Lista de Poemas

Mulher. Substância de Amor

Quero uma mulher. Preciso.
Um alguém que me surpreenda
E cuja presença me preencha
E olhos falem mais que a própria voz

Quero um amor não destinado
Bem casual, meio arbitrário
E num enlance sem propósito
Afundar-me no seu carinho despótico

Uma parceira para a alma
Que para vida sirvo eu
Aquele ponto de luz no breu
Que saiba viajar mesmo que na cama

Que me pinte à gosto do prazer Imponente
Sob a lua
Que me desnude de caprichos e eu também a encontre já nua

Uma mulher que não se lhe encontrem barreiras
Mulher apenas.
Que se entregue aos prazeres sem mordaças
Que me guie e me apresente de hasta em praça
Uma mulher apenas
Sem voltas, com bastante curvas...
Assim, uma assim bem sexy
Que queira sexo de segunda a segunda.
 

                                                    Jheronimus
82

ESTRO-EMOÇÕES NÃO ENSINADAS

Perene, Cruel e Triste Chuva

Vejo-me novamente nessa amargura, dor
O tempo me pediu para melhorar
Mas não posso, não posso andar novamente com seus passos
Forma-se esse lago de desespero em mim
Você me doou ao desespero, eu te quis
Você me tratou do jeito mais infeliz
Eu imaginei, eu desejei um desfecho diferente
Mas você tem um maldito iceberg nesse peito que já me foi leito e hoje, desfeito, detesto

"Eu apresentei-te o mar beijando o sol, te presenteei, te quis, te desenhei, você não se expressou do mesmo jeito"
Vou apagar-te do meu coração junto com os desenhos que eu tenho de ti
Hoje tenho memórias tuas espalhadas no tempo
Quem dera nunca as tivesse!
Você me fez desamar, você apagou o que de belo tive

Você tornou o respirar um calvário diário, você me marcou profundamente
É incrível como hoje já não vejo o horizonte
A minha visão de amor e arte você corrompeu
Você era a mais bela obra, você me marcou tanto
Você ancorou esse desespero em mim
Você secou o meu mar
Você...era o meu reflexo, tudo que eu tinha para sobreviver, minha alma, meu sorriso pela manhã.

Eu nunca desejei isto, quero murchos estes olhos
Nunca tive a chance de me defender
Eu me entreguei por inteiro
Você me deu a provar o fel
Você me magoou tanto
Você cravou em mim essa angustia
Essa lágrima cruel

Esses meus sorrisos escondem a revolta que sinto
O desejo de também te querer aos pedaços, te odiar como agora escrevo e no âmago faço...
Você nublou a minha vida, você me fez desamar!
Maldição!

Você me magoou, você me tornou nisso
Nesse ser triste e melancólico
Nunca tinha sentido sequer o peso de um adeus
Você quebrou a minha inocência
E eu tinha que protegê-la
E as saudades que me magoam me fazer chorar

Você não morreria por mim
Você me doou covardemente a este destino cruel


                    Jheronimus



143

Constância

Conheço a voz do teu silêncio
As noites em que me perdia em desespero
Buscando-te no além,
O vazio da tua ausência, a eternidade de um minuto
Conheço também

Ainda te espero 
A cada crepúsculo, vejo-te em todas sombras nas ruas
Na penumbra dos meus sentimentos, te busco, te procuro...
Nos sussurros de gente que vai e vem
No chilrear das aves nas tardes de Abril
Nas noites frias e sem luar

Ainda te espero 
A cada aurora, vejo-te em todas sombras nas ruas
Na penumbra dos meus sentimentos, te busco, te aguardo na demora...
Nos sussurros de gente que vai e vem
No chilrear das aves nas tardes de Abril
Nas noites frias e sem luar
No farfalhar das árvores pelas avenidas
Nos ecos perdidos de vozes tatuadas pela cidade
No negro, no azul, no dourado do sol eremita somando meus dias, subtraindo minha vida

Ainda te avisto
Na solidão que acompanha o meu rosto
Te choro, nas minhas lágrimas incessantes e
Constantes nesse meu destino plangente
Pois meus olhos são janelas de meu coração
Permeável

"Perdão."

                                                       Atila J.
61

À Mão Poeta

Como se as palavras voassem
Poemas são vozes aladas
Gritos que ecoam da terra devassa
Que morrem no papel e como poesia nascem

São desejos sorvidos sem pressa
Saudades escritas no efémero tempo
Nascidas sob forma de tinta
E sentidas quando sorvidas por olhos atentos

São os amores proibidos de outra pessoa
Paixões proíbidas por razões que desconheço
Sentimentos bombeados verso a verso
Por um eu condenado a outros fazer sorrir
A dessentir na eternidade dos escritos
Traduzidos em choros silentes de palavras que
Como vozes com asas, voam
Poesia nascida dos olhos
Quando a boca se cala, poesia

                                                  Atila J.

