poema em revolução
quero-a revolução como exercício
de amolgar a vida como ofício quero-a revolução
como norma e indício
de que a vida cabe inteira em qualquer sentido quero-a revolução descontraída
que paste a tarde humana e me decida quero-a revolução
em cambulhadas engolfando as manhãs por que me arda quero-a revolução exata no seu ilimite
e que não me faça noite mesmo quando triste quero-a revolução destemperada amanhando a consciência da madrugada quero-a revolução
tão crua e tanta
e que não seja nem verbo nem garganta quero-a revolução
desde a aurora
pra que nasçam todos os sóis pela história quero-a revolução adredemente amada deitadas pelas sarjetas porque tão vasta quero-a revolução ensandecida
nas esquinas mais gerais de toda a vida quero-a revolução
como armistício
das guerras que trazemos nos sorrisos quero-a revolução
porque definitiva
no atravessar dos horizontes das vigílias quero-a revolução
e simplesmente cavalgando minha vida impunemente.
Poema de proporção
Tudo de nada
é quase um não
mantida a destemperança da razão nada de tudo
é quase um vão
de quando se inventa a revolução
Poema de manhã e luta
nem toda manhã é absurda tirante o jeito da vida
e a solidão de quem luta manhãs nunca serão bandeiras mas um tempo definido
na vontade de quem queira e o tempo nem se ajusta ao que quero manhã
num tempo de culpas
Poema de madrugada insólita e pátria solta
é de saber-se
que a tarde é morta no dia que a noite traz à sua volta noturno parecer
que trai a tarde
e estupra os céus de minha pátria como a borboleta negra dos teus olhos é de se saber
que o dia é vindo
quando a noite monta em madrugadas nos corcéis infindos dessa pátria castiça luz
que nem se sabe amolgando os homens que em vivos nascem e morrem em cedos quase em tarde
Poema de considerações e amores
que tua carne infrinja minha alma com a exatidão com que me ardo e que sejas vã porquanto passageira das viagens não ditas de ilusões intensas assim, quando olhas não me caibo
e nem desfaço em mim o teu abraço toda retina
é um laço
que desprende o olhar de quem abraça
Poema de circunstância II
nada é nunca. tudo é tanto
e tão sempre que muda como a fome guardada nos sonhos de quem luta. de repente
assim por descuido
o tempo atravessa a manhã em largo curso
e decreta a liberdade
pelos ombros do futuro.
Poema de circunstância
era um tempo
de agosto
13 os dias, se tanto
e assim, de repente, em horas avulsas
a alegria deu um salto com ares de luta e eu me pus em mim
com a certeza intacta
de que a vida é um tempo
dos agostos e das lutas que nos faltam.
Poema de certa indagação
quantifico a vida
e nessa desmedida tudo que me soma
me divide
nenhum número dirá o tamanho do que vivo
Poema às paredes de vidro
nem sempre a transparência
deixa de ser cortina
se não se escrevem nos meus olhos os materiais que adivinho e paredes mais não sejam que invólucros mal inscritos nos muros gerais
dos meus sentidos
Poema ao retrato de Olga Benário Prestes
na casa do sapateiro Francisco nunca espaço te coube
e murchavam todas as horas
e marchavam públicas as dores na casa do sapateiro Francisco havias em fotografia
como se fosses tão tanta
que Chico inventava os dias na casa do sapateiro Francisco no exercício do que não dizias eras um rosa arquitetada
no juízo de quem te via na casa do sapateiro Francisco apesar da objetividade do retrato tinhas um jeito de história
e um gosto intenso e farto de memória.
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.