Lista de Poemas
Par Deus, Infançom, Queredes Perder
a terra, pois nom temedes el-rei!
Ca já britades seu degred', e sei
que lho faremos mui cedo saber:
ca vos mandarom a capa, de pram,
trager dous anos, e provar-vos-am
que vo-la virom três anos trager.
E provar-vos-á, das carnes, quem quer,
que duas carnes vos mandam comer,
e nom queredes vós d'ũa cozer;
e no degredo nom há já mester;
nem já da capa nom hei a falar:
ca bem três anos a vimos andar
no vosso col'e de vossa molher.
E fará el-rei corte este mês,
e manda[rá]m-vos, infançom, chamar;
e vós querredes a capa levar
e provarám-vos, pero que vos pês,
da vossa capa e vosso guarda-cós,
em cas d'el-rei, vos provaremos nós,
que ham quatr'anos e passa[m] per três.
Elvira López, Aqui Noutro Dia
se Deus mi valha, prendeu um cajom:
deitou na casa sigo um peom,
e sa maeta e quanto tragia
pôs cabo de si e adormeceu;
e o peom levantou-s'e fodeu,
e nunca ar soube contra u s'i ia.
Ante lh'eu dixi que mal sem faria
que se nom queria del a guardar
[e] sigo na casa o ia jeitar;
e dixi-lh'eu quanto lh'end'averria;
ca vos direi do peom como fez:
abriu a porta e fodeu ũa vez,
[e] nunca soube del sabedoria.
Mal se guardou e perdeu quant'havia,
ca se nom soub'a cativa guardar:
leixou-o sigo na casa albergar,
e o peom [logo] fez que dormia;
e levantou-s'o peom traedor
e, como x'era de mal sabedor,
fodeu-a tost'e foi logo sa via.
E o peom virom em Santarém;
e nom se avanta nem dá por en rem,
mais lev'o Demo quant[o] en tragia!
Muito Te Vejo, Lourenço, Queixar
pola cevada e polo bever,
que to nom mando dar a teu prazer;
mais eu to quero fazer melhorar:
pois que t'agora citolar oí
e cantar, mando que to dem assi
bem como o tu sabes merecer.
- Joam Garcia, se vos en pesar
de que me queix[e] em vosso poder,
o melhor que podedes i fazer:
nom mi mandedes a cevada dar
mal, nen'o vinho, que mi nom dam i
tam bem com[o m']eu sempre mereci,
ca vos seria grave de fazer.
- Lourenço, a mim grave nom será
de te pagar tanto que mi quiser:
pois ante mi fezisti teu mester,
mui bem entendo e bem vejo já
como te pagu'; e logo o mandarei
pagar a [um] gram vilão que hei,
se um bom pao na mão tever.
- Joam Garcia, tal paga achará
em vós o jograr, quand'a vós veer,
mais outr'a quem [meu] mester fezer,
que m'en entenda, mui bem [mi] fará,
que panos ou algo merecerei;
e vossa paga ben'a leixarei
e pagad'[a] outro jograr qualquer.
- Pois, Lourenço, cala-t'e calar-m'-ei
e todavia tigo mi averrei,
e do meu filha quanto chi m'eu der.
- Joam Garcia, nom vos filharei
algo, e mui bem vos citolarei,
e conhosco mui bem [o] trobar.
- O chufar, Dom Lourenço, [o] chufar!
Dom Foam Disse Que Partir Queria
quanto lhi derom e o que havia.
E dixi-lh'eu, que o bem conhocia:
"Castanhas eixidas, e velhas per souto".
E disso-m'el, quando falava migo:
- Ajudar quero senhor e amigo.
E dixi-lh'eu: - Ess'é o verv'antigo:
"Castanhas saídas, e velhas per souto".
E disso-m'el: - Estender quer'eu mão
e quer'andar já custos'e loução.
E dixi-lh'eu: - Esso, ai Dom Foão:
"Castanhas saídas, e velhas per souto".
