

Cruz e Sousa
João da Cruz e Sousa foi um poeta brasileiro, figura proeminente do Simbolismo, conhecido pelo seu nome de artista Cruz e Sousa. A sua obra poética é marcada por uma profunda espiritualidade, misticismo, musicalidade e um uso inovador da linguagem, explorando o transcendente e o etéreo. Enfrentou o preconceito racial e a pobreza ao longo da sua vida, o que se reflete na sua escrita com temas de dor, sofrimento e busca pela redenção através da arte.
1861-11-24 Florianópolis
1898-03-19 Antônio Carlos
395444
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139
Só
Muito embora as estrelas do Infinito
Lá de cima me acenem carinhosas
E desça das esferas luminosas
A doce graça de um clarão bendito;
Embora o mar, como um revel proscrito,
Chame por mim nas vagas ondulosas
E o vento venha em cóleras medrosas
O meu destino proclamar num grito;
Neste mundo tão trágico, tamanho,
Como eu me sinto fundamente estranho
E o amor e tudo para mim avaro!...
Ah! como eu sinto compungidamente,
Por entre tanto horror indiferente,
Um frio sepulcral de desamparo!
Publicado no livro Últimos Sonetos(1905)
Lá de cima me acenem carinhosas
E desça das esferas luminosas
A doce graça de um clarão bendito;
Embora o mar, como um revel proscrito,
Chame por mim nas vagas ondulosas
E o vento venha em cóleras medrosas
O meu destino proclamar num grito;
Neste mundo tão trágico, tamanho,
Como eu me sinto fundamente estranho
E o amor e tudo para mim avaro!...
Ah! como eu sinto compungidamente,
Por entre tanto horror indiferente,
Um frio sepulcral de desamparo!
Publicado no livro Últimos Sonetos(1905)
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