

Domingos Caldas Barbosa
Poeta luso-brasileiro, conhecido como "D. Ana" ou "Caldas". Destacou-se na poesia lírica e satírica do final do século XVIII, integrando o Arcadismo. A sua obra, marcada pela oralidade e pela musicalidade, explora temas como o amor, a natureza e as convenções sociais, frequentemente com um tom irónico e crítico. Foi também músico e compositor, o que influenciou o ritmo e a melodia dos seus versos, tornando-o uma figura singular e inovadora na poesia da sua época.
Rio de Janeiro
1800-11-09 Lisboa
31863
0
10
Desprezo da Maledicência
Depois que eu te quero bem,
Deu o mundo em murmurar;
Porém que lhe hei de eu fazer?
É mundo, deixa falar.
Não te enfades menina
Deixa o mundo falar.
Sabes porque fala o mundo,
É só por nos invejar;
Ele tem ódio aos ditosos,
É mundo, deixa falar.
Não etc.
As loucas vozes do mundo
Tu não deves escutar,
Pois que sem razão murmura,
É mundo, deixa falar.
Não etc.
Ouve só a quem te adora,
Quem anda por ti a bradar;
Dos outros não faças caso,
É mundo, deixa falar.
Não etc.
Menina, vamos amando,
Que não é culpa o amar;
O mundo ralha de tudo,
É mundo, deixa falar.
Não etc.
Que fazem nossos amores
Para o mundo murmurar?
É mau costume do mundo,
É mundo, deixa falar.
Não etc.
Sempre todos me hão de ver
Por meu bem a suspirar;
Se disto falar o mundo,
É mundo, deixa falar.
Não etc.
Ah meu bem não pretendamos
Do povo a boca tapar;
Bem sabes que o povo é mundo,
É mundo, deixa falar.
Não etc.
Publicado no livro Viola de Lereno: coleção das suas cantigas, oferecidas aos seus amigos (1826).
In: BARBOSA, Caldas. Viola de Lereno. Pref. Francisco de Assis Barbosa. Rio de Janeiro: INL, 1944. 2v. (Biblioteca popular brasileira, 14, 15
Deu o mundo em murmurar;
Porém que lhe hei de eu fazer?
É mundo, deixa falar.
Não te enfades menina
Deixa o mundo falar.
Sabes porque fala o mundo,
É só por nos invejar;
Ele tem ódio aos ditosos,
É mundo, deixa falar.
Não etc.
As loucas vozes do mundo
Tu não deves escutar,
Pois que sem razão murmura,
É mundo, deixa falar.
Não etc.
Ouve só a quem te adora,
Quem anda por ti a bradar;
Dos outros não faças caso,
É mundo, deixa falar.
Não etc.
Menina, vamos amando,
Que não é culpa o amar;
O mundo ralha de tudo,
É mundo, deixa falar.
Não etc.
Que fazem nossos amores
Para o mundo murmurar?
É mau costume do mundo,
É mundo, deixa falar.
Não etc.
Sempre todos me hão de ver
Por meu bem a suspirar;
Se disto falar o mundo,
É mundo, deixa falar.
Não etc.
Ah meu bem não pretendamos
Do povo a boca tapar;
Bem sabes que o povo é mundo,
É mundo, deixa falar.
Não etc.
Publicado no livro Viola de Lereno: coleção das suas cantigas, oferecidas aos seus amigos (1826).
In: BARBOSA, Caldas. Viola de Lereno. Pref. Francisco de Assis Barbosa. Rio de Janeiro: INL, 1944. 2v. (Biblioteca popular brasileira, 14, 15
1537
0
Mais como isto
Ver também
Escritas.org