27 de Outubro
Neblina áspera que cerca seus olhos
Esconde desejos
Dói o sentimento de repulsa
Ama e desdenha
Carcere intangível, cegueira
A carne cobiça o mundo
Olhos apenas sonham
Monstros se alimentam de carne
Rotas de fuga tentadoras
Não vejo a saída, neblina
Seja água, seja sangue
Cegue os olhos maculados
Dos sujos e rejeitados
"Ilumine"
25 de Outubro
Estou rindo tanto
Gargalhando enquanto observo
A calçada está suja, cheia de barro
Você não percebeu o beco em que havia entrado
Se escondendo da tempestade
Você vem a mim
Nessa fissura maculada
Se esquiva de meus estrepes
Solta minhas amarras
Uivo sob a luz da lua
A caçada começa
Nosso jogo de mocinho e mocinha
Você se esconde, eu procuro
Eu gargalho e me espanto
Você se escondeu, você se escondeu
Seus rastros eu persigo
Meu faro é certeiro, te farejo
Nas folhas escarlates que te cercavam
A fera havia lhe apanhado
Tirado de tudo ti
Eu ria de seu destino
Comemorava minha vitória
O jogo é ganho da pior forma
Na cidade "steampunk"
Sufocado pela fumaça, reúno forças para a caçada
Meu casaco listrado surrado
Garras quebradas e de presas afiadas
Eu quero rir e nunca parar
Seguindo o jogo dos lobos, e de mocinhas a sonhar
26 de Outubro
Você me ouve? Portador de maldições
Você me sente? Predador do medo
Você me vê ? Senhor dos desejos
Hoje lhe rogo minha prece
Seja em vão ou para o além
Que minhas palavras ecoem em sua consciência
Você consegue ver a luz?
A morte traz o mundo a mim
Hoje você me trará outra vida
Rogo a ti senhor das sombras
Ser banhado em luz
De meu sangue nascerá teu filho
Hoje me ofereço como seu sacrifício
Me traga a dor da perda
Você consegue me ouvir?
Minhas cinzas estão jogadas em sua pele
Tudo o que eu fui, se deleite em minhas memórias
Eu sinto você tocando minha pele
Deixando de ser o ser sagrado
Me traga as sombras, fique ao meu lado
Você partiu desse plano a outro
Você consegue me sentir?
Jogado nessa vala, imundo
Todas minhas planícies mortas
A seca, a fome, a miséria
Não exergo a luz, me traga a verdade
Eu morro nesse abismo
Rogo a ti minhas últimas palavras, predador
Você irá me abraçar
Queimará junto a mim
Dançaremos nos fogo negro
Faremos sexo como cadáveres
Sem vida e sonhos, apenas o desejo sombrio que sonhamos
Você consegue ver?
12 de Novembro Nº1
Das verdades que ele me contou
Nem todas ouvi com clareza
Distraído pelas beleza que passavam
Sentia coisas feias e bonitas em meu interior
"Não se julga pelo fedor"
Me dizia enquanta chamava minha atenção
Você não é o mesmo daqueles dias
Você está confortável nesse tempo
Sua força e tecnica se foi, cego é teu fio
Ao longo de anos você foi desfeito em pedaços
Você viu o que se tornou?
Lições e lições revisei
Em tudo isso eu já me formei?
Simbólos com significado familiar
Incerteza em sua escrita tremúla
Mente confusa sem caminho
Norte ou Oeste
Quem sabe qual lugar é o certo?
