3 de Novembro Nº1
Estava perdido em luzes
Cego pelos amores que se fazem
Não existia um lugar para se descansar
Eu sentia frio no sol
Todo os toques eram iguais
Lutando cego nas fronteiras
Não sei meu destino
Eu me perdia a cada passo
Apenas aquela sombra me guia
No campo de luzes eu me perdia
Tantos toques vazios eu sentia
Armado e preparado estou
Nossa batalha começa
Todo segundo conta depois do agora
Não estamos perdidos
Sombras nos guiam, nos ensinam
Em nosso caminho comum e incomum
Nossa reza terminará quando abrimos os olhos
Estamos prontos para esta noite
Hoje caçaremos por nossas vidas
Mestraremos nossas marionetes
Sob as luzes onde nossas sombras dançam
Vejo o que nos aguarda
31 de Outubro
Fraqueza disfarçada em palavras
Inercia, reina o mundo sem ordem
Ações míopes, empobrecem meu reino
Céu nublado, sem resistência
Passos solúveis consumidos pela areia
Toque gelado como os olhos de um lobo
Fraco e imperdoável, cada olhar
Suas roupas mostram o conteúdo de cada lágrima que derrama
Você culpa Cipriano pelo seu destino
Mas seus passos foram estático em seu ritmo tedioso
O céu é belo, seu sonho
Você não deseja tocar o intangível
Sonhar é prazer, apenas sonhar
Sonhos vindos dos contos, lorotas e lorotas
Sua marca é fraca
Não causa cicatrizes
Montanha truncada
Veneno benigno
15 de Novembro Nº2
Comigo nesse aguaceiro
Suor se esvaie sem vaidade
O medo espalha-se como fogo
Por nossa flora abandonada
Vermelha solidão esgueira
Me pega pelos ombros
Me beija no rosto
Tudo que se foi em água e por terra
Volta em forma serena
Brilhante luz
Nasceu em nossos corações
Se foi pelo fogo em forma de cinzas
Fria e solitária
Sozinha dentro de meu coração
Desabrochou toda essa solidão
Juras repletas com sermão
Lembram a mais bela oração
Você recebe meu canto
Encapsula-se em sentimentos
Você pode ir
Você pode ser
Você é quem eu quero
4 de Novembro
Sombras rasteiras que semeio
Não crescem pela fome
A noite dos porcos está farta
Vejo as crias porcas dançando
Comemoram pela ração e lama
Dançam
Pelas migalhas que o mundo lhe oferece
Inocente sombra anfitriã
Você não cresce cercada pelos porcos
Esfarelam em sua alma
Migalhas e restos de cebo de suas bocas nojentas
Vejo as crias porcas cantando pelos restos
Noite chuvosa, discorda da minha vida
Cada gota de chuva destroça minha sombra
Derretendo pelas línguas porcas e risadas tediantes
Crescem gordas a cada gota de mim que derramo
Suplico ao sol para nascer
Para minha sombra renascer
Não vejo a treva, não acho preocupação
Hoje irei morrer de fome
Ao som de risos das crias porcas
21 de Outubro
Perdido nos meus sonhos
Nuvens negras cobrem todo meu céu
Nuvens cercam meu horizonte
Sinto o ar úmido
A tempestade se aproxima
Toda a construção da natureza que me cerca
Será modificada
O vento soprara forte em folhas
Moverá terras e espalhará a vida
A lama será a puberdade dessa terra
Crescerá para ser outra
Céu azul, seu sol é forte
Me queima a pele
Fortalece essa terra
Sinto falta de suas nuvens
Me traz sede
Céu escuro, céu sem nuvens
Vejo suas estrelas
Toda a paixão de suas águas me varreu
Me fez pensar que não sou mais seu
Céu nublado, não é o mesmo
Suas nuvens voltaram, mas não voltaram
São pálidas como eu
Eu quero sua beleza singular
Suas águas de novo a me banhar
Seu suor a me afogar
Fortaleça o solo em que piso
Torne o instável, faça seu artifício
Eu quero seu desafio
Me faça sofrer, me faça querer
Eu desejo lutar contra sua tempestade
Para meu rosto brilhar
Ao sua palidez mostrar
Ser o sobrevivente
De toda sua fúria e constituição
Me alimente de seus sobreviventes
Deixe a vida brotar de seu humor
Vou devorar seus sobreviventes
E ser o único ao final de seus desafios
8 de Novembro Nº2
Hoje, aqui, reunido a você
Dedico minha ações
Hoje, aqui, junto a mim
Prometo seguir seu conselho
Sob a luz desse círculo prometemos
Irei lhe servir, assim como me serve
Deusa da casualidade
Mestre do vigor e da inércia
Me mostrem os passos
No caminho das chamas congeladas
Me traga boa sorte, me traga tragédias
Me faça agarrar, me faça soltar
Me faça viver, me faça morrer
Hoje, aqui, reunido em corpo
Hoje, aqui, reunido em alma
30 de Outubro
Hoje eu minto pra mim mesmo
Eu conto mentiras como se fossem verdade
Engano meus pensamentos
Pensamentos cheios de vaidade
O desejo cega meus olhos
Eu conto números mais importantes que vidas
Não tenho a a mesma paixão
Hoje meu filho é adulto, não ama
Eu sinto que tudo foi culpa minha
Eu não o ensinei a amar
Ele deixou de ser quem eu queria
Eu conto mentiras
Deixei de ser quem eu era
Para ser quem todos esperam
Você consegue me entender?
