Manoel de Barros

Manoel de Barros

1916–2014 · viveu 97 anos BR BR

Manoel de Barros foi um poeta brasileiro cujos versos exploraram a infância, a natureza e o cotidiano com uma linguagem singular e inventiva. Sua obra é marcada por uma profunda sensibilidade para com o mundo rural e os elementos simples da vida, que ele elevava a um patamar lírico e filosófico. A capacidade de reinventar a palavra e de criar imagens surpreendentes a partir do banal o tornou um dos nomes mais queridos e originais da poesia brasileira contemporânea.

n. 1916-12-19, Cuiabá · m. 2014-11-13, Campo Grande

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Bernardo é quase uma árvore

Bernardo é quase árvore.
Silêncio dele é tão alto que os passarinhos ouvem
de longe
E vêm pousar em seu ombro.
Seu olho renova as tardes.
Guarda num velho baú seus instrumentos de trabalho;
1 abridor de amanhecer
1 prego que farfalha
1 encolhedor de rios - e
1 esticador de horizontes.
(Bernardo consegue esticar o horizonte usando três
Fios de teias de aranha. A coisa fica bem esticada.)
Bernardo desregula a natureza:
Seu olho aumenta o poente.
(Pode um homem enriquecer a natureza com a sua
Incompletude?)
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Biografia

Identificação e contexto básico

**Nome completo:** Manoel de Barros **Data e local de nascimento:** 19 de dezembro de 1916, Cuiabá, Mato Grosso **Data e local de morte:** 13 de novembro de 2014, Campo Grande, Mato Grosso do Sul **Origem familiar, classe social e contexto cultural de origem:** Nasceu em uma família de fazendeiros, no coração do Pantanal. Sua origem rural e a profunda conexão com a terra moldaram sua visão de mundo e, consequentemente, sua obra poética. **Nacionalidade e língua(s) de escrita:** Brasileiro, escreveu em português. **Contexto histórico em que viveu:** Viveu a maior parte do século XX e início do século XXI, um período de intensas transformações sociais, políticas e culturais no Brasil e no mundo, incluindo a Era Vargas, a ditadura militar e a redemocratização. No entanto, sua obra manteve um foco temático e estético particular, distante dos grandes eventos históricos.

Infância e formação

**Origem familiar e ambiente social:** Cresceu em uma fazenda, o que lhe proporcionou um contato íntimo e privilegiado com a natureza, os animais e a vida simples do campo. Essa experiência marcou profundamente sua formação e visão poética. **Educação formal e autodidatismo:** Frequentou o colégio em Recife e fez parte do curso de Direito no Rio de Janeiro. Contudo, sua formação literária foi em grande parte autodidata, nutrida pela leitura e pela vivência. **Influências iniciais (leituras, cultura, religião, política):** Embora sua poesia tenha um caráter muito pessoal e original, as paisagens do Pantanal, a cultura popular, as narrativas orais e a observação atenta do mundo natural foram suas influências primordiais. A leitura de autores como Henri Michaux e Saint-John Perse também é citada como importante. **Movimentos literários, filosóficos ou artísticos que absorveu:** Sua obra dialoga com o Modernismo brasileiro, especialmente em sua busca por uma linguagem nova e a valorização do cotidiano e do regional. No entanto, ele transcende rótulos, criando um estilo inconfundível. **Eventos marcantes na juventude:** A infância e juventude passadas no Pantanal, a experiência com a vida rural e a posterior mudança para o Rio de Janeiro para estudar.