Ora Quer Lourenço Guarir
pois que se quita de rascar;
e já guarria, a meu cuidar,
se ora houvesse que vestir
[.......................em]
e já nulh'home nom se tem
por devedor de o ferir.
E se se quisesse partir,
como se partiu do rascar,
d'um pouco que há de trobar,
poderia mui bem sair
de todo, por se quitar en,
e nõn'o ferriam por en
os que o nom querem oir.
E seria conhocedor
de seu trobar, por nom fazer
os outros errados seer;
e el guarria mui melhor
sem trobar e sem citolom,
pois perdeu a voz e o som,
por que o feriam peior.
Par Deus, Lourenço, Mui Desaguisadas
novas oí agor'aqui dizer:
mias tenções quiseram desfazer
e que ar fossem per ti amparadas.
Joam Soares foi; e di-lh'assi:
que louv'eu donas, mais nunca per mi,
mentr'eu viver, seram amas loadas.
E se eu fosse u forom escançadas
aquestas novas de que ti falei,
Lourenço, gram verdade ti direi:
tôdalas novas foram acaladas;
mais mim e ti poss'eu bem defender,
ca nunca eu donas mandei tecer,
nem lhis trobei nunca polas maladas.
Cordas e cintas muitas hei eu dadas,
Lourenç', a donas e elas a mim;
mais pero nunca com donas teci,
nem trobei nunca por amas honradas;
mais [as] que me criarom, dar-lhis-ei
sempr'em que vivam e vesti-las-ei,
e seram donas de mi sempr'amadas.
Lourenço, di-lhe que sempre trobei
por bõas donas, e sempr'estranhei
os que trobavam por amas mamadas.
Dona Ouroana, Pois Já Besta Havedes
outro conselh'ar havedes mester:
vós sodes mui fraquelinha molher
e já mais cavalgar nom podedes;
mais, cada que quiserdes cavalgar,
mandade sempr[e] a besta chegar
a um car[v]alho, de que cavalguedes.
E cada que vós andardes senlheira,
se vo'la besta mal enselada andar,
guardade-a de xi vos derramar,
ca, pela besta, sodes soldadeira,
e, par Deus, grave vos foi d'haver;
e punhade sempr'en'[a] guarecer,
ca em talho sodes de peideira.
E nom moredes muito [e]na rua,
este conselho filhade de mim,
ca perderedes log'i o rocim
e nom faredes i vossa prol nẽũa;
e mentr'houverdes a besta, de pram,
cada u fordes, todos vos farám
honra doutra puta fududancua.
E se ficardes em besta muar,
eu vos conselho sempr[e] a ficar
ant'em muacho novo ca em mua.
Nunca [A]Tam Gram Torto Vi
com'eu prendo d'um infançom,
e quantos ena terra som,
todo'lo têm por assi:
o infançom, cada que quer,
vai-se deitar com sa molher
e nulha rem nom dá por mi.
E já me nunca temerá,
ca sempre me tev'em desdém,
des i ar quer sa molher bem
e já sempr'i filhos fará
- siquer três filhos que fiz i,
filha-os todos pera si:
o Demo lev'o que m'en dá!
Em tam gram coita viv'hoj'eu
que nom poderia maior:
vai-se deitar com mia senhor
e diz do leito que é seu
e deita-se a dormir em paz;
des i, se filh'ou filha faz,
nõn'o quer outorgar por meu!
Lourenço, Pois Te Quitas de Rascar
e desemparas o teu citolom,
rogo-te que nunca digas meu som
e jamais nunca mi farás pesar;
ca per trobar queres já guarecer;
e farás-m'ora desejos perder
do trobador que trobou do Juncal.
Ora cuid'eu [a] cobrar o dormir
que perdi: sempre, cada que te vi
rascar no cep'e tanger, nom dormi;
mais, poilo queres já de ti partir,
pois guarecer [buscas i] per trobar,
Lourenço, nunca irás a logar
u tu nom faças as gentes riir.
