18 de Novembro Nº1
Na morte do meu eu esquecível
Reflexo de quem você me fez ser
Vejo cada rastro que marcou meus passos
Todo ser de luz cria sombra
Vibração que gera reação
Não há ação, apenas reação
Conjunto infinito dos meus eus que inventei
Ao lado de cada clone perdoável
Futuro despedaçado que abraço
Em cada uma de minhas prováveis mortes
Vidas e vidas que se vão e constroem seus palácios
Cada fruta que nasce do mar que sou
Doce amargo espesso intragável
União das folhas e memórias tangíveis
Parto em descaso a quem deixei
Muros fortes que um dia amei
Folclore dos contos que jamais se ouviu
Partida para o além tão próximo
Sempre próximo
17 de Novembro
Nesse dia, onde a noite era balbúrdia
Se ouvia o som dos felinos
Todos alegres de acordo com a natureza
Se ouvia os passos do Sr. Frord
Descendo as escadas
Devagar, Devagar, Devagar
Passo a passo
Devagar
Pela janela observa-a uma moça que aguarda o namorado
Talvez seu pai, talvez seu irmão
O olhar de preocupação
De um lado a outro
Cada esquina um encosto
Cada canto escuro se esperava um alvoroço
Sr. Frord descendo as escadas, devagar
A bela moça que se guardava
O cachorro que apenas urinava na calçada
O observador de sua janela
Entediado
22 de Outubro
Listrado enferrujado que me cerca
Fezes sujam meus pés
Todo o lugar fede
Meu carcereiro é animal
Minha vida deixou de ser importante
Vejo pilhas e pilhas de merda
Me cerca
Onde piso me sujo
Meus "puleiros" estão sujos
Meus pés estão tortos
Minhas asas pesam
Meu estômago vazio
Voar pelos céus não vou
Morrer em minha cela breve irei
Passo fome e frio
Me deixe sozinho em meio as minhas fezes
Não sinto mais seu fedor
E morrer em meu canto solitário
25 de Outubro
Estou rindo tanto
Gargalhando enquanto observo
A calçada está suja, cheia de barro
Você não percebeu o beco em que havia entrado
Se escondendo da tempestade
Você vem a mim
Nessa fissura maculada
Se esquiva de meus estrepes
Solta minhas amarras
Uivo sob a luz da lua
A caçada começa
Nosso jogo de mocinho e mocinha
Você se esconde, eu procuro
Eu gargalho e me espanto
Você se escondeu, você se escondeu
Seus rastros eu persigo
Meu faro é certeiro, te farejo
Nas folhas escarlates que te cercavam
A fera havia lhe apanhado
Tirado de tudo ti
Eu ria de seu destino
Comemorava minha vitória
O jogo é ganho da pior forma
Na cidade "steampunk"
Sufocado pela fumaça, reúno forças para a caçada
Meu casaco listrado surrado
Garras quebradas e de presas afiadas
Eu quero rir e nunca parar
Seguindo o jogo dos lobos, e de mocinhas a sonhar
28 de Outubro
Sagrada seja a mãe
Que sente a dor por seu filho
A cada passo ao desconhecido
Sua dor transipira e inspira os demais
Além dos muros e lanças
Seja envolvida em paixão
Abraça seu marido e sorria a perca
Você deixou tudo para trás
Prole amada
Se alimenta do seu sangue de teu filho
Seja eterma em meu coração
Cresça e procria
O salvador que deixa a vila
Descende para crer, ele se foi
Tua palavra morta
Já não mais
Você é o que sempre foi
Impotente
Abraça teu marido
Crie nova vida, seja amada
Você é a nova vida
Seja o deus de teus filhos
Crie a vida, tire a vida
Faça crescer a sua vida
Presença mortal que me ama
Eu também te amo
Dios
18 de Novembro Nº2
Degraus onde o fim não tem começo
Ações medrosas guiam o preceito
Dúvida perfurante impiedosa
Rostos belos e melódicos cheios de sorrisos
Passos trêmulos incrédulos
Juizado moralístico inconsciência
Corrida contra o amor de sua mãe, o respeito de seu pai
Crítica ao prazer caótico de sua imaginação
Esquina silenciosa convidativa
Poder ao ser que controla meu dever
Vida que se vai e vai
Subida íngreme do que é viver
Mentiras sobre você
14 de Outubro
Observando um lixão,
Procurando bom material,
Imaginando belas formas,
As quais você quer dar forma.
No lixão você encontra,
Uma semente a brotar,
Tem a certeza,
Uma grande árvore frutífera será!
Vai embora,
Deixa a semente se desenvolver,
Um dia sua fruta,
Doce irá ser.
Todos vão provar,
De seu sabor gozar,
Levarão suas sementes,
Todas irão brotar,
E encontrar seu doce lar.
11 de Outubro Nº2
No meu mundo de plástico
Observo os passos
Buscam felicidade
A seu reflexo admirar
Nesse mundo de espelhos
Procuram seu igual
Enxergam a si nos terceiros
Protagonista irritante
Ideias perfeitas
Cobiça sem fim
Apenas sua alma será salva
No julgamento de sua própria justiça
"Egoísta..."
12 de Novembro Nº1
Das verdades que ele me contou
Nem todas ouvi com clareza
Distraído pelas beleza que passavam
Sentia coisas feias e bonitas em meu interior
"Não se julga pelo fedor"
Me dizia enquanta chamava minha atenção
Você não é o mesmo daqueles dias
Você está confortável nesse tempo
Sua força e tecnica se foi, cego é teu fio
Ao longo de anos você foi desfeito em pedaços
Você viu o que se tornou?
Lições e lições revisei
Em tudo isso eu já me formei?
Simbólos com significado familiar
Incerteza em sua escrita tremúla
Mente confusa sem caminho
Norte ou Oeste
Quem sabe qual lugar é o certo?
Vivendo das passagens e paisagens
Amores sem afeição e saudade
Vou deixar toda a queda me levar
Até contro o solo me chocar
E sentir que vive em toda minha morte
27 de Outubro
Neblina áspera que cerca seus olhos
Esconde desejos
Dói o sentimento de repulsa
Ama e desdenha
Carcere intangível, cegueira
A carne cobiça o mundo
Olhos apenas sonham
Monstros se alimentam de carne
Rotas de fuga tentadoras
Não vejo a saída, neblina
Seja água, seja sangue
Cegue os olhos maculados
Dos sujos e rejeitados
"Ilumine"