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32 resultadosVinte canções, depois mais vinte
pedem licença à lei do ruído,
fazem soar, entre estampidos,
sua lição.
O Rio volta para a música
os seus ouvidos triturados.
O som é pobre? A letra, manca?
Não sejamos tão exigentes,
vamos ser francos:
o que se escuta, normalmente
pelas ruas sem pauta e solfa,
é o canto bárbaro de estouros
regougos pipocos roucos
melhor vertidos em quadrinhos:
Auch! Grunt! Grr! Tabuuum!
Plaft! Pow! Waham!
Eis que flui do Maracanãzinho
a melidoçura de uma valsa
de noite brasileira antiga
com beija-flores acordados
por Luciana de olhos marinhos.
E tem uma garota, Evinha,
no país dos diminutivos,
que parece nossa irmãzinha,
de tantos irmãos que irmana,
oi cantiguinha irmanadeira.
Ficam alguns a resmungar,
a debater, a perquirir
como que deve ser o jeito
da canção, mas todos os jeitos,
todas as vozes, acalantos,
alegrias, mensagens, prantos,
soledades, exaltações,
ternurina bobeira lírica,
nostalgias, ânsias futuras,
cotovelo-em-dor, abraço-em-transe
cabem no canto, são o canto.
Se não há festa no momento,
há festival
e entre faixas, flâmulas flamengas
e outras que tais
o povo escolhe, soberaníssimo,
seus ritmos ao tempo e ao vento.
Um sabor de voto percorre
a miniarena do Maraca
e a eleição, em dupla fase,
está mostrando a face clara:
o amor faz seu gol de letra
pelas letras do mundo inteiro:
Love is all, Love is all around
Mon enfant, mon amour
me has enseñado a conocer,
em beijo sideral,
lo que es el amor.
Je t’aime et la Terre est bleue.
(Não será tão bleue quanto queres,
mas há sempre um resto de arco-íris
na íris móbil das mulheres.)
Que importa se a melhor canção
não foi escrita nem sonhada?
Se não palpita em folha branca
e muda garganta?
Eu canto meu possível, neste
possível mundo
e uma alegria sem rataplã,
leve, redonda, sobra num mágico
voo andorinho,
das noites-dias do Maracanãzinho.
04/10/1969
II — DO CINEMA
GENEVIÈVE WAITE
Pálida Joaninha
pálida e loura, muito loura e —
nem tão fria quanto no soneto
esvoaça entre leitos.
A borboleta presa no pulso
quer voar mas falta céu em Londres enevoada.
NEDA ARNERIC
O broto de 15
estrelando filmes
proibidos para
os brotos de 15.
BRASILEIRA
Florinda Bulcão, florido
balcão: com esse nome lindo
no frontispício do poema,
para que fazer cinema?
O NOME
Trintignant
trinta trinchantes
trinca nos troncos
tranca no trinco
tranco sonoro
— Adoro! —
diz num trinado
trêfega trintona.
LIQUIDAÇÃO
E Robbe-Grillet, de um lance,
mostra, encantado, seu lema:
— Já liquidei com o romance,
vou liquidar com o cinema.
TRÁFEGO
O diretor de Uma aventura no espaço
a poucos metros da Lua
veio ver pessoalmente
nossa terrível aventura no limitado
espaço de uma rua
de sinal enguiçado.
VELHA GUARDA
Joseph von Sternberg
Fritz Lang
Cavalcanti
3 ∑ 70:
210 anos de cinema
o poder é sempre jovem
quando é alguma coisa mais do que o poder.
MERCADO DE FILMES
Compra-se um
que tenha menos de 10 espiões
assassinos/assassinatos;
que, tendo cama,
tenha também outros móveis agradáveis
à vida comum do corpo,
como a espreguiçadeira, a mesa, a cadeira;
que tenha princípio,
meio e fim;
que não tenha charada nem blá-blá-blá,
enfim
um filme que não existe mais.
Paga-se tudo.
GENEALOGIA
Na piscina do Copa
tela líquida panorâmica
do festival de corpos
o repórter erudito
pergunta a Mireille Darc:
— Mademoiselle,
est-ce que vous êtes
la toute petite-fille de Jeanne d’Arc?
DESAFIO
Matemática de cine
a estudar em Ipanema
pelo jovem não quadrado
(Pasolini é quem previne):
Superbacana é o teorema
que não será demonstrado.
25/03/1969
Pálida Joaninha
pálida e loura muito loura e —
nem tão fria quanto no soneto
esvoaça entre leitos.
A borboleta presa no pulso
quer voar, mas falta céu em Londres
enevoada.
Arnevic
O broto de 15
estrelando filmes
proibidos para
os brotos de 15.
Brasileira
Florinda Bulcão, florido
balcão: com esse nome lindo
no frontispício do poema,
para que fazer cinema?
O nome
Trintignant
trinta trinchantes
trinca nos troncos
tranca no trinco
tranco sonoro
— Adoro!
diz num trinado
trêfega trintona.
Liquidação
E Robbe-Grillet, de um lance,
mostra, encantado, seu lema:
— Já liquidei com o romance,
vou liquidar com o cinema.
Tráfego
O diretor de Uma aventura no espaço
a poucos metros da Lua
veio ver pessoalmente
nossa terrível aventura no limitado
espaço de uma rua
de sinal enguiçado.
Velha guarda
Josef von Sternberg
Fritz Lang
Cavalcanti
3 ∑ 70:
210 anos de cinema
o poder é sempre jovem
quando é alguma coisa mais do que o poder.
Mercado de filmes
Compra-se um
que tenha menos de 10 espiões
assassinos/assassinatos;
que, tendo cama,
tenha também outros móveis agradáveis
à vida comum do corpo,
como a espreguiçadeira, a mesa, a cadeira;
que tenha princípio
meio e fim;
que não tenha charada nem blá-blá-blá,
enfim,
um filme que não existe mais.
Paga-se tudo.
Genealogia
Na piscina do Copa
tela líquida panorâmica
do festival de corpos
o repórter erudito
pergunta a Mireille Darc:
— Mademoiselle,
est-ce que vous êtes
la toute petite-fille de Jeanne d’Arc?
Desafio
Matemática de cine
a estudar em Ipanema
pelo jovem não quadrado
(Pasolini é quem previne):
Superbacana é o teorema
nunca jamais demonstrado.
25/o3/1969
meu alazão viaja sobre trilhos;
minha arma é uma marmita
na mão direita (onde uma roseira)...
na esquerda, meu coração
(transpassado de espinhos).
Mas por que,
para que vou assinar manifestos?
Não me compram feijão,
não vou tirar meu filho da prisão...
Futebol é assim mesmo,
vamos sair para outra —
— enquanto há portas abertas
pra sair.
Afinal,
talvez sair seja melhor
ainda... Ainda que mal pergunte,
quem vai ouvir teus lamentos?
Quem vai ler teus pensamentos?
Quem te vai estender a outra mão?
(ou a outra face?)
E...
— mesmo supondo que vão —
como saber o que estará por trás
dess’outra mão que não se estende,
nem se abre sequer?
Ora, vamos e venhamos
e fiquemos onde estamos
até que saibamos onde,
para onde
vão-nos querer levar.
Eu, por mim,
(não prefiro):
só me resta aguardar
o momento
certo,
direis, perdeste o senso
e eu vos direi, no entanto,
que se a mim me perseguem,
se dos meus ouço o lamento...
(oh, meu proscrito irmão,
que por amor de nós
já reverteste ao pó
e nem lembrança és mais!)
Se,
para ser esse Homem
que idealizastes,
tanto esperar
e sofrer tanto
me é preciso
e nem a bíblica mansidão
me basta,
(mil perdões, ingênuo Kipling):
vosso Homem imperial
não posso ser,
ó Senhor Rudyard!
Nem vosso Superman,
ó Mister Presidente!
Serei, pois, tão somente
esta miniatura
que é tão pequena mas só fita os Andes...
e não vou assinar manifestos, não, senhor!
Pois se...se...se...se...se...se...
ó Cigarra Boêmia,
(si vis pacem, para bellum),
se o preço da liberdade
é a eterna vigilância
para gregos e troianos
— do Centro-Sul maravilha
ou do Nordeste boêmio
com Sudene ou sem Sudene
(esse lado sucedâneo!) —
nossa terra tem palmeiras
onde canta o sabiá;
tem também o mico sapiens
e o galinho garnisé,
mas também o carcará!
E...
pra não dizer que não falei
do milagre (o milagre é nosso!)
as aves que lá gorjeiam
só gorjeiam como lá...
lá-lá-lá... blá-blá-blá-blá!
Ah! não permitas, Deus, que morram
sem que voltem para cá!...
Mas se um dia,
um belo dia,
claro dia em negra noite
vier um dia a se fechar...
(pobre de mim!)
eu,
que nem Raimundo
(triste mundo!)
jamais me poderei chamar,
deixo pra lá meu lenço, meu boné
(e agora, José?)
e meus perdidos documentos todos
e vou ao menos
lançar pedras de fogo
contra o vento.
Bem...eu sou eu.
E vocês?
Eu, hein?!...
