Alvorada
O dia mostra o seu sublime esplendor
E a vida com todo o seu perfume e cor
Ressurge em cânticos diáfanos de alegria,
Anunciando uma paz que tão bem contagia.
Uma revoada aplaude sem esmorecer
A beleza de um glorioso amanhecer
Com o seu louvor doce e harmonioso,
Semeando gratidão num tom majestoso.
No oceano, desponta o azul em sua calmaria...
No horizonte, já se vê um clima de nostalgia:
Um fascinante convite à liberdade de sonhar!
É nesse panorama idílico que a alvorada
Vem então reinar numa alma entuasiasmada
Que sai de uma longa noite para se renovar.
Perseverança
Sou um guerreiro que busca sempre empunhar
Nessa terra as virtudes da fé, da coragem e do amor
Que me fortalecem nas lutas para não desanimar.
Sou uma alma que caminha na força do clamor,
Subindo degraus que me fazem angariar
Jóias de uma sabedoria de alto valor.
Nas minhas lágrimas vivi dias de sinceridade...
E em preces desvelei os nobres segredos
Do meu coração que só preza pela verdade.
Vivendo como filho da luz, venci os medos
Que um dia quiseram suprimir a minha liberdade
Para transcender os caminhos escuros e tredos.
Escrevi como todo poeta enamorado
Os sonhos que revestem o meu viver.
Só então rompi as correntes de todo enfado.
Entre mortes e renovações, sei como renascer
Para voltar a me elevar como um ser alado,
Na perseverança de florir em glorioso amanhecer.
A verdade que eu quero
1-
Eu não quero a meia-verdade
Que só almeja agradar a todos
E massageia os egos feridos em sua vaidade.
Eu quero a verdade integral
Que precisa às vezes ferir
Para poder curar as enfermidades
Até nas profundezas da alma;
E a verdade que nos torna contritos e sóbrios
Para nos abençoar com seus sábios ensinos.
Eu quero a verdade que me ajuda
A reconhecer a minha fraqueza,
Pois ela há de me guiar no discernimento
Que tornar-me-à forte e valente para vencer
Os véus do engano mais sorrateiro.
É preferível viver na verdade que me agride
Do que na meia-verdade que me bajula;
Na verdade que dolorosamente me aperfeiçoa,
Do que na insuficiente verdade que só me protege.
2-
Eu não quero a verdade com remendo,
A verdade acessível àqueles que querem
Ver o que apenas lhes convém
Para aflorar os prazeres dos sentidos.
Eu quero a verdade que angustia o coração;
A verdade que faz a minha fé se elevar;
A verdade que faz a minh'alma temer e tremer;
A verdade quebrantadora que me aflige com amor.
Eu não quero a verdade que faz uma aliança
Com a mentira para me propiciar
Uma zona de conforto ilusória e perigosa
E uma realidade adulterada e prostituída
Que faz a minha vida ser aparentemente apreciável.
Eu quero unicamente a refulgente verdade
No seu poder para derrubar os muros de alienação
E que é invencível para iluminar a escuridão do meu ser.
Eu não quero a verdade rala e empobrecida,
A verdade sem aquele conteúdo nutritivo
Que pode tão bem me transformar.
Eu quero a verdade que não irá desamparar
As minhas expectativas a longo prazo;
Eu quero a verdade que me redime das minhas mazelas;
Eu quero, pois, tão somente aquela singela verdade
Que mesmo na dor, sempre há de me libertar!
Lágrimas
Os meus versos revelam melancolicamente
As angústias de alma que sempre vivenciei
E todas as lágrimas que um dia já derramei
Aos voos de minha sensibilidade ardente.
A minha poesia nasce dos prantos inesperados
De desespero, de luto, de saudades e de tristezas;
Mas também dá frutos com as lágrimas das certezas
De que os belos sonhos nunca serão arruinados.
Guardo em mim o ímpeto de tantas perseveranças
Em meio a uma torrente densa de adversidades.
E de emoção choro com o raiar de um sol de esperanças.
Revisto o meu coração de contrastantes tonalidades.
Ao mesmo tempo em que aspiro por futuras mudanças,
Persigo lacrimoso memórias de inocentes verdades.
Uma palavra extasiante
Deixei ecoar uma palavra de redenção
Que vibrou até nas minhas entranhas
Para dar, como chuva temporã, a minha consolação
E para me livrar de ideias infundadas e estranhas.
Senti no meu íntimo o êxtase dessa palavra gloriosa,
A qual encheu de alegria o meu coração.
Nela, há uma sabedoria imperiosa
Contra os sutis perigos que só levam à destruição.
Foi daí que surgiu em mim uma necessidade
De descansar os meus sonhos
No seu aconchego procedente da eternidade,
Cuja paz me fez triunfar sobre os dias enfadonhos.