Percurso literário

**Início da escrita (quando e como começou):** Começou a escrever poesia ainda jovem, motivado pela paisagem e pelas experiências de sua infância e juventude no Pantanal. Sua publicação inicial ocorreu em jornais e revistas literárias. **Evolução ao longo do tempo (fases, mudanças de estilo):** Sua obra é marcada por uma notável consistência temática e estilística. Embora tenha havido um amadurecimento natural, os elementos centrais de sua poesia – a reinvenção da palavra, a exploração do universo infantil e da natureza – permaneceram presentes ao longo de toda a sua carreira. **Evolução cronológica da obra:** Publicou seu primeiro livro, "Poemas", em 1935. Seguiram-se obras como "O Guardador de Águas" (1941), "Poemas Plumários" (1952), "Livro sobre Nada" (1956), "Gramática de Deus" (1981), "O Poeta da Roda Gigante" (1987), entre muitos outros. **Colaborações em revistas, jornais e antologias:** Participou de diversas publicações literárias ao longo de sua vida, divulgando seus poemas e consolidando sua voz poética. **Atividade como crítico, tradutor ou editor:** Não se destacou nessas áreas, concentrando sua produção na poesia.

Obra, estilo e características literárias

Obra, estilo e características literárias **Obras principais com datas e contexto de produção:** - "Poemas" (1935): Primeiras incursões poéticas. - "O Guardador de Águas" (1941): Exploração lírica do universo pantaneiro. - "Livro sobre Nada" (1956): Um marco na sua obra, consolidando um estilo singular. - "Gramática de Deus" (1981): Poesia de reflexão sobre o mundo e a existência. - "O Poeta da Roda Gigante" (1987): Título que reflete sua ludicidade e olhar infantil sobre o mundo. **Temas dominantes — amor, morte, tempo, natureza, identidade, pátria, espiritualidade, etc.:** A natureza (especialmente o Pantanal), a infância, o tempo, os objetos do cotidiano, a linguagem em si, a poesia, a existência e o ser. Há uma constante busca pelo sentido das coisas simples. **Forma e estrutura — uso do soneto, verso livre, forma fixa, experimentação métrica:** Predominantemente verso livre, com grande liberdade formal e estrutural. Sua experimentação se dá mais no campo léxico e semântico do que na métrica tradicional. **Recursos poéticos (metáfora, ritmo, musicalidade):** Uso intensivo de metáforas inusitadas, neologismos, reinvenção de palavras e estruturas sintáticas. O ritmo é peculiar, muitas vezes quebrado e surpreendente, e a musicalidade surge da sonoridade das palavras e da cadência do verso. **Tom e voz poética — lírico, satírico, elegíaco, épico, irónico, confessional:** Predominantemente lírico, contemplativo, com um tom de descoberta e maravilhamento. Há também momentos de reflexão filosófica e uma dose de ironia sutil. **Voz poética (pessoal, universal, fragmentada, etc.):** Sua voz é marcadamente pessoal e confessional, mas, ao tratar do universal através do particular, atinge uma ressonância pública e existencial. **Linguagem e estilo — vocabulário, densidade imagética, recursos retóricos preferidos:** Linguagem aparentemente simples, mas profundamente elaborada. Vocabulário rico em termos regionais, neologismos e palavras recriadas. Imagens vívidas e originais. Seus recursos preferidos incluem a metáfora, a metonímia e a personificação. **Inovações formais ou temáticas introduzidas na literatura:** Reinventou a forma de ver e descrever o cotidiano e a natureza, ressignificando objetos e elementos banais. Criou uma poética do fragmento, da palavra que se desdobra em múltiplos sentidos. **Relação com a tradição e com a modernidade:** Dialogue com a tradição pela profundidade lírica e pela contemplação da natureza, mas inova radicalmente na linguagem e na forma, alinhando-se à modernidade poética pela experimentação e pela busca de um registro autêntico. **Movimentos literários associados (ex: simbolismo, modernismo):** Modernismo, especialmente em suas vertentes mais experimentais e voltadas para o Brasil profundo. **Obras menos conhecidas ou inéditas:** Diversos poemas foram publicados postumamente ou em edições específicas, mas sua obra principal é amplamente conhecida.