Engraçado!...Parece
que acabei de escrever
um manifesto
sempre foram iguais.
Blá, blá, falam, falam sem chegar a lugar nenhum,
e deixam-te feliz e enganado.
não sobre o amor nem a guerra.
Só deu vontade de escrever- sobre o que ?
não sei, estou pensando...
O assunto não aparece mais as palavras estao fluindo...
pensando e pensando...
no que falar ?
hummm nao tenho assunto!
socorro!
socorro!
blá blá blá !
Então estou escrevendo, até quando ?
até a vontade passar, talvez...
guerra! amor! guerra! amor!
que insano desejo que nao passa
que vontade desesperada.
Eu não vejo, eu não escuto, apenas escrevo e escrevo!
morte, dor, luxuria!
alegria, paz, felicidade!
tristeza!!!!
não sei o que escrever mais ja escrevi...
fim?
vontade sim escrever jamais!
Sempre simples doce vazia,
Sempre sonante melódica.
Sempre simples “mãozinhas pra cima”,
Sempre letra garapa melosa.
Sempre simples "pedra de toque",
Sempre esponja feiúra porosa.
Sempre o simples bis o estribilho a pulsão,
Sempre o chiclete mascado à repetição.
Sempre simples diluídas – isolinhas - em pequenas rimas,
Sempre o blá-blá-blá o abc de à adestração.
Sempre simples o muito alongado ã de vão,
Sempre a "Novilíngua" a "Novafala" à supressão.
Sempre a sampler simples disciplinada,
Sempre o degrau da base a parada.
Sempre a loop simples sem a virada retocada,
Sempre a batida percutida manjada.
Sempre o role-play simples o domínio público,
Sempre o poder da penetração na massa devotada.
Ó swingueira? Ó axé music?
Camaleão não é panóptico,
Nem chiclete com quebradeira é protótipo.
Oh yeah! Então, “Vaza canhão”!
Oops, e opina o trash: Ou Cae o bicho-do- pé ou “Rala a Tcheca no chão”!
Bla blá blá
Blé blé blé
Blí blí blí
Bló bló bló
Blú blú blú
Entendeu?
Nem eu.
(o problema é que é isso o que a mídia, a sociedade, os políticos e todo o resto da humanidade anda falando ultimamente. Então, é melhor aprendermos rápido).

Sempre simples doce vazia,
Sempre sonante melódica.
Sempre simples “mãozinhas pra cima”,
Sempre letra garapa melosa.
Sempre simples "pedra de toque",
Sempre esponja feiúra porosa.
Sempre o simples bis o estribilho a pulsão,
Sempre o chiclete mascado à repetição.
Sempre simples diluídas – isolinhas - em pequenas rimas,
Sempre o blá-blá-blá o abc de à adestração.
Sempre simples o muito alongado ã de vão,
Sempre a "Novilíngua" a "Novafala" à supressão.
Sempre a sampler simples disciplinada,
Sempre o degrau da base a parada.
Sempre a loop simples sem a virada retocada,
Sempre a batida percutida manjada.
Sempre o role-play simples o domínio público,
Sempre o poder da penetração na massa devotada.
Ó swingueira? Ó axé music?
Camaleão não é panóptico,
Nem chiclete com quebradeira é protótipo.
Oh yeah! Então, “Vaza canhão”!
Oops, e opina o trash: Ou Cae o bicho-do-pé ou “Rala a Tcheca no chão”!
O Chiado Malvado
por: Deborah Gomides Ramos Malta
Era uma vez, um menino chamado Augusto, e sua irmã. A menina Ágata e seu
irmão gostavam muito de assistir televisão. Gostavam tanto, mas tanto, que quando a
energia acabava, a brincadeira deles era fazer uma televisão de caixa de papelão.
Revezadamente, uma das crianças fazia a programação, enquanto a outra assistia.
Brincavam de novelinha, brincavam de telejornal, brincavam de programa de auditório, de
filme, de entrevista, de programa educativo e até de desenho animado.
Certa vez, eles foram passar um fim de semana na casa de seu avô Zaqueu. O avô
dessas duas crianças curiosas, era muito, mais muito inteligente. Ele possuía uma
enorme biblioteca em sua casa, e seu desejo era que seus netinhos começassem a se
interessar por ler e por estudar. E que eles estudassem bastante e pudessem aprender
muitas coisas novas, e que aprendendo essas muitas coisas novas, eles fossem mais
preparados para lidar com as diferentes situações da vida.
Acontece que esses dois irmãozinhos não gostavam muito de estudar, deixando as
expectativas de seu vovô um tanto frustradas. Mas ainda assim, o vovô Zaqueu insistia e
insistia para que seus amados netos adquirissem o gosto pelo estudo.
Nesse fim de semana, em que Augusto e Ágata foram para casa do vovô Zaqueu,
o vovô veio logo com um livro de matemática em direção a eles, dizendo que estava muito
triste porque soube que a professora deles estava triste, reclamando para os seus pais
que os dois irmãos não estavam conseguindo aprender nada do que ela tentava ensinar
sobre matemática.
E embora o livro fosse cheio de figuras coloridas, embora tivesse um monte de
jogos divertidos para treinar e embora eles até soubessem que aquele livro poderia fazêlos
bem, Ágata e Augusto se recusavam terminantemente a se quer olhar para aquele
livro tão proveitoso.
Desta vez, as crianças conseguiram deixar seu vovô mesmo irado. Ele ficou tão
bravo, mas tão bravo que deu-lhes um castigo:
_ Porque vocês não querem estudar e porque não podem nem pelo menos tentar
pelo seu avô, não vou deixar que vocês assistam televisão, e nem vou ligar para seus
pais buscarem vocês. Vocês terão que arrumar outra coisa para se distraírem. Eu vou
para a minha oficina consertar meu velho carro. Estou precisando muito dele.
_ Ah, vovô! Mas isso não é justo! - reivindicaram Augusto e Ágata.
Sem mais nenhuma palavra, vovô Zaqueu se virou e seguiu para sua oficina.
Ágata e Augusto já ficaram entediados só de pensar como seria ficar sem poder
assistir televisão. Estavam tão aborrecidos, que dessa vez nem quiseram brincar de sua
brincadeira favorita, pois parece que havia acabado toda a graça naquele momento.
E no sofá, jogados, o irmão e a irmã, um reclamava daqui, outro bufava dali, um
resmungava, e o outro dizia: "_ Blá!". Suspiravam fundo e gemiam com desânimo:
"_ Aaah!".
Como era difícil para eles ficar sem aquele aparelhinho cheio de novidades
instantâneas e fascinantes!
Até que de repente, começaram a ouvir um barulho esquisito. Que começou com
um pequeno:
"_Chhh..." Augusto e Ágata olharam para um lado, olharam para o outro, e não
conseguiam entender o que estava acontecendo.
"_ Chhhhh..." - aumentava mais um pouco o barulho. E Ágata e Augusto
começaram a ficar arrepiados, com medo...
"_ Chhhhhhh..." - e cada vez mais aumentava aquele barulho estranho, e os olhos
deles ficavam arregalados, e arregalavam-se mais, cada vez que aquele som se
prolongava ainda mais, até que seus olhos já estavam esbugalhados, e no meio daquele
imenso chiado aparecia uma voz que dizia:
"_ Alguém? _ Ei, tem alguém aí? Ágata abraçou seu irmão mais velho e perguntou:
_ Você ouviu o mesmo que eu?
_ Ouvi sim, - respondeu Augusto.
_ Será que devemos responder? - retrucou Ágata.
_ Eu não sei... - hesitou Augusto.
_ Crianças! Venham aqui! Eu sei que vocês estão aí! Não se preocupem! Não farei
mal a vocês!
Augusto e Ágata respiraram fundo. E decidiram que precisavam saber o que estava
acontecendo. Bem devegar, começaram a andar com passos bem levinhos, bem
cuidadosinhos, em direção à voz, com o cuidado de não fazer nenhum barulho. Eles
andavam em câmera lenta, como se estivessem pisando em ovos. Cada vez que
avançavam no caminho, colocavam a mão em formato de concha sobre a orelha, a fim de
apurarem os seus ouvidos, para seguirem a voz na direção certa.
A voz que continuava insistindo:
_ Venham aqui! Quero conversar com vocês! Eles foram seguindo, seguindo,
seguindo aquela voz, quando se deram conta de que estavam na porta do porão. Augusto
abria a porta bem devagar quando Ágata, que estava morrendo de medo, terminou de
abrir a porta bruscamente e acendeu a luz correndo. E a pobrezinha, que ofegava já sem
ar de tanto desespero, ainda achou forças para gritar:
_ Tem alguém aí? Nosso vô é um coronel aposentado e vai vir aqui prender você!
Realmente, o vovô Zaqueu teria servido ao exército e foi um excelente coronel. E
Ágata quis deixar bem claro que eles tinham alguém para os defender.
_ Eu já estou preso!
_ Ahn? Como assim? - perguntaram as crianças sem entender nadica de nada.
_ Estou preso na televisão!
