15 de Novembro Nº1
Estou cercado das figuras imaginárias
Esperanças e expectativas solitárias, egoístas
Todos os fantasmas que me assombram
Cada arrepio que sinto subir minha espinhas
Todo o medo que tenho de perder você
Todas as luzes lilás que vejo
Cada farol que me faz parar
Observar o mundo com mais medo
Não quero admitir tudo que sinto
Esconder minha fraqueza, essa fraqueza
Como posso ser quem eu quero? Eu quero?
Mentiras que não canso de me contar
Verdades que grito sem admitir
Todas a minha alma está suja
Corrompida pelo meu próprio desejo
Seja quem for, eu estou aqui
Por favor, vá embora
6 de Novembro
Impuras e desarmoniosas emoções
Impulso ao meu desejo masoquista de ser controlado
Suas cordas me prendem, meus pulsos sangram
Eu sou tudo no mundo dos olhos fechados
Eu quero ser, sentir você, ser o mais amado
Sente sua pele impura, desejo sádico de submissão
A cada toque das gotas dessa vela
Me fazem ser ele, não sou ele
Vontade incontrolável pela dor
Não sente vontade de vida, dor da vida
Cercada por correntes você sente o arranhar
Entre sua pele, o toque suave das unhas
Descontrolada ambição
Nosso topo cheio em contradição
Todas essas sensações, a chuva
O que você procura?
Você sente o que eu sinto?
Você vê todas as marcas?
Cicatrizes e todas essas palavras cruzadas
Jogo de faz de conta, nossa grande piada
Obsseção por minha ação
Não existe objeção, sou ele, sempre ele
Hoje não sou ele, ele sou eu, hoje sou ele
Deixe a dor ser a regente de nosso espetáculo
Sinta a pele queimar por dentro, bem do meio
Sentir, explodir, comandar o comandante
Controlar pelo pescoço e ir até os pés
Sente esse calor em seu seio?
18 de Novembro Nº2
Degraus onde o fim não tem começo
Ações medrosas guiam o preceito
Dúvida perfurante impiedosa
Rostos belos e melódicos cheios de sorrisos
Passos trêmulos incrédulos
Juizado moralístico inconsciência
Corrida contra o amor de sua mãe, o respeito de seu pai
Crítica ao prazer caótico de sua imaginação
Esquina silenciosa convidativa
Poder ao ser que controla meu dever
Vida que se vai e vai
Subida íngreme do que é viver
Mentiras sobre você
22 de Novembro
O sol queimava minha pele
O calor que cobria meu corpo
Me deixava com sono, me espreguiço
Nas escadas da porta de minha casa
Tomo um copo de café
O gosto era melhor do que ontem
Céu azul que me cobre
Me jogo, estico as costas
O calor se espalha de outra forma
Fecho meus olhos e vejo
O céu ainda está lá me esperando
Me levanto, espreguiço
Tomo outro gole de café
O chão me parece mais firme
Entro para minha casa
Hoje será outro dia
24 de Novembro
Em meu monólogo monótono
Argumento com minha alma
Questiono minhas razões e emoções
Discuto cada desvio de olhar
Entre os certos e errados
Qual será o mais engraçado?
Observo a estrada novamente
Sigo pelo caminho imprudente
Fantasmas, lobos e paixões me distraem
Cada pedaço que levam consigo
Cada pedaço que deixam comigo
O que serão?
Meus olhos doem
Não posso fechá-los
Não quero perder os detalhes que me aguardam
Sério, tão sério
Nesses versos sem emoção
Procuro toda minha razão
Gargalho então engasgo
Rasgos em minha garganta
Sons, sons e sons
Ninguém está aqui
Sons e sons
Silhuetas e mais silhuetas
26 de Novembro
Não tenho certeza dos caminhos
Desconfio dos rostos sorridentes
Sorrisos? Armadilhas para minha carne
Criaturas mentirosas que amam e odeiam
Você devora sua carne
Mas o cheiro da carniça
É como veneno
Fraco enganado
Passos pelo asfalto dos desavisados
Cada sinal de dor e angústia
Uma risada profunda
Meio no começo de seu fim
Socá pela nuca
Me deixa nua
Senti o cheiro do tolo
Vazio desespero do perdido encontrado
A solução para todas as facas
Meu braços então trancados
Me deixei ir, me deixe ir
Cada passo para o abismo
Seja mentiroso comigo
Sorria e menta para mim
Com esse seu sorriso
Enganada posso estar
Mas todo esse sentimento
Não quero deixar
Hoje não sou eu
Talvez seja você que procura
Cada dia, todo dia
Passo a passo meu fim
Sentir o passado pesado
O futuro branco voraz
Que esse som me traz
Felicidade cortês
9 de Novembro
Minha doce pele cinza
Doce mundo cheio de tristeza
Vejo suas cores com carinho
Me entregue meus pulsos
Cicatrizes que sangram outra vez
Todo o vermelho que vejo
Escrevo seu nome
Com a ponta de meus dedos
Aperto meu peito, me observo no espelho
Todo o preto que cerca meus olhos
Todo o azul que se aproxima ao chão
Não há razão
Desse chão frio observo o teto
Sinto em minha mãos o mar vermelho que se forma
Me vejo próximo a você
No encontro de meu azul e vermelho
Lamento cada momento sem o toque
Não vejo as estrelas no céu cheio de nuvens
Está sol, mas tudo se escure com rapidez
De vermelho ao escarlate
Do azul ao celeste
De encontro ao vazio que me preenche
Do toque ao preto
Do preto para cada toque que me recordo
Todos como se fossem ontem
Ontem e ontem
Ontem
10 de Novembro
A moldura que molda
Se banha em meu esparramar de sonhos
Todas as minhas cores transbordam
De toda minha obra já confeccionada
Eu vejo que derramo gostas lilás através das palmas
O chão transborda de sentimentos
Completamente encharcado de amarelo
Desenho flores com os dedos
Faço marcas em meu rosto
Corro livre pelos campos
Sinto crescer esse sentimento rosa
Todo o vermelho que já vi
Verde que abracei e beijei todas as noites
Azul que me confortou com seus cafunés
Negro que descança e acalma a alma
Figuras que criei
Pássaros, flores e pessoas
Coberto por todo esse prisma
Eu me vejo em paz
28 de Novembro
De minha cama vejo a noite pela janela
Queria ver seu rosto no céu
Vejo as estrelas e as nuvens
Estranhos pela rua
Conversas sobre qualquer coisa
Depois de todo o movimento
Encosto meu rosto em meu travesseiro
Meu travesseiro favorito
Aproveito os sons do silêncio
Me vejo ao seu lado em pensamento
Abraçados, de mãos dadas
Meus olhos a procura de seus detalhes
Enquanto me contava de seus sonhos
Espero que tudo isso
Possa ser verdade
Quando puder ser
Quando for para ser
Quando fizermos acontecer
31 de Outubro
Fraqueza disfarçada em palavras
Inercia, reina o mundo sem ordem
Ações míopes, empobrecem meu reino
Céu nublado, sem resistência
Passos solúveis consumidos pela areia
Toque gelado como os olhos de um lobo
Fraco e imperdoável, cada olhar
Suas roupas mostram o conteúdo de cada lágrima que derrama
Você culpa Cipriano pelo seu destino
Mas seus passos foram estático em seu ritmo tedioso
O céu é belo, seu sonho
Você não deseja tocar o intangível
Sonhar é prazer, apenas sonhar
Sonhos vindos dos contos, lorotas e lorotas
Sua marca é fraca
Não causa cicatrizes
Montanha truncada
Veneno benigno