MARIA DE FATIMA FERREIRA RODRIGUES

MARIA DE FATIMA FERREIRA RODRIGUES

Sou um ser humano em constante construção. Me sinto parte da natureza e a ela vinculada no sentido material e imaterial. Gosto de lidar com as palavras construindo e desconstruindo castelos. Portanto, escrevo como um exercício de compreensão de mim e do mundo.

1957-12-21 Farias Brito - Ceará
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Alguns Poemas

Aprendizados do amor


Aprendizados do amor 

Esquecer?
Talvez fosse bom esquecer tudo que foi ensinado, exceto o que foi aprendido lá na dor da ignorância. Lá  onde o aprender salva!
Ter apreço por aqueles aprendizados singelos, amalgamados na vida, como os  aprendizados de parteiras que, com voz suave e mãos ligeiras, abrem caminhos para um ser vir ao mundo.
Incorporar o saber amoroso da mãe, que combina ingredientes vários para saciar a fome de uma criança, que dela depende em sua função materna.
Falo do afeto que transborda pelas bordas do prato. Mas, sobretudo, dos afetos que transbordam no abraço e nas lágrimas que vêm do riso e da dor.
Cato palavras como cato feijão, ha dúvidas se as escolho correto.
 Escolho ? contém colho, e é bom saber que as palavras são plantadas e colhidas em mim.
Quem disse que pequi é melhor que cana-de-açúcar? 
Fiquei em dúvida! Gosto de ambos.
Chorei quando li sobre o calvário do Frei Caneca.
Talvez me compadeça em demasia de um passado que o Brasil não memoriza, pois em muitos dos humanos plantaram a pós verdade. E isso causa incômodo, e o dito no confronto não ecoa. Perde-se no vazio.
Carrego esse fardo!
Mas, também a musicalidade e a poesia.
Em conta-gotas  me vem à música e a poesia,
para depois essas artes me inundarem como as águas de Belo Monte fizeram com as terras indigenas. Embora com efeitos incomparáveis.
De forma absoluta, intermitente, esmagadora, fico plena de letras.
O Rio Cariús nem se fala! Tomo banho em suas águas diariamente, enquanto ele banha com amor as  vazantes que o entornam.
Quando acordo, rio dos sonhos bobos que  me atravessam e conto aqui para meia dúzia de leitores, cujos olhos cansados se entretem, mas ficam a indagar sobre a veracidade dos versos.
Queria conversar por outros canais com cada um desses leitores e, além disso. escutar os seus próprios versos.
Talvez lêssemos juntos os conselhos do Rilke, e caminhando à beira mar recitariamos 
"Vou-me embora pra Pasárgada". 

Fátima Rodrigues,  expedicionários, João Pessoa, Paraiba. BRASI, em 10 de abril de 2024.


Afagos à natureza


O dia foi de jardinagem
Por um longo tempo eu e as plantas nos olhamos e trocamos carinho
Depois mirei outras espécies

Lembro dos bem-te-vis e dos sabiás
expostos aos raios de sol
Uns cantaram
outros banharam-se de luz

Beija-flores, borboletas e formigas
fizeram seus afagos e faina no ambiente
Ao sabor do tempo ficaram as lagartixas
Abelhas instalaram-se na trepadeira

De carinho impregnadas
as plantas regozijaram-se
Algumas perderam galhos e folhas
Respiraram aliviadas

De alegria, folhas e flores
transbordaram em cores
Lindas rosas desabrocharam
Outras ficaram prenhes

Os mandacarus pareciam descontentes
Fiquei curiosa
Desejariam os sertões?
O seu habitat ?

Amo a aspereza dos cactos
e insisto em tê-los comigo
É por amor que os conservo em meu jardim
Mas eles exigem condição !

Os mandacarus são mágicos
Guardam em si água e flor
Resistem às intempéries e ao sol escaldante
E somente florescem uma vez ao ano

Por um longo tempo hibernam
Tento imitá-los
e com a sua sabedoria aprendo
Nem tudo são asperezas na vida

Se um dia é pesado
o outro é pura leveza
Sorvo as lições dos mandacarus
mas também das xananas

Os dias pesados se vão sem amargura
Guardo a leveza dos dias bons
numa espécie de ensilagem
Assim a vida prossegue

Inspirada ora no mandacaru
ora na xanana
Exposta ora ao sol ora ao vento
absorvo lições da vida e da natureza

Como ocorre com o mandacaru
nunca me faltam flores
Elas se acomodam
nas minhas entranhas até a maturação

Após a hibernação nascem plenas
E fortalecidos andam mundo afora
enquanto o ser prepara-se
para novas concepções
Em 22 de novembro de 2014.
Sou um ser humano em constante construção. Me sinto parte da natureza e a ela vinculada no sentido material e imaterial. Gosto de lidar com as palavras construindo e desconstruindo castelos. Portanto, escrevo como um exercício de compreensão de mim e do mundo. Além de escrever e ler gosto de cinema, de música e de praticar jardinagem. Sou mãe e essa é uma experiência de vida que me fascina e desafia permanentemente.
https://www.facebook.com/faatimarodrigues
faatimarodrigues@yahoo.com.br
Tatiane Viegas
Parabéns! É muito bonito.
30/dezembro/2020
Helder Roque
Gostei imenso.
16/dezembro/2020
Helder Roque
Belissimo poema.
12/dezembro/2020
-
lagazaz
Belos versos
27/julho/2020
-
jeiancoski
Achei muito lindo!
02/julho/2020

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