na verdade o poema interpreta todos os dramas do poeta
é que ao verso não importa que a emoção do poeta seja uma porta por onde os verbos mergulham à procura de respostas
como ator resta apenas ao poema inundar o poeta de seus dilemas.
101
Das filosóficas parcimônias das verdades
haverá verdades meio relativas e uma absoluta razão de estarem lícitas é que suas origens como noções avaras deixam absolutos no meio das palavras e trovoam apenas o presente em que se declaram
o futuro as dirá apenas assim perdulárias como parcelas de outras em adjetiva fala
43
A Faris Odeh em palestina vigília
o tanque embutido na guerra nem sabe do valor de tuas pedras
bólides morais elas habitam os infinitos da luta que teu braço agita
ainda hoje assim gritam e tangem a Palestina pelas vias desses futuros que teus gestos nas pedras escreviam
165
Da bailarina em passos
a bailarina nas esquinas dos sustenidos inventa todas as ruas e afazeres dos sentidos
como uma andorinha a bailarina flutua e inventa nas asas uns trejeitos de lua
satélite e garça no seu corpo declara todos os cosmos do engenho e da alma
e adormece no ócio como uma frase exausta que suas pernas escrevem nas entrelinhas da valsa
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Da favela em corrente falar
a favela, nau desordenada, navega a vergonha dos mares de quem cala ruga urbana, exausta, desabrocha as fomes que esconde em suas portas e a usina do tempo escorrendo pela cidade, amanhece o povo e um futuro em que caiba
89
das plurais manhãs do futuro
a manhã plural abrirá as sombras nas ruas surgirá e o povo em ondas, como marighellas despejados pela vida, engolirá o medo e inventará avenidas e aninhará em seu colo o curso exato das medidas
é que a luta é um amor apropriadamente coletivo que se esconde nos ombros dos que andam consigo
51
Dos etílicos vincos da madrugada
saio da noite montando madrugadas com os restos da lua que vigem nas calçadas e esqueço os caminhos difusos que a razão intromete pelos passos como um surto duvidoso e insolúvel para indicar os rumos do que traço
aéreo como um astronauta mirando as voltas do mundo a volta é só um desperdício das viagens a que nos propomos
88
Laços temporais e minudências
O homem dá-se ao tempo com a sofreguidão incauta de quem maneja uma teoria ausente da prática
ruminante das horas nem vê que o passado é um futuro de ontens transeuntes e desavisados
a idade é um velocímetro de todos os seus laços como cabê-la nos ombros como algoritmo largo?
151
Em futuros e tempos displicentes
a plataforma do tempo é um imenso descampado onde o povo cria fatos na ânsia de completá-lo é assim como um discurso de verbos rastejantes que vão comendo as palavras e seus significantes e construindo os andaimes desses todos retirantes
é que a vida sempre boceja os fatos que sigam avante como uma cornucópia no espaço dos futuros que adiante
111
Do saci e do povo em fantasia
o saci claudica, assim pererê pela vida, a perna que o povo escreveu nos ombros da notícia e montou pelas matas nas razões de sua lida
o povo inventa pernas que nem administra apenas ressoam na cabeça como vestimentas da vida
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.