_ Não acredito! - disse Augusto com as duas mãos na cabeça, quando avistou de
longe, de cima da escada, no chão lá em baixo, uma televisão antiga, jogada, no meio do
porão. E o mais intrigante! A tomada não estava ligada! Desceram devagar, e foram
descendo as escadas, até que chegaram na TV antiga que não emitia sinal nenhum além
de uns pequeninos grânulos coloridos de todas as cores, que se misturavam dentro da
tela insistentemente, juntamente ao barulho infinito que fazia:
"_ Chhhhhhhhh" - sem parar um minuto se quer.
_ Quem está escondido aí? - perguntou Ágata.
_ Não estou escondido. Vocês não estão me vendo?
_ Não... - disse Augusto com muito receio. _ Afinal, quem é você? - interrogou o
menino à voz, a fim de que talvez, a resposta daquela preocupante voz os fizessem
perceber algo diferente do que eles estavam vendo.
_ Ah, perdão, desculpe. Vou me apresentar a vocês. Prazer, o meu nome é Chiado.
_ Não acredito! É mesmo esse chiado da TV que está falando com a gente?! -
indagou Ágata de forma exclamativa. _ E chiados falam?
_ Falam sim. - respondeu o Chiado. É que só falamos quando queremos. E eu
percebi que vocês estavam tristes, por isso resolvi lhes contar um surpreendente segredo!
_ Puxa, que legal! O que você tem para nos contar? - perguntou Augusto
alegremente.
_ Esta antiga televisão de seu avô que ele jogou aqui como se faz com qualquer
velharia, é uma televisão mágica!
_ Uma televisão mágica? - surpreendeu-se Ágata. - _ Mágica como naquele filme
em que os personagens entram dentro da televisão e descobrem o mundo da TV?
_ Não. - respondeu o Chiado com sua voz de telefone. - _ É uma mágica nunca
antes imaginada. É muito legal e tenho certeza de que vocês vão gostar muito. Ainda
mais hoje, passando por esse terrível castigo de não poder assistir televisão.
Augusto e Ágata olharam um para o outro com os olhos baixos. No fundo, eles
sentiram que o Chiado não era tão legal assim, pois queria fazer com que as duas
crianças desobedecessem seu avô. Mas eles olhavam para o chiado, tornavam a olhar
um para o outro. E logo suas carinhas iam se animando até que Augusto disse:
_ Pois então, seu Chiado, nos conte logo o que você é capaz de fazer!
_ Coloquem um livro na minha frente e vocês verão!
Rapidamente, e animadamente, Ágata e Augusto pegaram o livro da história "O
Patinho Feio" do escritor dinamarquês "Hans Christian Andersen", na sessão de livros
infantis, na biblioteca de seu vovô.
Eles colocaram o livro com sua capa virada para a televisão, quando de repente,
no lugar de Chiado, aparecia a imagem da capa do livro, e uma voz doce de mulher, que
parecia até com a voz da mãe daquelas crianças, lia o título do livro, e o nome do autor.
Incrivelmente, o cisne do desenho da capa levantava e chacoalhava suas asas, enquanto
o balançar do rio fazia os pontos de brilho na água. E o melhor de tudo! Uma linda música
de fundo tocada por um piano embalava aquela linda figura animada.
_ Ooooohhh! - espantaram-se as crianças deslumbradas com o que viam.
A imagem da capa do livro sumiu e Chiado voltou dizendo que se eles quisessem
poderiam assistir a história inteira do livro. Ágata não pensou duas vezes. Puxou o livro
das mãos de seu irmão e o abriu na primeira página, ainda com as figuras em direção à
TV mágica.
_ "A mamãe pata tinha escolhido um lugar ideal para fazer seu ninho...." - contava
a narradora enquanto tudo o que ela dizia ia acontecendo dentro daquela maravilhosa
televisãozinha antiga.
E continuava a contar:
_“..., um cantinho bem protegido no meio da folhagem, perto do rio que contornava
o antigo castelo. Mais adiante, estendiam-se o bosque, e um lindo jardim florido. Naquele
lugar sossegado, a pata agora, aquecia pacientemente seus ovos."
As crianças assistiam aquele lindo filminho atônitas, e iam passando e passando as
páginas para que a história continuasse. Depois quiseram assistir mais, e mais, e fizeram
o mesmo com o livro da "Chapéuzinho Vermelho", fizeram novamente o mesmo com o
livro dos "Três Porquinhos", o mesmo com o livro da "Caixinhos Dourados", com o livro do
"Pequeno Polegar", o livro do "Pequeno Príncipe", de "Joãozinho e Maria", "O Gato de
Botas" e tantos outros que eles encontraram na imensa biblioteca do vovô Zaqueu.
Estavam tão impressionados com aquilo tudo, que só quando não havia mais livro
para ler, foi que eles se deram conta de que todas as imagens dos livros haviam sumido.
_ Ai! Não acredito! - disse Augusto espantado.
_ O vovô vai acabar com a gente! - se queixou Ágata desesperada.
_ Chiado! Chiado! O que você fez? Devolva-nos os desenhos do livro! - corriam em
direção à estranha TV acreditando que o malvado Chiado resolveria para eles aquela
terrível situação.
_ Hahaha! - Chiado ria assustadoramente. - _ Como vocês são bobinhos! Não
sabiam que se vocês não gravassem a programação da televisão em um vídeo cassete,
não teria como assistir novamente os filmes nela passados?
_ Não nos enrole! - advertiu Augusto. - Não estamos falando disso! Acontece que
você apagou todas as figuras nos livros!
_ Pois é, e vocês só se deram conta no final, de tanto que vocês gostam de livros!
_ Acontece, seu Chiado Malvado, que esses livros são a paixão do vovô! E
estamos muito encrencados. A culpa de tudo isso é sua, e você tem que nos tirar dessa!
_ Tudo bem! Só que tem um probleminha. Isso é impossível! Hahahaha! -
continuava rindo apavorantemente.
_ Não é justo! - reivindicou Augusto. - Diga-nos! O que faremos agora?
E ironizando com a situação Chiado sugeriu:
_ Pintem todas as figuras nos livros novamente! Se vocês forem capazes!
Hahahaha! - continuava debochando deles o malvado Chiado.
_ Ei! Faça alguma coisa por nós! Faça alguma coisa! - gritava Ágata segurando a
televisãozinha e a chacolhando, até que o Chiado simplesmente sumiu, e a televisão se
apagou.
Os irmaõs começaram a chorar, e a chorar, e choraram tão alto que o vovô Zaqueu
ouviu lá de sua oficina e saiu correndo para ver o que havia acontecido.
_ Ei! Crianças! Crianças! Por que vocês estão chorando desse jeito?
Augusto e Ágata engoliram seco quando perceberam que seu avô havia chegado e
tremeram de medo. Eles se deram as mãos e caminhavam para trás, de costas, olhando
para o avô, que percebeu que algo estava muito errado ali.
_ Eu sei que vocês aprontaram pelas suas caras e tratem logo de ir dizendo o que
aconteceu, porque não vou tolerar ter que descobrir sozinho!
_ Vô, vô! - Dizia Ágata chorando, com voz de como quem emplora o perdão. - Nos
perdoe! mas sem querer fizemos algo horrível para seus livros!
_ Meus livros! - gritou o avô furioso, sem conseguir imaginar o que poderia ter
acontecido, já inclusive pensando que todos haviam sido rasgados.
Augusto pegou rapidamente um dos livros e levou para o vô que não entendia o
que havia acontecido.
_ Mas o que é isso? Suas crianças atrevidas! O que vocês fizeram?
_ Na verdade não fomos nós, vovô! - tentava explicar, Ágata. - Foi um tal de Chiado
que apareceu nessa televisãozinha antiga, que nos chamou quando ainda estávamos lá
na sala e disse que sabia fazer uma mágica.
O avô ouviu toda história, pois, mesmo não conseguindo acreditar, percebeu que
as crianças não conseguiriam fazer tudo aquilo sozinhas, e que aquele chiado parecia
mais ter sido impresso ali, do que pintado.
Quando Augusto e Ágata terminaram de relatar o que havia ocorrido, vovô Zaqueu
se apressou em ligar a pequena TV, mas nada aconteceu porque a mesma nem se quer
ligava, mesmo na tomada.
_ Eu ainda não entendo como vocês podem ter visto um chiado aqui, se esta TV
está quebrada a anos! - argumentou o vovô.
_ Acontece vovô, que esse tal de Chiado, apareceu mesmo com a TV desligada da
tomada, e como dissemos para o senhor, ele disse que a tv era mágica. E no final de tudo
ainda se riu de nós, e disse pro Augusto que poderíamos pintar todos os livros
novamente. - denunciou, Ágata, a façanha de Chiado.
_ Vovô! Consiga para nós as tintas, e prometemos que iremos pintar todos os livros
para você novamente! - implorou Augusto.
_ Sim, vovô! E também que vamos estudar, e ler mais livros do que assistir
televisão! - completou Ágata.
_ Tá certo, vou deixar vocês se retratarem. Vou comprar as tintas. Consertei meu
carro.
_ Podemos ir com você, vovô? - Perguntaram seus netos.
