Redondilhas Para Tati
Sem ti vivo triste e só
(Bastasse o que já sofri... )
Sem ti sou ermo, sou pó
Sou tristeza por aí...
Sem ti... ah, dizer-te a ti!
Mas se me cerra o gogó
Como se tivesse aqui
Um naco de pão-de-ló!
Sem ti sou pena de Jó
Sou ovo de juriti
Sem ti sou carandaí
Tamandaré, Mossoró
Sem ti sou um qüiproquó
Um oh, um charivari
Sem ti, sou de fazer dó
Sou de fazer dó-ré-mi
Meu benzinho de totó
Meu amor de tatuí.
Mas sou forte não reclamo
Sou bravo como Peri
- Não, mulher, já não te amo!
(É brincadeira, hem, Tati... )
Tati, Tatuca, Tatica
Onde ficou minha tática
Perdi toda a velha prática...
Esta vida é uma titica.
Ah, garota, francamente
Nem sei mais o que pensar
És tu que estás tão presente
Ou eu que fui me casar?
Não posso, Tati, te juro
Não posso viver sem ti
Tu és meu cantinho escuro
Meu verso por descobrir
És meu eterno oxalá
Em terra de alibibi
És meu trecho de Zola
Repassado por Delly
És Totonha, Tatiana
Tereza, e nunca Tati
És extrato de lavanda
Rotulado por Coty
Beatriz?... mas quem és tu
Para Dante abandonar?
Sereis um merci bocu
De praga de pai Exu
Para cima de moá?
Não! Tu és como o penedo
E eu... como a onda do mar
És a sombra do arvoredo
E eu... pastor a descansar
Sou o ouvido, és o segredo
És a luta, eu sou a paz
És Beatriz Azevedo
E eu Vinicius de Moraes.
Genebra Em Dezembro
Campos de neve e píncaros distantes
Sinos que morrem
Asas brancas em frios céus distantes
Águas que correm.
Canais como caminhos prisioneiros
Em busca de saída
Para os mares, os grandes, traiçoeiros
Mares da vida.
Cisnes em bando interrogando as águas
Do Ródano, cativas
Ruas sem perspectivas e sem mágoas
Fachadas pensativas.
Chuva fina tangendo namorados
Sem amanhã
Transitando transidos e apressados
Pont du Mont Blanc.
Relógios pontuais batendo horas
Aqui, ali, adiante
Vida sem tempo pela vida afora
Tédio constante.
Tédio bom, tédio conselheiro, tédio
Da vida que não é
E para a qual há sempre bom remédio
Do bar do "Rabelais".
Soneto da Espera
Aguardando-te, amor, revejo os dias
Da minha infância já distante, quando
Eu ficava, como hoje, te esperando
Mas sem saber ao certo se virias.
E é bom ficar assim, quieto, lembrando
Ao longo de milhares de poesias
Que te estás sempre e sempre renovando
Para me dar maiores alegrias.
Dentro em pouco entrarás, ardente e loura
Como uma jovem chama precursora
Do fogo a se atear entre nós dois
E da cama, onde em ti me dessedento
Tu te erguerás como o pressentimento
De uma mulher morena a vir depois.
Rio, abril de 1963
Madrigal
Nem os ruídos do mar, nem os do céu, nem as modulações frescas
Da campina; nem os ermos da noite sussurrando sossegos na sombra, nem
os cantos votivos da morte, nem as palavras de amor lentas, perdidas; nem
as vozes, os músicos nem o eco patético das lamentações; nenhum som,
nada
É como o doce, inefável ruído que meu ouvido ouve quando se pousa em
carícia, ó minha amiga, sobre a carne tenra da tua barriguinha.
Soneto a Pablo Neruda
Quantos caminhos não fizemos juntos
Neruda, meu irmão, meu companheiro...
Mas este encontro súbito, entre muitos
Não foi ele o mais belo e verdadeiro?
Canto maior, canto menor — dois cantos
Fazem-se agora ouvir sob o Cruzeiro
E em seu recesso as cóleras e os prantos
Do homem chileno e do homem brasileiro
E o seu amor — o amor que hoje encontramos...
Por isso, ao se tocarem nossos ramos
Celebro-te ainda além, Cantor Geral
Porque como eu, bicho pesado, voas
Mas mais alto e melhor do céu entoas
Teu furioso canto material!