E vês, Lourenço, se Deus mi perdom,
pois que me tolhes do cepo pavor
e de cantar, farei-t'eu sempr'amor,
e tenho que farei mui gram razom;
e direi-ti qual amor t'eu farei:
jamais nunca teu cantar oírei
que en nom ria mui de coraçom;
Ca vês, Lourenço, muito mal prendi
de teu rascar, e do cep'e de ti;
mais, pois t'en quitas, tudo ti perdom.
A Dom Foam Quer'eu Gram Mal
e quer'a sa molher gram bem;
gram sazom há que m'est'avém
e nunca i já farei al;
ca, des quand'eu sa molher vi,
se púdi, sempre a servi
e sempr'a ele busquei mal.
Quero-me já maenfestar,
e pesará muit'[a] alguém,
mais, sequer que moira por en,
dizer quer'eu do mao mal
e bem da que mui bõa for,
qual nom há no mundo melhor,
quero-[o] já maenfestar.
De parecer e de falar
e de bõas manhas haver,
ela, nõn'a pode vencer
dona no mund', a meu cuidar;
ca ela fez Nostro Senhor
e el fez o Demo maior,
e o Demo o faz falar.
E pois ambos ataes som,
como eu tenho no coraçom,
os julg'Aquel que pod'e val.
Comentários (6)
dddddddddddddddd
grande homem! . foi pena a junta de milhazes e câmara de Barcelos ter deixado destruir sua casa milenar
Demais ??
Yvhivhvhocyy
zxcvbnm,
DONA FEA - JOAN GARCIA DE GUILHADE
Natália Correia - João Garcia De Guilhade
Releitura da cantiga trovadoresca “Morr'o meu amigo d'amor”, de João Garcia de Guilhade.
Ai, Dona Feia, foste-vos queixar
Como pão para a boca - episódio 7 - "Ai, dona fea, fostes-vos queixar" – João Garcia de Guilhade
Un cavalo non comeu. Contrafactum C.S.M 190. Letra Joan Garcia de Guilhade
"Estes meus olhos" - Medieval Galician-Portuguese chant (LYRICS + Translation)
Dona Fea - Orpheu's Band (letra)
Cantor João Garcia - Amigo
Trovadorismo - Cantigas [Prof. Noslen]
José Cid - Dona feia, velha e louca | 1971, 🇵🇹
Causos da Bola: Jornalista João Garcia
João Garcia Miguel - Entrevista
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Vozes Alfonsinas | Os trovadores: imagem romântica, música medieval
Agostinho Magalhães O Galego - Dona Fea, Velha e Sandia (Miguel Resende Bastos)
The Troubadour - 07 - Dona Fea
FILIPE MELO | Ai, dona fea, foste-vos queixar
João Airas de Santiago - Ũa dona, nom dig'eu qual
Ai, Dona Feia, foste-vos queixar
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Episódio 02 - Cantigas de Escárnio e Maldizer, by Isamara Oliveira
Ai, Doll Feie, foste-vos queixar
ARUAN REAGE A A LENDA DA VELHA DE BRANCO - CAÇADORES DE LENDAS (RENATO GARCIA) - Cortes do Aruan
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Portifólio fase BII - Trovadorismo
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30/07 - 1ª série EM - Língua Portuguesa - Entre trovas: Parte II
Sejamos como toda a gente
PORTFÓLIO - TROVADORISMO NA IDADE MÉDIA
Como pão para a boca - episódio 6 - "Retrato de um bêbado" de António Barbosa Bacelar
VAMOS RESOLVER?: Exercício Trovadorismo
... e pede-me agora o que não devia
Trovadorismo | Resumo
12/04/21 - EJA EM 1º termo - Língua Portuguesa - Entre trovas - Parte II
04/08 - 1ª série EM - Língua Portuguesa - CantiRap das Trova
Releitura e Adaptação
1ª Série | Literatura | 2º etapa
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