_ Não, não senhores! - respondeu o vovô ainda chateado. Vocês vão ficar aí
pensando no que fizeram. A vovó está chegando, e vou deixá-los com ela. Assim vocês
não precisarão temer esse tal de Chiado. - dizia o vovô ainda intrigado com aqueles
relatos.
A vovó Esmeralda chegou e preparou um bolo delicioso e quentinho para seus
netinhos, e serviu com um chá bem quentinho. Ela soube de tudo que aconteceu e deu
vários conselhos para Ágata e Augusto. Eles ficaram esperando nas cadeiras da varanda,
assistindo o pôr-do-sol, enquanto a vovó Esmeralda contava sobre um molusco chamado
"Mantis Shrimp", que enxerga treze cores a mais, que os nossos olhos humanos não são
capazes de ver. E ainda contava também, que os cachorros não são capazes de ver
tantas cores como nós.
Os netinhos refletiam, e suspiravam enquanto ouviam os saberes da vovó. Quando
o vovô chegou, os três saltaram de alegria e correram até ele. Abrindo a sacola de tintas,
ainda na mão do vovô, Augusto se desmotivou um tanto, quando viu que vovô Zaqueu
trazia consigo apenas cinco cores de tinta: o vermelho, o amarelo, o azul, o branco e o
preto.
Ele o questionava sobre as outras cores. Sentia falta do laranja e perguntava como
ele pintaria os bicos dos patinhos da história do "Patinho Feio". Perguntava como pintaria
de roxo, as uvas de "A Raposa e as Uvas", como pintaria, sem o verde, tantas florestas
existentes em tantos daqueles livros, como pintaria os catelos sem ter marrom, e até
mesmo questionou como pintaria de cinza os ratos das fábulas de Esopo, como "O Rato e
a Ratoeira", ou ainda "O Leão e o Rato".
_ Bem, estes cinco frascos de tinta, é o que concedo a vocês. E tratem de dar a
cada figura, a cor que elas merecem! - concluiu o avô.
Imediatamente, toda aquela alegria escapou dos olhos de Ágata e Augusto. A vovó
por trás deles, segurava um sorrisinho que quase deixava escapar, e que ela prendeu
rapidamente quando eles se viraram e olharam para ela.
_ Vovó! - exclamou Ágata. - A senhora que é tão sábia, tão inteligente e tão
amorosa, será que poderia nos ajudar de alguma forma?
_ Ora, ora, ora... - dizia a vovó, vocês têm cinco cores de tinta na mão. Aconselho
vocês a começarem o trabalho logo. Pintem somente o que possui a cor certa e depois
pensaremos em algo. Isso não animou muito as crianças, porém elas trataram de
começar rapidinho, mesmo com medo de que os desenhos ficassem pela metade no final.
_ Vovô? O que você está fazendo aqui? - perguntou Augusto ao chegar na oficina.
_ Estou lixando levemente e com muito cuidado essas partes com chiado dos
livros, para que chegue na parte branca do papel, para que a pintura de vocês seja
possível.
Ágata e Augusto ficaram um pouco mais aliviados em saber que o vovô estava
ajudando, mas ainda estavam um pouco preocupados. Vovô Zaqueu já tinha lixado alguns
livros e seus netinhos começaram os desenhos por estes livros que já estavam
preparados para receber as tintas.
Eles logo estavam pintando e até mesmo se distraindo com aquela tarefa. Até que
de repente, sem querer, Augusto mergulhou a ponta de seu pincel, que estava ainda com
tinta vermelha, antes de lavá-lo, na vasilhinha com um pouco de tinta azul, e quando
percebeu tirou o pincel dali, assustado, pois mesmo não sabendo por quê, ele queria
obedecer a vovó que disse que eles deveriam retirar toda a tinda do pincel num copinho
com água antes de trocar de cor.
Porém, quando ele olhou para a ponta do pincel, percebeu que a tinta estava se
transformando na cor roxa! E ele começou a mostrar para todos, feliz com o que ele
acabava de descobrir! Então a vovó que já sabia que era possível tal façanha, disse para
as crianças:
_ Parabéns pelo empenho de vocês! E a vovó sabia que encontrariam a solução
para os problemas! O que vocês têm que fazer agora, é misturar todas as cores
possíveis. - disse a vovó, já indo providenciar mais vasilhinhas para que eles pudessem
fazer todas as experiências possíveis com aquelas tintas.
Misturando o azul com o branco, conseguiram o azul do céu para pintar todos os
livros do vovô, de histórias que mostravam o imenso azul por entre as nuvens
branquinhas. E assim foram eles, misturando, salvando novas cores, e cumprindo a tarefa
para deixar o vovô novamente feliz.
E, como recompensa, o vovô Zaqueu fez uma linda televisão de madeira com
abertura em baixo, para que seus netinhos pudessem brincar de sua brincadeira favorita
sempre. Com aquela nova e linda televisão, eles sempre se lembrariam daquele dia e a
televisãozinha sempre estaria pronta para a diversão. E vovô Zaqueu e vovó Esmeralda,
só lhes impuseram uma condição:
_ Quem começa somos nós!
E assim, os quatro puderam brincar juntos e as crianças se divertiram muito com o
vovô e a vovó encenando aqueles filmes antigos de que os avós gostavam. Mais tarde, o
pai e a mãe das crianças, chegaram para buscá-los e também tiveram que participar da
brincadeira. E a partir desse dia, Ágata e Augusto estudaram mais, e só assistiam
televisão depois que obedeciam seus pais e seus avós, em tudo.
Inverter o tema melódico, triste
Desta música mundial
A letra pessimista
Trato intimista .
Clamar as luzes da alegria !
As dores serão ondas oceânicas benéficas
Que banharão suavemente a criança de colo
Do solo das guitarras sairão
Notas de amor
A maior banda " Beatles"
Tocará apenas hoje .
Jesus, quero fazer minha parte
Jesus, mais amor por favor!
Ninguém mais chicoteará uma cor
Mundo idiota deixe de ser ridículo
Por favor !
Mais prece e mais amor .
Jeová não sonha
Faz do mundo aquarela
Penitência do mal , é do inimigo imortal
A sua inveja nunca foi legal
Meu DNA corrompido quero recuperar
A verdade pode a mente acariciar
Mundo idiota deixe de BLÁ BLÁ BLÁ
O Sol continua e continuará a brilhar
O mundo será colorido
E o meu amor eu vou abraçar.
Ao contrário do que dizem (ou pensam),
que és isso ou aquilo e bla bla bla,
não é questão de merecimento,
é questão de ser digno
e sim, (de ti) eu serei
companheira, e amiga,
com todo o meu carinho,
em quaisquer circunstâncias,
para o que der e vier,
perto ou longe...
Flor, Flor... Flor do Deserto, que dignidade
tem este cão para ser presenteado com tua
companhia, teu carinho e tua amizade?
Mr Nobody (Thor Menkent)
Como podem perceber pelo que virá logo em seguida, ele é um poeta, para o bem e para o mal, e um sonhador indeciso. Sinceramente, eu costumo não divulgar os trabalhos daqueles de que me alimento, mas esse aqui tem um proposito especial:
Fazer todos vocês virarem meu alimento.
Pois bem, não me julguem como alguém cruel ou aproveitador. Nós fazemos o que conseguimos para nos manter (não que eu goste do que faço) e meu meio é dando para vocês uma razão para sentirem o que esse carinha sentiu antes de... Bem, já devem imaginar antes do quê, não é? Continuando, isso tudo que tem depois dessa minha breve nota é fruto da dor, do sofrimento e de todo esse blá blá blá humano que eu realmente não consigo entender o porquê de tantos nomes para derivados de mim.
Espero que pelo menos uma lágrima seja arrancada de vocês, talvez eu explique alguma coisa durante o caminho.
Até bem breve.
Com carinho, The Hate.
Como podem ver, temos um Poeta de coração partido aqui. Secando lagrima inexistente. Na primeira vez que vi que esse pobre humano tinha se apaixonado eu quase estraguei tudo, mas ele não precisou de mim, estragou tudo sozinho. Eu tenho o avisado das calamidades do Lovely (que por sinal é um sujeito extremamente irritante de se conviver, eu nunca mais o chamei para tomar chá desde a ultima vez. Ele tentou jogar seu charme de carinho e afeto para cima de mim, logo eu o senhor da lava do Ódio.) desde a primeira decepção, mas ouvir o ódio é ruim, te faz tomar decisões erradas e blá blá blá. Humanos tolos.
Essa é a terceira visita do Lovely ao meu hospedeiro, pelo menos dessa vez estamos trabalhando juntos. O amor é insano as vezes e ouso dizer que quanto mais insano, mais real e "perfeito" ele se torna. Quem não ama uma bela valsa suicida, não é? Pois bem, voltando ao sentimento profundo do meu hospedeiro, ele tende a fazer e escrever coisas insanas sobre isso. Na verdade, metade de suas obras são frutos desse amor louco e depressivo.
Com certeza algo lindo.
Até bem breve,
Com "amor", The Hate.
Eu sempre pensei que fosse louco.
E muitas vezes me disseram que era mesmo,
pois eu tinha o hábito de falar com pedras
(pedras não falam, seu tonto, e blá, blá, blá...)