Estou mostrando para que todos vejam
Sou egoísta, uma farsa
Você não sente que deixei de ser
Ser o que sempre quis, eu sou a máquina
Eu giro e por isso faço isso
Hoje minha família me contou estar grávida
Não sabia como responder
Por onde eu poderia começar?
Tristeza? Orgulho?
Você é minha filha
Sempre irei te amar
Não sei mais quem eu sou
Você consegue ver que deixei de ser?
Não sou mais aquele que sentia, sou apenas máquina que gira
Hoje foi um dia especial
Tudo que eu tinha foi levado pelo fogo
Tudo que construi, foi levado em instantes
Você se foi, fogo, onde você está?
No meu toque não sou mais quem sou
Meu calor é gelo, meu toque é sem medo
Não sinto medo? Quem sou?
Me sinto como o gado preso
Criado para servir minha carne a meu dono
Você me aprisionou?
Não, não sou, não sou herbívore dosmésticado
Eu vou devorar sua carne
Sentir seu sangue correr pela minha boca
Você, meu dono, queime minha casa
Estrupe minha filha, mate meu filho
Estripe toda minha família
Mas hoje eu não sou o caçado
Hoje quem vai te caçar sou eu
16 de Outubro
Sua alma tóxica é refugiu
Envenena meus olhos
Toque fervente, abrasivo
Me derrete como o sol nos domingos
Deixo-me ser corrompido
Destrua minha pele, meus sentidos
Deixe-se ser o que cobiço
Pura toxina viciante
De toque arrepiante
Ser de outro mundo inumano
Me leve ao espaço
Deite-me em teu colo
Seja a morte de minha carne
Floresça minha alma
Eleve meus sentidos ao seu extraordinário
Acaricie meus cabelos
Absolva tudo em mim
Abandone com clareza
Seja parte de minha tristeza
Angustia amarga que me corroi
Eu preciso deixar de ser
Me leve com você
Meus sentidos precisam ter
Você ao meu lado
E não ser
Esse ser
"Corrompido"
"Desgastado"
"Amargo"
Me encha de alegria
Seja a colheita que me guia
Inverno pós inverno
Me faça morrer e viver a cada nuance de tua voz
Me interpreta e seja você a cada instante
Seja a árvore do qual desejo o fruto
Seja livre em sua floresta de ideias
Que nossa prole seja bela
24 de Outubro
Mãos cansadas
Ego passivo, cresço ao observar
Ossos rangem a dor, desalinhados
Mãos sujas, manchadas de dor e desejo
Feitas para tocar o ser
Onipotente e desmascarado pensamento
Guia ao ceifeiro, deserto
Bela e ruiva é sua alma
Vazio são seus desejos
Me leve ao seu lado, brilhante
Seja por dor ou prazer, farei sua vontade
De sua vida escura em seus passo claros
Sua íris está morta, foi ao mar
Minhas veias estão saltadas, pulsam
Se movem ao ver, você
Curiosidade minha guia
Me pregou está peça
Sua luz que se esvai
Vejo você nua e sem adereços
Seus lábios fascistas me enojam
Você não é luz nem a sombra
Encanto homogêneo, seu abismo
24 de Novembro
Em meu monólogo monótono
Argumento com minha alma
Questiono minhas razões e emoções
Discuto cada desvio de olhar
Entre os certos e errados
Qual será o mais engraçado?
Observo a estrada novamente
Sigo pelo caminho imprudente
Fantasmas, lobos e paixões me distraem
Cada pedaço que levam consigo
Cada pedaço que deixam comigo
O que serão?
Meus olhos doem
Não posso fechá-los
Não quero perder os detalhes que me aguardam
Sério, tão sério
Nesses versos sem emoção
Procuro toda minha razão
Gargalho então engasgo
Rasgos em minha garganta
Sons, sons e sons
Ninguém está aqui
Sons e sons
Silhuetas e mais silhuetas