

Karl Kraus
Karl Kraus foi um escritor, jornalista e poeta austríaco, amplamente considerado uma das figuras literárias mais importantes do século XX em língua alemã. Fundou e editou a revista Der Fackel (O Tocha), que publicou por mais de trinta anos, onde escreveu a maioria dos seus escritos satíricos e críticos. Era conhecido pela sua feroz oposição ao nazismo, ao militarismo e à decadência da imprensa, utilizando a sátira e a ironia como suas principais armas.
1874-04-28 Jičín
1936-06-12 Viena
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Agora os artistas escrevem contra a arte e defendem o contato com a vida. Goethe, desprovido de humanidade, “olha da altura fantasmagórica em que os gênios alemães talvez se entendam, impassível, para a sua pátria impassível. Com seu nome, folgazões indolentes defendem suas existências vazias”. Mas não há cultura sem humanidade... Quem assim se exalta é alguém respeitado pela sua prosa. Ele quer uma Marselhesa para que ela não seja mais ouvida. Goethe guia a mão de Börne, e ele a levanta contra Goethe. Eu, porém, acredito que na obra de arte fica guardado aquilo que o imediatismo das energias intelectuais desperdiça. Humanidade não é o primeiro, mas o último efeito da arte. A humanidade de Goethe é um efeito a longa distância. Há estrelas que não são vistas enquanto existem. Sua luz tem um longo caminho, e iluminam a Terra quando há muito já se apagaram. Elas são familiares aos flanadores noturnos: o que Goethe pode fazer pelos estetas? Para eles é um preconceito o fato de não poderem chegar a suas casas sem a sua luz. Pois eles não estão em casa em parte alguma, e a arte tem tão pouco a ver com eles quanto a luta com os fanfarrões. Também o esteta é covarde demais para a vida; mas o artista sai vencedor ao fugir da vida. O esteta é um fanfarrão das derrotas; o artista permanece na luta sem tomar parte nela. Ele não é alguém que acompanha. Não é questão sua acompanhar o presente, visto que é questão do futuro acompanhá-lo.
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