Mas todos estávamos enganados.
Admirar as pedras, sempre admirei,
principalmente as grandes pedras.
Aquelas paredes rochosas das escarpas,
muralhas protetoras das ribanceiras,
plutônicas e vulcânicas figuras
nos barrancos das estradas,
sisudas e altivas montanhas
branquejantes e acinzentadas
na geografia de Minas.
Atraem-me a sua imponência, a sua altivez,
a sua impassibilidade diante da ignorância
do homem e das agruras do mundo.
Ontem, sentado diante de uma grande pedra,
confessei-lhe da minha inveja
pela sua postura e sua inteligência.
Disse-lhe ainda da minha vontade de ser pedra,
livre do antagonismo humano, objeto imune
e indiferente à tristeza e à alegria.
A pedra me disse que eu estava enganado,
afirmando do alto da sua sabedoria
que ela era o ser mais feliz deste mundo.
Imagem google: Pedra Riscada, localizada em São José do Divino - MG, região que famosa por concentrar os maiores afloramentos de granito do Brasil.
fazer as contas percebo que tenho mais tempo vivido
que o que ainda possa a vir vivê-lo...
Não conseguirei
dobrar a idade, é fato, afinal, quem hoje chegaria
aos 120 anos, incólume, com saúde
e lucidez?...
Mas o que vivi
e o que possa ainda viver é tudo de bom (os primeiros)
e lucro os demais anos à frente...
Mas de uma coisa sei:
não tenho mais tempo para mesmices, coisinhas,
picuinhas e blá, blá, blás...
O tempo urge
e com a sua rapidez voam meus pensamentos
e minha vontade de sugar até
a última gota de vida...
Eu tenho pressa
de ser feliz e da vida quero apenas o essencial,
o que me der alegria e prazer,
apesar dos pesares...
Não que o mundo
seja cor-de-rosa, mas podemos colorir de vez em quando,
especial quando estiver em dias muito cinzas...
O nosso olhar
para a vida depende, também, do nosso humor,
dos nossos intentos e da nossa
vontade de voar... e voar!...
fazer as contas percebo que tenho mais tempo vivido
que o que ainda possa a vir vivê-lo...
Não conseguirei
dobrar a idade, é fato, afinal, quem hoje chegaria
aos 120 anos, incólume, com saúde
e lucidez?...
Mas o que vivi
e o que possa ainda viver é tudo de bom (os primeiros)
e lucro os demais anos à frente...
Mas de uma coisa sei:
não tenho mais tempo para mesmices, coisinhas,
picuinhas e blá, blá, blás...
O tempo urge
e com a sua rapidez voam meus pensamentos
e minha vontade de sugar até
a última gota de vida...
Eu tenho pressa
de ser feliz e da vida quero apenas o essencial,
o que me der alegria e prazer,
apesar dos pesares...
Não que o mundo
seja cor-de-rosa, mas podemos colorir de vez em quando,
especial quando estiver em dias muito cinzas...
O nosso olhar
para a vida depende, também, do nosso humor,
dos nossos intentos e da nossa vontade de
____ voar, voar qual borboleta!
Parece que exorciza aquilo de triste que existe em nós ou pelo menos ameniza a dor...
Quando estou triste - e estou, escrever torna-se algo que me ajuda a lidar com determinada situação.
Escrever me dá a sensação de que estou - e estou, curando as dores da alma.
Dizem que sou forte, guerreira, valente e blá-blá-blá mas, quando o bicho pega - e pegou, nem mesmo toda a coragem de uma Flor* consegue aplacar, de pronto, alguma dor...
Não sou de ficar lambendo minhas feridas ou acariciando minhas tristezas, mas tem o tempo de luto ou o tempo de carpir a dor...
Isto é necessário e humano!
Eu vi, em algum lugar, num banner:
‘'ONDE VOCÊ F(L)OR, FLORESÇA''!
Florescerei!
Thiago Silva sentou e chorou quando o jogo da Copa do Mundo de 2014 entre Brasil e Chile seria decidido nos penaltis; Gilmar Mendes se emocionou com a perseverança de Cristiano Zanin, advogado do Lula; João Doria tentou chorar, em momento comoção pública, com a primeira aplicação da vacina contra a COVID-19; Ciro Gomes se esforçou para derramar algumas lágrimas, demonstrando toda a sua dor pelas vítimas da COVID-19; Lula ficou em prantos na sua “possessão”. Lula, eterno “posseiro” do Brasil, “possuído”, engatou o discursinho vitimista e blá, blá, blá; e, agora, Marcos do Val, num momento Joice Hasselmann, se enroscou em seu próprio discurso e... chorou.
Numa época em que o vitimismo é demonstração de virtude, é muito comum vermos fraquejarem em instantes cruciais. O choro não deixa de ser a materialização de que há uma sensibilidade. Beleza! Mas quando se torna evidente que as lágrimas se negam a escorrer, a encenação fica patética. Cai a máscara. É falso. Tudo fica como um teatrinho escolar mal ensaiado.
Os episódios que eu elenquei foram selecionados para exemplificar quando a firmeza diante do desafio seria muito mais bem-vinda que a mera sinalização de sensibilidade ou, muito grave, a pusilanimidade.
O que se esperava do Thiago Silva, não era sentar na bola e chorar; pelo contrário, seria o zagueiro exibir uma atitude, mesmo que forçada, de vencedor. No entanto, Thiago fez questão de ficar, no campo, onde todos pudessem focalizar sua suposta sensibilidade, ou fraqueza.
Tudo isto explica bem porque, após uma derrota, os atletas ficam no gramado, fingindo para o mundo que sentem muitíssimo a derrota. Esse fenômeno pode ser exemplificado quando, num exemplo irreal e exagerado, Honduras perde de oito a zero para o Brasil, e os jogadores hondurenhos caem no gramado, esfregando os olhos, como quem deseja enxugá-los, e ficam estarrecidos com a eliminação.
Verdadeira ou falsa, a lágrima vale votos e, principalmente no exemplo esportivo, isenção de responsabilidade, como quem diz: minha parte eu já fiz, demonstrei sensibilidade e empatia.
Entretanto, agora era diferente. O sujeito que entrou na sala era figurinha conhecida na escola. Sempre sorridente, ele distribuiu um panfleto: Fundação do Partido Verde. Faz tempo, descobri que a causa ambientalista era só um chamariz para atrair e capturar “almas e corações” juvenis para o sempre anacrônico marxismo. Sem saber, eu estava diante do “diabo” querendo “comprar” algumas almas, representando um “partido melancia” (verde por fora, vermelho por dentro).
No final, confiante na cooptação e contente, ele disse: “Depois eu pago uma paçoquinha”. A fala, perigosamente infantilizada, me remeteu à tática usada pelos traficantes. Sabendo da doutrinação ideológica e manjando o “modus operandi”, se eu entrasse naquela, teria xingado meus pais, trabalhadores, de “porcos capitalistas” e, hoje, estaria vagando numa “cracolândia ideológica”.
A abordagem do “amigão” lembrou tudo o que meus pais (visionários) sempre disseram para evitar. Nesse momento, eu acionei o alarme interno. Aquele “aviãozinho a serviço do tráfico de almas” estava perdendo tempo comigo e, espero, com o restante daqueles aluninhos. Comecei a ouvir o blá, blá, blá disfarçado, fazendo o que eu já sabia: deixando “entrar por um ouvido e sair por outro”.
Demorou para eu descobrir, mas a imprensa que manipula a informação, continua tentando me convencer a destruir a minha e outras existências. Certamente, vitimas, seduzidas por militantes que ofertam doces a crianças, insistem, com um método mais abrangente, em fazer o mesmo.
Há muito tempo, percebi que o meio ambiente era apenas um chamariz “bonitinho”. Se eu caísse nessa armadilha, possivelmente faria o “L”, botaria um boné do MST, vestiria uma camiseta do Che Guevara, tremularia uma bandeira do Hamas, leria Foucault, cantaria a Internacional Socialista...
que você tem vontade de:
___ desistir de tudo,
___ descer do salto,
___ rodar a baiana,
___ chutar o pau da barraca?
Pois é,
e para desabafar, desaguar,
desintoxicar, exorcizar e blá, blá, blá,
só tem uma alternativa:
''sangrar em versos!''
E é isso
que faço, ao mesmo tempo que me
desfaço do que não é bom,
(...) em qualquer
momento, no meu dia a dia,
eu rego, com amor, o meu tesouro,:
______ a minha poesia!...
Em 2014, os rolezinhos “chegaram chegando”. O que parecia um bando de moleques a fim de dar uns beijos, ficar muito louco e zoar virou palco para especialistas de gabinete, sociólogos de boteco e “flanelinhas de minorias”. Com teses estapafúrdias, querendo dar uma roupagem de discriminação social à reação ao fenômeno, esses picaretas encontraram uma oportunidade de encaixar explicações pré-fabricadas.