Hoje eu reconstruo o meu viver
Com a redenção vinda dessa palavra inesquecível.
Ela é um presente dos céus para renascer
Na minha existência uma luz invencível.
Uma revolução no meu ser
No dia em que o conheci o teu amor,
Como tudo se transformou em mim!
Tudo ficou mais diáfano e fulgurante
Como as águas primaveris e calmas de um rio
Liberto de qualquer turbulência e agitação.
De uma longa noite vi lentamente descortinar
Um belo amanhcer envolto em alegrias;
Ao fim de uma escuridão quase absoluta
Onde só havia prantos silenciosos,
Pude ver uma manhã próspera de doces sonhos.
Tudo era para estar morto e enterrado,
Talvez só haveria indiferença e desesperança...
Mas, eis que nessa hermética floresta
De dúvidas, incertezas e confusões,
Uma clareira nasceu lá no alto e em minha direção.
Foi o sinal inaudito de uma resposta
Que o meu ser tanto precisava!
E essa foi uma entre tantas transformações
Que foram operadas no meu coração
Extenuado por tantos desânimos e interpelações.
Então, o raiar da revolução no meu ser
Despontou como nunca acontecera outrora.
Ele agitou as cordas da minh'alma,
Resplandecendo uma luz de esperança
Contra a insurgência de uma reacionária incredulidade.
Pois no dia em que conheci a tua fortaleza
Como me tornei forte, meu querido Senhor Jesus!
Desde essa, época apreciei a leveza das suas boas novas
Como um pássarinho pela primeira vez pairando
No mais alto céu em cantos de reverência e gratidão.
Em espírito e em verdade
Há uma urgência em meu coração
Que me leva a viver no abraço do teu amor
E na espera da promessa de tua redenção
Através da candeia de um glorioso fervor.
Eu quero tão somente adorar ao meu Pai Eterno
Em espírito e em verdade.
Hoje eu persevero para viver do superno
E da graça daquele que reina em toda majestade.
Tempos difíceis como sombras se aproximam
Para extinguir a luz da fé dos que sem reservas confiam.
Mas é agora onde surgirão os sinceros adoradores...
Nesses dias eu desperto simplesmente para louvar
Ao meu Deus soberano que logo vem para governar
Na nova Jerusalém de infinitas glórias e esplendores.
Uma prece de louvor
Louvo a ti, excelso redentor, fortaleza da minha vida!
Louvo a ti, estrela da manhã, príncipe da equidade!
Tu és hoje e para sempre serás o luzeiro que prodiga
A esperança para um ardente sonho de liberdade!
Tudo o que existe, carrega o teu esplendor;
Tudo o que existe, surge através do teu desígnio
Que do nada produz belas criações com amor,
Manifestando nos corações profundo fascínio.
Quero que tu sejas todos os dias o meu guia;
Quero que tu me ensines a ter lições de sabedoria
Para refulgir no meu ser a tua graça preciosa.
Quero que tu sejas, quando eu vier a esmorecer,
O meu alicerce que sempre hás de me erguer,
Semeando no meu ser a tua verdade maravilhosa!
O poeta e sua missão
O poeta é quem aspira acessar o indizível
E no seu sentir, há uma intensidade
Que só se torna compreensível
Para quem partilha de sua criativa liberdade.
É a missão do poeta a de amar
Com ternura toda forma peculiar de beleza
E, de forma lúcida, sabe bem expressar
A dor do mundo com toda franqueza.
Ante a evidência do incerto, o lirismo apaixonado
Brota da alma de todo poeta entusiasmado
Para o desvelamento dos enigmas da existência.
Versado em cantar os seus sofrimentos
E falar tão bem de suas paixões e sentimentos,
O poeta é sábio para revelar o ser de uma vivência.
A janela da esperança
Num dia qualquer abri a minha janelaPara ver o que de belo podia presenciar.Foi então que descobri uma alegria singelaPerfumando os ares com o seu propagar.A vida sorriu para mim com o seu melodioso cantoE a morte de todos os dias esmoreceuJunto com a escuridão nas ruas em prantoPela vinda da esperança que enfim apareceu.Pude degustar o frescor aprazível do ventoE tatear com o coração a sonata dos seres aladosEm comunhão pelos céus no intentoDe trazerem com o arrebol sonhos inesperados.Pela janela de uma nova vida, um mundo renovadoRessugiu como uma primavera ainda mais formosaCom tantos tons de cores para o meu ser entusiasmadoNa contemplação dessa aurora deleitosa.
Uma infância secreta despertou do seu sono
Para propiciar os seus doces odores de jovialidade
Na minh'alma que hoje voa pelo entorno
De um porvir a desfraldar uma via de liberdade.