Obra, estilo e características literárias

Contexto cultural e histórico **Relação com acontecimentos históricos (guerras, revoluções, regimes):** Sua obra se manteve relativamente alheia aos grandes acontecimentos políticos e sociais do Brasil, focando em temas existenciais e na contemplação da natureza. Ele viveu os períodos de instabilidade política, mas sua poesia não foi um reflexo direto desses eventos. **Relação com outros escritores ou círculos literários:** Embora tenha convivido com outros escritores e intelectuais, manteve uma postura um tanto reclusa e independente, desenvolvendo um universo poético muito próprio, com pouca aderência a grupos ou movimentos específicos. **Geração ou movimento a que pertence (ex.: Romantismo, Modernismo, Surrealismo):** Frequentemente associado à Geração de 45 ou ao pós-Modernismo brasileiro, mas sua obra é considerada singular, transcendendo as classificações de época. **Posição política ou filosófica:** Não manifestou posições políticas explícitas em sua obra. Sua filosofia era a da contemplação, da valorização do ser e da existência, e da profunda conexão com o mundo natural. **Influência da sociedade e cultura na obra:** A cultura pantaneira, os costumes rurais e a paisagem natural do Mato Grosso são a base de sua obra. Ele absorveu o que era local e o universalizou. **Diálogos e tensões com contemporâneos:** Sua originalidade e independência criativa o colocavam em um diálogo singular com a produção literária de sua época. **Receção crítica em vida vs. reconhecimento póstumo:** Teve reconhecimento crítico em vida, sendo um dos poetas mais celebrados de sua geração. O reconhecimento póstumo apenas consolidou sua importância e o colocou no cânone da literatura brasileira.

Obra, estilo e características literárias

Vida pessoal **Relações afetivas e familiares significativas e como moldaram a obra:** Sua relação com a terra e com a infância foi central. O casamento e a paternidade também inspiraram reflexões sobre o tempo e a existência. **Amizades e rivalidades literárias:** Manteve amizades com figuras como Adélia Prado, mas era conhecido por seu temperamento reservado e sua dedicação quase exclusiva à poesia. **Experiências e crises pessoais, doenças ou conflitos:** Sofreu de glaucoma, que o deixou parcialmente cego em uma fase da vida, mas que não o impediu de continuar escrevendo e observando o mundo de maneira peculiar. **Profissões paralelas (se não viveu só da poesia):** Foi fazendeiro, produtor rural e também atuou no ramo de pecuária. **Crenças religiosas, espirituais ou filosóficas:** Sua obra revela uma profunda espiritualidade ligada à natureza e à existência, mais panteísta do que dogmática. Há uma busca pela transcendência nas coisas simples. **Posições políticas e envolvimento cívico:** Não teve envolvimento político direto ou explícito.

Obra, estilo e características literárias

Reconhecimento e receção **Lugar na literatura nacional e internacional:** Um dos poetas brasileiros mais importantes e originais do século XX e XXI. Sua obra tem sido cada vez mais traduzida e divulgada internacionalmente. **Prémios, distinções e reconhecimento institucional:** Recebeu diversos prémios literários ao longo de sua carreira, incluindo o Prêmio Jabuti, o mais importante prêmio literário do Brasil, em várias ocasiões. **Receção crítica na época e ao longo do tempo:** Foi amplamente elogiado pela crítica por sua originalidade e profundidade lírica desde o início de sua carreira. A recepção crítica se manteve positiva e crescente ao longo do tempo. **Popularidade vs reconhecimento académico:** Possui grande popularidade entre leitores de todas as idades, sendo um autor frequentemente estudado em escolas e universidades, o que atesta seu duplo reconhecimento.