Eu já saí com uma turma com potencial para transformar o Shopping Center Norte numa área que não seria considerada de lazer; mas o freio social amenizou o ímpeto infanto-juvenil da turminha que circulava livre dos olhos dos pais. O máximo de rebeldia era jogar fliperama. Fora isso, o roteiro era: ‘McDonald’s’, cinema e sorvete. Reconheço que o “script” era quadradinho, quase pequeno-burguês, mas era isso que era entendido por passear no shopping.
Apesar de pobre, nenhum teórico classificou o “rolê” como discriminação social, ocupação de templo de consumo, ou falta de ambiente de lazer na periferia. Meu passeio não mereceu o “status” de movimento social, talvez por falta de barulho, algum objeto quebrado ou alguém ferido. Provavelmente, minha adolescência foi na época errada ou nada era problematizado e um rolê era apenas... um rolê.
Os jornalistas, especialistas, antropólogos, sociólogos ou pesquisadores devem guardar essas rebuscadas construções semânticas que, como coringas, justificam banalidades. Expressão de conquista de espaço, modelo de inclusão social, nova classe média, demonstração de desigualdade e elitismo da sociedade brasileira, triunfo de um capitalismo deslumbrado, manifestações de uma cidadania insurgente, não adequação do local para essas reuniões e blá, blá, blá.
Raizes na luta pelo espaço urbano, diz pesquisador. Embora essa frase não tenha quase nenhum sentido, e o pesquisador deva ser um teórico pirado ou um pensador chapado, eu sou fã desse cara. Se essa figura não existisse, também não teria parido essa ideia criativa. Sensacional.
As propostas de mudanças não ficaram de fora. Segundo os “especialistas” de sempre, a sociedade tem que se adaptar a fenômenos adolescentes. Mas é fácil alterar as teses de gabinete: basta ameaçar montar uma feira livre, promover um pancadão ou submeter a porta da casa desses teóricos a esses “fenômenos sociais”.
Recentemente, Chicago, EUA, experimentou uma versão mais violenta de rolezinho. Dessa vez, os intelectuais não conseguiram romantizar o evento, portanto não “venderam” suas teorias e se calaram.
“Os pobres colhem o que os intelectuais semeiam”
(Thomas Sowell)
A seleção da Alemanha posou para uma fotografia do time, estrategicamente, tapando a boca. Legal. Algum coletivo “mimizento” deve ter achado o pseudoprotesto revelador, uma denúncia corajosa, “lacrador”, o máximo e blá-blá-blá... No entanto, quem queria ver apenas um bom jogo de futebol começou achando a coisa estranha. O alemão que torcia para ver sua “Deutschland” classificada decepcionou-se.
Ajoelhar-se, negar-se a cantar o hino, esse tipo de atitude, combinada e ensaiada para ser registrada pelas câmeras, é eficaz para sinalizar virtude. Ou seja, quem toma essa atitude inócua faz uma propaganda de si mesmo; quem, mesmo sendo favorável à causa, se nega a se submeter ao gesto, é rotulado de misógino, homofóbico, intolerante etc.
Antes que eu seja rotulado, devo dizer que minha crítica é só com a sinalização de virtude e, em casos mais severos, o monopólio da virtude. A Alemanha podia ser mais radical no protesto com o boicote à competição. Não enviando o escrete, demonstraria total repúdio ao país oriental (Catar) e ao certame (eivado de denúncias) e, ainda mais, evitaria o vexame futebolístico.
Dificilmente, todos os jogadores alemães estavam dispostos a “pagar o pedágio ideológico”, o que não significa ser indiferente às restrições do país. Protesto de ocasião foi inventado para aparecer bem na foto, literalmente e figuradamente.
Abraçar, coletivamente, a Lagoa Rodrigo de Freitas, vestir-se de branco ou cantar ‘Imagine’ não combate a violência. Pelo contrário, até aumenta. Por quê? Porque essa é a reação que o assassino gosta. É o “Não reaja” do assassinato.
A FIFA ameaçou punir as seleções “lacradoras” com uma farta distribuição de cartões amarelos. A punição mostra que a federação aceita disputar o torneio fora de campo. Aliás, é longe do gramado onde os dirigentes estão acostumados a decidir as “jogadas” e onde essa Copa do Mundo começou.
O país, onde um chanceler barbarizou o mundo, terá quatro anos para protestar contra absurdos que ocorrem em outros países. Enquanto isso, dá até para treinar futebol.
Fecha, fecha, fecha!
Ordenava Lana, aos presentes. E é a partir deste ponto que ela, prontamente assume e organiza rapidamente, os próximos passos, adequados. Direcionando habilmente o fim da cerimonia e o fechamento do caixão.
Deste momento em diante tudo transcorre pacificamente. Mas minutos antes... Aquele início de confusão familiar, poderia facilmente ter se transformado em noticias dignas, à serem estampadas às pressas, devido a hora do fato ocorrido. Cenas adequadas a um jornal de quinta categoria.
Cenas de revoltar o próprio Sr. Datena. Cenas de um ódio desmedido, que revelariam coisas mais e mais cabeludas ocorridas em tempos passados, entre os desafetos.
Foram cinco minutos constrangedores. Dignos de meu relato por um único motivo.
Percebi ao longo do tempo e observando o comportamento de alguns, que tem gente que parece humana. E este é meu alerta. Gente que, já morreu e não sabe. Fantasmas com carne e ossos a arrastar-se, prá lá e prá cá! Nariz impinado e soberba na boca.
Gente morta que até vota, como qualquer cidadão eleitor. Gente morta que dirige um carro, paga suas contas e até trabalha depois que aposenta. Abutres que em verdade, mais atrapalham e destroem sonhos, do que contribui socialmente na velhice que se instala, precocemente.
Compreenda. Foram palavras sabias as proferidas por Jesus. Há mais de dois mil anos atrás. "Deixem que os mortos enterrem seus mortos".
Fecha, fecha, fecha!!!
Lana cutuca Lídia e logo, as duas contornam o clima ameaçador, descabido, deprimente e hostil. Rapidamente, as duas passam panos quentes.
Que jogo de cintura tem elas. Lana e Lídia. Como se SABEM e se conhecem de cor e salteado elas duas, eu diria.
Coisa de cento e oitenta segundos, mais ou menos. E milagrosamente, tudo voltou ao normal.
Gente que ainda estava do lado de fora e respeitosa e mansamente se achegava, sequer percebeu o ocorrido.
O contornado inicio de tumulto.
Muitos nem se perceberam da postura insana, do patético filho mais velho da falecida. Olhos injetados de ódio a fitar e intimidar o irmão caçula, Pablo.
Eu observava um pouco afastada, aquela agressão tosca, odiosa, acintosa, intimidadora e silenciosa.
Do tipo hipnose de serpente asquerosa.
Para mim aquilo tudo, não era nenhuma surpresa.
Conheço bem aquele bronco ladino e abusador, de minha infância.
Faltavam exatos cinco minutos e eu, me coloco estrategicamente, naquele exato ponto do salão. Torço para que tudo termine com paz e respeito. Sem grande alarde ou roupa suja prá se lavar publicamente... E bem num momento desses.
Com o bronco ali... Ah, isso era bem possível de virar baixaria ou pastelão.
Nossa mãe merecia partir como toda dignidade.
Eu não precisava provar nada, nem tinha nada a esconder. Despedi-me dela em vida. Em meu último beijo, ela ainda estava quentinha... Estivemos sempre presentes eu e o Pablo. Dias e noites ao seu lado. Como amigos leais que se unem e se ajudam, em momentos difíceis e de dor. Nos fortalecíamos assim, mutuamente. Estivemos juntos, nesses últimos três meses de muita tensão e incertezas por virem.
Atuando e acalmando a nossa mãe, vitimada novamente, por um segundo derrame cerebral. Leais aos nossos princípios morais e éticos. Como deve ser o agir de seres humanizados. Atos espontâneos e sinceros entre irmãos e filhos, que respeitam a eminente passagem de um ser humano, e nestes momentos revelam a todos, o quanto amam os seus pais.
Em meu posto, um pouco afastada, estava atenta. Logo me emociono ao vê-lo respeitoso, se aproximar do corpo dela. Um meigo e afável olhar, que Pablo pousa delicadamente sobre ela. Minha... Nossa mãe.
Ele parecia rezar, confortando-a e a si mesmo. Momento angelical entre os dois.
Do lado oposto observo, aqui do meu posto...
Aquele bronco a mirá-lo acintosamente, soltando toxinas e venenos pelos olhos dementes e de alma ausente.
Aquela coisa senhores, não era uma expressão humana. Revelava estar ali e de corpo presente, um asqueroso, um odioso demônio encarnado. Sem amor ao próximo, nem mente e muito menos coração.
Alguns amigos e parentes presentes no salão, ao perceberem algo estranho no comportamento do quadrupede, se posicionam atentamente, assim como eu.
Estrategicamente estamos bem preparados ao que poderá surgir. Não há conversa alguma acontecendo. Só troca de olhares. Sinto-me protegida e cercada por muitos seres do bem.
O clima é tenso. Sinto no ar cheiro de confusão, misto de enxofre e flores.
Alguns, porém vendo a cena inusitada, intimidativa e não menos que interrogativa, se aproximam ainda mais de Pablo. Formando assim, intuitivamente, um cordão de proteção contra um agente do mal, que o espreita, com cara de lobo mau.
