

Manoel de Barros
Manoel de Barros foi um poeta brasileiro cujos versos exploraram a infância, a natureza e o cotidiano com uma linguagem singular e inventiva. Sua obra é marcada por uma profunda sensibilidade para com o mundo rural e os elementos simples da vida, que ele elevava a um patamar lírico e filosófico. A capacidade de reinventar a palavra e de criar imagens surpreendentes a partir do banal o tornou um dos nomes mais queridos e originais da poesia brasileira contemporânea.
1916-12-19 Cuiabá, Mato Grosso, Brasil
2014-11-13 Campo Grande
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Infância
Coração preto gravado no muro amarelo.
A chuva fina pingando... pingando das árvores...
Um regador de bruços no canteiro.
Barquinhos de papel na água suja das sarjetas...
Baú de folha-de-flandres da avó no quarto de dormir.
Réstias de luz no capote preto do pai.
Maçã verde no prato.
Um peixe de azebre morrendo... morrendo, em
dezembro.
E a tarde exibindo os seus
Girassóis, aos bois.
Publicado no livro Poesias (1956).
In: BARROS, Manoel de. Gramática expositiva do chão: poesia quase toda. Introd. Berta Waldman. Il. Poty. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 199
A chuva fina pingando... pingando das árvores...
Um regador de bruços no canteiro.
Barquinhos de papel na água suja das sarjetas...
Baú de folha-de-flandres da avó no quarto de dormir.
Réstias de luz no capote preto do pai.
Maçã verde no prato.
Um peixe de azebre morrendo... morrendo, em
dezembro.
E a tarde exibindo os seus
Girassóis, aos bois.
Publicado no livro Poesias (1956).
In: BARROS, Manoel de. Gramática expositiva do chão: poesia quase toda. Introd. Berta Waldman. Il. Poty. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 199
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