                

 

52

Meninos de Rua

Nessa cidade que adormece perseguida pelo tempo
Sob a pintura da luz do luar
De olhos virados para o amanhã
Estamos nós
Entregues à sorte da vida
Trajando lágrimas, saciados pelo vazio
Jogados nas estradas, com fome e frio
Estrelas que não brilharam, perdidas pelo caminho

Nós, que construimos sonhos acostados no papelão
Que jantamos não, vadios e sem pão
Nós, nas manhãs sem orvalho,
Manhãs de fome e frio e vazio
Rabiscos de um deus que nos descartou e nos doou ao caralho, e à puta que nos pariu

Nós, que polimos os pés que traçam o futuro
Que desenham ruas e vielas, que nos fazem a cama
Nós, sem sonhos nem pão
Meninos de rua, dormindo no chão...



                                                   Atila J.
46

Rebentos de Paradoxo

Costurei as saudades
Com as mesmas lágrimas de sempre
Ao sabor do silencio que te reguei outra vez
Essas flores que você fez jardim

Flores são belas, mas têm a sua crueldade
Beleza e força são a mesma coisa
E não hesitam ferir igualmente aqueles que ousam
arrancar as esperanças guardadas em cada pétala
Por mais que passe o tempo, e as estações se perdurem
Quanto mais belo, mais letal
Destino fatal

Vou regar essas flores com o meu amor, beijá-las
E amadurecerão sob a ternura que ainda tenho para dar.


                                                               Atila J.
50

À Leste do Paraíso

Algum dia, espero eu
Viajar nesse mar de sonhos
Para este lugar após o arco-íris
Por enquanto, no entanto, espero

Existe algo de único nas estrelas
Algo íntimo, existe magia além daquela escuridão
Algum lugar após o arco-íris, num destes lugares
Onde há mais que tudo mais

Onde sonhos fluem em paz
Algum lugar após o arco-íris
Onde deixamos os sonhos virarem real
Onde os dias viajam 
Algum lugar, onde eu vivo, por instantes

Além deste mar, cruzar o horizonte
Algum dia, deixar esta existência para trás
Algum lugar depois do arco-íris
Tu me encontrarás, cantando
Algum dia se desejares e deixares para trás
E caminhar até esse lugar

                                          A.Jheronimus
65

03:08, Madrugada

Ao abrir a porta
Eu sinto o acorde retorcido da noite
Como foi que eu cheguei em casa ontem?
A unica certeza, meu corpo está aqui 
Bom dia, e após...perdido fico outra vez
Dentro deste cenário desconhecido
Que me acostumei a observar

Pensei que era o fim, conseguirei prosseguir
Ainda não é suficiente
Para que eu consiga fugir da morte
Um pouco constrangedor

Dentre todos os meus deveres
Sabendo que os esqueci
De outra forma, seria doloroso demais
Levante o seu rosto, pessoa de olhos negros!
A luz apenas nasceu, porque voce a viu

Cercado por um minuto, num mundo pintado em segundos
Pelas cores que escolhi
Imagino o significado das feridas que
Não poderei fechar

Meu único artista, em pé, acima desse palco
que centro do mundo será
Até o fim, até o seu fim

O que farei? Mal posso fingir
Pois estou vazio por dentro

Olá, prazer, aqui estou!
         

                                               A.Jheronimus
79

Saudosa Poesia

A tal poesia que me restava é essa que você levou.
Com aquele amor 
que me fez bem e mal na mesma proporção
Que me brindou os céus, mas me tirou o chão

Desamparou!
A tal poesia que havia em mim
Transformada nesse fim sem fim
Nesse amar que me confina
A tal poesia que me corria naturalmente
Guarnecia meu coração e punha-se à frente
De todo esse mundo sem cor
Desse sofrer insano
Fruto desse silêncio sussurrante
Que me ensurdecia nas noites sem luar

A tal poesia
Que fez versos dos meus choros
Coros dos meus choros roucos
Por aquele amor que me fez bem e mal
Que me embriagava, brindava
Doou-me ao desamparo, ah que desagrado!
O poema dessa mesma mulher
Que me levou aos céus
Mas me tirou no chão


E eu caí.
Porra!

                                           Jheronimus
123

L' amour

Quero uma amor que mais ninguém ame
Um que me molhe os pés, amor que me ame
Quero um amor e poder viver 
Quero uma mulher, uma como ninguém mais
Que me mostre o caminho, que me dê a amar
Que me leve não à frente, nem atrás. Ao luar!

Quero num beijo dela, terno e saudoso
Vislumbrar a promessa de uma vida feliz
Quero celebrá-la a cada toque, a cada afago
Quero dessa mulher a alma em vez do corpo

Quero-a, e ao amor que dela vem
As lágrimas, a saudade e as faltas também
Quero dela o vazio da sua ausência
A espera que queima a esperança
A demora que enlouquece
Quero ela por completo

Quero-a.
Para um amor por reviver
Para o fim desse vazio
Amar. Amor!
Amor que me ressignifique a vida
Quero essa mulher.
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