

Frei Agostinho da Cruz
Frei Agostinho da Cruz foi um frade e poeta português do século XVII, uma figura proeminente do Barroco literário. A sua obra poética, marcada pela espiritualidade e pelo misticismo, reflete a profunda religiosidade da época e a tensão entre o terreno e o divino. Caracteriza-se pela linguagem culta, pela exploração de temas como o amor a Deus, a efemeridade da vida e a busca pela transcendência, muitas vezes através de formas poéticas tradicionais.
1540-05-03 Ponte da Barca
1619-05-14 Setúbal
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§ Perdi-me dentro em mim
Perdi-me dentro em mim, como em deserto,
Minha alma está metida em labirinto,
Contino contradigo o que consinto,
Cem mil discursos faço, em nada acerto.
Vejo seguro o dano, o bem incerto;
Comigo porfiando me desminto,
O que mais atormenta, menos sinto,
O que me foge, quando está mais certo.
E se as asas levanta o pensamento
Àquela parte, onde está escondida
A causa deste vario movimento,
Transforma-se por não ser conhecida,
Porque quer a pesar do sofrimento
Pôr as armas da morte em mão da vida.
Minha alma está metida em labirinto,
Contino contradigo o que consinto,
Cem mil discursos faço, em nada acerto.
Vejo seguro o dano, o bem incerto;
Comigo porfiando me desminto,
O que mais atormenta, menos sinto,
O que me foge, quando está mais certo.
E se as asas levanta o pensamento
Àquela parte, onde está escondida
A causa deste vario movimento,
Transforma-se por não ser conhecida,
Porque quer a pesar do sofrimento
Pôr as armas da morte em mão da vida.
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