30 de Outubro
Hoje eu minto pra mim mesmo
Eu conto mentiras como se fossem verdade
Engano meus pensamentos
Pensamentos cheios de vaidade
O desejo cega meus olhos
Eu conto números mais importantes que vidas
Não tenho a a mesma paixão
Hoje meu filho é adulto, não ama
Eu sinto que tudo foi culpa minha
Eu não o ensinei a amar
Ele deixou de ser quem eu queria
Eu conto mentiras
Deixei de ser quem eu era
Para ser quem todos esperam
Você consegue me entender?
Estou mostrando para que todos vejam
Sou egoísta, uma farsa
Você não sente que deixei de ser
Ser o que sempre quis, eu sou a máquina
Eu giro e por isso faço isso
Hoje minha família me contou estar grávida
Não sabia como responder
Por onde eu poderia começar?
Tristeza? Orgulho?
Você é minha filha
Sempre irei te amar
Não sei mais quem eu sou
Você consegue ver que deixei de ser?
Não sou mais aquele que sentia, sou apenas máquina que gira
Hoje foi um dia especial
Tudo que eu tinha foi levado pelo fogo
Tudo que construi, foi levado em instantes
Você se foi, fogo, onde você está?
No meu toque não sou mais quem sou
Meu calor é gelo, meu toque é sem medo
Não sinto medo? Quem sou?
Me sinto como o gado preso
Criado para servir minha carne a meu dono
Você me aprisionou?
Não, não sou, não sou herbívore dosmésticado
Eu vou devorar sua carne
Sentir seu sangue correr pela minha boca
Você, meu dono, queime minha casa
Estrupe minha filha, mate meu filho
Estripe toda minha família
Mas hoje eu não sou o caçado
Hoje quem vai te caçar sou eu
25 de Outubro
Estou rindo tanto
Gargalhando enquanto observo
A calçada está suja, cheia de barro
Você não percebeu o beco em que havia entrado
Se escondendo da tempestade
Você vem a mim
Nessa fissura maculada
Se esquiva de meus estrepes
Solta minhas amarras
Uivo sob a luz da lua
A caçada começa
Nosso jogo de mocinho e mocinha
Você se esconde, eu procuro
Eu gargalho e me espanto
Você se escondeu, você se escondeu
Seus rastros eu persigo
Meu faro é certeiro, te farejo
Nas folhas escarlates que te cercavam
A fera havia lhe apanhado
Tirado de tudo ti
Eu ria de seu destino
Comemorava minha vitória
O jogo é ganho da pior forma
Na cidade "steampunk"
Sufocado pela fumaça, reúno forças para a caçada
Meu casaco listrado surrado
Garras quebradas e de presas afiadas
Eu quero rir e nunca parar
Seguindo o jogo dos lobos, e de mocinhas a sonhar
17 de Novembro
Nesse dia, onde a noite era balbúrdia
Se ouvia o som dos felinos
Todos alegres de acordo com a natureza
Se ouvia os passos do Sr. Frord
Descendo as escadas
Devagar, Devagar, Devagar
Passo a passo
Devagar
Pela janela observa-a uma moça que aguarda o namorado
Talvez seu pai, talvez seu irmão
O olhar de preocupação
De um lado a outro
Cada esquina um encosto
Cada canto escuro se esperava um alvoroço
Sr. Frord descendo as escadas, devagar
A bela moça que se guardava
O cachorro que apenas urinava na calçada
O observador de sua janela
Entediado
12 de Novembro Nº2
Não, eu quero dizer não
Quantas vezes eu quiser dizer
Não, eu não posso
Não, eu não devo
Eu quero dizer não
Quantos nãos eu preciso dizer para você?
Você não vê?
Eu quero dizer não, a você
A ele, a ela, a todos
Você me cobra a cada olhar
Eu sinto sempre esse pesar
Ele me cerca a cada segundo
Fixo em meu rosto
Não vejo saída para não ser assim
Hoje eu não vou ser isso, não
Hoje eu sou não e não
Hoje e hoje
Você não entendem todo o não
O não é minha paixão
Cada segundo, minha obsseção
Eu vejo todo o sol cercando
Cada minuto que respiro
Não sentindo algo
Meu peito vazio sofre a cada segundo
Eu quero emoção, cada não
Eu não vou deixar tudo ser não e não
Como posso ser de todo não
Se tudo que sou é feito do não? Não?
O que não posso, não devo, não vou, não!
