Marítima alusão da vida
no convés de mim
singro minhas águas
as que fluem do riso
as que nadam as lágrimas
quase todas resumidas
nas correntezas que lavro
atravessar-me,
nos mares que componho,
é navegar em mim
os barcos que sonho
no convés de mim
singro minhas águas
as que fluem do riso
as que nadam as lágrimas
quase todas resumidas
nas correntezas que lavro
atravessar-me,
nos mares que componho,
é navegar em mim
os barcos que sonho
da mata
não concluo
um indivíduo planta
absurdo
madeira
que nem esteja
para cobrir um vão que seja
o cedro
desacata
o quê de pusilânime
na mata
e lavra o verde
do seu colo
com a concisão
desse seu ódio.
o baobá
nem se merece
das larguras que não traz
porque se esquece
que basta no seu peito
um quê definitivo
e as maçãs que nunca deu
tão dividido.
pau d’arco
já se mostre
na franja da manhã
em que explode
roxo lençol
da ventania
na luta dessas pedras
contra o dia.
cerejeira
tão incerta
em ser madeira
que se apresta
a moldar-se em mãos
de outras terras.
cipó
nem se desculpe
por ser mais vário que a terra
que ocupe
pois se perde dos caminhos
com a mesma compostura
de quem traz o destino
esculpido em sua culpa
cacto
sabe a cordilheira
apontando seu grito
como bandeira
e se não é árvore
antes se acha
sangrando o peito do vento
e sua mata.
pinheiro
é grande continência
resumo de si mesmo
em urgência
e escava o dia
sem intimidade
porque melhor
seria ser a tarde.
vento
já se basta
em ser espada sem gume
dessa mata
e corta a si mesmo
engolindo a madrugada
num gesto de tão conforto
da paisagem
folha
apesar de pouca
é uma concisa floresta
que se culpa
pois tem a compleição
de estandarte coletivo
do batalhão dessas árvores
em desabrigo
a mata
mesmo que não queira
é um quê definitivo
da saga brasileira.
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.