Obra, estilo e características literárias

Influências e legado **Autores que o influenciaram:** Henri Michaux, Saint-John Perse, e também a cultura popular, a oralidade e a própria paisagem pantaneira. **Poetas e movimentos que influenciou:** Influenciou gerações de poetas brasileiros que buscaram uma linguagem mais autêntica, um diálogo mais profundo com o cotidiano e a natureza, e uma reinvenção das possibilidades da palavra. **Impacto na literatura nacional e mundial e gerações posteriores de poetas:** Seu impacto na literatura brasileira é imenso, consolidando a poesia do cotidiano e da natureza como vertentes importantes. Sua obra é vista como um exemplo de originalidade e força criativa. **Entrada no cânone literário:** É figura consolidada no cânone da literatura brasileira, sendo leitura obrigatória em muitos currículos escolares e universitários. **Traduções e difusão internacional:** Sua obra tem sido traduzida para diversas línguas, ampliando seu alcance internacional. **Adaptações (música, teatro, cinema):** Alguns de seus poemas foram musicados e sua obra tem sido objeto de estudos e adaptações. **Estudos académicos dedicados à obra:** Inúmeros estudos acadêmicos analisam sua poesia, sua linguagem, seus temas e seu lugar na literatura brasileira.

Obra, estilo e características literárias

Interpretação e análise crítica **Leituras possíveis da obra:** A obra de Manoel de Barros pode ser lida como uma celebração da simplicidade, uma meditação sobre o tempo e a memória, uma redescoberta do olhar infantil sobre o mundo, ou uma profunda reflexão sobre a linguagem e a capacidade humana de criar e nomear o real. **Temas filosóficos e existenciais:** A efemeridade da vida, a beleza oculta nas coisas simples, a relação do homem com a natureza, a busca pelo sentido em meio ao cotidiano, a matéria do tempo, a fragilidade da existência. **Controvérsias ou debates críticos:** Poucas controvérsias significativas. O debate gira em torno da classificação de sua obra e de sua relação com as vanguardas, mas sua originalidade é amplamente reconhecida.

Obra, estilo e características literárias

Curiosidades e aspetos menos conhecidos **Aspetos menos conhecidos da personalidade:** Apesar de sua poesia muitas vezes lúdica e acessível, Manoel de Barros era um poeta de profunda seriedade e rigor criativo. Era descrito como um homem reservado, avesso a badalações. **Contradições entre vida e obra:** A aparente simplicidade e o lirismo de sua obra contrastam com a complexidade e a experimentação linguística que ele empregava, mostrando que a simplicidade é, muitas vezes, o resultado de um trabalho árduo e sofisticado. **Episódios marcantes ou anedóticos que iluminam o perfil do autor:** Sua habilidade em inventar palavras e dar novos sentidos a objetos comuns era uma marca de seu processo criativo, inspirada pela observação atenta do mundo. **Objetos, lugares ou rituais associados à criação poética:** A fazenda, o Pantanal, os objetos do cotidiano (pedras, água, árvores, animais), a observação minuciosa. Seus rituais eram os da contemplação e da reinvenção da linguagem. **Hábitos de escrita:** Escrevia de forma muito seletiva, passando longos períodos em contemplação e observação antes de registrar suas ideias em papel. O trabalho de lapidação da palavra era intenso. **Episódios curiosos:** A invenção de palavras como "ininnerApiCalls" (inúteis, mas belos) e "despropósito" (algo que não faz sentido, mas que tem beleza) exemplifica sua relação única com a língua. **Manuscritos, diários ou correspondência:** Sua correspondência e manuscritos são valiosos para entender seu processo criativo e a gênese de seus poemas.

Obra, estilo e características literárias

Morte e memória **Circunstâncias da morte:** Faleceu pacificamente em sua residência, em Campo Grande, aos 97 anos. **Publicações póstumas:** Diversas coletâneas e edições de sua obra continuam a ser publicadas e relançadas, mantendo viva sua memória e seu legado poético.

Poemas

12

Cabeludinho

1.

Sob o canto do bate-num-quara nasceu Cabeludinho
bem diferente de Iracema
desandando pouquíssima poesia
o que desculpa a insuficiência do canto
mas explica a sua vida
que juro ser o essencial

— Vai desremelar esse olho, menino!
— Vai cortar esse cabelão, menino!
Eram os gritos de Nhanhá.

(...)