Chega, de me dizerem não
Hoje eu não aceito esse não como resposta
Vou arrancar de você o sim que espero
12 de Novembro Nº1
Das verdades que ele me contou
Nem todas ouvi com clareza
Distraído pelas beleza que passavam
Sentia coisas feias e bonitas em meu interior
"Não se julga pelo fedor"
Me dizia enquanta chamava minha atenção
Você não é o mesmo daqueles dias
Você está confortável nesse tempo
Sua força e tecnica se foi, cego é teu fio
Ao longo de anos você foi desfeito em pedaços
Você viu o que se tornou?
Lições e lições revisei
Em tudo isso eu já me formei?
Simbólos com significado familiar
Incerteza em sua escrita tremúla
Mente confusa sem caminho
Norte ou Oeste
Quem sabe qual lugar é o certo?
Vivendo das passagens e paisagens
Amores sem afeição e saudade
Vou deixar toda a queda me levar
Até contro o solo me chocar
E sentir que vive em toda minha morte
15 de Novembro Nº1
Estou cercado das figuras imaginárias
Esperanças e expectativas solitárias, egoístas
Todos os fantasmas que me assombram
Cada arrepio que sinto subir minha espinhas
Todo o medo que tenho de perder você
Todas as luzes lilás que vejo
Cada farol que me faz parar
Observar o mundo com mais medo
Não quero admitir tudo que sinto
Esconder minha fraqueza, essa fraqueza
Como posso ser quem eu quero? Eu quero?
Mentiras que não canso de me contar
Verdades que grito sem admitir
Todas a minha alma está suja
Corrompida pelo meu próprio desejo
Seja quem for, eu estou aqui
Por favor, vá embora
4 de Novembro
Sombras rasteiras que semeio
Não crescem pela fome
A noite dos porcos está farta
Vejo as crias porcas dançando
Comemoram pela ração e lama
Dançam
Pelas migalhas que o mundo lhe oferece
Inocente sombra anfitriã
Você não cresce cercada pelos porcos
Esfarelam em sua alma
Migalhas e restos de cebo de suas bocas nojentas
Vejo as crias porcas cantando pelos restos
Noite chuvosa, discorda da minha vida
Cada gota de chuva destroça minha sombra
Derretendo pelas línguas porcas e risadas tediantes
Crescem gordas a cada gota de mim que derramo
Suplico ao sol para nascer
Para minha sombra renascer
Não vejo a treva, não acho preocupação
Hoje irei morrer de fome
Ao som de risos das crias porcas
25 de Novembro Nº1
Traga a paz
Me deixe ver sem a luz
Sentir sem o toque
Traga o futuro que prevejo
Com os pedaços que me presenteia
Ver a sombra, invocar
Quando eu me encontrar a sua luz
Me ajude a preservar o homem e a mulher
Ante de todos meus conceitos
Deixe-me sentir o fluxo
Sal e água purificai minhas mãos
E então, construir minha vontade a verdade
6 de Novembro
Impuras e desarmoniosas emoções
Impulso ao meu desejo masoquista de ser controlado
Suas cordas me prendem, meus pulsos sangram
Eu sou tudo no mundo dos olhos fechados
Eu quero ser, sentir você, ser o mais amado
Sente sua pele impura, desejo sádico de submissão
A cada toque das gotas dessa vela
Me fazem ser ele, não sou ele
Vontade incontrolável pela dor
Não sente vontade de vida, dor da vida
Cercada por correntes você sente o arranhar
Entre sua pele, o toque suave das unhas
Descontrolada ambição
Nosso topo cheio em contradição
Todas essas sensações, a chuva
O que você procura?
Você sente o que eu sinto?
Você vê todas as marcas?
Cicatrizes e todas essas palavras cruzadas
Jogo de faz de conta, nossa grande piada
Obsseção por minha ação
Não existe objeção, sou ele, sempre ele
Hoje não sou ele, ele sou eu, hoje sou ele
Deixe a dor ser a regente de nosso espetáculo
Sinta a pele queimar por dentro, bem do meio
Sentir, explodir, comandar o comandante
Controlar pelo pescoço e ir até os pés
Sente esse calor em seu seio?
29 de Outubro
Hoje eu me lembrei de você
Nossa história teve um fim
Você ainda consegue me atrapalhar
Mesmo depois de nossa despedida
Eu contava sonhos com você
Nossa coleção era linda e invejada
Você foi meu castigo, minha lição
Você me trouxe a desgraça de ser um humano
Eu gosto da sua lembrança, mas não sinto amor por elas
Me mostram como eram nossa vida
Os motivos de eu ter ido partido
Você foi a perda
Nosso futuro ia ser passageiro
Egoísmo, meu e seu, controle
Isso é horrível, deplorável, animalesco
Você deu vida ao meu novo futuro
Ele é lindo, eu agarro ele a cada instante
Eu quero fazer amor com meu futuro, não com você
Você foi passagem, ele sempre foi meu objetivo
Eu te amo