Atlântico Sul, a caminho do Rio, 1960
Tatiografia
Em Tati tem Taiti
Ilha do amor e do adeus
Tem avatá, Havaí!
Taubaté, Aloha He...
Tem medicina com mascate
Pão de açúcar com café
Tem Chimborazo, Kantchatca
Tabor, Popocatepete
Tem montes sem ser rochosos
Tem milhões de Pireneus
Tem doces lagos da Escócia
Tem aconcáguas incríveis
Junto de Dedos de Deus
Tem Malaias tem malárias
Amazonas sem mistérios
Tem Saaras sem Simoun
Com tabus e Timbuctus
Tem iogas, tem nirvanas
Tem tigres, tem tuaregues
Tem vagas Constantinoplas
Tem Bombains sem madrastas
Tem juras, tem jetaturas
Danúbios sem ser azuis
Tem Jordões, tem Solimões
Içás, Tapajós, Purus
Tem Valências Catalunhas
E até calvários sem cruz
Tem Tejos, tem Beira Douros
Trás as Cintras, Trás-os-Montes
Tem rios, tem pororocas
Quedas-d'águas, brancas fontes
Tem colinas, tem bacias
Muitos belos horizontes.
Tem Norte Sul Leste Oeste
Zona quente e zona fria
Tem tudo que tem no mundo
Na minha Tatiografia.
Poema Dos Olhos da Amada
Ó minha amada
Que olhos os teus
São cais noturnos
Cheios de adeus
São docas mansas
Trilhando luzes
Que brilham longe
Longe nos breus...
Ó minha amada
Que olhos os teus
Quanto mistério
Nos olhos teus
Quantos saveiros
Quantos navios
Quantos naufrágios
Nos olhos teus...
Ó minha amada
Que olhos os teus
Se Deus houvera
Fizera-os Deus
Pois não os fizera
Quem não soubera
Que há muitas eras
Nos olhos teus.
Ah, minha amada
De olhos ateus
Cria a esperança
Nos olhos meus
De verem um dia
O olhar mendigo
Da poesia
Nos olhos teus.
Poema Feito Para Chegar Aos Ouvidos de Santa Teresa
Não quero ir pro inferno
Santa Teresinha
Quero é ir pro céu
Que é boa terrinha
Mas se eu for pro céu
V ocê me procura?
V ocê me namora,
Santa Teresinha?
V ocê me namora, hein, santa Teresinha?
Soneto da Rosa Tardia
Como uma jovem rosa, a minha amada...
Morena, linda, esgalga, penumbrosa
Parece a flor colhida, ainda orvalhada
Justo no instante de tornar-se rosa.
Ah, porque não a deixas intocada
Poeta, tu que és pai, na misteriosa
Fragrância do seu ser, feito de cada
Coisa tão frágil que perfaz a rosa...
Mas (diz-me a Voz) por que deixá-la em haste
Agora que ela é rosa comovida
De ser na tua vida o que buscaste
Tão dolorosamente pela vida?
Ela é rosa, poeta... assim se chama…
Sente bem seu perfume... Ela te ama...
Rio, julho de 1963
A Morte de Madrugada
Muerto cayó Federico.
Antonio Machado
Uma certa madrugada
Eu por um caminho andava
Não sei bem se estava bêbado
Ou se tinha a morte n'alma
Não sei também se o caminho
Me perdia ou encaminhava
Só sei que a sede queimava-me
A boca desidratada.
Era uma terra estrangeira
Que me recordava algo
Com sua argila cor de sangue
E seu ar desesperado.
Lembro que havia uma estrela
Morrendo no céu vazio
De uma outra coisa me lembro:
... Un horizonte de perros
Ladra muy lejos del río...
De repente reconheço:
Eram campos de Granada!
Estava em terras de Espanha
Em sua terra ensangüentada
Por que estranha providência
Não sei... não sabia nada...
Só sei da nuvem de pó
Caminhando sobre a estrada
E um duro passo de marcha
Que em meu sentido avançava.
Como uma mancha de sangue
Abria-se a madrugada
Enquanto a estrela morria
Numa tremura de lágrima
Sobre as colinas vermelhas
Os galhos também choravam
Aumentando a fria angústia
Que de mim transverberava.
Era um grupo de soldados
Que pela estrada marchava
Trazendo fuzis ao ombro
E impiedade na cara
Entre eles andava um moço
De face morena e cálida
Cabelos soltos ao vento
Camisa desabotoada.
