilares de sua atuação como poeta.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória Como Renato Rezende é um autor contemporâneo, não há informações sobre sua morte. Sua memória está intrinsecamente ligada à sua obra, que continua a ser divulgada, lida e apreciada, garantindo sua presença e relevância no panorama literário brasileiro.

Poemas

146

Oco

eu não sou o corpo físico;
sou o ar que respiro?
960

Combustão

aét
as
p la vr a a s
s e
d e i v l sso m
730

Data 2

Saí para almoçar e, ao passar entre dois carros estacionados no meio-fio, vi uma menina de
rua, já para lá de adolescente, cagando. Estava agachada, de cócoras, com a calça abaixada.
Quando me viu, abriu o maior sorriso, e disse, “meu banheiro é aqui mesmo, moço”, sem por um
instante parar de fazer o que fazia. Dava para ver, por entre o vão formado por suas pernas, a massa
de merda no asfalto. Eu, que costumo me indignar com os dejetos de cães nas ruas, não me ofendi,
e não me senti diante de um ato estranho ou transgressor. Rolou até uma certa e indiscutível
sensualidade, um inconfundível apelo erótico, e por um momento pensei em parar para admirar a
cena completa, até o fim. Retribui o sorriso dos seus olhos brincalhões e continuei passando—
apenas um pouco surpreso com a total naturalidade de tudo.
763

Corte

[ ]

La vraie vie
est absente.

] [

Mas onde
é isso?
Na Abissínia?
Na morte?

[EU NÃO VOLTO!]
957

Ruínas

Algo me prende ainda
à vida
e espero que passe.
Algo me prende à vida—é o amor
e a arte;
e espero que logo passem.
1 140

Para Uma Cruz Na Estrada

Carrego dentro de mim, esquecido
o filho dos meus pais,
o que um dia foi amado,
o que foi querido.

Acho que vindo do mar, de longe
por detrás do monte, escuto um ai:
Lá vai nosso filho
com sutilezas de menina.
Aonde ela vai
tão bem vestida?

-- Encontrar-se
com uma bala perdida.

Lá vai nosso filho
no Elevado.
Aonde ele vai
tão bem penteado?

-- Ser atropelado.

Ser negro, marginal, mendigo
travesti, bêbado, deficiente físico

caminhar ao lado da estrada
sob a tempestade
vestido num saco de lixo

e desaparecer imortalizado
entre os índices de sinistros.

(Para um dia retornar, pródigo
nos braços do Cristo).


Rio de Janeiro, 21 de janeiro 1998
939

Alhures

Sinto de uma vez por todas que minha vida—a vida—acabou. Durou o suficiente, e foi
muito, e foi bem vivida. Nos dias de hoje, os homens sobrevivem em muito ao apogeu físico e
mental. O certo é morrer cedo, com menos de quarenta anos no máximo. Mas esta morte que a mim
mesmo decreto não é física. Não, continuarei respirando o ar deste planeta, bebendo a água e me
alimentando dos frutos da terra até que o corpo, por si só, definhe e morra. Não fugirei tampouco
dos avanços da medicina, dos remédios, das operações, dos transplantes, da quimioterapia. É
preciso ser um homem de seu tempo, afinal. Essa minha vida que acaba é outra, mais íntima. Tudo
que havia para ser visto já foi visto, tudo que havia para ser gozado já foi gozado. Não procurarei
repetir, com um corpo cada vez mais decrépito, os prazeres que teve meu corpo jovem. Minha
parcela de amor também já foi o suficiente. Renuncio ao nadar no rio do tempo, todos juntos em
direção ao mar. Caio fora. Solto as mãos daqueles que comigo compartilhavam esse nosso tempo, a
causa da geração, os infinitos diálogos e trocas com as pessoas que cruzaram e cruzam minha vida,
as aventuras de todos os tipos, as viagens de todos os tipos, adeus às moedas, aos tigres, às areias.
Enfim, a tudo que se apreende com olhos, ouvidos, tato; os sentidos. Essa é a vida que acabou,
como alguém que sai do rio, levanta-se na margem sozinho, dá adeus e dirige-se para as montanhas
azuis, lá no fundo. Isso origina uma nova vida. Mas que vida é essa, que começa? Aparentemente,
nada mudou: corpo, cidade, linguagem. Mas no íntimo nada é mais fixo como antes. Tudo em volta
lembra a morte. Nenhum poder é verdadeiro. A vida que começa é a vida de uma máscara vazia.
Não, vazia não: um infinito repleto de luz.
1 016

Outros Dias

Eu sou o melhor amigo para mim mesmo.
Os dias passam, e esse fluir, lento,
que se espraia, e se abre, e quase pára
é a via que vai me tirar daqui.
De vez em quando escrevo um poema.
835

O Cofre

Quando morrer quero ir pro Céu.
E sei que vou. E sei que vou.
Cumprir a vida e voltar à Casa.
Voltar à Casa. Voltar à Casa.

Minha família guarda uma cama para mim
num quarto que é meu, com coisas que, embora há muito abandonadas
ainda são minhas, e se alegrariam com minha presença;
livros que jamais reli, velhas cartas, velhos poemas,
desenhos velhos,
uma caixa só de fotografias, coisas que, se desaparecessem
me deixariam perplexo e mudo, como se eu tivesse morrido um pouco.

Sei que desaparecem pouco a pouco,
assim como eu também morro. Mas, por enquanto,
lá estão elas
num armário de um quarto onde estou (não estando);
e esse saber me reconforta.

Lá está o banho quente
do meu corpo agora cansado.
Lá está a comida gostosa, à vontade
para quem está com fome agora, num hotel sujo
sem coragem de sair à rua, um refúgio
que mais parece um esconderijo, mas que facilmente poderia ser
um Palácio iluminado.

Olhando a chuva fina, contra a lua dourada
penso na vida que é minha
e se mascara em tantas vidas.

A casa da minha família
não é mais a minha casa.
Qualquer lugar, o mundo estranho
se torna o bom quarto, a cama, o travesseiro
para o coração arrombado,

como um velho cofre, de cobre, que pulsa
apesar de tudo
e que no fundo ainda pula
de alegria.


Rio de Janeiro, 19 de novembro 1998
719

Solta

Quando a música mais doce chegar,
o murmúrio do gozo
da amada
a se contorcer contra o seu corpo,
não faça nada
que de cor já saiba.
A mente calada
colada no calor do outro
abre a porta
para o salto.

AGORA: SALTA!
1 052

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