

António Gedeão
António Gedeão foi o pseudónimo literário de Rómulo de Carvalho, um notável poeta e ensaísta português. A sua obra poética é marcada pela fusão entre a ciência e a poesia, explorando temas como o universo, o tempo, a matéria e o conhecimento humano com uma linguagem acessível mas profunda. Reconhecido pela sua capacidade de traduzir conceitos científicos em imagens poéticas, Gedeão deixou um legado importante na literatura portuguesa do século XX, sendo um dos nomes maiores do neo-realismo e do modernismo português.
1906-11-24 Lisboa
1997-02-19 Lisboa
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Soneto
Ao Luís Vaz, recordando o convívio da nossa mocidade
Não pode Amor por mais que as falas mude
exprimir quanto pesa ou quanto mede.
Se acaso a comoção falar concede
é tão mesquinho o tom que o desilude.
Busca no rosto a cor que mais o ajude,
magoado parecer aos olhos pede,
pois quando a fala a tudo o mais excede
näo pode ser Amor com tal virtude.
Também eu das palavras me arreceio,
também sofro do mal sem saber onde
busque a expressão maior do meu anseio.
E acaso perde, o Amor que a fala esconde,
em verdade, em beleza, em doce enleio?
Olha bem os meus olhos, e responde.
Não pode Amor por mais que as falas mude
exprimir quanto pesa ou quanto mede.
Se acaso a comoção falar concede
é tão mesquinho o tom que o desilude.
Busca no rosto a cor que mais o ajude,
magoado parecer aos olhos pede,
pois quando a fala a tudo o mais excede
näo pode ser Amor com tal virtude.
Também eu das palavras me arreceio,
também sofro do mal sem saber onde
busque a expressão maior do meu anseio.
E acaso perde, o Amor que a fala esconde,
em verdade, em beleza, em doce enleio?
Olha bem os meus olhos, e responde.
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