5.

No recreio havia um menino que não brincava
com outros meninos
O padre teve um brilho de descobrimento nos olhos
— Poeta!
O padre foi até ele:
— Pequeno, por que não brinca com os seus colegas?
— É que estou com uma baita dor de barriga
desse feijão bichado.

6.

Carta acróstica:
"Vovó aqui é tristão
Ou fujo do colégio
Viro poeta
Ou mando os padres..."

Nota: Se resolver pela segunda, mande dinheiro
para comprar um dicionário de rimas e um tratado
de versificação de Olavo Bilac e Guima, o do lenço.

7.

Êta mundão
moça bonita
cavalo bão
este quarto de pensão
a dona da pensão
e a filha da dona da pensão
sem contar a paisagem da janela que é de se entrar de soneto
e o problema sexual que, me disseram, sem roupa
alinhada não se resolve.

(...)

10.

Pela rua deserta atravessa um bêbado comprido
e oscilante
como bambu
assobiando...

Ao longo das calçadas algumas famílias
ainda conversam
velhas passam fumo nos dentes mexericando...
Nhanhá está aborrecida com o neto que foi estudar
no Rio
e voltou de ateu
— Se é pra disaprender, não precisa mais estudar

Pasta um cavalo solto no fim escuro da rua
O rio calmo lá embaixo pisca luzes de lanchas
acordadas
Nhanhá choraminga:
— Tá perdido, diz que negro é igual com branco!

(...)

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Publicado no livro Poemas Concebidos sem Pecado (1937).

In: BARROS, Manoel de. Gramática expositiva do chão: poesia quase toda. Introd. Berta Waldman. Il. Poty. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 199
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Exercícios Adjetivos

(...)

Rolinhas-casimiras

Rolas
pisam
a manhã
Lagartixas pastam
o sobrado
Um leque de peixe abana o rio
Meninos atrás de gralhas contraem piolhos de
cerrados

Um lagarto de pernas areientas
medra na beira de um livro

Adeus rolinhas-casimiras.

O poeta descerra um cardume de nuvens
A estrada se abre como um pertence

Vermelhas trevas

O veneno ingerido pela mosca deixa
a curta raiz de sua existência
exposta às vermelhas trevas

Silêncio rubro

Crista de silêncio rubro, o galo
com frisos gelados de adaga no bico
madruga a veredas batidas

Modos ávidos

Os modos ávidos de um caracol subir
a uma parede com nódoas de idade e chuvas:
é como viajar à nascente dos insetos

Visgo tátil

O visgo tátil do canto é como
a aranha que urde sua doce alfombra
nas orvalhadas vaginas das violetas

Os caramujos-flores

Os caramujos-flores são um ramo de caramujos
que só saem de noite para passear
De preferência procuram paredes sujas, onde se
pregam e se pastam
Não sabemos ao certo, aliás, se pastam eles
essas paredes
Ou se são por elas pastados
Provavelmente se compensem
Paredes e caramujos se entendem por devaneios
Difícil imaginar uma devoração mútua
Antes diria que usam de uma transubstanciação:
paredes emprestam seus musgos aos caramujos-flores
E os caramujos-flores às paredes sua gosma
Assim desabrocham como os bestegos

(...)


Publicado no livro Arranjos para Assobio (1982).

In: BARROS, Manoel de. Gramática expositiva do chão: poesia quase toda. Introd. Berta Waldman. Il. Poty. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 199
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Comentários (1)

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euskadia

Vai pois, poema, procura a voz literal que desocultamente fala sob tanta literatura. Se a escutares, porém, tapa os ouvidos, porque pela primeira vez estás sozinho. Regressa então, se puderes, pelo caminho das interpretações e dos sentidos. Mas não olhes para trás, não olhes para trás, ou jamais te perderás, e o teu canto, insensato, será feito só de melancolia e de despeito.... A partir de António Manuel Pina, eu redescrevi a essência daquilo que lhe perscrutei