Marítima alusão da vida
no convés de mim
singro minhas águas
as que fluem do riso
as que nadam as lágrimas
quase todas resumidas
nas correntezas que lavro
atravessar-me,
nos mares que componho,
é navegar em mim
os barcos que sonho
no convés de mim
singro minhas águas
as que fluem do riso
as que nadam as lágrimas
quase todas resumidas
nas correntezas que lavro
atravessar-me,
nos mares que componho,
é navegar em mim
os barcos que sonho
O boson de Higgs
qualifica
nada do que é nem paz
nem vida
é que lhe modifica
uma textura exata
do que nem explica
toda matemática
pois acrescenta
uma feição intacta
de quem inventa tudo
do quase nada
o boson de Higgs
impunemente
constrói uma desculpa
no peito da gente
nada do que é tanto
nos é indiferente
flui no tempo
em segundos inatos
grande resolução
da prática
e destemido
constata-se
como uma rebelião
pacífica e inexata.
Carta I
não tenha a vontade
um mister tão compulsório
que não o de gerir o peito
e furtar-se ao ócio;
que convença o coração
dessa gerência informe
mas que se preze infante
e que se entregue e chore;
que abasteça o peito
de quereres mais amenos
alguma rosa profunda
algum urgente segredo;
que conspire à furto
com a razão mais latente
mas que se queira interina
numa vida permanente;
não traia o corpo
alguma chaga imprecisa
que se derrame sem jeito
pelo bolso da camisa;
antes queira-se frágil
nos exercícios da vida
e desdobre-se em cachoeiras
em que caiba imprecisa;
e arquitete um abraço
que não lhe saiba concisa
no limite de suas carnes
e do tamanho do infinito;
não venha o espaço
querer-se tão limitado
que não comporte um amor
que caiba no seu abraço;
mas que se firme complete
nas lacunas que lhe formam
e informe-se por certo
das colunas que suporta.
Carta II
A gente sempre morre
do tamanho da vida
e sobra em amores pacatos
pelo jeito da notícia
a gente sempre ama
do tamanho do abraço
e nem se sobra ileso
das marcas do que se acha
Carta III
a noite
bóia nos meus olhos
com a mesma tecitura
com que bóia minha alma
pela rua
meu poema
não se acostuma
a ser verbo
que não se assuma
e se não se alça
a exercícios mais táticos
é que bóia também na noite
embrulhado no que acho
a noite
boia nos meus olhos
no gesto mesmo
de uma lágrima
feliz que nem seja tanta
verbo que se queira água
meu poema
não se escusa
a ser um verbo que sinto
e que me acusa
de tê-lo assim inteiro
nas vírgulas em que atua
Carta IV
meu país não obedece
a qualquer geografia
senão as que o povo
constrói na sua folia
Carta V
A lágrima do riso
tem um jeito diferente
é algo assim como um rio
que não tivesse corrente
Carta VI
De cada paixão
resta o desuso
uma peguiça de amar
a longo curso
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.