Pablo nem se apercebera. Tão absorto estava ele, em seu último adeus a mãe.
Foi quando o tal bronco, sendo ainda mais aviltante, o pescoço esticou em direção ao Pablo. Como quem quer meter o nariz onde não lhe cabe adentrar. Uma desrespeitosa e visível invasão de privacidade. Atitude típica de gente chula e sem noção do momento solene e funebre.
Estavam de frente, os dois. Separados apenas pela largura do caixão. Aquele narigão exalava enxofre e podridão no ar. Lembrei-me de um ditado que minha mãe sempre dizia.
"Por fora bela viola. Por dentro, pão bolorento".
Era patética, horrenda e descabida aquela cena. Um demônio encarnado, fitando um inocente. Como se fosse uma cobra vil e astuta, espreitando um rouxinol a cantar mansamente, um suave improviso inaudível de uma reza entre almas afins.
Foi quando resolvi se achegar e me juntar ao grupo de cá. E assim fiz.
Estava eu, distante do caixão uns nove ou dez passos.
Senti que toda nossa dedicação, minha e de Pablo, para com nossa mãe, ainda não terminara.
Aquele animal, que tentara nos intimidar, tinha que ser colocado no seu devido lugar.
Sua dor fingida e sua prostração ao lado do caixão por mais de duas horas e meia, fora apenas provocação e nada mais. Típico dos bichos que demarcam seus territórios. Ou cagando ou mijando no entorno. Me desculpe leitor, o palavreado chulo. Considere estes termos, reconhecidamente agressivos, inclusive por mim, apenas expressões narrativas aqui aplicadas, com a finalidade de descrever todo meu asco, repugnância e indignação.
Eu e Pablo não mais nos aproximamos do corpo dela, desde que aquele bicho homem chegou ao salão. Não queríamos dar pérolas àquele porco insano.
Já tínhamos nos despedido dela muito antes da chegada dos amigos e familiares. Estávamos cansados, mas havia serenidade, respeito e paz em nosso comportamento e apesar de tudo.
Segui confiante, escudada por minha força interior. Estava determinada a por um ponto final naquela palhaçada descabida de maneira firme e respeitosa. A força do respeito, era o meu escudo invisível. Eu me sentia poderosa e capaz. Seria com um golpe certeiro. Dado com um simples olhar aguçado, afiado, ferino e fatal. Eu já antevia a explosão daquela cabeça cheia de vento flatulento.
Entrelacei com meu braço direito, a cintura de Pablo. A minha esquerda estava Lana. A direita de Pablo, Lígia.
Não olhei para o corpo dela. Não fui dizer adeus a ela... Minha... Nossa MÃE!
Fui revelar a ele... Que eu e Pablo continuavamos sim, juntos e até o fim, do lado dela.
Mostrar que exigiamos que ele, se comporte e respeite a ela, falecida e de corpo presente e a todos presentes, como um ser humano que se comporta como gente. Que respeite nossa dor e o momento póstumo, fúnebre. In memória daquela, que é também sua genitora, que agora diante de todos... jaz.
Aproximei-me e olhei fixamente para aquele pulha asqueroso, envelhecido e caquético. Agora ele estava à minha frente.
Ele transfere seu olhar de cão sarnento e louco para mim. Eu, simplesmente olho para sua miséria humana. Fito-o e adentro naqueles dois olhos ocos, claramente sem luz ou resquícios de um brilho... Olhos sem alma.
Tento sem nada dizer, acordá-lo daquele seu transe insano e hipnótico. Olhar típico de um pernóstico.
Enquanto o encaro frente a frente, observo o seu arfar crescente. Uma explosão iminente é agora visível e até previsível.
Os junto dele, começam a segurar o animal que nele desperta, como sua própria irracionalidade, assim o revela.
Um bicho acuado e rosnando, diante de mim é o que vejo.
Este bicho homem, está claramente sendo domado por alguns. Vejo grande besta, acuada diante de mim. Intimidada pelo meu olhar certeiro.
EU SOU, total confiança envolta em consciência. EU SOU, pura paz. Poder maior que me orienta os atos a seguir.
Vejo-o se debater e arfar como um demente... Enquanto EU SOU, PRESENTE EM CORPO E MENTE.
Segundos apenas, se passaram. Descrevê-los, leva uma eternidade.
Sinto brotar de dentro de mim uma forte vontade de rir.
O que não faço por motivos óbvios.
Segundos patéticos, diante do que se revela.
Mas confesso, esbocei diante dele um leve sorriso, imperceptível na boca.
Sorri com os olhos, para ele.
Foi meu golpe final... E de misericórdia!
Foi quando o monstro se rebelou de vez. Grunhiu tal qual um bicho raivoso com focinheira na boca. Dois rugidos pouco articulado e entre dentes saíram enfim.
Só ouviram os atentos e bem próximos da cena. Duas pequenas frase foram com visível resistência articuladas.
Frases que já ouvira muitas vezes. Vindas daquela mesma bocarra escancarada cheia de dentes e imunda.
Apesar do momento solene e tão fúnebre... As duas frases escaparam ao controle dos que tentavam evitar o previsível desastre. Entre seus dentes cerrados, boca babando e olhos esbugalhados ele berrou! Berros abafados por ele mesmo, eu diria... O próprio fel produzido em suas glândulas o sufocava e o paralisava. Mas as frases enfim foram arrotadas...
Sua vacaaaaaaaaaaaaaaaaaa!!!
Sua filha da Putaaaaaaaaaaaaaa!!!
Claro que aquele asno, foi logo arrancado dali e rapidamente. Literalmente a besta, foi tirada de cena.
Muitos nem entenderam o porquê de tanta gente a segurá-lo e a arrastá-lo para longe.
Talvez a tristeza da perda da mãe, alguns com certeza deduziram. É normal, quando se ama muito os pais, outros diriam.
Coitadinho... Viu como ele não abandonou o corpo da mãe um só instante. E blá, blá, blás de justificativas as carradas.
Antes de imobilizarem-no, pude ver claramente que levara um belo e bem dado bofetão no meio da cara.
Bem no meio da fuça.
Foi logo ao fim da palavra, pu... taaaaaaaaaaa!!! Um sonoro tapa, merecidamente e certeiramente muito bem aplicado! Eu pude ver e ouvir. Aquilo foi música em meus ouvidos.
Mão santa aquela. Da outra insana.
Me pergunta você... Tem mais loucos?
Digo... Nem te conto leitor. Quem sabe aos poucos e em outros contos.
Sim, tem tarja preta também, na família. É minha outra irmã, Cacilda Maria.
Naquela fração de momento exato e perfeito Stap!!! Um bofete bem dado... Posso jurar senhores, senti minha própria mão esquentar e formigar logo em seguida.
Cacilda Maria, mesmo sendo ela uma esquisóide, assumida e conveniente. Teve sim, um fio de bom senso. Misto de sanidade e santidade, eu diria.
Fecha, fecha, fecha...!!!
E foi daí, que Lana assumiu os finalmentes do cerimonial de último adeus, a sua querida e amada madrinha.
A Minha... Nossa mãe... preciosa.
E assim, você que até aqui me acompanhou, termino esta narrativa.
Pois foi um milagre, o que aconteceu ao pé do caixão de minha mãe.
Um tsunami foi deveras e habilmente controlado.
Entre possíveis mortos ou feridos eu diria... O número não aumentou.
FIM
Nota da autora.: Qualquer semelhança entre a vida real e os personagens deste conto, é pura e mera coincidência.
Teka Barreto
que nem toda essas poesias ruins
Me faz rir.
o vida vida vida
Perdida bla bla bla
Não estou chorando o bastante
Pra que alguem me acalente
Quero minha maezinha
E assim que os poeatas soam
Preguicoso versos de mentira
Com rimas nao tao geniais
"Ohhh ahhh aohhh
Ta doendo"
Criancas descobrindo o alfabeto
Pela primeira vez
Sejam idiotas e facam o
Papai aqui se divertir
Blá blá blá.
FORÇA DE ACREDITAR
É A FORÇA QUE HÁ DENTRO DE NÓS,
NÃO IMPORTA O QUE AS OUTRAS PESSOAS DIZEM.
O QUE AS OUTRAS PESSOAS DIZEM É BLÁ BLÁ BLÁ,
É BOBAGEM, NOSSOS OUVIDOS
NÃO DEVEM ACEITAR.
O QUE O NOSSO CORAÇÃO QUER VIVER
É O QUE VALE A PENA PRA GENTE ACREDITAR.
A GENTE ACREDITA,
A GENTE VIVE,
VIVE ESSA FORÇA,
ESSA FORÇA DE DEUS DENTRO DA GENTE.
E A GENTE VAI VENCER.
( Autor: Poeta Alexsandre Soares de Lima)
FORÇA DE ACREDITAR
É A FORÇA QUE HÁ DENTRO DE NÓS,
NÃO IMPORTA O QUE AS OUTRAS PESSOAS DIZEM.
