nesta exata compostura em que te postas no horizonte árvore, nem te permitas deixar minhas retinas nos teus ombros é que deixá-las ao sabor dos teus ventos tangem meu sonho pelo mar como nesgas do pensamento
coqueiro nunca te importas com as sinapses e o tempo
78
Da insônia em transversa pose
o sono raso escorrega do olho e escuta a cidade como desconforto
o sonho nem se apercebe que a realidade é uma pálpebra inerte
e o tempo monta a madrugada como um quebra cabeça dos cochilos de quem tarda
57
Ode à catarata
meio cego o poeta exalta o que da luz escapa em sua alma
é-lhe estranho o que divisa o palmo que vê e multiplica
meio cego o poeta estanca nas esquinas do olho as esperanças
e não lhe agride a norma de estar entre neblinas o que o vento discursa em tempos e adrenalinas como resta no peito uma vida embranquecida mas que estertora de luz nas lembranças que avisa
107
Digressão sobre a culatra
talvez nem a bala como pássaro conciso compreenda tua lógica paciente e contida
assim avessa à precisão e ao tato tens mais de impulsão do que é exato
pois se revelas o mister em que te tens inata permites aos autores o constrangimento das balas
a vida nem adivinha o quanto tem de culatra
51
dos ofícios de mim em crescente
meu indício é um contrário e a certeza que vige nas certezas em que me guardo
meu ofício é ser um trânsito em tudo aquilo em que me caibo
guardo os dias sem guarda e a luz mais íntima das madrugadas
creio no engenho das estrelas e na compreensão inata de que tê-las é não tê-las
guardo as alegrias definitivas como as canetas que trago pelos bolsos da camisa e as incluo no meu dia com todos os verbos a que me apresto à alegria
meu ofício é ser meu sangue pulsando todos os rubros e todos os instantes
138
Ode aos 40 anos, retirante da mágoa
a vida é um trânsito enorme e nem é preciso que o corpo lhe informe
sou aos borbotões meus gestos mais próprios e um verbo que teima em dizer-se lógico
apanho as 15000 madrugadas que lavraram o tempo em minha face e as empilho largas numa eventual felicidade
e consumo as horas já tardio emborar rebentem indícios de que ardo apesar do frio
70
Ode ao meu cachimbo, chamado Misaque
era o fogo serventia aguda da coisa menos formal prestante à luta
era o tomilho matéria exata de guardar restos dos sonhos que desato
era a fumaça magra continência do que eu poderia queimar nessas ausências
Misaque era só uma arma de inventar paciências
69
das datações impacientes da espera
1o de julho já estava cravado no espaço que eu me dava
e de repente fez continência e já nem era julho na paciência
tinhas mais de abril um jeito atrasado de um presente em que eu me fiz com o futuro atravessado
118
dos balanços vitais
hás de andar assim incontinente como se a vida não coubesse no que sentes
e sempre te permites ainda insolvente cobrar o que da vida gastas impunemente
87
das comoções em racional desplante
minhas emoções comovo-as com as pitadas de razão com que as movo
minhas razões pressinto-as assim que me têm à mão as adrenalinas
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.