Diante de um velho muro
O tenente gritou: Alto!
E à frente conduz o moço
De fisionomia pálida.
Sem ser visto me aproximo
Daquela cena macabra
Ao tempo em que o pelotão
Se dispunha horizontal.
Súbito um raio de sol
Ao moço ilumina a face
E eu à boca levo as mãos
Para evitar que gritasse.
Era ele, era Federico
O poeta meu muito amado
A um muro de pedra seca
Colado, como um fantasma.
Chamei-o: Garcia Lorca!
Mas já não ouvia nada
O horror da morte imatura
Sobre a expressão estampada...
Mas que me via, me via
Porque em seus olhos havia
Uma luz mal-disfarçada.
Com o peito de dor rompido
Me quedei, paralisado
Enquanto os soldados miram
A cabeça delicada.
Assim vi a Federico
Entre dois canos de arma
A fitar-me estranhamente
Como querendo falar-me.
Hoje sei que teve medo
Diante do inesperado
E foi maior seu martírio
Do que a tortura da carne.
Hoje sei que teve medo
Mas sei que não foi covarde
Pela curiosa maneira
Com que de longe me olhava
Como quem me diz: a morte
É sempre desagradável
Mas antes morrer ciente
Do que viver enganado.
Atiraram-lhe na cara
Os vendilhões de sua pátria
Nos seus olhos andaluzes
Em sua boca de palavras.
Muerto cayó Federico
Sobre a terra de Granada
La tierra del inocente
No la tierra del culpable.
Nos olhos que tinha abertos
Numa infinita mirada
Em meio a flores de sangue
A expressão se conservava
Como a segredar-me: - A morte
É simples, de madrugada...
esses poemas?? sao muito limdos erromantico ??bastante Para mim espressaremtao dou??
Amei nosa gostei??
Ó poema dás borboletas eu gosto de mais e o meu poema que eu amo
Não gostei texto ruim
Achei Legal, Tenho que copiá-lo para um trabalho escolar
Eu simplesmente adoro!!!
uma bosta:
esse cara merece todo reconhecimento do povo brasileiro ! Suas obras foram um marco para o nosso país ...
eu adoro os poemas de vinicius de moraes
esse cara e o genio da literatura brasileira
Amo os poemas de Vinicios de Morais, mais tbm amo o luan e for you justin: I love you forever...
eu curto vinicius demorares por causa da sua de desenvoltura ao se espressar como por exemplo o poema, soneto do amigo gostei muito!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Obrigado a todos os meus leitores. Queria agradecer por tanto gostarem dos meus poemas, também vou agradecer aqueles de que nunca leram poesia, pois não sabem o que perdem. Pessoas ruins tudo adoram estragar, mas não é por isso que estou a escrever. Eu vou escrever o meu mais recente poema, inspirei-me nesem vocês que ainda hoje me escrevem : amigo especial é aquele que no final nos vêm ajudar a conseguir melhorar amigo têm coração nunca pensa em traissão amigo é amizade é o poema da verdade Muito obrigado !!
Nunca li uma poesia dele. penssando bem, eu nunca li poesia! Detesto essas pora....
eu quero ter falar vinicius de moraes que eu amo vc muito porque sua poesia é muito linda por isso que eu to escrevendo isso para vc tchau beijossss te amo.
eu amo vinicius de moraes porque ele tem poesia muito boas
eu amo muito os poemas de vinicius de moraes ele tem esse dom divino de escrever esse lindos poemas que toca fundo na nssa alma
Vinicius é o puro romantismo em pessoa, adooooro!
eu gosto muito dos seus poema,e como-se fose magico para min eu minsinto tão bem quando eu oleiu." te adoro "seu vinicios mil beijjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjos
Apesar de não conhecer muito ele, já gosto muito , os poemas dele tem sentimentos puros e é isso que as pessoas querem, fala da realidade .. Não conheço muito os poemas dele também mas já li alguns e gostei MUITO. Gosto muito de ti Vinicius :D
adoro ele meu manhor poeta te amoh viniçius seu poema sao como vida para mim..
esse cara tem cada poesia que encanta cada um é muito bom mesmo
Mestre, mestre sem palavras
noosa esse cra é um verdadeiro geniio!!!!!
adoro as poesias dele
adoro vinicios de morais