Vivendo das passagens e paisagens
Amores sem afeição e saudade
Vou deixar toda a queda me levar
Até contro o solo me chocar
E sentir que vive em toda minha morte
16 de Outubro
Sua alma tóxica é refugiu
Envenena meus olhos
Toque fervente, abrasivo
Me derrete como o sol nos domingos
Deixo-me ser corrompido
Destrua minha pele, meus sentidos
Deixe-se ser o que cobiço
Pura toxina viciante
De toque arrepiante
Ser de outro mundo inumano
Me leve ao espaço
Deite-me em teu colo
Seja a morte de minha carne
Floresça minha alma
Eleve meus sentidos ao seu extraordinário
Acaricie meus cabelos
Absolva tudo em mim
Abandone com clareza
Seja parte de minha tristeza
Angustia amarga que me corroi
Eu preciso deixar de ser
Me leve com você
Meus sentidos precisam ter
Você ao meu lado
E não ser
Esse ser
"Corrompido"
"Desgastado"
"Amargo"
Me encha de alegria
Seja a colheita que me guia
Inverno pós inverno
Me faça morrer e viver a cada nuance de tua voz
Me interpreta e seja você a cada instante
Seja a árvore do qual desejo o fruto
Seja livre em sua floresta de ideias
Que nossa prole seja bela
4 de Novembro
Sombras rasteiras que semeio
Não crescem pela fome
A noite dos porcos está farta
Vejo as crias porcas dançando
Comemoram pela ração e lama
Dançam
Pelas migalhas que o mundo lhe oferece
Inocente sombra anfitriã
Você não cresce cercada pelos porcos
Esfarelam em sua alma
Migalhas e restos de cebo de suas bocas nojentas
Vejo as crias porcas cantando pelos restos
Noite chuvosa, discorda da minha vida
Cada gota de chuva destroça minha sombra
Derretendo pelas línguas porcas e risadas tediantes
Crescem gordas a cada gota de mim que derramo
Suplico ao sol para nascer
Para minha sombra renascer
Não vejo a treva, não acho preocupação
Hoje irei morrer de fome
Ao som de risos das crias porcas
9 de Outubro
Ás 18 horas me vi,
Me despedi,
Deixei de ser,
Encontrei outro alguém,
Lembrei do alguém,
Esqueci de ver,
Me deixei ser,
Machuquei o alguém.
Ele é frágil,
Seu reflexo é amargo,
Suas mãos sem tato,
Seus braços gelados,
Olhos sem vida.
Distraído,
Ignoro o alguém,
Ele é belo,
Suas mãos são frágeis e quentes,
Seus braços confortantes,
Suas intenções são sombrias.
Alguém não ouve,
Alguém não vê,
Alguém é triste,
Alguém é feliz,
Sorria, chore.
Vida curta,
Tua quimera lhe devora,
Reflexo, poço sem fundo,
Feridas suas asas,
Confusa suas palavras,
Mentirosa sua pele.
3 de Novembro Nº1
Estava perdido em luzes
Cego pelos amores que se fazem
Não existia um lugar para se descansar
Eu sentia frio no sol
Todo os toques eram iguais
Lutando cego nas fronteiras
Não sei meu destino
Eu me perdia a cada passo
Apenas aquela sombra me guia
No campo de luzes eu me perdia
Tantos toques vazios eu sentia
Armado e preparado estou
Nossa batalha começa
Todo segundo conta depois do agora
Não estamos perdidos
Sombras nos guiam, nos ensinam
Em nosso caminho comum e incomum
Nossa reza terminará quando abrimos os olhos
Estamos prontos para esta noite
Hoje caçaremos por nossas vidas
Mestraremos nossas marionetes
Sob as luzes onde nossas sombras dançam
Vejo o que nos aguarda
29 de Outubro
Hoje eu me lembrei de você
Nossa história teve um fim
Você ainda consegue me atrapalhar
Mesmo depois de nossa despedida
Eu contava sonhos com você
Nossa coleção era linda e invejada
Você foi meu castigo, minha lição
Você me trouxe a desgraça de ser um humano
Eu gosto da sua lembrança, mas não sinto amor por elas
Me mostram como eram nossa vida
Os motivos de eu ter ido partido
Você foi a perda
Nosso futuro ia ser passageiro
Egoísmo, meu e seu, controle
Isso é horrível, deplorável, animalesco
Você deu vida ao meu novo futuro
Ele é lindo, eu agarro ele a cada instante
Eu quero fazer amor com meu futuro, não com você
Você foi passagem, ele sempre foi meu objetivo
Eu te amo
13 de Outubro
O vazio é completo somente com a ausência
Sentimentos são comprados
Ser o caos para criar o ser
A paz para procriar o ser
A morte apaga o meu caráter
Com meu corpo de carne e osso
Me assemelho ao bovino e seu esterco
Esperança, esperança
Deixei viver, a cada momento em meu ser
Cria um mundo só pra mim
Cheio de flores, árvores e gado
Predadores nefastos e poucos amantes ao meu lado
Deixe criar novamente
Seu mundo de arte caótica
Atraente e sensual, em sua morte e vida
Remova minha moralidade
Para puro novamente ser
Para amar somente meus protegidos
E escalpo a meus inimigos
Criar minha família
Procriar meu ser
Enquanto crio o meu ser
Meus filhos irão ser
Puros e selvagens