O QUE AS OUTRAS PESSOAS DIZEM É BLÁ BLÁ BLÁ,
É BOBAGEM, NOSSOS OUVIDOS
NÃO DEVEM ACEITAR.
O QUE O NOSSO CORAÇÃO QUER VIVER
É O QUE VALE A PENA PRA GENTE ACREDITAR.
A GENTE ACREDITA,
A GENTE VIVE,
VIVE ESSA FORÇA,
ESSA FORÇA DE DEUS DENTRO DA GENTE.
E A GENTE VAI VENCER.
( Autor: Poeta Alexsandre Soares de Lima)
Já te vejo voltando pra casa com um sorriso de vingança dançando na tua boca fechada. Sim. Você vai voltar de ônibus e não vai deixar ninguém perceber quem você é, nem de onde está vindo. Você sentada naquela janela dos fundos, olhando a paisagem veloz com teu velho sentimento de “aqui se faz, aqui se paga”. Só se esqueceu que eu estaria a sete palmos de terra e surdo para seus xingamentos. Não quer me perdoar, azar o seu. Vou terminar de arrumar minhas malas e ouvir teus gritos com você descabelada aqui dentro do quarto só serve para você mesma. Pra mim, você não passa de um amontoado de ideias vis misturadas com birras infantis. Pode gritar, pode arrancar os cabelos. Vou deixar de propósito, sem você ver, uma cueca no fundo do guarda-roupa. Você nunca arruma nada mesmo. Quando ficar velha e for vender tudo isso aqui para um brechó, vai descobrir minha cueca e você vai ouvir minha gargalhada lá do inferno.
Pronto. Nada como sair pela porta da frente com a cabeça erguida. Bati a porta com vontade. Se o vizinho chamar a polícia igual da outra vez, já não estarei mais aqui. Daquela vez bati a porta ao contrário: entrando em casa. Bati, e bateria mil vezes. Mas você nem ouviu. Estava naquele teu banho quente. Acho que foi isso, o vizinho ouviu a porta batendo, depois escutou meus gritos, ouviu teus gritos “para Alfredo, para com isso Alfredo”. Eu só estava fechando a porcaria do chuveiro, me molhei todo e queria uma explicação apontando o dedo para o teu celular sobre a tampa do vaso. O vizinho sacou que não eram gritos como os de nossas noites de sexo com aqueles abusos que você pede pra eu fazer com você. O vizinho estava certo. Tinha que chamar mesmo a polícia. Quando eles chegaram você teve a cara de pau de dizer “não conheço nenhum Bruno”. Esqueceu que sou perito em informática?
Agora eu bati a porta ao contrário. Bati saindo e carregando duas malas. Eu dei o troco e valeu a pena. A Vanessa é um espetáculo. E é do signo de escorpião, sacou? Sabe como fazer o negócio.
— Táxi!
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Bem que minha mãe falou “não casa, não casa, homem é tudo igual”. Pode até ser, mas o Alfredo só batia onde eu pedia, na hora que eu pedia e do jeito que eu queria. Fui burra? Acho que não. Quando é que esses homens vão entender que estamos no século XXI? O Alfredo não ficou puto porque eu saí com o Bruno. Ficou puto porque não o chamei pra estar junto. Homem de peixes é foda. Eu já prefiro dizer “pisciano é tudo igual”. O povo acha que o pisciano é aquele tipo “paz e amor”, chegado a ervas, fumos e bebidas destiladas, acham que vivem ouvindo Enya e Kitaro, não sabem de nada. Esses caras de peixes são espertinhos, vão levando todo mundo no papo, com aquela voz de dengo, aquele jeitinho manso, mas ninguém sabe do que são capazes. Digo, psicologicamente. Todo mundo cai naquela de que vivem na deprê, kkkkkkk, pura fachada. Essa turma aí tem uma cabeça protegida por aço com titânio. E aquele fuzuê de gritaria é tudo fachada também. Eles têm uma técnica de jogar adrenalina no sangue da gente, pra depois pousarem as mãos no nosso corpo, a boca, os dedos e saiam da frente.
Bateu a porta, eu sei. Ok, pode estar puto sim. Se leu a troca de mensagens, tem motivo de sobras pra ficar puto. Mas insisto na tese de que preferia participar do negócio, ver como as palavras seriam materializadas entre quatro paredes. Mas não viu. Isto é, só viu as palavras. Não viu o resto. Conheço o Alfredo. Em menos de três dias vai me ligar pedindo perdão. Eu vou dizer que dessa vez vai demorar pra perdoar. Ele me conhece. Eu gosto de guardar rancor. Certas emoções não vale a pena descartar. A gente se sente viva.
Agora tem uma coisa: se ele não telefonar ainda nesta semana, então a coisa ficou feia. Quem tá batendo na minha porta?
Oi, vizinho. Obrigada pela preocupação. Está tudo bem. O vento bateu a porta. “Esse cara é doido pra me comer, pensa que não percebo”.
Então, como eu tava dizendo, a coisa ficou feia porque não gosto de dormir sozinha. Eu minto pra meia-dúzia de pessoas, digo que sinto saudade de quando morava sozinha aqui, blá blá blá. Ainda vou numa psicóloga pra saber por que eu minto tanto. Tive a coragem de dizer naquela vez que eu não conhecia nenhum Bruno. E o pior: disse como sendo a mais pura verdade. E sei que não foi isso que deixou o Alfredo puto. Acho que já falei isso. Merda, quem tá me ligando na hora do meu autoexame de consciência?
— Alô?!
FORÇA DE ACREDITAR
É A FORÇA QUE HÁ DENTRO DE NÓS,
NÃO IMPORTA O QUE AS OUTRAS PESSOAS DIZEM.
O QUE AS OUTRAS PESSOAS DIZEM É BLÁ BLÁ BLÁ,
É BOBAGEM, NOSSOS OUVIDOS
NÃO DEVEM ACEITAR.
O QUE O NOSSO CORAÇÃO QUER VIVER
É O QUE VALE A PENA PRA GENTE ACREDITAR.
A GENTE ACREDITA,
A GENTE VIVE,
VIVE ESSA FORÇA,
ESSA FORÇA DE DEUS DENTRO DA GENTE.
E A GENTE VAI VENCER.
( Autor: Poeta Alexsandre Soares de Lima)
Começa o dia logo cedinho
Arruma a marmita e segue de mansinho
No morro ou na favela não tem muita ilusão
A vida é bem difícil parece que vem na contramão.
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Tudo tem seu preço e pouco valor
Não tem o que contestar com tamanha dor
A carência está em todo lado e não tem o que fazer
Não tem como escapar, pois não sabem o que vão fazer.
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Favela virou favela como péssima referência
Com tamanha omissão a luta pela sobrevivência
Entra governo e sai governo e nada se vê mudar
Tem muita enrolação e muito blá blá blá.
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As pessoas são presas do tráfico
Que corrompem inocentes
Viram soldados combatentes
Todos muitos inconsequentes.
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Morador de favela também tem valor
Sua luta é constante mas não tem um esplendor
O Estado é omisso e muitas vezes enganador
Não faz o seu papel e algumas vezes impõe terror.
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O traficante se aproveita dessa ausência paternal
Paga feira, remédio e gás de cozinha
Faz o papel de bom moço pagador
Mas que no fundo é um grande ditador.
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Nas mãos dessa gente doente está o bom povo trabalhador
Que muitas vezes idealizam no traficante seu salvador
E a vida logo vai passando, assim como ela é
Vida sofrida e valente, até quando Deus quiser.
De: Ciríaco
As cores, as flores, as luzes
O mundo é geometricamente perfeito,
Olhe para o céu e veja as mandalas.
Nas nuvens perceba as formas
E no coração encontre o melhor de si.
Nos desprendemos do que fomos ontem
E nos apegamos no que achamos que somos hoje,
Para que amanhã não venhamos repetir a dose.
O aprendizado é opcional, aprenda por querer
Ou espere para absorver quando menos esperar.
O tombo é engraçado, rir de si mesmo é uma qualidade dos sábios.
Observe o pássaro filhote querendo alçar voo,
Sem nem ter asas que aguente o seu peso
E quando resgatado e de volta ao ninho, faz nova tentativa
Perceba que até os animais sabem o tamanho de seu potencial,
Porém, aprendem com o tempo como usar seus atributos.
Singelo é o pensamento que não exige pressa,
Para que não se perca e vire presa.
FORÇA DE ACREDITAR
É A FORÇA QUE HÁ DENTRO DE NÓS,
NÃO IMPORTA O QUE AS OUTRAS PESSOAS DIZEM.
O QUE AS OUTRAS PESSOAS DIZEM É BLÁ BLÁ BLÁ,
É BOBAGEM, NOSSOS OUVIDOS
NÃO DEVEM ACEITAR.
O QUE O NOSSO CORAÇÃO QUER VIVER
É O QUE VALE A PENA PRA GENTE ACREDITAR.
A GENTE ACREDITA,
A GENTE VIVE,
VIVE ESSA FORÇA,
ESSA FORÇA DE DEUS DENTRO DA GENTE.
E A GENTE VAI VENCER.
( POETA ALEXSANDRE SOARES DE LIMA )
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