No olho a luz informa que o universo é pouco para conter o óbvio a luz sempre será um infinito inócuo tudo que lhe é sombra será lógico pela mesma razão que tudo é também o seu contrário guardada a proporção de sua história
ao homem cabe vivê-la no seu contorno esse trabalhar infindo de construir o novo
109
Da luta e seus enredos
Não me submeto aos limites do meu medo
a ação é a exata proporção do que eu devo
morrer é apenas um desfavor na vida em que me escrevo
105
Da liberdade em ritmo estrito
A liberdade nunca basta para medi-la é preciso a prática e um tempo de tanto que lhe invada.
A liberdade não medra à meias como roçado antes é planta avessa a qualquer arado é coisa tanta de gente e se contém aos saltos
A liberdade nunca basta não há metros de si pelas calçadas a liberdade é sempre inominada
A liberdade não se mata sempre lhe sobram léguas em cada alma.
161
Da insônia em ritmos
A noite adredemente avança coisas do dia pela mente e o sonho engatilhado foge dos olhos de repente é que num desvão da noite incoerente o sono esqueceu de amanhecer a gente.
134
Da infância e do drama
Nem era menina rosa ainda humana que contivesse na pele a sensatez e o drama e já se punha o mundo como se posto em sonho e chama
nem era a vida rosa ainda humana que supusesse da calma um virtual engano e lavrasse pela alma os prantos escondidos de quem apenas ama
nem ainda humano era o pranto concedido mas a breve compreensão de que a vida transborda em todos os sentidos.
67
Dos virtuais autômatos da inconsciência
primeiro é dada ao incauto a ilusão de que comanda os seus dados fluem argumentos pretensos fatos a mídia cobre de favores o desinformado em poses graves a informação pontua tudo que os senhores querem das ruas o desinformado já não discursa veste a camisa de uma verdade que nem é sua e a abraça com a sofreguidão de quem utiliza a vida à contramão tudo que não é seu é seu refrão
então o moderno é ser latente estar sempre num trânsito diferente o homem passa a cursor dos mouses de quem nem sente bebe os bites transversos de uma verdade incoerente aquilo que é a paz bebe a guerra de repente engenheiro ineficaz o incauto nem pressente que a base da construção é sua vida inconsequente e a democracia é apenas uma palavra morta e incoerente.
56
Da democracia e dos enredos
a cada cidadão dê-se a condição de parecer-se fato da razão e que semeie olhos pelas paisagens na exata proporção de quem se cabe
a cada cidadão dê-se a contradição de inventar-se imberbe mesmo não e que avance na cidade à contraluz nos bailarinos passos que conduz
a cada cidadão dê-se a parcimônia de consumir os futuros em que sonha e que não teça seus medos tão frequentemente como quem contradiz o jeito de ser gente
a cada cidadão dê-se a similitude de um mar ilimitado mesmo açude e que então se mobilize quando assim tão coletivo deixar de ser um único apesar dos seus indícios a cada cidadão dê-se a complacência de padecer tenazmente de consciência e que debulhe a vida em cambulhadas remidos todos os passos que invente nessa estrada
a cada cidadão dê-se a certidão de que tramita na vida tão frequentemente como a certeza intacta de quem se permite a condição de gente.
164
Da conveniência e outros paradigmas
a vida nos convém como medida de tudo que à contracorrente é desmedida e que lhe permite um viés mais pertinente correndo em veias de todos assim tão impunemente como se fora tração dos jeitos todos de gente
a vida nos convém como ultimato dos infinitos que anotamos em cada fato e que demonstram o cerne desse anonimato que nos faz ser indivíduos tão singulares que nos perdemos nos outros em todos os compassos.
a vida me convém como contrato entre tudo de mim e o inexato guardadas as consequências de todas as outras vidas em que me acho é que às vezes me prolato não como uma sentença que se diga fato mas uma feição mais tênue e inexata que se escapa pela vida no meio dos meus atos
a vida me convém como um tempo inato que me despeja inteiro nos meus gastos uns aqueles que exerço nos meus passos outros os que não mereço na prontidão dos meus achaques e que me gasta um pouco antes de que eu me baste
a vida me convém mesmo a desoras quando insisto em tornar-me sujeito do infinito e descambo pela aventura de viver o que não disse é que descabe a pretensão de ser mais do que aquilo em que se insiste
a vida nos convém mesmo rasurada e que não pretenda os rumos de qualquer estrada há sempre a possibilidade de se criar do nada e inventar um tempo de caminhadas
a vida nos convém em todas as pautas e em todas as disputas mas que invente música em todos os bemóis a que se ajusta vividos nós em dança na aventura íngreme de construir a luta.
a vida nos convém pelas montanhas guardadas as planícies todas em que a história nos apanha porque tê-la assim nessa grave geografia é exercício de quem inventa o dia
a vida nos convém impunemente basta viver para subverter a ordem do que se sente.
169
Verbos de interjeição da vida
À natureza dá-se o desplante de ver hipotecados seus horizontes
a terra sangra a longo curso o sangue canalha dos parasitas do lucro
e o mundo caminha tardio nos ombros do absurdo.
106
Das margens de mim
das manhãs que eu não tenha seja o tempo inconsumido como as razões que me tenham nos ombros dos sentidos
é que sentir é só um jeito de viver as razões que nem pressinto é como lavar os pensamentos na torneira informal dos instintos
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.